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agosto 31, 2009

Versão personalista:
Quarta, 2 – Sócrates-Portas (TVI); Quinta 3 – Louçã-Jerónimo (SIC); Sábado 5 – Sócrates-Jerónimo (TVI); Domingo 6 – Louçã-Ferreira Leite (TVI); Segunda 7 – Portas-Jerónimo (SIC); Terça 8 – Louçã-Sócrates (RTP), Quarta 9 – Ferreira Leite-Jerónimo ( TVI); Quinta 10 – Portas-Ferreira Leite (RTP); Sexta 11 – Louçã-Portas (RTP), Sábado 12 – Ferreira Leite-Sócrates (SIC)

Versão institucionalista:
Quarta 2 Set. – PS-CDS (TVI)

Quinta 3 Set. – BE-PCP (SIC)
Sábado 5 Set. – PS-PCP ( TVI)
Domingo 6 Set. – BE-PSD (TVI)
Segunda 7 Set. – CDS-PCP (SIC)
Terça 8 Set. – BE-PS (RTP)
Quarta 9 Set. – PSD-PCP ( TVI)
Quinta 10 Set. – CDS-PSD (RTP)
Sexta 11 Set. – BE-CDS (RTP)
Sábado 12 Set. – PSD-PS (SIC)

Versão revolucionária:

Publicado por [Renegade] às 11:02 PM | Comentários (8)

agosto 27, 2009

Inglorious Bastards

A propósito do argumento do filme do Tarantino, em que os Nazis se reúnem todos numa sala de cinema e os 'bastards' vão lá com o objectivo de mandar aquilo tudo pelos ares... Quando é que é afinal o jantar de desagravo dos bloguistas que treparam à câmara de Lisboa durante a noite e que agora são arguidos?

Publicado por [Saboteur] às 11:31 PM | Comentários (13)

Notícias do socialismo

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PS: Apaguei o título da dissertação porque não estou para chatices. Já me chegou a Opus Dei.

Publicado por [Renegade] às 08:12 PM | Comentários (4)

Corredor Verde Vs Estacionamento

Hoje o Público fala na tensão entre os trabalhadores dos bancos Santander e Popular, que utilizavam os terrenos baldios da zona ao pé do Bairro Azul para estacionar, e os planos da Câmara para prosseguir a consolidação do "Corredor Verde de Monsanto", que vai ligar o Parque de Monsanto ao Parque Eduardo VII.

Nem de propoósito, o Klepsydra postou um texto de Mário Alves que tem tudo a ver com isto. A ler:

«Este conjunto de imagens e comentários convidam à reflexão. Recentemente tive a oportunidade de debater em público a questão da obrigatoriedade dos capacetes para ciclistas. Sempre a mesma ratoeira. Ao olhar para estas fotografias, parece-me óbvio que temos sempre duas hipóteses para aumentar a segurança dos mais vulneráveis: a) colocar a responsabilidade de protecção nos mais fracos, obrigando-os a usar capacetes ou negando-lhes a possibilidade de usar em plenitude as ruas que lhes deviam pertencer; b) reduzindo o número e a velocidade dos automóveis. O primeiro tipo de intenções, apesar de na maior parte das vezes bem intencionadas, continuará a espiral absurda de olhar para o problema pelo paradigma estafado que nos fez chegar até aqui. O segundo caminho, mais difícil, implica visão, participação, concertação, liderança.

Um pouco de história: em Março de 1992 foi realizado um referendo, o primeiro em Amesterdão, sobre a necessidade de restrições ao automóvel. Apesar do elevado nível de abstenção, 53% dos votantes escolheu o cenário que incluía uma drástica redução dos automóveis no centro da cidade. Depois de alguma hesitação, devido ao nível de abstenção, a câmara de representantes decidiu avançar com um polémico plano para reduzir 35% das viagens de automóvel no centro. O controlo do estacionamento foi o instrumento principal escolhido. Passado anos de restrição aos pendulares - já nos anos 90 era praticamente impossível um trabalhador encontrar estacionamento de longa duração no centro - a politica de restrição de estacionamento tentou encontrar um balanço entre o estacionamento de curta duração (considerado essencial aos serviços e comércios da cidade) e o estacionamento reservado a residentes. Depois de muita consulta e participação pública, onde a população estava muito dividida, os planos avançaram. Entre as medidas mais dolorosas, a redução de 3,000 lugares de estacionamento, num momento em que muitos clamavam por mais lugares. Nas áreas mais comerciais os lugares para residentes foram reduzidos. Neste momento, pode levar mais de 5 anos a fila de espera para ter um cartão de residente para estacionar - um cartão por fogo obviamente. Contrariamente ao que se afirmava na altura, Amesterdão continua a ter as rendas e o preço por metro quadrado mais altos da Holanda - tanto para espaço residencial, serviços ou comércio. De facto o problema é o oposto: como evitar a gentrificação do centro, apesar de existir uma politica de rendas controladas que, apesar dos seus problemas, consegue manter pessoas de baixos rendimentos no centro.

Parte desta história foi contada há mais de dez anos em Lemmers, L., 1995, «How Amsterdam plans to reduce car traffic - World Transport Policy and Practice», pp25-28. Leo Lemmers finda o seu artigo da seguinte forma:

"To see the real effect [da politica de restrição ao estacionamento], some patience will be required. It will certainly take another ten years to see whether Amsterdam really has set an example for the rest of Europe."

Talvez agora valha a pena voltar a ver as fotografias e procurar os capacetes, as ciclovias e os lugares de estacionamento.»

(Mário Alves, autor do texto, é Mestre em Transportes pelo Imperial College London e consultor de transportes e gestão da mobilidade)

Publicado por [Saboteur] às 07:41 PM | Comentários (7)

agosto 26, 2009

"Libertas para a Europa!"


Ver mapa maior

Já passaram quase 3 meses das eleições europeias e os cartazes deste suposto partido ecologista - MPT, uma espécie de PEV do PSD - continuam a conspuracar a cidade.

Pessoalmente não simpatizo muito com esta autêntica lei da selva em que qualquer partido político pode contratar empresas para arrancar pedras da calçada ou betonizar jardins para enfiar lá os seus catrapázios, em qualquer ponto da cidade, sem qulquer regra... Mas no mínimo, após as eleições, deveriam ter a decência de ir lá tirar aquilo.

(Já nem digo repôr os estragos que fizeram para não chocar os camaradas que estão mais envolvidos na campanha)

Já agora: Alguém percebeu afinal o que queria o MPT com o (ou as) "libertas para a europa!"?

