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junho 30, 2009

Não sabe / Não responde

Ontem, o grupo de cidadãos que dinamizou o "Apelo à Convergência de Esquerda em Lisboa", deu uma conferência de imprensa, ondes esteve Carlos do Carmo e Pilar, a mulher de José Saramago, a fechar o dossier e a dizer, basicamente, que não deu resultado a petição.

Foi pela voz de Helena Pato, resistente anti-fascista, 6 meses de cadeia em Caxias em regime de isolamento, dirigente da CDE entre 69 e 73, candidata à constituinte pelo PCP, fundadora do MDM e dos sindicatos dos professores, que "o Partido" teve de ouvir das boas por nem sequer ter respondido nada a um pedido de encontro feito pelos peticionistas.

O Partido Ecologista os Verdes, supostamente um partido independente, teve a mesma atitude inexplicável... Parvos são os peticionistas, que lhe deram credibilidade suficiente para lhes pedir uma audiência separada do PCP.

Publicado por [Saboteur] às 12:10 PM | Comentários (1)

um langor mórbido e grotesco

Artur caminhava triste: sentia a névoa prender-se-lhe ao bigode, às pestanas, amolecer-lhe a goma do colarinho, e toda aquela humidade depositar-se-lhe na alma. Cheio de tédio, sentindo-se mais só nas ruas vazias
de onde o nevoeiro afastara a gente, teve um desejo de se embebedar, aquecer o corpo e o espírito com genebra, rolar-se no deboche. Voltou ao Rossio: entrou num pequeno café, onde a cor suja da parede, o soalho negro, o estuque enxovalhado, comiam a pouca luz dos bicos tristes de gás.
Instalou-se a um canto com a garrafinha de genebra, melancólico, pensando no botequim da Corcovada que, agora, lhe parecia mais confortável, mais amável do que tudo quanto encontrara em Lisboa, com a simpatia verbosa do Rabecaz, o lume a estalar do outro lado do tabique na lareira da cozinha, e as vozes conhecidas caturrando no bilhar.
Um pigarro pertinaz, numa mesa ao lado, fê-lo reparar num sujeito que tomava um cabaz: pequeno e grosso, trazia um xaile-manta aos ombros e a face redonda, barbeada, mole, tinha uma cor lívida de pele de galinha; no seu olhar embaciado havia um langor mórbido e grotesco. Sorriu para Artur, dirigindo-se-lhe com uma voz fina.
- Má noite!
- Muito má!
O indivíduo imediatamente arrastou-se pela banqueta de palhinha até junto de Artur, com um movimento derreado dos quadris, os olhos revirados numa ternura chorosa:
- É servidinho de um cabaz?
Artur recusou. Aquela proximidade do velho embaraçava-o: o indivíduo tinha um não sei quê de pegajoso na pele, um roliço de perna efeminado que repelia, e nos seus olhos, de cor indecisa e que não deixavam Artur, errava uma luxúria turva, equívoca, flácida.
- Então por que não vai um cabazinho? - disse o homem, mais baixo, chegando-se.
Artur, instintivamente, recuou com nojo. O outro teve um movimentozinho de quadris, tocou-lhe no joelho e muito canalhamente:
- Não tenha medo, menino!
Artur compreendeu, ergueu-se e com os punhos cerrados:
- Seu mariola!
- Então, menino, então! - disse o outro tranquilamente.
Artur berrou pelo criado, atirou uma placa para a mesa e saiu furioso.
O nevoeiro cerrava; e Artur, galgando o Chiado, impelido pela indignação, ia murmurando:
- Canalha de cidade!

Eça, A Capital

Umas páginas mais à frente apresenta-nos D. Joana Coutinho, uma lésbica cheia de estilo que "tinha grandes amizades femininas: andava às vezes durante o Inverno inteiro com alguma rapariga que ninguém conhecia, desentranhada dos fundos neutros da burguesia, e que ela trazia a seu lado no landau, instalava no melhor lugar do seu camarote em S. Carlos ou no centro da sua sala, às terças-feiras, cocando-a sempre com os olhos brilhantes, erguendo-se de repente para lhe ir murmurar um segredo, com risinhos quentes, muito zelosa dos seus olhares, dos seus apertos de mão. Depois, no Inverno seguinte, "outra favorita reinava"... (...)
Dizia-se porém que, morto o marido, D. Joana Coutinho se retiraria a um convento - onde o número e a idade das educandas satisfariam amplamante as suas necessidades de ternura feminina"

Publicado por [Renegade] às 12:11 AM | Comentários (2)

junho 29, 2009

A luta na américa latina não é fácil

Quando discutimos aqui pela europa a política da américa latina, muitas vezes nos esquecemos que a comunicação social é esmagadoramente dominada por grupos económicos privados, com uma linha editorial aguerridamente militante de direita.

Hoje, a propósito de um programa de rádio, descobri que a revista brasileira Veja - tem simpatias evidentes pelos militares hondureños que raptaram o presidente democráticamente eleito.

O blog alojado no site da revista, tem mesmo posts que cá só conseguiríamos encontrar nos blogs e publicações mais extremistas:

«Quem é golpista em Honduras? Os militares? Por enquanto, não! Por enquanto, eles estão cumprindo sua função constitucional. Constatar o que digo é fácil: basta saber ler. Manuel Zelaya, presidente que foi levado à Costa Rica pelos militares, é um palhaço chavista, teleguiado por Caracas. Tentou reproduzir em Honduras o modelo de instalação de ditaduras posto em prática na Venezuela, na Bolívia e no Equador. O Beiçola de Caracas lidera uma fila de delinqüentes que decidem recorrer à democracia para implementar regimes de força.»

0628honduras3.jpg

Publicado por [Saboteur] às 12:38 PM | Comentários (2)

junho 28, 2009

arraial do caralho

às 3 e tal começa a chover tropicalmente e chega o melhor momento da noite

(Só não percebo por que é que teve que acabar às 4. E se não chovesse?)

Publicado por [Renegade] às 12:47 PM | Comentários (2)

junho 26, 2009

Ainda não me esqueci de ti, João Galamba


todos
os pequenos filhos-da-puta
são reproduções em
ponto pequeno
do grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

dentro do
grande filho-da-puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

tudo o que é bom
para o grande
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho-da-puta.

é o grande
filho-da-puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa
para ser o pequeno filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

de resto,
o grande filho-da-puta vê
com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho-da-puta:

o grande filho-da-puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja, o grande filho-da-puta.

Alberto Pimenta, Discurso sobre o filho-da-puta

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:40 PM | Comentários (9)

Um espectro que a si próprio se criara


"Tudo começou no dia 16 de Maio de 1983, com um programa especial de televisão que celebrava o vigésimo-quinto aniversário da companhia Motown Records.
Aos onze anos de idade e já vocalista principal dos Jackson 5, um grupo de irmãos que combinava a energia de teenager de Frankie Lymon com a movimentada determinação de Sly and The Family Stone, Michael Jackson gravara, em 1969 e 1970, êxitos para a Motown que fizeram história; regressava agora para prestar tributo, de mãos abertas. Ágil, belo, já homem, mas com ar de criança, afro-americano a quem uma operação plástica colocara traços caucasianos, andrógino, uma espécie de replicante, capaz de comunicar a mais ténue ameaça com um movimento de ombro ou o conforto através de um sorriso e cantando uma canção do álbum Thriller, dando passos para a frente mas parecendo recuar ao mesmo tempo e ocupando o palco não como se fosse seu dono mas como se a sua simples presença o tivesse convocado para ali, ele foi um choque para a nação.
Thriller, sem dúvida uma brilhante e competente versão da música pop, começou por vender dez milhões de discos, depois vinte, trinta, quarenta milhões. Cada canção extraída do álbum e editada como single, ascendeu ao top ten dos discos mais vendidos. Um vídeo-clip com a canção-título, orçamentado em 500 mil dólares e posto à venda por 30 dólares, vendeu 750 mil unidades.
Fechado na casa dos pais, sem conviver senão com a família, os seus animais de estimação e manequins que o visitavam, recusando dar entrevistas, tornando-se um espectro que a si próprio se criara, Michael Jackson era já, de entre os mais famosos, aquele de onde emanava maior intensidade."

