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agosto 31, 2008

Política do Espírito


"O universo de “Aquele Querido Mês de Agosto”, na Beira Interior, remete-nos para o verdadeiro Portugal não globalizado, indiferente ao consumo de massas, em que a satisfação das necessidades básicas passa por uma refeição bem servida com um leitão cozinhado à moda da terra, bem regada com vinho tinto. Esqueça-se também a arrogância intelectual, de um qualquer artista de rádio nacional com depressões cantadas em verso inglês. Aqui respira-se o ar puro da serra e a vida, sim o pulsar vida dos portugueses sente-se nas canções de Marante, Dino Meira e Tony Carreira."
No site da RTP, o delírio sociológico em forma de sinopse cinematográfica. António Ferro e Salazar ressuscitam de cada vez que alguém fala do «verdadeiro Portugal» e da «satisfação das necessidades básicas» em contraposição ao «consumo de massas». Se o Dino Meira é português, então eu quero ser Marroquino.

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:31 PM | Comentários (4)

A magia de Jesualdo

O Benfica marcou o golo do empate aos 55 minutos. Katsouranis foi expulso aos 58 minutos. Comentário de Jesualdo Ferreira: "A expulsão aconteceu no momento em que o F.C. Porto estava bem por cima."
Não parece fazer muito sentido. Um pouco como a ida do FC Porto à Liga dos Campeões.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:41 PM | Comentários (12)

estar vivo não é o contrário de estar morto, os anos 60, japoneses e tibetanos, andar de mota nos suburbios, etceterá

Publicado por [Renegade] às 01:31 PM | Comentários (4)

agosto 29, 2008

Faltam os complementos directos


"Nada, a não ser umas citações sortidas e uns insultos escolhidos ao calhas. E para isto, quatro páginas inteiras. O artigo não quer convencer ninguém de nada. Basta lê-lo para o perceber. Quer apenas fazer o costume: erguer um muro mais alto contra a contaminação para tornar mais segura a fortaleza."
Por momentos pensei que o Daniel se referia ao artigo do Louçã intitulado «Holloway contra o direito ao emprego» (um mimo introduzido com as seguintes palavras:"Para surpresa de quem menos conhece a sua obra, sublinhou a sua intervenção com um ataque ao Bloco de Esquerda, condenando um outdoor que defende o direito ao emprego.”). Mas não, era acerca de um artigo do «Avante!» cheio de tiros certeiros contra o Bloco: "O discurso versa sobre a identidade, sobre a autodescrição recitativa e exaustiva do que será, do que é o próprio movimento. Dir-se-ia que se está a inventar verbalmente uma nova formação, mas que não se sabe bem dizer o que é. Então a reiterada referência à «coisa», que foge na malha do texto, numa fraseologia em que abundam os verbos mas faltam os complementos directos, muito movimento para um resultado incerto e indefinido. Um discurso em eco, em espelho."

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:59 PM | Comentários (5)

Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar

"Antes de passarmos à parte seguinte detenhamo-nos no conceito de «democracia» louçanista, vertido em Pensar a Democracia à esquerda (Editorial Inquérito, 1994), num texto que, por sinal, para dar o tom, se intitula Oito tons democráticos: «O princípio constitutivo da democracia deve ser a horizontalidade e não a verticalidade, a apresentação e não a representação, a política sendo a continuidade do exercício permanente da soberania»(p. 74).
Por conseguinte, antes uma apresentação na horizontal de que uma representação na vertical…"

Avante

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:46 PM | Comentários (3)

A produtividade, ora aí está


Observando as notícias e ouvindo continuamente falar do «sentimento de insegurança» sentido pelos portugueses, não posso deixar de registar o verdadeiro salto de qualidade dado ao nível da criminalidade nos últimos anos. Numa altura em que se ouve dizer que os trabalhadores portugueses têm a mais baixa produtividade da Europa e em que o Governo faz apelos para um esforço nacional de qualificação e modernização, acho estranho que não se registe com apreço a crescente competitividade internacional da indústria portuguesa do crime.
Sequestros, explosivos em carrinhas de valores, roubo de caixas multibanco em tribunais, assaltos a bancos e ourivesarias, extorsão a empresários e assassinatos selectivos de seguranças. Tudo isto requer elevados graus de qualificação e especialização, uma estratégia audaciosa, métodos inovadores, sentido empreendedor, trabalho em equipa e disponibilidade para o risco - afinal as receitas de sucesso recomendadas por todos os manuais de gestão. É bem verdade que a criminalidade em Portugal começa a atingir um elevadissimo nível de qualidade e, tal como se disse da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos, não envergonha.

Para além disso, e exceptuando o tiroteio na Quinta da Fonte e o assassinato na Quinta do Mocho, que foram mais ajustes de contas do que propriamente actos de crime organizado, o salto tecnológico implicado por estes golpes quase cinéfilos deixa-me mais seguro. Como abaixo se assinalou, quem não é banqueiro só pode ficar contente por esta viragem do assalto na rua para o assalto ao banco. Eis um exemplo de como a modernização traz de facto frutos que funcionam no interesse de todos. Ninguém compra uma arma de fogo para ir assaltar no Bairro Alto. Não se arranja uma retroescavadora ou um camião para ir roubar uma vivenda dos subúrbios de Lisboa. Nesse sentido, aquilo a que os pivots e o sempre disponível Moita Flores chamam «o novo crime» denota uma elevada sensibilidade social, quando não mesmo uma rectilínea consciência de classe. A família Espírito Santo tem um bom fundo de maneio e uma seguradora para lhe dar Tranquilidade (e para além disso, como gostava de dizer o fundador da dinastia: «quem dá aos pobres empresta a deus»). Seria bem pior assaltarem velhinhas, cafés ou, sei lá, jovens investigadores. Dava menos dinheiro e muito mais chatice, para além de fazer baixar a média de produtividade por assalto.

Mas podemos ser mais ambiciosos na nossa apreciação de tudo o que se tem passado. Bem se vê que quem assalta bancos demonstra uma aguda percepção, não apenas de gloriosas tradições históricas internacionais de exproprio e saqueio, mas também das dinâmicas dominantes da economia portuguesa nos últimos anos, nomeadamente as elevadas taxas de lucro da banca. E 3 milhões de € de uma carrinha de valores denotam uma correcta apreciação da importância, para o desenvolvimento da economia portuguesa, de uma boa rede de autoestradas, dotada de sistemas de mudança de faixa ao nível dos melhores da Europa. Espero atentamente pelo próximo grande golpe e atrevo-me desde já a dizer que gostaria que fosse no Casino (qualquer um dos 10...) e que o George Clooney entrasse .