Publicado por [Saboteur] às 01:03 PM | Comentários (10)

agosto 25, 2009

Outra vez sexista, só que agora com piada


"Sei também que o génio entrevistadeiro do Daniel Oliveira te falou em uvas para que os espectadores informados such as myself pudessem imaginar-te a trincar o Gonçalo Sousa Uva, o capitão de rugby com quem namoras e cujas placagens te devem deixar, também elas, exaurida. Mas Carolina, foste longe demais. E eu nem vou fixar-me noutros momentos dessa pérola televisiva sobre a qual estamos agora os dois debruçados. Deixo passar, por exemplo, que tenhas dito que não gostas de entrar num sítio sem ser notada e que aches preferível fazer batota a perder. Isso são lá coisas tuas e daqueles com quem fazes jogos de azar. Mas a parte das uvas dá cabo de mim, babe. Dilacera-me, que queres que faça.
É que tu és mandatária para juventude do PS - uma escolha que, à partida, me pareceu acertada, já que tudo o que vem à cabeça quando olhamos para ti são os ideais do socialismo. Mas que hipótese me deste tu, agora, senão concluir que andas a contrabalançar a carência de bagas de uva com doses industriais de tintol e que, de caminho, embebedas o Nosso Engenheiro? Então com tanto jovem por aí, tanta malta a quem cuspir as graínhas não custa nada, tanto Isac Alfaiate, e logo te havia de calhar a ti a tarefa de mobilizar a faixa dos dezoito aos vinte e nove para os desafios que os próximos quatro anos de governo vão trazer. Tu és tão gira, miúda, que até dou de barato que não se te conheça qualquer dado biográfico que não seja o atrás-referido namoro com um Lobo e as tardes passadas na praia a solidificar um tipo de bronze que em 1987 já era grosseiro. Consigo perceber, também, que o facto de apresentares um programa chamado TGV há-de ter tido a sua quota parte na decisão do secretário-geral do partido. Qual comboio de alta velocidade, também tu és boa nas horas. Assim a dar pelo tornozelo do Sousa Uva, mas muito boa ainda assim (e quem sou eu para falar de alturas). Mas dava só, Carolina, para não teres dito que a mulher-a-dias te descasca as uvas?"

Cálssio, Carta aberta a Carolina Patrocínio

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:00 PM | Comentários (8)

Mais um cerco policial


"Tivemos um churrasco no domingo com gente de outros bairros, estávamos a confraternizar e estava tudo bem, mas ao início da noite a polícia chegou ao bairro para apreender uma moto que julgava ser roubada. O dono da mota mostrou os documentos e estava tudo certo. Inadvertidamente, a polícia começou aos tiros, a mandar dispersar a multidão e eu fui agredida.Houve um rapaz que cuspiu para o chão, eles acharam que era provocação, e chamaram-nos pretos e ratos de esgoto. Não tenho nada contra a polícia, mas acho que acções destas geram violência". Luísa diz ter sido agredida pelas forças de intervenção com pontapés e cacetetes. Entretanto, alguns moradores apanharam do chão balas de 9 mm, que pertencerão às metralhadoras das autoridades. "Eles aparecem muitas vezes por aqui, e há um dia em que as coisas explodem", comenta outro morador.
O comunicado emitido entretanto pela PSP dá conta de que um carro-patrulha da polícia se dirigiu ao bairro pelas 02:30h desta madrugada, porque recebeu uma chamada indicando que estavam a arder duas viaturas numa praceta do bairro. Segundo o comunicado, a PSP foi "recebida com pedras e um 'cocktail molotov'. Perante o grau de violência, foram de imediato deslocados reforços da PSP para controlar a situação."
Um forte dispositivo composto por vários agentes, incluindo elementos à paisana, e quatro viaturas está agora a cercar o bairro, sendo que ninguém está autorizado a entrar ou sair do local sem fiscalização prévia.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:33 PM | Comentários (4)

Cada um combate à sua maneira o temível poder das «corporações»


"O pagamento de um salário de 333 euros em moedas de um euro e de cêntimo a uma trabalhadora de uma fábrica têxtil levou um deputado do PCP a pedir esclarecimentos ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade, que tutela a Autoridade para as Condições de Trabalho. A trabalhadora é costureira na empresa Fersoni, de Vila Nova de Famalicão, e em simultâneo delegada sindical.
Num requerimento dirigido esta semana ao Governo, o deputado Agostinho Lopes considera o acto "inqualificável e intimidatório, de prepotência e desfaçatez". E como o problema "é do conhecimento" da Autoridade para as Condições de Trabalho, o deputado quer saber qual foi a intervenção do ministério para "repor a legalidade democrática e laboral da empresa". Entretanto, a trabalhadora em questão foi suspensa pela empresa."

Público

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:17 PM | Comentários (2)

Da nossa parte apenas acrescentamos um arrependimento


Em Outubro do ano passado, procurei em vão on-line por este texto, no qual Lenine comentava o regicídio português, um século atrás. Possuidor de um sólido 2º volume das suas obras escolhidas (Edições Progresso, claro), a par de um não menos nutrido 3º, fui incapaz, porém, de encontrar o volume inicial, onde tão sublime prosa se viu publicada. Estará talvez aí a razão fundamental para a minha funesta dissidência. Mas eis que encontro agora, via facebook (assim são os caminhos da providência), numa das suas mui abençoadas janelas (cada vez que se fecha uma porta e & e tal), o referido texto, com a edição correcta e a merecer um link fraterno (até amanhã camaradas, a luta continua).
Aqui fica, pois, “O sucedido ao rei de Portugal”, para que não se diga nunca que este é um povo de brandos costumes. Lenine estava em grande forma. Não é à toa que um gajo fica careca e mesmo assim faz uma revolução.
A todos os admiradores de Badiou eu, carbonário, me confesso. Permaneço fiel a este evento.


