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janeiro 13, 2009

A outra face não

O sectarismo é uma tentação demasiado irresistível quando falo do Daniel Oliveira para poder resistir. Este e o Rui Tavares tentaram transformar um debate sobre a(s) revolta(s) na Grécia numa extensão da discussão sobre a violência no combate político. A leviandade dos argumentos – travando o debate como se fosse na tribuna pública do “Eixo do mal” - disfarçada pela convicção esforçada não esconde as banalidades transformadas em grandes verdades políticas. O conceito de violência de Daniel Oliveira baseia-se na capacidade/possibilidade de impor medo, escamoteando qualquer utilização da violência em contextos de resistência ou de confrontação com um inimigo que utiliza as mais sofisticadas tecnologias repressivas. Provavelmente porque Oliveira vê a Política como um jogo onde adversários disputam o Poder e não como uma transversalidade da realidade em que a disposição do Poder implica confrontação (violenta ou pacífica) no sentido de diminuir a efectividade e/ou destruir os aparelhos de repressão. A resposta parece emergir de uma qualquer nebulosa criativa, de práticas que Daniel Oliveira nunca explica quando de forma maniqueísta diferencia violência e criatividade e, também, inteligência e violência. As banalidades não são menos inócuas quando repetidas convictamente. As práticas marginais ao Estado de Direito parecem ser a besta negra de Daniel Oliveira, talvez porque, ao contrário dos que lutam na Grécia, em Oaxaca ou no Nepal, não vê construção política e disposição do Poder para além do Estado. Parece ser sempre um problema de governamentalidade.

Publicado por ["Paco" Menéndez] às janeiro 13, 2009 11:15 PM

Comentários

Nem mais!

Essa questão do Dany ser da situação, ele próprio o disse:
- Os fins não justificam os meios, os meios SÃO os propios fins.
Reparem na subtileza, não se trata de colocar os FINS nos proprios MEIOS, mas afirmar os MEIOS (a situação) como os FINS.

Publicado por [MoelaDeMascaranhas] às janeiro 14, 2009 12:03 AM

Tá postado mais a baixo, mas parece-me que o debate vai ser AQUI! e VIVA o SPECTRUM!

O debate que nunca o foi,

ESTOU FARTO, destes debates que são conferências.
ESTOU FARTO, da posição das cadeiras que estabelece uns como publico e outros como palanque. Como paineleiros!
ESTOU FARTO, que alguns possam falar, falar, falar, como na TV e outras chamados de malcriados por dizerem "piu".
ESTOU FARTO, de inscrições.
ESTOU FARTO, de tentar fazer resumos sobre algo que foi dito á 20 minutos atrás e que ninguém se lembra.
ESTOU FARTO, de moderadores (apesar do Ze Neves, Graças a Deus, ter sido muito pouco interveniente, e já agora com as perguntas mais interessantes.
ESTOU FARTO, de ir tentar perceber as opiniões dos "espectadores" e sair das conferências com as opiniões que já sabia que os paneleiros tinham.
ESTOU FARTO, de chamarem democracia á paineleirocracia.
ESTOU FARTO, QUE NINGUÉM QUE INTERESAVA OUVIR FALE.E TODOS OS QUE NÃO FALAM CONTINUEM CALADOS.

PS:
O Dany adora o spectrum, acha chic, depois de ter ouvido o mario soares falar do Appel. Esteve cheio de contradições que não poderam ser reveladas, porque nada pode ser revelado numa conferencia destas. O puto Rui, mais sólido mas errado. O noronha que tinha razão FOI PAPADO, tanta vaidade no noronha, quanta a vontade de ser igual á merda. O Zé Neves o melhor, o outro, ridículo. É pena.

Publicado por [RunhoViscupal] às janeiro 14, 2009 12:06 AM

Errata,

Onde está:
mas afirmar os MEIOS (a situação)
Deverá ser:
mas afirmar os MEIOS (os meios da situação, o sistema representativo, a democracia, a merda, a situação)

Publicado por [MoelaDeMascaranhas] às janeiro 14, 2009 12:23 AM

o meu comentário do jogo é o seguinte: Faltou logo ao inicio uma diferenciação entre a violência de grupos armados clandestinos e a de "rua", o zé neves atentou nisso mas só no final.

