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setembro 30, 2008

Oopss...

Com toda esta conversa acerca das casas da Câmara Municipal de Lisboa, ainda alguém se vai lembrar da residência universitária da Baixa, repartida entre militantes da JS e da JCP, mais a filha do João Soares e os seus amigos, em vésperas das eleições de 1997. Certo Renegade?
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Publicado por [Rick Dangerous] às 11:08 PM | Comentários (6)

O PNR, a Confederação Hermética e a resposta do Spectrum

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Em resposta ao novo cartaz dos faxos, uma cópia quase exacta dos cartazes anti-imigração de um partido suiço, e embora ainda tenha esperança que sigam o exemplo do austríaco e se suicidem todos num buraco longe da minha vista, aproveito para recomendar este post escrito por um amigo cuja tese de mestrado incide bastante sobre o tema, assim como apelo à mobilização das massas e tintas no sentido de livrarmos a cidade de alguma poluição visual que aí vem.
Para já aqui fica a foto do ogre nacionalista suiço que os membros do PNR têm na parede para baterem uma pela manhã e o cartaz-resposta da oposição na suiça. Ah, e também quero aproveitar para celebrar tardiamente a derrota no referendo helvético que propunha as naturalizações "democráticas" sobre as quais espero que o meu comentador favorito, Gianluca Raglione, se pronuncie. Assim como gostava de perceber qual é a solução proposta pelos faxos para os milhões de portugueses que andam a "roubar empregos" aos nacionalistas suiços, franceses, alemães, etc...Voltaremos ao tema.
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Publicado por [Chuckie Egg] às 02:31 PM | Comentários (4)

Eurocentrismo v.s. Direitos dos animais

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Publicado por [Chuckie Egg] às 10:09 AM | Comentários (1)

setembro 29, 2008

Novos Dólares

Para fazer face à falta de liquidez dos mercados, mesmo correndo o risco de uma acentuada desvalorização do Dólar, a Reserva Federal dos Estados Unidos, mandou imprimir mais moeda.

As máquinas estão a todo o vapor!

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Publicado por [Saboteur] às 06:54 PM | Comentários (1)

No love lost

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Publicado por [Rick Dangerous] às 03:29 PM | Comentários (7)

Cool hand Luke


You can run on for a long time
Run on for a long time
Go tell that long tongue liar
Go and tell that midnight rider
Tell the rambler, the gambler, the back biter
Tell 'em that God's gonna cut you down

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:43 PM | Comentários (1)

Não há coincidências

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Estava nesta festa em que se encontraram 2 pessoas que não se conheciam mas que descobriram que tinham comprado ambos, pela net, um álbum de edição limitada (100 exemplares, 300 USD cada), de uma banda de Detroit chamada ADULT.

Ao que parece, só foram vendidos 75 álbuns destes em todo o mundo e haviam 2 desses 75 que estavam ali, naquele apartamento em Chelas.

Qual é a probabilidade de isto acontecer?

Bem, motivado pela coincidência, tive de ir investigar e fiquei satisfeito com a descoberta.

Publicado por [Saboteur] às 12:59 AM | Comentários (2)

setembro 27, 2008

A segunda vez que votei

Quem tenha estado alguma vez envolvido em qualquer sub/contracultura sabe que acaba por chegar um momento em que as suas subjectivídades culturais ou desaparecem ou são absorvidas pelo mainstream. Normalmente o segundo processo é acompanhado por um clamor critico que acusa os que tenham triunfado segundo as regras hegemónicas de se terem vendido, de terem prostituido a sua criatividade à indústria cultural, de terem sacrificado a sua integridade ao capital. Por quanto sejam pertinentes as questões, na cena hardcore de onde vêm os vicious 5 essa discussão sempre assumiu contornos ridículos e puristas, tendo sido preocupações mais rituais do que criticas, e pouco relevantes para quem tenha um minimo de bom senso.

Pessoalmente a música dos vicious 5 diz-me pouco sem que me desgoste ou incomode, parece-me, como inúmeros outros grupos, uma versão portuguesa de X, Y e Z e acho que os vicious 5 sempre encarnaram voluntariamente o seu papel de serem os primeiros a estrear em Lisboa as modas de fora, algo que é comum confundir com criatividade. Qualquer um dos projectos paralelos dos membros da banda me parece infinitamente mais interessante do que esta: CAVEIRA é das duas únicas bandas portuguesas das quais gostei realmente, a par com Pee Wee Montana, O Xinobi detrás dos pratos é brutal e mesmo The Youths ma parece fixe, mas isso porque sempre tive um certo prurido com o imaginário dos vicious 5.

Aqui há meia dúzia de anos as cerca de 150 pessoas que formavam a cena hardcore perceberam que no estrangeiro os seus congéneres já não adoptavam os mesmos códigos estéticos que eles e de um mês para o outro estas 150 pessoas mudaram radicalmente de estilo. Entre as substituições feitas foi a troca dos livros que liam: se antes os livros que recomendavam entre eles eram clássicos como os livros do Osho e o asqueroso “A profecia celestina” agora, graças à celeridade da amazon.com, todos fingiam ler “A Sociedade do Espectáculo” e o muito mais digerível “Tratado do saber viver blah blah blah” do Vaneigem. De repente toda a gente era subversiva e insurrecional, pro-situ e pantera negra honorária, claro que aparte de formar colectivos pro-situs de qualidade muito discutível e duração ainda mais curta, daqui não saiu nada de minimamente relevante. Excepto os Vicious 5.

Os Vicious 5 são gajos porreiros, alguns são amigos, outros meros conhecidos sem que isso implique qualquer hostilidade, um deles fundou comigo a primeira célula insurrecional em que estive envolvido, o já distante “caminho de ferro”. Mas quando saem entrevistas em que afirmam que os vicious 5 nasceram nas “festas subversivas das okupas de lisboa” toda a gente que alguma vez tenha estado numa festa subversiva numa okupa em lisboa ri-se porque nunca viu ninguém dos vicious 5 lá, quando dizem que o som deles é o som das ruas selvagens de lisboa ou coisas do género fica-se a pensar que ruas selvagens serão essas...evoca um tipo de vaidade voluntariamente quixotesca em que se confunde o lux com o Forte Prenestino e o burburinho do bairro alto com as barricadas do quartier latin.

No entanto eu espero sinceramente que ganhem o prémio da MTV e que isso lhes permita sobreviver sem ter que trabalhar em call-centers. É também irónico, e dai talvez não, que a primeira vez que apele ao voto na minha vida seja para as eleições da MTV.

Vota nos V5 (seguir o link, carregar no "vota", a seguir no "best portuguese act", os vicious 5 são os rapazes com os óculos escuros guays, podem votar as vezes que quiserem)

Publicado por [Party Program] às 01:22 PM | Comentários (23)

O 207 já chegou atrasado aos Fetais...

Publicado por [Saboteur] às 12:26 PM | Comentários (1)

setembro 26, 2008

As pomadas da Bruni - um case-study sobre os microfones direccionais na era do meter a pata na poça

Publicado por [Chuckie Egg] às 02:15 PM | Comentários (4)

O caso dos Azulejos de Maria Keil – Um case study sobre a sociedade de informação na era da www

Já receberam um mail de indignação com a destruição dos azulejos de Maria Keil por parte do Metro, não foi? E esquerdalhos como são, com certeza que reencaminharam para os vossos endereços de mail e com certeza que fizeram um postzinho no vosso blog, contra a Administração do Metro, o Governo, o ministro da cultura e a Câmara…

Quem leu os vossos mails e blogs, comentou e indignou-se ainda mais, criando uma imparável bola de neve, que ninguém sabe onde começou, como é habitual nestes casos.

Ora, aconteceu que neste caso é diferente: “quem começou” foi uma camarada nossa – a Júlia – que vem agora esclarecer que o post inicial dela foi só para relembrar, a pretexto do aniversário da artista, uma polémica que tinha havido há anos, quando das obras na estação dos restauradores, e que na altura o assunto foi sanado e ultrapassado.

Este caso vai continuar. Ainda ontem, Helena Roseta, apresentou na Câmara uma moção a exigir do Metro e do Município, não sei o quê… Nas eleições autárquicas de 2009 falar-se-á, com toda a certeza, dos azulejos e o Santana ou o Seara, chorarão lágrimas de crocodilo pelo património perdido.

No entanto, alguns frequentadores da blogosfera saberão mais… aliás, como sempre ;)


Publicado por [Saboteur] às 07:00 AM | Comentários (7)

setembro 25, 2008

Você deixaria o seu filho sair com esta rapariga?

Luciana Abreu brinca contigo nas manhãs de fim-de-semana!

LUCY também nos vai apresentar os pequenos grandes heróis do nosso país. Rapazes e raparigas que, num dado momento das suas vidas tiveram a força e a coragem para ser protagonista de um acto realmente heróico. Serão emocionantes experiências de vida contadas por quem as viveu.

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:40 PM | Comentários (14)

Horóscopos para os militantes extra-parlamentares.

(Este Horóscopo passará a sair regularmente numa nova publicação online)

Semana de 28/09 a 05/10.

Carneiro
tornou-se cliché na produção teórica da nova esquerda afirmar que não se quer tomar o palácio de inverno, mas para si carneiro nesta semana trata-se exactamente de assaltar o palácio de inverno e reclamar o que é justamente seu, sem medos a ferir susceptibilidades de ex-militantes de partidos politicos. Na saúde coma conquilhas.

Gémeos
Esta semana para gémeos é só gandas circos e gandas leilões. Andamentos brutos e muitos despertares de boca seca a saber a cinzeiro. Pode intensificar-se no final da semana uma certa sensação de vazio, marcada pela consciência de que vomitar todos os dias de manhã sem carregar uma nova vida e adormecer todas as noites a ver os concursos de palavras que a SIC passa às cinco da manhã afinal não é sinónimo de uma existência sem tempos mortos. Na saúde coma ducheses.

Touro
Problemas do seu passado que pensava resolvidos voltam para atormentar o seu grupo de afinidade. Recorde que a história se repete: a primeira vez enquanto tragédia e a segunda enquanto farsa, mas não deixe que tal turbe completamente o seu juizo e coragem nas mudanças. Receberá propostas interessantes nas suas trocas alheias ao fluxo de capital. Na saúde coma puré.

Caranguejo
Caranguejo descurou nas semanas anteriores a sua higiene pessoal e os companheiros de tasca começam a reparar. Ainda que a higiene seja claramente um valor pequeno-burguês Caranguejo necesita de um pouco mais de amor próprio nesta semana. Possibilidade de receber uma prenda. Na saúde coma açorda.

Leão
Leão necesita de aprender a conjugar a sua necessidade de protagonismo no movimento com os interesses deste alheios ao seu gigantesco ego. Resolva de uma vez por todas contas do passado mas evite-o em situação de assembleia. Boa semana para viagens e reencontros. Convide alguém a passear. Na saúde coma pipis.