“A imprensa burguesa, até a de tendência mais liberal e democrática, deve ter a moral dos “Cem Negros”(1) quando discutem o assassinato do aventureiro Português.
Tomem, por exemplo, o repórter especial de um dos melhores jornais burgueses-democráticos da Europa – o Frankfurter Zeitung. Começa o seu relato com uma descrição semi-humorística de como os repórteres estrangeiros, como que para apanhar a presa, se apressaram para Lisboa assim que a notícia sensacionalista foi recebida. “Partilhei um quarto com um conhecido jornalista de Londres”, escreveu o cavalheiro, “que começou a gabar-se da sua experiência. Já estivera em Belgrado para evento semelhante e podia considerar-se ‘um correspondente especial para casos de regicídio’.”
De facto, o sucedido ao rei de Portugal é um verdadeiro “acidente profissional” dos reis. Não admira que tenhamos repórteres profissionais especializados na descrição das desventuras profissionais de suas majestades. “Um povo inerentemente bem disposto e amigável como o Português deve ter frequentado um dura escola para aprender a odiar de forma tão implacável, até na cova. E se isto é verdade – como parece sem dúvida ser, e se ficasse silencioso estaria a distorcer a verdade histórica – se não são apenas estas demonstrações mudas a pronunciar julgamento sobre a vítima coroada, se em cada esquina ouvimos palavras abusivas, até de cidadãos cumpridores, arremessados à vítima do assassinato, é natural que se queira estudar a rara combinação de circunstâncias que tornaram tão anormal a psicologia de um povo. Porque um povo que não concede na morte o seu antigo e sagrado direito de expiar pelos seus pecados terrestres, ou é já moralmente degenerado ou devem existir condições que geram um profundo sentimento de ódio, e obscurecem a percepção clara do pensamento justo.”
Oh, liberais hipócritas! Porque não chamam degenerados morais aos franceses aprendidos [ilustrados] e escritores, que ainda hoje odeiam e abusam virulentamente não apenas os líderes da Comuna de 1871 mas até os da de 1793? Não apenas os combatentes da revolução proletária, mas até os da revolução burguesa? Porque os lacaios “democráticos” da burguesia moderna consideram como “normal” e “moral” que as pessoas aguentem com “boa disposição” cada possível indignidade, escândalo e atrocidade às mãos dos aventureiros régios.
“De outro modo”, prossegue o repórter “(i.e., só como resultado de condições excepcionais), não poderíamos entender o facto de já hoje um jornal monárquico falar de vítimas inocentes entre o povo com quase maior lástima do que do rei, e vemos já claramente como se começam a formar lendas que irão investir os assassinos com auréolas de glória. Enquanto em quase todos os casos de assassinato os partidos políticos se apressam a dissociar dos assassinos, os Republicanos Portugueses têm franco orgulho no facto dos ‘mártires e heróis do 1º de Fevereiro’ terem vindo das suas fileiras …”.
O democrata burguês, no seu zelo excessivo, vai ao ponto de estar disposto a descrever como “lenda revolucionária” o respeito que os cidadãos Portugueses prestam aos homens que se sacrificam de modo a remover o rei que ridicularizou a constituição!
O repórter de um outro jornal burguês, o Corriere della Sera de Milão, refere a censura severa imposta em Portugal depois do assassinato. Telegramas não passam. Ministros e reis não se caracterizam pela “boa disposição” que tanto agrada ao burguês honesto no caso das massas populares! As comunicações tornaram-se tão difíceis como durante uma guerra – argumentam correctamente os aventureiros portugueses que tomaram o lugar do rei assassinado. Reportagens têm de ser enviadas por rotas indirectas, primeiro por correio para Paris (talvez para uma morada privada) e daí transmitidas para Milão. “Nem na Rússia”, escreve um repórter a 7 de Fevereiro, “durante os períodos revolucionários mais violentos, a censura foi tão forte como em Portugal agora.” “Alguns jornais Republicanos”, escreve este repórter a 9 de Fevereiro (Novo Estilo), “escrevem hoje [no dia do funeral do rei] com termos que eu positivamente não me atrevo a repetir num telegrama.”
Numa reportagem de 8 de Fevereiro, que chegou após a do dia 9, o comentário do jornal ‘Pays’ sobre a cerimónia fúnebre é citado: “Os restos mortais dos dois monarcas desfilaram – as cinzas inúteis de uma monarquia desfeita, que havia sido sustentada por traições e privilégios, e cujos crimes têm manchado dois séculos da nossa história.” “Este é um jornal Republicano, claro,” acrescenta o repórter”, mas a publicação de um artigo com estas palavras no dia do funeral do rei não é um facto eloquente?”
Da nossa parte apenas acrescentamos um arrependimento – que o movimento Republicano não tenha ajustado contas com os todos os aventureiros de uma forma suficientemente resoluta e aberta. Lamentamos que no sucedido ao rei de Portugal haja ainda um elemento conspirativo claramente visível, i.e., impotente, terrível, que essencialmente falha o seu objectivo e não alcança aquele terror genuíno, popular, verdadeiramente regenerativo que se tornou famoso com a Revolução Francesa.
Possivelmente o movimento republicano ascenderá ainda mais alto. A simpatia do proletariado socialista estará sempre do lado dos republicanos contra a monarquia. Mas o que eles alcançaram até agora em Portugal foi apenas assustar a monarquia com o assassinato de dois monarcas, não destruir a monarquia.
Os socialistas em todos os parlamentos da Europa expressaram, o melhor que puderam, a sua simpatia com o povo Português e os Republicanos Portugueses, o seu desprezo pelas classes dominantes, cujo porta-voz condenou o assassinato do aventureiro e expressou a sua simpatia pelos seus sucessores. Alguns socialistas declararam abertamente as suas posições no parlamento, outros saíram durante as expressões de simpatia para o com o “sofredor” – a monarquia. Vandervelde, no parlamento belga, tomou a via “do meio” – a pior opção – ao expelir uma frase indicando que honrava “todos os mortos”, isto é tanto o rei como aqueles que o haviam morto. Estamos certos que Vandervelde será a excepção solitária entre os socialistas do mundo.
A tradição Republicana tornou-se consideravelmente fraca entre os socialistas da Europa. Isto é compreensível e até um ponto justificável, sendo que a iminência da revolução socialistas diminui a importância prática da luta por uma república burguesa. Muitas vezes, porém, o enfraquecimento da propaganda republicana significa não vigor da luta pela vitória completa do proletariado, mas uma consciência fraca dos objectivos revolucionários do proletariado em geral. Não foi sem razão que Engels, ao criticar o Projecto de Programa de Erfurt, de 1891, sublinhou aos trabalhares Alemães, com o maior ênfase possível, a importância da luta por uma república, e a possibilidade dessa luta passar à ordem do dia na Alemanha também.(2)
Connosco na Rússia, a luta por uma república é matéria de significado prático imediato. Apenas os mais desprezáveis oportunistas pequeno-burgueses como os Socialistas Populares ou o “S.D.” Malishevsky (vejam a seu respeito o Proletary, No. 7) podem extrair da experiência da revolução Russa a conclusão que na Rússia a luta pela república está relegada para o fim. Pelo contrário, a experiência da nossa revolução provou que a luta pela abolição da monarquia está inseparavelmente ligada na Rússia à luta dos agricultores pela terra, com a luta de todo o povo pela liberdade. A experiência da nossa contra-revolução tem demonstrado que uma luta pela liberdade que não afecte a monarquia não é luta, mas cobardia e flacidez pequeno-burguesa ou simplesmente os carreiristas do parlamentarismo burguês a enganarem o povo.”
Notas:
(1) Os “Cem Negros” (Чёрная сотня, черносотенцы no Russo) era um movimento conservador anti-semita na Rússia no princípio do século XX, que apoiava o regime autocrático do czar no seu combate ao movimento revolucionário.
(2) Vejam Friedrich Engels, Zur Kritik des sozial-demokratischen Programmentwurfes von 1891, Die Neue Zeit, Jg. XX, 1901, B. II, H. 1
(”O Sucedido ao Rei de Portugal”, Vladimir Ilitch Lénine, 1908.
Publicado a 19 de Fevereiro (3 Março) de 1908 no nº 22 do Proletary. Presente tradução para Português a partir da Versão Inglesa Traduzido de Lenin Collected Works, Progress Publishers, 1972, Moscow, t.13 pp 470-474.
Transcrito de “Arquivo Marxista na Internet”)

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:04 AM | Comentários (6)

Silly season


A Grécia parece estar novamente a arder. Estranhamente, ninguém parece estar muito preocupado.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:52 AM | Comentários (0)

agosto 24, 2009

Terreiro do Paço como estava antes

A entrevista de Santana Lopes ao Público de ontem é reveladora do que nos espera:

Voltaria a contratar Frank Gehry porque “temos que rentabilizar o investimento que fizemos nele”. O Terreiro do Paço, voltaria a pôr como estava (tão bonito…). A higiene urbana seria concessionada a privados, bem como a gestão e a exploração de alguns espaços verdes. Será construído um túnel por baixo da linha do metro que por sua vez está por baixo da praça do Saldanha…

Outras propostas para Lisboa nada têm a ver com a câmara, mas são feitas como se tivesse na sua área de competências. Os jornalistas (José Manuel Fernandes e Ana Henriques), nem pestanejam: O aeroporto da portela fica. A 3ª travessia sobre o Tejo só será ferroviária e rodoviária será (uma 4ª?) entre Trafaria e Algés. Os contentores não são para meter em Alcântara (dizem que tapa a vista). Os ministérios da Agricultura, Justiça e Administração Interna são para sair do Terreiro do Paço. (Não era Santana que queria pôr o ministério da Agricultura em Santarém quando era Primeiro-ministro. Agora que não tem poderes para tal é que o vai fazer?)

A mentira é outra arma deste político: Nega que tenha havido alterações ao projecto do túnel do marquês após o tribunal ter mandado parar a obra. Continua a dizer que as dívidas do seu mandato são uma "mistificação".