Greil Marcus, Marcas de Baton - uma história secreta do século vinte, frenesi, Lisboa., 2000, pp.117-118

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:19 PM | Comentários (2)

Jornalismo de referência

O jornalista (e sub-director?) Paulo Ferreira, que eu saiba, nunca escreveu no PÚBLICO sobre Lisboa... mas desta vez foi mesmo preciso...

Alguns dias depois de o Tribunal de Contas ter chumbado as contas lisboetas dos Executivos Santana/Carmona (a comunicação social chama assim ao mandato de Santana porque ele fez um interregno de alguns meses como primeiro-ministro... e porque dá jeito ao homem dizer que a culpa não foi só dele), Santana Lopes convidou alguns jornalistas (Santana não faz conferências de imprensa, mas sim convida) para apresentar a sua visão sobre as contas da CML.

Paulo Ferreira do PÚBLICO ficou sensibilizado.

Vejam lá se o vosso alarme anti-manipulação de jornalistas apita com este lead com que o jornalista inicia a peça:

«A ideia que se criou é tão forte que até Santana Lopes ficou com a certeza que a gestão financeira do seu mandato na Câmara de Lisboa entre 2002 e 2004, não tinha corrido bem»

Faz juz ao título, que é: «Até Santana acreditou nos "mitos" sobre a sua gestão em Lisboa»

Bom não é? Um pouco óbvio, dirão os mais puristas. Mas hoje em dia não se pode estar com paninhos quentes… Dizem os assessores de comunicação do Santana. Eles lá sabem. Que são bons naquilo que fazem, ninguém o pode negar.

Só não percebi se a notícia só saíu no PÚBLICO porque foi um rigoroso exclusivo para Paulo Ferreira, ou se os outros jornais, pura e simplesmente não deram credibilidade à história.

Publicado por [Saboteur] às 12:32 PM | Comentários (1)

Walking on the moon



Publicado por [Manic Miner] às 12:02 AM | Comentários (2)

junho 24, 2009

you can´t bring me down

foda-se, anda tudo a dormir, estes gajos vieram cá tocar na semana passada à Incrível Almadense e ninguém sabia de nada?

esta guitarra, este speed...é muito jogo.

já agora, dedico esta música a todas as centenas de desempregados com que me cruzo diariamente na bicha para a segurança social aqui ao pé de casa. uma bicha que não pára de crescer há largos meses e, pelo andar da carruagem, vai continuar a crescer mais uns anos. esta bicha aqui ao pé de casa diz mais sobre o estado deste lugar mal frequentado do que toneladas de jornais e milhares de horas de TV oferecidos pelas putas do regime (sem desprimor para as ditas, mas uma pessoa tem que se arranjar com a semântica disponível).

Publicado por [Renegade] às 10:53 PM | Comentários (18)

Muito, muito mau

Cavaco Silva quer marcar eleições autárquicas e legislativas no mesmo dia. Todos os partidos, à excepção do PSD estão contra, mas ele insiste dizendo que "Sondagens que terão sido feitas manifestam uma preferência por eleições simultâneas".

Entretanto, no outro dia apareceu em vários jornais (dando a ideia que tinha sido feito um press release) que as eleições simultâneas sairiam mais baratas ao Estado...

Que sondagens são essas que ninguém mais conhece? E mesmo que não fosse mentira, porque é que seriam tão relevantes para a marcação do dia das eleições, mais relevantes do que a opinião dos partidos concorrentes? E desde quando a palavra de ordem da República passou a ser poupar dinheiro em eleições? A quem é que interessa que se estenda e aprofunde ao mínimo possível o debate político pré-eleitoral e que se misturem temas que nada têm a ver como é o caso da gestão autárquica ou da governação de um país?

Neste episódio, como em outros, Cavaco vem recordar o quão importante foi a (nossa) derrota ao ter sido eleito Presidente.

Publicado por [Saboteur] às 11:12 AM | Comentários (6)

Portugal (Pronounced Poor-Jew-Girl)

Bandeira_PT.jpg

A melhor entrada de sempre numa plataforma wiki sobre Portugal:

Ancient Way of Life

Ancient portugeese weren't too different from modern ones: men used mustache as soon as they were considered adult. The mustachedresser was called bigodeiro. They used codfish as a weapon. Os Lusíadas, an epic poem by Camões, sings about the Big Codfish War (yes, the poem was actually alive; ergo, it sang;), where Vasco da Gama discovers his ancestors in Neverland and fights against them for possession of the Codfish Mines in Norway. Camões describes fifteen kinds of weapons based on codfish. The most popular kind was undoubtedly the swordfish. Portuguese were also very prosperous people. Portuguese cities were the biggest in the world. Indiana Jones found the ruins of Fatima and concluded that it was bigger than Portugal itself.

Kings and such

Sorry, there have been no kings of Portugal. Portugal has been ruled by Socrates I for time immemorial since anyone can remember.

Trying to usurp the power

Mozart and Beethoven tried to rule Portugal during this period, but they never made it - King Eusebio just wouldn't let them. Wagner came with his gracious Valkyries trying to be king, but the best he could do was to build Portugal's first quality brothel. I got my first job there. Several statues from the latin-greek antiquity tried his luck, but they didn't know that Portuguese people were Latin- and lactose- and bronze- and statue-intolerant (the only intact statue in Portugal is King Eusebio's; all the others have at least a corrosive pigeon shitbomb).

Portugeese expansion

The portugeese people wanted for more women and codfish. They constructed strong and fast ships and traveled all over the world! In one of their travels, they met Galileo, who taught them how to be killed by the Pope. Then they met Napoleon who taught how to be an Italian in France. As if it was not enough, they met Dante Alighieri, who taught them how to frighten by a Divine Comedy. These were quiet profitable learnings, and so the portugeese established secret colonies, which they disguised as codfish traders. There are also rumors that portugeese people were in Mozambique. Kofi Annan tried to steal info from the portugeese, but so far Mozambique is, still, a land to be found. But in all truth it wasn't until some Portugeese king or other married some bird from Lancaster (England) and had a lad called infant Henry did they really discover anything. Oh, and don't forget that Columbus was in fact the bastard half brother of the at the time king of Portugal. He wasn't born in Italy as many would make you believe, but in a little village called Cuba in the southern province of Alentejo.

Publicado por [Chuckie Egg] às 09:27 AM | Comentários (15)

junho 23, 2009

Cuidado Rui

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:04 PM | Comentários (8)

Inesquecíveis

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:07 AM | Comentários (5)

junho 22, 2009

...

