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fevereiro 28, 2009

Nasceu uma Estrela #2

Como diz o Bruno Aleixo: Olhem lá este jogo que eu inventei...

Na capa do DVD do Bloco - intitulado"Nasceu uma Estrela" - têm de encontrar a fotografia de um dos editores do Spectrum.

Têm no máximo 10 segundos.

Publicado por [Saboteur] às 11:03 PM | Comentários (3)

Nasceu uma estrela!

Esqueçam o Bab Sebta, a co-realização documental mais fascinante dos últimos anos será a de Jorge Costa e Daniel Oliveira. Esqueçam "Contrato" de Nicolau Breyner, o filme de acção do momento é "Nasceu uma Estrela". Em "Nasceu uma Estrela" Oliveira e Costa narram os primeiros dez anos do partido "Bloco de Esquerda". Pelo cheirinho que já nos deram a ver deve ser muita bom, há uma montagem paralela entre momentos do bloco e momentos importantes do activismo e da politica a nivel mundial e onde é possivel perceber que tudo o que se passou de importante no mundo e em Portugal foi por causa do Bloco. A banda sonora também é digna de notar, mistura música de intervenção com outras de cariz mais humoristico. Um mimo. O documentário ilustra a versatilidade e o espirito de iniciativa que está na origem do BE e o pouco medo que tem os seus militantes em meterem as mãs na massa quando o propósito é espalhar a mensagem. Perguntamos a Oliveira e Costa: Para quando a banda rock?

Alguém que vá ao almoço de hoje pode gamar um para mim?

Publicado por [Party Program] às 12:34 PM | Comentários (3)

party program gosta. eu também gosto muito. e tu?

Publicado por [Renegade] às 01:07 AM | Comentários (2)

fevereiro 27, 2009

Ansiedade

psocratesfinal.jpg
Estou mesmo ansioso por saber como vai acabar o Congresso do PS...

[Imagem «roubada» ao Arrastão]

Publicado por [Bomb Jack] às 07:58 PM | Comentários (1)

A Decepção de Courbet.

Um amigo fotógrafo fez um trabalho que consistia em capturar as expressões das pessoas quando contornavam uma das esquinas do Museu d’Orsay e se deparavam em frente da « Origem do Mundo ». As caras revelavam várias posturas que reflectiam a atitude de cada pessoa face ao erotismo em geral, e ao erotismo artístico em particular.
Agora, passar das expressões faciais ao acto, ou seja, passar da surpresa/apreço/nojo/excitação à destruição do quadro vai uma grande distância. O acto de destruição de um quadro diria que se situa na mesma categoria de um acto de censura.
Na última exposição em Paris (Grand Palais 2008) dedicada à obra completa de Courbet fiquei a saber que este esteve envolvido activamente na Comuna de Paris em 1871, tendo participado no desmoronamento da Coluna Vendôme (erguida para glorificar o grande exército imperial). Após o aniquilamento da última barricada da Comuna, este acto valeu-lhe o exílio e a decepção de ver a Coluna de Vendôme ser reconstruída em 1875. Aquilo que se passou em Braga, envolvendo a PSP local, seria vergonhosamente para Portugal a sua segunda grande decepção!

Publicado por [Shift] às 04:41 PM | Comentários (8)

A Comunicação Social sem o 24 Horas, é como...

Gonçalo Pereira, Editor Executivo do 24 horas, escreve hoje um artigo de opinião intitulado “Uma cidade sem carros é como o campo sem vacas”.

Trata-se de um artigo contra a “bizarra convicção” de que expurgar a Baixa de carros “será um grande legado”. “Fechar o centro das cidades aos automóveis é a política Savora. Diz-nos que, sem carros, qualquer cidade melhora. Errado. Não há nada mais triste do que um centro da cidade asfixiado.”

Eis a prova que qualquer imbecil pode ser alguém no mundo do jornalismo.

“A Baixa” é uma das zonas mais poluídas da Europa. Os níveis de poluição atmosférica e sonora não permitem, seguindo à risca a legislação, licenciar sequer habitação, creches, escolas… Estima-se que passassem pela rua do Ouro – uma rua que tinha duas faixas e era proibido parar sequer, para largar ou receber um passageiro que tivesse ido ali às compras (agora tem uma faixa normal e uma BUS) – cerca de 65 mil veículos por dia… Só mesmo uma grande cegueira para não ver que era isto que asfixiava a Baixa e não o facto de determinadas zonas estarem vedadas ao automóvel.

Publicado por [Saboteur] às 01:03 PM | Comentários (6)

fevereiro 26, 2009

A seguir à crise... o capitalismo?

Debate_090306.jpg

O capitalismo rebenta pelas costuras. A explosão das bolhas neoliberais põe a nu as contradições mais bárbaras do capital e mostra que a sua estratégia de fuga e dissimulação entrou num beco sem saída. Não vale sequer a pena invocar a depressão económica, o aumento do desemprego, a hipervigilância do poder instituído, o estado de excepção. Bastará, tão-só, a invocação do quotidiano de todos nós. Perante a situação, a generalidade da esquerda, há demasiado tempo integrada no sistema e tantas vezes o seu elemento modernizador, ensaia um regresso à confortável ilusão keynesiana do capitalismo bom regulado pelo Estado, por oposição ao capitalismo mau dos mercados desregulados. Conhecemos demasiado bem esse discurso e o que nas suas consequências práticas há de mais defensivo, desagregador e frustrante. O debate que se impõe é o que procure responder à pergunta: como enfrentar a crise sem reforçar o capitalismo? Irá, seguramente, por aí uma nova estratégia transformadora que encare a crise como uma oportunidade contra a barbárie.

Publicado por [Manic Miner] às 09:47 PM | Comentários (11)

The Alvalade Horror picture Show


Publicado por [Rick Dangerous] às 02:58 PM | Comentários (6)

fevereiro 25, 2009

At neurónio criativo ponto come?

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:41 PM | Comentários (3)

ACESSO!

Retiro tudo o que alguma vez disse de depreceativo acerca das binas. Um colega acabou de me emprestar a sua bina para descer desde Grácia até aqui ao centro e digo-vos que desde que tirei a carta de moto que não sentia aquela brizazinha na cara a baixar pelas avenidas. Claro que ajudaram as 7 cervejas e os 3 gin tónicos e a grande banda sonora:

Blue Oyster Cult - Don't fear the reaper (Um clássico incomprendido)

Yes - Heart of the Sunrise (a primeira parte, depois passei)

Rolling Stones - You can't always get what you want (TÃO verdade, nesta penso sempre em ti amor)

O único problema é que em Lisboa não se bebe copos na parte alta da cidade, e que para ir do bairro até o areeiro seria bastante mais duro, mas enfim, detalhes.

UPDATE:

No espirito da coisa não queria deixar de comentar o facto de, depois da ministra da educação, termos um Companheiro Anarquista enquanto candidato ao parlamento europeu: Dá-lhe Ruizadas! eu sei que consegues! desculpa aquela cena da Frederica! Saúde e Anarquia!

A chuva não incomodará o companheiro Rui em Bruxelas

Anarchy in the hemisphere!

Publicado por [Party Program] às 01:40 AM | Comentários (23)

fevereiro 23, 2009

Realismo Mágico

Eu até ia escrever sobre corrupção sem corrompidos, conselho de estado e o caraças mas depois achei que era redundante. Já foi tudo pintado há muitos anos por quem sabia muito mais dos costumes humanos do que eu.

Publicado por [Renegade] às 09:31 PM | Comentários (2)

A lista é uma boa lista

Apresentados os primeiros 6 candidatos do BE ao Parlamento Europeu, fiquei bem impressionado com a qualidade, abrangência e a capacidade de captação de independentes.

O Rui Tavares, como intelectual e opinion maker de referência na esquerda, arrisca muito ao meter-se assim nas listas de um partido. Ainda por cima no lugar mais ingrato: Ao ser 3º, só por milagre será eleito, mas ao mesmo tempo é suficientemente “para cima” para ser um engajamento completo de quem está disposto a assumir todas as responsabilidades. É ter o trabalho sem ter o proveito…

O José Goulão é um grande nome do jornalismo. A sua honestidade em relação à questão palestiniana, custou-lhe sempre muito dinheiro e trabalhos perdidos.

No meu tempo de funcionário do Partido, convidávamo-lo muitas vezes para debates sobre temas de política internacional. O pessoal adorava-o e acho que ele também gostava de vir discutir connosco.

