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setembro 30, 2009

Bolaño e outros jogos de plataformas


Fui na 6ª Feira com Bounty Bob ao lançamento de 2666, o romance do momento. Party Program e outro amigo passaram vários dias de Agosto a falar no assunto, com um entusiasmo que ultrapassava tudo o que eu já tinha ouvido alguém dizer sobre um romance.
Infelizmente a sala estava completamente lotada e nem tive vontade de entrar para adquirir um desses rarissimos exemplares à venda. Ficarei com a versão de massas, cuja capa parece ter sido feita por um mau aluno da ETIC.
Tenho lido entretanto o que se escreve sobre o livro, nomeadamente as opiniões de pessoas que fazem da crítica literária o seu modo de vida.
É raro dizê-lo e quem nos conhece terá dificuldades em se lembrar de elogios mútuos trocados entre nós. Em todo o caso, queria apenas dizer que o que escreveu Party Program aqui, pouco antes de desaparecer no coração das trevas da África profunda, é de longe a coisa mais interessante que eu já li sobre o livro. Ao contrário do que antecipava o próprio, não se encontra na pastoral portuguesa algo de melhor.
Dizia Party Program: "2666 chega a este mundinho de leitores e leitoras e livrinhos e dedicatórias em rima de escritores fodilhões, como os aliados à Normandia. 2666 são trezentos lobos esfaimados a invadir a terra do meu pequeno pónei. 2666 são mil páginas de livro fodido que vieram para assaltar os Agualusas e os Peixotos e Gonçalos Tavares no pátio do liceu. 2666 são 500 Lauras Palmers. [...]
Creio que quem quer que tenha alguma vez presenciado uma morte violenta poderá corroborar essa impressão de sem-sentido, de extremo acaso, de um certo território obscuro sem fundo na natureza humana que ao contrário do que possa parecer não é feito de raiva e de medo mas sim de um vazio cósmico: a força de Twin Peaks não advinha do mistério de quem matou Laura Palmer mas precisamente de uma profunda tristeza desértica que acompanhava essa morte, como se perante a interrupção e a brutalidade a existência não passasse no fundo de um domingo eternamente chuvoso."

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:49 PM | Comentários (9)

E que tal aderirmos todos ao PTP?

Jorge Bateira, nos Ladrões de Bicicletas, propõe a criação de um novo partido de esquerda em meados de 2010. Resultado lógico, diz Jorge Bateira, da «pressão das elites de esquerda para que o País encontre uma solução governativa à altura dos desafios dos próximos anos», face à incapacidade das actuais forças de esquerda se entenderem. Este partido seria composto por «toda a gente da "esquerda socialista" disposta a fazer algumas rupturas (mais ou menos dolorosas) com o seu percurso político passado». E o que deveriam fazer os militantes e dirigentes desse partido? «Vão ter de praticar destruição criadora: a de superarem a antinomia “gerir o capitalismo” versus “derrubar o capitalismo”. Trata-se de ir assumindo responsabilidades no governo do capitalismo e, ao mesmo tempo, irem introduzindo elementos de subversão. Fazer o exercício da governação participada e transformadora. Claro que é reformismo, e os frutos das reformas nem sempre se vêm logo. Contudo, será um reformismo tão bem sucedido quanto mais for capaz de ir tornando o nosso capitalismo irreconhecível (e inaceitável) aos olhos dos financeiros.» Nem mais!

Publicado por [Manic Miner] às 03:19 PM | Comentários (10)

setembro 29, 2009

Tour de Lisboa

Publicado por [Bounty Bob] às 05:14 PM | Comentários (5)

Mobilidade Pedonal em debate

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O Movimento Passeio Livre, que se celebrizou por andar a colar autocolantes nos carros estacionados em cima do passeio, vai realizar um debate no âmbito das eleições autárquicas.

Nestas eleições, muito se vai falar de mobilidade. Desde as bicicletas aos túneis, passando pelos transportes públicos, que por acaso, nesta cidade, estranhamente, são tutela do Governo Central em vez de serem do município.

Mas quem fala das avenidas que se parecem cada vez mais com auto-estradas? De praças em que para se atravesar de um lado ao outro, como a do Marquês de Pombal, no coração de Lisboa, são precisos quase 10 minutos? Da dificuldade em andar com um carrinho de bébé pelo passeio?

A cidade, nos últimos 50 anos, tem sido pensada e desenhada para os carros.

Uma cidade mais amigável para as pessoas, com menos carros, com menos poluição, menos velocidade, é o desejo de um número cada vez maior de cidadãos. Essa "novidade" ainda não chegou (pelo menos com força suficiente) aos programas dos partidos políticos. Assim, este debate, para além de ser uma opurtunidade de ouvir prespectivas e propostas dos candidatos, é uma opurtunidade para eles ouvirem o que os peões têm a dizer.


Publicado por [Saboteur] às 12:09 PM | Comentários (8)

setembro 28, 2009

Mais debates sobre a "Fábrica Social"

Depois do sucesso do debate de hoje, aqui fica o restante programa d' A Metrópole, Fábrica Social, no Teatro Municipal Maria Matos.

É aproveitar agora, porque o Santana vai entregar aquilo ao La Féria.

29 SET Da Cidade dos Criadores à Metrópole dos Produtores
Debate com Tiago Baptista, Luís Vasconcelos e Renato Carmo

30 SET O Governo Metropolitano
Debate com Susana Durão, João Seixas e Tiago Saraiva

1 OUT As Lutas Metropolitanas
Debate com Chullage, João Branco e Eugénia Margarida

É tudo às 18h30.

O de dia 30 coincide com um outro debate, sobre mobilidade pedonal, que ando a organizar com os meus companheiros do Passeio Livre. O de dia 1 vai ser para mim o mais interessante.

Publicado por [Saboteur] às 10:50 PM | Comentários (2)

A melhor notícia da noite

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Publicado por [Rick Dangerous] às 02:35 PM | Comentários (10)

Hoje vou ao teatro


A cidade constitui-se metrópole a partir do momento em que uma série de equipamentos e edifícios ligados em rede transformam cada via de acesso num fluxo produtivo. Uma teia de ligações, configurada por sistemas de transportes públicos, pontes e vias rápidas, redes sem fios e circuitos de videovigilância, é diariamente activada pela circulação dos habitantes da metrópole, os quais percorrem os escritórios, as fábricas, as salas de espectáculo, as lojas, as escolas, os hospitais, os jardins e os centros comerciais em que se produz e reproduz a vida social. A metrópole assemelha-se então a uma fábrica social, lugar de mobilização cooperativa da força de trabalho, onde se encontram as matérias-primas, circulam as mercadorias e onde se pratica o consumo, alimentando os circuitos de uma economia global.
Esta natureza produtora da metrópole encontra eco em alguns debates. Quando governantes e urbanistas invocam a imagem da “cidade criativa”, em parte reconhecem a natureza produtora da vida espiritual metropolitana. E quando nos falam acerca da necessidade de criação de uma imagem de “marca” para uma cidade, de algum modo repetem o gesto empresarial de criação do logotipo, símbolo que se inscreve no produto e cuja compra permite consumir um certo estilo de vida. Entretanto, a metrópole enquanto fábrica social extravasa largamente o que pode ser contido por aquelas formulações. Veja-se o caso da “cidade criativa”, fórmula que tende a reduzir a produção metropolitana a uma dimensão elitista, reduzindo a metrópole dos produtores – que liga margem sul e margem norte, que engloba centros e periferias, que articula indústria, serviços e comércio – a uma pequena e mui nobre cidade de criadores, de acesso restrito a alguns grupos profissionais de índole artística, uma cidade preferencialmente localizada em novos bairros de charme que emergem no interior dos velhos bairros populares dos centros históricos.


Publicado por [Rick Dangerous] às 02:24 PM | Comentários (3)

A Metrópole, Fábrica Social

Um ciclo de debates sobre a cidade, em tempo de campanha para as autárquicas, começa hoje no Teatro Maria Matos com a implosão teórica da "cidade criativa".

28 SET, 18h30
Para que Servem as “Cidades Criativas”?
Debate com Pedro Costa e João Pedro Nunes

Publicado por [Joystick] às 12:30 PM | Comentários (5)

Nunca tinha estado no Agito com tantos deputados

Publicado por [Saboteur] às 03:49 AM | Comentários (0)

setembro 27, 2009

Custo/Benefício

Acho que a esta hora já podemos avançar que a campanha mais eficaz em termos de análise custo/(não)voto foi a da plataforma abstencionista.

Publicado por [Chuckie Egg] às 07:43 PM | Comentários (1)

É muito importante escolher criteriosamente os nossos representantes


Publicado por [Rick Dangerous] às 07:34 PM | Comentários (1)

43.3% de votantes até às 16h

Parece que se está a votar à grande.
Que se passa?

Publicado por [Paradise Café] às 05:09 PM | Comentários (4)

Democracia em perigo!

Mesa eleitoral de Vilar de Mouros distribuiu boletins das eleições Europeias -

Publicado por [Paradise Café] às 03:31 PM | Comentários (2)

Votar pénis com um cravo vermelho na boca

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Este blogue existe mesmo. Tem um breve manifesto político que afirma que «o Movimento Vota Pixota é a resposta à política que nos oferecem. E a resposta é: “Não! Não sou uma cruz, não sou mais uma roda numa engrenagem, não sou um ser amorfo e sem vontade!"». Concluem, então, que são um pénis tal como desenhado por uma criança de 6 anos. É estranho mas, como fomos todos crianças de 6 anos, achamos espontaneamente graça.

Diz aqui o Saboteur que isto faz lembrar aquele romance de Saramago, em que numas eleições toda a gente decide votar pixota e gera-se uma grande crise política. É o Ensaio Sobre a Pixota.

Googlei mas não encontrei nenhum movimento a apelar no voto com desenhos de órgãos sexuais femininos.

Publicado por [Joystick] às 02:05 PM | Comentários (4)

Foi a gota de água

Eleicoes_09Notícia: Muitos judeus portugueses não vão votar

É oficial: Sócrates perde assim a maioria absoluta

Publicado por [Paradise Café] às 12:49 PM | Comentários (1)

Eu voto em consciência, porque o meu voto tem consequências na minha vida

como tudo, aliás.

Publicado por [Paradise Café] às 11:25 AM | Comentários (1)

setembro 26, 2009

Massa Crítica de Setembro

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Ontem foi a maior Massa Crítica de sempre em Lisboa.

O termo Massa Crítica convoca uma situação habitual em grandes cidades da China, em que os ciclistas, para atravessar cruzamentos e rotundas com muito tráfego automóvel totalmente anárquico esperam antes de atravessar que se juntem mais ciclistas, de forma a formar “massa” suficiente para fazer o atravessamento em segurança.

Ontem terá sido verdadeiramente a primeira Massa Crítica “a sério”, onde qualquer patinador, ciclista com mais de 60 anos ou criança pôde fazer do Marquês de Pombal ao Rossio, da Baixa à Praça do Chile, do Chile até à Graça, em total segurança e liberdade, apenas ouvindo de vez em quando umas buzinadelas potentes lá ao longe, de algum automobilista impaciente por não estar a conseguir acelerar.