Publicado por [Party Program] às 02:56 AM | Comentários (6)

O Spectrum à escuta: «do nosso emancipatório devir inumano»



«Não é, de facto, uma revolução, o que está a ocorrer em Teerão, mas muitas ao mesmo tempo. E, como nas revoluções, o que surpreende não é apenas que ocorram num tempo de repente fora dos eixos, mas que ocorram ali, onde supostamente não haveria condições para tal.»
Osvaldo Silvestre, Os livros ardem mal

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:37 AM | Comentários (4)

Há três equipas em campo...

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:21 AM | Comentários (1)

junho 20, 2009

Rádio Maria

Alguns já saberam porque se chama rádio leonor à rádio leonor. Pois agora foi uma Maria também para Moçambique e já lá existe uma Rádio Maria



os punkabbestia de Maputo tem cães maiores que os da europa.

Publicado por [Party Program] às 09:20 PM | Comentários (7)

Até já camaradas

Publicado por [Rick Dangerous] às 08:02 PM | Comentários (16)

Jornalismo (Im)Provável

Neste poço onde encontramos o jornalismo cada vez mais fundo (tão fundo, tão fundo que é quase impossível vê-lo) alguém se lembrou de reeditar 21 minutos de telejornal para falar de amor, rissóis e casas caiadas de branco. No Teatro Maria Matos há um espectáculo que é um esboço, um homem (Tiago Rodrigues) que, na penumbra, sincroniza a sua voz com a do pivot e dá notícias diferentes da catarse da catástrofe e das curiosidades sociais com o dito "valor-notícia" que as imagens nos sugerem. Diz que é teatro. Teatro sobre jornalismo sobre teatro.

E eu, que nos últimos tempos assisti aos dois melhores espectáculos teatrais dos últimos anos - «Manuela Moura Guedes versus Marinho Pinto», na TVI, e «Romeo and Juliet» dos Nature Theater of Oklahoma, no Teatro Maria Matos, fico impressionada.

Afinal, é-me cada vez mais difícil perceber as fronteiras entre política, jornalismo e teatro. Todos concorrem para uma «(...) eficácia expressiva: a organização do espaço, o programa concebido à maneira de um cenário, o protocolo e a ordem de entradas, os códigos verbais, musicais e as formas de retórica, as convenções dirigindo o aspecto dos actores principais. A importância concebida à imagem e ao som, a capacidade de transmitir o acontecimento cerimonial em múltiplos lugares fazem intervir uma 'retórica da retransmissão'; impõe a sua própria lógica na dramatização, na escolha do que é dado ver, jogando sobre os planos de cena e sobre a apresentação dos personagens centrais; ele faz intervir os elementos acessórios, espectaculares, propícios a uma adesão emocional» [George Balandier]. A diferença está que o teatro é o único que o faz honestamente. Viva o Teatro!

Publicado por [Joystick] às 11:47 AM | Comentários (8)

junho 19, 2009

Ao vivo do Irão

No site do El País dá para seguir um feed dos famosos twiters do Irão.

Não é novidade gente interessante a espalhar o seu fogo por Teerão

Publicado por [Party Program] às 10:59 AM | Comentários (1)

Cenas da democracia fora do Irão

pois parece que não é só na terra do senhor Ahmadinejad

Publicado por [Party Program] às 10:46 AM | Comentários (2)

junho 18, 2009

Sobre a governabilidade

Aconselho a leitura de um interessante post de Jorge Bateira no Ladrões de Bicicletas. Tem o enorme mérito de introduzir clareza e seriedade no debate. Dizer claramente o que se quer, sem subterfúgios e sem os espartilhos impostos pelo espectáculo eleitoral ou pelos tacticismos partidários, pelo menos torna possível o debate. Discordo radicalmente do que escreve Jorge Bateira, mas ao lê-lo não fico com aquela sensação, tão típica dos períodos de campanha eleitoral, congressos partidários, debates da nação, etc., de que me tomam por parvo. Não quero, aliás, deixar de dizer que essa postura de clareza e seriedade é característica do blogue em causa.

Discordo fundamentalmente da tentativa de encontrar uma espécie de «terceira via» entre uma postura revolucionária e uma opção pela gestão do capitalismo. Se, em geral, essa oposição até faz algum sentido, quando a aplicamos à esquerda partidária (ou seja, a esquerda organizada em torno do objectivo da governabilidade, cujo espaço natural de existência é a política do Estado), ela perde toda a adesão à realidade. Simplesmente porque na esquerda partidária não existe qualquer «postura revolucionária». Toda a esquerda partidária tem na criação de condições de governabilidade o alfa e o ómega da sua actuação. É certo que, por exemplo no caso português, os partidos à esquerda do PS têm dificultado bastante a construção de uma qualquer solução de convergência que permitisse a constituição de um governo com um cunho fortemente de esquerda. Mas isso é verdadeiramente o que essas forças imaginam como o melhor caminho para criarem condições para o seu acesso à governabilidade. Bem ou mal, apostam tudo numa táctica de crescimento próprio que lhes permita aceder a uma posição de força relativa mais favorável em relação às outras forças.

Fui durante 10 anos militante do PCP e são incontáveis as vezes que ouvi algo do género: «O PCP não teria qualquer dificuldade em participar num governo do PS, desde que houvesse uma significativa alteração da correlação de forças favorável ao PCP. Veja-se o exemplo da coligação na Câmara de Lisboa: foi possível porque naquela altura o PCP tinha o dobro da força do PS». É interessante fazer o exercício de comparar este discurso interno com o discurso público que diz que «estamos disponíveis para qualquer solução desde que haja uma ruptura com a política de direita». E é interessante porque é óbvia a contradição entre a autenticidade da estratégia e a falácia da táctica. Como é bom de ver, não há nada de revolucionário (nem de «transformador», para adoptar o termo de Jorge Bateira) nisto.

O problema maior, do meu ponto de vista, é que o principal erro, quer das esquerdas quer de Jorge Bateira, é a suposição de que o acesso à «governabilidade», ou seja, aos mecanismos de poder decorrentes da representatividade, é a chave da transformação social. Ora, a questão é que se é verdade que «os mercados foram criados ao longo da história através de uma intervenção activa do poder político central», também não é menos verdade que o Estado moderno é também ele um conjunto de instrumentos de reprodução da sociedade mercantil. E também não é menos verdade que o capitalismo é muito mais do que o mercado e o Estado, embora os inclua. O capitalismo é essencialmente uma forma de viver. Uma forma total que transforma todos em agentes da mercadoria. E o pior de tudo é que nas actuais condições históricas de bloqueio estrutural do capitalismo (bloqueio dos mecanismos de valorização do valor e de expansão ampliada do capital), essa forma de viver assume uma dimensão quase esquizofrénica: a alternativa absurda com que estamos quotidianamente confrontados é o tédio insuportável da sobrevivência (trabalhar, trabalhar, produzir, produzir) ou o desespero de não conseguir sobreviver (procurar trabalhar, trabalhar, produzir, produzir). Nessa medida, discordo com Jorge Bateira quando escreve que «As lições do chamado “socialismo real” foram aprendidas». Do meu ponto de vista, foram mal aprendidas porque parece ainda não estar claro que a construção de uma forma de viver pós-capitalista vai muito para lá da alteração das relações de propriedade ou da configuração do poder do Estado. O capitalismo, a forma de viver capitalista, convive bem com várias formas de Estado e com várias formas de organização económica. Nesta perspectiva, e mais ainda no actual contexto histórico, a política do Estado não pode ser outra coisa que não pura gestão de uma mesma forma de viver. Creio que o que historicamente está em jogo é a possibilidade (ou não) de ruptura radical com essa forma de viver.