Ao ir buscar o dinheiro, lá onde ele se encontra e até nem é tão necessário, os «criminosos» de Portugal ensaiam uma resposta à crise social. Emigrar, trabalhar num call center ou dar o grande golpe? Bem se vê que nem toda a gente tem uma boa dicção e que tirar cafés na Holanda não é propriamente um projecto de vida (já para não falar do trabalho clandestino na construção civil em Espanha, actividade bem mais perigosa do que roubar bancos). Mas um bom assalto deixa-nos directamente na posição de abrir um pequeno hotel em Cabo Verde, um bar na praia em Fortaleza ou simplesmente uma boa vida em Mangualde. Para quê lutar pelo direito ao emprego e estar sujeito a levar uma bastonada da GNR ou da PSP à porta da fábrica encerrada ilegalmente, quando se pode entrar de arma na mão e cara tapada num banco e levar tudo aquilo de que se precisa? E se nos lembrarmos de que no Norte do país, onde o desemprego alastra, há quem ponha os filhos menores a trabalhar ou quem se prostitua para sobreviver (para a Carolina Salgado se ter enrolado com o Pinto da Costa no calor da noite, imagine-se o grau de desespero), como estranhar que os pobres prefiram ir roubar ourivesarias? O que é que haviam de fazer além de mendigar?

Mas onde se compreende - mais uma vez, com absoluta clareza - o que está em causa em todo este barulho em torno da segurança e da criminalidade, é ao nível dos números e estatísticas. 32 mulheres mortas, em oito meses, pelos respectivos cônjuges, permite pensar que é mais seguro trabalhar ao balcão de um banco (olá mãezinha...) do que ficar em casa a preparar o jantar para a família. E o número de pessoas mortas pela polícia nos últimos 8 anos também parece ser superior aos provocados por assaltantes de bancos ou ourivesarias. Toda a indignação e sobressalto a respeito da criminalidade sofisticada e organizada denotam cinismo ou ingenuidade. Com a crise e a perda de poder de compra e o desemprego isto e aquilo, qualquer pessoa bem informada poderia calcular um fenómeno deste género. Só surpreende por tardio. Os pobres podem deixar-se explorar, mas dificilmente se deixam enganar. Todos sabemos que muita gente ganha muito dinheiro com o empobrecimento generalizado da população portuguesa. Todos sabemos que há dinheiro. E se ele não circula através dos salários, mais vale enveredar por uma actividade mais compensadora do que o trabalho assalariado. Quem assalta bancos aponta o caminho e dá razão à mais banal das teses liberais - em situações de concorrência, os agentes económicos são mesmo racionais.

A resposta musculada de que se fala vai reunindo os consensos que se conhecem (quase todos) e a oposição de esquerda parece bastante inclinada para o partido da ordem (O silêncio comparativamente ao que se passou com a legislação sobre corrupção que apresentou Cravinho e que foi recusada na AR é esclarecedor).
Como conhecemos a música, já se pode esperar as habituais lágrimas de crocodilo para com os «excessos» da violência policial e a necessidade de forças policiais «bem preparadas». Ontem e anteontem a polícia lançou mais uma operação com amplo destaque mediático, em que vários bairros de Lisboa e Porto foram cercados e invadidos por forças para-militarizadas de ocupação, o Estado de Direito transformado em Estado de Excepção e os habitantes tratados como eventuais criminosos, com portas arrombadas e alguns espancamentos à mistura. Mas como o estavam a fazer pela «segurança dos cidadãos» tudo foi acompanhado de elogios entusiastas ou silêncios cínicos.
Alguém se lembrou de chamar a tudo isto «Guerra Social». Será que se enganou?

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:28 PM | Comentários (6)

agosto 28, 2008

Campanha de terror em curso

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Já tinha reparado que de há já duas semanas que a nossa comunicação social se parece toda com o jornal "O crime".

Já estou farto de ouvir o António Cluny e outros que mais a exigir mais prisões preventivas, mais polícia, mais meios para a polícia, enfim, mais violência para acabar com a violência existente.

Tudo isso me tem passado um pouco ao lado, mas hoje fui jantar a casa da minha mãe e digo-vos que fiquei muito impressionado com o estado de autêntico pânico em que a minha avó está.

Ainda lhe tentei dizer que aquilo não era connosco. Que o carjacking só ameaça quem gastou uns bons milhares de euros em carro. Que felizmente não temos nenhum banco, gasolineira ou ourivesaria e se tivéssemos alguma coisa dessas, teriamos concerteza um seguro... mas ela está infelizmente nervosa demais, o que não é nada bom para a sua saúde tão frágil...

Parece que ontem à noite esteve um helicópetero da PSP até de madrugada a sobrevoar a Quinta do Mocho com um holofote, durante uma mega-rusga policial e como ela mora mesmo ali ao pé...

Publicado por [Saboteur] às 11:35 PM | Comentários (5)

Liberdade para Branca de Neve

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Uma manifestação de trabalhadores da Disnleylândia foi reprimida pela bófia. O Tio Patinhas já ordenou um inquérito.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:41 PM | Comentários (7)

Temos a felicidade de pertecer unicamente à nossa própria razão


"Os trabalhadores da "República" são um grupo de trabalhadores obscuros entre todos os trabalhadores portugueses e que na actual crise de Informação em Portugal, reagem às correntes do oportunismo geral: não obedecem a nenhuma seita, não estão submetidos a nenhum partido, não são de nenhuma irmandade.
Assumiram uma responsabilidade solidária com todos os explorados de Portugal e lutam para que a Informação seja uma acção colectiva.
Temos a felicidade de pertencer unicamente à nossa própria razão e ao nosso próprio trabalho e lutamos contra a engrenagem que visa dividir os trabalhadores explorados de Portugal em vários partidos, em várias políticas, em vários poleiros, em vários comedouros.
É desta crise geral que precedem alguns partidos que temos: de conciliações que atingem a imoralidade e de tolerâncias que roçam a corrupção. Uma Informação prostituída ao serviço de partidos destes sob a alegação de pluralismo, só pode contribuir para a dissolução da sociedade, arrastando-a para a indiferença e para a relaxação.[...]
É neste sentido que lutamos contra qualquer ingerência partidária, contra a ingerência da ditadura de compadres que o PS pretende instalar. Defendemos que a ascensão definitiva das classes trabalhadoras ao poder político da informação, não surge por decreto, nem por decisão de nenhuma "comissão central": surge pela precipitação das contradições sociais e económicas.[...]
Estamos solidários com todos os trabalhadores explorados e pobres de Portugal, que nas fábricas, nos campos, nos portos de pesca, nos serviços e nos transportes, lutam por uma revolução ao serviço dos trabalhadores e não ao serviço de meia dúzia de ambições de poder e de outras tantas traições aos soldados verdadeiramente revolucionários."