Virgem
A sua ingenuidade há muito que deixou de ser engraçada. Resolva problemas com alguém bebendo muito e discutindo de modo absurdamente bruto e franco os piores defeitos de cada um. Quando a tasca fechar e o bairro alto também pequeno-almoce no cacau da ribeira. Despeça-se com um abraço e uma piadola e apanhe a carreira da noite para casa sozinho. Na saúde coma bifana.

Balança
Esta semana vai andar estupidamente feliz e tranquilo. Tal provocará algum asco entre os seus amigos de sempre a braços com questões emocionais e existenciais avultadas. Na saúde coma merda.

Escorpião
Tal como nós jamais esqueceremos Krondstadt algumas pessoas jamais esquecerão o seu comportamento nas últimas semanas. A única redenção possivel passa por uma auto-critica profunda num dos diversos momentos sociais do movimento, acompanhada por pedidos de desculpa personalizados marcados por elogios. Na saúde coma pão.

Sargitário
A revolução começa dentro de cada um mas já ninguém tem paciência para as suas estratégias de evolução pessoal nem para o seu pseudo-budismo de cosmopolitan. Possibilidade de nova ocupação, provavelmente a escrever recensões no Le Monde Diplomatique. Na saúde coma bitoques.

Capricórnio
a capricórnio não lhe sucede nada de especial esta semana, tal como não sucedeu na passada e como não sucederá nas vindouras. Continuará um cretino insensivel aos sentimentos dos outros sem que isso lhe traga sequer um segundo de felicidade ou proveito pessoal. Na saúde coma com talheres.

Aquário
Semana bacana. Cenas ssebem memo. Menos aquelas cenas que é naquela. Aí ssemal. Mas tásse bem. Na saúde coma pudins.

Peixes
A sua semana revelará questões estruturais desterritorializadas sem perspectivas de uma autonomia eventualmente imanente. A potencialidade emancipatória do seu devir-máquina não será concretizada apesar da sua mobilidade perplexa ante as semânticas do exequivel. Na saúde coma jaquinzinhos.

Publicado por [Party Program] às 03:55 PM | Comentários (5)

clube dos Pensadores

Fiquei estupefacto com este massacre , num país com um dos mais altos níveis de vida . Conheço a Finlândia e um dos poucos defeitos que noto nesta sociedade , como é proibido beber à semana , ao fim-de-semana as bebedeiras são muitas , ver alguém caído na rua porque bebeu até perder a consciência é normalíssimo.
A criminalidade relacionada com assaltos ou os chamados colarinhos brancos , tão comum em Portugal é praticamente inexistente. As pessoas deixam as portas abertas e as bicicletas sem cadeado e nada acontece.

Joaquim Jorge

Ao fim-de-semana, é comum ver alguém caído na rua, porque bebeu até perder a consciência." (...) A segunda diferença entre Portugal e a Finlândia é que a criminalidade relacionada com assaltos ou os chamados "crimes de colarinho branco" é praticamente inexistente. "Não se vê violência gratuita, em que um indivíduo vai na rua e corre o risco de ser assaltado", diz Demony. Em Helsínquia, "as pessoas deixam as portas de casa abertas e as bicicletas na rua, sem cadeado", reforça Esteves.

Público 24/09/2008

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Publicado por [Chuckie Egg] às 09:36 AM | Comentários (3)

setembro 24, 2008

A liberdade está a passar por aqui...

Como temos fama de ser um "blog esquerdista", cá fica esta sugestão esquerdista de consumo alternativo, retirado de um "site esquerdista americano" - adbusters.org

Deitem fora os vossos nike ou os adidas e comprem os vossos BLACKSPOT SNEAKERS - «World's most ethical shoes»

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Esta página do site explica tudo sobre os vossos futuros novos ténis, nomeadamente, sobre as maravilhas da "fábrica-modelo", «located in a rural region of Portugal called Felgueiras.»

Tirando a questão do horário de trabalho, que tem o senão ultrapassar as horas permitidas por lei, visto que «The work day is from 8 a.m. to 6 p.m., with 1 1/2 hours for lunch (no coffee breaks)», tudo parece correr bem em Felgueiras, onde os trabalhadores “são vistos a passear pelas vinhas e pelos olivais, acenando para os seus vizinhos e patrões, quando passam por eles” (tradução minha).

Quanto a salários, “Os operários recebem entre 420 e 700 Euros por mês, dependendo das suas funções e antiguidade. Adicionalmente ao seu salário base, os trabalhadores recebem 25 dias de férias mais dois meses extra de salário por cada ano”.

Fantástico, não é? E só por 90 Dólares.

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Publicado por [Saboteur] às 11:25 PM | Comentários (10)

Pacheco crítico de Pacheco


"O que se passa é que o Governo do PS convive muito mal com a existência de entidades reguladoras, em particular quando elas lhe retiram a possibilidade de manipular os preços em períodos pré-eleitorais.
O ataque à regulação é mais do que um ataque à regulação - é um ataque à liberalização dos mercados que essas entidades são suposto regularem."

Pacheco Pereira, Público de 20 de Setembro de 2008
"Estas oscilações de humor, de quem foi apanhado com a mão na massa, dizem-nos muito mais sobre a RTP do que qualquer relatório da ERC, que passa ao lado destas coisas, diluídas que são em estatísticas inócuas.
José Alberto Carvalho, por quem eu tenho consideração pessoal que não vem ao caso, diz que não tem que responder ao "político" porque "já tenho 13 entidades às quais respondo". [...]
É que, para além das 13 entidades, a RTP que é paga por mim, tem que me responder a mim e a muito mais gente.[...]
Neste momento o descaramento destes noticiários da RTP é tal, que justificava medidas quer da oposição, quer do Presidente (de forma discreta aliás) , já que aqui a regulação não nos defende."

Pacheco Pereira, às 13h22 de 23/09/2008

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:43 PM | Comentários (0)

Pangloss alastrante


"Naturalmente, como muita gente acha, os "mercados" são maus e injustos, esquecendo-se que são os mercados que estão a acabar com o Lehman Brothers e bem, que são os mercados que estão a fazer aquilo que autores clássicos da economia liberal como Schumpeter sempre disseram que faziam, destruir, que a destruição provocada pelas crises é um mecanismo fundamental de crescimento e de inovação, de pujança do modelo económico do capitalismo. A "crise" não é o sinal da crise do liberalismo, mas sim do seu normal funcionamento, em sociedades e economias que incorporam o risco e os custos como parte do seu funcionamento normal, das regras do jogo dessa mão que Adam Smith dizia ser "invisível".É o capitalismo cruel? Pois é, como a vida."

Pacheco Pereira, parafraseando António Guterres e Adam Smith no mesmo parágrafo.

"Não seria difícil recriar, hoje em dia, a personagem do gestor Pangloss ou do político Pangloss. A tua empresa faliu e foste despedido? Isso é estupendo, porque o mercado se liberta espontaneamente das ineficiências. Os bancos deram cabo do jogo? É a purga necessária após um período de exuberância. Houve gente que perdeu casas, seguros de saúde, pensões de reforma? Wunderbar! Tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis. Estás a morrer de uma infecção generalizada? Sim, mas repara que as bactérias gozam de excelente saúde. Pela mesma lógica, também o terramoto de 1755 foi só um ajustamento das placas tectónicas."

Rui Tavares, pedindo-lhe para ter juízo

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:31 PM | Comentários (1)

Copia e envia aos deputados - uma campanha da ILGA portugal


Proposta de texto para e-mail

No próximo dia 10 de Outubro, a Assembleia da República será chamada a votar projectos que estabelecem finalmente a igualdade no acesso ao casamento.

Esta é uma questão de direitos fundamentais, é uma questão de cidadania, é uma questão que determina a qualidade da nossa democracia. Trata-se de acabar com a humilhação de muitas mulheres e muitos homens que são ainda discriminadas/os na própria lei por causa da sua orientação sexual. Trata-se de afirmar finalmente que gays e lésbicas não são cidadãos e cidadãs de segunda.

A Assembleia da República terá finalmente a oportunidade de afirmar o seu empenho nesta luta pela igualdade e pela liberdade – e a oportunidade de contribuir de forma particularmente simples para a felicidade de muitas pessoas.

O fim da exclusão de gays e lésbicas no acesso ao casamento consegue-se com uma pequena alteração no texto de uma lei, que não implica custos nem afecta a liberdade de outras pessoas. Porém, será um enorme passo no sentido da igualdade e contra a discriminação. E como demonstraram as discussões sobre o voto para as mulheres ou sobre o fim do apartheid racista na África do Sul, o preconceito que existe na sociedade não pode nunca justificar a negação de direitos fundamentais. Pelo contrário, votar contra a igualdade é legitimar e encorajar a discriminação.

Esta votação representa por isso uma enorme responsabilidade, pelas implicações que terá no reforço ou na recusa do preconceito.

Porque recuso a discriminação na lei portuguesa e porque esta é a oportunidade de repor a justiça e cumprir o princípio constitucional da igualdade, seguirei com atenção esta votação - e apelo ao voto favorável de todos os membros deste Grupo Parlamentar e à defesa intransigente da igualdade no próximo dia 10 de Outubro.


Endereços de email dos grupos parlamentares:

blocoar@ar.parlamento.pt, gp_pcp@pcp.parlamento.pt, gp_pev@ar.parlamento.pt, gp_pp@pp.parlamento.pt, gp_ps@ps.parlamento.pt, gp_psd@psd.parlamento.pt

Publicado por [Renegade] às 01:02 PM | Comentários (2)

setembro 23, 2008

Cereais e Leite

"Como sabes ainda não recebi o ordenado. Imagina o que é não ter nada no fim do mês. O fim-de semana está à porta e tenho de ir às compras para a casa. Já não tenho peixe nem carne fazer almoço e jantar. Esta semana apenas comi cereais e leite. Não aguento mais esta miséria. Como te disse na mensagem tive que pedir dinheiro emprestado aos meus amigos, para não entrar em incumprimento com o Banco."

Enganados e sem nada, blog dos trabalhadores da Capepresso (Maia).