Publicado por [Manic Miner] às 04:37 PM | Comentários (8)

"Conferências de Lisboa" com José Gil

O Rui Tavares apresenta mais uma "Conferência de Lisboa".

Desta vez é com o filósofo José Gil.

Para quem não pode ir ao Salão Nobre da CML, o Spectrum transmite aqui a conferência em directo.

A partir das 18 horas


Publicado por [Saboteur] às 03:57 PM | Comentários (2)

junho 17, 2009

Estamos em guerra!

Há uma guerra entre os partidários dos direitos dos automóveis e os que defendem a mobilidade suave na cidade.

Hoje os jornais dão notícias sobre a providência cautelar posta pelo ACP contra as obras no Terreiro do Paço. Carlos Barbosa, presidente do ACP e próximo de Santana Lopes, diz “Basta ir à Av. das Naus para ver que com as alterações de à circulação, aquela zona não tem escoamento. É uma utopia querer levar as pessoas para junto do rio porque não há lugares para estacionar”

Por outro lado, nas últimas semanas têm aparecido algumas juntas de freguesia – afectas ao PSD – a contestar as ciclovias que estão a ser construídas pela câmara por retirarem espaço à circulação automóvel e estacionamento.

Entretanto, ontem, a Assembleia Municipal de Lisboa, aprovou por maioria uma moção apresentada por 5 juntas de Freguesia, que exige a suspensão imediata do plano de reordenamento da superfície envolvente è estação de Metro de S. Sebastião, que é no fundo mais uma peça do Plano Verde, que inclui a ligação da Alameda ao Parque Eduardo VII, com forte redução de trânsito, vias pedonais e uma ciclovia.

O autarca de Campolide diz ao PÚBLICO de hoje: "Se puserem as pessoas a andar a pé à beira-rio está bem, agora nesta zona, que não tem nada para ver! À noite, em vez de ser uma via pedonal, ou uma ciclovia, este percurso arrisca-se a ser a 'via do assalto’”

Já a Associação de Comerciantes lembrou em comunicado (oportunamente concertado com a Moção do PSD) que “O comércio não vive apenas das pessoas que passam. Vive daqueles que entram nos seus estabelecimentos e compram, compras essas que, com certeza, não poderão ser transportadas de bicicleta, mas de automóvel e se há inibição de circulação e estacionamento, não existem consumidores

Apesar de até agora só o lado dos carros ter dado tiros nesta guerra, julgo que esta guerra é de saudar.
Apesar do relativo atraso nesta matéria, nunca tão cedo chegou a Portugal (em concreto a Lisboa) um debate tão actual e tão central que se trava nas principais cidades europeias. Se a campanha eleitoral autárquica for dominada pelas questões da acessibilidade e da mobilidade na cidade, será com certeza uma campanha mais interessante do que a das europeias.


Publicado por [Saboteur] às 04:09 PM | Comentários (20)

Vinha aqui fazer um post...

...e reparei que temos exactamente 9 mil comentários.

Publicado por [Saboteur] às 04:07 PM | Comentários (5)

2 em 2

Um casamento chama-me para longe desta...

Nova imagem.jpg

...mas aqui vou estar com certeza. Pessoal, bora lá atirar a tairoca? (parece que um dos alvos é o apetecível Bento dezasseis...)

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O novo arraial

O Arraial Pride está de volta renovado, mais sofisticado e com novo fôlego.

O maior acontecimento LGBT de Portugal vai animar os jardins da Torre de Belém, em Lisboa, no próximo dia 27 de Junho.

E para quê atrasar a festa se ela pode começar a ser vivida, em pleno, bem mais cedo?!

Desenhado para agradar a públicos diversos, o Arraial Pride tem, desta vez, início logo pela tarde, às 15 horas, e termina de madrugada depois de uma festa com a melhor música para dançar, da responsabilidade de conhecidos Dj’s.

A IlgaPortugal apostou no relançamento e numa maior dinamização do seu evento que este ano comemora a 13ª edição. Para dar vida nova ao Arraial Pride e concretizar o projecto, foi convidada uma equipa especifica que conceberam uma festa de qualidade, para públicos diversos.

O resultado estará à vista nos jardins da Torre de Belém. Uma festa de acesso gratuito com acontecimentos diversos, animação, música, performances de artistas, happenings, zona de restauração, bares... um espaço diversificado para gostos heterogéneos.

Haverá também uma feira com oferta de produtos variados. A Expo Arraial terá produtos de mercearia gourmet, roupa, tattoos, espaço de relaxamento, bijouteria, decoração... de tudo um pouco como convém a uma festa LGBT. E nem as crianças foram esquecidas. O Arraialito é um espaço destinado aos mais pequenos. Aí, a animação será da responsabilidade de empresas especialistas nesta área que vão oferecer jogos, histórias, personagens imaginativas para povoar este pequeno Arraial e divertir as crianças.

Um dos momentos altos do dia será a primeira edição dos Queer Games Lisboa. Um hilariante torneio desportivo de exigente preparação física e psicológica... destinado apenas a quem tem fibra de campeão. Se sempre sonhou vencer os 100 metros barreiras em salto alto ou ganhar a medalha de ouro no lançamento de pochete, não hesite: inscreva-se! Há muitas mais modalidades onde poderá participar.

O recinto terá várias áreas, espaços interligados, mas com personalidade e ofertas específicas. Da zona lounge, com espectáculos, à zona de bares, da restauração à feira, a animação será constante. E, claro, o palco onde actuarão artistas surpresa, a partir do entardecer. Será uma festa onde todos serão benvindos se quiserem divertir-se... até mesmo os velhos do Restelo!

PS - Os Baton Rouge não era a banda do Nuno Branco que tocou lá no espaço Ae da FCSH no tempo da outra senhora?

Publicado por [Renegade] às 01:11 AM | Comentários (4)

junho 15, 2009

Choque de civilizações

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Publicado por [Rick Dangerous] às 04:50 PM | Comentários (4)

junho 14, 2009

Da democracia no Irão - uma orgia de violência




A oposição iraniana não passa de um bando de arruaceiros em busca de pretextos que justifiquem a sua propensão para a violência.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:09 PM | Comentários (14)

Paulo Portas na intimidade

É o título de uma entrevista do Paulo Portas à revista do Expresso. Pensei que era desta que íamos ter uma nesga para perceber com quem é que o sujeito partilha ou já partilhou a cama. Ou que, sendo o mote da entrevista o suposto carácter "popular" do entrevistado, lhe perguntassem pelas namoradas dos tempos de escola, de faculdade, quão bendito é ele entre as mulheres, se isso lhe agrada...
Ou que, pelo menos, ficássemos a saber o porquê de termos um homossexual a liderar um partido democristão que faz do combate aos homossexuais uma das suas bandeiras.
Nada mais errado.

Daí que a página de entrada nos mostre logo o indivíduo numa penumbra lasciva à film noir a deitar lascivo olhar para as pernas da Sharon Stone, enquanto é citado: "ser pai far-me-ia feliz". Claro que o Expresso é um jornal que gosta muito de famílias, quer dizer, da família, assim no singular pluralizado que é para não haver dúvidas sobre onde se vai comer a hóstia lá em casa.