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Publicado por [Saboteur] às 01:26 PM | Comentários (11)

setembro 25, 2009

Esmiuçando o esmiúça

« La terreur ubuesque, la souveraineté grotesque ou, en d’autres termes plus austères, la maximalisation des effets de pouvoir à partir de la disqualification de celui qui les produit: ceci, je crois, n’est pas un accident dans l’histoire du pouvoir, ce n’est pas un raté de la mécanique. Il me semble que c’est l’un des rouages qui font partie inhérente des mécanismes de pouvoir. Le pouvoir politique, du moins dans certaines sociétés et, en tous cas, dans la nôtre, peut se donner, s’est donné effectivement la possibilité de faire transmettre ses effets, bien plus, de trouver l’origine de ses effets, dans un coin qui est manifestement, explicitement, volontairement disqualifié par l’odieux, l’infâme ou le ridicule. (…) Le grotesque, c’est l’un des procédés essentiels à la souveraineté arbitraire. Mais vous savez aussi que le grotesque, c’est un procédé inhérent à la bureaucratie appliquée. Que la machine administrative, avec ses effets de pouvoir incontournables, passe par le fonctionnaire médiocre, nul, imbécile, pelliculaire, ridicule, râpé, pauvre, impuissant, tout ça a été l’un des traits essentiels des grandes bureaucraties occidentales, depuis le XIXe siècle. »

Michel Foucault, Les anormaux, Cours au Collège de France, 1974-1975

Ao ler este texto, vêm-me imediatamente à cabeça as imagens de Berlusconi ou Bush filho. Dizem coisas estúpidas, não têm modos, ridicularizam-se, fazem-nos tê-los em pouca conta ou em conta nenhuma. E mesmo assim, o seu percurso político e as consequências da sua governação são assustadoramente marcantes.

O programa do Gato Fedorento “Esmiúça os Sufrágios”, que recupera e condensa momentos bem peculiares, para não dizer pior, de alguns políticos cá da terra, tem-me feito pensar nesta coisa do poder ubuesco.

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As palhaças do Alberto João Jardim podem até fazer-nos rir mas devemos ter consciência do tipo e extensão de poder que tal forma de estar na política pode potenciar. É que Ubus há muitos e, nos tempos que correm, eles estão como peixe na água.

Publicado por [Bounty Bob] às 02:08 PM | Comentários (6)

setembro 24, 2009

Spectrum Financing Research

Entretanto, graças ao Sr. Silva, as minhas acções da Mota-Engil-do-Dr.-Jorge-Coelho, vão de boa saúde. Acho que vou vender tudo em alta dia 28, um pouco antes do camarada Sócrates anunciar a aliança de esquerda com o BE e o PCP, as nacionalizações e - claro - o fim dos rodeos.

Publicado por [Saboteur] às 07:04 PM | Comentários (5)

A música da direita


Publicado por [Rick Dangerous] às 05:49 PM | Comentários (3)

Para os artistas dos recortes…

"Le mot image veut dire ce qu'il veut dire, ce qu'on lui fait dire, aussi bien ce que les gens ont appelé une métaphore : c'est un mot un peu drôle, un peu savant, comme une figure ou un visage de rhétorique, toutes ces choses ont des noms ! Mais du moment qu'on écrit avec de l'encre ou un crayon, on peut faire des images aussi, surtout comme moi, quand on ne sait pas dessiner, on peut faire des images avec de la colle et des ciseaux, et c'est pareil qu'un texte, ça dit la même chose".
Jacques Prévert, cité in "Collages", Gallimard, Paris, 1982

Publicado por [Shift] às 03:41 PM | Comentários (1)

Mais vale alimentar o burro a pão de ló

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"Um candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Moura, de seu nome Pedro dos Reis, foi detido sexta-feira pela GNR por, alegadamente, estar a furtar palha numa herdade localizada na periferia da cidade alentejana, avançou ao DN fonte da Guarda, acrescentando que o homem, de 63 anos, foi interrogado e constituído arguido, ficando a aguardar em liberdade o desenrolar do processo.

A cabeça de lista e presidente da distrital de Beja do CDS, Sílvia Ramos, confirma o envolvimento do seu "número 3" no caso, mas diz que isso não a fará alterar a composição da lista.

"A minha decisão é simples. Somos democratas-cristãos e está explícito na Bíblia que quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Não é por meia dúzia de fardos velhos que vamos tirar a pessoa da lista, neste momento. Cabe à Justiça e a Deus julgarem o acto", diz a líder centrista em Beja."

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:10 AM | Comentários (7)

setembro 23, 2009

Um tiro no porta-aviões

Quem quer que tenha reenviado o mail do PÚBLICO para o DN, quer tenha sido um dos 10 jornalistas que tiveram acesso ao mail, quer tenha sido o precário que trabalha na SEGURITAS e que se distrai um pouco à noite naquele computador a navegar pela net, quem quer que tenha sido (mesmo na improvável hipótese de ter sido um infiltrado do SIS), fez um importante serviço à democracia.

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Para além de pôr a descoberto a manobra cavaquista que abriu espaço para espalhar a tese da “asfixia democrática”; retirou todo gás à campanha da direita, aliviando muito a pressão para o “voto útil” no PS e enfraquecendo muito Cavaco Silva.

Um presidente de direita desgastado, menos margem de manobra terá para ganhar umas segundas eleições e muito menos margem terá para formar um Governo de iniciativa presidencial, com o PSD, CDS e MEP (que terão juntos mais deputados que o PS, claro).

Como se não bastasse, ficaram definitivamente ainda mais claras as manobras do execrável José Manuel Fernandes à frente do PÚBLICO.

Em batalha naval, chama-se a isto "um tiro no porta-aviões".

Publicado por [Saboteur] às 04:20 PM | Comentários (1)

Um pedido de desculpa

Publiquei um post hoje, citando e comentando um post do João Galamba. Reparei agora que tresli o que ele escreveu e que fiz um comentário sem sentido. Por isso e pelo facto de ter posto uma imagem pouco simpática, peço-lhe desculpa.

Peço também desculpa aos companheiros do Spectrum.

Publicado por [Bounty Bob] às 03:07 AM | Comentários (8)

setembro 22, 2009

Lapsus linguae...?

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É preciso dizê-lo: não há qualquer caso de escutas à presidência; estamos, apenas e só, perante uma conspiração contra o PS. Quem a orquestrou? Cabe a cada um julgar por si. Os factos conhecidos não implicam necessariamente Cavaco Silva. Até agora, sabemos apenas que envolvem o director do Jornal Público, Luciano Alvarez e Fernando Lima. Mas os factos não dizem tudo. Neste caso, como em todos, é inevitável interpretar o sucedido. E aqui, das duas uma: ou Cavaco foi incompetente e não soube gerir uma cabala e uma traição do seu assessor, ou estamos perante uma conspiração contra o PS liderada pelo Presidente da República. A primeira é grave, a segunda é gravíssima. Em qualquer dos casos, a actuação do presidente prejudicou objectivamente o PS, violando aquela que é a sua principal função: assegurar o regular funcionamento das instituições.

Para o João Galamba, o partido socialista e o governo são uma e a mesma coisa. O partido confunde-se com o governo, daí que o que o JG considera ser uma conspiração do PR contra o PS constitua, na sua opinião, uma violação do dever de assegurar o regular funcionamento das instituições.

Publicado por [Bounty Bob] às 03:50 PM | Comentários (9)

Este discurso de Salazar faz lembrar quem?...

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Publicado por [Saboteur] às 12:03 PM | Comentários (8)

setembro 21, 2009

Esta Sexta: Massa Crítica e Festão

Esta sexta-feira é dia de Massa Crítica. Como é a MC da "reentré", vamos em grande e vamos fazer a maior MC que Lisboa alguma vez já viu.

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Depois, à noite, das 21 às 3 da manhã, há festão em Alfama. Será ali por baixo das 'portas do sol', no largo do Salvador. A entrada é livre. Há música, comida e bebida.

Publicado por [Saboteur] às 06:31 PM | Comentários (9)

Onde é que é mesmo que se põe a cruzinha?

No Arrastão, está disponível um inquérito com a seguinte questão combinada: Como votou nas últimas legislativas e como vai votar nas próximas? As hipóteses de resposta são muitas mas vale a pena dar nota de uma situação. Os autores do inquérito optaram pela equiparação entre o voto num partido que não um dos representados na AR, o voto em branco, o voto nulo e a abstenção. Para quem se deu ao trabalho de prever 36 respostas possíveis, não teria implicado um esforço significativamente acrescido prever umas quantas mais. É que o voto num partido mais pequeno, o voto em branco, o voto nulo e a recusa em votar são realidades distintas das quais se podem retirar diferentes conclusões. À opção editorial do Arrastão está subjacente uma concepção da política e dos actos eleitorais tão cínica como a que anima os defensores do voto útil. No fundo, manifesta-se a tese de que o voto que não seja num dos cinco maiores partidos ou simplesmente não votar são opções menos dignas e um tanto ou quanto irresponsáveis.

Publicado por [Bounty Bob] às 05:32 PM | Comentários (3)

Excuse me, Sir!?

Comandante americano prevê falhanço no Afeganistão se não houver nova estratégia e tropas.

O senhor prevê então um falhanço. Que poder de previsão!

Tinha era a ideia de que quando se fazia uma previsão era suposto que o facto que se prevê ainda não tivesse ocorrido...

Publicado por [Bounty Bob] às 03:45 PM | Comentários (2)

setembro 19, 2009

Quem tem medo do fim dos benefícios fiscais nos PPRs ?

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O Expresso faz manchete com os PPRs de Louçã.

Que isso seja uma notícia nos tempos que correm, em que o jornalismo se faz em torno de superficialidades que podem dar boas conversas de café, não duvído. Mas primeira página?!

Achar que Louçã não devia ter PPRs por propôr o fim dos benefícios fiscais para os mesmos é a mesma coisa que dizer que Bernardino Soares não devia comprar livros escolares para os filhos porque defende a gratuitidade dos manuais, ou dizer que eu devia enviar um chequezinho todos os meses para a CML, porque acho que o estacionamento de automóveis na cidade deve ser taxado.

É significativo que o Expresso faça estas primeiras páginas. É confirmaçãio que o BE vai ter um grande resultado nas legislativas.

Publicado por [Saboteur] às 11:26 AM | Comentários (13)

O homem-sombra do Presidente

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Fernando Lima tinha um dossier sobre o assessor de Sócrates para entregar ao Público e eu tenho um dossier sobre Fernando Lima para entregar ao Spectrum. Tirei-o daqui.


Fernando Lima tem sido assessor e conselheiro de Cavaco Silva desde que este chegou a primeiro-ministro pela primeira vez, em 1985.

Natural da Horta, nos Açores, Fernando Lima, 59 anos, é um jornalista e assessor político com uma forte ligação ao PSD, em particular, ao Presidente da República, Cavaco Silva, que acompanhou em todos os cargos públicos por este desempenhados nos últimos 24 anos.

Como jornalista, Fernando Lima, um antigo oficial das Forças Armadas, começou o seu percurso há mais de três décadas, no Comércio do Porto, ao qual se seguiram passagens pelo Primeiro de Janeiro e pelo JN, cuja delegação em Lisboa chefiou.

Entre 1974 e 1976 esteve em Macau, onde conheceu Rocha Vieira (mais tarde o último governador do território), e chefiou o Centro de Informação e Turismo do governo local.

De volta a Portugal, dirigiu a (já extinta) agência de notícias ANOP, mantendo sempre o vínculo ao JN, ao qual foi regressando entre os diferentes períodos de assessoria.

Entre 1985 e 1995 foi assessor do Primeiro-ministro Cavaco Silva.

Nos anos que se seguiram, o assessor voltou a pôr a sua experiência ao serviço de um Governo PSD - no caso, o de Durão Barroso -, acompanhando o ministro dos Negócios Estangeiros, Martins da Cruz, até 2003.

Em 10 de Novembro de 2003, semanas depois de ter deixado as funções de assessor de Martins da Cruz, assumiu o cargo de Director de Redacção do Diário de Notícias, na altura detido pela PT e administrado por Henrique Granadeiro. Da sua equipa fez parte Francisco Azevedo e Silva, actual chefe de gabinete de Manuela Ferreira Leite.

Esta nomeação - que pôs fim a 12 anos de direcção de Mário Bettencourt Resendes - , foi mal recebida na redacção do DN, que começou por 'chumbar' o seu nome em plenário e depois lamentou, através do Conselho de Redacção, a confirmação da escolha. Em causa estava o seu percurso de assessor político, que muitos jornalistas do DN consideraram incompatível com uma imagem de independência do jornal perante os leitores.

