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abril 30, 2008

Notas sobre um certo e determinado sindicato por ocasião do Dia do Trabalhador - déjà vu é para betinhos

Niguém me contou. Não ouvi dizer nem corresponde a ideias feitas e reproduzidas por mim ou por outros. Não é boato mentiroso, nem sequer boato verdadeiro. Eu assisti, enquanto trabalhadora.

Eu fui a um plenário convocado pelo sindicato e comissão de trabalhadores (aqui entre nós, só não foi convocado também pela DORL porque era um bocado demais) onde os mesmos explicariam aos presentes os "resultados das auscultações" dos trabalhadores em cada serviço sobre a inexistência de aumentos salariais decretada aqui pelo patronato, digamos assim, sem que o sindicato tivesse, nessa altura, apresentado qualquer contra-proposta. Tinham também um "projecto de resolução" que não tinham distribuído aos trabalhadores presentes enquanto faziam as magníficas intervenções iniciais sobre a condição proletária e situação política nacional e local por, e cito, "uma razão táctica" mas que, de seguida, "aprovaríamos" a dita e dávamos por terminado o plenário.

A dita "proposta de resolução" que "aprovaríamos" não continha nenhuma contra-proposta negocial sobre aumentos salariais e não apresentava qualquer tipo de plano estratégico para a resolução do problema, apesar de, claro está, falar na "luta".

Bem, percebeu-se logo no início duas coisas: que o processo de "auscultação" tinha esquecido as propostas reais que os trabalhadores tinham feito. Foram pedidos esclarecimentos e não tinham resposta. É que discordavam, porque sim, porque não-sei-o-quê do "trabalho colectivo". Foram, de novo, feitas essas propostas, ao que o coordenador do sindicato responde qualquer coisa como (e vou tentar reproduzir ipsis verbis):

"Eu quando era novo e comecei nestas lides sindicais também tinha esse purismo" e blá-blá-blá paternalista, sexista, autoritário, "mas eu não vou defender essa proposta".

Depois dos "Ai vais, vais!", dos "Era o que faltava!", passando pela verdadinha toda do "Esse sindicato não nos representa", os trabalhadores - pelo menos os que falaram - exigiram uma votação.

Os da mesa resistiram, insistindo em fazer outras propostas estúpidas que seriam "consensualizadoras" (sic). Fala-se, nesse caso, numa votação em alternativa.

Ruborizam os da mesa, saltam-lhes perdigotos de saliva que o que é preciso é resistir às regras da democracia burguesa. Perdem-se as estribeiras, as eloquências e o asseio e os trabalhadores só não foram ainda mais revolucionários porque o sindicato recuou.

Recuou mas desconfio que não deu a mão à palmatória, corre o diz-que-disse (que, como qualquer diz-que-disse, é subreptício sem que se saiba em definitivo se é boato ou inconfidência senil - mas, quanto a mim, déjà vu é para betinhos!) que aquilo estava tudo era "organizado", presume-se que pela burguesia, pelo patronato, pelas forças do mal infiltradas nos trabalhadores.

É por estas e por outras que amanhã desfilarei com os precários.

Publicado por [Joystick] às 06:13 PM | Comentários (4)

AVISO : Ideolologia à la Western Union

Se por algum motivo tiver que fazer uma transacção de dinheiro para a Faixa de Gaza, no endereço do destinatário, ATENçÃO, não indicar Territórios Palestinianos! Na terminologia da Western Union isto significa ISRAEL. Portanto, se quiser que o seu dinheiro chegue ao bom destino é necessário indicar: Gaza (Autoridade Palestiniana).
Sem mais, agradeço desde já a “União Ocidental” pelo esforço de empurrar a terra palestiniana ao mar!

Publicado por [Shift] às 03:12 PM | Comentários (1)

Girls Love Bad Boys

Quando algures na minha adolescência tardia ocorreu aquele momento em que deixei de querer ser estrela de rock para querer ser revolucionário morreu de alguma maneira em mim o mito algo machista e heterosexista de vir a ter uma namorada modelo, se bem que alguns companheiros do passado sejam conhecidos pelas suas caóticas e aventurosas vidas amorosas em nenhum momento tal se poderá comparar com os bon jovi e axl rose deste mundo. Mas desde há algum tempo isso parece começar a mudar. Primeiro surgiu o romance entre a Carla Bruni e o Sarkozy. Sarkozy está exactamente e literalmente no outro lado da barricada mas não deixa de ser uma pessoa da politica que partilha algumas referências comigo, o maio de 68 por exemplo. Depois apareceu o boato da relação entre a Naomi Campbell e o Chavez, melhor, mas ainda assim gosto tanto do Chavez como do Sarkozy.

Agora surge a revelação de que o Subcomandante Marcos tem uma paixão secreta pela Angelina Jolie. Melhor, muito melhor. Imagino já a Jolie a ler as declarações e a apanhar o primeiro avião para o México, o nosso companheiro tabagista a dar uma ganda boca ao Brad Pitt e uma nova alegria armada a apoderar-se dos pueblos insurrectos. Mas ainda assim não é totalmente na minha liga, até o Nuno de Chiapas curte do Sub. Brutal mesmo era o Alfredo Maria Bonanno orientar-se com a Scarlet. Ou ser descoberto que o Debord tinha andado enrolado com Anna Karina (esta sim encher-me-ia de orgulho)

Avanti Bonanno!

O que não tardará muito se as coisas continuarem assim. Imagino um futuro não distante onde a Ana Drago namora com o Sean Connery, o Louçã com Sharon Stone e o Jerónimo de Sousa mostra os recantos mais bonitos do Barreiro à Sophia Loren enquanto discutem o legado politico de Togliatti.