Partes boas, acho que há duas:

Diz que o Audi A8 que a CML comprou mal ele chegou a Presidente foi da responsabilidade de Pedro Fiest, o vereador que agora é da lista de Carmona Rodrigues. Ele o que tinha pedido foi "para comprar um Lancia e um Smart", mas "o Lancia teve logo 3 avarias nos 2 primeiros meses". Foram para o Audi topo de gama.

Também achei piada que ele contasse que sofreu muito por ter saído da câmara para Primeiro-ministro. “Foi muito desagradável, mas não tinha alternativa”. Porquê? “Foi-me dito que, se não aceitasse, Durão Barroso não iria para Bruxelas”


Publicado por [Saboteur] às 04:26 PM | Comentários (7)

Persépolis 2.0

Vale a pena aceder aqui para ver uma adaptação de Persépolis aos dias de hoje e ao processo das eleições no Irão.

Publicado por [Saboteur] às 12:49 PM | Comentários (1)

agosto 21, 2009

Irremediavelmente lá


O tema que o Zé Neves aborda no 5 Dias - a ressonância tardia do Salazarismo no espaço público e no debate político em Portugal - parece-me um bom motivo para assinalar a reentré.
Diz o Zé que o PS procura colar Manuela Ferreira Leite ao Salazarismo para fazer valer o seu pedigree anti-fascista e que, fazendo-o, não apenas simplifica a análise do que foi o Salazarismo, como procura reduzir as escolhas políticas do próximo 27 de Setembro à oposição entre Sócrates e Manuela. É uma análise que se subscreve sem grandes problemas, mas que deixa de fora o que me parece mais importante sublinhar. Numa nota à parte, e apenas para juntar alguma confusão à questão, aproveito para citar as memórias de Freitas do Amaral (esse notório democrata) acerca da relação entre o PSD e o regime deposto a 25 de Abril de 1974: “Isto nos levou, aliás, a rejeitar a integração em bloco do aparelho local da ANP no nosso partido, que nos foi oferecida por alguns dos seus ex-dirigentes nacionais (através de listas com nomes, moradas, telefones e tudo) – o que representou da nossa parte um belo acto de coerência e idealismo, mas que não foi recompensado pelos deuses: esse aparelho acabou por se passar quase todo para o PPD, que não teve dúvida em o aceitar, depois de riscados alguns nomes mais conhecidos, com o que ganhou definitivamente a primazia sobre nós em implantação local.”(Amaral, Diogo Freitas de, O Antigo regime e a revolução – Memórias políticas (1941-1975), Bertrand, Venda Nova, 1995, p.185)
A minha hipótese é simples. O debate que vai correndo entre apoiantes do PSD e apoiantes do PS, bem como os reparos que estes últimos não poupam ao 5 Dias, traz ao de cima uma estratégia discursiva que bebe, sequiosamente diria eu, das águas turvas do Salazarismo. Um exemplo? Tomás Vasques interpela Nuno Ramos de Almeida acerca de um texto muito claro e simples. Dizia o Nuno: "Governar à esquerda significa dar poder às pessoas, dar direitos às pessoas, dar direitos à, chamada, sociedade civil. " Responde o Tomás: "A partir da leitura de Marx construiu-se, no século passado, uma panóplia de «soluções»: Lenine e Staline construíram a sua a partir da Rússia czarista; Mao Tsétung e Deng Xiaoping construíram outra a partir da China feudal; Fidel Castro e Henver Hodja, construíram cada uma a sua, uma nas Caraíbas e outra na Europa do Sul, e Kim il-sung também deu o seu contributo na Coreia do Norte. Todas estas experiências falharam: umas caíram podres, outras ainda subsistem como ditaduras dinásticas. Mas, no essencial, os trabalhadores (em nome de quem se cometeram as maiores atrocidades) nunca cheiraram o poder, nem sequer a distribuição do produto social."
Convenhamos que não é muito imaginativo e pouco tem a ver com a questão do Nuno. Mas é o material de que vem sendo feito o debate entre os apoiantes do PS e quem se posiciona à sua esquerda. Como não estão bem a imaginar o que se pretende com estas questões - tão distantes do seu entendimento mesquinho do que é e deve ser a política, reduzida ao governo dos homens para que não haja debate acerca da administração das coisas - preferem mergulhar nas águas mais plácidas do socialismo real e fazer retroceder a conversa ao tempo da guerra fria. São escolhas. Mas são escolhas passíveis de ser analisadas à luz de problemas mais amplos.

O diálogo entre o PSD e o PS - inflacionado pela necessidade que ambos os campos sentem de se demarcarem, num contexto em que as diferenças realmente existentes são cada vez mais subtis - também não anda longe disto e assemelha-se cada vez mais às eleições para a Associação Portuguesa do Bigode (centenária instituição que aproveito para saudar).


Mas e o Salazarismo, que tem a ver com isto? Bom, diria eu que tem muito. É sabido que o espaço público era fechado, censurado e claustrofobicamente formatado de maneira a garantir que nenhum debate sério podia ali dirigir-se frontalmente aos problemas que todos sentiam como os mais decisivos, com maiores implicações na vida de cada um. Mas isso nunca equivaleu à total inexistência de um espaço público. Apenas queria dizer que esse espaço público estava reservado às posições, vozes e questões autorizadas, que não comprometessem os frágeis equilíbrios sociais existentes ou a imagem que - através dos jornais, rádios e tv - se procurava compôr do país e dos seus habitantes. A maior efectividade desse espaço público passou aliás, mais do que uma vez, pela tolerância de algum pluralismo e crítica, de maneira a nunca o encerrar completamente num monólogo que lhe retiraria qualquer interesse e, portanto, eficácia.
Arrisco-me a dizer que o espaço público português caminha num sentido perigosamente próximo desse tempo. Não, evidentemente, no sentido de poder ser comparado ao pormenor e de lhe corresponder em cada aspecto. Refiro-me à dinâmica de contracção desse espaço, que o torna cada vez mais impermeável a tudo o que abandone o registo canônico a que se viu reduzido o debate político. O canhestro exemplo do manifesto a favor do investimento público, a que José Manuel Fernandes resolveu responder sem sentir a necessidade de publicar, é apenas um dos lados mais visíveis do fenómeno. Na altura um leitor escreveu ao provedor do Público algumas palavras sagazes: “O director sentir-se-á confortável em comentar dois textos que tiveram tratamento tão desigual no seu jornal?”, pergunta João Miguel Geirinhas Rocha. “Ou ele espera que os leitores comprem dois jornais para terem acesso a todas as notícias? Ou terá José Manuel Fernandes a ideia de que os seus leitores já dispensam as notícias e se contentam com os seus comentários sobre as mesmas? Estaremos condenados a ver o jornalismo substituido por um catecismo?”
Com a informação propriamente dita a coisa também não trilha os caminhos mais reconfortantes - veja-se a forma como foi noticiado um golpe de Estado nas Honduras, apenas para recordar um exemplo recente e não ter que recuar à revolta grega do inverno passado.
Com métodos próprios de uma democracia liberal, numa economia de mercado («A democracia», portanto), está em curso a concretização de um programa salazarista : a construção de uma narrativa sobre o país cujos fundamentos não podem ser debatidos, porque estão para lá de qualquer debate. Recorro a alguém que perdeu algum tempo a pensar sobre o assunto e que por certo não levará a mal a pilhagem ostensiva do seu texto. Escrevia Luís Trindade, por ocasião do 30º aniversário da revolução mas debruçando-se precisamente sobre este problema: "O que há de paradoxal no tipo de discurso salazarista é a mesma coisa que dá ao autoritarismo instaurado na passagem dos anos vinte para os anos trinta a eficácia que lhe permitirá durar meio século. Apesar da forma negativa – todo o discurso invoca simplesmente o que não se pode fazer – aquilo que não pode ser discutido fica dito, e assim inscrito como visão ideológica obrigatória. Deus, a Pátria ou a família estão antes de uma opção, pertencem a uma vivência natural onde a História, a moral e o dever são dimensões constituintes da existência de tal forma que nem precisam de ser invocados. Mas só a partir do momento em que Salazar os diz, situando-os, pela negativa, no seu projecto político, ou seja, só a partir do momento em que são ditos num enquadramento ideológico, é que podem verdadeiramente ser vividos nessa naturalidade.
A indiscutibilidade que Salazar impõe no seu discurso (e que o Estado Novo impõe nas práticas políticas) é, no sentido em que sugere José Rebelo, o retorno à forma política da pré-modernidade, assente no “conforto de certezas” transcendentais."