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:29 PM | Comentários (2)

setembro 22, 2008

Fragmentos de uma viagem - Palestina

Nunca uma experiência vivida me foi tão difícil de descrever. Sem dúvida porque para além do contexto político e social da ocupação israelita actual nos territórios palestinianos, existe uma história de sofrimento com mais de 60 anos em toda a região, que não se apressa a terminar nos tempos vindouros.
Fui à Palestina três semanas como “electrão livre”. Tive a possibilidade de conhecer mais ou menos a totalidade da região, exceptuando Gaza, uma vez que possuo vários contactos próximos tanto de um lado como do outro do muro. Estas pessoas encontram-se separadas por este obstáculo, o que não obsta apesar de tudo a partilha de uma mesma luta e das mesmas aspirações para a sua terra natal: um Estado de Direito e de Igualdade entre cidadãos. Situo-me nesta visão, acreditando e insistindo na existência actual de uma entidade opressora e uma outra oprimida, facto que não deixarei de imputar nos parágrafos seguintes.
Na entrada para a Cisjordânia através da fronteira jordana, oito horas me esperavam de controlo israelita com todo um rol de questões e intimidações. O meu visto sírio e sobretudo o libanês não ajudaram à rapidez do processo, mas a mensagem foi clara: bem vinda ao inferno da terra sagrada!
O meu primeiro destino era Nablus. À minha chegada, no interior da Cisjordânia, não somente experimentei um mas três check points, sobre os quais já tinha bastante ouvido falar mas que nunca o meu cérebro ousara produzir uma imagem aproximativa até que os meus olhos a alcançassem. Subitamente, algumas questões me interpelaram e acompanharam durante o resto da minha estadia, nomeadamente sobre o papel do estrangeiro nesta região (fora de grupos parlamentares ou de ONG’s).
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Nablus (+ - 21 horas)

A antiga cidade de Nablus, a sua beleza arquitectónica, o seu souk e a sua paisagem ao redor deixam-nos adivinhar que um passado próspero reinava nesta cidade. O olhar minucioso, a discussão com as pessoas e a experiência quotidiana levam-nos ao invés a mergulhar na realidade das coisas. Entre os check points que arrolham a cidade, as colónias ilegais que a cercam e as bases militares que a vigiam, Nablus é uma cidade situada no corredor da pena capital.
A pena começa à noite, quando as pessoas se sentem constrangidas a voltar para casa antes das 23 horas, com o objectivo de não cruzarem por surpresa a incursão israelita no interior da cidade que se realiza regularmente desde Abril de 2002. Um recolhimento obrigatório é assim imposto sem que seja necessário ser declarado. A cidade desertifica-se. De manhã, à hora do acordar, o alfabeto hebreu inscrito no micro-ondas impede-nos de ir directos ao botão correcto para aquecer dois minutos o leite. A ocupação faz-se assim sentir no interior dos lares conduzindo-nos a reflectir sobre a dependência palestiniana em relação ao mercado israelita. O dia, gradualmente, deixa-nos entrever as ruas alargadas pelos buldózeres, mas também os epitáfios que glorificam os mártires ou que choram as famílias sucumbidas nos escombros das explosões.
Depois, preparamo -nos para ir de Nablus a Ramallah, a cidade que os israelitas quiseram que os palestinianos proclamem capital da Cisjordânia após a anexação de Jerusalém-Este. Primeiro, apanhamos um táxi até ao checkpoint de Huwwara (ainda em Nablus) uma vez que são raros os carros que logram de uma autorização para o transpor. Caminhamos com a cabeça levantada até à fila de espera. Em frente dos soldados o nosso orgulho é testado quando somos controlados por um deles que boceja no momento em que verifica o passaporte e revista os nossos sacos, enquanto que um outro aponta uma M-16 na nossa direcção ou da multidão. Esta travessia transforma-se, para todos os palestinianos, e em particular para os homens que se encontram na faixa etária de 15 a 40 anos, num verdadeiro calvário de espera, humilhação e de restrição de mobilidade entra as cidades da Cisjordânia. Um verdadeiro terminal, como dizia um soldado a um destes homens: “é como um aeroporto, hein?”. Sobre estes soldados, a letra de uma canção de Geraldo Vandré sobre a ditadura brasileira é sugestiva: “ Há soldados armados... Nos quartéis lhes ensinam/ Uma antiga lição: De morrer pela pátria/ E viver sem razão.
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Checkpoint de Huwwara, Nablus

Após um momento de tensão como este existe um outro inverso de descontracção, que coincide com o momento onde voltamos a apanhar um taxi minibus que nos transporta directamente a Ramallah. Algumas trocas amicais –reflexo do relaxamento- efectuam-se entre as pessoas, mas esta acção apenas dura alguns minutos, pois se o condutor nos diz “metam o cinto de segurança”, isto significa que um outro check point se avizinha... e repentinamente a respiração pára como se o cinto nos tivesse apertado em demasia. Tudo é arbitrário nestes check points, ou passa ou descarrila. Segundo um dos últimos relatórios da ONU, os obstáculos físicos à livre mobilidade dos palestinianos no interior da Cisjordânia elevava-se em Abril de 2008 a 607 barragens israelitas.
Um outro dia, uma outra volta, desembarco em Belém. Na cidade onde Jesus nasceu existem campos de refugiados, entre os quais um que se chama Aida. Cerca de 4500 palestinianos vivem desde há 3 ou 4 gerações, mas ao contrário dos peregrinos cristãos que afluem a esta cidade há séculos, estes palestinianos instalaram-se após a criação do Estado de Israel em 1948. Isto significa Nakba – a catástrofe- para aqueles que apenas tiveram o direito de levar consigo a chave da sua casa e a memória dos seus mortos. Em 60 anos estas chaves tiveram o tempo de ficar enferrujadas, o que não retirou a esperança de retorno que elas carregam em cada ano de oxidação.
Continuando no campo de refugiados, um senhor convida-nos ao telhado de um edifício para apreciar o panorama. Mais ou menos a meio da subida da escadaria um outro senhor convida-nos para beber um chá na sua casa. Na sala de estar onde nos sentámos um jovem de 19 anos dormia. O pai, rapidamente nos põe a par da história do seu filho, certamente para se justificar de alguma forma da descortesia. Com 16 anos ele foi detido pelos israelitas. Na prisão, foi torturado e forçado a comer quando fazia uma greve de fome. Incapaz fisicamente e traumatizado para a vida, ele passa os seus dias deitado no sofá. A razão da sua detenção: suspeito pelas actividades dos irmãos mais velhos, dois dentre eles ainda na prisão. Numa sociedade onde todas as famílias são tocadas directa ou indirectamente por detenções, aprendi que não se deve perguntar porque é que elas foram detidas mas o que é que os israelitas disseram.
Finalmente chegamos ao telhado. Aí, tivemos oportunidade de ver o desastroso espectáculo de um muro com 8 metros de altura, construído a cinco metros das casas do campo de refugiados de Aida. A estética de ter um muro de cimento cinzento em frente das suas janelas nunca propiciou um debate deste lado da região, o pior é a realidade que sobrevive atrás deste muro. Deste ponto estratégico pudemos observar várias e variadas coisas do outro lado: uma grande colónia ilegal no horizonte, oliveiras centenárias e algumas casas à esquerda e à direita. Numa desta casas à direita vive uma família palestiniana, onde as crianças antes do início da construção do muro em 2004 eram os primeiros a chegar às aulas, na medida em que viviam a 200 metros da escola. Eles continuam a viver a 200 metros da escola, no entanto, agora, eles têm que percorrer um caminho de uma hora e meia, ladeando as margens do muro e atravessando check points para chegar.
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Muro em frente do campo de refugiados de Aida

Algumas palavras nos chegaram para compreender o traçado do muro que faz ziguezagues a deixar toda a gente sem tino, que a título da segurança de Israel, separa assim vizinhos, cerca cidades palestinianas, confisca terras e furta pontos essenciais de recursos de água aos palestinianos. O plano de construção deste muro além das questões éticas implícitas, absorve 9,8% da terra da Cisjordânia em relação à Green line do Armistício de 1949.
Bil'in é uma aldeia palestiniana que tem resistido de forma exemplar à construção do muro, cujo traçado tira vários hectares de terra a esta municipalidade. Todas as sextas feiras, uma manifestação vai do centro da cidade às cercas onde supostamente vai ser construído o muro, luta que dura há mais de 4 anos. Estas manifestações são compostas pela população local, israelitas e internacionais anti-ocupação e colonização. Pela duração deste movimento de resistência a população local tem sido um laboratório de experiências de métodos repressivos. Para além das fórmulas clássicas, o exército israelita testa há pouco tempo o método do Karcher, máquina de jactos de água de forte pressão com água pestilenta, apelidado Skunk, em vista de dispersar e marcar os manifestantes. Ninguém sabe muito bem qual a composição desta água, e portanto as suas consequências. Estes métodos, frequentemente brutais, são a resposta às armas dos palestinianos, nomeadamente a bandeira palestiniana que eles içam na “frente de batalha”.
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Bil’in, manifestação pacifica (granada lacrimogénea israelita), Agosto 2008