Assim se vê a força do PC

Publicado por [Party Program] às 03:08 PM | Comentários (2)

bô bairro, nós mundo

Tudo começou com uma compilação musical criada para o África Festival, em Lisboa, pelo Conjunto Ngonguenha's. As imagens gravadas para o videoclip dessa compilação resultaram em 13 cassetes. Assim, o que inicialmente era para ser apenas um video musical transformou-se num documentário. E a história segue: um dia em Luanda, capital de Angola, uma jovem democracia cresce após a guerra civil. Retrata-se esta realidade tendo como banda sonora uma rádio imaginária chamada Rádio Dreda, que passa Kuduro e um hip-hop "consciente". Um documentário que é um tributo a todos os artistas que conseguem encontrar inspiração num país em mudança e contribuem, assim, para a criação de uma nova identidade angolana.

dredamwangolé.bmp

É hoje, às 21:15 no São Jorge, até lá, deixo-vos com o melhor que por cá se faz...bring the love for the streets of santo antonio and corroios...


Publicado por [Chuckie Egg] às 02:39 PM | Comentários (2)

Rock the Casbah

O documentário de ontem sobre Joe Strummer aborda, a certa altura, o antagonismo insolúvel entre o natural desejo de que a banda tenha sucesso e consiga chegar a mais pessoas e todos os dissabores e situações perniciosas que acompanham esse mesmo sucesso.

Um amigo próximo de Joe Strummer conta que ele chorou quando viu num noticiário um soldado norte-americano a escrever ‘Rock the Casbah’ numa das bombas que iria ser lançada sobre Bagdad.

Publicado por [Saboteur] às 12:35 PM | Comentários (1)

A hora é de luta

mayday08ela.jpg
Vai fazer um concerto no ciclo Música e Revolução, na Casa da Música. Por que é que lhe chamou Mayday?
Partiu de um filmezito daqueles mal traduzidos que eu estava a ver. “Mayday” é o S.O.S. na aviação. Nesse filme de guerra, um avião caía e o piloto estava a falar com terra: “Mayday, Mayday”... E o tradutor, na sua ignorância, traduziu “1º de Maio. 1º de Maio”. Achei fantástico. Ainda se fosse “13 de Maio”…

Rui Reininho, entrevista ao Público

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:29 AM | Comentários (1)

Hofmann in the sky with diamonds

LastTrip.jpg

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:23 AM | Comentários (4)

"é um bocadinho Ípsilon, não é?"

"Sabem que me escondo na Bellevue
Ninguém comparece ao meu rendez-vous
Porta atrás porta pelo corredor
O foco de luz no ultimo estertor
No espelho um esgar, um sorriso cruel
Atrás da ultima porta a cama de dossel
Salto para cima experimento o colchão
Onde era sangue é só solidão
Os meus amigos enterrados no jardim
E agora mais ninguém confia em mim
Era só para brincar ao cinema negro
Os corpos no lago eram de gente no desemprego"

Reininho.jpgNuitNoire.jpg

A minha ideologia não é nem deus nem chefes, porque, precisamente, tenho vivido sem uns nem outros. E, se calhar, eles existem.

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:25 AM | Comentários (3)

Fico mais descansado...

Ontem ao almoço estavam-me a dizer que "uns magrebinos" tinham aviado 2 agentes da PSP em Beja. "Isto agora é todos os dias", disse ainda uma colega minha. Chiça!

Afinal de contas, enquanto bebo o café da manhã, vejo no 24 horas, que ou a TV deu a notícia mal, ou como estava muito barulho no restaurante não se precebeu bem, ou o/a jornalista disse em passagem qualquer coisa sobre magrebinos... A verdade é que quem deu um pontapé na cara do bófia e um murro noutro foi um jovem, "filho de um empresário da noite", que teria bebido uns copos a mais na Ovibeja e estaria para lá de Bagdad.

Fico mais descansado então.

Publicado por [Saboteur] às 08:48 AM | Comentários (2)

abril 29, 2008

Em todas as lutas!

Peço desculpa, mas a partir de agora, até 31 de Maio, poderei estar mais ausente.

É que queria canalizar um pouco das minhas energias e tempo disponível para esta importante luta nacional.

Um grande bem hajam! Nunca desistam dos vossos sonhos.

Publicado por [Saboteur] às 06:41 PM | Comentários (2)

Ninguém leu?

ti_jeronimo_de_foice.jpg
Então o Jerónimo dá uma entrevista de seis páginas para o Diário de Notícias de domingo e a generalidade dos blogs que habitualmente leio resolve ignorar a dita?
Bom, a verdade é que, mesmo estando de férias, nem a mim deu vontade suficiente para espremer dali qualquer coisa.
Continua, no entanto, a ser peculiar a simpatia que a maioria dos jornalistas nutre pelo homem...

Publicado por [Bomb Jack] às 05:05 PM | Comentários (5)

«Estavam à espera de quê?»

Quando o extraordinário filme ‘Branca de Neve’ foi projectado pela primeira vez, os jornalistas cercaram João César Monteiro de microfones, gravadores e câmaras de filmar. Queriam saber o que era aquilo, de um filme sem imagem. Se não seria dinheiro dos contribuintes deitado à rua, etc.

João César Monteiro respondeu: “Mas estavam à espera de quê? Telenovelas?”

É esta pergunta que dá o mote à 5ª edição do Indie Festival, que está a decorrer até Domingo, em Lisboa, em 7 salas de cinema. (5 das quais, salas da Câmara Municipal)

Esta noite, no Maria Matos, um documentário sobre Joe Strummer. O nosso camarada dos Clash.