A passagem pelo DN acabou por ser breve e atribulada. Em 28 de Outubro de 2004, numa altura em que já circulavam notícias dando conta da sua substituição, Fernando Lima demitiu-se.

Antes de regressar à assessoria de Cavaco Silva desempenhou funções de administrador na PT.

Publicado por [Saboteur] às 10:43 AM | Comentários (1)

setembro 18, 2009

Shoah


"Aquilo que encontrámos no interior do Campo Palestiniano, às 10 horas da manhã de 18 de Setembro de 1982, não é propriamente fácil de descrever, embora talvez fosse mais fácil contá-lo na fria prosa de um exame médico. Já tinham sido feitos exames médicos no Líbano anteriormente, mas raramente a esta escala e nunca sob a observação de um exército regular, supostamente disciplinado. No meio do pânico e do ódio da batalha, dezenas de milhares haviam já sido mortos neste país. Mas estas pessoas, centenas delas, estavam desarmadas quando foram abatidas. Foi um massacre de massas, um incidente - quão facilmente empregávamos a palavra «incidente» no Líbano - que era também uma atrocidade. Foi muito para lá do que os israelitas teriam, noutras circunstâncias, apelidado de actividade terrorista. Foi um crime de guerra.[...]
Sim, aqueles de nós que conseguimos entrar em Sabra e Chatila antes de os assassinos partirem, temos nossas lembranças. As moscas voando entre corpos empestados e nossos rostos, entre o sangue seco e o notebook do repórter, os ponteiros dos relógios ainda funcionando nos pulsos mortos. Trepei sobre um monte de terra de uma escavadeira abandonada que permanecia culpada, perto, apenas para constatar que eu estava no alto do monte, que oscilava debaixo de mim. E eu olhei para baixo para encontrar rostos, cotovelos, bocas, as pernas de uma mulher saindo do solo. Tive que me segurar nestes pedaços de corpos para descer para o outro lado. Então, encontrei uma menina bonita, sua cabeça envolta por uma auréola de roupas penduradas, seu sangue ainda escorrendo de um buraco em suas costas. Entramos no quintal de sua casa, desesperados para evitar os milicianos israelitas uniformizados que ainda vagueavam pelo campo; ao entrarmos pela porta dos fundos, encontramos seu corpo porque os assassinos tinham saído pela porta da frente."

Robert Fisk, «Sabra e Shatila» e «O legado de Ariel Sharon»

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:38 PM | Comentários (1)

Manda quem pode


A telenovela mexicana em curso teve o inestimável mérito de trazer à boca de cena personagens habitualmente discretos e que detêm um enorme poder na formação do espaço público em Portugal.
Ficamos a saber, por exemplo, que Luciano Alvarez, editor do jornal «Público», é, para além de venal, semi-analfabeto. Alguém se poderá sentir seguro com uma pessoa que tem como ferramenta profissional a linguagem e escreve coisas como «conseguir-mos» ou «que me pediu para não a contar a ninguém por enquento, mas que eu tenho que ta contar»? E já não estou a falar dos erros de acentuação e pontuação ou das gralhas tipográficas, para não ser mesquinho. Um e-mail, mesmo que secreto, não merece semelhante desprezo pela língua de Camões e do jornal «A Bola». Adiante.
Interessou-me por outro lado o tortuoso raciocínio de Belmiro de Azevedo, que tem o inquestionável mérito de falar claro. Ordena o patrão da SONAE ao seu jornal "que não se deixe assustar por opiniões um bocado desastradas de alguns governantes que querem mandar no Público sem pôr lá dinheiro nenhum." E depois, para o caso de não ter sido claro o suficiente: "Não me importo nada que eles mandem, mas comprem o jornal."
Já sabíamos que não existem almoços grátis, mas que o patrão dos patrões venha assumir assim, de forma tão descomplexada, que ter um jornal às suas ordens custa dinheiro, não deixa de ser surpreendente. Afinal de contas o que move Belmiro? Não lhe conhecemos tão generosa vocação filantrópica e temos dificuldades em imaginá-lo a fazer fortuna investindo em projectos que apenas trazem prejuízos.
A não ser que, na economia política do capitalismo tardio, o espesso manto de neblina com que diariamente a comunicação social cobre o real, seja lucro suficiente para um empresário dinâmico. Com investimentos e participações que se estendem a outras tantas áreas delicadas, onde a relação entre poder económico e poder político se revela problemática e pode significar a diferença entre uma OPA bem sucedida e um lote de acções inflacionadas, possuir um editor disponível para formular as perguntas que lhe são ditadas por uma assessor é um trunfo poderoso.
Se para mais nada, todas as aventuras e desventuras em torno da TVI e do «Público», mais as trocas de acusações de interferência empresarial nas respectivas linhas editoriais, trouxe ao de cima a densa teia de relações em torno da informação. Se os donos do mundo também são donos da informação, como acreditar que a opinião publica seja outra coisa senão o que mais convém à opinião privada?

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:34 PM | Comentários (4)

Cavaco está sozinho na noite?

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:06 PM | Comentários (2)

"Um abraço e vai-te a eles"

Gosto da forma como acaba o tal e-mail: a dicotomia do amor-desamor, a metáfora com as ordens dadas a cães («Bobby, vai-te a eles!«), o uso do peso simbólico e popular do "eles" por oposição ao "nós". Poética! Mas mais do que isto tudo, é tão bom ver os mecanismo do jornalismo moderno a funcionarem contra o jornalismo moderno e a mostrar que ele nada mais é do que uma fantochada, no sentido literal. Uma fuga/dica de informação e protecção do sigilo dessa mesma fonte é jornalismo deontológico mas quando há fuga/dica de informação sobre a fuga/dica de informação, a isso chamam-lhe os editores de jornais e jornalistas deontológicos uma infâmia perpetrada pelo SIS.

É curioso ver como o José Manuel Fernandes tentou recentrar a notícia no "como é que o e-mail foi parar ao Diário de Notícias", tentando perverter ele mesmo as regras corporativas. Mas isso é o cão que mordeu o homem. O homem que mordeu o cão está no "como é que é possível que o tal e-mail EXISTA".

Publicado por [Joystick] às 12:54 PM | Comentários (3)

O canto do cisne

José Manuel Fernandes, Director do PÚBLICO está mesmo a dar as últimas. As vendas não param de cair, o jornal não pára de perder credibilidade, a sua clientela habitual já prefere o “Inimigo Público” e o “Ipsílon” ao jornal propriamente dito…

Mas neste caso, ao contrário do famoso “canto do cisne”, a última performance do Director não tem nenhum brilhantismo… É constrangedor ouvir hoje na TSF José Manuel Fernandes a balbuciar que não conhece o mail em causa, que com certeza deve ser forjado e que isto é tudo obra dos serviços secretos a mando do Governo.

Publicado por [Saboteur] às 09:40 AM | Comentários (6)

setembro 16, 2009

Um espectro paira no spectrum : Classes Sociais (uma achega delirante)

“Foi a luta de classes que gerou a teoria da luta de classes e não o contrário” Rick Dangerous. Da mesma maneira, foi e é a exploração do homem pelo homem que engendrou e engendra a definição de classes sociais e não o contrário. As classes sociais possuem assim um valor semântico, porque se a acção do homem não tivesse em vista a exploração de outros, a definição de classes sociais não existiria. Os explorados precisam assim da definição de classes (mesmo que ela não seja “estática”) para serem considerados, sendo absurdo (contrário a toda a razão) se essa definição tivesse repercussões perversas contra eles. Nesta perspectiva, a relação do classificador e do explorado supõe uma colaboração, na medida em que o poder da definição de classes é a dialéctica existente entre empiria e teoria, de ver e permitir ver. A complexidade da exegese sobre a existência de classes advém, finalmente, do facto das teorias do conhecimento e das teorias políticas estarem totalmente imbricadas. A posição que tomamos perante o antagonismo de classes depende, segundo esta lógica e em grande parte, da posição que ocupamos no espaço sociopolítico, ou se quisermos na estrutura social. É assim que compreendo o porquê da recusa de VPV em assumir a existência de classes e, subsquentemente, da luta de classes (apoio-me no post de Rick uma vez que não tive oportunidade de ler a coluna de VPV).
O ideal seria que não existissem explorados e classificadores, ou seja, o primeiro passo seria a “abolição última do sistema de salários” (único texto que li de Marx na íntegra além do Manifesto Comunista: “Salário, Preço e Lucro” (2004), Edições Avante. “Sou comunista e não preciso de ler as obras completas de Lenine” disse-me um dia um operário na Festa do Avante. Eu sou Marxista e não consigo ler o Capital, nem mesmo a edição popular das edições 70 (1974), prefiro ler as interpretações contemporâneas de Marx).

Publicado por [Shift] às 11:35 PM | Comentários (12)

Os náufragos


"«Polícias de capacete, as armas carregadas, cercam os cafés de estudantes do boulevard Saint-Michel», contou Victor Serge, um revolucionário de sempre. «Os estrangeiros que não tenham os documentos em ordem são metidos em camiões e levados para a sede da polícia. Muitos são refugiados antinazis, porque os outros estrangeiros têm evidentemente os documentos em ordem. […] Os refugiados antinazis e antifascistas vão conhecer novas prisões, as da república que foi o seu último asilo neste continente e que agora agoniza e perde a cabeça. Espanhóis e combatentes das brigadas internacionais que venceram o fascismo junto a Madrid são tratados como se tivessem a peste… Com os documentos em ordem e a carteira bem recheada, os falangistas espanhóis, os fascistas italianos, que eram ainda neutrais, os russos brancos − e quantos nazis autênticos a coberto destas camuflagens fáceis? − passeiam-se livremente por toda a França». Nessa época o órgão oficial do Partido Nacional-Socialista publicou uma lista de escritores antinazis que as autoridades francesas haviam mandado internar em campos de concentração, perguntando no fim, com um pesado sarcasmo, se eles continuariam convencidos das benesses da democracia. A resposta estava dada já, na inscrição que um refugiado espanhol gravara na cruz erguida sobre a sepultura de um camarada seu em Le Vernet. «Adios, Pedro. Os fascistas queriam queimar-te vivo mas os franceses deixaram-te morrer de frio em paz. Pues viva la democracia». [...]
Em Junho de 1940, quando os generais franceses assinaram o armistício, os estrangeiros antifascistas detidos nos campos de concentração ou foram entregues às autoridades ocupantes ou permaneceram sob o controlo do governo colaboracionista de Vichy, conseguindo uns poucos escapar e suicidando-se outros, alguns grandes nomes entre eles. Foi assim que se matou Walter Benjamin, com uma cápsula de cianeto que Koestler lhe dera para o caso de não conseguir pôr-se a salvo.
Foram estes os náufragos, que haviam lutado em vários países e tentado salvar-se atravessando as fronteiras, odiados pelos fascistas por serem comunistas, odiados pelos nazis por serem judeus − já que, para eles, judeus e comunistas, comunistas e judeus, era tudo a mesma coisa − odiados pelas democracias por serem anticapitalistas. Foram eles, os refugiados antifascistas, as primeiras vítimas do conflito militar entre as democracias e os fascismos. Mas por que não procuraram abrigar-se na União Soviética? Não seria esse o lugar natural de exílio dos comunistas e dos antifascistas? Teriam os náufragos perecido só por estarem do lado errado da geografia?"

João Bernardo, Passa Palavra

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:59 PM | Comentários (2)

Estamos em forma!

Com o Rick imobilizado em casa devido a uma lesão futebolística, o Spectrum ganhou com mais (e melhores) posts.

Ontem à noite o camarada Chuckie dizia “sempre que as visitas diminuírem voltamos a lesionar o gajo”.

Creio que não será preciso: A audácia de Rick Dangerous é grande e o perigo (tal como o seu peso e preparação física), não são variáveis com que ele entre em conta quando se atira para a baliza com a bola nos pés.