Eis me agora numa quinta, no cimo de uma colina, cercada de colónias ilegais. Os proprietários, uma família palestiniana cristã, apegados à sua terra desde há muitas gerações fazem face cada dia à adversidade dos colonos que vêm armados propagar o medo. Sem grandes meios para cultivar a sua terra, chamaram a sua quinta “Tent of Nations”, transformando-se assim numa quinta aberta aos voluntários internacionais com o objectivo de semear a paz. A administração israelita recusa-lhes a autorização de construir por cada candidatura enviada. Consequentemente, no seu terreno eles têm galinheiros e estruturas de acumulação da água da chuva com um estatuto ilegal, ficando sujeitos a vai e voltas frenéticas ao tribunal. E se eles têm que mostrar aos juízes os seus papeis de propriedade que recuam à época do Império Otomano, aos seus vizinhos colonos apenas é necessário um pedaço de papel assinalando que a terra lhes pertence em nome de Deus. Os palestinianos já compreenderam bem os desafios que a sua terra lhes oferece, ao qual Mahmoud Darwish replica: “[...] E a partir do momento que compreendemos que ela carrega muita história e muitos profetas [...] na aceitação universal da palavra ocupação, seja qual for o número de títulos de direitos divinos que ela invoca: Deus não é a propriedade pessoal de ninguém [...]” (Eloquência do sangue, 2002).
Como estamos próximos de Jerusalém, passemos o check point que tem a forma de um matadouro e que nos permite passar ao outro lado do muro. Tudo é automático neste check point, facilitando assim a tarefa ao ocupante e ao ocupado. Nas placas podemos ler como proceder, “passe aqui”, “meta os sacos aqui” e sobretudo “conserve o terminal limpo”. Ou seja, o único contacto que temos com os soldados produz-se quando temos que expor os nossos papeis através de um vidro. Mas se por acaso estes papeis não são metidos de maneira a ficarem paralelos e equidistantes das margens dos vidros eles gritam-nos através de um microfone, como a cães que mijam no tapete.
Estamos em Jerusalém-Este. Este lado da cidade foi anexado pelos israelitas depois da guerra dos seis dias em 1967, data onde todo um reordenamento urbanístico se iniciou em vista de assegurar uma maioria judaica naquilo a que os israelitas projectam como o “Grande Jerusalém”. Certas estradas deixam-nos, neste contexto, distinguir as ruínas de antigas aldeias palestinianas no meio da muralha fortificada de colónias ilegais que fazem honor a “Jerusalém unificado” do lado oriental. Claro que este panorama lança outras pistas, como a confiscação de terras e a demolição de casas palestinianas, bloqueando por outro lado o crescimento natural de Jerusalém-Este e da sua população. Se os Palestinianos e os Israelitas vivem agora lado a lado em Jerusalém sem um muro físico entre eles, uma outra barreira invisível se construiu. “O barulho e os cheiros” são diferentes assim como o investimento da municipalidade no ordenamento do espaço público de um lado e do outro.
Os caminhos do meu programa de visita conduziram-me a Jaffa. Outrora considerada como o grande porto de Jerusalém, esta cidade e Haifa foram as portas da imigração sionista em massa nos anos 40. Unida desde então à municipalidade de Tel-Aviv, Jaffa foi o alvo de um grande projecto imobiliário que transforma ainda hoje esta cidade num exemplo de como a deslocação forçada da população palestiniana (agora com cidadania israelita, mas sem com isso terem os mesmos direitos) é um acto não terminado. Se as demolições das casas palestinianas são cometidas em nome da segurança pública, a especulação imobiliária e a recusa de autorização de construir aos palestinianos não deixam sombra de dúvida no que diz respeito às politicas públicas israelitas visando exclusivamente esta população.
Haifa, cidade que acolhia outrora a sede de animação do sindicalismo palestiniano, foi o palco de violentos confrontos aquando da entrada das tropas sionistas em 48. Segundo reza à história, o sangue dos mortos derramava ainda na calçada quando a apropriação e a pilhagem das casas palestinianas se começou a perpetrar. É uma cidade onde houve um esforço evidente da parte das forças sionistas no sentido de apagar todos os traços de uma cultura árabe e de uma vida palestiniana anterior à criação selvagem de Israel. Aliás, podemos facilmente constatar através da “sionização” da maior parte dos nomes das ruas.
Haïfa, cidade costeira, é também uma cidade onde, para o mal dos seus pecados, a sua situação geográfica permite lançar um olhar discreto sobre Beirute, se o céu quiser. O mais difícil é então de não pensar a Sabra e Chatila e a todos aqueles que foram forçados a partir desta cidade em direcção de um país vizinho. Também é difícil de não pensar nas condições ás quais estes refugiados são submetidos no Líbano há três ou quatro gerações, resultado de políticas sucessivas das autoridades libanesas que mantém uma situação deplorável de maneira a que estas pessoas não percam a esperança de voltar à sua terra um dia! Ou ainda, para que estas pessoas guardem a sua identidade bem viva, escondendo a teoria fascisante de receio de perder a sua, a identidade libanesa. “Tens sorte” dizia-me uma palestiniana do Líbano duas semanas antes em Beirute. Uma simples sorte de não estar ligada a esta terra e no entanto poder entrar e usufruir dela.
Para descer ainda mais fundo na minha experiência, desço a mais de 400 metros sob o nível do mar. As pessoas que têm acesso ao Mar Morto na Cisjordânia não têm mesmo a possibilidade de mergulhar, visto a taxa de salinidade, e de se esconder a si mesmo uma realidade que é visível aos olhos de todos: a ausência neste lugar de palestinianos da Cisjordânia, onde eles poderiam boiar e se hidratar com a lama. A construção de estradas exclusivas para os colonos e os espaços interditos aos palestinianos fazem desta Cisjordânia um pedaço de terra onde as pessoas têm uma existência anti ética que nos conduz necessariamente à apelidação de Apartheid.
Cada cidade da Cisjordânia tem uma particularidade, e a especialidade da ocupação israelita em Hebron tem contornos que são difíceis a expor tendo em conta o facto de ela encarnar uma verdadeira “paródia da crucificação”. Impossível de esquecer esta imagem de cidade decapitada... a imagem de um pato a quem cortamos a cabeça mas que mesmo no limite das suas forças, com as tripas penduradas e sem cabeça, continua a correr esgrouviado às voltas.
Hebron, a cidade bíblica que tão bem acolheu Adão e Eva depois de terem sido deserdados do paraíso é actualmente um lar de ódio e de agressividade. Os israelitas apegados ferozmente a Eretz Israel (Grande Israel), sob a protecção do exército após 67, começaram a colonizar pouco a pouco o centro de Hebron. O massacre em 1994 perpetrado por um colono contra muçulmanos que se encontravam a rezar, durante o mês do Ramadão, na mesquita de Haram el-Ibrahimi, onde 29 pessoas sucumbiram, perdura no ambiente da cidade.
Nesta cidade palestiniana, percorríamos normalmente uma avenida com uma intensa actividade mercantil até que repentinamente a passagem nos foi bloqueada. O passaporte europeu permitiu-nos atravessar sem problemas este check point israelita, mas se avenida era a mesma onde caminhávamos anteriormente ela estava agora vazia de luminosidade e de animação. Grandes portadas verdes fechadas, antigos comércios palestinianos, nos expõe no presente estrelas de David grafitadas. No andar de cima, nas janelas podemos visualizar bandeiras israelitas hasteadas como se de conquistas se tratasse.
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Hebron, antigas portadas de comércios palestiniano actualmente encerrados

A volta nesta secção da cidade continua. Nós e todos os palestinianos tivéramos que passar por cima de túmulos para contornar as barragens israelitas. Entre estas peripécias, um outro graffiti em preto numa porta palestiniana branca perdurá gravado nas nossas memórias, dizendo “Gas the Arabs”, assinado por um tal JDL, hereditário sem dúvida de um tal Rabin Meïr Kahana. Um “gás” que nos faz ainda tremer de um passado tão recente e tão cruel marcado para sempre na nossa história europeia. “árabes” para não dizer palestinianos... nos lembrando assim da premissa mediatizada que nos empurra a cavar o antagonismo entre o Ocidente e o Oriente. Apesar de tudo, gostaria de desejar felicidade àqueles que o escreveram e rapidamente esqueceram que as suas casas foram construídas por cima dos cemitérios árabes porque eles se instalaram no Oriente! Esquecendo-se igualmente daquilo que David Ben Gourion já sabia, que entre alguns destes árabes encontram-se os verdadeiros descendentes da Antiga Judeia!
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Hebron, porta de uma casa palestiniana, grafite realizado por colonos

Logo depois, um colono nos pára e pergunta, “onde é que vão?”, questão cuja resposta apetecia-me ter dado com uma outra questão, “é feliz?”. No entanto, foi-me útil ter sabido anteriormente que os colonos têm autorização de transportar consigo armas e como se isso não fosse suficiente, os soldados estão presentes em cada canto para a sua protecção. As famílias palestinianas que resistem e persistem em ficar ensinam aos seus filhos de olharem à esquerda e à direita antes de sair de casa, no sentido de evitarem um eventual encontro inesperado com um colono que se passeie nas proximidades. Se a rua está vazia eles têm a luz verde para correr até à escola.
Para terminar a volta atravessámos um souk escuro. Escuro na medida em que estas ruas estreitas estão cobertas de cercas cheias de lixo lançado regularmente pelos colonos que ocupam os andares superiores.
Os táxis na Cisjordânia é um elemento difícil a contornar. A mobilidade nesta região faz-se através deste transporte que nos espera atrás de cada check point onde a travessia tem que se efectuar a pé. A obrigação de se ter que apanhar três ou quatro vezes táxis diferentes para se chegar ao bom destino, e o facto de se ter de contornar certas estradas reservadas exclusivamente aos colonos, fazem de qualquer trajecto na Cisjordânia uma viagem de luxo. Posto isto, é também no interior dos táxis onde algumas discussões políticas têm espaço e tempo para desabrochar.
Desta discussões pude sentir um elemento que, do meu ponto de vista, é um obstáculo sério para o desenvolvimento de um movimento de resistência, sólido e consequente, interno à Palestina. A este elemento chamarei de normalização da ocupação. Embora os israelitas tenham implementado certos facilitismos estéticos ou automatismos nos check points, reduzindo assim o tempo de espera, a vida dos palestinianos degradou-se de um dia para o outro depois da Intifada. Aqui está, subsequentemente um argumento normal numa situação anormal.
E aqui estou eu recolocando-me a mesma questão do início: qual é o meu papel nesta região? Qual é a minha legitimidade, como europeia, para dizer a estas pessoas que a sua existência tenebrosa não tem raízes na Intifada mas num sistema estatal (em sofrimento) transformado num colonizador predador. Sendo bisneta de um republicano em tempos de monarquia, neta de um anti-fascista em tempos de fascismo, e ainda filha de um comunista em tempos de liberalismo, qual é então a minha legitimidade para dizer a estas pessoas, que sobrevivem na penúria de uma colonização violenta, que contra a fome é necessário comer a carne do seu usurpador (Mahmoud Darwish, « Identidade »,1964) ? Qual é a minha legitimidade de dizer a estas pessoas que contra a submissão é necessário ser intransigente? Finalmente, qual é a minha legitimidade quando a simples acção de sair de casa transformou-se numa luta para os palestinianos?
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Funeral de Mahmoud Darwish em Ramalah, Agosto 2008

A história mostrou que uma sociedade mergulhada no obscurantismo, criado pela eliminação perseverante das suas revoltas e da castração dos seus elementos mais aptos a tomar a vanguarda da luta, é uma sociedade desarmada face à destruição que se opera diante dos seus olhos. O enfraquecimento da racionalidade política no interior da Palestina é galopante, deixando o espaço aberto a que uma lógica estritamente religiosa ou de corrupção reine. Neste sentido, mesmo aqueles que guardaram um certo optimismo histórico estão a perdê-lo na sinuosidade confusa daquilo a que se chama emancipação social. A Palestina pareceu-me assim uma sociedade sufocada, começando a estar privada da dinâmica da esperança.
E enquanto a dinâmica da colonização se musculiza na Palestina, parti com o espírito frustrado de não ter conseguido, num plano estritamente pessoal, transformar esta frustração num grito de revolta. Ainda que, metida em segurança máxima no aeroporto na hora de despedida da terra sagrada, os israelitas ficaram mesmo assim espantados que eu, 25 anos, portuguesa, trazia nos bolsos uma só coisa – um porta-chaves simbolizando “Eretz Palestina”.

referências bibliográficas :
Sand Shlomo (août 2008), « Comment fut inventé le peuple juif », Le Monde Diplomatique : France.
United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (mai 2008), OCHA Closure Update occupied Palestinian territory: Jérusalem.

Publicado por [Shift] às 06:12 PM | Comentários (48)

Para S.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:31 PM | Comentários (1)

setembro 21, 2008

Por aqui tudo tranquilo

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Nada como organizar uma festa espontânea junto às barracas para celebrar os sucessos de uma nação.