Daí que a srª jornalista Cândida Santos Silva e o seu entrevistado consigam passar entre os pingos da chuva num hábil exercício de contorcionismo:

É solteiro. Gostava de ter filhos? Gostava.
Faz parte dos seus projectos de vida? Tenho tantas urgências, mas está nos meus horizontes. Não faz sentido passar por este mundo e não acompanhar e fazer o que estiver ao nosso alcance por uma criança.
(...)
É por uma questão de descendência ou de perpetuação do nome que deseja ter filhos? É por uma construção de felicidade. O que é uma questão pessoal e não política. Acho que ser pai me fará feliz.
(...)
Como reage aos boatos que correm sobre si? Não ligo nem quero saber. Tenho uma amiga que diz que se alguém não gosta de nós é esse alguém que fica a perder. (...)

Bom, mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo.
Daí que, mentiroso como é, se lhe apliquem como uma luva as suas próprias palavras:
Não tem medo do confronto? Não tenho nenhum. Tenho imensa admiração por pessoas com coragem física e intelectual. Pelo contrário, não tenho respeito nenhum pela cobardia.

Deixa lá, Paulo, nós também não.

Publicado por [Renegade] às 05:17 PM | Comentários (16)

junho 13, 2009

A era dos extremos



Publicado por [Rick Dangerous] às 08:17 PM | Comentários (1)

E no Brasil...

Parece que “depois de 30 anos, e pela primeira vez sob regime “democrático” - a Polícia Militar do Estado de São Paulo de Serra foi utilizada para atacar e desmobilizar o movimento político grevista dos funcionários. É a polícia em vez da política, essa é a linha tucana para uma das mais importantes instituições de ensino superior e pesquisa da América Latina.”
Raramente ouço falar do que se passa no ensino superior brasileiro, convencida de que não sou a única neste caso, achei pertinente divulgar este texto que recebi na minha caixa de correio electronico:

“Caros,
uns dias atrás encaminhei para alguns de vocês o relato de um professor contando a violência policial na situação de greve da Universidade de São Paulo. Se escrevo novamente é porque agora eu quero falar e também por ter visto imagens do Centro de Mídia Independente que são importantes de compartilhar:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448626.shtml
e
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448641.shtml

A diferença dessas imagens com as da televisão/ jornais é que os jornalistas oficiais mostram a superprodução pras massas, quero dizer, mostraram mais o montante de homens e, sobretudo, de automóveis da PM do que os atos individuais. Sem dúvida, numa cidade como São Paulo, faz sentido que os carros sejam o que nos acostumamos o olhar a ver e não os rapazes embaixo dos escudos da polícia.
Pessoas têm me encaminhando discussões dos fóruns dos professores e dos estudantes. Não vi o que os funcionários têm discutido. Sabem, eu estudei 15 dos meus 25 anos na USP. Meus pais, ambos, são professores dessa Universidade. Eu estava na greve de 2002, quando nós, os estudantes da FFLCH, paramos as aulas para pedir por professores e conseguimos uma centena deles depois de 4 meses paralisados. Foram momentos de uma força comovente e confesso que, depois dessa, nenhuma outra greve me interessou muito. Isso porque me parece mesmo que devemos pensar formas de manifestação mais contemporâneas, mas, o que está acontencendo na USP nesse momento é grave e precisa ser colocado em discussão.
O que vou reparando, é que existe dentro da Universidade e fora dela um discurso crescente nos últimos anos de que a greve/ as manifestações de insatisfação social são atos de violência contra a democracia do país. Brasil este que, como se sabe no mundo inteiro, tem nas suas estruturas de poder formas extremamente democráticas e igualitárias que devem ser mantidas. Ordem e progresso.
Sobretudo: como se sabe, todos nós temos um nome. De registro social, também. Então, o que dizer quando a Polícia Militar, chamada para conter os estudantes, funcionários e professores da Universidade pública que se diz a maior do país, retiram da farda seus nomes e identificações?, e na imprensa nada se diz?
Vejam, está nas fotos, os PMs estavam sem identificação:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448656.shtml
De tudo, isso é o que me deixa mais indignada. Por quê? Porque reitera a impunidade no Brasil. Impunidade essa que me parece que é o que conhecemos. Mais, quando a PM retira seus nomes comete um crime contra todos os cidadãos. Afinal, fardados e sem nome, são todos um corpo institucional só contra os indivíduos. E a violência, portanto, é um riso na cara de todos, riso esse que ri até de quem não quer ouvir falar nele.
Os professores que andavam dizendo que têm o direito de dar aula mesmo com a ADUSP (associação dos docentes da USP) ou o SINTUSP (sindicato dos funcionários da USP) determinando em assembléia a greve, estavam colocando questões de representabilidade dentro da Universidade. Questões como essas têm crescido nos últimos anos e indicam, além da necessidade de uma re-invenção das manifestações, também uma cisão da insatisfação coletiva. Não vou nem entrar no fato de que a USP a cada ano que passa, principalmente nas áreas de humanidades e artes (que como sabem, não movimentam as finanças) vai sendo transformada numa sucata maior e de que em terra de cego quem tem um olho é rei. Acho que esses professores que questionavam as greves, tinham alguma razão, medo e conforto, mas agora, depois do estado de violência policial (lembrem-se, a PM ainda está na Universidade) que aconteceu nessa terça-feira, continuar com um discurso do 'deixa-disso' é se posicionar ao lado da violência.
Sobretudo porque precisamos lembrar que os discursos que fazemos e aceitamos acabam por justificar e conceber as ações, não só no momento presente como nas bases desse Brasil tão brasileiro e tão democrático. O país, como se sabe, do futuro. O bom mocismo do discurso politicamente correto contemporâneo acaba por amenizar todas as formas de violência (pra não falar na corrupção institucionalizada) e colaborar para o esquecimento. Pensar que as coisas devem continuar como estão, afinal, a ditadura já passou e somos um país de potência econômica, é estupidificar todos os futuros.
Ontem a assessoria de imprensa da reitora lançou um informe oficial: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/06/11/ult105u8216.jhtm , no qual afirma, entrementes, que os movimentos de greve são causados por uma parcela da Universidade que é violenta e etc e etc. Pois é, a instituição suga o discurso que lhe parece mais apropriado no momento. É importante, portanto, que outros discursos se façam.
Outro que deu suas opiniões brilhantes nesses últimos dias foi o Datena, para o qual a alcunha de telejornalista não cabe, e enquanto a polícia descia o cassetete na cabeça dos manifestantes, o Datena dizia com as imagens do seu helicóptero que os estudantes 'playboys' se não estavam interessados em fazer o que devem fazer (isto é, estudar) deviam largar as vagas para aqueles "pobres" que precisam delas e as aproveitariam pra conseguir algo da vida. Mais uma vez nesse país, a pobreza é um instrumento para justificar a própria pobreza. E, um discurso como esse é contra todas as instituições públicas. É a mesma coisa que dizer prum paciente que está perdendo o sangue por estar há três horas na fila de espera de um hospital de que se ele não está satisfeito em esperar para perder a perna é melhor ir procurar outro atendimento médico e dar o seu lugar no corredor para alguém que o faça por bem merecer.
Acho que é isso. Obrigada pela atenção, se quiserem, repassem.”