O daniel foi o daniel sem grandes surpresas, apesar de se queixar do anonimato dos amotinados conseguia claramente distinguir o género deles, afirmou também que é normal que em grupos que recorrem à violência se transponha a violência para o seu seio. Continuo a achar que a experiência de contacto que o daniel tem com qualquer experiência deste tipo seja pouco mais do que nula, aliás admitiu no inicio não ter lido mais do que uns artigos e do que saiu nos media, duvido que tenha tido algum contacto com o discurso produzido pelo movimento. Pessoalmente posso dizer que em qualquer assembleia em que tenha estado em que a destruição de propriedade privada estava dentro do reportório haveria pelo menos tantas mulheres como homens, o mesmo não se poderá dizer da mesa que esteve hoje a discutir, do mesmo modo, não encontrei mais violência entre os integrantes desses grupos do que em qualquer outro, nem sequer em situações sociais já tardias e alteradas. Teve o seu momento de ouro quando disse para uma moça da última fila que tinha imensa confiança na geração dela e que conhecia muitos jovens combativos.

O rui tavares esteve bastante melhor e mais pertinente do que o seu companheiro de posição ainda que por uma linha de argumentação que por vezes roçava o teológico. soube posicionar alguma da problemática da questão no sitio certo. Demonstrava igualmente uma relativa ignorância sobre a estrutura deste(s) movimento(s) e sobre o esqueleto da situação. A abstractização do tema permitiu que levasse a discussão para um terreno filosófico algo movediço. Ambos acusaram a estetização da violência enquanto algo criador de hierarquias e de uma militarização necessariamente autoritária. Faltou alguma vergonha na cara que permitisse assumir a estetização do intelectual que o zé neves justamente referiu: a facilidade retórica que por mais vazia e superficial que seja permite que gente como o daniel seja convidade para falar em diversos sitios sem que nunca tenha nada mais que dizer do que banalidades e lugares comuns sobre assuntos que pouco ou nada domina. È de facto algo a ser considerado o que é que faz com que umas pessoas, eu incluido, fiquem ali caladas a ouvir calinadas gigantescas (será timidez, será alguma interiorização de hierarquias absurdas, será medo do ridiculo) e outras se predisponham a mandar postas de pescada sobre tudo e mais alguma coisa.

O Nuno Tito esteve ali nem carne nem peixe a declamar melhor ou pior as suas últimas leituras, interessantes e pertinentes sem dúvida mas não bastavam para o propor enquanto alguém colocado à esquerda do moderador a fazer número com o nosso rapaz.

O Ricardo falou bastante menos do que os outros, é pena porque simpatias pessoais ou politicas à parte era o único que sabia do que falava e que não entrava nesse engodo da retórica pescadinha de rabo na boca. Por estar algo isolado na sua posição adoptou uma postura mais defensiva do que outros mas em geral gostei de o ouvir e dado o limitado do tempo e do reportório conceptual e experiencial comum passivel de ser capitalizado soube argumentar e cortar caminho com destreza e celeridade ainda que domine pior, e felizmente, essa retórica cretina de quem fala na televisão e gosta de sublinhar a última silaba das palavras como se fosse isso que lhe aferisse razão

O zé neves esmerou-se nos seus esforços gestuais de conter a exaltação de determinada audiência e recordou dois ou três pontos fulcrais já quase no fim, no entanto sem arriscar molhar muito o pézinho.

Em geral foi tépido, esperava algo mais do que o porreirismo omnipresente. Quanto à frustação relativamente ao modo do debate, expressa ai em cima, ninguém pode esperar ver dança contemporanea quando vai ao circo chen, é igualmente ingénuo esperar que uns quantos intelectuais profissionais consigam repropor de modo interessante um enriquecimento teórico que parta de um confronto de ideias.

conclusões finais: o daniel é o daniel, o rui é perigoso, o nuno nem sei bem o que lhe diga, o ricardo que tenha calma.