Manifesto dos trabalhadores da "República" a todos os trabalhadores pobres e explorados, 11 de Junho de 1975

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:28 PM | Comentários (1)

Rap Acção Directa

De 28 de Julho a 2 de Agosto, as associações Freestylaz e Khapaz, em conjunto com vários colectivos da Cova da Moura, Monte Caparica, Outorela, Portela, Barronhos, Laranjeiro, Arrentela, Musgueira e Almada, promoveram um encontro no CENTA (na Tapada da Tojeira, Salgueiral, junto a Vila Velha de Ródão). A iniciativa foi proposta em conversas informais, por diversas sedes e espaços, sendo determinada a sua necessidade da forma mais lata possível para que todos os intervenientes exerçam funções no seu planeamento e execução.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:53 PM | Comentários (0)

Ciganada

Il film d'inagurazione lo ha diretto il più giovane (artisticamente ) dei cineasti del pianeta, il portoghese di Porto Manoel de Oliveira, che a dicembre compie 100 anni e che si può definire il Quaresma dei filmaker. Imprevedibile, spiritoso, girovago come un rom «mago delle immagini» come l'oggetto del desiderio di Murinho lo è del calcio spettacolo.

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Publicado por [Chuckie Egg] às 02:03 PM | Comentários (1)

estavam bem é na caminha

Publicado por [Renegade] às 09:52 AM | Comentários (3)

agosto 27, 2008

Como sei que há muita gente que agora gosta de acompanhar o tema das taxas de ocupação do espaço público...

O ataque já estava preparado. Há várias semanas que ouvia dizer que Sá Fernandes iria propor a isenção de taxas ao concerto da Madonna. Muita gente já sabia isso. Era tão certo como o facto de ele “já estar no bolso do PS”.

Um Blog do assessor de imprensa do PCP na Câmara de Lisboa, não aguenta mais e exclama: “Autarquia sem cheta. Cidade decrépita. Espaço público degradado. Trabalhadores forçados à escravatura." Mas querem isentar de taxas a cantora do imperialismo!

Acontece que, afinal de contas, Sá Fernandes trocou as voltas a muito boa gente e diz que vai mesmo cobrar as taxas.

Entretanto, como é impossível agradar toda a todos, no Blitz, vários os fãs de Madonna acham escandaloso que se esteja a criar obstáculos à vinda da extraordinária artista à cidade.

Publicado por [Saboteur] às 06:32 PM | Comentários (15)

agosto 26, 2008

essas malditas pessoas da sala de jantar

Publicado por [Renegade] às 08:09 PM | Comentários (2)

agosto 25, 2008

Fragmentos de uma viagem (2) – Síria e Líbano

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As minhas expectativas eram grandes em relação a estes dois países. A história política e cultural palpita por cada esquina que passamos... e em cada passo que dei as minhas conscientes representações orientalistas foram-se desmoronando até à criação de novas imagens baseadas na experiência palpável.
Carrego comigo a nacionalidade portuguesa e com ela um pesado passado colonialista. Identifico-me como europeia e com ela transporto um espaço Schengen selectivo, um pseudo-requinte e uma superioridade de valores morais ficcionada.Venho do Western... mas o West of what ? O West do Oriente? Meti à prova continuamente a minha falsa modéstia de colonizadora arrependida: isto é o Oriente tal como ele é! Mas afinal onde se encontra o Harém? Faço feedback na minha viagem e lembro-me que a visita às reminiscências do Harém no Topkapi Palace em Istambul foi um regozijo, recuando assim a tempos passados e ainda bem perdidos! Perdi-me em zigzags, labirintos e antagonismos entre Ocidente e Oriente. Estava imersa num banho orientalista... tive que secar gota a gota este orientalismo para me tornar uma transeunte europeia sem luzes nem civilização nos bolsos no Próximo Oriente.

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Esta Síria, onde de Alepo a Damasco fui recebida com um bonito sorriso que me dizia Welcome. “Where are you from” perguntavam-me as pessoas… e uma ponte de Síria a Portugal construía-se imediatamente através do futebol. Poucos são os contactos histórico-diplomáticos entre estes dois países. Eu sem saber a língua deles, eles sem saberem a minha, Figo para os adultos, Cristiano Ronaldo para as crianças... e por uma vez o futebol proporcionou-me fantásticos momentos.
Ouvi o aramaico, a língua que Jesus falava e que meia dúzia de pessoas ainda fala em duas aldeias perdidas na Síria. Resistência linguística da parte destas pessoas, sobre a qual me questiono se isto será um obstáculo rígido à evolução normal das línguas ou uma preservação dolorosa de um património ou ainda uma herança pesada a carregar?
Quintas feiras, nas noites de verão, foi engraçado percorrer Damasco de carro e ver um fenómeno local... em cada esquina, pedaço de terreno, nos bordos da estrada as famílias e amigos fazem piqueniques, mas que picnics!
Este Líbano donde dos escombros de guerra emerge uma vida extravagante e exaltante. Desembarco directamente em Beirute, sinto uma brisa do mar que tão bem conheço de um país que ladeia igualmente as investidas das ondas... apercebo-me rapidamente que a braveza do Oceano Atlântico não é a mesmo que o ardor do Mar Mediterrâneo.Dois países pequenos e estreitos de forma, com mais de metade da população em todos os cantos do mundo, e no entanto sem nada a dizer um ao outro. Nem norte nem sul do Líbano, fui uma refém feliz do West Beirute (mais dias do que o previsto). Mas não esquecerei também o chamado centro da cidade onde existem desfiles contínuos de mulheres com narizes de plástico e homens com um bronzeado cor-de-rosa.
E quando de repente ouço explosões vindas de cada canto da cidade, coincidindo com as três horas quotidianas de corte de electricidade (consequência, parece, da guerra de Julho 2006), sozinha em casa, sem horas e sem telefone, a adrenalina e o medo sobem à cabeça como se estivesse à espera deste acontecimento desde o momento que meti os pés nesta região. Felizmente a vizinha estava presente e através do árabe e gestos consegui compreender que os estudantes festejam assim o fim do ano escolar. Gozo agora desta situação ridícula com um sorriso intimidado, mas como poderia eu ter reagido de maneira diferente se nunca ouvi o barulho de uma bala real.
Os bastidores políticos, sociais e culturais desta cidade e deste país são complexos. Devagarinho início um puzzle de 50 000 peças para o meu próprio prazer. Bem sei que é um passatempo masoquista uma vez que faltarão sempre peças que se encontram bem guardadas nas entranhas desta sociedade e deste povo. Alimentando um efeito de curiosidade sobre o transeunte, o Líbano é sem dúvida feito de contrastes e enigmas.
Perdi a minha máquina fotográfica já nos territórios palestinianos ocupados em 48, por ironia da situação perdi com ela as fotografias de Damasco e de Beirute onde passei os melhores momentos de uma viagem de dois meses.

