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janeiro 20, 2009

The American Negro

Há no triunfo de Obama uma forte componente cultural e estética que não pode ser esquecida. Se a história oficial coloca a emancipação dos negros da américa numa equação que passa pela sua afirmação na sociedade através do espectáculo e do desporto, voluntariamente ignorando a sua força politica, então Obama é o triunfo desta emancipação "espectacular".

Barack contém em si todos os estereótipos do negro americano presente na indústrica cultural e no imaginário branco. Têm a dignidade tranquila e a resiliência implacável de Morgan Freeman no Driving Miss Daisy, essa postura tão enternecedora e confortável em que vemos que apesar de consciente do racismo da sociedade os descriminados preferem dar passos curtos mas seguros antes de entrarem em politicas perigosas. Têm a elegância e a beleza ao mesmo tempo clássica e exótica de Michael Jordan, o mesmo caminhar gingão, dá-nos a certeza de ser incansavelmente simpático sem ser panhonha. Têm o ritmo retórico do pregador negro messiânico que fala a verdade sem medo de ambiguidades e relativismos, que abnegadamente nunca desiste apesar da crua adversidade porque sabe que tem razão. Têm a mesma saudável e divertida dedicação familiar de Bill Cosby. Têm o mesmo ar blasê e street smart de quando o Jay Z e o Kanye West deixaram de lado os fatos de treino e começaram a usar fatos. Não têm o "fanatismo" "by any means necessary" de Malcom X e Huey Newton.

A caracterização de uma cultura negra enquanto geneticamente apoiada numa autenticidade dionisica não é novidade e foi a base de diversos projectos de emancipação. A Negritude de Senghor tratava de promover a especificidade ritmica e passional negra contrapondo-a ao cinzentismo clássico europeu, foi Fanon que depois contra-argumentou e propôs o terceiro-mundismo. O cliché do negro enquanto mais "autêntico" e mais ligado a vida sâ e pouco neurotizada é a versão de esquerda do racismo que não reconhece a humanidade ao outro. Obama cumpre ainda outro estérotipo, o da superior pujança fisica e sexual dos negros. Será o primeiro presidente americano com uma inegávelmente interessante vida sexual conjugal. Alguém dúvida que que das primeiras coisas que Obama fará hoje à noite será mandar uma queca na casa branca? Ou que pelo menos inconscientemente esse projecto está na cabeça de grande parte dos fãs de Obama?

Publicado por [Party Program] às janeiro 20, 2009 11:56 AM

Comentários

Alguém lhe chamou um dia o "James Bond Africano"

Publicado por [Rex] às janeiro 20, 2009 02:02 PM

Não duvido, PP. A sala oval tem qualquer coisa...

Publicado por [Saboteur] às janeiro 20, 2009 02:29 PM

O facto de ser um negro que não é negro também não é irrelevante.

Publicado por [João] às janeiro 20, 2009 02:44 PM

Outra questão será a do que é um "negro" e o que não é um "negro". Esta afirmação de que Obama não é verdadeiramente "negro" só mostra como a identidade racial é uma construção cultural.

Publicado por [PP] às janeiro 20, 2009 03:15 PM

Fumará um charuto no final?

Publicado por [Rick Dangerous] às janeiro 20, 2009 06:43 PM

«I Don't Wanna Be Called Yo Niga» (Flavor Flav)...

Caetano Veloso, na música «estrangeiro», tem uma boa banda sonora para ilustrar este post: «O macho adulto branco sempre no comando. E o resto ao resto (...). Reconhecer o valor necessário do acto hipócrita, riscar os índios, nada esperar dos pretos».
Este parece ser este o veredicto de pp, que se apressa a hipotecar o valor utópico da eleição de Obama privilegiando esteticizar a política, o que o leva a reificar estereótipos que outros «machos adultos brancos» tinham feito anteriormente. Previsivelmente, Obama será Bush com face humana, e implementará políticas mais sedutoras para fortalecer a hegemonia americana. No entanto, ele não deixa de ser o sinal de uma ilusão (política), demonstrando que é possível riscar o impossível, que as rupturas históricas também acontecem.
pp citou e operacionalizou Fanon, epidermizando a ordem simbólica com estereótipos sobre a «real thing», como se fosse pela falta de fatos de treino (de preferência adidas?) que os «peles negras», Jay Z ou K. West, deixaram de fazer bons álbuns.
Aparte da «elegância e a beleza ao mesmo tempo clássica e exótica de Michael Jordan», o certo é que os «profetas da raiva» - Chucks (D), Gils (Scott Heron), Amiris (Baraka) - não deixaram de utilizar o Jordan Cap, mesmo manufacturado pela nike...