Houve um dia que o Albano me ligou e disse que não tinha mal nenhum convidarmos o Goulão, que era militante do Partido, mas que o mais correcto era indicarmos o tema à Secção Internacional e eles indicarem-nos o camarada que viria… Não o vejo desde então.


Publicado por [Saboteur] às 07:50 PM | Comentários (11)

Respect 2.0 (Goans do it better)


"Freida Pinto was born in Mumbai to Sylvia Pinto, now a principal of St. John’s Universal High School (Goregaon), and Frederick Pinto, a senior branch manager at the Bank of Baroda. Her family hails from the Mangalorean Catholic community, a Christian community in Mumbai of Goan origins. The name Pinto is of Portuguese origin."
Wikipedia

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:02 PM | Comentários (2)

fevereiro 22, 2009

Respect

Mathangi Maya Arulpragasam, de 31 anos, é da etnia tamil. Nasceu em Londres mas, aos seis meses, foi para a ilha do oceano Índico. O seu pai fundou a Organização de Estudantes Revolucionários do Eelam (EROS), teve treino militar no Líbano com a Organização de Libertação da Palestina e, em 1983, voltou para o Sri Lanka para lutar por um Estado tamil. A guerra entre a minoria tamil e a maioria étnica cingalesa dura há 25 anos e causou cerca de 70 mil mortes.

Maya viveu períodos de guerra e fugiu, com a mãe e irmãos, para a Índia. No fim dos anos 1980, voltou a Londres, como refugiada. Formou-se em Arte e em 2001 foi ao Sri Lanka e viu a situação dramática da sua etnia. Em 2005, lança o álbum Arular (nome de guerra do pai), apresenta-se como M.I.A. - sigla de missing in action, desaparecida em combate.

A sua música é uma mistura de rap, hip-hop, jungle e world music, à qual junta uma imagética revolucionária de graffiti, armas e tigres - a mascote dos Tigres de Libertação do Eelam Tamil (LTTE), o braço armado da etnia tamil, considerado terrorista nos EUA e na Europa.

Publicado por [Saboteur] às 09:00 PM | Comentários (9)

Conversas eróticas ?

Miguel Esteves Cardoso queixa-se que o BE nunca lhe ligou "sem ser para conversas eróticas"... Está cheio de sorte! A mim quando me ligam é sempre para distribuições e colagens de cartazes...

Publicado por [Saboteur] às 02:19 PM | Comentários (2)

Para Rick et al.

Publicado por [Manic Miner] às 01:35 AM | Comentários (3)

fevereiro 21, 2009

Sindicato Calafetado

O meu sindicato é um sindicato calafetado. Sabe bem nos invernos. Ficam lá dentro quentinhos e nem uma brisa fresca corre pelas frestas das janelas, sempre fechadas. Lá dentro a temperatura está acima do conforto, nas vidraças corre a humidade embaciada e sua-se, um suor que já foi de trabalho mas que agora é do calor humano da muralha de aço.

Cá fora os trabalhadores não alinhados fazem uma proposta alternativa de negociação de actualizações salariais: em vez das malfadadas percentagens, que muito jeito dão a carreiras de topo, queremos negociação de um valor absoluto, igual para todos e calculado, no seu mínimo negocial, pelo aumento de referência da função pública calculado no meio da tabela salarial da empresa.

Argumentos a favor: em 10 anos de aumentos salariais percentuais, o topo afastou-se da base mais 3 salários mínimos para lá dos que já os separavam; continuar com este tipo de progressão geométrica aprofunda um fosso que não é justo.

Argumentos contra, e vou citar:

- «isso é uma ideia retrógrada»;
- «não defendemos isso porque vai contra os nossos princípios»;
- «isso é facilitista»;
- «não podemos gorar as expectativas que as carreiras de topo têm no sindicato»;
- «o bife aumenta para todos» (proporcionalmente aos salários auferidos, presume-se!);
- «compreendam que quem ganha 500 gasta 500, mas quem ganha 2500 gasta 2500 porque meteu-se a comprar casas melhores e tal»;
- «isso é uma confusão negocial, melhor é começar com 3,5% e ir descendo décima à décima» (muito mais confuso é negociar euro a euro);;
- «as pessoas com mais responsabilidades devem receber mais» (e por consequência cada vez mais);
- «isso é populismo»;
- «qualquer dia voltamos mais atrás e passamos de defender que 'a trabalho igual salário igual'» (juro!);
- «há muito tempo que o movimento sindical abandonou essa discussão porque foi visto que não era o melhor».

Depois de um histórico de plenários de resistência a votações em alternativa, vencendo pelo cansaço e por propostas «consensualizadoras, camaradas» os trabalhadores fora da cortina de aço, aqui não há volta a dar. «Para o peditório das propostas consensualizadoras já dei, quero votar em alternativa», ouve-se.

Vota-se. O grupo cada-braço-é-uma-alavanca, mobilizados e organizados para o plenário em defesa da proposta do sindicato, vence por 1 voto. UM VOTO. Sindicato satisfeito, a calafetagem está para durar, apesar do ar cada vez mais rarefeito e dos AVC que, mais cedo do que tarde, tocarão a todos. O futuro, esse está um bocado mais negro.

Publicado por [Joystick] às 12:24 PM | Comentários (3)

fevereiro 20, 2009

Novos uniformes dos «colaboradores» da CGD

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Publicado por [Rick Dangerous] às 07:28 PM | Comentários (2)

Os massacres continuam, os blogs ao barulho!

O novo ministério da Integração, criado por Israel após o massacre em Gaza, lançou uma campanha de recrutamento junto dos blogueiros da diáspora judaica fora de Israel. O primeiro objectivo desta acção prende-se ao investimento do Estado Sionista na tentativa de melhorar a sua imagem de bárbaros na Internet.
Para mais informações dirija-se aqui.

Publicado por [Shift] às 11:06 AM | Comentários (2)

fevereiro 19, 2009

então para descomprimir das biclas aqui vai um inimigo comum

A propósito de eleições em El Salvador

Publicado por [Renegade] às 04:14 PM | Comentários (2)

Al Gore sou eu e tu

"É o primeiro telemóvel de baixo custo que funciona a energia solar, diz a empresa chinesa ZTE, que o apresentou ontem na maior feira internacional da indústria das comunicações móveis, a GSM World.
Por apenas 32 euros (40 dólares) o aparelho tem por destinatário as populações mais pobres do mundo. Vai ser vendido no Haiti, em Samoa e na Papuásia-Nova Guiné. A empresa espera conseguir vender "bastantes centenas de milhares" só no primeiro ano em que estará no mercado."

Solar_Wing_front_Japanese_electric_powered_car.jpg
(vão falar de bicicletas pro japão faz favor)

"Mas a empresa chinesa não foi a única a apresentar telemóveis que funcionam a energia solar na GSM World. A Samsung gerou bastante entusiasmo com o seu próprio aparelho, que baptizou Blue Earth. Tem também um minipainel solar, e estará à venda este ano - mas será caro, e tem como cliente-alvo os consumidores preocupados com o ambiente dos países desenvolvidos."

Público, 19/02/2009

GreenCapitalism.JPG


Publicado por [Chuckie Egg] às 12:43 PM | Comentários (16)

fevereiro 18, 2009

Andar assim vestido não é normal

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:30 PM | Comentários (18)

Terreiro do Paço sem carros

O mal entendido que se gerou na caixa de comentários do meu último post merece um novo post.

O Renegade não compreendeu realmente quem era o anónimo das 12h21!

Eu faço um post a dizer que a Baixa fica melhor sem carros e que deveria ficar assim para sempre, mesmo depois das obras. Com menos carros, com condicionamento de trânsito, com novas faixas BUS na Av. da Liberdade e Rua do Ouro, com menos uma faixa na 24 de Julho, a partir de Santos...

Naturalmente não faço nenhuma referência à CML, porque não fazem mais que a sua obrigação: ligar os esgotos da baixa à ETAR em vez de irem directamente para o Tejo, impedir que o edifício do Terreiro do Paço se desmorone, etc. e, claro, tomar as medidas para que o corte de trânsito não provoque o caos total na cidade, promovendo alternativas.

O que digo é que ficou provado que as medidas excepcionais "sairam melhor que a encomenda" e tornaram a cidade melhor. É aquele tipo de grandes descobertas feitas por acaso.

Dito isto, acho que é evidente que o anónimo que me acusa de fazer campanha pelo Costa, não é, como pensa o Renegade, um camarada que desde sempre lutou pelas politicas de combate ao uso de automóvel privado no centro da cidade e por mais faixas BUS, mas sim o próprio António Costa, Presidente da Câmara, que assim está a tentar aproveitar os louros de uma medida meramente acidental.

