« Carlos Vaz Marques entrevista Bruno Aleixo | Entrada | And now, for somethig completly different: »

janeiro 22, 2009

há coisas fantásticas, não há?

Esta proposta do PS de avançar na próxima legislatura com o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é... verdadeiramente fabulástica.

Há três meses votaram contra a constituição que aprovaram e mantiveram a discriminação no Código Civil. Agora dizem que não vão impedir a aprovação do casamento (o que nem sequer é certo) mas recusam-se terminantemente a levantar a discriminação na adopção por homossexuais. Ora, nas minhas contas de merceeiro em questões jurídicas, isto dá o seguinte:

Hipótese: A lei foi aprovada e eu e o meu namorado queremos casar. E casamos. Vivemos mais ou menos felizes durante uns tempos até que um dia o apelo da paternidade é muito forte... Decidimos que queremos adoptar uma criança! Tarde piaste! Não o poderemos fazer porque...estamos casados!!!

Ora, a vontade de ter filhos é demasiado forte. E é algo que não pode esperar dezenas de anos por alterações legislativas que dependem de atrasados mentais agarrados cinicamente ao poder e de gente que acredita em histórias da carochinha contadas num livro escrito há 2000 anos. Vai daí, eu e o meu esposo decidimos tentar a adopção individual. Quer dizer, divorciamo-nos e tanto eu como ele nos apresentamos como potenciais adoptantes singulares.

Mas há um problema! É que não há divórcio que apague o pecado de termos sido casados, marido e marido. A conservatória do registo civil não pode mentir às entidades de adopção que se informam sobre a nossa história pessoal...

Moral da história: o casamento, esse instituto que reivindicamos para a plena igualdade, se exercido, é o mesmo a blindar definitivamente uma outra discriminação de gays e lésbicas para o resto da vida (enquanto a adopção não for legalizada).

Ó Sócrates e capangas - e se fosseis todos fazer broches a cavalos, ã? Gente nojenta.

Publicado por [Renegade] às janeiro 22, 2009 09:40 PM

Comentários

http://rumosnovos.no.sapo.pt/

Publicado por [Anónimo] às janeiro 22, 2009 11:53 PM

olá querido. Tenho andado a chamar a atenção para uma "nuance" deste assunto da adopção, ou pelo contrário, um momento em que este assunto da adopção é uma nuance do complexo família-estado.

Sabes pq é que as fufas vão parir a espanha em vez de ficarem em casa?

Ponto 1: dares o teu semen a um casal amig@ é ilegal (PMA fora de estabelecimento autorizado)
Ponto 2: A conjugue que não é mãe está impedida de adoptar o filho, que tu estás proibido de gerar voluntáriamente nesse sentido (mas não num estabelecimento autorizado, vedado a casais homosexuais).
Ponto 3: Caso o façam ignorando a lei, o nascimento do javardinho vai despoletar um processo policial de averiguação da paternidade (ou ela diz que é uma galdéria e não se lembra com quem dormiu, ou é obrigada a apontar para ti, sem possibilidade de apontar a tutela paternal para a companheira que o vai criar).

É uma questão de suprimir a averiguação policial da paternidade, e isto toca grosso modo a não-rabetas de ambos os sexos.
Fazer igualdade formal (o companheiro heterosexo da mãe tem actualmente liberdade para adoptar os filhos "não genéticos" durante o casamento, sem qualquer averiguação necessária)(quer dizer, verdade biológica não é requisito nenhum actualmente, mas uma vinculação a ambos os sexos).
É esta "alínia" que rege o modelo da adopção. A adopção não é nenhum assunto por si mesmo (apesar do vício de pensar sempre em pichas, nos direitos das pichas e nos desvarios das pichas)


Publicado por [gudrum] às janeiro 26, 2009 12:45 PM

got it, gudrum. faz todo o sentido. tudo isto é ultrajante e eu cá vou aprendendo.
mas então, onde andam @s feministas da nossa praça? por que é que isso tem que ser um apêndice das lutas d@s rabetas com que as senhoras e senhores sérios não sujam as mãos?

Publicado por [renegade] às janeiro 28, 2009 10:46 PM

Fodasssse renegADE.

Publicado por [qUE tÃO pOYUCO TIU!] às janeiro 30, 2009 12:34 AM

Eso es ultrajante, sobre todo por que hay tantos niños que crecen en instituciones, no por no haber quien los quiera, homo o hetero, en pareja o solteros, pero por que las burocracias que dicen tener sus intereses (de los niños, veamos!) en 1er lugar así lo determinan.
Lamentable, de hecho, en dos payses que se quieren desarrollados y de la Europa del siglo XXI.

Publicado por [mejores fuentes sobre casinos en linea] às julho 20, 2009 01:23 PM

What a joy to find such clear thinking. Thanks for ptsonig!

Publicado por [Jolyn] às maio 26, 2011 01:09 AM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)