Publicado por [Saboteur] às 05:04 PM | Comentários (1)

abril 28, 2008

Ma l'amore mio non muore


"Periodicamente, a esquerda sofre derrotas. Isso agrada-nos, mas não nos chega. Pretendemos que a sua derrota seja definitiva. Sem remédio. Que nunca mais o espectro de uma oposição conciliável venha planar no espírito daqueles que se sabem inadequados ao funcionamento capitalista. A esquerda – e isto é admitido pelo mundo inteiro hoje em dia, mas recordá-lo-emos ainda depois de amanhã? – faz parte integrante dos dispositivos de neutralização próprios da sociedade liberal. Quanto mais se agudiza a explosão do social, mais a esquerda invoca a «sociedade civil». Quanto mais a polícia exerce impunentemente o seu arbítrio, mais ela se declara pacifista. Quanto mais o Estado se liberta das últimas formalidade jurídicas, mais ela se torna cidadã. Quanto mais cresce a urgência de nos apropriarmos dos meios da nossa existência, mais a esquerda nos exorta a esperar, a reclamar a mediação, se não mesmo a protecção, dos nossos senhores. É ela que nos incentiva hoje em dia, perante governos que se colocam abertamente no terreno da guerra social, a procurar a sua compreensão, a redigir as nossas queixas, a formular reivindicações, a estudar economia política. De Léon Blum a Lula, a esquerda nunca foi mais do que isto: o partido do Homem, do cidadão e da civilização. Hoje em dia, este programa coincide com o programa da contra-revolução integral. O de manter de pé as ilusões que nos paralisam. A vocação da esquerda é portanto a de expôr o sonho para cuja realização só o Império dispõe dos meios. Ela constitui a faceta idealista da modernização imperial, a válvula necessária à insuportável marcha do capitalismo. Já não repugna escrever nas próprias publicações do ministério da juventude, da educação e da investigação: “Doravante todos sabem que sem a ajuda concreta dos cidadãos, o Estado não terá nem os meios nem o tempo para erguer as obras que podem evitar a explosão da nossa sociedade.” (Envie d’agir – Le Guide de l’engagement)
Desfazer a esquerda, ou seja, manter constantemente aberto o canal do descontentamente social, não é apenas necessário mas, hoje em dia, possível. Somos testemunhas, ao mesmo tempo que se reforçam a um ritmo acelerado as estruturas imperiais, da passagem da velha esquerda trabalhista, fóssil do movimento operário e dele proveniente, a uma nova esquerda, mundial, cultural, da qual podemos afirmar que o negrismo forma a ponta mais avançada. Esta nova esquerda está ainda mal informada acerca da recente neutralização do «movimento anti-globalização». Os logros que ela avança passam ainda enquanto tais, ao mesmo tempo que os antigos já não surtem efeito."

Appel, autor anónimo, Edições Antipáticas, Lisboa, 2008

Publicado por [Rick Dangerous] às 08:03 PM | Comentários (1)

Dia 3 da Maio, dia de luta

Nem só no 1º de Maio se desfila pelas ruas de Lisboa.

O próximo sábado, dia 3 de Maio, será o dia da Marcha Global da Marijuana. Em Lisboa, tal como em centenas de outras cidades do mundo, vai lutar-se pela:

• Despenalização da posse, consumo e cultivo de canábis e de todos os produtos derivados desta planta.

• Criação de regulamentação para o fornecimento, comércio e compra legal de canábis por adultos.

• Criação de regulamentação para estabelecimentos públicos onde o consumo de canábis por adultos seja permitido.

Vão a este link para ler o Manifesto e para subscrevê-lo.

Publicado por [Saboteur] às 02:39 PM | Comentários (4)

abril 27, 2008

A democracia e a falta de ideias...

js25abr.jpg
Confesso que chego a ter pena daquela malta da JS que, ano após ano, lá aparece na Avenida, pronta para desfilar e representar os mais velhinhos do PS que nestas alturas optam por ir a banhos ou mesmo por ficar em casa.
Mas este ano os tipos foram sérios candidatos à maior gargalhada do desfile...

Publicado por [Bomb Jack] às 12:11 PM | Comentários (4)

where is my umbrella?

Cerca de 300 pessoas comemoraram alegremente o 25 de Abril na « maison des métallos » em Paris ! Muito Bom! E vocês, estão todos na prisão sem acesso à internet! Nós aqui, exilados no estrangeiro, temos sede de notícias! Como correram as acções no 25 de Abril em Portugal?

Publicado por [Shift] às 11:11 AM | Comentários (7)

abril 25, 2008

Non tutti piangono

A Deriveapprodi, uma das melhores editoras italianas que já publicou desde os livros que levaram Negri à prisão até autobiografias de actores porno paasando por uma já ampla coleção de livros de cozinha e que nos últimos anos têm divulgado um magnifico trabalho de análise e investigação da "autonomia operaio" afirma o seguinte na sua newsletter:

"Abbiamo montato la cosa in fretta e furia, a ridosso del trentennale del sequestro Moro e a poca distanza dalla scadenza elettorale, forse perché l’istinto ci suggeriva che qualcosa di rilevante stava accadendo: la precipitazione verticale di forma e sostanza della rappresentanza politica. Cioè quel che di fondamentale siamo andati ossessivamente dicendo con i nostri pochi mezzi da tempo.
Noi che abbiamo lavorato da sempre, e alacremente, per la scomparsa di questa sinistra, ipocrita e po’ gaglioffa, siamo pure tra i più sorpresi. Forse perché è un’uscita di scena senza un briciolo di gloria. Infatti, non ci viene neanche un sussulto di compassione. Ed è proprio perché «non abbiamo paura delle rovine» che crediamo valga la pena aprirsi a ogni pensiero innovativo e sconveniente. Per non ricominciare daccapo.
Noi, abbiamo delle cose da dire."

"Organizámos [a newsletter] com pressa e com fúria, por causa do trigésimo aniversário da morte de Moro e pelo pouco que faltava para o acto eleitoral, e talvez porque o instinto nos alertava para algo que estava a acontecer: a precipitação vertical em forma e substância da representação política. Ou seja, aquilo que temos dedicadamente andado a dizer com os nossos tempos limitados.
Nós que desde sempre trabalhámos, e afincadamente, pelo desaparecimento desta esquerda, hipócrita e velhaca, estamos também entre os mais surpresos. Talvez porque tenha sido uma saída de cena sem uma grama de glória. Aliás não temos sequer um suspiro de compaixão. E é exactamente porque "não temos medo das ruínas" que acreditamos valer a pena abrir-se a qualquer pensamento inovador e inconveniente. Para não recomeçar do inicio.
Temos algumas coisas a dizer."