Publicado por [Saboteur] às 03:01 PM | Comentários (2)

fevereiro 17, 2009

Poesia de rua #50 - Mad Dogs

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Publicado por [Chuckie Egg] às 07:27 PM | Comentários (9)

Como argumento não está mal, mas acho que já vi este filme


"Centenas de milhares de trabalhadores estão no desemprego e já passaram a data-limite para receberem o subsídio a que tinham direito. Em múltiplas localidades do Norte e do interior, nos subúrbios industriais das grandes cidades, em todos os sítios do país onde tinha sobrevivido um tecido industrial, os edifícios das fábricas fechadas sucedem-se a outras fábricas fechadas. Já ninguém repara nos cartazes antigos contra o desemprego, nos apelos a greves e manifestações, nas pichagens nos muros exteriores. O trânsito nessas estradas que, no passado, conhecera engarrafamentos de camiões TIR, com contentores, furgonetas, carrinhas de serviços e autocarros com o "pessoal", desapareceu. Numa ou noutra grande instalação que fora industrial os pavilhões servem apenas de armazém. Ocasionalmente, passa um camião com sucata, uma grua, uma camioneta com garrafas de ar comprimido, uns materiais de obras, mas a actividade industrial quase parou.
Nos blocos de habitação barata, nas urbanizações suburbanas que acolherem a mão-de-obra industrial que acompanhara a abertura das fábricas, os anúncios de "vende-se" proliferam, por iniciativa dos bancos a quem as prestações da casa deixaram de ser pagas. A degradação dos prédios acentua--se, porque há muito tempo que os condomínios deixaram de funcionar, e nenhum condómino tem dinheiro para reparar os elevadores. Cafés e lojas no andar térreo fecham e abrem, dando sempre origem a um negócio menos qualificado, a montras com produtos cada vez mais baratos. Algumas viraram "lojas de chineses", mas mesmo esse manancial de consumo baratíssimo parece ter--se estancado. O pequeno comércio antigo, que já subsistia com muita dificuldade, está todo a fechar. Os vidros sujos de muitas lojas permitem ver a correspondência que ninguém recolhe no chão cheia de pó e humidade. Nas cartas enrugadas e sujas proliferam as intimações fiscais."

Pacheco Pereira, Abrupto

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:38 PM | Comentários (1)

Algumas notas sobre Espanha, Catalunha e Barcelona

1 - Em Espanha há coisas evidentemente piores: o café é terrível, o pão asqueroso e a água canalizada ou comercializada sabe sempre a cano. Em geral por pouco dinheiro come-se mal, não se encontrará em Barcelona um menu de almoço por menos de 7 euros e será garantidamente mau: uma massa ultra-cozida com ketchup por cima é spaghetti all ragu e uma perna de frango frita e fria como um cadáver é um frango no churrasco. Tudo previamente marinado em óleo. Qual franchise, 90% dos cafés oferece as mesmas 5 sandes frias e quentes de micro-ondas. Os restantes 10% dividem-se em duas partes: Variantes fashion das sandes anteriores e starbucks e etcs. Para comer comida Espanhola boa há que ultrapassar a barreira dos 20 euros, coisa que acho que nunca fiz.

2 - O presunto é no entanto incomparavelmente superior.

3 - O preço de um estúdio em Lisboa aluga em Barcelona um quarto minímo, sem mobilía, com janela para o elevador e uma cama sub-ikea numa casa miníma também, com uma sanita sem bidé num armário e um duche com a pressão de perdigotos. As cozinhas, mesmo em apartamentos grandes, são pouco maiores que os lava loiças. As casas têm todas dois ou três pisos intermédios entre o rés do chão e o primeiro andar. Ou seja que um quinto andar se transforma num sétimo ou oitavo. (Saboteur e Joystick preparem-se).

4 - A primeira vez que vim a Barcelona a revolução estava iminente e não havia parede que não o anunciasse. Havia cerca de 400 casa okupadas e 3000 pessoas a viver em okupas. Havia manifestações todos os dias e cada duas semanas um motim. Nos últimos 5 anos acabaram com isso tudo. Beber cerveja na rua dá multa, cuspir para o chão também, uma casa no Raval que há seis anos custava 600 euros hoje foi dividida em dois e cada metade custa 900. As paredes estão pristínas e tem detectives cujo trabalho é identificar e prender writers. A cena okupa tornou-se uma caricatura de si mesma e foi expulsa para fora do centro, assim como o estão a ser os habitantes mais pobres. Há um starbucks esquina sim esquina não e um grupo de erasmus bêbados nos intervalos. Isso sim, há bicicletas grátis por todo o lado.

5 - O centro da cidade é uma disneylandia para quem gosta de beber copos, tomar drogas e de sexo casual, mas é uma desilusão enorme para quem vê algo de romântico nisso.

6 - Culturalmente e intelectualmente há uma oferta variada, rica e acessível. A vanguarda é menos vanguarda que em Lisboa mas todo o território anterior está amplamente disponível e representado, ao contrário de Lisboa.

7 - Os espanhóis são simpáticos e à segunda vez que os vês já te oferecem cocaina e um encontro com o irmão ou a irmã. Os Catalães são parecidos mas um bocado mais frios e mais arrogantes. Os Bascos são os mais porreiros. Os Galegos são tipo os Portugueses mas mais tristes. Mas isso interessa pouco porque aqui conhecem-se principalmente outros Portugueses, Italianos, Franceses, Suecos, Alemães, Argentinos, Chilenos, peruanos e Americanos.

8 - A tendência natural e totalitária para o mau gosto é omnipresente e é impossivel escapar a ela. Bem sei que o bom-gosto é uma categoria normalizadora burguesa mas é impossivel não recuar a posições conservadoras ante a barbárie estética de todo um povo. Barcelona e alguns locais do Pais Basco esforçam-se por escapar a isto mas o resultado é um fashion inócuo não muito melhor. Espanha é um poço sem fundo.

9 . Há, sem poder confirmar, cerca de 9,000 Portugueses em Barcelona. Os primeiros a vir foram os artistas e os okupas, depois os designers. Com o tempo chegaram os arquitectos e depois os engenheiros, agora começam a chegar os gestores de empresas e gente de marketing. Mas também já há alguns a trabalhar em cafés e limpezas.

10. Há um burburinho permanente muito agradável para quem vêm de uma cidade-deserto como Lisboa. Há sempre gente na rua de todos os feitios e cores. Cada vez que uma pessoa sai de casa nunca sabe que aventuras lhe podem acontecer. Isto é o que diriam a maioria dos Portugueses aqui se lhes perguntassem se gostam de aqui estar. Não deixa de ser verdade de algum modo.

Publicado por [Party Program] às 01:08 PM | Comentários (34)

"Há males que vêm por bem"

Este nem é bem um mal: Estão a fazer-se obras no terreiro do paço para colocar novas condutas de água e reforçar um dos torreões do Terreiro do Paço que está mesmo para cair. Mais importante: Finalmente vai ligar-se à rede de esgotos toda aquela zona da Baixa / Alfama, que deitava merda directamente para o rio.

Cortado o transito no Terreiro do Paço por causa das obras, pelo visto, não foi o caos que se temia. Ninguém morreu, não houve nenhum motim, as pessoas não chegaram mais tarde ao trabalho.

Apesar do Correio da Manhã noticiar na primeira página “Confusão e Queixas nas Alterações do Trânsito”, o que é certo é que toda a gente me diz que houve mais gente no comboio e nos autocarros da Carris e o Metropolitano – mais profissional – informou que a estação de Sete Rios registou um aumento de 10,2% de passageiros, Praça de Espanha, mais 9,3%; Santa Apolónia, mais 8,9%; Cais do Sodré, mais 7,6%...

Menos poluição, menor consumo, mais gente nos transportes públicos. Não tenho dúvidas: O que a Câmara fazia bem era avançar já para o corte definitivo de transito de atravessamento na Baixa e aproveitar para tornar mais amiga do peão a zona ao pé do rio, com mais passeios, árvores… nomeadamente a zona que vai do Cais do Sodré ao Campo das Cebolas.

Publicado por [Saboteur] às 11:46 AM | Comentários (15)

A deriva psicogeográfica do desvio

A revolução venezuelana está salva! Segundo o Público de hoje, naquele país, «155 dos 167 parlamentares são situacionistas».