Mais lesões e mais bons posts se seguirão inevitavelmente.


Publicado por [Saboteur] às 03:08 PM | Comentários (3)

O último a saber?


"E recorda os "processos disciplinares com vista a sancionar destacados militantes dirigentes do partido como Carlos Brito, Edgar Correia, Carlos Luís Figueira", que levaram à suspensão do primeiro de militante e à expulsão dos dois últimos, antes do Congresso de 2000, para considerar que "estes factos abalaram profundamente o partido". Este "processo de 'purificação'", diz ainda, "tem levado à saída de centenas de quadros" do PCP."
Domingos Lopes, no Público

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:48 AM | Comentários (5)

Tesourinhos deprimentes #2 Badiou entrevista Foucault

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:42 AM | Comentários (6)

setembro 15, 2009

A grua é linda


O novo blog de babyface silva, comendador tigre e capitão caril.

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:33 PM | Comentários (3)

O impasse reaccionário #2


Continuando a revista de imprensa, e adoptando uma distância temporal prudente, chego a Vasco Pulido Valente. O tema são as classes sociais, abordadas em artigo de opinião no «Público» na 6ª feira passada (11 de Setembro, infelizmente não encontro versão on-line), intitulado «Existem classes?». O tema é-me caro e, embora esteja no centro de grande parte do debate político, quase nunca é abordado de forma explícita. Pulido, esteio indómito do liberalismo «bacalhau com batatas», decidiu iluminar o caminho e encarar de frente o elefante escondido na sala.

Uma coluna tão curta tem pouco espaço para disparates, mas pode dizer-se que o nosso colunista concretizou um pequeno milagre logístico. São poucas as frases onde não se diz pelo menos uma parvoíce. "Há por aí um movimento para a reabilitação de Marx para encontrar uma espécie de «teoria» de esquerda." Já se sabia que este é um tema que acentua particularmente a miopia intelectual de Vasco, mas falar de reabilitação (e porque não desintoxicação?), como se tivesse havido uma condenação, revela uma espécie de patologia genética dos liberais portugueses - é frequente pretenderem colocar um tribunal onde faz falta uma tribuna.
Melhor seria que Pulido fizesse algum jus ao seu título de «intelectual» e se interrogasse acerca da falta de obras de Marx traduzidas em português (desde logo os Livros II e III de «O Capital»), que sem dúvida teriam o mérito de lhe permitir demonstrar-nos - irrefutavelmente, como é seu apanágio - a sua nocividade. Adiante.
Pulido Valente despreza a esquerda quase tanto como o rigor, o que confere às suas crónicas uma intrigante combinação entre reaccionarismo e esoterismo. Já tentei, mas continuo sem entender o que pode querer dizer esta frase: "A condenação do «neoliberalismo» precisa de um contraponto e ninguém sabe onde o ir buscar - embora o que impropriamente se chama «neocapitalismo» não passe de uma hipótese (muito limitada) sobre a relação entre os valores de bolsa e a economia real e Marx e os «marxismos» se pretendam uma interpretação da história."

Percebo o uso do termo «condenação», porque do ponto de vista táctico lhe interessa encostar a crítica do capitalismo a uma posição moral semelhante à do Vaticano, uma espécie de lamento beato misturado com uma diatribe contra a ganância. Acontece que que Marx nunca «condenou» o capitalismo, assim como quem lamenta que o dinheiro esteja mal distribuído e nunca chegue para todos. Marx procurou demonstrar os mecanismos do seu funcionamento e os limites internos do seu desenvolvimento, de maneira a inscrever a luta política no seu contexto histórico e dotá-la de objectivos e horizontes que ultrapassassem a miragem do progresso.
A parte positiva da afirmação de Pulido Valente - que distingue uma «economia real» de outra fictícia - remete para o seu entendimento destas coisas, que é pobre e, na melhor das hipóteses, está ao nível de um assessor de imprensa do primeiro-ministro. Aos seus olhos, a economia é uma espécie de processo natural - no mesmo plano que a fotossíntesse, o degelo primaveril ou a rotação dos astros - que de quando em vez se vê corrompido pela artificialidade da vontade humana. Isso das relações sociais (como outras coisas demasiado complicadas para a sua cabecinha) parece-lhe um truque esquerdista, que vem inserir complexidade onde ele pretenderia existirem apenas as coisas, tal como elas são. A sua frase não faz qualquer sentido porque a interpretação da história que Marx se propôs efectuar não exclui o significado e o funcionamento dos valores bolsistas, como não exclui todas as outras coisas que pertencem ao devir histórico. Mais poeticamente e citando o próprio (que citava não sei quem), nada do que é humano lhe é estranho.

Percebe-se que ele não queira entrar por caminhos que lhe seriam difíceis - Marx - e que reproduza, sem se dar conta, os lugares comuns de um dos seus adversários políticos e intelectuais - o inenarrável Proudhon.
A questão é simples e resume-se em poucas frases. O modo de produção capitalista compõe um todo orgânico, assumindo o capital diferentes formas ao longo do seu processo de circulação, formas essas que não se contrapõem mas antes desempenham funções essenciais para a sua reprodução alargada. A história que Marx pretendeu interpretar foi a do processo de desenvolvimento e afirmação do capita enquanto relação social dominante. A relação entre os valores de bolsa e a «economia real» inscreve-se por isso num processo histórico de crescente abstracção do trabalho e de gigantesca acumulação do capital. Tudo isso é economia sem deixar de ser bastante real.
O confronto com Marx continua e pode-se dizer que o resultado é quase sempre o mesmo. Mais um exemplo: "Para começar, convém esclarecer que Marx nunca definiu o que fosse uma «classe». Nem ele nem Engels, nem Lenine, nem depois ninguém." Nunca ninguém definiu o que fosse uma «classe». Notem bem, não lhe chegou Marx. «Ninguém». Mesmo assim, categórico e definitivo, ninguém, como dizia Marco Paulo, poderá mudar o mundo. Desconheço se Pulido Valente se refere ao tipo de definição que se encontra em dicionários e enciclopédias, esses sucedâneos apressados do saber. Se assim é as suas formulações contradizem-se de cada vez que muda de parágrafo, uma vez que a definição avançada por Marx para caracterizar as classes sociais resulta, precisamente, de uma interpretação histórica. As classes sociais existem na e através da acção histórica, escapando por isso a qualquer definição estática e intemporal para assumirem propriedades dinâmicas próprias de conjuntos de indivíduos, vivos e atuantes, dotados de intenções, desejos, valores e conhecimentos historicamente variáveis. Diz Marx: "E na mesma medida em que se desenvolve a burguesia, isto é o capital, desenvolve-se também o proletariado, a classe dos modernos operários, os quais vivem só enquanto têm trabalho e só têm trabalho enquanto o seu trabalho aumentar o capital. Estes operários, que têm de se vender a retalho, são uma mercadoria como qualquer outro artigo de comércio e estão, assim, igualmente sujeitos a todas as vicissitudes da concorrência e a todas as flutuações do mercado." (Manifesto do Partido Comunista, Ed. Avante, Lisboa, 1975, p.67) Pois é. Nem Marx nem ninguém. Pode-se evidentemente argumentar que muito mudou desde a data original de redacção deste texto, no já longínquo ano de 1847. A definição em todo o caso está lá e nem é assim tão difícil de compreender. De resto, mudou tudo, mas não mudou grande coisa.

Vasco Pulido Valente não esconde a sua nostalgia de um tempo em que se ouviam os martelos a bater em bigornas ou as varinas a apregoar o peixe na rua. O capitalismo tardio parece-lhe demasiado virtual, semiótico e codificado para ser real. Esta espécie de sociologia vulgar que povoa o seu artigo, resulta logicamente da confusão que lhe provocam os tempos que correm: "Se no século XIX e na primeira metade do século XX, a sociedade permitia ver a olho nu as diferenças de posição entre, por exemplo, um operário, um médico e o dono de uma grande empresa, a partir de 1980-1990 uma sociedade mais complexa criou uma graduação contínua, em que é difícil distinguir um grupo fixo ou uma hierarquia clara." Mais um tiro no porta-aviões. Gostaria de salientar os pontos fortes da frase. A meu ver, nada clarifica a imbecilidade que o move quanto estas duas expressões - «ver a olho nu» e «é difícil distinguir». Dantes o tempo corria lento e distinguia-se a olho nu um médico a passear na rua, o que certamente tinha a inestimável vantagem de permitir diagnósticos em tempo real e uma significativa redução das listas de espera. Agora é difícil distinguir um taxista de um historiador, mesmo que se perca muito tempo a comparar o tipo de argumentação que desenvolvem nas páginas de um diário de referência. Percebo a angústia de Valente, os bárbaros estão às portas da cidade.

O que nos fica daqui? A constatação de que a sociedade é mais complexa hoje do que era há 50 anos não é propriamente o segredo mais valioso do nosso tempo, embora haja a esse propósito literatura mais informada e fiável do que a última página do «Público». O argumento forte a favor da existência de classes sociais distintas - ocupando posições diferentes no processo produtivo e na distribuição de poder e rendimentos, portadoras de vivências e comportamentos diferenciados - nunca foi a simplicidade ou o pudim que Engels comia à sobremesa.
A chave está na frase de Marx acima colocada. Como olhar para os desempregados, cujas fábricas fecham a toda a hora, senão como pessoas que têm de se vender a retalho, que são uma mercadoria como qualquer outro artigo de comércio e estão, assim, igualmente sujeitas a todas as vicissitudes da concorrência e a todas as flutuações do mercado? A esse propósito, mudou tudo, mas não mudou grande coisa.
A exegese poderia continuar, mas o resto do artigo limita-se a tomar como conclusão o que já era o seu ponto de partida: não há classes, mas apenas contribuintes, trabalhadores e desempregados; o debate político é essencialmente técnico porque o regime não está em causa.

Aqui chegado gostaria de me deter sobre o que, esmiuçado, pretende Pulido Valente com a sua negação das classes sociais. Escondida e latente na sua prosa está a ideiade que existem no fundo apenas três camadas ou grupos sociais : os ricos, os pobres e a «classe média». Os dois primeiros são facilmente identificáveis. Ou estão em bailes de debutantes ou vivem num estado de indigência a comer batatas fritas e a ver reality shows. Dão esmola ou pedem esmola.
Já a classe média é tudo aquilo que escapa a essa moderna economia da dádiva. Todos os que obtêm rendimentos para usufruir de algo mais do que o minimamente essencial à sobrevivência. Todos os que recebem algum tipo de instrução média ou superior, acedem à propriedade ou são «alguém» na vida. No fundo todos aqueles com quem se pode razoavemente conversar, que usam talheres à mesa e comem de boca fechada. No limite, a classe média define-se pelo seu consumo e divide-se pelas categorias do Marketing.
O primeiro corolário desta sociologia é, logicamente, o de que não há qualquer antagonismo e de que nada justifica ou explica o conflito social - um espécie de excrescência anti-democrática - a não ser o activismo militante de uma minoria fanática, invejosa e arrivista. Na prática, a porta que se fecha à teoria e investigação social é uma janela que se abre à interpretação psicológica, todos os comportamentos e gestos resultam das motivações mais básicas e primitivas, todos os personagens são descritos à luz de uma condição humana que não se distingue muito do estado natural. Não estamos longe de Tatcher, que desconhecia o que fosse a sociedade porque apenas conhecia indivíduos e as suas familias.