Publicado por [Shift] às 03:59 PM | Comentários (1)

Estupidez da semana: fotojornalismo sobre as eleições no Irão

Uma grande maioria das fotos que vi a ilustrar as eleições de ontem no Irão mostram iranianas jovens e bonitas. Imagino que o seu propósito será o seguinte: mostrar que no Irão há por detrás das caras barbudas e sisudas que conhecemos uma juventude bonita e que é nessa beleza consensual e susceptivel de ser apreciada em qualquer capital Europeia que reside a esperança de um médio-oriente estável e não à beira de uma guerra nuclear. Porque, como aliás mostra um dos videos a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, há uma óbvia relação directamente proporcional entre as liberdades democráticas e a beleza dos cidadãos com consciência civíca. Tudo isto corresponde ao estereotipo ocidental de que por detrás das burkas a mulher islâmica é extremamente fogosa, como que um segredo bem guardado, e que portanto não só esconderão por detrás dos toscos panos uma voluptuosidade carnal fiérica mas também um desejo enorme e avassalador por uma democracia representativa cheia de deputados tesos pelo serviço público e pela intervenção.

Farah: I agree with that portuguese blogger that said that not voting is leaving your decisions on other people's hands!

Mahta: Yeah like totally! if there are two things I love it's shopping and voting!

Farah: and there's nothing better for you skin than to vote for a progressist party and/or cause!




Nazhin: Should I vote for the guy that wants to destroy Israel?

Samira: No Nazhin that would be horrible! Us dark haired women must vote for left of center progressist parties, if not we will look like those stone age witches from Irak! look at Ana Drago, Portuguese deputy for a party called leftist Bloc! Modern beautiful european women all vote in ex-trotskyst parties!

(ambas as imagens roubadas ao 5dias)

Publicado por [Party Program] às 09:34 AM | Comentários (6)

junho 11, 2009

Casamento entre pessoas do mesmo sexo

A ATTAC Portugal associou-se à campanha de recolha de assinaturas pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Não conhecem essa petição? É para assinar aqui.

Publicado por [Saboteur] às 11:53 AM | Comentários (1)

junho 10, 2009

Desejos de bom mandato


No site da Renovação li o último artigo de Rui Tavares no Público.

Como já disse num cometário ali em baixo, estou bastante satisfeito com a eleição do gajo. desejo-lhe 4 anos a la Pacheco Pereira: Que não ligue muito ao trabalho de parlamentar europeu (deixa os relatórios, as intervenções e perguntas aos comissários para a Ilda Figueiredo e para a Marisa Matias), e que se desmultiplique em artigos, debates e entrevistas, cá pelo país. Faz falta.

Vi Rui Tavares na segunda-feira na RTP1, a fazer o rescaldo das eleições. Ele consegue cascar no Sócrates sem fazer favores à Ferreira Leite. Consegue cascar na direita sem defender o PS.

Não é tarefa fácil, como temos visto...

Publicado por [Saboteur] às 10:18 PM | Comentários (12)

"O Parque Mayer: Vistas e Revista"

pmayerblog4.jpg


Synopsis
"O Teatro Maria Vitória esta prestes a descer definitivamente o pano sobre o seu último espectáculo, antes da destruição do bairro. No coração de Lisboa, o Parque Mayer é um estranho oasis urbano, verdadeira cidade dentro da cidade. Antigamente “pequeno Broadway à Portuguesa”, acolhia cafés, restaurantes, barracas de feira e, sobretudo, nem menos que cinco teatros, todos dedicados ao espectáculo de Revista. Através dos testemunhos dos últimos moradores do Parque e de grandes figuras da Revista portuguesa, descobre-se a importância que este género, musical e político, tinha durante os 50 anos de ditadura. Nas tensões entre Censuras e liberdades conseguidas, é toda a História recente de Portugal que se desenrola ao longo desse fio de Ariana. O Parque Mayer, hoje desertificado e em ruínas, é o reflexo físico e monumental dessa memória que recusa desaparecer."

Publicado por [Shift] às 03:39 PM | Comentários (4)

junho 08, 2009

200 mil piratas na suécia

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:48 PM | Comentários (4)

Nos bastidores das eleições : Libano e França !

Libano

Os libaneses também ontem tiveram o seu revés nas urnas (dependente do ponto de vista que optamos, claro)! Tratava-se das eleições legislativas. A coligação apoiada pelo ocidente conquistou 71 lugares contra 57 conquistados pelo Hezbollah. Explicar-vos-ia se compreendesse bem a constituição parlamentar libanesa, mas deve ser uma das mais complicadas do mundo tendo em conta a diversidade cultural e religiosa do país... Entre religiões e regiões simplifico o panorama geral: enquanto que Saad Hariri, chefe parlamentar da coligação vencedora afirma que “é um grande dia para a história do Libano democrático”, outros concluem que a verdadeira oposição ao Estado de Israel afasta-se temporalmente do cenário político-social.
O que é engraçado nisto tudo é observar a lata moral que o Ministério do Negócios Estrangeiros israelita tem quando lança para o ar premissas como: “o Governo libanês deve agir no sentido de reforçar a estabilidade e a segurança do país, parar com o tráfico de armas no seu território e aplicar as resoluções apropriadas do Conselho de Segurança, nomeadamente as resoluções 1559 e 1709”. Não sei de que resoluções eles estão a falar mas vindo da boca de quem vem as frases proferidas perdem qualquer tipo de legitimidade, apetecendo-nos que o destino nos leve ao confronto para os pratos ficarem de vez limpos.
O Hezbollah já preveniu o mundo: “não se toca nas nossas armas” uma vez que a resistência é um elemento não negociável e que Israel é um país inimigo. Verdade seja dita, acredito nesta sentença pois não sou pacifista, tenho assim pena de não acreditar em Allah (n’importe lequel)!

França

A abstenção ganha as eleições em França com cerca de 60 %.
O UMP de Sarkozy sai vencedor (sem ignorar os 40% da população que votou), levando a fatia de 27,73% e ficando longe do PS que apenas obteve 16,66%. Uma verdadeira catástrofe eleitoral para este últimos! O Front de Gauche (constituído pelo PCF e pelos desiludidos do PS) sai satisfeito por ter ficado à frente do NPA (Nouveau Parti Anti-Capitalista) liderado pelo carteiro Besancenot. O Front de Gauche remou assim arduamente contra todas as sondagens. Desiludidos, o partido de François Bayrou, conservador de direita de fachada centrista, obteve apenas 8,4%.
Et tamtarammm... a surpresa das eleições europeias em França: os VERDES obtêm 16,03%. Liderados por Cohn-Bendit, personagem que melhor encarna a figura de camaleão em França, passando de vermelho em Maio de 68 a amarelo nos tempos que correm, os Verdes em França irritam-me profundamente. Melhor ser melâncias como em Portugal que meloas em França, diria eu! Uma polémica instaura-se em França.... France 2 (canal televisivo público) passa o filme “Home” na sexta feira antes das eleições a um horário de honra. Com uma publicidade ao filme nunca antes vista, o filme atingiu uma audiência de 8,3 milhões de pessoas. Este mesmo filme, como jà devem ter percebido, trata a partir de uma visão fatalista a questão ecológica - não meto contudo em causa a beleza das imagens do filme.
Bom, metendo de parte este parêntese sobre a polémica “Home”, dizer por fim que os verdes irritam-me não porque me estou a BMarimbar para a triagem de lixo que faço quotidianamente em termos pessoais, mas porque estou a ficar cada vez mais convencida que a ecologia é a maior manobra fraudulenta do capitalismo. Nada de novo, mas sinceramente deixei-me levar muito tempo pelos encantos ecológicos. Capitalismo e Ecologia não são compatíveis, o resto é uma questão de lógica.