Publicado por [Shift] às 03:55 PM | Comentários (8)

agosto 23, 2008

Fragmentos de uma viagem (1) - Turquia

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Entre decotes e burcas, as mulheres, através dos seus trajes, fazem a diferença no panorama turístico de Istambul. Esta cidade parece assim ser o ponto de encontro entre o "Ocidente e o Oriente"... falso antagonismo que vai para além dos círculos turísticos. A própria cidade está dividida em Europa e Ásia. Mesmo se esta divisão não corresponde necessariamente aos múltiplos modos de vida respectivos de uma e outra região, a denominação –Europa e Asia- faz eco nas mais sinceras percepções ocidentais sobre a Turquia.
Claro que esta bipolaridade não é tão real como aquela que os meus olhos poderiam ter tendência a fabricar. Lendo um artigo no LeMondeDiplomatique sobre a viragem diplomática da era Sarkozista, não poderia estar mais de acordo com De Gaulle quando este defendia que mais valia não voar em direcção do Oriente complexo com ideias simples. No entanto, e sem margem de dúvida, a argumentação De Gaulle tem um saborzinho a imperialismo colonial europeu.

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Uma personagem acompanhou-me durante o meu trajecto de norte a sul do país. Mustafa Kemal Ataturk – “o pai dos turcos”. O fundador da República Turca encontra-se por todo o lado, das paredes da sala de estar às casas de banho, dos restaurantes aos bares e por fim em todo o dinheiro turco, seja ele de um valor alto ou baixo! Se para muitos ele é um símbolo de modernização da Turquia, desde a sua fundação nos anos vinte do século passado (ou seja, no fim do Império Otomano), para outros ele é uma figura indispensável na salvaguarda de eventuais derivas islâmicas ou derivas excessivamente progressistas de carácter socialista na Turquia! O exército e a justiça estão presentes para assegurarem esta débil estabilidade, uma vez que a Turquia ferve por todos os lados. Mas Ataturk tem uma outra face, ele esta na base não só de uma das maiores revoluções linguísticas de todos os tempos (latinização do alfabeto da língua turca, outrora árabe), mas também na interdição bárbara de códigos sócio-culturais curdos, Orientais, entre outros. Deixou marcas mas não resultou a 100%.
Na conversa com alguns jovens turcos a palavra Curdistão é considerada uma ofensa para a dita "coesa" Republica Turca, não obstante, a existência de curdos com mais "pêlos" do que os turcos também é uma realidade para estes jovens. Enfim, paradoxos existências entre terras e povos não só exclusivos à Turquia!
Estava em Istambul quando se deu o atentado contra a Embaixada dos USA. Nada soube sobre o acontecimento no próprio dia, talvez por não saber a língua. O PKK estava longe das acusações. O método utilizado no atentado era similar aos métodos utilizados pela Al-Quaeda, no entanto os rumores apregoaram que o atentado fora cometido por forças secretas com algum poder político no interior do próprio Estado. Uma pessoa tentou-me explicar com mais detalhes estas forças intra-estatais secretas, compreendi muito pouco.
Apanhei o autocarro de Ankara a Gorême (Cappadocia)... Um transporte excelente com um serviço semelhante às melhores companhias aéreas. Muitos dos passageiros seriam citadinos de origem rural, eu deveria ser a única estrangeira.Ao ultrapassarmos um camião de gado com cerca de 100 pessoas no interior, 4 ou 5 pessoas dentro do meu autocarro olharam repentinamente para mim. Tentei compreender a situação, uma justificação me viera à cabeça... vários indícios acumulados durante a viagem me levam a crer que existe um esforço claro de provar a modernização da Turquia ao visitante, esperando com isso uma “certa” legitimação do Ocidente (acentuado pela perspectiva de entrar na União Europeia)... Como dizer a estas pessoas que no país onde nasci (Portugal), a minha mãe não pode cultivar a terra no domingo pois tal acto é considerado um pecado pela comunidade aldeã! Como dizer as estas pessoas que no país onde vivo (França) as autoridades metem indivíduos em centros de retenção, submetidos a condições deploráveis, pelo simples crime de serem estrangeiros! O transporte desumano de 100 pessoas no interior de um camião não é justificável, mas também não deveria ser, por motivos humanitários, entre outros, que a um país é recusada a entrada na União Europeia. Se a ética europeia está a um nível tão superior então que a utilizemos para elevar a dos outros! Mesmo se o condutor do autocarro tenha ido embora com a minha bagagem enquanto eu estava na casa de banho, apenas consigo ver um estúpido erro estratégico da parte da União Europeia de adiar a entrada deste enorme e magnífico país no seu seio.

Publicado por [Shift] às 07:34 PM | Comentários (2)

agosto 22, 2008

A melhor participação de sempre

Para o Rahul et pour cause...



E o Rui Costa já está no mercado para contratar aquele rapaz forte que não gosta de acordar cedo.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:49 PM | Comentários (4)

Tendências do verão 2008 # 6


Comentar a guerra entre a Rússia e a Geórgia com um tom entusiasmado, fazendo comparações com a Primavera de Praga e escondendo mal o entusiasmo pela repetição (agora em farsa) da guerra fria.
Alguns atlantistas do pedaço mal conseguem esconder a sua nostalgia pelos tempos em que existia o «império do mal» e aproveitaram a morte de Soljenitsyn para fazer de conta que as únicas denúncias do ambiente concentracionário soviético foram feitas por anti-comunistas.
Os Georgianos são agora as vítimas, tal como outrora os afegãos, ou os contras da Nicarágua, ou os cambojanos que lutavam contra os Khmers, ou os kosovars albaneses. Tendo em conta o destino de outros aliados do «ocidente» no passado, já devem estar a fazer contas à vida.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:29 PM | Comentários (2)

Darth Vader V.S. 600 Kgs.