Publicado por [Manic Miner] às 09:35 AM | Comentários (2)

fevereiro 15, 2009

Eu até acho que Dias Loureiro não está nada mau no Conselho de Estado

Publicado por [Saboteur] às 08:03 PM | Comentários (1)

fevereiro 14, 2009

Dia dos namorados e das namoradas

dia dos namorados.jpg

Publicado por [Saboteur] às 02:04 PM | Comentários (6)

fevereiro 13, 2009

Paraisópolis


Carros incendiados, barricadas, bombas e tiros fizeram parte das chamadas de todos os jornais brasileiros, e até mundiais, na última semana. Na segunda-feira, dia 2 de fevereiro, moradores da favela de Paraisópolis e
policiais protagonizaram um confronto que poderia ter despertado a população de São Paulo para uma profunda reflexão acerca do modelo de cidade que estão adotando. Mas, ao invés disso, os órgãos de imprensa que
cobrem o episódio preferem furtar às pessoas esta oportunidade, insistindo em apresentar espetáculos de imagens e em reduzir a discussão a uma mera exposição cronológica dos fatos. Além das ocorrências imediatas, que
outras questões envolvem a revolta de Paraisópolis e o acirramento de outros conflitos urbanos parecidos?

Na zona sul da capital paulista, desde há muito, as contradições sociais e
econômicas podem ser avistadas nua e cruamente, o que faz do território um
palco singular e privilegiado para a aguda manifestação dos conflitos
urbanos. Também pudera, na região coexistem, lado a lado, dois aspectos
extremamente opostos de um mesmo processo de ocupação do espaço, curioso,
porém revelador. A paisagem é impressionante e quase que fala por si só:
são milhares de barracos amontoados, feitos de madeira ou de alvenaria sem
reboque [reboco], entrecortados por vielas estreitas, disputando espaço e
ameaçando penetrar os metros quadrados mais caros da cidade, de onde se
exibem os enormes prédios, as mansões e os condomínios de um padrão de
luxo mais que exacerbado.
Curioso porque, nos grandes aglomerados urbanos, é mais freqüente que os
bolsões de riqueza mantenham-se a uma segura distância dos repositórios de
gente em que consistem, na maioria das vezes, os bairros periféricos
brasileiros. Neste caso há uma diferença. Paraisópolis é a segunda maior
favela de São Paulo e é toda ladeada pelo bairro mais elitizado da cidade,
o Morumbi.
Reveladora, pois, a composição da paisagem contrastante não é meramente
acidental. Uma significante parte dos mais de 84 mil moradores de
Paraisópolis acorda cedo e vai servir de empregada doméstica, jardineiro,
zelador [porteiro], servente de pedreiro e motorista nos condomínios de
luxo, os quais têm suas portas e janelas de fundo voltadas para o
emaranhado de casebres populares. O restante, quando pode, encontra seu
meio de subsistência nos pequenos comércios locais - formais ou informais
- que abundam no bairro.
Tal complementaridade entre Morumbi e Paraisópolis data desde quando se
intensificou a ocupação da área, a partir da década de 50. Aproximadamente
80% das pessoas que habitam a favela é composta por nordestinos que então
começavam a ser atraídos para São Paulo com a finalidade de ocupar postos
de trabalho da construção civil, inclusive - e sobretudo - no processo de
verticalização do próprio Morumbi.
Diga-se de passagem, são estas mesmas empreiteiras e especuladores
imobiliários, que um dia empregaram a mão-de-obra barata dos migrantes
nordestinos, que atualmente querem os enxotar da região, para desobstruir
a continuidade de seu grandioso empreendimento, substituir barracos por
prédios majestosos e fazer do lugar um refúgio exclusivo do requintado
empresariado paulistano.
Em franco contraste com o seu bairro-irmão, no interior dos quase 100
hectares que formam o complexo de Paraisópolis falta tudo em termos de
infra-estrutura básica: escola, coleta de lixo, postos médicos, saneamento
básico, opções de lazer e todo tipo de equipamento público. São as
inúmeras redes de assistencialismo, as associações religiosas, os vínculos
de parentesco e um instável espírito comunitário que, muitas vezes sem
sucesso, procuram amenizar o peso das necessidades básicas comuns e
apaziguar um pouco os ânimos mais exaltados.
Outros indicadores sociais apenas confirmam a precariedade social em que
se encontram estas pessoas. Conforme pesquisa do Datafolha, 25% dos
adultos de Paraisópolis estão desempregados, a renda [rendimento] per
capita média não ultrapassa os R$ 367,00 [146 euros] (enquanto que o valor
médio para a cidade de São Paulo é de R$ 1.325,00 [530 euros]), somente
0,45% dos jovens entre 18 e 24 anos cursam o ensino superior e 20% o
ensino médio.
Não sendo suficiente serem violentadas pela total indiferença das
autoridades públicas e pela hipocrisia da classe dominante que as rodeia,
desde os anos 90, as famílias de Paraisópolis, como as dos demais bairros
periféricos da cidade, são de igual modo reféns de organizações criminosas
que encontram ali terreno fértil para proliferarem. Estas facções, por sua
vez, conseguem cruzar o que há de pior do mundo atual, combinando a
organização despótica de um Estado em estágio primitivo com a perversa
lógica do lucro a todo custo, comum a qualquer empresa capitalista.
Obviamente, o clima tenso que permeia o cotidiano da favela não é visto
com bons olhos pelos ilustres habitantes do bairro vizinho e pelos agentes
do mercado imobiliário. E, em consonância com os interesses da alta
sociedade paulistana, não é raro que a comunidade seja surpreendida por
espetaculares intervenções policiais, sempre orientadas pela “manutenção
da ordem, da paz e pela proteção da vida do cidadão de bem”. Bastante
explorada pela grande imprensa, a existência destes grupos criminosos
engrossa o argumento que autoriza a Secretaria de Segurança Pública de São
Paulo (SSP-SP) a declarar aberta a temporada de caça ao “elemento
suspeito”; leia-se: jovens pobres da periferia, preferencialmente negros.
O mais recente slogan da SSP-SP é a tal Operação Saturação. Sem ter prazo
para terminar, cada nova edição deste velho tipo de desfile policial
consiste em reunir um enorme efetivo de homens, camuflados como se fossem
para a guerra, e sitiar os bolsões de miséria da cidade com batalhões de
elite, cavalos, cachorros [cães], helicópteros, métodos arbitrários de
abordagem e todo outro tipo de aparato repressivo de que dispõe o poder
público.
Na prática, trata-se de um ininterrupto estado de exceção a que é
submetida toda a população pobre das periferias de São Paulo, seja ela
criminosa ou não aos olhos da lei. Ano passado mesmo, Paraisópolis passou
por situação similar, em que homens, mulheres, velhos e crianças foram
expostos a um constrangimento público, casas eram invadidas para
averiguação, sacolinhas de compras eram inspecionadas, trabalhadores que
entravam e saíam eram revistados e, longe dos olhos cautelosos da
comunidade, nos labirintos que cortam a favela, sabe-se lá o que mais
aconteceu.
Particularmente sobre Paraisópolis, cabe ainda mencionar outro ingrediente
importante: há também as ONGs, mais de 50 e de todo tipo, formadas por
gente de fora, geralmente residentes dos bairros de padrão médio e alto da
cidade. São cidadãos de boa consciência, sabedores de que a segurança de
seus lares não será alcançada tão-somente com o uso da truculência
policial. Ao contrário, acreditam que o problema pode ser sanado se nestas
pessoas carentes for incutido um pouco de civilidade e filantropia. Por
isso, levam-lhes tambores, cestas básicas, cursos de dança, de decoração
de bolo, de costura, distribuem bolas de futebol e orientam-nos para terem
bons modos, inclusive hábitos ecologicamente corretos.
Todas estas iniciativas, quer reparadoras quer repressoras, entretanto,
parecem não terem bastado para abrandar a tensão social em que vive a
comunidade e inibi-la de falar e agir por si própria. Especialmente a
juventude do lugar demonstrou que, apesar de tudo, não precisa ser douta e
instruída para antever o futuro desanimador que lhe é reservado. Foi então
que, no fatídico 2 de fevereiro, a favela se cansou, promoveu baderna
[desordem] e desfez o delicado equilíbrio de forças protagonizado pelas
variadas instituições de controle social - legais e extralegais - que a
tutelam. Cansou de polícia, cansou de Estado, cansou de bandido mandão e
cansou da sonsa elite paulistana que a rodeia, cujo único projeto de
superação do problema é o da caridade motivada pelo medo e, quando
necessário, complementada com força bruta.
E para desespero e horror desta mesma elite, o sentimento de indignação
dessa juventude frustrada e desenganada escapou e se projetou por métodos
não muito polidos, porém sinceros, através da única linguagem com a qual
consegue chamar a atenção, a do quebra-quebra, infelizmente.
“Mas, o que teria levado a essa desproporcional explosão de violência em
Paraisópolis?” - perguntam-se as autoridades públicas e os figurões da
grande imprensa dissimulada. A versão tida como oficial - a da SSP-SP, é
claro - foi amplamente divulgada. Segundo sua simplificação, os vândalos
haveriam recebido a polícia a pedradas e pauladas, assim que souberam da
morte de um criminoso que resistiu à prisão; o que faz deles cúmplices e,
portanto, igualmente criminosos apenas. “Segundo ouvimos, são pessoas
envolvidas com o tráfico da favela. Então, muito provavelmente receberam
ordens de traficantes para efetuar essa baderna” - esclarecia um
comandante da operação, como se o próprio fato, a morte de uma pessoa, já
não fosse uma razão suficiente para ter deflagrado uma manifestação
coletiva de repulsa à ação policial. Dias após foram mais longe,
atribuíram o episódio a uma ordem que teria sido dada de dentro dos
presídios, por um dos líderes da facção criminosa mais famosa de São
Paulo, o PCC (Primeiro Comando da Capital). O que pode, em parte, ser
verdade, e vender bastante jornal, mas não explica o porquê de a revolta
ter escapado também ao controle da organização.
Da parte dos moradores quase nenhuma opinião foi coletada pela imprensa
corporativa. Pelos meios de informação alternativos, ventila-se, sem muita
repercussão, a hipótese de que tudo começara por causa de um atropelamento
que resultou na morte de uma criança. Também neste caso, a explicação, por
si só, não é muito elucidativa. Afinal, por falta de equipamentos
públicos, meninos morrem atropelados quase todos os dias nas grandes
cidades.
Ao se levar minimamente em consideração os inúmeros aspectos conflituosos
que envolvem o cotidiano dos habitantes de uma metrópole como São Paulo,
em particular nos bairros de periferia, é leviana qualquer tentativa de
esclarecer a revolta de Paraisópolis a partir da investigação detalhada
dos fatos ocorridos pontualmente naquele dia. Mais superficial ainda é
classificá-la de “vandalismo”, “arruaça” ou de qualquer outra definição
que apenas a desqualifique enquanto atitude política. As chaves para o
entendimento da questão estão expostas, podem ser vistas a olho nu. Só não
o estão para aqueles a quem, não agradando enxergar, permanecem de costas.

