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janeiro 19, 2009

São Brás

Depois de ter dado para uns peditórios de intrumentalização partidária das "forças vivas da sociedade", estou cada vez mais criteriosa. Na manifestação frente à embaixada de Israel, tirando a saudável iniciativa do movimento sapatista, era tudo uma farsa, com intervenções escolhidas a dedo, palavras de ordem pré-estabelecidas, moções de "forças vivas da sociedade" que dispensam votações porque, "camaradas, pensamos que podemos considerar a moção aprovada por unanimidade".

No casal de São Brás o poder era uma coisa inventada à medida que se falava sem que isso pudesse significar que o discurso no todo fosse menos hábil ou politicamente desinteressante, pelo contrário: profundamente consciente dos constrangimentos do quotidiano, do desequilíbrio de poder, mesmo num dia menos bom para a polícia, com registos de inclusão e de exclusão, sempre que foram necessários e nos tempos certos.

Da intelectualidade de esquerda ausente em divagações sobre exclusão social ou com medo de não conseguir controlar a moção a aprovar por unanimidade não senti falta. Se isso faria a diferença para o tratamento noticioso da iniciativa, sem dúvida que sim, mais por causa dos defeitos do sistema mediático do que por demérito oratório do Chullage e da "liga democrática dos megafones".

Se senti que, por isso, a perigosa extrema esquerda tomou conta da iniciativa? Nem por sombras, e recordo com romantismo a chacina verbal que os anarco-mignons de passa-montanhas e ray-bans sofreram às custas da sua verborreia burgueso-radical: «se queres partir isto vens cá para a semana, porque quem mora aqui somos nós e tu vais-te embora daqui a bocado e nós é que sofremos as consequências».

Publicado por [Joystick] às janeiro 19, 2009 08:11 PM

Comentários

ainda n percebi esse odio aos anarquistas, tens odio porque foram dos poucos que se solidarizaram??

Publicado por [belchior mas não o rei] às janeiro 19, 2009 10:11 PM

é interessante ver que à falta das instituições partidárias ausentes foram alguns dos anarquistas sem problemas em se defenirem anarquistas que se voluntariaram a prencher esse papel de profissionalização do activismo e tentar forçar a sua perspectiva num local onde era totalmente descabida.

Diga-se no entanto que no bairro da boba na noite anterior à manifestação parece que houve uns quantos agentes da autoridade cuja roupa lhes foi chegada ao pelo sem que tivessem estrebuchado muito.

E não é que esse grande comunicador de massas convocador da manif entre alguns circulos intelectuais ainda nem sequer a acusou?

Publicado por [PP] às janeiro 20, 2009 01:34 AM

Eu não tenho nada contra anarquistas, pelo contrário. O que não me agrada são instrumentalizações. E, sendo certo que o PCP tem o doutoramento da coisa, isso não significa que não haja outros com mestrados. Lições de superioridade moral também não aceito: não tenho ódio a ninguém que se tenha "solidarizado", desde que o tenha feito em solidariedade.

Publicado por [Joystick] às janeiro 20, 2009 03:13 AM

Não foram só os anarquistas que se solidarizaram, caso não tenhas reparado, solidarizou-se a Rubra, Politica Operaria, Ruptura-Fer, Colectivo Mumia Abu Jamal etc

Publicado por [Tó] às janeiro 20, 2009 11:32 AM

Não foram só os anarquistas que se solidarizaram, caso não tenhas reparado, solidarizou-se a Rubra, Politica Operaria, Ruptura-Fer, Colectivo Mumia Abu Jamal etc

Publicado por [Tó] às janeiro 20, 2009 11:33 AM

Esteve uma respresentação bastante significativa do colectivo unitário do Spectrum ;)

Publicado por [Saboteur] às janeiro 20, 2009 12:56 PM

Thanks for sharing. Awlyas good to find a real expert.

Publicado por [Katherine] às maio 26, 2011 08:53 AM

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