O outro corolário é directamente político. Se integram a classe média todos aqueles que conseguem levar o seu percurso escolar para lá do elementar, acedendo a categorias do saber tradicionalmente reservadas às elites, então a possibilidade desse saber se ver disputado a partir de uma posição crítica, a formulação de um ponto de vista de classe acerca da sociedade de classes, que ambicione mudar tudo, romper com a ordem estabelecida, subverter o presente, moldar um futuro diferente, essa possibilidade, dizia, vê-se como que esconjurada pela categoria normalizadora de «classe média». São os descontentes da «classe média» que manipulam os pobres a revoltar-se, porque a «classe média» encerra em si todas as qualidades e capacidades, incluindo a da revolta. E esses pobres, por sua vez, não ambicionam senão juntar-se à «classe média». São uma espécie de massa amorfa desprovida de inteligência ou objectivos próprios, qualquer coisa que está entre o reino animal e um autómato que cumpre o que lhe é ordenado.
É reconfortante pensar assim e, num tempo de crise, Vasco Pulido Valente sabe que as pessoas «respeitáveis» (ou seja, a camada superior da «classe média» e as grandes fortunas, numa palavra, as «elites») precisam de conforto. A sua última frase destingue-se no artigo pela sua involuntária lucidez, com um tom quase premonitório. Diz ele: "Se existissem «classes», como julga Jerónimo de Sousa, ele não perderia um minuto a discutir com Ferreira Leite o investimento público ou o défice do Estado, pela razão simples de que Portugal e a Europa estariam perto de uma sublevação."
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Profecias menos arriscadas fizeram questão de se concretizar e aqui Pulido Valente arrisca-se a ocupar um lugar de destaque, entre Maya e o Professor Zandinga. A olho nu não se consegue ver as toupeiras a escavar. O desmentido da sua tese pode assumir a forma dos seus piores pesadelos e, quando a sublevação bater à porta, Pulido Valente clamará contra o «delírio», como o fizeram reacccionários mais inteligentes antes dele. Descobrirá a «classe média» inexplicavelmente partida ao meio, como acontece sempre que as fracturas se agudizam e as classes sociais efectivamente existentes fazem questão de surgir em cena para anunciar o fim do espectáculo. Nesse momento, Jerónimo de Sousa parecer-lhe-á o mais razoável dos democratas e o mais capaz representante da «classe média».
Para uivarem à morte, os cães de guarda unem-se.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:20 PM | Comentários (20)

Zé Negris sempre a facturar

O Júri da 6ª edição do Prémio CES para Jovens Cientistas Sociais de Língua Oficial Portuguesa, constituído pelo Director do CES, Boaventura de Sousa Santos, e pelos professores Cristiana Bastos (Instituto de Ciências Sociais), Graça Carapinheiro (ISCTE), José Vicente Tavares dos Santos (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Teresa Cruz e Silva (Universidade Eduardo Mondlane) deliberou atribuir o prémio a:
José Manuel Viega Neves
Comunismo e Nacionalismo em Portugal: Política, Cultura e História no Século XX


Publicado por [Paradise Café] às 01:41 PM | Comentários (1)

Se tinha que desaparecer um Patrick bem podia ter sido o cabrão do sueco com quem eu vivia.

Patrick amou e provou que a fugacidade da presença fisica dos amantes é por vezes inversamente proporcional à sua presença lânguida que se estende para sempre na nossa memória. Dirty Dancing só veio provar que no fundo somos todos apenas don juans de aldeamento turistico em busca de uma última dança apoteótica, temorosos ante os inevitáveis invernos.

"ela é como o bento".

"foi a curte da minha vida"

Publicado por [Party Program] às 11:07 AM | Comentários (3)

setembro 13, 2009

Para a Fernanda Câncio

Sugerido por um camarada do 5dias que, cobardemente, não se quis identificar... essa coisa de se esconder no anonimato tem de acabar.

Publicado por [Paradise Café] às 01:48 PM | Comentários (4)

setembro 12, 2009

O jogo

A histeria colectiva à volta destas eleições não existe. Este tipo de debates é fundamental para criar essa ideia. Todos nos pelamos por uma boa partida, mesmo que seja num capeonato desconhecido. Facilmente tomamos partido e rapidamente damos por nós a fazer figas por um dos lados.
Este formato favorece imenso essa ideia de jogo: há dérbis, jogos de segunda e equipas de fundo da tabela que roubam pontos aos que disputam o primeiro lugar.
A histeria parece estar muito mais associada ao jogo que às eleições. Mas, como é óbvio, os timoneiros do sistema já vieram para a praça explicar que as audiências destes debates anunciam um gigante (re)abraço dos cidadãos eleitores e honrados à democracia que tanto medo têm de ver abalada.

Todos esperamos que o dérbie desta noite seja um prazenteiro espectáculo que justifique o preço do bilhete.

Publicado por [Paradise Café] às 05:41 PM | Comentários (3)

couves

Não consigo afastar esta impressão de estranheza com a embriaguez eleitoral. Para quê tanto barulho? Sabendo, como sabemos todos, que as opções políticas que envolvem a capacidade do Estado intervir na economia e noutros sectores estão há muitos anos metidas num colete de forças mandado de Bruxelas, não devia tudo o que se dissesse começar com um disclaimer do género "os partidos candidatos à junta de freguesia de S. Bento informam que a concretização das afirmações dos intervenientes depende de autorização superior".

Publicado por [Renegade] às 01:01 PM | Comentários (6)

De pequenino se torce o pepino

Carolina Patrocínio revela que «[p]ara as legislativas» votou «sempre PS», o que não deixa de ser extraordinário: as últimas eleições legislativas aconteceram a 20 de Fevereiro de 2005, um dia bem bonito para quem nasceu, por exemplo, a 27 de Maio de 1987.

Em entrevista ao i, Via 5 Dias

Publicado por [Chuckie Egg] às 12:23 PM | Comentários (5)

setembro 11, 2009

O impasse reaccionário


Pacheco Pereira escreveu no passado dia 5 de Setembro, no «Público» um artigo dedicado ao "impasse da esquerda revolucionária", tema que o vem obcecando e para o qual chama, sempre que possível, a atenção dos seus leitores. O estilo é o habitual: a actual cultura mediática só produz ruído e esconde o fundamental por trás do acessório, mas há alguém que resiste, agora e sempre, sem hesitar em desvendar o que parecia indecifrável e dessa forma desmascarar a vasta conspiração esquerdista em curso. Esse alguém é Pacheco. Afirma Pacheco que o Bloco e o PCP têm objectivos inconfessáveis, uma grande estratégia que não podem enunciar, esqueletos no armário, macacos no nariz, etc., etc. Um pouco da sua prosa: "ambos são marxistas e mais ou menos leninistas (mais o PCP do que o BE); mas têm que esconder os retratos dos pais e dos avós; ambos se pretendem «revolucionários» e nenhum pode falar da revolução."
Há muito mais, claro está. Embora nenhum destes partidos fale disso, Pacheco «sabe» que eles querem «destruir a economia de mercado» e são «hostis à propriedade privada». É inútil argumentar, responder, replicar, precisar, porque Pacheco sabe e nada tem lugar neste mundo sem que Pacheco o saiba. E porque escondem eles esta agenda oculta, essa matriz original que os persegue e face à qual são impotentes? Pacheco tem a resposta, como outros têm a cura para a queda do cabelo, a pedra nos rins e a unha encravada: "Fazem-no porque ficaram perdidos no meio de uma história que os condenou ao «movimento», como dizia Rosa Luxemburgo, e lhe retirou os «objectivos», os «fins», que não só não sabem como não podem enunciar."

Note-se bem o preciosismo. Não apenas a história os «condenou», num interessante exercício literário através do qual esta se vê não apenas subjectivada, mas investida das funções da magistratura, como ainda lhes retirou objectivos e fins que eles não sabem enunciar. Não «sabem», precisamente, o que Pacheco tão bem «sabe». Nada disto seria grave, se não se desse o caso de Pacheco Pereira, que é um «Historiador do Comunismo» e tem um site intitulado «Estudos sobre o Comunismo», não viesse revelar, a par deste seu estilo verbal incontinentemente estalinista, uma gritante ignorância. É que Rosa Luxemburgo (acerca de quem já escreveu mais do que uma vez e sempre para dizer disparates) nunca falou de uma oposição entre movimento e objectivos finais. Nem de outra coisa qualquer que pudesse suportar esta referência que serve aqui, como acontece frequentemente nesta escrita que pretende passar por culta e erudita, para caucionar disparates.
A frase canónica que Rosa Luxemburgo escreveu em polémica com Lenine e com a qual Pacheco Pereira jamais esteve de acordo (na sua juventude como na sua senilidade), num texto em que defendia a necessidade e o direito que o proletariado russo tinha de cometer os seus próprios erros e aprender à sua custa a dialética da história, é esta: "E finalmente, digamo-lo claramente entre nós: os passos em falso dados por um movimento operário realmente revolucionário são, historicamente falando, incomensuravelmente mais fecundos e mais preciosos do que a infiabilidade do melhor comité central." O caso da citação é menor e secundário sem dúvida mas permite lêr, a outra luz, o «comunismo» do qual Pacheco Pereira se pretende historiador e que não é mais do que o regime soviético, que no tempo da guerra fria deu de comer a muita gente, de marxistas-leninistas como Pacheco Pereira a liberais como Pacheco Pereira, sem que alguma vez se tenha percebido ao certo o que tudo aquilo tinha que ver com o comunismo.

Adiante. Pacheco Pereira não se fica por aqui. Isto é apenas o ponto de partida através do qual procura situar a sua coluna de opinião num plano que não é estritamente o da opinião, cavalgando a historiografia sem lhe dar o que quer que seja em troca.
Esqueçamos os termos em que se refere a Louçã. É possível assumir, face a Louçã, uma perspectiva antagónica. Eu próprio o considero um adversário no campo político, ainda que o respeite e o considere um intelectual incomparável às luminárias que o bloco central desencanta a cada passo. Mas o que escreve Pacheco Pereira, os termos que emprega e as acusações que avança chegam a raiar o doentio: "Ele sabe muito o que quer e não o diz." Parece que afinal Pacheco Pereira sabe que Louçã sabe. Mas não o diz.

O ponto que me interessa aqui, porém, nesta prosa que já vai longa, é a parte em que finalmente se discute política. Aí, Pacheco Pereira demonstra toda a fragilidade do seu pensamento, feito de lugares comuns e descrições apocalípticas. Depois de ter saltado por cima das propostas do Bloco para as suas intenções veladas, eis a conclusão derradeira: "Ou seja, o Bloco não tem outro programa que não seja pura e simplesmente confiscar o que está na mão dos «ricos» (que se veria depois que é quase toda a classe média) e distribuí-lo. Claro que com um programa destes não adianta falar da realidade, do que isto significaria em termos de destruição de empresas, de fuga de capitais, de desemprego imediato (ficaria o Estado a pagar os salários ou vende-se a casa dos patrões?), de pobreza socializada. E depois, numa sociedade destas, a repressão em nome da «justiça», dos «pobres», da «igualdade», da «revolução», é inevitável para se manter o «movimento». Perguntem a Chávez."
Pessoas informadas reconhecerão algo de familiar neste discurso, que não é, ao contrário das palavras atribuídas a Rosa Luxemburgo, da autoria de Pacheco Pereira. Ele é plagiado do que a direita evangélica norte-americana dizia de Obama antes das eleições e diz agora acerca do seu plano de saúde. O processo histórico que eles descrevem é tão simples que dispensa historiadores - começa-se por acabar com o sigilo bancário e acaba-se no gulag. Não é muito convincente mas parece apropriado para quem gosta de emoções fortes. Em tempos Pacheco Pereira escreveu que George W. Bush não é tão estúpido como se acreditava na Europa. São opiniões. Era escusado, em todo o caso, presumir-nos tão estúpidos como os eleitores do Texas. A referência a Chávez vale o que vale. Nos estudos sobre o comunismo de Pacheco Pereira ainda parecerá lícito afirmar que ele fez um golpe de Estado contra si próprio.