Espero vincar bem o meu ponto. Não estou a chamar salazarista a ninguém, pelo menos não no sentido saudosista clássico dos que rezam a missa à sua alma ou o acham um «grande português». Limito-te a afirmar que há algo presente nesta estratégia discursiva, plasmada no Simplex ou no Jamais (Vitalino Canas um marxista, ao que isto chegou...), como nos editoriais do Público ou nas omnipresentes prestações mediáticas de Pacheco Pereira, que faz a economia do debate e, nesse sentido, da política, tendo em vista a recondução à inevitabilidade de um estado de coisas. Essa economia faz-se, fundamentalmente, erradicando do fazer política todos os sujeitos que escapam ao discurso - todo ele simples - acerca de quem deve governar (ironicamente semelhante a um familiar «quem manda?») .
E fá-lo menorizando, desqualificando, insinuando, evitando responder ao que efectivamente se diz ou escreve e preferindo sugerir as intenções ocultas por trás de cada palavra.
Mestre da calúnia estalinista e da mentira desconcertante, Pacheco Pereira deve a sua proeminência, em grande medida, ao inigualável empenho com que se dedica à tarefa, ainda que Vasco Pulido Valente e António Barreto se venham, também eles, especializando no ofício. Estas pessoas não sabem nem querem debater ideias que as assustam porque escapam ao que lhes é familiar. E por isso sugerem - como fez Vasco (que, como sabemos, não é nada Pulido e muito remotamente Valente) a propósito do Congresso Karl Marx - que por trás de cada intenção expressa se encontra uma efectiva e inconfessável intenção oculta. A mestria evidente de Pacheco Pereira vem passando pela capacidade de falar de coisas como o «índice do situacionismo» sem se rir. Notem, em todo o caso, como a sua teoria da conspiração sugere uma efectiva capacidade dos «poderes ocultos» para condicionar, formatar e higienizar o espaço público em função dos seus interesses, bem para além do que este modesto post se propõe fazer.
O parentesco com o Salazarismo continua forçado?
Mas o que dizia o regime, a «gente da situação», acerca da oposição e dos seus programas para a democratização do país? Ou dos movimentos de libertação nacional? Ou dos estudantes que exigiam uma escola democrática? Ou dos trabalhadores que reivindicavam aumentos salariais? Evidentemente não os enfrentava e reprimia enquanto tal, nem era assim que se lhes referia (quando referia) nas páginas dos seus jornais. Tudo isso fazia parte de uma ameaça representada por um inimigo obscuro e sagaz, hábil a explorar a ingenuidade alheia, mas incapaz de enganar os sábios que a providência colocara à frente dos destinos da nação. Não se discutia a autoridade e o seu prestígio e portanto não se discutia nada que essa autoridade considerasse incompatível com o seu prestígio. Os folhetins acerca dos telefonemas e trocas de e-mails, pressões sobre jornalista (como aconteceu a João Ramos de Almeida quando começou a investigar as declarações fiscais de Manuela Ferreira Leite no já distante consulado de Durão) e tudo o mais, não se afasta muito de semelhante desígnio.
Gostaria de sugerir que este processo em curso não é algo de superficial ou que apenas metaforicamente possa ser comparado ao salazarismo. Muito ortodoxamente e desta vez sem exemplo, proponho que tratemos tudo isso como uma super-estrutura que se ergue sobre algo aparentemente mais sólido. É ao nível das relações sociais que pode encontrar um fundamento para tudo isto. Em poucas palavras, é o défice de conflito social e a insuficiente internacionalização das lutas que permite a sedimentação de todas estas camadas de lodo que se arrastam no sentido de nos governar. Ao nível da luta de classes, a formação social portuguesa é pouco competitiva e isso não pode deixar de se pagar a longo prazo.
No acelerado processo de decomposição a que assistimos (e do qual inevitavelmente participamos) o regresso a Salazar assume um significado muito preciso. Do ponto de vista da oligarquia, cuja posição histórica ele tão bem soube interpretar, uma democracia anestesiada é condição indispensável para resolver os problemas relacionados com a crise do seu processo de acumulação. Foi esse ponto de vista que Manuela Ferreira Leite exprimiu desajeitadamente há uns meses e é à luz dessa pragmática doutrina que Sócrates conduz os negócios públicos desde 2005. Ainda que o resultado final se apresente um pouco caricato - com ambos os partidos e respectivos epígonos a trocar acusações e insultos - parece ser uma dor inevitável para dar à luz aquilo a que, candidamente, os empresários chamam «uma liderança forte».
Fazer-nos acreditar que as escolhas, em política, se reduzem à mais correcta e eficiente combinação entre polícia e subsídios, reformas e pactos, é uma homenagem muito mais significativa ao homem de Stª Comba Dão do que qualquer nostalgia bolorenta musealizada. Está a dar bons frutos, talvez porque muitos estejam a regar essa sementeira.
Desnecessário será dizer que as outras casas que restam no boletim de voto me parecem representar o papel de ingénuos figurantes desta farsa - os únicos que não se dão conta do papel que foram chamados a representar e que se esforçam por dar a tudo isto um aspecto de debate com dignidade democrática. Não nego ter alguma simpatia por semelhante posição, à qual não falta estoicismo e uma acentuada dimensão ética. Simplesmente não me parece bem empregue o tempo gasto a pintar a parede de uma casa que arde, fazer propostas construtivas acerca da condução de um avião que se despenha. Se chegámos a isto, é precisamente porque demasiadas pessoas se preocupam com as boas maneiras à mesa.
Pela parte que me toca, subscrevo o que foi escrito noutro lado, a propósito desta democracia de consumo: "Para além disso, existe esta mistificação: que, aprisionados ao rumo de um mundo que nos desagrada, existiriam propostas a fazer, alternativas a encontrar. Que poderíamos, noutros termos, abastraírmo-nos da situação em que nos encontramos, para discutir de modo desapaixonado, entre pessoas razoáveis.
Pois bem não, não existe qualquer espaço fora da situação. Não existe nada de exterior à guerra civil mundial. Estamos irremediavelmente lá."

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:10 PM | Comentários (6)

O eterno regresso

A escolha de Santana Lopes para nº1 à Assembleia Municipal deixou algumas pessoas surpresas.

Manuel Falcão, nos seus artigos de opinião, já se tinha alongado amiúde sobre como Lisboa estava “sujíssima”, com os “jardins a degradarem-se” e, ultimamente, sobre o campo de girassóis que, segundo ele, afinal não servem para nada porque os girassóis secam em Agosto.