Don Quichote
Sao Paulo, 11 de Fevereiro de 2009

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:24 PM | Comentários (8)

Um país de velhos

Saúdo o aumento da licença de maternidade para 6 meses, aprovada ontem com o pretexto de ajudar a aumentar a taxa de natalidade. Só me choca o pretexto.

Porquê tanta preocupação em aumentar a taxa de natalidade? O país está envelhecido, dizem e é verdade... Mas não seria muito mais racional criar medidas de incentivo à imigração, facilitando vistos, reagrupamentos familiares, dando condições a quadros estrangeiros, etc?

Um imigrante é alguém que tomou a decisão difícil de mudar de país para procurar uma vida melhor. Tem audácia, é pró activo, é desenrascado, tem motivação. É o melhor que a nossa sociedade pode querer.

Para além disso, é portador de outras culturas, outras experiências, outras formas de ver a vida e o mundo. Só quem nunca viajou é que pode ter dúvidas que seja inegável que sairemos todos mais enriquecidos desse contacto.

Isto é tudo tão evidente que me parece que esta preocupação com a taxa de natalidade tenha sobretudo um fundo xenófobo e mesquinho

Publicado por [Saboteur] às 11:48 AM | Comentários (4)

fevereiro 12, 2009

1.ª Assembleia MayDayLisboa 2009 ::: Dia 18 Fev ::: 4.ªf ::: 21h ::: no CEM* :::


Publicado por [Rick Dangerous] às 04:31 PM | Comentários (6)

fevereiro 11, 2009

Poesia de Rua #49

poesia.bmp

Publicado por [Saboteur] às 04:46 PM | Comentários (6)

fevereiro 10, 2009

Assim se vê...

Esteve bem o jornalista do Radio Clube, quando fez esta pergunta provocatória a Jerónimo Sousa:

Acha, como diz Manuel Alegre, que a intervenção do Ministro Santos Silva é um discurso estalinista?

Respondeu Jerónimo: eu não diria estalinista, o Manuel aproveitou para fazer um pouco de anti-comunismo, mas revela uma concepção totalitária, sectária, que resulta naturalmente desta posição defensista de um Governo

Assim se vê que está bem enraizada na cultura desta direcção do PCP que comunismo e estalinismo são dois conceitos indissociáveis e que pelos vistos nada têm a ver com totalitarismo e sectarismo.

Publicado por [Saboteur] às 11:41 PM | Comentários (18)

A critica pela canção!

Filme curto e satírico, vindo do interior de Israel, sobre o estilo e os argumentos utilizados na justificação dos bombardeamentos em Gaza à opinião publica mundial.

Publicado por [Shift] às 07:34 PM | Comentários (3)

It's hip to be square


Pedro Marques Lopes pergunta-lhe se acha que a banca deveria pertencer por inteiro ao Estado. Louçã sorri e responde-lhe que deve existir um sector público de referência que determine a orientação do sistema de crédito. Pedro Marques Lopes pergunta-lhe se isso não equivale a um "controlo central da economia".
Louçã tenta explicar a coisa como se estivesse a falar com uma criança de 5 anos. Tudo parece claro - o sector público concede crédito em condições mais favoráveis do que o sistema privado e, fazendo-o, influencia o mercado. Não estamos sequer a falar de uma forma de regulação no sentido clássico do termo, mas de uma estratégia de política económica no quadro do mercado. Mas Pedro Marques Lopes, um desses liberais que pretendem ser levados a sério, não se deixa convencer. "Francisco, isso é dirigir a economia de maneira central", diz-nos, resplandescente, em toda a sua assombrada ignorância. O «Francisco» tenta explicar-lhe, como professor de economia que é, que se trata apenas de uma oferta de serviços, no quadro do mercado. Mas não, diz Pedro Marques Lopes, "deixa de haver mercado porque o resto tem de vir atrás"(!?), "você não aceita a procura e a oferta".
Chega a ser constrangedor ver um dos melhores economistas portugueses a tentar explicar, a um «jovem empresário», a diferença entre uma estratégia de política económica de esquerda, feita sem expropriações e que respeita toda a arquitectura do mercado, e um sistema de planificação centralizada. Os Ladrões de Bicicletas já tinham chamado a atenção para as graves consequências resultantes do défice teórico e epistemológico da formação em Economia, em Portugal, mas dificilmente se adivinhava que a coisa chegasse a ser tão grave.
Uma redução de spread e da taxa de juro do crédito à habitação por um banco público é considerada uma ameaça ao mercado , porque influencia o mercado, tese revolucionária que só não está ainda nos manuais de economia devido ao tenebroso controlo das universidades por «marxistas».
"Já não há política monetária, por causa do Euro", afirma taxativamente, para que Louçã se veja forçado a explicar-lhe que as condições de concessão de crédito também são um instrumento de política monetária.
E a ternura daqueles olhinhos, bem arregalados quando Louçã fala de «bens comuns» que devem pertencer ao Estado? "Bens comuns?", pergunta ele bovinamente, "mas isso pode ter um efeito dramático na economia, se nacionalizarem o Continente." "Não", explica Louça, devagarinho, "o Continente trata de distribuição de produtos comerciais, bens comuns são os sectores onde há monopólio: a água, os combustíveis, a eletricidade". Aahhh, replica o outro já confuso, liberal português que nunca, por um só instante, se interrogou acerca das razões pelas quais há empresas privadas detentoras de monopólios. Nem isso alguma vez lhe pareceu em contradição com a sua apologia da liberdade económica, da oferta e da procura.
O que o assusta é bem outra coisa e ele fez questão de o tornar claro: "Não temos então de nos preocupar, caso exista um entendimento entre PS e Bloco de Esquerda, com um novo 11 de Março?" Bem se vê o que apavora todo o betinho politizado, qual espectro pairando 34 anos depois. Sempre preocupados com as jóias da família...
Apesar da ignorância desculpável (os bancos foram nacionalizados na noite de 14 de Março e as seguradoras na de 15 de Março), reconhece-se sem dificuldades, a Pedro Marques Lopes, uma disponibilidade real para lidar com os seus traumas e recalcamentos, que talvez lhe permitam uma recuperação rápida. Já está em boa companhia para desabafar (aquela voz entre o sacerdote confidente e o psicanalista paciente). Só lhe falta mesmo o divã XXL e a música de Phill Collins.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:53 PM | Comentários (19)

Coisas boas

congresso bloco.jpg

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:57 PM | Comentários (4)

CSOA Zé dos Bois


«Terrorismo» é actualmente o termo vanguarda de todo um discurso que legitima um processo transnacional de remodelação das funções de Estado – menos sociais e mais securitárias. Do encontro entre o progresso científico, a procura estatal por mecanismos de vigilância, controlo e identificação e uma propaganda que espalha o medo em relação ao próximo, perpetua-se um estado de excepção, em que liberdades, direitos e garantias são colocadas em causa pela mesma entidade responsável pela sua protecção. Simultaneamente, multiplicam-se os sinais de mal-estar social, expressos de uma forma difusa e para além dos limites impostos pela cidadania institucional. É objectivo desta iniciativa reflectir em torno destes temas, traçar o seu percurso de evolução.