Publicado por [Rex] às 07:58 PM | Comentários (2)

O que é que disseste?

"Quando ouço falar em cultura eu puxo do meu revólver"(Goebbels, outros dizem que foi Goering)

"Eu SOU como o outro...puxo do revólver quando ouço falar em regulação" (Pedro Marques Lopes, Eixo do mal)

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 04:27 PM | Comentários (2)

Esta 4ª feira, à noite...

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Francisco Furtado e José Sousa fizeram uma viagem de 3 semanas à Venezuela. Esta 4ª feira vão estar na casa do Brasil para contar e conversar sobre o que viram.


Segue copy/paste do mail que recebemos...

Boas,

Gostaria de vos convidar para uma sessão, seguida de debate, acerca da viagem que eu e um colega fizemos este mês de Agosto à Venezuela. É dia 24 de Setembro, às 21h, na Casa do Brasil.

Abaixo envio um texto com breve descrição da viagem que serve de mote à sessão...

Ditadura, Populismo, Extremismo, Petróleo, Nacionalismo, Chavez, são palavras que surgem quando se fala de Venezuela e do seu Presidente.

Alvo de críticas e elogios, visto como símbolo de esperança ou vendedor de ilusões, o que é certo é que Hugo Chavez ocupou lugar de destaque na cena internacional. E independentemente da avaliação que cada um faça, de há dez anos para cá a Venezuela tem vivido um período de intensa transformação social, pontuado com momentos de grande tensão político-social. No decorrer deste período a chamada “Revolução Bolivariana”, ultrapassou as próprias fronteiras da Venezuela. Basta olhar para o que se passa na Bolívia para perceber o papel central que desempenha nos confrontos políticos na América-Latina.

Mas para lá das análises superficiais, para lá da informação descontextualizada vinculada nos rodapés dos mass media, para lá também, das tiradas mais inflamadas do Presidente Chavez, o que se passa nesse país?

De 4 a 25 de Agosto por aí andámos. Em Caracas, a capital onde vivem 7 dos 27 milhões Venezuelanos, em Choroni e Chacao junto ao mar das Caraíbas, em Barquísimeto a 4ª cidade, a capital musical, em Carora, cidade onde novas experiências de democracia directa estão mais avançadas, em Sanare junto aos Andes e Porto Ordaz, o centro da Indústria Pesada.

Passámos 21 dias, 10 dos quais com um grupo de 23 Norte-Americanos, em que nos encontrámos com Sales Romer – um dos líderes da Oposição, sindicalistas, activistas dos Barrios, Muller Rojas - o vice-presidente do PSUV, militantes católicos, membros do governo e das organizações populares… Estivemos em Assembleias, manifestações e visitámos várias cooperativas, os barrios que cercam Caracas e o Centro Português de Caracas (onde falámos com a direcção), Conselhos Comunais, Missões, Núcleos de desenvolvimento endógeno, meios de comunicação comunitários (Rádios, Televisões…), fábricas e plantações de café…

No próximo dia 24 de Setembro, às 21h, na Casa do Brasil, pretendemos fazer um relato dessa viagem e partilhar as várias realidades com que nos deparámos.

Abraço

Francisco Furtado

Publicado por [Saboteur] às 01:55 AM | Comentários (0)

setembro 19, 2008

Da Democracia na América


During the first term of Bill Clinton's presidency, the budget deficit declined by more than 90 percent. However, when Republican voters were asked in 1996 what happened to the deficit under Clinton, more than 55 percent said that it had increased. What's interesting about this data is that so-called "high-information" voters - these are the Republicans who read the newspaper, watch cable news and can identify their representatives in Congress - weren't better informed than "low-information" voters. (The sole exception was Republicans who are ranked in the top 10 percent in terms of political information. As Bartels notes, it's only among these people that "the pull of objective reality begins to become apparent.") These citizens According to Bartels, the reason knowing more about politics doesn't erase partisan bias is that voters tend to only assimilate those facts that confirm what they already believe. If a piece of information doesn't follow Republican talking points - and Clinton's deficit reduction didn't fit the "tax and spend liberal" stereotype - then the information is conveniently ignored.
Frontal Cortex, via Cinco Dias

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:44 PM | Comentários (3)

Democracia


Pouco fascinado pelo exotismo das revoltas anti-imperialistas em zonas remotas do globo, não acompanho com grande interesse os fenómenos bolivarianos em curso na América do Sul. Para além disso esta história de oferecer petróleo aos governos de todo o mundo e de abraçar aquele palhaço iraniano deixa-me com pouca paciência.
Mas o que verdadeiramente me causa espanto é toda esta sanha contra dois presidentes eleitos e reeleitos e a conversa de que «a democracia para existir não se basta no acto eleitoral, implica respeito pela lei».
São os mesmos a quem não incomoda o Presidente colombiano Uribe, esse mesmo que invade países vizinhos, colabora com milícias de extrema-direita e disfarça os seus soldados de enfermeiros da cruz vermelha - para não falas das suas relações com os grandes narcotraficantes, denunciadas por ONG's variadas, e a conivência com o assassinato de sindicalistas.
O que parece comprovar a hipótese de que os bons democratas são simplesmente os que deixam tudo na mesma. Tudo nas mesmas mãos, bem entendido.

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:03 PM | Comentários (2)

Marco, se me estás a ler, devolve-me a carteira sff

Este é o meu post sobre a Festa do Avante '08.
No sábado à noite, em plena festa, no trajecto entre a cidade internacional e o palco 25 de abril alguém me surripiou a carteira, azul escura com o símbolo do castelo de s. jorge. Não levou dinheiro (desculpa Marco, não foi por mal) mas ficou-me com os documentos todos. A carteira não foi devolvida e nem sequer os documentos avulsos apareceram. Não consigo perceber o que leva alguém a foder a vida de outro desta forma. Qual será o preço de venda do BI e da carta de condução no Martim Moniz? (Podíamos chegar a acordo sobre uma gratificação, Marco.)

Mas quem é o Marco? O Marco telefonou cá para casa há uma semana e pediu para falar comigo. Foi-lhe dito que eu não estava. Pediu para me dizerem que o Marco tinha telefonado. Só que eu não conheço nenhum Marco.

Por isso, Marco, se me estás a ler, devolve-me a carteira sff. Juro que te trato com o carinho que mereces.

Publicado por [Renegade] às 03:29 PM | Comentários (6)

Les Hommes-à-tout-faire ou o proletariado invisível

Em Maio de 2007, dezenas de trabalhadores da cadeia Buffalo Grill ocuparam em França uma das lojas para exigir a regularização da sua situação legal no país. Emigrantes indocumentados, expressão bastante mais feliz que a típicamente portuguesa "ilegais", os sans-papiers ousaram dizer não à escravatura a que eram sujeitos através das constantes ameaças dos patrões. Trabalhavam dezenas de horas extraordinárias sem remuneração, faziam todo o tipo de tarefas, sujeitavam-se a quaisquer horários. Foi possível na altura acompanhar tudo por aqui e apesar das intervenções policiais e do SEF lá do sítio, 20 trabalhadores conseguiram a sua regularização.

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Já antes, em pleno inverno parisiense, os Enfants de Don Quichotte com poucos meios e muita mobilização, montam ao longo do Sena centenas de tendas para reivindicar o direito à habitação. Com uma grande percentagem de emigrantes, os grupos de sem-abrigo tornam visíveis as suas reivindicações e causam grande impacto na sociedade francesa, em duas semanas o movimento alarga-se a outras cidades e encosta à parede as autoridades e o governo, divididos entre a carga policial no centro da capital e a impossibilidade de esconder aqueles que diáriamente se sujeitam aos mais reles trabalhos pelos mais baixos salários.

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A visibilidade das lutas parece fazer escola, recentemente foram ocupados alguns dos mais luxuosos restaurantes franceses, o DN fala hoje do "tour d´argent" mas já não é o primeiro. Engraçada a forma célere como os donos dos restaurantes, perante a ocupação dos seus requintados espaços, regularisam numa hora aqueles que vendem há anos o seu suor sem as retribuições devidas. O DN faz questão de sublinhar a frase de um responsável da CGT em que se refere ao facto de todos eles descontarem impostos em França. Aguardo pela ocupação da Segurança Social, até lá, vou-me entretendo com os rapazes de Sacavém.

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Publicado por [Chuckie Egg] às 10:15 AM | Comentários (2)

setembro 18, 2008

Para Nuno D.


"Não é seguramente culpa de Miguel Gomes que perante esta constituição do nosso campo cultural (outros diriam «identitário»), o seu filme tenha de ser lido ou como irónica, paródica ou cínica denúncia do atraso – o do campo e dos campestres que bailam ao som de Dino Meira – ou como apelo mal-disfarçado ao reencantamento, como quem passa da Vichyssoise aos rojões e admite que prefere, e no fundo sempre preferiu, os últimos e pode enfim confessá-lo «sem complexos», à imagem de um dos muitos talk shows televisivos em que se apela, de forma politicamente não-inocente, a que «o povo» se mostre «sem complexos», como se o povo só pudesse ser realmente mostrável em registo dessublimado, esse que coincidiria naturalmente com a sua alma – que, ao ser exibida, se afastaria vertiginosamente da ‘nossa’."
Osvaldo Manuel Silvestre,Os livros ardem mal

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:32 PM | Comentários (2)

Marx para além de Marx


A propósito de Marx, António Guerreiro publicou um pequeno texto no Expresso, destacado no Arrastão. Há certos abraços que podem, no entanto, sufocar.
"Os «espíritos» de Marx invocados por Derrida tiveram um efeito espantoso na dita «renaissance». A qual, obviamente, sabe muito bem que o marxismo, em muita da sua substância, foi invalidado. Foi invalidado na sua pretensão científica; foi invalidado ao atribuir um carácter revolucionário, em si, a uma classe; foi invalidado na previsão de que a relação «essencial» do modo de produção capitalista - entre o capital (propriedade dos meios de produção) e força assalariada vendida como mercadoria - se estenderia a todo o mundo, a partir do primeiro país em que tal modo de produção tinha alcançado o estatuto de «clássico» (a Inglaterra); foi invalidada até no facto de o seu conceito de «modo de produção capitalista» responder a uma forma historicamente específica das relações sociais."
O texto é interessante, mas revela mais do que um preconceito e alguma superficialidade para um ensaísta/filósofo que é, em todo o caso, um dos poucos com acesso a páginas de jornal para escrever acerca destas coisas.
O «marxismo», por exemplo, é uma nebulosa bastante duvidosa, que confunde mais do que esclarece. Nele cabe tudo e presta-se a bastantes equívocos. Não por acaso o próprio Karl teve a preocupação de adoptar algum distanciamento relativamente aos «marxistas».
Diz-nos Guerreiro que Marx (vamos pensar que é nele que se pensa quando se fala do «marxismo») foi invalidado em muita da sua substância. Não sou muito dado a exercícios de defesa post-mortem e por isso sinto a necessidade de dizer desde logo que Marx foi completamente invalidado em 1883, mas um pouco menos do que qualquer outro pensador do seu tempo (a começar pelo inefável Tocqueville). Mas voltemos à substância.