Ser candidato de Santana Lopes podia parecer um passo natural, dirão alguns, mas na verdade, este ex-presidente da Administração da EGEAC – empresa municipal para a área da cultura – quando Santana Lopes perdeu as legislativas e voltou para Presidente da CML, decidiu demitir-se de forma violenta, escrevendo uma espécie de carta aberta de demissão nos jornais: “O bom senso manda que um político não se lamurie quando perde a confiança dos seus eleitores, apoiantes e colaboradores. O bom senso manda é que se interrogue sobre as condições da perda. As acções ficam com quem as pratica – nomeadamente as vinganças mesquinhas e as mentiras que se espalham para as justificar”.

Como é que depois deste episódio estes dois homens voltaram a ser tão amigos?

Reconheço que estou a fazer pura especulação, mas parece-me é que Manuel Falcão, face à derrota estrondosa de Santana e vendo que um novo Governo tomava posse, com inúmeros cargos públicos para distribuir, preferiu largar o lugar que lhe foi dado por Santana numa empresa municipal que entretanto – como toda a câmara – ficou atolada em dívidas e tentar descolar-se ao máximo de certas paragens políticas…

Este regresso não é mais do que um regresso “a la Santana”. Afinal não é assim tão surpreendente tudo isto: Santana escolhe um cabeça de lista à AML, à sua imagem.


Publicado por [Saboteur] às 12:29 PM | Comentários (2)

agosto 20, 2009

nuff said

Publicado por [Party Program] às 10:30 AM | Comentários (11)

agosto 19, 2009

Se eu fosse bófia, só isto é que me dava gozo...

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Publicado por [Saboteur] às 11:14 PM | Comentários (20)

A leste do Paradiso


Ver mapa maior

Ver mapa maior
"Afinal não só Lisboa passa bem sem um centro social como o centro social passa bem sem uma Lisboa, nenhum dos dois percebeu o que é que podia aproveitar do outro. Para o ressentimento de uma parte dos ocupantes pouca gente está interessada em sair da mediocridade quotidiana quase omnipresente nesta cidade, porque provavelmente não há assim tanta gente consciente dessa mediocridade ou que se incomode sequer com ela. A melancolia de Lisboa é uma tristezazinha confortável e assim a melancolia da casa ocupada tornou-se também ela tristemente confortável. [...]
O passadiço não foi o rastilho que faltava para a superação de Lisboa, talvez por ter durado pouco, talvez por ter sido uma miragem megalómana logo desde o início. Não permitiu que se criassem mil vietnames, mas foi sem pestanejar uma vivência marcante para quem lá andou. Ali forjou-se um devir anarquista, um devir edições antipáticas, um devir comunista para quem o comum já não podia ser a universidade, o partido ou o clube de futebol, e nunca a fábrica [um devir revolta grega ou um devir carros incendiados na Bela Vista]. A maior casa ocupada de que há memória na cidade - 4 andares formando um U em torno de um pátio de calçada, um campo de futebol, uma horta e um jardim romântico, cerca de 4000 m2 – reconstituiu, temporariamente, o comum na vida dos ocupantes."

Uma testemunha qualquer, Rádio Leonor

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:40 PM | Comentários (9)

agosto 18, 2009

O blog que nasceu para dar festas (a dos 4 foi mais ou menos isto)

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:59 PM | Comentários (1)

Da cara de pau


"Quem me conhece sabe que não é um tipo de coisa que faça. Foi uma reacção a quente que não se repetirá." João Galamba

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:45 PM | Comentários (2)

agosto 17, 2009

Assembleia da República sim...

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Publicado por [Joystick] às 09:55 PM | Comentários (10)

O Sales não é sexista, isto é que é sexista


"Mostra-nos os teus fantásticos abdominais."

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:10 PM | Comentários (5)

agosto 16, 2009

40 anos para isto

Faz 40 anos o Festival de Woodstock.

Foi certamente um dos acontecimentos politico-culturais do século.

Li algures que houve uma sondagem feita nos EUA que apontava para que mais de 30% da população que na altura tinha entre 18 a 38 anos (alguns milhões) afirma ter estado no Woodstock.

Joe Cocker era para abrir o festival, mas estava tão pedrado, que não pode actuar na altura prevista. Mais tarde disse durante o seu concerto “Tenham cuidado porque anda a circular por aí ácido de muito má qualidade”

Se a GNR de Elvas tivesse lá a barrar todos os caminhos, como no Freedom, tinha feito muito mais de 174 detenções.

Publicado por [Saboteur] às 03:48 AM | Comentários (2)

agosto 14, 2009

Sá Fernandes oferece girassol a Portas

A Quinta do Zé Pinto é um símbolo da implementação do “Plano Verde” em Lisboa.

Situada numa zona estratégica de ligação de Monsanto ao Parque Eduardo VII, estava já comprometida por um empreendimento, quando José Sá Fernandes assumiu o pelouro do Ambiente.

Só uma enorme vontade política e uma obstinação com o Plano Verde, é que conseguiram retroceder os projectos para ali existentes. O “corredor de Monsanto” finalmente começa a ser uma realidade e onde era para nascer um empreendimento foram semeados girassóis.

Aqui há uns tempos vi uma notícia idiota no Público que dizia que os girassóis não deviam estar a ser regados porque estavam secos e tudo mais.

Duarte Mata - uma das pessoas que sabe mais sobre o Plano Verde e que já foi deputado municipal pelo Bloco em Lisboa – escreveu uma bela resposta à Ana Henriques do Público. Vale a pena ler.

Entretanto, o Miguel Portas, utilizou um artigo de opinião no Sol para também dar um ar de sua graça sobre os girassóis, aproveitando a oportunidade para bater no novo inimigo, nem que para isso tenha de valorizar as declarações do inefável Presidente da Junta de Freguesia de Campolide (PSD), que ainda há um mês se queixava de que a criação de zonas pedonais e "zonas 30" (km/h) prejudicavam o comércio local.

Miguel Portas pôs-se a jeito (como dizia o outro) e leio agora no blog do Zé, que o vereador lhe enviou de prenda um girassol de plástico, o único que não seca em Agosto.

Publicado por [Saboteur] às 10:53 PM | Comentários (5)

Sexist Shit

Eu não sei o que é pior, se convidar uma menina bonita da TV para ser mandatária ou se achar, por princípio e por soberba, que tudo o que é é uma menina bonita da TV. A intelectualidade macho-alfa de esquerda morde-se por dentro para ser politicamente correcta quando tudo o que consegue com isso é ser macho-beta de esquerda. Sexismo mascarado de consciência política de relações laborais! Passou horas a olhar para o vídeo para ver o que poderia apanhar da "pobre menina rica" que não parecesse em demasia sexista. Talvez como a outra mandatária do Cavaco talvez esta tenha de vir também dizer a público «eu não tenho a cabeça oca!», que é outra forma de dizer que tem, como é sexista a forma do sexista mascarar o seu sexismo sob o manto das relações laborais aplicadas a caroços de cereja!

Publicado por [Joystick] às 12:55 PM | Comentários (27)

agosto 12, 2009

Um rei assim

Post de Saramago no seu Caderno:

O rei assim é o sr. D. Duarte de Bragança, pessoa medianamente instruída graças aos preceptores que lhe puseram logo à nascença, mas que, não obstante, detesta a literatura em geral e o que escrevo em particular, primeiramente porque considera que no Memorial do Convento lhe insultei a família e em segundo lugar porque a dita obra é, de acordo com o seu requintado linguajar de pretendente ao trono, uma “grande merda”. Não leu o livro, mas é evidente que o cheirou. Compreende-se, portanto, que, durante todos estes anos, eu não tenha incluído o sr. D. Duarte, de Bragança, note-se, na escolhida lista dos meus amigos políticos. Não me importo de levar uma bofetada de vez em quando, mas a virtude cristã de oferecer ao agressor a outra face é virtude que não cultivo. Tenho-me desforrado apreciando devidamente as qualidades de humorista involuntário que este neto do senhor D. João V manifesta sempre que tem de abrir a boca. Devo-lhe algumas das mais saborosas gargalhadas da minha vida.