«It's a black thing, you got to understand» pp

Publicado por [blackalicious] às janeiro 20, 2009 07:08 PM

É, também, construção cultural. O próprio Obama disse que quando precisava de apanhar um táxi não tinha dúvidas de que era negro. Isto antes de ser figura mediática, claro.

Publicado por [João] às janeiro 20, 2009 08:30 PM

os juizos de valor que inferes que faço são construções tuas, não há nada ai escrito em que diga que gosto mais dos nwa de fato de treino do que o jay z de fato nem que não fique entusiasmado com o obama.

Publicado por [PP] às janeiro 20, 2009 08:35 PM

Por mais que me custe, também me parece que há ai uma confusão.

"No entanto, ele não deixa de ser o sinal de uma ilusão (política), demonstrando que é possível riscar o impossível, que as rupturas históricas também acontecem."

Qual é a ruptura histórica? a côr da pele? mas também nenhum dos anteriores tinha a mesma altura! "Riscar o impossivel"?!?!?! Não percebi, preciso de explicações.

Apesar de ser do pp, nem está assim tão mau o post, talvez o único defeito seja de estilo, talvez até não.

Publicado por [MoelaDeMascaranhas] às janeiro 20, 2009 11:06 PM

pois, a altura das pessoas tem sido factor de descriminação não só nos famigerados States como em quase todo o mundo. nunca me teria lembrado disso, bravo!

Publicado por [Anónimo] às janeiro 21, 2009 09:23 AM

Nunca foste anão

Publicado por [Anónimo] às janeiro 21, 2009 08:32 PM

Ser preto nos states é factor de descriminação? Não tenho essa ideia. Talvez há uns 40 anos, agora é chic.

Publicado por [MoelaDeMascaranhas] às janeiro 21, 2009 08:34 PM

toda a gente sabe que o poder dá tesão

Publicado por [renegade] às janeiro 22, 2009 02:25 AM

"Ao atingirem os 24 anos, cerca de 40% dos afro-americanos morreram, sumiram, estão na cadeia ou têm subempregos". Se isto não é chic...

Publicado por [João] às janeiro 22, 2009 03:08 PM

não existe maior preconceito racial que a bestialidade sexual dos negros.

Publicado por [Rockthecasbah] às janeiro 22, 2009 05:10 PM

Pra mim vcs todos estao viajando!!!!!!

Publicado por [Marcia] às janeiro 24, 2009 11:24 PM

Uhm... vale a pena ler a opinião do Chomsky na znet acerca do conflito palestina-israel.
Ele analiza de forma bem interessante a posição de Obama.

Deixem-se de filmes. Não é pela cor da pele, sexo, religião ou outro factor qualquer que vai fazer um presidente dos estados unidos deixar de obedecer à banca (que o pôs lá. Vide contribuições do Bush e do Obama... a diferença é pouca).

Passar bem e ver melhor.

R

Publicado por [RJA] às janeiro 28, 2009 07:41 PM

RIGHT ON

Publicado por [Anónimo] às janeiro 30, 2009 12:43 AM

mais que pretinhos gostosos. kkkk

Publicado por [gisele] às novembro 9, 2009 12:53 PM

q pretinhos gostoso!!

Publicado por [gisele] às novembro 9, 2009 12:54 PM

IJWTS wow! Why can't I think of thigns like that?

Publicado por [Della] às maio 25, 2011 11:36 PM

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