1) Um pouco de rigor permitir-nos-ia desde logo esclarecer que nunca Marx adoptou o termo «científico» para falar das suas propostas teóricas. Tratava-se sempre, no seu pensamento, da «Crítica» e não da «Ciência», o que desloca o problema do campo laboratorial para o filosófico, histórico e político. Foi Engels, já depois da sua morte, quem enquadrou «cientificamente» os seus escritos (cujas reedições orientou) num sentido positivista muito característico da Social-Democracia alemã. Mais tarde os apparatchiks da Academia da URSS encarregar-se-iam de continuar esse trabalho sujo, com a preocupação acrescida da geopolítica.
2) Também se vê que Guerreiro acompanha mal, à distância e com alguma dose de distracção, o que Marx considerava ser a subjectividade revolucionária do proletariado. A coisa não é tão simplória como a equivalência entre miséria e revolta, e o carácter revolucionário pressuposto não se limitava ao momento insurrecional de 1848 e 1871. É a própria natureza do trabalho assalariado que o torna a mais revolucionária força produtiva do modo de produção capitalista.
Um pouco de tabuada. Para manter e aumentar a sua taxa de lucro, cada capitalista tem de assegurar uma desproporção cada vez maior entre o salário que paga aos seus trabalhadores e o lucro que obtém com o que eles produzem. Bem se vê que estes têm um interesse exactamente oposto e têm tendência a fazer valer esse interesse. Nessas condições, o capitalista vê-se forçado a revolucionar as condições de produção, reduzindo o trabalho necessário, aumentando a produtividade, investindo em tecnologia - aumentando a taxa de exploração sem reduzir o salário real do trabalhador. À medida que isso vai assumindo uma complexidade e dimensão cada vez maior, aumenta a possibilidade desses trabalhadores compreenderem a dinâmica histórica em que estão inseridos e de serem"forçados a lançar um olhar lúcido sobre as suas condições de existência e as suas relações recíprocas". O resto é a história dos últimos dois séculos e percebe-se mal em que medida ela veio invalidar o que quer que seja.
3) Ao afirmar que a extensão do trabalho assalariado a todo o mundo não se verificou, António Guerreiro mostra-se, no mínimo, distraído. A explosão do capitalismo na China e na Índia, as migrações globais da periferia em direcção aos centros são precisamente os indicadores de que o mercado mundial é hoje uma realidade muito mais palpável do que em 1847. O número de indivíduos que diariamente vende a sua força-trabalho por um salário, em vez de produzirem aquilo que consomem, foi tantas vezes multiplicado que o cálculo se torna manifestamente impossível. Mas há muito mais. Não foi apenas por todo o globo que o trabalho assalariado se disseminou. Aquilo a que se chama «tercearização» - a organização industrial da cultura, dos lazeres, do conhecimento ou do entretenimento - é um vasto movimento de proletarização de actividades, outrora caracterizadas por uma «aura» que cede agora lugar à massificação crescente. Nessa medida, a relação entre trabalho e capital - ou, se preferirmos, a absorção do trabalho pelo capital - não tem cessado de se extender, não apenas a todo o globo mas, crescentemente, a todos os aspectos da vida.
4) A invalidade do conceito de «modo de produção capitalista» por "responder a uma forma historicamente específica das relações sociais" é decididamente a parte mais frágil do parágrafo mais frágil deste artigo. Acho mesmo que Guerreiro adormeceu sobre o teclado. Um conceito teórico que não responde a formas historicamente específicas das relações sociais é válido para quê? Adornar a casa como um papel de parede vistoso? Bem se vê que Marx não soube encontrar respostas para uma crítica tão arguta e subtil como esta e eu também não. Apenas procurou elaborar um conceito dinâmico identificando os aspectos centrais, as formas decisivas e historicamente duradouras, de um sistema de relações sociais em pleno desenvolvimento. A análise que efectuou do modo de produção capitalista incluiu os aspectos determinantes da sua evolução. Lamentará Guerreiro a ausência, nas páginas de «O Capital», de referências mais rigorosas à nova economia, à energia nuclear ou à conquista do espaço? São os que o lêm à procura de previsões quem o acusa de se ter enganado nas previsões que não fez. Marx não previu a falência do Lehman Brothers, mas identificou o carácter cíclico do desenvolvimento capitalista e o lugar que as crises aí desempenham.
Basta ler os debates em blogues liberais e conservadores para ter a medida da importância dessa análise e a estupefacção que o tema continua a suscitar naqueles que afirmam, sem pestanejar, coisas tão brilhantes como "Os factos sempre negaram o marxismo, mas os marxistas permaneceram imperturbáveis na sua fé."

O problema do curto artigo de Guerreiro é que ele sugere, continuamente, um contacto indirecto com Marx, filtrado já pelos autores que, na pós-modernidade, se dedicaram ao exame das suas ideias. Não é evidentemente um problema que haja autores que se debruçam criticamente sobre o seu pensamento e que possam sublinhar a sua inadequação para a compreensão de fenómenos e acontecimentos diversos. É essa a condição para qualquer acção política inscrita no seu tempo - a teoria deve ser algo vivo e presente, um trabalho de permanente reelaboração e interpretação do real (caixa baixa). Que se queira reduzir Marx ao que dele ficou de alguns debates que atravessaram a academia nos ultimos 20 anos é que pode ser um exercício empobrecedor. Para dizê-lo de uma maneira um pouco mais bruta - o núcleo central da obra teórica de Marx não cabe em Derrida ou em Agamben, ou nos dois juntos. A crítica da economia política é um pouco diferente e - na minha modestissima opinião - bem mais vasta, rica de desenvolvimentos e densa do que as incursões teológicas sobre as quais se tem debruçado Guerreiro.
Para acabar, um aspecto recorrente nestas conversas sobre Marx e que está longe de me deixar convencido.
Uma história sem sujeitos é como um verbo sem complemento directo. Não estará contida, nessa negação do sujeito, a ideia corrente de que houve em tempos História, mas já não há? Que concepção de História podem albergar aqueles que negam a ideia de sujeitos colectivos («privilegiado» é uma muleta que Marx seguramente dispensaria), ligados na sua acção histórica pela materialidade dos seus interesses sociais comuns e por uma determinada consciência desses interesses? A História como um movimento objectivo? A História como o encadeamento de acasos? A História como conspiração?
Parece-me implícita, na estafada afirmação de que o proletariado não é - ou deixou de ser - um sujeito de transformação histórica, uma menorização intelectual e política atribuida a pessoas representadas socialmente como incapazes de outra coisa que não a produção e o consumo. E suspeito de que ela é o outro lado da representação mitificada do proletariado como uma classe de gente generosa e simples, maravilhosamente talhada para a construção de um novo mundo porque sendo já a antecipação do «homem novo» e a continuação do «bom selvagem». Ambas as aproximações me parecem muito estéticas e, o que é pior, muito estáticas.
Um sujeito histórico não se define por uma caminhada triunfal pelos tempos. Como tudo o que é histórico, uma classe social não permanece a mesma ao longo dos anos. Sofre, desde logo, transformações na sua composição, que alteram os seus comportamentos e mentalidades. Mas uma aproximação crítica não deixará de reconhecer nessas transformações a permanência dos aspectos fundamentais que permitiram a sua identificação inicial enquanto classe social e sujeito histórico. Mesmo se já não passa fome (ele há dias e zonas...) e não se veste de farrapos, toda a miséria que resulta da sua submissão às formas de exploração, dominação e alienação do modo de produção capitalista constringem o proletariado à luta e à insubordinação. Como tudo, também isso está sujeito a ciclos e não ao voluntarismo deste ou daquele educador da classe operária. Todos os elementos para uma nova explosão se encontram reunidos e autorizam profecias várias. Afirmá-lo não é ceder à metafísica mas manter as perspectivas históricas abertas ao campo de possibilidades efectivamente existente. Até pode ser que um novo ciclo de convulsões sociais e rupturas políticas venha a ser encerrado e resulte num reforço adicional do modo de produção capitalista. Mas enquanto ele durar, Marx poderá encontrar leitores atentos nos modernos proletários do século XXI. Aqueles mesmos que, tacteando, desejam apropriar-se da sua própria história.
Post Box Workers Control.JPG

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:01 PM | Comentários (1)

Esteve por pouco

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Se a AIG tivesse falido tornar-se-ia finalmente possível destruir o sistema a partir montras e queimar carros.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:53 PM | Comentários (3)

A comunicação social e a Bolívia

Vocês que vêem televisão digam-me: há muitos órgãos de comunicação social com “enviados especiais” à Bolívia? Mais concretamente a Santa Cruz?

A TSF tem 1. Chama-se Nuno Amaral, é também "enviado especial do Público" (embora um e outro orgão não mencionem o outro) e todas as manhãs faz a sua cronicazinha na rádio com pequenos depoimentos de “opositores do presidente”.

Nunca encontrou nenhum que não fosse, o que é fundamental para a sua narrativa em que existem “os bons”, o povo que o acolhe na sua cidade, que têm nome, têm voz, profissões, historias de vida que Nuno conta, falam-nos no seu desejo de paz, etc, etc; e “os maus”, anónimos, que nunca aparecem, estão lá fora, “às portas da cidade”.

As reportagens, que deviam ter como objectivo informar alguma coisas, não explicam nada. Porquê que uns se revoltam e querem a autonomia? Porquê que outros os combatem? O que defendem uns e outros? Que perspectivas, etc.

Nas reportagens de Nuno Amaral é tudo como se fosse um filme do Senhor dos Anéis. “O Presidente” que quer esmagar a revolta do povo. O povo resiste e diz que “o Presidente” é "um mentiroso", "um plantador de coca", “um índio” (como ouvi hoje!). As hordas de bárbaros – “mineiros e camponeses” – estão “às portas da cidade” prontos para uma invasão eminente. “O povo saberá se defender”. Disse hoje Nuno Amaral, de forma grave, terminando mais uma crónica, aproveitando o pretexto de estar a traduzir o que um entrevistado lhe dizia.

Publicado por [Saboteur] às 11:12 AM | Comentários (12)

setembro 17, 2008

Alerta Geral!!

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Mais uma escandalosa isenção de taxas de ocupação de espaço público! Desta vez concedida ao Bacalhoeiro, que vai comemorar o seu aniversário com uma 'festa rija' no Jardim do Torel.

Quem não conhece este Jardim esquecido no centro de Lisboa, tem agora uma muito boa opurtunidade de conhecer.