Conhecendo a editora como não é possível conhecer só através deste parágrafo subscrevo totalmente o que dizem, em parte que este comentário não parte de nenhum radicalismo dogmático, senil ou juvenil. Penso que seja impossível explicar os fracos resultados da esquerda em Itália com um desaparecimento de uma postura e de uma prática criticas que são sem dúvida das mais avançadas no contexto Europeu, mas como dizia um outro comentador estes dias para se perceber a politica Italiano há que ser italiano. Vivi lá um ano, pesco uma coisa aqui outra coisa ali mas estou longe de poder fazer uma análise que sequer me satisfaça a mim próprio, mas no entanto creio que faltou algo na maioria das reflexões que vi, a maioria justificava-se no voto útil e num certo desencanto perante cedências da rifondazione mas eu alegremente gosto, como os amigos da deriveapprodi, da ideia de um certo esgotamento critico e potencial desta esquerda nas margens do espectro parlamentar que flirta com o campo dos movimentos sociais. Digo-o sem radicalismos imberbes e sem achar que “quanto pior melhor”: num espaço geográfico onde o comentador de esquerda “alternativa” por excelência é um padreco social-democrata e onde se vende como iniciativa original e aberta um franchise adulterado do mayday (sem descrédito para os que todos para ele trabalham) controlado por lideres partidários eu não afectarei mais do que um esboço de sorriso aquando um eventual desabar de todas essas instituições e práticas que compõe grosso modo a esquerda em Portugal.

Publicado por [Party Program] às 03:03 PM | Comentários (2)

«Levanta-te meu povo. Não é tarde»

Publicado por [Bomb Jack] às 12:48 PM | Comentários (3)

abril 24, 2008

Alberto João à Presidência do PSD

Ainda não reunimos o concelho editorial do Spectrum, mas acho que falo com alguma margem de segurança quando afirmo que este blog apoia a candidatura de Alberto João Jardim à Presidência do PSD.

PS: Quem também anda muito entusiasmado com o Alberto João são os Fachos. Parece que o homem conseguiu sacar uma indemenização a Daniel Oliveira e eles estão todos satisfeitos.

Publicado por [Saboteur] às 02:46 PM | Comentários (8)

Quando eu morrer

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:06 AM | Comentários (1)

abril 23, 2008

No jornal da mentira desconcertante


Quando se pensava que era difícil descer mais baixo, eis que uma nova categoria de infâmia se torna aplicável ao director do jornal de Belmiro de Azevedo. Num editorial que ficou à espera do último suspiro de um moribundo para ver a luz do dia, José Manuel Fernandes ajusta contas com o seu passado caluniando Francisco Martins Rodrigues.
Para além das lamechices acerca da sua família e das insípidas memórias marxistas-leninistas de Fernandes (ao que parece a sua grande motivação para a leitura era "poder perceber melhor porque é que o PCP era «revisionista»"), segue-se aqui até às últimas consequências a estratégia da amálgama, tão cara à literatura anti-comunista.
Ficamos a saber que Francisco Martins Rodrigues conhecia - "Não podia deixar de a conhecer" - a realidade concentracionária do socialismo real, "Mas acontecia que a aceitava. Tinha-a por inevitável em nome da necessidade de conduzir a humanidade para a radiosa utopia comunista. E recusava questionar os métodos, porque «não havia outra maneira de o fazer»".
Comecemos por esclarecer que a confusão que aqui se estabelece - entre actos de violência em contextos revolucionários e a existência de um amplo aparato repressivo ao serviço da ditadura de um partido único - só é possível em dois tipos de narrativas ficcionais: a estalinista e a ultra-montana. Só aí uma revolução social pode ser sucessivamente desfigurada até poder ser confundida com a substituição de uma burguesia incipiente por uma burocracia inflexível. Só aí se produz essa zona de sombra, onde a ditadura do proletariado pode ser confundida com a ditadura sobre o proletariado. Só aí processos sociais e acontecimentos históricos de grande envergadura podem ser reduzidos a episódios secundários de uma conspiração bem urdida.
O tema principal dessa narrativa, aliás, é o de que há sempre alguém a mexer cordelinhos, uma ou outra variante de poder oculto que nunca perde o controlo da situação. A concepção policial da história une aquilo que as auto-representações de cada uma destas tradições políticas consideram estar separado e denuncia a sua mesma natureza arcaica. Foi num seminário ortodoxo que Josef Estaline, filho de um sapateiro pobre de Tiblissi, se iniciou nas coisas do espírito. Quem ler as suas obras escolhidas, sem a reverência adolescente de José Manuel Fernandes, dificilmente pode ignorar a filiação religiosa do seu pensamento. Nunca ninguém, na história do movimento operário, havia sentido a necessidade de espalhar a sua própria fotografia por todo o lado e gerar em torno dela um culto laico, confundindo a sua representação icónica com a da própria ideia de revolução. O estalinismo representou, a esses dois níveis - o da filosofia da história e o do culto da personalidade - uma profunda descontinuidade com a tradição comunista do movimento operário.
De resto, e uma vez que esses dados costumam ser apresentados como definitivos acerca deste tipo de questões, ninguém se revelou tão eficaz a perseguir, deportar e executar comunistas. Sem essa limpeza de balneário, teria sido difícil generalizar aquilo a que o dissidente jugoslavo Ciliga chamou «a mentira desconcertante».