Sábado 14
14h30: "Autoritarismo e Vigilância: da empresa para a sociedade" João Bernardo;

16h00: "Prevenir a confraternização: história das técnicas para que os soldados não fiquem ao lado do povo" Diego Palacios Cerezales;

Domingo 15

15h00: A Invenção do Terrorismo.

"Violência e Estratégia de Tensão em Itália na década de 70" José Nuno Matos;
" Israel/Palestina" António Louçã;
"Conflito basco: um laboratório da repressão «pós-moderna»", Rui Pereira

17h30: Plenário – Conclusões Provisórias do fim-de-semana

- António Louçã é jornalista e historiador. Entre outros, publicou «Conspiradores e traficantes. Portugal no tráfico de armas e de divisas nos anos do nazismo 1933-1945» (2005)
- Diego Palacios é professor na Universidade Complutense de Madrid. Publicou «O Poder Caiu na Rua. Crise de Estado e Acções Colectivas na Revolução Portuguesa» (2003) e defendeu no ano passado uma tese de doutoramento intitulada «Estado, Régimen y Orden Público en el Portugal Contemporáneo 1834-2000».
- João Bernardo é autor de várias obras. Recentemente, publicou «Labirintos do Fascismo – na Encruzilhada da Ordem e da Revolta» (2003). Em 2004 publicou, no Brasil, «Democracia Totalitária».
- José Nuno Matos é mestrado em Ciência Política pelo ISCSP-UTL. Publicou «Acção Sindical e Representatividade».
- Rui Pereira é jornalista e, entre outros, publicou «Euskadi – A Guerra Desconhecida dos Bascos» (2000)

Zé dos Bois (Rua da Barroca, 59. Bairro Alto) Organização: UNIPOP
Entrada Livre

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:48 PM | Comentários (1)

França, tanta coisa para contar: dois exemplos

Guadalupe
Segundo os contos da população local da Guadalupe, departamento francês “d’outre-mer”, os escravos rebeldes trazidos em barcos de África foram metidos nesta ilha enquanto que os mais submissos foram levados para as explorações de cana de açúcar da Martinica. A Guadalupe começa agora a desbloquear-se depois de uma greve geral que durou mais de quatro semanas. O custo de vida, mas também as desigualdades bem visíveis entre a elite branca presente na ilha e os negros que são a maioria, tornaram-se o óleo de engrenagem do movimento. Ali não houve piquetes de greve simpáticos, os “rebeldes” utilizaram armas... no entanto o estado francês, como bom colonizador destacou vários soldados para controlar a coisa.
A situação na Guadalupe não deu muito que falar na metrópole, no entanto como Lilian Thuram, futebolista originário da ilha (foi convidado para entrar no governo de Sarkozy, tendo recusado com grande pinta), disse numa entrevista: os franceses da metrópole deviam ter mais atenção ao que se passa do outro lado do Atlântico, pois na Guadalupe houve um Maio 67. Dizendo com isto que a Guadalupe pode ser um indicio de um movimento mais amplo.
A Martinica, “mais submissos ao estado colonialista”, parecem estar agora a começar eles também um movimento.

O Ensino Superior
Tentarei desenvolver mais o assunto brevemente. Ontem houve uma reunião num grande anfiteatro da Sorbonne com vários directores de Universidades parisienses, hoje uma manifestação, amanhã uma Assembleia Geral... A comunidade universitária, professores, pessoal administrativo, estudantes há muito que não se revoltavam em uníssono. O movimento solidifica-se... sobretudo a partir do momento que Sarkozy se atacou com estilo provocatório e de desprezo aos professores-investigadores, dizendo que eles apenas vão aos centros de investigação uma vez que nesses centros encontram aquecedores e iluminação. Outras questões como a avaliação e neo liberalização do ensino estão em cima da mesa. Deixo-vos aqui um filme bem feito sobre a argumentação primária de Sarkozy e a contra argumentação do mundo mental!


Publicado por [Shift] às 11:24 AM | Comentários (2)

fevereiro 09, 2009

Estádio do Ladrão


«O árbitro teve uma boa atitude»
Lucho González, comentando um jogo que a sua equipa empatou com um penalty inexistente.
Espero que Pedro Proença tenha tido uma noite agradável. Seria lamentável ler as escutas telefónicas daqui a 4 anos e descobrir que aquele escândalo não custou mais do que um cesto de fruta.

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:26 PM | Comentários (10)

Más noticias para os freaks.

Fumar ganzas causa cancro do testiculo.

Há seis ou sete anos que não toco num porro e acho que se é para legalizar ao menos legalizem drogas de jeito.

O imaginário dos consumidores de cannabis é marcado pela refinada sensibilidade estética e pelo bom gosto

Publicado por [Party Program] às 11:10 AM | Comentários (4)

Deixa lá... E se fizéssemos uma lista a dois?



Joana Amaral Dias não vê razões para a sua saída

Publicado por [Saboteur] às 10:23 AM | Comentários (6)

fevereiro 08, 2009

As origens da família, da propriedade privada e do Estado - Para A.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:37 PM | Comentários (3)

Também não estamos a insinuar nada...


"Enganei-me e tratei o Pedro Sales por Zeca."
Rodrigo Moita de Deus, 31 da Armada

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:13 PM | Comentários (1)

Que grande 31

Publicado por [Chuckie Egg] às 12:56 PM | Comentários (22)

fevereiro 06, 2009

Estou escandalizado

copos.bmp

Pessoa amiga informa que este fim de semana há uma festa do Bloco no Bairro Alto, no Clube Rio de Janeiro (Atalaia 120).

Não é que um dos DJ's é um engraçadinho que me roubou o nick?

Publicado por [Saboteur] às 07:00 PM | Comentários (8)

É como se não tivesse lido


"K: Quando é que lê?
P.S.L. Leio normalmente quando me deito. Leio muito já deitado e leio... Depende; olhe, hoje em dia leio muito no carro, quando ando com motorista, que é algo que eu tenho desde a primeira vez que fui para o governo. Não é por vaidosice, acho que é dos investimentos mais rentáveis que existem na civilização actual: poder ter alguém que conduza o carro, porque poupa imenso tempo.
K: Pois, pois.
P.S.L. Pois é, mas leio muitas coisas ao mesmo tempo. Sou incapaz de estar a ler só um livro. Leio muitas coisas ao mesmo tempo e não as leio de seguida.[...]
K: Ah. E leu Proust?
P.S.L. Já li há muitos anos, já não me lembro: É como se não tivesse lido.
K: Foi os Ensaios que leu?
P.S.L. Já não me lembro. Lembro-me que lia muito essas empreitadas quando andava no liceu e estudava filosofia. Dedicava-me a elas de alma e coração.
K: E Joyce? Leu o Finnegan’s Wake e o Ulisses?
K: Não?! O Secretário de Estado da Cultura não leu o Ulisses nem o Finnegan’s Wake?
P.S.L. Não, não li.
K: Qual foi o último livro que leu?
P.S.L. Não há último.
K: Português?
P.S.L. Ah, o último português? O último português é impróprio que se diga, mas foi uma releitura das Memórias de Salazar do Franco Nogueira."