Acaba com uma pérola. Pacheco Pereira propõe que se considere o PREC, "em que algumas destas propostas foram levadas à prática conduzindo à mais completa destruição da riqueza nacional dos tempos mais recentes e aos milhões e milhões e milhões que nos custaram as «desprivatizações » da altura? E não teriam aí que colocar Louçã também no cartaz, mesmo que fugazmente, em 1975?"
Entrámos no domínio do delírio. Desde logo porque Louçã nunca participou em qualquer governo, em 1975 ou noutro ano qualquer e porque Pacheco Pereira fez, até Abril de 1975, parte de uma seita vagamente marxista-leninista, que permaneceu na clandestinidade a seguir ao 25 de Abril e se destacava pelos seus ataques a todos os partidos do governo provisório e ao MFA. Percebe-se então o plano freudiano para o qual se deslizou ao longo deste artigo - um divã em papel - no qual Pacheco prossegue o seu trabalho de luto pela sua juventude asceticamente ortodoxa. Nada de grave. É apenas curioso notar que uma terapia assume assim, tão regularmente, a forma de comentário político.

O resto? O resto é mais do mesmo, o eterno choradinho da revolução que interrompeu um ciclo de prosperidade, de um delírio que veio abalar a plácida lucidez em vigor, de uma democracia que custou caro demais. Mais do mesmo, sempre o mesmo e sempre o mesmo disparate. Os «milhões que nos custaram» as nacionalizações foram pagos já no governo de Cavaco Silva e serviram para os indemnizados - ou seja, aqueles empresários que prosperaram graças aos bons serviços do Estado Novo e da sua polícia - voltarem a adquirir as suas empresas ou outras do mesmo ramo. De resto, muitos milhões foram gastos durante o PREC a emprestar dinheiro a bancos sem liquidez (quase todos) que o utilizavam para comprar acções de empresas que pertenciam aos respectivos grupos económicos (ilegalmente, uma vez que a compra e venda de títulos foi proibida logo a seguir ao 25 de Abril) ou a financiar partidos de direita e de extrema-direita. A história mal contada das nacionalizações vai dando para todas as vertigens (Paulo Portas também já resolveu dar a sua pincelada perguntando quem paga as nacionalizações) e vai sendo tempo de contrapôr à retórica reaccionária de um PREC esbanjador uma fotografia mais nítida da revolução. Estranho seria, aliás, que Pacheco Pereira «soubesse» o que passou despercebido à equipa de economistas do MIT que se deslocaram a Portugal a pedido do Banco Mundial, e que em Dezembro de 1975 constatavam, algo admirados, a boa performance relativa da economia portuguesa numa conjuntura mundial difícil. O tema é susceptível de debate e nele são admissíveis as mais variadas posições, bem entendido. O que deixa cansada qualquer pessoa razoável é esta insistência, quase religiosa e para lá de todos os limites, de que a economia portuguesa colapsou porque o socialismo é uma utopia ruínosa. Até pode ser. Mas nada há na revolução portuguesa que o tenha provado. Repeti-lo até à exaustão não o tornará verdade. Apesar da facilidade com que entra em cena, preenche ecrâns (todos os ecrâns) e escreve editoriais (todos os editoriais) a direita vai ter que trabalhar mais. Bem sei que não estão habituados. Mas há que começar por algum lado.

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:30 PM | Comentários (22)

setembro 10, 2009

2666

Já falta pouco, quase nada mesmo, para ser editada a tradução portuguesa de 2666.

Hoje em dia ler é uma actividade fantástica e quem lê um paladino de tudo o que nos distingue das bestas e dos selvagens. Sejam as memórias de retornados de capa sépia que parecem monopolizar as estantes das livrarias ou as inumeráveis reedições de capa enjoativa dos Kafkas e Dostoyevsky cuja aquisição é tão ritual quanto a primeira ida à festa do avante, quem lê entra numa esfera cognitiva superior e exclusiva às sociedades civilizadas, e porque não, democráticas. Destruir um livro é um crime hediondo só praticado nas mais odiosas ditaduras fascistas ou comunistas, as imagens dos milhares de folhas a arder numa fogueira rodeada de jovens fanáticos revelam o triunfo da força bruta, da não-razão, da barbárie assassina, isto apesar de cada mês serem destruídos centenas de milhares de livros no mundo inteiro, basicamente tudo o que não foi vendido na época anterior.
E haverá prazer mais cúmplice do que partilhar um Saramago com os amigos? Do que deixar um “agrada-me” no facebook do Agualusa? Do que levantar os olhos de uma rima particularmente visceral de um poeta maldito para os deixar cair no cinzeiro e pensar que o autor a escreveu expressamente a pensar no nosso ennui sexual?

2666 chega a este mundinho de leitores e leitoras e livrinhos e dedicatórias em rima de escritores fodilhões os aliados à Normandia. 2666 são trezentos lobos esfaimados a invadir a terra do meu pequeno pónei. 2666 são mil páginas de livro fodido que vieram para assaltar os Agualusas e os Peixotos e Gonçalos Tavares no pátio do liceu. 2666 são 500 Lauras Palmers.

Passo rapidamente à frente dos detalhes bibliográficos. Roberto Bolaño morreu há menos de meia dúzia de anos e viveu bastante tempo em Barcelona e no México, depois de ter fugido a Pinochet no seu pais natal: segundo reza a lenda entre os guardas prisionais estava um colega do liceu que o deixou fugir. Ante a notícia de que tinha um cancro, Bolaño, até à altura pouco conhecido, apressou a conclusão de 2666. Vendo que não conseguiria terminar deixou ordem ao seu editor para que este fosse publicado em 5 volumes independentes, de modo a poder assegurar um lucro maior aos seus filhos. Após a sua morte os descendentes decidiram editar tudo junto, assim como estava, aparte algumas revisões consoante notas que o próprio Bolaño tinha deixado. A fama do livro foi crescendo e no ano passado ganhou o prémio de melhor livro da associação dos críticos literários norte-americanos. A temática e um certo mistério à volta de tão imponente calhamaço ajudaram a gerar algum hype e o resto é história.

2666 tem à volta de mil páginas, toda uma cosmologia maldita. Não estrago nenhum final quando revelo que se vai aproximando cada vez mais do mistério que está por detrás das 500 mulheres que morreram assassinadas em Ciudad Juarez nos últimos 15 anos. Para lá das anedotas interessantes e do deleite literário, extenso e variado, o perturbante em 2666 e o que torna de certa maneira impar é a capacidade de transformar esse número 500, no fundo tão abstracto quanto 50 ou 5 000 000, em algo tão tangível e tão negro quanto algo a que tenhamos assistido presencialmente. Creio que quem quer que tenha alguma vez presenciado uma morte violenta poderá corroborar essa impressão de sem-sentido, de extremo acaso, de um certo território obscuro sem fundo na natureza humana que ao contrário do que possa parecer não é feito de raiva e de medo mas sim de um vazio cósmico: a força de Twin Peaks não advinha do mistério de quem matou Laura Palmer mas precisamente de uma profunda tristeza desértica que acompanhava essa morte, como se perante a interrupção e a brutalidade a existência não passasse no fundo de um domingo eternamente chuvoso. 2666 é brutal e na parte sobre as mortes é de uma leitura penosa e algo expiante. A urgência de resolver os crimes torna-se só mais penosa por ser como que impossibilitada por um calor paralisante e por uma perplexidade contemplativa já em si totalmente desesperada. O carácter do cenário ajuda: a fronteira entre os Estados Unidos e o México é dos territórios mais explorados na literatura, da Trilogia da Fronteira de Cormac McCarthy a Imperial de William Vollmann há uma extensa cartografia dramática da região. Mas enquanto a fronteira “antiga” era feita de um território de ninguém em que eventual brutalidade da ausência da Lei e do Estado era substituída pela liberdade da aventura, a fronteira de hoje pauta-se por uma ordem hierárquica diferente: enquanto local de trânsito de mercadorias e de pessoas legais e ilegais o espaço deixa de ser vazio para se tornar uma gigantesca fábrica sem operários em que ninguém sabe o que é exactamente produzido. O fluxo de movimentos deixa de ser clandestino para ser fugaz e fantasmagórico: um blip num radar, uma operária de uma maquiladora que um dia não aparece para trabalhar sem que ninguém repare, um wetback que morre afogado num rio de esgotos e detritos industriais a tentar passar a fronteira, um policia mexicano que recebe o seu suborno em putas velhas e mezcal.

No Pastoral Portuguesa tudo isto bastante melhor escrito

Publicado por [Party Program] às 10:14 PM | Comentários (3)

Eu cá, já tenho o boletim de voto!

As causas da emigração em massa com destino a França nos anos 60/70, primeiras vítimas de quase meio século de miséria salazarista, constituindo um dos maiores movimentos populacionais intra-europa (758 925 portugueses residentes em França segundo o recenseamento da população –INSEE- em 1975), tem ainda hoje as suas consequências. O abstencionismo característico e maioritário desta população é revelador do quão esta população é desprezada pelas autoridades do país de origem e de instalação. Quando falo de abstencionismo não o reduzo à participação nas eleições, em primeiro lugar e principalemente, porque não estou aqui para dar lições de moralidade de participação cívica sobretudo a indivíduos que se encontram em situação migratória. Quando falo de abstencionismo quero com isto dizer uma atitude perante o trabalho, perante os patrões (o que aliás não é uma exclusividade desta população, no entanto estando numa situação de “fraqueza” social devido ao seu estatuto de estrangeiro os contornos tornam-se ainda mais dramáticos e exemplares).
Quase meio século passado da primeira grande vaga dos anos 60, aqueles que um dia responderam (video INA em cima) à pergunta de um jornalista “Et vous espérez quoi?” “On espère que ce sera mieux qu’au Portugal”, continuam os emigrantes do pós-Schengen a responder-me “prefiro ser femme de ménage e estar às ordens da minha patroa do que ir fazer as vindimas nas vinhas do meu pai” ou então “Trabalhas de que horas a que horas?”“Tenho um horário especial. Das 7 às 7. Porque eu quero”. “Quantos dias por semana?", "6 dias. Porque eu quero. Porque ao fim do mês sempre ganho mais um bocadinho. Mas isto ninguém deve saber, só eu tenho que saber”. Esta atitude perante o trabalho é acompanhada por uma postura de servilismo, permitindo aos emigrantes portugueses em França de ganhar o troféu de “migrants-modèles pour le patronat”. E quando um dia protestava em frente da embaixada portuguesa com mais meia dúzia de gatos pingados contra o fecho dos consulados, uma senhora corajosa aproxima-se e grita em português: “não estamos aqui para gritar, estamos aqui para trabalhar”. Ora pois sim senhor, o nosso lema é ser “humildes, sérios e limpos” dizia-me ainda outra senhora noutro contexto. Os portugueses continuam assim a aceitar tarefas árduas e horários desumanos, em nome de quem? Culpa de quem?
E quando neste panorama um emigrante alentejano dá-me um poema intitulado “Um dever civico”, muito para além do seu sentido primeiro, de votar ou não votar, sinto que urge uma semente de insurreição à normatividade na qual os emigrantes foram e são ensacados como paios.

“Assim o nosso peso remonta
Mostramos a nossa força
E que a nossa Vós se ouça
Sai detraz dessa montra
Ninguém mais te aponta
Serás um outro sugeito
Serás olhado com mais respeito
Porque quem não vota não conta”

Joaquim Alexandrino

Inesperadamente, abro a minha caixa de correio e vejo um envelope timbrado com o logotipo do PS endossado em meu nome, um pouco perturbada com o acontecido sem saber muito bem de onde vinha aquilo, abro o envelope, avisto Sócrates que diz “AVANçAR PORTUGAL pelas comunidades”. Três dias depois repete-se a situação, mas desta vez o logotipo era do PSD e quem agora falava era a Ferreira Leite: “O NOSSO COMPROMISSO COM AS COMUNIDADES PORTUGUESAS, servir os portugueses da diáspora” (daí, entre outros, os elevados custos de campanha destes partidos). Na elocução fácil e estéril dos dois prospectos é incrível a capacidade que os dois partidos têm para se anularem um ao outro. No que diz respeito, por exemplo, à rede consular: prospecto do PS “O governo PS continuará a modernização das estruturas da rede consular, cujo objectivo central consiste na melhoria constante do atendimento”; PSD “O governo PS desqualificou os postos consulares que sobrevivem com enormes carências humanas e técnicas”. É engraçado que se fale em rede consular e conforto das suas infraestruturas, quando o mais importante é a proximidade destas do local de residência das pessoas. Importantes postos consulares foram fechados já sob a égide do Governo PS e Presidência PSD, nomeadamente o de Versalhes, Nogent, Orléans e Tours (obrigando os portugueses a fazerem deslocações enormes para o caso de quererem renovar o BI, mais vale assim adquirir nacionalidade francesa, dir-me-iam alguns)!
Hoje, recebi enfim o meu boletim de voto por correio, eu e mais 72527 emigrantes recenseados na Europa.