Mas este parágrafo está repleto de falsidades bem mais graves e significativas, desde logo porque Francisco Martins Rodrigues abandonou a UDP em 1983 e as suas reflexões não cessaram de o afastar do estalinismo, em busca de uma formulação alternativa dos problemas políticos enfrentados pelo movimento revolucionário português, em tempo de refluxo acentuado. É isso mesmo que não se lhe perdoa e que Fernandes procura manchar de lodo: o facto de um militante formado na clandestinidade e impregnado de uma tradição política estalinista nunca ter cessado de procurar enfrentar os problemas concretos levantados pela sua própria actividade, levando esse enfrentamento até às últimas consequências se necessário. Só que essas últimas consequências não foram nunca a perseguição de dissidentes ou a ambição de um exercício implacável do poder, como José Manuel Fernandes sugere. As últimas consequências foram, para Francisco Martins Rodrigues, a ruptura com uma concepção política que se revelava incapaz de enfrentar os problemas da luta revolucionária em Portugal. Ruptura que operou em 1963 e novamente em 1983, não para se desviar dos problemas, mas para os encarar em toda a sua complexidade e encontrar formas eficazes de lhes fazer face. As últimas consequências incluíram a admissão pública do erro e um exame crítico severo das suas causas e implicações - o que é muito mais do que se pode dizer acerca de José Manuel Fernandes, que passou de um marxismo-leninismo especialmente bafiento para um liberalismo especialmente duvidoso com a facilidade com que se abandona uma casa de banho pública.
Francisco Martins Rodrigues combateu durante mais de 50 anos e escreveu muitas coisas, algumas das quais contradisseram coisas que já tinha escrito. Mas distingiu-se sempre por um esforço e uma exigência pessoal de pensar pela própria cabeça, de não responder aos problemas difíceis com fórmulas fáceis, respostas estereotipadas e cassetes políticas. Lendo o que escreveu nos anos 60 (mas também o que escreveu nos últimis 20 anos), o mínimo que se pode dizer é que esteve sempre muitas léguas à frente, acima, ao lado, longe, bem longe, de medíocres como José Manuel Fernandes, que estão sempre prontos a concordar com quem manda, a integrar todas as direcções e a dar todas as ordens, para além, evidentemente, de repetir e reproduzir todas as aberrações disfarçadas de comunismo que aprendeu dos seus «mestres do marxismo-leninismo».
É por isso falso que a pretensa "solidão" e "teimosia" da sua vida se tenha devido à sua imutabilidade. Pelo contrário, foi precisamente por ser um dos poucos disponíveis para assumir as implicações políticas de cada escolha que se viu quase sempre sozinho ou pouco acompanhado nas suas críticas. Quando saiu da UDP por exemplo- "As minhas divergências e de outros militantes com a direcção do PC(R) começaram mais tarde, por causa dos contornos tenebrosos que estava a tomar a situação na Albânia, por causa da questão Staline, que era proibido discutir, e pelas restrições ao debate interno, em nome da disciplina partidária. Parecia que era um partido ainda na clandestinidade, não se podia falar fora das reuniões, enfim, um ambiente doentio. Saímos portanto um grupo de uns 40 em 1983." - mas também quando saíu do PCP, onde a causa principal não foi tanto a substância da polémica sino-soviética (como aparece no capítulo do livro de Pacheco Pereira hoje disponível no Públic) mas muito mais o debate acerca da orientação estratégica a seguir pelos comunistas em Portugal, face ao salazarismo.
É ainda mais grave a acusação que se segue, segundo a qual Francisco Martins Rodrigues não apenas compreenderia os métodos repressivos do socialismo real como estaria à espera da primeira oportunidade para os reproduzir:"Entendia o comunismo como uma doutrina com consequências, e como comunista acreditava que utilizava uma teoria política científica capaz de descrever o futuro, que tinha um papel a desempenhar para acordar os operários e que estes tinham de impor, pela ditadura, a sua vontade à maioria, de forma a conduzi-los a um mundo melhor. Esse destino justificava todo o sangue que tivesse de ser vertido, como haviam ensinado os mestres do marxismo-leninismo."
Este parágrafo explica, melhor do que qualquer incursão auto-biográfica, a concepção de comunismo que José Manuel Fernandes abraçou na sua juventude. É seguramente para a afogar, juntamente com outros fantasmas da sua juventude, que escreve os disparates costumeiros sempre que se dedica ao tema. Enquanto o Belmiro pagar não parece haver qualquer problema em dispôr do espaço do editorial para esta espécie de terapia psiquiátrica (cuja necessidade ninguém pode seriamente negar). Que se meta com os mortos é que já me parece ser mais complicado. Torna mais difícil aceitar a hipótese de também ele possuir um lado humano que possamos um dia vir a conhecer.

Entretanto, e através do Estudos sobre o Comunismo, cheguei a esta edificante troca de opiniões entre José Manuel Fernandes e Pinto de Sá. Como sou um gajo interessado nestas coisas, vou tirar um dia da próxima semana para lêr os artigos de José Manuel Fernandes em que um agente da PIDE e alguém que prestou informações sob tortura são considerados iguais.

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:29 PM | Comentários (5)

Aos que vierem depois de nós


[...]
Vós que surgireis do marasmo
em que nos afundámos
quando faleis das nossas fraquezas
pensai também nos tempos sombrios a que escapastes.
Mudávamos de país como de sapatos
através das guerras de classes, e desesperávamos
por só ver injustiça e ninguém se erguer contra ela.
Sabíamos, contudo,
que também o ódio à baixeza
desfigura o rosto.
Também a ira contra a injustiça
torna rouca a voz. Por desgraça, nós,
que queríamos preparar o caminho para a doçura
não pudemos ser doces.
Mas vós, quando chegarem os tempos
em que o homem será amigo do homem,
pensai em nós
com indulgência
.
Bertolt Brecht, Aos que vierem depois de nós

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:47 PM | Comentários (1)

Cuidado com eles

cuidado_com_eles.JPG

E para os camaradas que nos julgarem apressadamente, tal como aconteceu o ano passado, aqui fica o aviso.

P.S.- obrigado shyz!

Publicado por [Chuckie Egg] às 03:39 PM | Comentários (2)

Leituras obrigatórias

Que todo o manifestante de sexta deveria conhecer:

18. All warfare is based on deception.

19. Hence, when able to attack, we must seem unable;
when using our forces, we must seem inactive; when we
are near, we must make the enemy believe we are far away;
when far away, we must make him believe we are near.

20. Hold out baits to entice the enemy. Feign disorder,
and crush him.

21. If he is secure at all points, be prepared for him.
If he is in superior strength, evade him.

24. Attack him where he is unprepared, appear where
you are not expected.

9. If equally matched, we can offer battle;
if slightly inferior in numbers, we can avoid the enemy;
if quite unequal in every way, we can flee from him.