Isso acabou, a monarquia foi restaurada e há que ter muito cuidado com as palavras, não vão aparecer por aí, redivivos, o intendente Pina Manique ou o inspector Rosa Casaco. Como que restaurada a monarquia? perguntarão os meus leitores, estupefactos. Sim senhor, restaurada, afirmou-o quem tem as melhores razões para dizê-lo, o próprio pretendente. Que já não é pretendente, uma vez que a monarquia acaba de ser-nos restituída pelo drapejar da bandeira azul e branca na varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Os moços do 31 da Armada (assim os escaladores se designam a si mesmos) têm já o seu lugar assegurado na História de Portugal, ao lado da padeira de Aljubarrota de quem se desconfia que afinal não matou castelhano nenhum. Não é o caso de agora, A bandeira esteve lá durante alguma horas (haverá um monárquico infiltrado na Câmara para ter impedido a retirada imediata?), pretende-se averiguar quem foram os autores da façanha, e isto acabará como sempre, em comédia, em farsa, em chacota. O sr. D. Duarte não tem estaleca para exigir na praça pública, perante a população reunida, que lhe sejam entregues a coroa, o ceptro e o trono.

É pena que uma tão gloriosa acção vá acabar assim. Mas como, no fundo, sou uma pessoa cordata, amiga de ajudar o próximo, deixo aqui uma sugestão para o sr. D. Duarte de Bragança. Crie já uma equipa de futebol, uma equipa toda de jogadores monárquicos, treinador monárquico, massagista monárquico, todos monárquicos e, se possível, de sangue azul. Garanto-lhe que se chega a ganhar a liga, o país, este país que tão bem conhecemos se ajoelhará a seus pés.

Publicado por [Saboteur] às 01:11 PM | Comentários (17)

FESTA DO EMIGRANTE... Allez... c´est parti!

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Publicado por [Shift] às 12:01 AM | Comentários (2)

agosto 11, 2009

Crime sem vítima

Há uns anos, ía eu em trabalho a Elvas, e ao sair da auto-estrada, a GNR mandou-me parar. Tinha sido fotografado em excesso de velocidade "no fim desta última descida... A gente tem lá o radar escondido...".

Parece que a GNR de Elvas manteve os seus métodos de combate ao crime e ao banditismo e à saída do Freedom Festival, lá estava ela a passar a pente fino os carros que saíam.

Os meus parabéns. Levem lá a bicicleta...

Publicado por [Saboteur] às 10:23 PM | Comentários (21)

Humores perros

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:22 PM | Comentários (3)

Onde é que anda a malta do avental?

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:05 PM | Comentários (3)

Erecções 2009

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Se o Nome de Beto é uma inevitabilidade que vem com o baptismo cujas responsabilidades indiviuais não podem ser assacadas directamente aos, lá está, indivíduos em causa, já o assinar com três nomes é uma opção que, mais do que uma homenagem à entidade matriacal na forma de utilização do nome de linha materna, parece ser uma espécie de etiqueta social (um duplo sentido na expressão etiqueta social, viu?), hierarquizando o seu utilizador num nível superior de acordo não com uma, mas com duas castas de origem certificada.

Não deixa de ser curiosa a prevalência de nomes com ascendência mais ou menos estrangeira (Burnay, Lamy, Mathias, Wahnon - e outros exemplos haveria noutras populações similares passíveis do mesmo estudo, como os Belford, Bettencourts ou Buchholz) nas fileiras das ideologias mais conotadas com o nacionalismo e as tradições da casta lusitana.

Sempre disponível para os grandes debates da Nação, do quase sempre vosso,

Capitão Archibald Haddoc

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:38 AM | Comentários (2)

agosto 10, 2009

Caminhar sobre as cabeças de reis


«Ce qui constitue une République, c'est la destruction totale de ce qui lui est opposé.»
Saint Just
Sonho com o dia em que todos os monárquicos serão hasteados da varanda dos Paços do Conselho, vestidos de azul e branco e formando um logotipo que represente o brasão da casa de Bragança. A meia haste.

Publicado por [Rick Dangerous] às 10:16 PM | Comentários (7)

Recordar é viver # 5 Para a Mariana et pour cause

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:28 PM | Comentários (1)

As coisas que se dizem


"Não somos todos do PS. Calha que a Filipa Martins até nem é filiada em qualquer partido.
Aqui bloga-se à esquerda, coexistindo quatro pessoas com perspectivas de esquerda diversas. Já tive oportunidade de escrever isto: eu sou dirigente nacional do PS e, diz-se, costista; o Tomás representará uma linha mais soarista da coisa; e o José Reis Santos está na esquerda da esquerda socialista.
Quanto à discussão tributária... Bem, é uma das áreas de Direito em que melhor me mexo. [...]
Dirigentes do PS, militantes do PS, mandatária do Pedro Passos Coelho... meus caros, eu sou de esquerda e eu é que sei de que esquerda sou. "

Marta Rebelo (?)

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:58 PM | Comentários (3)

Poesia de rua # 54 Em todas as cabeças

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Publicado por [Rick Dangerous] às 03:35 PM | Comentários (3)

Donde é que vem esse número?

Na escola ensinaram-me a fazer essa pergunta, provavelmente baseada em estatísticas também de si pouco fiáveis que dizem que muitos números nao vêm de lado nenhum. Já me tinham falado do Gapminder, mas nada como um bom vídeo (nunca se perguntaram qual seria a relacao entre desenvolvimento, mitos coloniais e engolidores de espadas?) e uma boa experiência para voltar a despertar o interesse.

A experiência:

Tendo já ouvido dizer tantas vezes que Portugal se atrasou em relacao a Espanha por causa do 25 de Abril, fui espreitar os números. E o que eles dizem é que no princípio dos anos 60 Portugal continuou a seguir Espanha com poucos anos de atraso no que toca à economia (aqui, PIB/capita), mas deixou-se ficar para trás no que toca à saúde (aqui, esperanca média de vida). Só no final dos anos 70 é que Portugal volta a entrar na mesma rota de crescimento que a que se vê em Espanha, sobretudo através de um salto significativo na saúde. Isto é o que eu vejo em 5 minutos neste boneco.

Publicado por [Rex] às 09:26 AM | Comentários (2)

agosto 06, 2009

A esquerda que eu desconhecia

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O «socialismo do século XXI» é uma mera adaptação à «realidade concreta» de um processo de soviétização da sociedade portuguesa. Não há meio-termo, por muito que almas bem intencionadas se esforcem. O argumento de que o BE é uma facção do «socialismo de esquerda» e é parte da «esquerda democrática» é areia nos olhos.

Tomás Vasques

A morte sai à rua todos os dias, e não apenas «num dia assim», como cantava Zeca Afonso. Mas ontem acabou por ganhar a forma de um «dia assim».
Para mim os Anjos de Charlie são a Cameron Diaz e a Lucy Liu, e Michael Jackson alguém que cresci a ver cada vez mais amestiçado, preso num corpo que crescia sem a sua alma e por isso inventava casas em carrosséis - ou carrosséis em casas? -, e a dançar como os génios soltos das lamparinas.