Publicado por [Shift] às 12:45 PM | Comentários (10)

Sondagens

É impressão minha ou nestas eleições tem havido muito menos sondagens do que o habitual? Será uma espécie de revivalismo dos anos 80 ou será que andam aí sondagens muito incómodas?

Publicado por [Saboteur] às 12:35 PM | Comentários (6)

Começou a escola

Agora com o começo das aulas e o tempo a ficar mais ameno isto começou a ter mais piada. Hoje, acho que fui para o trabalho a uma média de 400 carros por hora.

Publicado por [Saboteur] às 11:58 AM | Comentários (3)

Nem tudo o que é bom devia acabar...

Silver Jews: a banda que lança um dos melhores albuns em 2008 acaba em 2009

What Is Not But Could Be If

What is not but could be if
what could appear in the morning mist
with all associated risk
what is not but could be if

What was not but could have been
was my obsession way back when
now I just remember this
what is not but could be if

what is not but could be if
we could be crossing
this abridged abyss into beginning

and failure's got you in its grasp
and you're reaching for your very last
vicious beginning

one has lived life carelessly
if he or she has failed to see
that the truth is not alive or dead
the truth is struggling to be said

so how do we get out of this?
family shadows all of this
through what is not but could be if
with all associated risk

what is not but could be if
we could be crossing
this abridged abyss into beginning

and failure's got you in its grasp
and you're reaching for your very last
vicious beginning

Publicado por [Paradise Café] às 10:02 AM | Comentários (4)

setembro 09, 2009

O maravilhoso mundo da intermodalidade nos trasnportes "públicos"

A proposito disto e disto apeteceu-me dizer isto:

Este fim de semana fui à festa (do avante). Armei-me em gajo urbano bué independente e convenci-me a utilizar os transportes "públicos" - na verdade, alguns são tão públicos como a GALP do camarada Eduardo dos Santos. Mas avante.
Foi mais uma ocasião para experimentar em primeira mão o maravilhoso mundo da intermodalidade à portuguesa.
Sou neste momento o orgulhoso proprietário de 3 cartões verdes (além do Passe Lisboa Viva), todos iguais e todos diferentes. Um comprei na CP, o outro na Transtejo e outro no Metro de Lisboa. Depois de muita tentativa/erro descobri que:
- O cartão verde da CP não dá nos outros "operadores".
- O outros dois cartões dão em todo lado mas só se forem carregados com "bilhetes virtuais" desses "operadores". Se forem carregados com "bilhetes" de um, já não dão para o outro enquanto não se gastar esse "bilhete".
- Os "bilhetes" têm normalmente o valor de 0,85 euro, com excepção da Fertagus. Quando se anda mais que uma zona, então, está tudo lixado porque deixa de se aplicar o valor base e saltamos para valores distintos consoante o "operador".
- Mas, apesar de o valor ser igual (por exemplo no Metro Lisboa, no eléctrico do sul do Tejo, na Transtejo e na Carris), i.e., os tais 0,85 euro por viagem simples, o que conta é o "operador", não é o valor a descontar. Por isso, nunca se pode usar o mesmo cartão verde na Transtejo e no Eléctrico do sul do Tejo, por exemplo, quando temos mais de um "bilhete virtual" carregado, necessariamente de determinado "operador"... e isto aplica-se ao Metro de lisboa e à Transtejo, por exemplo. A Fertagus, então, é um caso à parte porque é sempre mais cara, por isso está fora de questão usar o verde de qualquer outro "operador" já carregado.

Mas ainda melhor é saber que o cartãozinho verde não dá em todos os "operadores". É que há concessionários que vivem fora deste mundo, têm regimes de excepção...
Exemplos? A Vimeca (que tem um monopólio absolutamente escandaloso dos transportes rodoviários para algumas zonas de Oeiras), a Stagecoach (idem para Cascais-Sintra), os TST (idem para Almada, Seixal, Sesimbra, Setúbal etc). Neste casos, mantem-se o sistema antigo: ou arrotas o bilhete que te impingem a bordo (por valores exorbitantes), ou descobres um dos ínfimos postos de venda de bilhetes pré-comprados - que só dão para aquele "operador", pois claro - ou tens o Lisboa Viva carregado com passe que eles querem.

Ou seja, se eu quiser ir, por hipótese, do Campo Pequeno à Festa do Avante e só tiver um bilhetinho verde carregado com 10 viagens do metro de Lisboa estou fodido: gasto um bilhete virtual no Metro e acabou a festa. Chegado ao barco tenho ou à Fertagus tenho de comprar outro bilhetinho verde e carregá-lo. Se carregar com mais de uma viagem, não posso voltar a usá-los noutro "operador". Compro outro bilhete verde, carrego-o, e já posso apanhar o Eléctrico de Almada. Ou então dou 2,75 euros para ir de Cacilhas à Cruz de Pau nos TST (um roubo para um trajecto de 15 minutos).

É magnífico, não é?

Legenda: A imagem mental que os senhores "operadores" e os senhores políticos dedicados a esta magna questão têm dos utentes.

Publicado por [Renegade] às 10:42 PM | Comentários (10)

Louçã e os radicais no país dos parlamentos


O expediente nacionalista de Louçã para ganhar os votos da populaça não é de hoje, mas nos últimos tempos, principalmente desde que traçou como meta chegar a primeiro-ministro (???), tem-se vindo a cimentar como nunca.
“Os portugueses sabem”, “os portugueses querem” e ainda “os portugueses não admitem”. Estas foram algumas das palavras escolhidas pelo líder do BE para defrontar José Sócrates no debate realizado ontem.
Ora, além de ficarmos a saber que o homem tem o dom da adivinhação, e da desonestidade intelectual, já agora, o que podemos inferir destas palavras?
Louçã sabe que temos muitas identidades, (de classe, de género, de orientação, etc.. o blá, blá do costume) e também sabe que tanto a escolha, como a utilização que fazemos de cada identidade é sempre um processo profundamente político. Talvez para Paulo Portas esta questão nunca tenha sido alvo de qualquer reflexão, agora para Louçã, até pelo seu percurso, é uma hipótese absolutamente impossível sequer de colocar.
A escolha que faz - a nacional - em vez da de classe, por exemplo, é certamente condicionada pela febre dos votos para chegar ao “coração do eleitorado”, no entanto, esta utilização de uma identidade construída na mesma forja em que se construiu a ideia de paz social onde todos nós mais que trabalhadores, explorados, gays, belmiros ou polícias somos portugueses é tão grave como defender o código de trabalho mais reaccionário.
E depois chamem-nos radicais e não discutam e não se auto-discutam, no fundo façam o que Sócrates vos faz a vocês: radicais...

Publicado por [Paradise Café] às 12:11 PM | Comentários (5)

15-0


JORNAL SPORTING – De que se lembra desse dia?
JOSÉ MARIA FERREIRA DE MATOS – Lembro-me do intenso nevoeiro que estava. Antes do jogo, o «chefe» dos apanha-bolas, o Valter Leitão, distribuiu-nos pelo campo e mandou-me para trás da baliza. Recordo-me que o Sporting começou a ganhar. Na segunda parte, a vantagem continuava do Sporting, mas nunca pensei em fazer o que acabaria por fazer. Eu era conhecido pelas asneiras que fazia, mas também nunca ninguém pensou que fizesse o que fiz.
– Como foi o lance?
– Não sei bem como a bola chegou a mim, mas sei que ela veio ter comigo e vi o Gomes a pôr as mãos na cabeça. Sem pensar, dei uns passos e fui até ao canto da baliza, meti a bola lá dentro e fugi para o mais longe possível. Então, vejo o Damas a ralhar comigo, mas eu pirei-me para trás do ‘bandeirinha’; ele já tinha a bandeirola no ar a assinalar o golo. Foi quando os jogadores do Sporting correram para o árbitro, a reclamar. Aí o juiz, que julgo não ter visto bem o lance, começou a mostrar cartões.
– Porque razão meteu a bola na baliza?
– Foi tudo muito rápido. O FC Porto estava a perder, a bola estava na minha mão e então pensei: vou metê-la lá para dentro e vou-me pirar. Foi um daqueles momentos em que se faz, ou não se faz; optei por fazer e já não dava para voltar atrás. Aconteceu numa fracção de segundo.
– Depois de meter o golo, o que pensou?
– Eu só queria que não me «topassem». Felizmente, ou infelizmente, o árbitro marcou e eu saí impune. Tenho pena do Damas, que não teve culpa nenhuma e sofreu um golo ilegal.
– E se visse o árbitro desse encontro?
– Não sei… Gostava de estar com ele para lhe confessar que fui mesmo eu a marcar o golo e não o Gomes. Eu tenho quase a certeza de que ele não conseguiu ver o lance como realmente aconteceu, pois estava um nevoeiro muito intenso. Também gostava de falar com o fiscal de linha; foi ele quem assinalou o golo e foi para trás dele que eu «fugi» depois de fazer o que fiz.
– Acha mesmo que o árbitro não viu nada?
– Julgo que não. Tenho ideia de ver o fiscal de linha levantar a bandeirola e validar o golo do FC Porto. Depois, lembro-me de ver o Damas e outros jogadores a correrem para o árbitro e sei que houve cartões mostrados. Nessa altura, já eu estava «escondido» atrás do fiscal. Só aí é que percebi o que tinha feito, mas pensei,"já está, já está!" Não havia nada que eu pudesse fazer.
"O Gomes disse-me que tinha marcado o golo"
– Alguma vez falou com o Fernando Gomes sobre a autoria do golo?
– Sim, uns anos depois encontrei-o num Centro Comercial do Porto. Perguntei-lhe, sem ele saber quem eu era, se tinha sido ele a marcar o golo; ele disse que sim e cada um seguiu o seu caminho. Mas acontece a mesma coisa quando o jogador mete a bola com a mão; se lhe perguntarem, ele dirá, quase sempre, que foi com a cabeça. Neste caso, eu sei que não foi o Gomes que a meteu. Digo-lhe isso nos olhos dele, ou nos olhos de quem quer que seja.
"Muito aliviado"
– Como se sente, agora que «confessou» o seu «feito» ao nosso jornal?
– Muito aliviado. Muito mesmo. Era uma coisa que eu tinha de contar mais cedo ou mais tarde. Queria ter falado com o Damas, mas não consegui. Agora, fica a faltar falar com o sr. Alder Dante e com o presidente do Sporting. Quero agradecer ainda a oportunidade que o jornal ‘Sporting’ me deu, ao poder de ter entrado no Estádio José Alvalade. Quando pisei o relvado, senti um calafrio; as minhas mãos e as minhas pernas tremeram como há muito não tremiam.
– Não tem receio de ter contado a história desse golo?
– Não. Eu sou um homem correcto. Quando as pessoas quiserem, que me procurem. A falar é que as pessoas se entendem.
"Gostava de ter pedido desculpa ao Damas"
– Nunca pensou falar com Victor Damas?
– Sempre tive o desejo de ir ter com ele. Tentei, várias vezes, mas nunca o consegui apanhar. Na altura, cheguei a vir do Porto a Alvalade, mas nunca tive a oportunidade de o encontrar. Não era fácil falar com ele, pois um humilde apanha-bolas não chega facilmente à fala com um jogador, para mais sem conhecer ninguém do Sporting. É das coisas que me dá mais pena. Era um sonho falar com ele. Nunca me esquecerei do Damas; pelo guarda-redes que foi e por nunca ter conseguido falar com ele. Sempre que via jogos do Sporting, em que o Damas participava, pensava sempre na malfeita bola do nevoeiro.
– O que lhe diria se o tivesse chegado a encontrar?
– Dizia o que lhe disse hoje e, com toda a certeza, pedir-lhe-ia muitas desculpas.