17. Thus we may know that there are five essentials
and inferior forces.
(3) He will win whose army is animated by the same
spirit throughout all its ranks.
(4) He will win who, prepared himself, waits to take
the enemy unprepared.
(5) He will win who has military capacity and is
not interfered with by the sovereign.

9. O divine art of subtlety and secrecy! Through you
we learn to be invisible, through you inaudible;
and hence we can hold the enemy's fate in our hands.

e tanto mais aqui

Publicado por [Party Program] às 12:37 PM | Comentários (7)

abril 22, 2008

Convém não confundir


"O despacho da pronúncia afirma que visitei a China e, em contacto com os dirigentes do Partido Comunista da China, tracei a orientação da CMLP e da FAP. Isto levanta todo o problema da posição internacional dos comunistas portugueses que é preciso pôr a claro.
Antes de mais, é preciso dizer que estive de facto na China, em missão do CMLP, (tal como estive na Albânia) e que tive de facto conversações com dirigentes do Partido Comunista da China. Mas não tracei nenhuma orientação «em contacto» com esses dirigentes, não recebi quaisquer directivas para a acção dos comunistas portugueses, como o despacho dá a entender. Os comunistas de todos os países auxiliam-se mutuamente sem restricções, mas não têm partidos chefes e partidos subordinados, nem promovem revoluções telecomandadas. Convém não confundir os comunistas com a CIA. Somos o partido político do proletariado português e sabemos que a nossa tarefa é preparar a classe operária para que ela própria faça a revolução."

Declarações de Francisco Martins Rodrigues durante o seu julgamento no tribunal plenário da Boa-Hora, ocorrido entre 5 e 12 de Maio de 1970

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:34 PM | Comentários (3)

Excomunhões

“Mas esta unidade monolítica do Partido não se obtém por decretos, por ambientes de caserna ou pela acção automática de regulamentos estatutários, por mais perfeitos que sejam; ela forja-se constantemente, dia após dia, através da luta de ideias no seio do próprio partido; pela confrontação constante das concepções opostas e pela sua resolução segundo o método dialéctico marxista, elaborando a partir da luta novas concepções, mais correctas, passando da unidade à contradição e da contradição a uma unidade mais elevada.[...] A unidade orgânica do partido só pode ser edificada sobre a base da sua unidade ideológica e essa unidade ideológica nasce do decurso da luta de ideias; este é um princípio essencial. Todo aquele que restringe a luta de ideias no seio do partido, que responde às dúvidas, às objecções e às críticas com fórmulas dogmáticas, com argumentos viciados ou com excomunhões, está a minar a unidade ideológica do partido e a preparar a sua desintegração. Os revisionistas destroem a unidade do Partido precisamente porque, sentindo-se desamparados para a luta de ideias, depositam uma confiança supersticiosa nos meios administrativos, nos regulamentos burocráticos, e descuram a única acção que pode gerar a unidade: a luta entre concepções opostas segundo o método marxista.
O centralismo só é correcto e eficaz se assenta sobre uma democracia elevada.
Confundir o espírito revolucionário de Partido com o espírito de igreja, transformar a questão da democracia interna num espantalho e desanimar toda a reclamação de democracia, estigmatizando-a como «manifestação burguesa», contrária à unidade e à força do Partido, é um recurso de elementos que se afastam irremediavelmente do marxismo-leninismo e que não olham a meios para tentar impor a sua autoridade. Eles deviam saber que, com métodos administrativos e burocráticos, pode conter-se momentaneamente a luta de ideias no seio do Partido mas, no fim de contas, não se consegue senão apressar a própria derrota.”

«Centralismo, democracia e unidade do Partido» in Revolução Popular (órgão central do Comité Marxista-Leninista Português), nº4, Abril de 1965

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:20 PM | Comentários (1)

No nosso movimento


“Ver no movimento destes 20 anos apenas uma amontoado amorfo de lutas diversas, cujos altos e baixos seriam ditados apenas por factores exteriores (como os acordos ou desacordos entre as forlas anti-fascistas, os efeitos da repressão fascista, o estado da organização partidária, etc...) seria desconhecer grosseiramente que o movimento revolucionário tem o seu crescimento próprio, acumula a sua experiência própria, forma a sua «personalidade própria», e que o papel do partido não é de modo nenhum o de «fabricar» um movimento revolucionário, mas o de o conduzir à vitória.”
Francisco Martins Rodrigues (pseudónimo Campos), Luta pacífica e luta armada no nosso movimento, 1964

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:10 PM | Comentários (2)

Como o fragor do trovão


"Estávamos em Janeiro de 1975. O sonho social-democrata desfazia-se nas arremetidas das ondas humanas em movimento. Eu fui chamado da fábrica. Já tinha havido muitos convites - alguns medonhos, como adiante contarei - e quase todos eu recusara. Desta vez fui.
Nomes que eram lenda, descomprometidos e corajosos, atraíram-me e conquistaram-me. Por eles cheguei aos mestres e às ideias que fizeram de mim um combatente mais consciente.
E lá estavam eles - aguerridos, turbulentos, astutos, ingénuos - os homens que me encantavam e atraíam: Pulido Valente, Rui d'Espiney, Acácio Barreiros.
- Quem é aquele? - Pergunto ao camarada do lado.
- Francisco Martins Rodrigues.
- Oh, não, não pode ser - protestei intimamente.
Um homem pequeno, encolhido, com um boné na cabeça, olhos postos no chão ou no papel; escrevendo, escrevendo quase sempre; tímido e ausente.
- Oh, não, não pode ser o Chico Martins - o maior marxista-leninista vivo da Europa capitalista, conforme me tinham dito.
Apesar da decepção sofrida, bebo os seus gestos de pedinte (é engraçado, nessa altura a imagem do Chico assemelhou-se-me à imagem peregrina da minha bisavó mendiga). Vejo-o debruçar-se e tirar do saco de plástico, que quase sempre o acompanhava, os seus livros e apontamentos. E começa a falar. Fala de início como reflecte a sua imagem: tímido, aparentemente indeciso, como que pedindo desculpa. Mas há algo de profundo e convincente nas suas frases. E eu fico preso e extasiado perante o seu discurso feito de sabedoria, sem retórica. À medida que vai falando, vai-se libertando da timidez e a sua voz, falando baixinho, ecoa por todos nós como o fragor do trovão e a harmonia da seara docemente beijada pelo vento."