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Deus não sabe no que se mete, será que o consigo convencer?

Publicado por [Chuckie Egg] às 12:48 PM | Comentários (1)

agosto 21, 2008

Separados à nascença?

Paulo Coelho.

Daniel Oliveira.

Publicado por [Party Program] às 08:52 PM | Comentários (19)

A minha raça é de ouro, é de ouro fino

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Publicado por [Chuckie Egg] às 03:25 PM | Comentários (1)

Red danger

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Um tribunal siciliano, em Itália, retirou a uma mulher a custódia do seu filho de 16 anos porque o menor se filiou no Partido da Refundação Comunista, que o juíz considera «extremista» (...) O pai do adolescente encontrou entre os pertences do filho o cartão da Juventude da Refundação Comunista e uma bandeira com a imagem do revolucionário argentino Ernesto "Che" Guevara, noticiou o jornal La Repubblica, acrescentando que os objectos foram entregues aos serviços sociais da Catânia.

Agora percebo porque é que o presidente vetou a nova lei dos divórcios, é para proteger a jcp e os jovens do bloco de juízes assim. nota-se que leu com atenção o sol este sábado, camarada aníbal aqui vai um granda abraço!

Publicado por [Chuckie Egg] às 02:55 PM | Comentários (4)

agosto 20, 2008

«Então pá, porque é que vieste de cuecas?»


Já está na rede a reportagem do SOL sobre o acampamento de jovens do Bloco.O jornalista (Fialho Gouveia?) fez a alguns jovens perguntas fundamentais como: «qual é a tua orientação sexual?» ou «gostavas de viver num país comunista?». E mostrou-se desiludido pelo cancelamento do workshop de «brinquedos sexuais».
E houve, é claro, uma intervenção acerca da situação política e social: "Rosas reiterou que sempre foi contra o acordo entre Sá Fernandes e António Costa, mas sublinhou que o BE sempre tem sido coerente, chamando a atenção para o facto de o programa não estar a ser cumprido."

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:40 PM | Comentários (3)

Eu não percebo nada de futebol...

... mas não é um bocado ridículo a Selecção Nacional, paga a peso de ouro, suprema instituição do país, o alfa e o omega da vida de tantos portugueses, estar a fazer jogos com a selecção das Ilhas Faroé?

Transmitido em directo pelo canal de maior audência no país, ainda por cima?

faroe islands.JPG

("no país", refiro-me a portugal. Nas ilhas faroé eles não têm canais de televisão e mesmo que tivessem não viam futebol pois o desporto nacional é a caça à baleia)

Publicado por [Saboteur] às 04:40 PM | Comentários (4)

agosto 19, 2008

Bye, bye Palestine...

Ultimo dia em Nablus… Estou a ser premiada pela navegação continua desde ontem à noite de F16 ou talvez outros aviões sem piloto ! Não se sabe se os israelitas o fazem para apenas espavorir as pessoas, ou talvez para demonstrar o controlo sobre a região, ou ainda talvez para preparar um ataque ! A cidade estremece, enquanto eu parto com a consciência tranquila de nada poder fazer nesta fucking holy land !

Publicado por [Shift] às 11:31 AM | Comentários (1)

Não é só o Banksy

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O meu bairro e @s amig@s continuam a surpreender pela positiva no que toca às artes de rua, normalmente apelidadas de vandalismo. Aqui podem ver a mission e aqui outras pinturas por lisboa.

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:21 AM | Comentários (3)

agosto 18, 2008

Pugresso


A PT vai abrir um Call Center em Stº Tirso e criar 1200 postos de trabalho (deve ser um resultado da justa luta dos desempregados da região...). Diz a empresa que vai privilegiar a estabilidade do emprego. Como? Ingenuamente, poderíamos pensar que iria aumentar o seu quadro de pessoal, mas isso é coisa que já não se usa. Vai «privilegiar» as «empresas prestadoras de serviços» o que estabeleçam contratos de «longa» duração.
A maior empresa de telecomunicações, com monopólio de facto ao nível da rede de cobre e de fibra óptica, recorre à subcontratação para expandir os seus serviços, com ajuda do Instituto para o Emprego. Uma vez que a PT tem como norma utilizar empresas de trabalho temporário para estabelecer contratos laborais de 1 mês, esta «longa» duração merece uma lágrima no canto do olho. O modelo de desenvolvimento que as privatizações trouxeram à economia portuguesa resplandece nos sorrisos de Sócrates.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:37 PM | Comentários (3)

Nunca me queimei tanto como neste Boom Festival...

Publicado por [Saboteur] às 12:06 PM | Comentários (14)

agosto 16, 2008

Orientalismo

Quem ficar sem guito em Marrocos, pode sempre avaliar quanto vale o seu amor.

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:10 PM | Comentários (2)

Tendências do verão 2008 #5


Durante semanas ouvimos falar da «questão cigana». Comentadores, jornalistas, magistrados e políticos atropelaram-se a considerá-los problemáticos e perigosos, pouco integrados e violentos, associados à criminalidade. Por defender que se estava a assistir a uma banalização do racismo nos media, Daniel Oliveira foi apelidado de «fascista das palavras» pelo director do Inimigo Público (e, excepcionalmente, não se tratava de uma piada idiota) na SIC. Depois disse-se que não havia segurança e que a polícia tinha de endurecer os seus métodos. Valeu-nos uma versão portuguesa de «Tropa de Elite» e um aplauso de alívio das mentes ordeiras. Uma polícia que atira a matar, o que poderia ser mais civilizado?
E agora, que uma criança foi baleada pela GNR, onde se encontrará o detergente com que Sousa Tavares, Helena Matos e o resto da camarilha securitária lavarão as suas mãos sujas de sangue? E o que foi feito dos adjectivos com que se dramatiza a indignação? Para quê dizer que «hoje somo tod@s cigan@s» quando se sabe tão perfeitamente que o que lhes apetece é dizer «hoje somos todos geninhos de arma na mão»?
GNR 201.jpg

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:40 PM | Comentários (1)