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:03 AM | Comentários (3)

What is that? Portuguese gamar cassette

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:53 AM | Comentários (2)

Tesourinhos deprimentes #1 O outro movimento operário


Em tempos de crise e eleições, chegado da província, optei por oferecer aos leitores do Spectrum uma rubrica diferente, inovadora e extremamente criativa, senão mesmo sensacional.
Aos mais distraídos, aviso desde já que estive entre o alto douro e trás-os-monstros, o que mudou profundamente a minha vida e o meu modo de ver o mundo (certamente que o emanuel, o edgar e a sandra, talvez não por esta ordem, me corrigirão caso não esteja a dizer a verdadade). Estou mais maduro e contemporizador, cheio de bôla de vinha d'alhos e vinho daqui e dali, adiante que se faz tarde (morre de inveja. irmão lúcia). O Benfica parece bem e a selecção nem por isso (os deuses devem estar loucos, o fim do mundo está próximo, talking about my generation). Adiante.
Quero-vos falar de Artur Gonçalves. Bom, nem por isso. Ele tratou disso por ele próprio. Passo a citar.
"Às vezes ainda me pedem para actuar em certas festas a favor disto ou favor daquilo. Eu não tenho coragem para dizer que não. Há sempre aquele bichinho dentro da pessoa - gosto de cantar.
O que dá mais êxito é o que não está gravado - "Os sindicatos" - e que ataca o PCP e o PS.
Eu só estou a atacar porque os trabalhadores descontam, e quando têm problemas só têm assistência de palavras e não têm panela de sopa nem tacho para o guisado. Só têm palavras: "Pá, não senhor, vocês sejam unidos e tal e tal" e quando aquilo dá para o azar (sacode as mãos), os trabalhadores vão desempregados para casa e eles vão lá para a associação deles. Não há nada, não há subsídio, não há ajuda, não há nada".

Artur Gonçalves, Abril de 2006

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:28 AM | Comentários (3)

setembro 08, 2009

Um debate pouco clarificador

O debate Louçã Vs Sócrates não foi muito clarificador, pois não? Estava à espera do melhor debate deste ciclo e afinal soube-me a pouco...

Ilistrando: Uma das situações mais irritantes foi a da auto-estrada que terá sido adjudicada por 500 Milhões de Euros à Mota-Engil e que depois a Mota-Engil aumentou o preço para o dobro.

Sócrates disse que Louçã estava equivocado e Louçã disse que nada disso. Insistiu até ao fim que 500 milhões de euros era muito dinheiro para dar à Mota-Engil do Dr. Jorge Coelho. Não se saíu dali durante um bom bocado de tempo. Parecia aqueles jogos de futebol em que se está a queimar tempo.

Isto assim não é nada. Um contrato de uma auto-estrada não é matéria de opinião. Ou é assim ou é assado. Algum dos dois não tem razão.

Espero que esta história não fique em àguas de bacalhau e se esclareça afinal o que se passou.

Judite de Sousa, para não variar, esteve fraquinha, fraquinha.

Publicado por [Saboteur] às 09:37 PM | Comentários (11)

Eu é que sou o Presidente da Junta...

Tirando o MMS, não vejo exemplos de maior demagogia do que a que se faz na campanha para as Juntas de Freguesia.

As Juntas de Freguesia não têm praticamente competências nenhumas. Para além de administrar o seu património, resta-lhes fazer pedidos mais ou menos presuasivos ou chamar a atenção para problemas, àquelas instituições que podem fazer alguma coisa: Câmaras, delegações regionais de ministérios, etc...

Apesar disso, todos os candidatos a Presidentes de Junta, portam-se como se tivessem a concorrer a Primeiros-Ministros de um Bantustão que não existe.

Ontem recebi um folheto da candidata do PS à Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa.

Diz ela que vai "aumentar a segurança", como se a polícia não fosse tutelada directamente pelo Ministério da Administração Interna; vai "limpar a Freguesia", como se a higiene urbana não fosse competência da Câmara, vai "criar uma rede de apoio social para os mais idosos, com assistência médica domiciliária", criando uma espécie de serviço publico à sueca para os 11 mil eleitores da freguesia.

Mas não se fica por aqui. A candidata, se fôr eleita, vai resolver o problema da "desertificação por falta de jovens que não se fixam na Freguesia". Como? Através de uma proposta audaciosa: "Rejuvenecer a Freguesia, criando um sistema de apoio para jovens casais".

A freguesia de Santa Isabel, que fica na rua abaixo, que se cuide, porque Nossa Senhora de Fátima vai atrair um fluxo de habitantes para o seu território limpo, seguro e com médicos a ir de casa a casa, como nunca visto!

Publicado por [Saboteur] às 01:57 PM | Comentários (6)

setembro 07, 2009

Debates eleitorais

Aproveitando o periodo dos debates eleitorais na TV (que por acaso até têm sido bastante informativos. Não me lembro de em outras eleições legislativas as coisas terem sido tão transparentes), informo que pelo que pudémos constatar - nos Programas para as Legislativas - só o Bloco de Esquerda fala de bicicletas e redes cicláveis.

ENFRENTAR A DITADURA DO AUTOMÓVEL

O Bloco de Esquerda defende um plano para uma transferência modal de 20%, do automóvel para os transportes
público, até 2015.
• Alargamento dos perímetros urbanos onde é proibida a circulação do automóvel, os canais exclusivos para
os transportes públicos e a rede de corredores dedicados aos modos suaves;
• Projectos-piloto de experimentação do conceito de espaço partilhado, onde se misturam os diferentes
meios de mobilidade;
Apoio à criação de serviços municipais de partilha de bicicletas;
• Isenção de portagem nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto nos casos de «car-polling», o uso partilhado
com 3 ou mais passageiros;
• Protecção dos direitos dos ciclistas e peões no código da estrada;
• Ligação aos transportes públicos como condição para a aprovação de qualquer plano ou projecto urbanístico.

Publicado por [Saboteur] às 12:10 PM | Comentários (7)

setembro 05, 2009

"Melhor esplanada de Lisboa com os dias contados"

Ana Henriques do Público continua a aperfeiçoar o seu "estilo Manuela Moura Guedes", sobretudo agora que parece ganhar tantos adeptos não só à direita mas também, de forma surpreendente, à esquerda.

"Melhor esplanada de Lisboa com os dias contados" é o título. Porque é que é a melhor? A informação é totalmente opinativa, parcial e especulativa. "Neste espaço namora-se a cidade em todo o seu esplendor"

Os maus da fita são os odiáveis srs. da EMEL, que querem construir neste antigo mercado um parque de estacionamento e abrir um concurso público para concessionar um restaurante (de luxo, diz a Ana), no terraço, onde, por coincidência, eu aprendi a andar de bicicleta.

Ana Henriques entrevista Tomás Colares Pereira (por acaso acho que é Collares), que explora hoje o bar, e que apela à "mobilização dos clientes". Não teve foi oportunidade de aprofundar o assunto e de informar em que circunstâncias este empresário, aliás, ex-chefe de Gabinete da Vereadora da cultura de Santana Lopes, ocupou sem concurso o espaço onde "o casario e o Tejo estendem-se aos seus pés"

Publicado por [Saboteur] às 01:45 PM | Comentários (2)

OUI à la rentrée!

Fidalgo : Pera senhor de tal marca
Nom há aqui mais cortesia?
Venha prancha e atavio!
Levai-me desta ribeira!

Anjo: Não vindes vós de maneira
Pera ir neste navio.
Essoutro vai mais vazio.
A cadeira entrará
E o rabo caberá,
E todo vosso senhorio.
Vós irês mais espaçoso,
com fumosa senhoria,
cuidando na tirania
do pobre povo queixoso.
E porque, de generoso,
Desprezastes os pequenos,
Achar-vos-ês tanto menos
Quanto mais fostes fumoso

Diabo: à barca, à barca, senhores!
Oh! Que maré tão de prata!
Um ventezinho que mata
E valentes remadores!

Gil Vicente (2000[1518]), "Auto da Barca do Inferno"

Publicado por [Shift] às 09:06 AM | Comentários (4)

setembro 04, 2009

NON à la rentrée !

Uma estranha loucura está a apossar-se das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. [...] Esta loucura consiste no amor ao trabalho, na paixão moribunda pelo trabalho, levada ao depauperamento das forças vitais do indivíduo e da sua prole.
[...]
ó miserável aborto dos princípios revolucionários da burguesia ! ó lúgubre dádiva do seu deus Progresso! Os filantropos aclamam como benfeitores da humanidade aqueles que, para enriquecerem sem fazerem nada, dão trabalho aos pobres; mais valia semear a peste e envenenar as nascentes do que construir uma fábrica num aglomerado rural. Introduzam o trabalho de fábrica, e adeus alegria, saúde e liberdade; adeus tudo aquilo que torna a vida bela e digna de ser vivida.
[...]
Trabalhem, proletários, trabalhem para aumentarem a fortuna social e as vossa misérias individuais, trabalhem, trabalhem, para que, ficando mais pobres, tenham mais razões para trabalhar e ser mais miseráveis. É essa a lei inexorável da produção capitalista.

Paul Lafargue (1977[1883]), “O Direito à Preguiça”

Publicado por [Shift] às 11:08 AM | Comentários (5)

setembro 02, 2009

O debate

Para não dizerem que só escrevo sobre autárquicas, esta noite, às 23, Zé Guilherme, Tó Filipe, Pacheco Pereira e Jorge Lacão esgrimem argumentos sobre o país e, em especial, sobre Santarém, distrito por onde são cabeças de lista.

A não perder na RTP N

Publicado por [Saboteur] às 05:29 PM | Comentários (12)

A obra virou-se contra o criador

É tal e qual como diz Santana: A obra virou-se contra o criador.

Dirigido por um ex-assessor do executivo PSD na câmara (Francisco Morais Barros), o «Jornal de Lisboa», um mensário totalmente a cores, é distribuído gratuitamente e financiado pelas Juntas de Freguesia do PSD e do PCP, em troca de notícias patéticas sobre o quanto estas Juntas têm feito pelas populações e o quão má é a câmara de Lisboa.

As colunas de opinião são de Modesto Navarro (PCP), Nuno Melo (CDS) e vários outros do PSD, com Morais Sarmento à cabeça.

Há também um cartoon do Manuel João Ramos, da ACA-M e ex-nº2 da Helena Roseta que, pensando ser muito engraçado fazer uns cartoons anti-Costa e anti-Sá Fernandes, não vê que está contribuir para um esquema pouco sério em que há quase 2 anos os dinheiros públicos são utilizados em pura campanha eleitoral.

Acontece que o último número do Jornal de Lisboa está irreconhecível:

A facção do Director não deve ter tido os lugares que queria lá na lista, ou já se está a preparar uma ruptura qualquer… o que é certo é que o último número do jornal ataca forte Santana Lopes, chegando a denunciar uma história sobre o Presidente da Junta de Benfica (PSD) que recebia ordenado da GEBALIS, apesar de nunca ter trabalhado lá, dizendo, claro, que foi Santana Lopes que fez questão que ele voltasse a ser candidato. “Zangam-se as comadres”…

Publicado por [Saboteur] às 04:49 PM | Comentários (4)