Manuel Monteiro, Perder a esperança, porquê? - Um operário fala do seu tempo, Centelha, Coimbra, 1982

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:49 PM | Comentários (2)

1927-2008


Dispenso a pedra tumular mas
se fizerem questão de me dar uma
gostaria que nela escrito fosse:
ele deu sugestões, nós
aceità-mo-las.
Uma tal inscrição
a todos honraria.

Bertolt Brecht

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:34 PM | Comentários (3)

abril 21, 2008

Esqueci-me que me esqueci

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Entra e não sabe o que dizer, sabe o que quer e o que não quer, não quer liderar. Deixa o destino à voz de outrém e obtém o silêncio. no pensamento: (Acaba-se sempre no mínimo denominador comum).

Afinal, todos sabemos o caminho e o destino é que diverge ou todos vamos para o mesmo destino por caminhos diferentes?

Publicado por [Chuckie Egg] às 02:52 PM | Comentários (1)

Luanda - o trânsito

As deslocações em Luanda são um desafio interessante. Tirando uma breve visita à Cidade Alta, onde vive o Presidente e onde está a maioria dos ministérios, não vi uma rua que não estivesse cheia de pequenas ou grandes crateras, a maioria cheia até cima com água que vem do sistema de esgotos em tão mau estado como o pavimento.

Quem tem dinheiro anda de jipe, de preferência com motorista. Andar de carro pode significar demorar 5 vezes mais tempo a chegar ao destino que indo a pé, mas dizem-nos que é perigoso andar a pé. O caos vem não só dos buracos, mas sobretudo da quase ausência de regras. Vi muito poucos semáforos, e os que vi estavam vermelhos quando passei por eles. Há toques constantes e nas bermas vêem-se carros destruídos por algum acidente mais violento.

A gasolina é quase de borla, mas à noite começam a formar-se filas para abastecimento com combustível que só chegará na manhã seguinte.

Quem não tem dinheiro anda de Hiace ("iáce", também chamado "candongueiro"). Estas carrinhas andam por todo o lado, apinhadas com gente que não tem outra forma de se movimentar numa cidade com 5 milhões de habitantes e sem outra coisa que se pareça com uma rede de transportes públicos.

Publicado por [Rex] às 11:54 AM | Comentários (10)

abril 20, 2008

Isto teve foi um Regime Comunista

Numa reportagem no DN sobre a morte de um padre salazarista, o cónego Melo, famoso por ser anticomunista e próximo do MDLP (ligado ao atentado contra o padre Max), uma iluminária do jornalismo introduz o tema da seguinte forma "Figura controversa da sociedade portuguesa, admirador de Salazar e feroz opositor do regime comunista no período pós-25 de Abril..."

A jornalista, Joana de Belém, estica a reprodução do discurso contra-revolucionário até a um ponto que nem os responsáveis do 25 de Novembro e da "normalização democrática" ousaram fazer. Mais adiante no artigo retoma a argumentação habitual assente num dos mitos basilares do discurso sobre processo revolucionário português : "...o PCP, que à data tentava implantar o comunismo em Portugal."

Não sei se a incoerência entre a existência de um Regime Comunista e a mera tentativa de implementação resulta da ignorância e da inanidade do jornalismo ou se do reaccionarismo orgânico dos meios de comunicação. No final de contas um e outro são variáveis equivalentes da cloaca que são os grandes grupos de comunicação.

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 05:28 PM | Comentários (2)

Nem triste, nem pseudo-comemoração!

Fica aqui um convite, para aqueles que estão de “passagem” em Paris, para um evento de comemoração do 25 de Abril de 1974:

Vendredi 25 avril à 20h
A la Maison des métallos
94, rue Jean Pierre Timbaud -75011 Paris- M°Couronnes
Belleville en vue(s) et Mémoire vive/Memória viva (Histoire et mémoire de l'immigration portugaise) présentent :
"Portugal, vers la révolution"
Voir le programme complet : http://bellevilleenvues.net/article.php3?id_article=46
Projections suivies d'un débat avec les réalisateurs
+ buffet portugais, chansons ...

ps. Viva a polarização política do spectrum!!!

Publicado por [Shift] às 11:41 AM | Comentários (1)

abril 18, 2008

Convite para uma manifestação anti autoritária contra a repressão policial.

anar6.jpg
Um ano depois do ataque policial em pleno Chiado no dia 25 de Abril de
2007, dois meses depois da carga policial no despejo do Grémio Lisbonense
, perante os ataques continuados da polícia em Bairros Sociais e por todos
os episódios de abuso e violência perpetrados pela repressão organizada do
Estado, convocamos uma manifestação antiautoritária contra a repressão
policial.
Manifestamo-nos neste dia porque passaram 34 anos desde que uma
pseudo-revolução substituiu um governo fascista por um governo que
continua a controlar, a matar e a reprimir e cujos antecessores
rapidamente se preocuparam em controlar o "descontrolo" das populações no
pós 25 de Abril.
A marcha dos tristes, que todos os anos comemora esta transição, não nos
diz nada, pois não queremos celebrar o quotidiano policial nem a
liberdade-de-centro-comercial.
O sistema capitalista, na sua vertente democrática, leva-nos a pensar que
não sabemos gerir as nossas vidas e que a polícia é uma realidade à qual
não podemos fugir. Como se não bastasse vivermos num estado policial,
querem que sejamos nós próprios os polícias das outras pessoas, de nós
próprios e dos nossos vizinhos. A polícia, que todos os dias reprime e
violenta, não serve a ninguém se não àqueles que lucram com a miséria de
todos os outros, àqueles que nos oferecem uma vida controlada, que
destroem os ecossistemas, que impõem fronteiras entre regiões, que nos
roubam no trabalho, que nos dizem como devemos ser e que nos querem
convencer que somos indivíduos, quando a nossa individualidade não passa
de uma ilusão no leque de possibilidades que a sociedade de consumo nos
deixa ter.
Assim, esta como qualquer outra data, serve para contestar este e qualquer
governo pois, inevitavelmente, todos nos querem impor uma vida debaixo de
câmaras de vigilância, fronteiras e polícias várias. Todos estes métodos
de controlo e repressão são tendencialmente universais e à medida que o
tempo passa achamos serem cada vez mais normais e sabemos serem também
mais presentes.