Marta Rebelo

Aceitei ser mandatária para a juventude desta candidatura porque recuso a ideia de que os mais jovens nada têm a acrescentar à vida política.
Aceitei ser mandatária desta candidatura porque acredito que se o mundo está mudar e devemos participar nessa mudança.
Aceitei ser mandatária porque acredito que a democracia não é uma obra acabada e que um mundo em mudança exige a definição de novos modelos e de novos conceitos de cidadania.

Filipa Martins, Mandatária da campanha de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD

Tudo isto e muito mais, no renovado Blog de Esquerda. Da última vez que vi um blog poupar tanto na originalidade do nome pelo menos fizeram algo de legível.

Publicado por [Chuckie Egg] às 02:13 PM | Comentários (5)

"Nunca mintas a um polícia..."

Não sei se é a organização do Sudoeste que quer vender mais cerveja ou se é a GNR que quer dar a sua contribuição para o combate ao tenebroso sub-mundo do crime. O que é certo é que oiço nas notícias da TV que 19 pessoas já foram detidas por "tráfico de droga", tendo sido apreendidos "400 garamas de haxixe e outro tanto de liamba" [o nome saudosista para erva].

É por estas e por outras que eu vou agora para o Freedom Festival... Aquilo no Sudoeste é só drogados.


Há drogas cujo consumo é amplamente incentivado, já outras...

Publicado por [Saboteur] às 12:54 PM | Comentários (5)

agosto 05, 2009

Bem-aventurados os pobres de espírito


Ser imbecil não basta. É preciso ter o apelido certo para o exteriorizar sem temer o ridículo. Andam há tanto tempo a clamar que a democracia foi conquistada no dia 25 de Novembro que acabam por acreditar nos seus próprios disparates. É bem verdade que para eles o fascismo nunca existiu.
É notório que a consanguinidade típica da aristocracia (da decadente como da recém-brasonada) acaba por cobrar o seu preço, como o pretendente ao trono português não se cansa de ilustrar. Em todo o caso, poucos esperariam que o herdeiro do Conde de Burnay disfarçasse tão mal a sua inimputabilidade. Aquilo que os cromossomas não conseguem seria, presumivelmente, compensado por uma sólida educação, que o ensinasse a comer com talheres e a mastigar com a boca fechada. Ensinar um alarve a mastigar com a boca fechada. Eis um bom argumento a favor do ensino privado.

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:19 PM | Comentários (9)

agosto 04, 2009

Recordar é viver#4

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Publicado por [Rick Dangerous] às 06:05 PM | Comentários (1)

Pouco a pouco... enche Israel o papo!

Publicado por [Shift] às 04:57 PM | Comentários (0)

agosto 03, 2009

Medíocre como habitual

Aproveitei mais um dia chuvoso de férias em Peniche para ler o Programa do PSD/CDS/MPT/PPM à CML (vou ler todos...)

Ao contrário do que tem sido transmitido, o programa de Santana está longe de ter “uma ideia” ou "uma Visão" de cidade. É um programa curto, com muitas propostas que necessitam de avultadíssimos investimentos e outras que não dependem da Administração Local, mas sim da Central.

Mesmo as questões ambientais, que têm sido uma espécie de bandeira desta candidatura – que escolheu a cor verde – estão muito esbatidas, ficando-se pelo prosseguimento de alguns projectos como o da certificação energética de edifícios, renovação de frota municipal com veículos menos poluentes, renovação de iluminação pública, utilização de águas pluviais e residuais para regas e lavagem de ruas… Projectos – nomeadamente estes últimos – que necessitam de um forte impulso, mas que neste programa não é dado, uma vez que a sua menção não tem qualquer tipo de destaque.

Sobre as questões mais delicadas e actuais relacionadas com a temática, como é o Plano Verde ou a mobilidade suave e redução de tráfego automóvel, quase nada é dito.

O único fio condutor em todo o programa – será essa então a sua "Visão de cidade" – é a atribuição de mais competências às Juntas de Freguesia: higiene urbana, requalificações em espaço público, programas culturais, de apoio ao comércio, Lx porta-a-porta, etc.

Esta espécie de descentralização não faz no entanto sentido enquanto não se fizer uma reorganização administrativa da cidade, agrupando freguesias, criando os distritos urbanos, com dimensão e massa crítica e efectivos poderes nestas áreas, sem ser por delegação de competências do município, feita anualmente, com critérios pouco transparentes, sem meios técnicos e humanos para fazer um trabalho em condições.

Sobre as grandes prioridades de Santana – “repovoar e reabilitar” – a falta de visão é constrangedora, limitando-se a “atirar dinheiro por cima do problema”, sem explicar como é que vai fazer isso e onde vai buscar o financiamento.

Assim lemos: “criação de mecanismos de financiamento para obras através de um Fundo Municipal com taxas mais favoráveis que as bancárias, de modo a promover a intervenção dos particulares”; “criação de fundos de investimento com capacidade de intervenção no mercado imobiliário”; “criação de um seguro de renda para os proprietários que façam obras e que sejam privados de rendas por falta de cumprimento dos inquilinos”; “intervenção municipal através de pequenas empreitadas por ajuste directo, como forma célere de resolução de problemas de pequeno porte; “reabilitação profunda e conservação dos bairros que dela carecem”, etc, etc...

Depois de tanto ouvir falar sobre o seu programa, a "sua Visão", a “Lisboa Com Sentido” estava sinceramente à espera de algo mais elaborado. Uma coisa com pés e cabeça feita pelo batalhão de assessores de comunicação (que tiveram durante os anos 2002-2005 a EPUL como seu principal cliente). Dá ideia, pelo contrário, que o programa foi feito por ele, de forma isolada, sem ter pensado muito, um pouco à pressa… Medíocre, como já nos habituou.

Publicado por [Saboteur] às 10:54 AM | Comentários (2)

agosto 01, 2009

A malta do Montijo...

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:42 PM | Comentários (1)

Recordar é viver#3

Até aí, digamos, tínhamos assistido a uma interminável pré-história, mais digna de (re)encantamentos de arquivista do que de qualquer outra coisa, no plano musical mas também, e em perfeito espelhismo, no da difícil produção de uma rock culture local, ou simplesmente de um circuito urbano e suburbano de actuações. A década de 80 anuncia, com o generoso e indispensável contributo do «Portugal na CEE» cantado (e desejado) pelos GNR, as alterações estruturais da década seguinte, por meio de instrumentos, e posteriores lendas, como o Rock Rendez-Vous ou o Blitz de então. Os Xutos foram, muito hegelianamente, o espírito e o resumo desse mundo. [...]
Para usar outra linguagem, os Xutos traduziram a sociologia e antropologia desse mundo português para os termos de uma cultura rock que, por esse efeito de tradução, se foi tornando tão orgânica por aldeias e vilas quanto o pimba. É difícil não manifestar algum assombro pelo génio com que os Xutos conseguiram levar a cabo esta operação: porque foi precisamente a sua origem punk, o facto de desde cedo terem funcionado como uma «unidade de combate» (António Sérgio), que permitiu que não se rendessem aos miseráveis dados de partida da cena rock, tanto quanto foi a crueza do rock praticado que permitiu superar as dificuldades técnicas do circuito de concertos ao vivo então, uma vez que a discrepância entre o som pretendido e o obtido, nessa primeira fase, não era demasiado traumática para a incipiência técnica da banda. Uma típica histórica rock de emancipação, digamos.

Osvaldo Manuel Silvestre, Os livros ardem mal

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:35 PM | Comentários (1)