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:03 PM | Comentários (5)

Escondido


"Mas eu acho que nos devemos sacrificar por causas colec­tivas, projectos colectivos. Trabalhei muito com o doutor Sá Carneiro. Eu era o seu assessor jurídico quando ele era Primeiro-Ministro. Era um gaiato, como se diz em certas zonas do país. O doutor Sá Carneiro, lembro-me, na altura dispensou a segurança e zangou -se com a polícia. E eu andei a fazer de guarda-costas dele; ele não aguentava, por causa da coluna, levar pancada nas costas quando estava no meio das pes­soas e eu, como era mais alto, lá andava sempre com os braços à volta, e adorava fazer o que ele me pedisse.
Lembro-me que à noite - nunca escrevi isto; um dia hei-de escrever, tenho já muita história para contar, com quase 34 anos -, à noite ia ver o colchão dele, se ele tinha a tábua para as costas, e ia pôr-lhe um bocadinho de whisky que ele gostava e nunca me cairam os parentes na lama, pelo contrário.
Com o professor Cavaco Silva (e para a maioria das pessoas era também um personagem caído do céu ou de outro sítio qualquer), andei a correr o país com ele, de ténis e calças de ganga, dentro do carro, escon­dido, a escrevinhar-lhe discursos e inter­venções de terra para terra, quando ainda não havia mais ninguém..."

Pedro Santana Lopes, entrevista a Graça Lobo in K, nº1, Outubro de 1990

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:04 PM | Comentários (1)

Já há ideias para o cartaz da marcha da marijuana?


Publicado por [Rick Dangerous] às 01:57 PM | Comentários (2)

fevereiro 05, 2009

Lux Interior

A revolução da selva psicadélica fica agora mais distante. Morreu Lux Interior, mítico vocalista dos míticos The Cramps. Valha-nos ainda a bela Poison Ivy. Goo goo muck!

Publicado por [Manic Miner] às 08:58 PM | Comentários (3)

Malhar?


O Spectrum não pode deixar passar em claro as graves declarações do Ministro Augusto Santos Silva. Não se trata, evidentemente, de ter medo do que ele possa ou não vir a «malhar». Tal como ninguém lhe compraria um carro, são poucos «os sujeitos e as sujeitas» que se deixam intimidar por um sociólogo xuxa. É sabido quão pouco é necessário para lhe fazer tremer a voz e falar do contributo do PS para a democracia.
Chateia-me, acima de tudo, que naquela cabecinha calva não passe a possibilidade de alguém conjugar harmoniosamente o plebeu e o chic a valer com distinção. É tão fácil.

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:30 PM | Comentários (1)

"Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução."


Numa época em que avançam as várias modalidades de vigilância e repressão − a monitorização das nossas palavras e dos nossos gestos por meio da internet e de câmaras espalhadas por todos os lugares, a utilização empresarial de dados pessoais, a criminalização dos movimentos sociais e de quaisquer ideias anticapitalistas − é urgente a criação de uma rede que ligue as diversas formas de contestação, um espaço comunicacional que favoreça o contacto entre as diferentes correntes anticapitalistas, independente tanto do poder económico como das tutelas políticas e ideológicas. Igualmente, apoiamos e estamos dispostos a cooperar com outros projectos neste sentido.
Procurando antes de mais contribuir para a unificação prática das lutas que a todo tempo irrompem e se desenvolvem, promoveremos através do nosso site: a circulação de informações que impulsionem a solidariedade entre leitores, colaboradores, activistas e grupos de trabalhadores; a exposição pública dos diferentes casos de opressão que sofrem os movimentos sociais e a população comum não organizada; e o fomento à produção teórica e ao debate político. Não somos nem pretendemos ser uma organização de tipo partidário. As nossas regras de funcionamento interno deverão prefigurar o modelo de democracia pelo qual lutamos. Desse modo, privilegiamos o horizontalismo e o colectivismo de decisão, com base nos princípios da escolha em comum, da rotatividade de funções e do controlo permanente sobre quem exerce os cargos. E só faremos acordos com outras organizações no quadro de plataformas de acção concreta destinadas a apoiar e desenvolver as lutas sociais.

Passa Palavra é um novo projecto de contra-informação dinamizado por um colectivo que se divide entre Portugal e o Brasil.

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:10 PM | Comentários (3)

CDS apoia Santana Lopes

O CDS anunciou ontem o seu apoio a Santana Lopes para a Câmara de Lisboa e hoje os jornais dão conta de negociações avançadas com o MPT e o PPM, que podem vir a dar um ar de abrangência à recandidatura do pior presidente de Câmara que a capital alguma vez teve.

Pela parte da esquerda, vai tudo separado.

Mesmo a aproximação que os dirigentes do BE vinham a ensaiar há bastante tempo com Helena Roseta, parece que está definitivamente posta de parte, por culpa da própria – uma vez mais – uma vez que ela é 10 vezes mais “independente” (na acessão mais “negativa” da palavra – isto é: imprevisível, impulsiva, com uma agenda própria que tem dificuldade em coadunar-se com compromissos ou lealdades) – do que o “Zé”.

O caso está mal parado. Os meus camaradas do Bloco não gostam que eu diga isto – “lá vem ele com o papão da vitória da direita” – porque obviamente haverá uma grande pressão para o voto útil em António Costa… Mas a verdade é que, apesar de pouco denunciado, o mandato de Santana em Lisboa, pela falta de planeamento e estratégia, pelas decisões errada, pelo gigantesco desperdício de dinheiros públicos, pela fraude, corrupção e tráfico de influências, tem mais pontos de contacto com o de Idi Amin no Uganda do que com o de qualquer presidente de câmara em Lisboa nos últimos anos.

Publicado por [Saboteur] às 12:39 PM | Comentários (7)

fevereiro 04, 2009

dedicado a tod@s @s que me fazem sentir bem

Publicado por [Renegade] às 08:03 PM | Comentários (3)

Levantar o véu

Seguindo o repto do companheiro Party Program, aqui revelo a verdadeira identidade de "Les Tétons Baptiste" :


Too Hot for TV: PETA's Banned Ads

Para quem é vegetariano e não se incomoda muito com sexismos, os restantes vídeos também são de observar com atenção, como por exemplo este aqui em baixo onde as amigas das Tétons mostram todo o seu amor por um molho de bróculos.


'Veggie Love': PETA's Banned Super Bowl Ad

Tudo isto e muito mais, sábado, a partir das 17:30, na galeria zé dos bois.

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:10 PM | Comentários (1)

Sábado na ZdB.

Há várias questões misteriosas relativas à festa de sábado na ZdB (ver flyer abaixo) que nas horas pequenas desta semana têm sido postas em cima da mesa, algumas com resposta outras nem por isso.

1 - Quem são os G.A.F.? Terão algo a ver com eventos recentes em alguns subúrbios da capital? Que significarão as iniciais? Grandes Anarquistas Fodidos? Giros, Africanos e Famosos? Gangsta Autonomist Federation? Guerrilha Anti Familia?

2 - Quem são as "Les tetons Baptiste"? As duas ninfetas do porto conhecidas pela elegância dos seus seios? Uma superbanda com membros de outros projectos de vanguarda? Qual é a verdadeira natureza da relação entre as mamas?

3 - É o DJ vaipes o pastor do bairro alto conhecido pelo incansável espalhar da sua palavra?

4 - Qual bater de asas da borboleta em Tokio que provoca uma Tempestade em Los Angeles a conversa da tarde poderá realmente anunciar a insurreição que vêm?

5 - Estarão presentes os personagens que tanto alvoroço causaram na última festa do Spectrum? O Gordinho, o rapaz dos caracóis, a mais situacionista de todas, a Cleopatra, o castor, o marxista sopinha de massa, a morena do Jean Rouch? Dado que a festa termina pelas duas da manhã em que canto obscuro do cais sodré se refugiarão estes animais sofregos de decadência?

Publicado por [Party Program] às 03:09 PM | Comentários (27)

E os autóctones falaram...

luanda_monumento.jpg

… Nós cremos que há raças inferiores, decadentes ou atrasadas, em relação às quais perfilhámos o dever de chamá-las à civilização (…) África está e deve continuar a viver sob o domínio e a direcção de um Estado civilizado. A direcção e a administração do trabalho pertencem, como não tem podido deixar de ser, a reduzidas minorias de europeus (…). Estas missões não podem ser abandonadas às populações autóctones…

(Salazar, 1960, vol. V, p. 427)

Publicado por [Chuckie Egg] às 03:02 PM | Comentários (3)

fevereiro 03, 2009

Onanistas imperfeitos


Só eu é que acho irónico o facto da empresa japonesa que vende máquinas de masturbação «Onacup» se chamar «Kanojo»?
E só a mim ocorre perguntar onde terão sido encontrados os voluntários para os testes de segurança?