Publicado por [Saboteur] às 05:19 PM | Comentários (11)

setembro 16, 2008

Thanks for the sugar, sugar


Slevin: This isn't the first time this has happened, you know.
Lindsey: You mean this isn't the first time a crime lord asked you to kill the gay son of a rival gangster to pay off a debt that belongs to a friend whose place you're staying in as a result of losing your job, your apartment, and finding your girlfriend in bed with another guy?

Josh Hartnett e Lucy Liu, Lucky Number Slevin

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:00 PM | Comentários (4)

Sinais preocupantes de corrupção

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Começa hoje o julgamento de Domingos Névoa, Administrador da Bragaparques, acusado de tentativa de corrupção.

Pela primeira vez um vereador eleito queixou-se à polícia que havia um construtor civil que o estava a tentar corromper.

Isto só vem provar que vivemos numa sociedade cada vez mais perigosa e corrupta. Passados mais de 30 anos de democracia, pela primeira vez um pato-bravo teve o descaramento e o “à vontade”, para oferecer dinheiro a um vereador de uma câmara municipal em troca de um favorzinho...

Felizmente a polícia interveio e o Sr. foi apanhado em flagrante.

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Isto vai, com toda a certeza, dar uma lição a todos os que já equacionaram seguir o caminho da corrupção nas câmaras municipais: não vale a pena. Irão ser apanhados, julgados e condenados.

Entretanto, este caso escandalizou de tal forma a sociedade que alguns políticos ainda não conseguem acreditar no que se passou.

João Soares, por exemplo, em recente entrevista, disse que – apesar das conversas estarem todas gravadas – “a história está muito mal contada”. E ainda coloca a dúvida se Domingos Névoa, não estaria de facto a querer financiar o Bloco de Esquerda e tudo não passou de um mal entendido.

Publicado por [Saboteur] às 11:40 AM | Comentários (5)

A destempo mas eu ouvi

Não sei se o Rick ou o Chuckie Egg ocuparam as instalações sonoras da Festa do Avante mas eu ouvi esta música nos "altifalantes" da Festa.

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 11:25 AM | Comentários (3)

setembro 15, 2008

a chuva em espanha cai principalmente na planície

O mundo divide-se em dois tipos de pessoas: as que gostam de ouvir as outras e as que preferem ouvir-se a si próprias. Quem me conhece sabe que pertenço ao primeiro grupo, sem salvação possível. Sucede que estive até há pouco a fazer um cursinho que me devia ter preparado para, entre outras coisas, falar em público com segurança e clareza. No fundo, a coisa passava por treinar algumas técnicas que ajudassem a comunicar aos ouvintes determinado tipo de mensagens nas melhores condições. Foi assim que comecei a gravar as minhas intervenções, primeiro num gravador analógico e depois em mais cómodos ficheiros mp3.

Em boa hora o fiz e, devo dizer que para grande escândalo pessoal, descobri na minha voz uma reencarnação da prosódia do nosso primeiro, o engenheiro. Sei eu, sabes tu, caro leitor, sabemos todos, que o Sócrates é pouco menos que ridículo quando começa a oscilar os graves e agudos quase como se falasse por ondas sinusoidais, de tal forma que esse aspecto particular e intermitente da oralidade acabou parodiado pelo Ricardo Araújo Pereira, por exemplo, aqui

Entretanto fui corrigindo essa tendência e acabei por andar mais atento, não tanto ao que se diz mas a como se diz e à evolução dessas formas de dizer em português. Ora, sei eu, sabes tu, caro leitor, sabemos todos, que a prosódia sempre foi atravessada por questões de classe (entre outras, claro, como a origem geográfica, a idade, o género, a "etnia" etc). Não é preciso evocar aqui a sra. Doolitle para sabermos do que estou a falar. Se é fácil distinguir o sotaque de um alentejano do de um lisboeta, também é fácil apanhar um sotaque do Barreiro e distingui-lo do de um morador da av. de Roma. Era mesmo aqui que queria chegar.

É que venho notando entre os que me rodeiam uma tendência para acompanhar uma moda no falar que me parece vir "de cima" e que se caracteriza por emular um bocadinho as ondas sinusoidais do engenheiro (mas nada de tão exagerado, claro), suspender as frases com ponto de interrogação no topo da onda (uma interrogação muito exagerada em relação ao que era normal) e em geral terminar as frases "lá em cima". É algo que vem na mesma linha do tratar-se os outros, qualquer que seja a relação de parentesco ou outro tipo de relação social por "você". E tenho que dizer que isto me irrita, quer porque andei a fazer um esforço do caralho para não falar como o José Sócrates e para corrigir as influências "aveques" que em determinada altura adquiri, quer porque vejo nisso uma capitulação (incosnciente?) aos esquemas performativos da burguesia. E eu não gosto da burguesia.

Publicado por [Renegade] às 10:13 PM | Comentários (3)

Uma questão de sacos!

A relação da população com os sacos de plástico e, subsequentemente a minha relação com os comerciantes, é um dos elementos que me salta mais à vista quando visito um país estrangeiro. Cada vez que recuso um saco de plástico ou quando tenho de pedir um as minhas reflexões levam-me à teoria pós-materialista. Quando a sobrevivência básica já não é alvo de esforços messiânicos da parte das pessoas, a recusa de um saco de plástico pelo bem do meio ambiente está presente em cada acto quotidiano.
Para dar uma pitada de ecologia ao nosso blogue aqui fica um vídeo muitaaa giro…


Publicado por [Shift] às 02:26 PM | Comentários (1)

Tenham medo, muito medo...

Nas eleições intercalares de Lisboa em 2007, após 6 anos de gestão PSD/CDS, após o executivo ter caído de podre, com um passivo que aumentou mais de 300%, com uma câmara que estava paralisada, sem nenhuma promessa eleitoral cumprida, com boa parte dos vereadores constituídos arguidos, PSD + Carmona + CDS tiveram 69.698 votos. Mais 12.947 do que António Costa.

Esta desproporção é uma questão muito séria, que trago agora à baila por causa do Expresso desta semana.

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No Expresso, Santana Lopes aparece como provável candidato do PSD a Lisboa. Diz-se que Seara também quer e foi por isso que decidiu ir mostrar-se à festa do Avante, para as pessoas verem que ele, para além de bom benfiquista e chefe de família, é um homem que sabe estar com o povo…

Ora, Carmona não se vai recandidatar e Roseta vai. Já ambos disseram isso… Para além disso, tanto Santana como Seara, coligam-se facilmente com o CDS em Lisboa e, como sabem, nas autárquicas o presidente de Câmara é sempre o 1º da lista mais votada...

Chamem-me pessimista, mas tenho medo que venhamos a ter saudades dos nossos debates à esquerda, sobre se é legítimo ou não permitir eventos privados na praça das flores em troca de 200 mil euros… Por outro lado, a maior árvore de natal da Europa, a do Milenium BCP, pode ser nossa outra vez.

Publicado por [Saboteur] às 02:23 PM | Comentários (2)

setembro 14, 2008

O meu último post sobre o Avante 2008

Tão sectários que alguns são... tantos ex-militantes que se queixam de bocas na festa, de não serem bem recebidos, etc, etc, etc...

No entanto há também quem seja bem tratado, mesmo não sendo do glorioso...

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Publicado por [Saboteur] às 10:33 PM | Comentários (8)

Os homens dos Presidentes

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:07 PM | Comentários (1)

Love is like a burning ring of fire


The Taste Of Love Is Sweet
When Hearts Like Ours Meet
I Fell For You Like A Child
Oh, But The Fire Went Wild

I Fell Into A Burning Ring Of Fire
I Went Down, Down, Down
And The Flames Went Higher

And It Burns, Burns, Burns
The Ring Of Fire

Johny Cash, Ring of Fire

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:30 PM | Comentários (2)

setembro 13, 2008

O papa e a laicidade à la française!

Ontem, perto da Sorbonne, deparei-me com um cartaz num marco de correio que dizia o seguinte: “EN RAISON DE LA VISITE DE SA SAINTETE LE PAPE BENOIT XVI CETTE BOITE AUX LETTRES EST CONDAMNE JUSQU’A NOUVEL ORDRE”. Em suma, o cartaz impede as pessoas de meterem as suas cartas neste marco uma vez que não há condições para a sua recolha enquanto o papa visita Paris. Para além do distúrbio na vida quotidiana das pessoas implícito nesta visita papal, o cartaz que o Correio Nacional francês (La Poste) meteu em vários marcos de correio mostra um complexo e querela religiosa no interior da administração francesa. Este cartaz plastificado de maneira artesanal tinha duas palavras riscadas “Sua Santidade” (Sa Sainteté) o Papa Bento XVI . Depois de descobrirmos o que tinha sido escondido, uma só história faz sentido: o responsável dos Correios pede ao seu empregado para fazer uns cartazes ditando a frase que deveria ser inscrita, o empregado acata a ordem, e após a impressão de centenas de cartazes um outro empregado chama a atenção para o facto de que a França é um país Laico e por sua vez o serviço dos correios também. O responsável envergonhado, assumindo o erro devido à sua catolicidade, pede a uns tantos outros empregados para riscarem à mão “Sua Santidade” de todos os cartazes imprimidos.

Publicado por [Shift] às 11:11 AM | Comentários (2)

setembro 12, 2008

O Spectrum à escuta: «Liberais Bestiais»

Descobrimos assim que o Chile de Allende era uma democracia. Essa democracia desprezou a Constituição, desrespeitou de forma sistemática os tribunais, nacionalizou a esmagadora maioria dos meios de produção (conduzindo, aliás, a economia a um estado calamitoso. Os níveis de produção agrícola baixaram para menos de metade, a inflação disparou, as lojas nada tinham para vender) e a imprensa que não estava ao “serviço do povo” foi encerrada.
Esta “democracia” foi substituída por uma ditadura. Pinochet foi um ditador sanguinário e não há argumentos que o possam desculpar. Deixou, no entanto, o poder pelo seu pé (caso quase único na história das ditaduras) e transformou o Chile no país onde, a todos os níveis, as pessoas melhor vivem na América Latina e onde a renda é melhor distribuída.

O Jorge Nascimento Fernandes bem avisou.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:52 PM | Comentários (7)

Mais um na Palestina!

Ontem em Nablus (Palestina, Cisjordânia) um bom amigo da família de uma grande amiga minha morreu. Quais as condições desta morte? O exército israelita estabeleceu um recolhimento obrigatório (informal mas imperativo) a partir das 23 horas (mais ou menos). A cidade fica deserta. Por duas vezes em Nablus, este verão, tive que me forçar a voltar para casa antes desta hora para não me cruzar com estas incursões israelitas diárias. Ontem, este jovem, com 23 anos, não se quis sujeitar ao recolhimento obrigatório e por azar encontrou-se diante dos soldados israelitas que o abateram imediatamente. Aqui ficam as imagens de mais um mártir na Palestina!