Bil'in - Palestina

Bil'in e uma aldeia palestiniana que tem resistido de forma exemplar a construcao do muro, que cria o apartheid na Palestina e que tira varios hectares de terra a esta municipalidade. Todas as sextas feiras, uma manifestacao vai do centro da cidade as cercas onde supostamente vai ser construido o muro, luta que dura ha mais de 4 anos. Estas manifestacoes sao compostas pela populacao local, israelitas e internacionais anti - ocupacao e colonizacao. Pela duracao deste movimento de resistencia a populacao local tem sido um laboratorio de experiencia de metodos, testemunhando a evolucao de metodos utilizados pelo exercito israelita contra os manifestantes. As unicas armas utilizadas por estes ultimos sao as fisgas (criancas) e a bandeira palestiniana (adultos). Desde a semana passada que os soldados israelitas utilizam um novo metodo apelidado Skunk, que consiste em jactos de forte pressao de agua pestilenta! Ninguem sabe muito bem qual a composicao desta agua, eu diria que vem dos esgostos das colonias ilegais, a populacao local avanca uma hipotese mais real: mistura de quimicos sem se saber quais sao as consequencias. Ontem fui a Bil'in, depois dos jactos desta agua pestilenta avancamos por uma outra frente. Lancaram granadas de gas lacrimogeno. Fugindo entre as oliveiras saltei como uma lebre e cai numa armadilha: fiquei presa em arame farpado (restos de outras cercas metidas pelos israelitas)… Uma vez mais a fatidica questao aparece: afinal quem sao os terroristas?

Publicado por [Shift] às 12:04 PM | Comentários (1)

agosto 11, 2008

Vai Orlando


O sol desce para Monsanto
Enquanto a noite cai
Adormeceu entretanto
Já saiu a namorada
Aguardou este momento
Sabe que a hora é sagrada
Nem é tarde nem é cedo
Era a que estava marcada
Vai por cima do roupeiro
Acha a caixa arrumada
Sopra o pó abre-lhe o fecho
Dá com ela descansada
Descansada está a arma
No pano adormecida
Tão perfeita tão gelada
Própria p'ra te roubar a vida
E enquanto a noite cai
O que é que ele vai ser?
Trancou a porta de casa
Desceu decididamente
Aspirou o ar da rua
Fundiu-se no mar de gente
Vi a arma e apanhei-a
Dei com o corpo no barranco
Já nasceu a lua cheia
Desceu o sol em Monsanto
E enquanto a noite cai
O que é que ele vai ser?

Xutos & Pontapés, Enquanto a noite cai, interpretado pelos Censurados

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:35 PM | Comentários (2)

Perguntas para Saboteur


"Então a redução do horário de trabalho, um sistema de saúde e de educação universal e gratuito, o subsidio de desemprego e o pleno emprego que permitem o trabalhador encarar de outra forma a luta de classes, são "ilusões"? São tudo lutas, propostas ou conquistas anti-radicais com que os partidos e movimentos de esquerda andam a perder tempo? Pelo contrário! São pontos importantes no caminho da tal construção de uma consciencia e de uma prática radical. Não servem para consolidar o poder burguês...[...]
Daqui, o aproveitar a oportunidade para dizer que não é "quanto pior, melhor", que estas conquistas são afinal libertadoras, que é importante ter menos horas de trabalho, para fazer o que nos der na pinha; que é importante termos um serviço nacional de saude que nos alivie de viver com o medo permanente de alguem adoecer e não haver dinheiro que pague tratamento, de haver um sistema de educação que permita que se possa estudar mesmo não sendo rico; que haja redes de protecção aos trabalhadores que incline um pouco para um lado a balança, muito desequilibrada, das relações de trabalho entre empregado e empregador…"
Saboteur Esquerda Radical

1- Como se luta pelo pleno emprego? Os períodos de pleno emprego resultaram de lutas dos trabalhadores?
2- Uma vez que penso ser consensual que o SNS não garante a muitas pessoas o tratamento de que necessitam e que o sistema de ensino público português deixa de fora muita gente precisamente por ser pobre, que sentido faz «defender» essas «conquistas sociais»? Aquilo que se ensina e a forma como se ensina na escola pública carece de importância?
3- O subsídio de desemprego também não me parece corresponder a um retrato tão luminoso como o que descreveste - não é pago a tod@s os/as que se encontram desempregad@s e está associado a uma série de constrangimentos para que o desempregado aceite qualquer oferta de emprego que lhe seja proposta pelo Centro. Não será o crescimento da emigração entre o proletariado português uma boa ilustração de quão frágil é a protecção social do Estado a esse nível?
4- Tenho curiosidade em ouvir-te descrever melhor as condições em que o exercício do poder a nível nacional, por uma coligação de esquerda, poderia transformar as correlações de forças no plano social e político. A esse nível, penso que a experiência Praça das Flores não augura nada de bom. E também sinto que há a ambição de colocar Portugal «no pelotão da frente» dos indicadores sociais europeus sem reflectir seriamente acerca das razões pelas quais isso nunca aconteceu.
5- Na tua opinião, quão longe poderia ir um governo de Esquerda no combate à burguesia portuguesa e aos esquemas de dependência estrutural da economia portuguesa? Faria sentido colocar a questão num plano nacional ou impor-se-ia uma escala maior para que a coisa «resultasse»?
greve_selvagem_.JPG

Como não sou pessoa de meras interrogações, coloco abaixo uma parte do manifesto do colectivo «Mudar de vida», cujos activistas têm visitado regularmente o Spectrum e participado de alguns debates nas caixas de comentários. Subscrevo-o na totalidade.
O ponto de partida para uma nova política é dizer frontalmente aos trabalhadores que nada têm a esperar do actual regime, romper com o fatalismo e o espírito da obediência à ordem reinante, incutir nos explorados o desprezo pelos valores do regime, alimentar-lhes a aspiração a um outro modo de vida, realmente democrático, liberto da opressão do capital. Para dar vigor às reivindicações e protestos da população pelos seus direitos é preciso fazer alastrar a todas as frentes a insatisfação com o infame modo de vida que nos é vendido como a “verdadeira democracia”, popularizar o direito à rebeldia, a ideia de que se pode viver de outra maneira. Há que retomar a linha de continuidade dos grandes movimentos populares de há trinta anos, que fizeram mais pela libertação e o progresso social do país que todas as leis de todos os parlamentos e governos. O proletariado já fez muitos sacrifícios por causas alheias – é hora de afirmar a sua própria causa, o seu antagonismo com o sistema e o objectivo de acabar com o capitalismo.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:07 PM | Comentários (15)

Tendências do verão 2008 #4

Já tivemos confrontos na praia de Stº Amaro envolvendo jovens negros, tiroteios num bairro social envolvendo ciganos e um assalto a um banco com sequestro envolvendo brasileiros. A extrema-direita instalou-se nos fóruns de discussão dos principais jornais. Os comentadores televisivos e colunistas da imprensa deslizam abertamente para posições xenófobas de diversas matizes. O Ministro da Administração Interna apoia, sorri e faz planos ambiciosos para o futuro. O SEF também esfrega as mãos e até a Inspecção Geral das Actividades Culturais já veio dizer que a venda de material pirateado predomina nos distritos onde se concentram«muitos indivíduos de etnia cigana».
Se tudo isto tivesse sido planeado não correria tão bem...
Racist2.jpg

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:37 PM | Comentários (2)

agosto 09, 2008

I come from there...