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:24 PM | Comentários (5)

Longa Marcha

festamgm.JPG

Antes do festão da esquerdalhada mais aguerrida aqui do Spectrum há - esta quarta-feira - uma festa de angariação de fundos para a Marcha Global da Marijuana.

Bem sei que o tempo está bom é para estar em casinha, mas amanhã passem por lá para contribuir para a causa.

O colectivo de DJ's é de valor, disseram-me.

Publicado por [Saboteur] às 05:35 PM | Comentários (3)

fevereiro 02, 2009

Leonor

Respondendo ao repto do mais situcionista chef de Lisboa, aqui se dá conta dessa personagem legendária do imaginário subversivo, musa inspiradora de ambiciosos projectos de contra-informação, Leonor, que alguns pretendem Gouveia enquanto outros garantem ter sido Sousa.
Começada a revolução portuguesa e como se formasse na região de Portugal um pequeno comité de agitação pró-situ (um nebuloso "Conselho para o desenvolvimento da revolucao social"), mais ou menos formalmente liderado por Afonso Monteiro (esse mesmo que se tornou responsável pela primeira versão estrangeira de "A Sociedade do Espectáculo" considerada «aceitável» pelo seu autor), Guy Debord iniciou com este uma troca de correspondência de oscilante regularidade, acerca das vicissitudes desse processo que acompanhava de longe, assinando «Glaucos» e dirigindo-se a «Ulysses».
A versão inglesa da correspondência de Debord pode ser encontrada aqui .
Falta-me o tempo para expor aqui em pormenor o tom e o conteúdo dessa correspondência, enquadrada aliás por outras cartas dirigidas por Debord a amigos seus espalhados pela Europa e onde são tecidas considerações progressivamente menos simpáticas acerca de Afonso Monteiro e respectivos camaradas. Bastaria aqui referir que pareceu cada vez mais a Debord que a sua célula portuguesa se eximia de intervir quotidianamente no processo revolucionário, se mantinha à margem dos enfrentamentos decisivos que lhe moldavam o ritmo e abstinha-se de assumir no seu seio uma posição autónoma. Monteiro e os seus amigos adoptavam mais a posição de espectadores entusiastas do que de sujeitos activos dos acontecimentos em Portugal. E, fazendo-o, tratavam os textos publicados pela Internacional Situacionista como fonte de citações literárias passíveis de ser declamadas pela rádio e transformadas em matéria morta dos debates culturais.

Até aqui nada de especial e parece que o terrível feitio de Debord em nada retira pertinência às críticas expostas nas suas cartas. Mas algo mais transita nessa correspondência. Algo como um espectro, uma memória longínqua de uma sedução passada, nebulosa mas aparentemente inesquecível. Trata-se de Leonor, figura enigmática da qual Guy-Ernest fez a sua Beatriz. As referências são sempre curtas, subtis. Aqui pergunta-se como está ela, ali refere-se o seu encanto enigmático.
Na primeira carta a Afonso Monteiro, logo a 8 de Maio de 1974, após uma longa análise estratégica da situação e das suas possibilidades, pede-lhe que assegure a «L.» que «ainda a ama» para mais tarde pedir a um amigo francês em Lisboa que lhe comunique que «ainda não esqueceu a sua voz». Tudo isto acaba em Novembro de 1975, quando Debord comunica a Afonso Monteiro o fim do seu interesse em manter aberta a comunicação postal estabelecida desde Abril de 1974. Entre várias apreciações irónicas e críticas acerca do processo revolucionário português e da inabilidade de Monteiro et allii em compreendê-lo e sustentá-lo, surge a nota dramática que ilustra o presumível fim de Leonor: "Para mim e para um número bastante reduzido de outros, pessoas há que merecem ser seguidas até locais distantes, simplesmente porque é possível reconhecer nelas uma certa qualidade de vida possível (e isto é também verdade acerca das revoluções; é necessário fazer por elas tudo aquilo que se pode realmente fazer). E por isso, para dar um exemplo que apenas se adequa às circunstâncias em Portugal, Leonor correspondia a esta definição, pelo menos no que me diz respeito. Mas alguém me informa que ela morreu em Moçambique, o que representa mais uma prova de que nem toda a gente sentiu a necessidade de viver a revolução convosco em Lisboa."

Leonor, essa personagem quase Corto-Maltesiana (qual Louise Brookzowyc que em vez de Buenos Aires dança o tango em Maputo), terá talvez morrido em Moçambique, ou num outro qualquer palco da guerra civil mundial. Mas é também possível que tenha simulado a sua própria morte, como recomendava Maquiavel aos inimigos do Estado, e atravessado o espelho. Como quer tenha sido o seu fim, dificilmente perdoaremos a «Glaucos» a sua distância, a sua recusa em vir a Lisboa, elaborar o seu próprio mapa psico-geográfico de uma cidade tão propicia a semelhantes exercícios. Não sei se a revolução portuguesa merecia tão distinto visitante. Mas Leonor era razão mais do que suficiente para umas horas no Sud Express.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:31 PM | Comentários (9)

fevereiro 01, 2009

A moral e o medo

Já pensei em pintar uns cartazes com "Sócrates é Inocente" e plantar-me na residência oficial do dito. Mas sempre me assalta essa coisa da moral (a puta da moral!): uma tonelada de peso espiritual sobre os meus ombros, vergando a coluna vertebral ao ponto de quase completar uma circunferência perfeita entre as cervicais e o cóccix (sei disto por causa do yoga). E pronto, lá vai pelo cano outra oportunidade de tentar impedir, por todos os meios ao meu dispor, que o Santana seja presidente da Câmara.

Por partes.

De 0 a 10, o meu respeito político por Sócrates é menos que nulo. O meu respeito pelo partido dele é em alguns pontos superior, mas não chega para atingir o zero. Sócrates dá-me náuseas (tenho bulimia político-televisiva, vomito depois do telejornal e sempre que vejo a AR-TV).

Eu não sei se esta coisa do Freeport é, ou não, uma "campanha negra", mas há que pensar no assunto do ponto de vista do "acaso do caraças" ou do "sentido de oportunidade". Penso que, em política, há sempre mais oportunidade do que acasos e o que é certo é que a buçalidade do tio e as pechinchas imobiliárias da mãe desgastaram mais Sócrates do que a oposição. Logo, isto serve a oposição, sobretudo a que, dessa forma, conseguirá dividendos que jamais conseguiria numa batalha eleitoral dita limpinha tal é a semelhança entre a sua líder e Nosferatu, tanto no semblante como na falta de jeito.



Bem, apesar de tudo, o desgaste de Sócrates pode também significar um mal menor se, como tudo indica, a investigação Freeport demorar muito mais tempo e, para evitar o desgaste contínuo até à arena eleitoral, Sócrates convocar antecipadas (ele até queria, para não calhar em cima das autárquicas!): um PS com outro líder, vitória minoritária, com crescimento substancial à sua esquerda e uma direita residual. Como é que isto se consegue? Com um gajo que agrade à esquerda, menos "centrão", para impedir o refluxo para o PCP e BE, mas um gajo "sanado" com a estrutura e nomenclatura partidária (não é cá os Alegres deste mundo!). Ainda assim, um gajo que continue um certo status quo (neo)liberal. Um António Costa (o tipo até é responsável pela redacção da moção que re-elegeria Sócrates líder do PS!).

De 0 a 10, o meu respeito por António Costa é, para aí, 1 (ou 2?). Mas, se tudo até aqui pode e deve soar a futurologia, o que eu sei porque sei é que, se não há Costa e há coligação Santana-Portas, quem ganha é o Santana. E eu, que me sinto mais lisboeta que portuguesa, mais camarária que legislativa, mais Paços do Concelho do que São Bento, sinto vergonha antecipada dos disparates, das megalomanias, das BragaParques, dos Parques Mayers em 6 meses, dos túneis, das campanhas "LIsboa Florida" e outras que tais, dos amores perfeitos na Avenida, de ringues de patinagem no gelo, de rock in rio, de santanetes fúteis a cada esquina autárquica, de administrações de empresas municipais cheias de tios e tias de Caiscais com cartões de crédito sem plafond e prémios de produtividade para os próprios no final dos anos, de BMW à prova de bala, de bairros para pretos e outros para burgueses, porque "não se devem misturar laranjas e bananas na mesma fruteira", de Toy no Padre Cruz para o Padre Cruz não sair de "lá". Que horror, que sofrimento!

Publicado por [Joystick] às 04:11 PM | Comentários (6)