Publicado por [Shift] às 03:14 PM | Comentários (5)

setembro 11, 2008

tap - esse baluarte da gestão pública de sucesso

Acabei de ouvir que a tap se propõe entrar em concorrência com as companhias aéreas de baixo-custo que operam cá em portugal para a europa. Custa-me a perceber como é que num contexto de subida dos preços dos combustíveis e de retracção do consumo de viagens aéreas a tap avança para uma actividade que dá cada vez menos margem às próprias companhias de baixo-custo. Será que os aviões da tap andavam vazios e só agora é que perceberam que era preciso fazer algo? Será a tap a querer desesperadamente aproveitar as dificuldades da concorrência, mesmo que pelo caminho aumente os custos e os prejuízos? Será que a compra de amigo ao grupo espírito santo da deficitária portugália tem alguma coisa a ver com isto? Às vezes penso que devo ser mesmo muito totó, como um certo xadrezista croata.

Publicado por [Renegade] às 10:24 PM | Comentários (4)

Prenda que trouxe à Joystick da Festa

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É um pin que comprei no stand dos do DKP. Ela gostou e já usou.

Fica aqui a dica. Normalmente, Joystick anda sempre à frente da moda...

Publicado por [Saboteur] às 02:26 PM | Comentários (8)

setembro 10, 2008

Lobbys, demissões e medias...

A demissão política de Richard Labeviaire da direcção da Radio France International (RFI) foi camuflada por todos os meios de comunicação em França. Nesta conferência de imprensa dada pelo próprio (em francês), em Beirute, Labeviaire sem obrigações do politicamente correcto dá um grito de revolta contra a “liberdade de expressão” institucionalizada em França.


Publicado por [Shift] às 07:06 PM | Comentários (1)

O Partido é Môr...

... Ou "sintomas da doença infantil do comunismo", dirão outros, mais irritadiços.

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Publicado por [Saboteur] às 02:03 PM | Comentários (13)

Divórcio em Portugal?


Alguém pode explicar aos exilados o que se passou com o veto do Cavaco sobre a lei do divórcio em Portugal ? Cheira-me a aprioris de carácter moralista judeo-cristão. Não ?

Publicado por [Shift] às 12:04 PM | Comentários (4)

setembro 09, 2008

Entrismo em prol da união da esquerda

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Os camaradas da Ruptura/FER, tinham um pavilhão próprio na Festa do Avante!

Não sei como conseguiram, mas tiro-lhes o chapéu.

Publicado por [Saboteur] às 12:06 AM | Comentários (14)

setembro 08, 2008

Peço desculpa pela interrupção do tema do Avante...

... mas era só para dizer que hoje os mercados acordaram em alta e bem dispostos, graças a deus.

Parece que o Governo dos EUA decidiu "nacionalizar" duas grandes instituições financeiras.

Normalmente isso aborrece os mercados, coitados, mas como estas estavam falidas, os mercados gostaram.

Publicado por [Saboteur] às 11:56 AM | Comentários (2)

setembro 07, 2008

Festa

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Ainda não me sinto em grandes condições de fazer o balanço da minha ida à Festa, sete anos depois da minha última presença. Para além de me ter sentido mais velho a coisa parece mais ou menos na mesma. Ficaram no entanto dois apontamentos.
A caminho do espaço de Sintra ouvi por minutos um velhote alentejano a contar histórias de luta. De tudo o que disse uma frase - a propósito da fome, da miséria e da injustiça - ficou a ecoar-me nos ouvidos: «Antes roubar do que pedir». Ocorreu-me que no Norte de Portugal se diria a coisa exactamente ao contrário, mas talvez esteja a ser preconceituoso.
O segundo apontamento. A poucos metros de um dos inúmeros cartazes que falam dos direitos de quem trabalha e do partido da classe operária e da precariedade entre os jovens e da exploração do homem pelo homem, em pleno coração da Festa, estava um espaço cedido à Telepizza, onde os habituais contratados a prazo suavam as estopinhas à espera de que estejam reunidas as condições objectivas para o socialismo.
De resto o mesmo ambiente excelente de sempre, próprio de uma grande festa popular. Com tantos milhares de pessoas, tanto alcóol e garrafas de vidro por todo o lado, só isso explica que não se tenha visto nenhuma cena de violência.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:39 PM | Comentários (24)

Die Linke

O Die Linke estava na Festa! Quem diria, hem?

Trouxe de lá este belo pin.

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Publicado por [Saboteur] às 02:45 PM | Comentários (4)

Uma grande lição

Há muitos posts para fazer sobre a "Festa do Avante!", mas este não pode falhar.

Já tinha ouvido esse boato e na verdade não fiquei de queixo caído... Mas por outro lado é o tipo de informação que era necessário confirmar, antes de andar a espalhar. Um comunista honrado não anda a dizer de outros camaradas (mesmo que tenha com eles divergências políticas), que "vão para o PS", "É como se já estivesse no PS", etc, etc.

Pois bem: em conversa com uma camarada responsável da JCP, que eu já não via há muito tempo, confirmaram-me mais uma vez que Joel Vasconcelos tinha saído da JCP e era militante da JS.

Quem é que foi para o PS? Aqueles de que se dizia que íam para o PS? Não. Foi um dos que "avisava" os militantes que entravam para o 1º ano de faculdade, em Lisboa, que tinham de ter cuidado com a Organização do Ensino Superior de Lisboa da JCP e com os seus dirigentes, porque era tudo malta que iria para o PS, mais cedo ou mais tarde...

Não vou falar muito mais sobre este assunto, mas para quem está fora do contexto compreender melhor é preciso dizer que uma das razões que me levaram a afastar do Partido foi precisamente o Joel ter ido para a Comissão Política com a responsabilidade do ensino superior da JCP. 2 ou 3 meses depois de terem aparecido as queixas formais de que o responsável da organização em Coimbra - o Joel - atacava daquela maneira, a que era, de muito longe, a maior organização do ensino superior da JCP.

A Direcção de Lisboa esteve contra. Colectivos de escola inteiros (aqueles que tinham contactado de forma mais próxima com o caso Joel), ficaram em pé de guerra... Colectivos, que eram, logo por azar, também dos mais importantes da organização: ISCTE, FCSH... Mas não havia volta a dar-lhe: Estava decidido. Foi visto.Tínhamos que amochar.


Publicado por [Saboteur] às 10:59 AM | Comentários (11)

setembro 04, 2008

Vou à Festa

A primeira Festa do Avante a que fui, foi em 93.

Nessa altura, não haviam festivais e tudo aquilo foi extraordinário. Bebi como só bebia naqueles tempos de secundário, fiz todo o tipo de disparates, enrolei-me com a irmã de um amigo meu e tudo sem nunca tirar as minhas botas da tropa.

No ano seguinte, já recém inscrito na JCP e no PCP, comportei-me de forma oposta e deixei a V., que tinha conhecido na abertura da festa, porque tinha de ir fazer o meu turno nos abastecimentos.

Combinámos encontrarmo-nos dali a 2 horas, mas ela, evidentemente, não estava lá… Vi-a no dia seguinte com um gadelhudo (naquele tempo era moda) de ar tuff, todo giro.

avante.jpg

Basicamente, de 94 a 2001, houve poucas tarefas que eu não tivesse tido na festa: Abri valas à força de enxada e picareta para enterrar tubos de água, montei tubos para a estrutura, madeiras, cosi toldos, pintei, fiz turnos nos abastecimentos, no bar, nas caixas, de direcção, na brigada de contactos, na brigada de limpeza (falo daquela que procura esvaziar a festa no domingo à noite), na desimplantação, etc, etc.

Apesar de andar a vergar a mola, forte e feio, comprei sempre religiosamente a minha EP, claro… Mas agora, passado este tempo todo, numa altura em que já estou desligado do Partido, oferecem-me finalmente uma EP.

Publicado por [Saboteur] às 03:26 PM | Comentários (17)

noticias do movimento(tm)

Não sendo um grande fã de Rage Against The Machine há algo de enternecedor nestas imagens, reminiscente dos dias das grandes mobilizações do inicio desta década: Enquadrado nas manifestações paralelas à convenção republicana de Minneapolis estava agendado um concerto dos rapazes, a policia não deixou e eles resolveram cantar Acapella um par de canções.

E o guarda-costas enorme terá vindo de onde? de uma agência que também os fornece a Paris Hilton (no caso de uma carga policial ele protegeria a banda?) ou será algum militante black power que se associou ao serviço de ordem RATM?

Publicado por [Party Program] às 01:34 PM | Comentários (5)

setembro 03, 2008

LISBOA S.O.S.

Descobri hoje um excelente Blog: O Lisboa S.O.S.

Já várias pessoas tinham tentado fazer uma coisa destas – um blog de denúncia do que está mal em Lisboa, fazendo pressão na pesada máquina da câmara e nos seus governantes, para limparem ruas, taparem buracos e, claro, apagarem grafittis – mas uma coisa destas só funcionam se for divulgado, tiver adesão e se todos contribuírem, como no youtube.

Cá fica o meu contributo.

Mas este blog não é só denúncia. É descoberta de Lisboa. Dos bairros que já todos ouvimos falar (Liberdade, Serafina), mas que nem todos conhecemos...

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É um blog de belíssimas fotos, cheias de significados...

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…E é até um blog que nos faz rir, como eu bem ri com este post, em que se diz que o “Terreiro do Paço Para as Pessoas” é uma iniciativa falhada, e que ilustra esta tese com a foto deste «turista croata» solitário, que estava lá, aguardando pacientemente companhia para jogar xadrez.

Passem pelo Terreiro do Paço, amigos. Sejam gentis e divirtam os turistas.

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Publicado por [Saboteur] às 12:25 PM | Comentários (8)

setembro 02, 2008

Para Party Program et pour cause...

Dois posts importantes de Daniel Oliveira no Arrastão de hoje:

Um que informa que Paulo Pedroso ganhou a acção que intrepôs contra o Estado.

Outro sobre comunicação social, aproveitando como ponto de partida a onda de histeria acerca da criminalidade.

Publicado por [Saboteur] às 06:32 PM | Comentários (8)

setembro 01, 2008

Afinal de contas...

Quem acompanha as notícias sabe bem: Isto está cada vez pior. Anda tudo a saque. Qualquer dia nem se pode sair à rua...

Mas no sábado, ao ler o DN, a meio de uma peça com o título «Crime violento aumenta 15% face a 2007», descobri a meio do texto que «os números são inferiores a 2004 e a 2006. Por outro lado, a criminalidade participada cresceu 7% em relação a 2007, sendo o número global de crimes participados essencialmente idêntico ao dos anos de 2003 e 2004.»

Publicado por [Saboteur] às 06:56 PM | Comentários (3)