A Palestina chora o desaparecimento de Mahmoud Darwish, o poeta da Resistencia Palestiniana. Ironia do destino… fala-se em pedir uma autorizacao especial ao Estado de Israel no sentido de se enterrar o corpo na sua aldeia natal (al-Birwa, uma das muitas aldeias completamente destruidas em 48, esvaziada da populacao arabe (maioria muçulmana) e transformada actualmente numa colonia israelita (judeus na sua totalidade).

Poem Title : I Come From There
I come from there and I have memories
Born as mortals are, I have a mother
And a house with many windows,
I have brothers, friends,
And a prison cell with a cold window.
Mine is the wave, snatched by sea-gulls,
I have my own view,
And an extra blade of grass.
Mine is the moon at the far edge of the words,
And the bounty of birds,
And the immortal olive tree.
I walked this land before the swords
Turned its living body into a laden table.
***
I come from there. I render the sky unto her mother
When the sky weeps for her mother.
And I weep to make myself known
To a returning cloud.
I learnt all the words worthy of the court of blood
So that I could break the rule.
I learnt all the words and broke them up
To make a single word: Homeland.....


Publicado por [Shift] às 11:46 PM | Comentários (3)

Já não há ginastas como dantes...

Publicado por [Joystick] às 02:31 PM | Comentários (2)

Festivais há muitos...

Depois de 99% da comunidade do Spectrum ter ido a Sines, também eu vou a um festival de Músicas do Mundo.

Graças a Deus, já esteve lá a polícia e consta que não há drogas nem drogados

Até prá semana.

Publicado por [Saboteur] às 02:23 PM | Comentários (0)

agosto 08, 2008

Um conselho que vos deixo em vésperas da ida para o Festival dos drogados

Publicado por [Joystick] às 06:58 PM | Comentários (1)

agosto 07, 2008

Terminal...


Quando passamos um check point reparamos facilmente na presença massiva de homens. Estes, com uma idade compreendida entre os 15 e os 40 anos encontram-se em filas especiais. Passando uma grande parte do dia nestes corredores, os homens quando chegam ao momento de serem revistados atingem o auge da humilhaçao. Hoje, um destes homens, com os seus 35 anos, ao chegar a linha da frente apaga o cigarro em frente do soldado. Este ultimo, com os seus 18 anos, deu-se ao direito de dar uma liçao de moral que consistiu em manda-lo novamente para o fim da fila. É importante sublinhar que o check point em questao separa Nablus de Ramalah, os homens nesta idade(15-40 ans) têm que ter autorizaçoes especiais para poderem fazer este trajecto dentro da Cisjordania (territorios ocupados em 67), muitas delas sao dadas por motivo de trabalho. Na conversa com o irmao da minha amiga, que se situa neste estrato da populaçao, tive a oportunidade de me aperceber que existem tambem soldados inteligentes. Ao chegar a linha da frente, o soldado vira-se para o jovem e diz-lhe ironicamente "That's like an airport, ehhn?". Ou seja, para estes homens os check points sao autenticos terminais.

Publicado por [Shift] às 11:30 PM | Comentários (1)

Esquerda radical

1. A propósito do interessante post de Joystick, pergunta, nos comentários, Saboteur: «por que não debater precisamente a questão que no fundo está por detrás de tudo isto: Deve ou não a esquerda radical exercer o poder nos diferentes níveis territoriais num sistema de democracia burguesa?» Julgo que, descontextualizando, são possíveis várias respostas a esta pergunta, dependendo do que se entende por esquerda radical. No contexto em que Saboteur a formulou, a pergunta, em que «esquerda radical» quer dizer Bloco de Esquerda, a resposta é, obviamente, sim. O problema está justamente nessa identificação entre BE e «esquerda radical». É que, se é certo que o BE é inequivocamente de esquerda, não é menos verdade que de radical tem pouco ou nada. O BE é um partido reformista, social-democrata, cuja prática, estratégia e programa estão formatados para o exercício do poder «num sistema de democracia burguesa». Esta afirmação não tem nada de pejorativo. Não vejo problema nenhum em ser-se reformista, social-democrata, ou o que se quiser. Não creio que seja aí que se joga o que me parece importante, que é, justamente, a construção de uma consciência e de uma prática radicais. Nesse sentido, a participação do BE nos mecanismos de poder não só faz todo o sentido, como nem imagino que pudesse ser de outra maneira. Assim se explica que seja um partido de esquerda.

2. Uma vez, à saída de uma peça de teatro (não me lembro qual), ouvi um gajo com ar de entendido a perguntar a outro: «viste bem a ilusão que se cria à volta do personagem?» Não sei por quê, aquela frase ficou-me na cabeça. Vem isto a propósito porque, apesar de todas as ilusões criadas à volta do personagem, não creio que exista uma única experiência de participação da esquerda no poder burguês que não tenha servido, de uma forma ou de outra, para consolidar esse mesmo poder e as estruturas de dominação do capital. Para explicar esse fenómeno, podemos procurar encontrar as mais diversas explicações, que passem por degenerescências várias de partidos ou dirigentes, mas, para mim, a explicação é tão simplesmente que o poder burguês é mesmo burguês, não é neutro, nem híbrido, nem moldável às mais sinceras boas-vontades revolucionárias. Historicamente, a esquerda, na forma-partido, foi sempre uma parte do sistema, mesmo quando não exerceu directamente o poder e, portanto, a sua prática foi sempre não radical, quando não mesmo anti-radical.

3. Um dos problemas centrais da radicalidade é, precisamente, a superação radical da esquerda. Ou seja, é conseguir sair da esfera do sistema. A superação do capital e a abolição de qualquer forma de poder separado são seguramente objectivos de uma perspectiva radical, ou seja, de uma prática que vá além da gestão mais humanizada da crise estrutural do sistema. Nesse sentido, a perspectiva radical é essencialmente negativa, ou seja assenta na negação das categorias de base do capital e não na vã tentativa de as colocar «ao serviço da revolução».