Publicado por [PP] às janeiro 14, 2009 01:42 AM

Se forem amanhã ao debate sobre anarquismos do Le Monde Diplo façam um relato também. Este sim deve ser interessante a julgar pelas sensibilidades presentes, especialmente o que terá o Júlio Henriques a dizer.

Publicado por [mescalero] às janeiro 14, 2009 12:47 PM

Adriano, se te apetece estar noutro tipo de debates organiza outro tipo de debates. Se queres saber a opinião de outras pessoas, pergunta-lhes a sua opinião. O que parece ligeiramente esquizofrénico é não perderes nenhum dos debates dos quais estás alegadamente farto.
Já agora, parece-me que não gostas de inscrições porque isso te faz perder a oportunidade de interromper constantemente as pessoas com quem estás a falar, para iniciar longos monólogos cheios de lugares comuns e citações presunçosas.
Acho que até tu saberás que a homofobia é uma forma repugnante de lidar com a tua própria insegurança.
Caro Party Program, obrigado pelos conselhos. Vou ter calma. Quanto ao repertório televisivo, acho que ficou claro o que dele me distancia, na postura como nas motivações. Nunca me passaria pela cabeça falar o dobro do tempo dos outros intervenientes, pedir para lhes responder depois das suas intervenções, interrompê-los e dividir posições políticas entre inteligentes (as minhas) e não inteligentes (as dos outros).
Sempre que o debate saiu do domínio da moral e das generalizações psicológicas para entrar no domínio da história e da política, pareceu-me claro quais eram os argumentos mais sólidos.
Não há nada a «ganhar» num debate como o de 3ª Feira, a não ser a possibilidade de que ele resulte em mais debates. Admitir o contrário equivaleria a ser sugado pela lógica que domina o debate público - leia-se mediático - em Portugal: uma versão intelectual do «Quem quer ser milionário».

Publicado por [Ricardo Noronha] às janeiro 15, 2009 03:52 PM

"interromper constantemente as pessoas com quem estás a falar, para iniciar longos monólogos cheios de lugares comuns e citações presunçosas.
"

fodasssse

EMO!EMO!EMO!EMO!

"Acho que até tu saberás que a homofobia é uma forma repugnante de lidar com a tua própria insegurança."

Desculpa, mas não tinha a minima ideia que eras paneleiro, foi sem intenção, dantes até tinhas namorada nunca pensei.Isso da homofobia eu não sei nada, eu só acho é que quem gosta de esgoto é perfeitura!

Publicado por [GrunhoBiscopal] às janeiro 15, 2009 06:54 PM

Se o Sá Fernandes roubava carros, tu Noronha, és um betinho. O teu mal (para além dos nervos) é fazeres o jogo deles. Então vens com conversas de prejuízos e merdas parecidas (200 000 000) para justificar as coisas na grécia (BPN 750 000 000), ou metes-te a jeito com a cena do barco e tal. Não estavas minimamente preparado. Muniste-te um conjunto de factos soltos e sobretudo factos típicos da situação, números dados mortos, para isso estavam lá os outros dois, então e o orgasmo? e a violência como expressão da vida? e a divisão clara e á cabeça entre violência e guerra? para que serve a policia? etc etc tiveste sofrível pá, o melhor foi o arbitro. Mas isso acontece e eu gosto de ti na mesma.
Mas atenção pá e quando eu e o pp "concordamos na genaralidade" alguma coisa se passa.

Publicado por [Adriano] às janeiro 15, 2009 07:21 PM

PS: Eu gosto de ir aos debates para poder dizer mal de ti com propriedade.

Publicado por [Anónimo] às janeiro 15, 2009 07:31 PM

Touchdown! That's a raelly cool way of putting it!

Publicado por [Disney] às setembro 30, 2011 07:35 PM

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