Publicado por [Shift] às 12:28 PM | Comentários (15)

junho 07, 2009

bem, parece que só me resta pedir desculpa ao Rui Tavares...

Publicado por [Renegade] às 11:47 PM | Comentários (12)

ANARCHY IN BRUSSELS!

Da feira do livro anarquista ao parlamento europeu passando por Atenas o último ano tem sido uma festa.




Rui Tavares. Anarquista.

Federica Montseny. Anarquista.



Sid Vicious. Anarquista.

Edições Antipáticas / Rádio Leonor. Anarquistas?

Atenas. Anarquista. Atenas? Não será o gabinete de apoio a Rui Tavares a tomar posse em Bruxelas?


Publicado por [Party Program] às 11:36 PM | Comentários (2)

A melhor escola de futebol do mundo...

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:35 PM | Comentários (8)

O video que marcou o meu dia de reflexão (não deixar as decisões nas mãos dos outros).

Adoro estes videos do Bloco, este roubado ao 5dias (que se está a transformar num spectrum mais adulto e culto). Gosto de pensar que são a expressão de um civismo jovem e voluntarista que ansioso por mudar a sociedade pega nos intrumentos disponiveis e sai para a rua a entrevistar espontaneamente os seus lideres partidários. Particularmente tocante é a capacidade de Daniel Oliveira de chegar às inquietudes da legião de jovens de mala a tiracolo e de os olhar olhos nos olhos e de os tratar por "tu", estes correspondem em pleno exercicio imberbe da sua tesão cidadanista e presenteiam-no com a possibilidade de lhes respoder a algo que já sabem.

Na parede de trás uma ilegivel pintada anarquista. Estou a considerar adoptar este tom do Daniel para toda a minha vida pessoal: acordar e olhar-me ao espelho na casa de banho e dizer-me a mim próprio: "Vamos, party program, vamos tomar um óptimo pequeno almoço! um pequeno almoço que alimente, um pequeno almoço que te dê energia, um pequeno almoço que seja a estrutura energética para o teu dia! O pequeno almoço é a refeição mais importante da jornada, deve ser completa, rica e diversificada, sem ela não estás a cuidar do teu corpo! não deixes as tuas decisões nas mãos dos outros!"

Publicado por [Party Program] às 10:14 AM | Comentários (5)

junho 06, 2009

Vitória

A minha vitória nas eleições deste domingo já está garantida. Apostei um jantar contra uma sala cheia de malta de esquerda em como a Marisa Matias, candidata do bloco às europeias, não só não falava de vez em quando como escrevia uns artigos. Que era investigadora da área da economia e tal...os dados estavam lançados e eu finalmente tinha arranjado algo de interessante com que me entreter neste período eleitoral.

Poirot.jpg

Enfim, depois de 2 semanas a ouvir falar de eleições, que é coisa que me irrita profundamente, ao que se juntou um enorme peso da responsabilidade de salvar a carteira de uma jantarada, nas quais me fartei de ver vídeos ridículos em todos os telejornais daquelas campanhas tão iguais que todos fazem em tantos sítios já lá vai mais tempo do que eu tenho de vida, e podendo dizer que, ainda que desconfiado, estive sempre à espreita dos debates na televisão... sentia que estava quase derrotado na carteira e na paciência.

Mas eis que no ultimo dia lá vou ao site do bloco, e não só há um vídeo em que ela fala mais de 1 minuto como já reparei que ela tem lá no site um artigo da sua lavra. Daqui à minha picanha só falta convencer os meus opositores que os plurais andam muito sobrevalorizados nestes dias de individualismo. E talvez ainda os convença a enviarem a factura do jantar ao Bloco, afinal, depois de terem convencido o Rui Tavares a figurar em terceiro lugar nas listas e fazer mais pela eleição da candidata-sombra do que a própria, com mais esta ajudinha que aqui estou a dar bem merecido seria o repasto.

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Post scriptum, agora lendo o artigo, já por via da curiosidade insaciável que a aposta fez nascer em mim, percebo que afinal é copiado do blog onde ela escreve, é bastante bom (o blog) e já constava da lista aqui do lado, Ladrões de Bicicletas. Já vou em busca nos arquivos em Abril e ainda só encontrei o tal texto que está no site esquerda.net mas não vou desistir...

Marisa Matias é Investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) e doutoranda da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC). As suas áreas de interesse incluem as relações entre ambiente e saúde pública, ciência e conhecimentos e democracia e cidadania.

Publicado por [Chuckie Egg] às 03:17 PM | Comentários (19)

bom dia de reflexão para tod@s!

Publicado por [Renegade] às 02:20 PM | Comentários (2)

junho 05, 2009

Ultima sondagem

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Aparentemente, ao contrário do que acontece por outras paragens, a extrema-direita em portugal não consegue capitalizar com a crise, mantendo 1 deputado no PE... Muito embora, o candidato do PSD represente provavelmente a ala mais direitos do partido e ontem, por exemplo, ao ouvi-lo falar na TSF sobre a imigração - "um dos principais problemas com que se debate a europa" - parecia que estava a ouvir o Paulinho da Feiras, de dedo em riste.

BE e PCP juntos fazem 20% do eleitorado. O que fazer com estes 20% é a pergunta que estes partidos se deviam colocar a si próprios.

Publicado por [Saboteur] às 12:54 PM | Comentários (12)

junho 04, 2009

Por aqui, a campanha faz-se assim…

A lista Anti-Sionista para as europeias é encabeçada por DieuDonné. Humorista francês, incarnando a controvérsia em cada frase que profere, DieuDonné declarou o seguinte na apresentação da sua lista às eleições europeias: “tendo nascido num país como a França, país que me proíbe hoje em dia de me exprimir através do meu trabalho, de alimentar os meus cinco filhos, a única solução que tenho é de lutar no terreno político, de igual para igual, e chegar até Bruxelas se for preciso”.
DieuDonné deu os seus primeiros passos políticos na “esquerda alternativa”, actualmente Le Pen é o padrinho de uma das suas crianças. Num dos últimos dos seus espectáculos, DieuDonné convidou Robert Faurisson ao palco (professor universitário condenado pela justiça francesa pelas suas teorias negacionistas do holocausto). A aparição de Faurisson numa das cenas do espectáculo valeu a censura do espectáculo do humorista em várias salas do país.
No passado dia 31 de Maio, DieuDonné decidiu fazer a sua pequena campanha no mercado dos pyrénnées! Má escolha! Estamos no 20 ème arrondissement de Paris! Uma contra-campanha formou-se automaticamente ou não... à palavra de ordem dos militantes em campanha - “sionistas fascistas” – ouviu-se em resposta da outra barricada – “DieuDonné Racista”. Com barras de ferro, castanhadas e outros o mercado de pyrénnées, pacato nos dias sem campanha, tornou-se um verdadeiro campo de batalha tribal. Quando me foi contada a história, pensei imediatamente na Ligue de Défense Juive, mas uma amiga que presenciou a bastonada assegurou-me que o grupo em questão era anti-fascista da esquerda radical! A organização foi muito bem feita, um autêntico relâmpago!