Publicado por [Manic Miner] às 07:48 PM | Comentários (20)

Tribuna dos próprios trabalhadores em luta


"O jornal Combate, dentro do seu objectivo de ser uma tribuna dos próprios trabalhadores em luta, considera como uma das suas mais importantes tarefas a divulgação da imprensa trabalhadora de fábrica ou de sector profissional. Deste modo, não só incitamos todos os trabalhadores a criarem, nas suas fábricas, os seus próprios jornais, como, através da divulgação dos seus textos mais importantes, contribuimos para a generalização das experiências de cada luta particular e para a unificação das lutas no grande combate contra o capitalismo e toda a sociedade de exploração e de opressão."
torre+bela.bmp
Já está on-line o jornal Combate (1974-78)
O jornal Combate foi publicado em Portugal, no âmbito das inúmeras iniciativas políticas e populares que se seguiram ao derrube do fascismo em 25 de Abril de 1974 e que durante um ano e meio transformaram o que começara por ser um golpe militar num ensaio de profunda reorganização social. Apesar dos obstáculos ao desenvolvimento das lutas, e quaisquer que fossem os rumos seguidos, em todos os casos os trabalhadores conseguiram alcançar o poder suficiente para abrir as portas das empresas e para permitir que o movimento político mais amplo minasse a disciplina patronal. Foi nestas condições que o jornal Combate surgiu e pôde subsistir. E o fim desta situação ditou o fim do jornal. A colecção do Combate constitui um repertório indispensável para quem se interesse pelas lutas sociais em Portugal em 1974-1978 ou, mais amplamente, pelo movimento da classe trabalhadora contra todas as formas de capitalismo, tanto privado como de Estado.
poderpopular.JPG

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:16 PM | Comentários (1)

O Partido que há-de sair com Neoblanc

Há um partido que se diz movimento que nada mais é do que uma nódoa de fruta. De melancia, das custosas de sair mas que soube bem na boca, docinha, docinha enquanto os que a comeram não deram pelo enfartamento e pelo desastre espalhado pela camisa (das boas, de marca!).

Hoje (ontem), no Público, mais um – o Rui Tavares – vem mostrar que a sua base de apoio intelectual, enamorada por uma melancia da nova esquerda, aberta, democrática e não sectária, lhe ameaça passar com Neoblanc por cima.

Eu até acho graça porque eu até pus lá umas cruzinhas por eles mas no fim de contas sempre estive desconfiada e até comi da melancia, sim senhor, mas com cuidadinho porque aquilo sempre me pareceu que podia explodir em sumo e esvair-se por entre os dedos. O que aliás está a acontecer com toda esta história de namoro platónico à Roseta a par de um esforço imenso para arranjar desculpas para se desligarem do Sá Fernandes, incapazes que estão de lhe encontrarem qualidades no trabalho e inaptos para as “capitalizarem” ou até “vampirizarem” para o Partido, e raivosos pelo facto do vereador independente, que agora se prova ser, aos olhos do BE, um independente de novo tipo, que é como quem diz independente-género-intervenção-democrática (das listas do arqui-inimigo PCP), não abrir os envelopes das orientações enviados pela Comissão Política (e aqui é que está o busílis!).

O problema essencial, resumo eu, é centralismo, ortodoxismo, sectarismo, instrumentalismo, tudo coisas que não pareciam existir na bandeira d’O que é novo cresce, que vimos aparecer por aí no derradeiro ano do milénio passado. Olha, e tão pequenina e já implodiu por dentro!


Publicado por [Joystick] às 02:26 AM | Comentários (18)

agosto 06, 2008

Nablus, meia noite

Depois de ter passado 10 horas na fronteira da Jordania para a Palestina (controlo feito por Israel), e tendo de passar por tres check points para chegar finalmente a cidade (Nablus) da minha amiga... estava estourada! Dormi facilmente sem pensar nas atrocidades pelas quais tinha passado. Parece que durante a noite houve uma invasao israelita, a minha amiga decidiu nao me acordar. No entanto, ela estava preocupada se eu acordaria ou nao com um grande choque, visto que ha dois meses a sua mae e irma foram o alvo de uma bala perdida que entrou pelo quarto... o mesmo onde eu dormia! A normalizasao de um quotidiano nada normal esta feito por ela... para mim e dificil. O que nao implica necessariamente uma falta de consciencia politica e de accao da sua parte. Contar-vos-ei detalhadamente esta normalizacao catastrofica! (pas d' accents!)

Publicado por [Shift] às 08:56 AM | Comentários (2)

agosto 05, 2008

Lisboa, meia-noite

Humidade relativa, 65%. Tempratura, 21graus...

Ainda me faltam duas semanas de férias. Uma em Agosto e outra em Setembro, mas já fico angustiado de pensar que o Verão vai acabar por terminar.

Publicado por [Saboteur] às 12:30 AM | Comentários (1)

agosto 03, 2008

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Já está disponível o terceiro número da Monthly Review (edição portuguesa) e da Shift, esta última com a colaboração de muita gente aqui do barraco: fala-se de trabalhinho. Já o tema da revista da marxista norte-americana é a ecologia.

O 1º número continua disponível para download gartuito. Tudo em www.zionedicoes.org

Publicado por [Paradise Café] às 05:06 PM | Comentários (3)

leves leituras de verão...

"(...) o fascismo e o nacional-socialismo, que divergem do comunismo pelas suas concepções económicas e pelas suas exigências espiritualistas, assemelham-se a ele pelo conceito de estado totalitário. Tanto para um como para outro, o partido é o estado, a cujos fins se encontra subordinada toda a actividade dos cidadãos; os homens existem apenas para a grandeza e glória do estado."

António de Oliveira Salazar, Como se reergue um Estado, 1937

Publicado por [Paradise Café] às 11:32 AM | Comentários (8)

agosto 01, 2008

Isto e que é uma comunicação ao país!

«Eles disseram que não estavam interessados em vender e eu lhes disse que quero comprar e vou fazer isso. Vamos nacionalizar o Banco da Venezuela»

Chavez_Maradona.jpg

Publicado por [Saboteur] às 01:44 PM | Comentários (5)

Cavaco in the box

Publicado por [Renegade] às 09:47 AM | Comentários (3)

Tabu e desilusão

A história do tabu repetiu-se agora em farsa.

Cavaco fez todo o suspence. Querendo ou sem querer chamou definitivamente a atenção para a questão do seu estado de saúde e pôs alguns mais optimistas a sonhar com a renuncia ao mandato… depois foi ler o boletim meteorológico para a abertura dos telejornais… Ou terá sido o estado do trânsito?... Já não me recordo.

Publicado por [Saboteur] às 03:00 AM | Comentários (1)