Publicado por [Shift] às 12:54 PM | Comentários (9)

O Partido do pó-pó

O Automóvel Clube de Portugal deixou de ser só um clube com um bom serviço de desempanagem, vantagens em seguros e descontos em equipamentos anti-car Jacking.

Com Carlos Barbosa à frente – um homem de direita, que foi mandatário de Carmona Rodrigues à presidência da Câmara Municipal – a Associação tem vindo a desempenhar um papel cada vez mais político.

Hoje, os jornais dão conta de novo comunicado do ACP. O pretexto para a intervenção contra a câmara é o suposto “pandemónio de trânsito” da Baixa. No fundo o ACP alinha com Santana Lopes contra as obras no Terreiro do Paço (que essencialmente servem para impedir que os esgotos desta parte da cidade continuem a ir parar ao rio e sem tratamento) e contra o futuro plano de mobilidade da baixa, que prevê redução de faixas e alguns cortes de trânsito em algumas ruas.

Numa linguagem dura, o ACP acusa a autarquia de “enganar os cidadãos”, dizendo que “irá até às últimas consequências”, etc, etc.

Não tenho nada contra a crescente politização do ACP. As questões de mobilidade são questões eminentemente políticas. Só me pergunto é se os milhares de sócios daquela Associação sabem que – em seu nome – o ACP intervém desta forma tão directa na política autárquica da capital…

Também tenho pena de ver Nunes da Silva metido com esta gente. É certo que o ACP deve pagar bem e os tempos não estão para grande altruísmos, mas Nunes da Silva põe assim em causa (para mim, definitivamente) o seu prestígio ao associar-se desta forma ao “Partido do pó-pó”.

Publicado por [Saboteur] às 11:55 AM | Comentários (9)

junho 03, 2009

"Sacavém é mesmo assim, espero que entendas"

Mais uma vez, um dos pontos altos da campanha da CDU foi em Sacavém.

Ilda Figueiredo foi lá com Carvalho da Silva porque em Sacavém o Partido é demasiado prestigiado para não apostar os seus melhores quadros.

Publicado por [Saboteur] às 10:53 AM | Comentários (2)

"Vale a pena lutar!"

Estavam todos habituados a ter o dinheiro num banco onde eram tratados com todos os salamaleques, onde nunca era necessário estar numa fila, onde havia sempre alguém do outro lado da linha para prestar todos os esclarecimentos e dar todos os conselhos e onde as taxas de juro dos depósitos era “extremamente competitiva”.

Diziam mal da Caixa Geral de Depósitos e advogavam a sua privatização para aquilo ser bem gerido. Não tão bem gerido como o seu banco, claro, que tem Privado no nome e é muito selecto, mas pelo menos como o Português de Negócios, o banco de Cadilhe, Cavaco e Dias Loureiro.

Em tempos, o que mais temiam era o car jacking. Hoje têm medo de nunca mais poder levantar o seu dinheiro do BPP e ontem foram-se manifestar em frente à sede do Banco, exigindo do Estado e do ministro das finanças a reposição da (sua) normalidade. Segundo a TSF, cerca de uma centena terá ficado nas instalações do Banco (bem instalados) durante a noite, como forma de protesto.

Parece-me que os seus medos são infundados. Há muita gente muito poderosa a zelar pelos seus interesses e vão todos safar as suas poupanças.

Aliás, só não se resolveu este “problema” mais cedo porque a imagem do BPP como o “Banco dos Ricos” estava demasiado enraizada na consciência de todos, para o Governo ir logo a correr. Talvez fique de emenda a todos esses novos-ricos: aprendam com os velhos a ter um pouco mais de descrição. Só têm a ganhar.


Publicado por [Saboteur] às 09:02 AM | Comentários (2)

junho 02, 2009

Nananana...

Publicado por [Rick Dangerous] às 10:57 PM | Comentários (3)

a todos os spectreiros, já que vamos envelhecendo juntos...

Publicado por [Renegade] às 10:25 PM | Comentários (1)

junho 01, 2009

De como faria sentido dizer «é a economia, estúpido», mas não se diz só naquela de não baixar o nível e também porque depois ainda nos acusam de favorecer a direita, e tal...

Um dos soundbytes da campanha eleitoral de Miguel Portas que ouvi este fim-de-semana dizia algo do género: «O desemprego é a factura da ganância de quem jogou as nossas vidas no casino da especulação financeira». Admito que as palavras não sejam exactas, mas vi isto na televisão e não encontro nenhuma reprodução na Internet. Peço desde já desculpa aos provedores da deontologia blogosférica, pensando, em todo o caso, que aquelas palavras, se não forem exactas, não andarão muito longe disso.

Percebo a necessidade das boas tiradas de campanha, mas um olhar um pouco mais cuidado sobre os indicadores da economia mundial das últimas décadas mostra-nos que o que abriu caminho à «ganância dos especuladores financeiros» foi justamente a falência estrepitosa daquilo a que agora está na moda chamar a «economia real», a que as boas almas querem regressar. E que o que, apesar de tudo, conseguiu manter algum lampejo de normalidade nos últimos 30 anos foi justamente a simulação neoliberal, às custas obviamente do consumo acelerado do futuro através da ficção do crédito. O desemprego há muito que deixou de ser um fenómeno conjuntural cuja solução dependeria da regulação do bom Estado e das boas políticas públicas sobre as forças maléficas da «economia de casino». O mesmo sistema que precisa desesperadamente de trabalho (porque só ele cria valor) criou todas as condições para o tornar supérfluo e para tornar descartáveis milhões de vidas. É a sociedade que se baseia nos fetiches da mercadoria, do valor e do trabalho que é já incapaz de funcionar sobre os seus próprios fundamentos.

A oportunidade que a actual situação nos oferece é irmã gémea da hipótese de aprofundamento da barbárie. Mas enquanto se fica pela condenação moralista dos «especuladores ganaciosos» e pela vã esperança num regresso ao passado reluzente do Estado de bem-estar, relegando para um qualquer amanhã distante a elaboração de uma vigorosa crítica do capitalismo como tal, resta o espectáculo cada vez mais vazio da disputa eleitoral. Enfim, siga a dança...

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Publicado por [Manic Miner] às 10:04 PM | Comentários (16)

O Estado e a violência

Aconselho a leitura deste interessante artigo de Anselm Jappe (autor de As Aventutas da Mercadoria. Por Uma Nova Crítica do Valor e de uma biografia de Guy Debord, ambos editados pela Antígona). É sobre a violência do Estado e a utilização de métodos de luta violentos e tem o mérito de tentar discutir o problema sem cair no maniqueísmo habitual do «caras tapadas/caras destapadas» ou do «violência/pacifismo». Quem começar a ler o texto e achar que já imagina como vai acabar deveria fazer um esforço por lê-lo até ao fim, as conclusões são em certa medida surpreendentes. O original do artigo, que saiu em França na revista Lignes, infelizmente não está online. Temos que nos contentar com esta tradução francamente má para português do Brasil.

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Publicado por [Manic Miner] às 09:51 PM | Comentários (7)

Um mestre em finanças!

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Cavaco comprou, em conjunto com a filha, 250 mil acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) a €1 que vendeu por €2,40.

Publicado por [Saboteur] às 11:19 AM | Comentários (18)