Todos conseguimos resolver os nossos conflictos, pensar pelas nossas
próprias cabeças, imaginar como realmente queremos que sejam as nossas
vidas.
Apelamos à participação de todos aqueles que condenam a violência policial
e os métodos que o capitalismo e o estado têm para nos controlar.


Praça da Figueira, Lisboa, 17:30h, 25 de Abril de 2008.

Publicado por [Rick Dangerous] às 08:13 PM | Comentários (45)

O restaurante italiano preferido do Santana Lopes é o pizza hut

E ele ficou muito feliz com a vitória do BerluscoNNi (sic). otário nem sabe escrever o nome dos amigos.

Publicado por [Party Program] às 09:45 AM | Comentários (3)

abril 17, 2008

"sujar as mãos"? É mais complicado do que isso...

Há quem exulte de satisfação com os resultados italianos, talvez porque esteja pouco habituado a comemorar vitórias eleitorais e agora teve uma “grande pratada”…

Falo daqueles revolucionários que no debate sobre a complexa questão da participação na governação se situam no lado diametralmente oposto dos do “poder a todo o custo” que são os adeptos do “poder suja as mãos”.

Tenho visto na nossa caixa de comentários e no Arrastão: os 3 e picos do Arco-iris é a prova final de que “o crime não compensa”, sendo crime estar no poder com forças social-democratas e reformistas.

Análises destas são superficiais e deixam de fora muitas questões

berlusconi.jpg

Há quem exulte de satisfação com os resultados italianos, talvez porque esteja pouco habituado a comemorar vitórias eleitorais e agora teve uma “grande pratada”…

Falo daqueles revolucionários que no debate sobre a complexa questão da participação na governação se situam no lado diametralmente oposto dos do “poder a todo o custo” que são os adeptos do “poder suja as mãos”.

Tenho visto na nossa caixa de comentários e no Arrastão: os 3 e picos do Arco-iris é a prova final de que “o crime não compensa”, sendo crime estar no poder com forças social-democratas e reformistas.

Análises destas são superficiais e deixam de fora muitas questões. Por exemplo:

A performance do Governo Prodi é francamente má. Os ditos “radicais” não conseguiram ganhar peso político num governo composto por mais de 100 pessoas, ultra-hetrogénio. Porque razão? Deve haver muitas, mas foi do conhecimento geral a chantagem a que sempre tiveram sujeitos os radicais: “se esticas a corda, chamo o Berlusconi”. As cedências a esta chantagem foram claramente longe de mais, mas isto é fácil dizer quando o Governo de Berlusconi já está eleito e quando nós, cá em Portugal, não temos sequer de levar com ele…

Este jogo teve uma amplitude de repercussões políticas, no governo, no estado, nos movimentos sociais, nos sindicatos… Estas questões; mais a força social da direita; a ofensiva inesperada da igreja católica; a concentração de grande parte dos media nas mãos de um politico, a incapacidade de resolver a caricata crise do lixo e enfrentar o poder da mafia, parecem ser factores que não pesam na análise de muitos comentadores da blogosfera tuga. Tudo se resume a tese “ter poder no Capitalismo é sempre mau”. Ponto final.

Também, que eu saiba, houveram aí uns escândalos do foro penal. O A mulher de um ministro foi presa e ele demitiu-se, não foi? O D’Alema também foi escutado e houve uma série de investigações a desvios de fundos… Isto, mais o escândalo das mordomias aos políticos em Itália (que pelos vistos só rebentou agora e não com a direita no poder), também não pesam na análise da generalidade dos comentadores.

Por outro lado a fundação do PD e depois a orientação de Veltroni, conjugado com a lei eleitoral italiana, empurraram de forma precipitada este novo ente político – o Arco-íris – composto por forças que não se gramam muito entre si, que não tiveram tempo sequer para pensar e escrever colectivamente um Programa… Pelo que vou sabendo, as hostilidades tornaram-se bastante mais visíveis do que as que existem por exemplo dentro do “nosso Arco-íris português” (o BE) e as listas de candidatos, já na expectativa de eleger só meia dúzia, era uma mistura de aparachiks de cada uma das forças fundadoras. Isto também não interessa nada?

Finalmente a pressão para o voto útil, apoiada pela generalidade da comunicação social, que fez das eleições um duelo entre “esquerda” e “direita”, entre Veltroni e Berlusconi, sendo este último aquela figura detestável, que sugere às jovens italianas que se casem com um homem endinheirado, (quantos de nós não votaríamos útil em Itália, nestas circunstâncias?), o perigo de uma maioria absoluta de Berlusconi que parecia evitável a julgar pelas sondagens, que apesar de tudo davam cerca de 10% ao Arco-iris… Também isto desaparece da análise?
Enfim: como disse noutro post, pouco sei da política italiana para estar a mandar postas de pescada. Mas acho que sei, no entanto, o suficiente para não estar a ir atrás de simplificações feitas a martelo para sustentar convicções antigas.

Publicado por [Saboteur] às 05:26 PM | Comentários (6)

abril 16, 2008

Então já que estamos numa de...

...eleições italianas tenho a dizer que ainda não acabou. No momento e no local em que escrevo, i.e., na cama com um italiano romano com vista para a Torre Eiffel ainda se seguem os resultados das autárquicas de Roma.

Já ontem a noite eleitoral foi seguida com muito interesse na Rai 1, 2 e 3. Fiquei muito sensibilizado com a quantidade de pessoas idosas que apareceram para comentar os resultados, entre políticos e jornalistas todos no activo. Entre todos os que tiveram tempo de antena durante a noite penso que só um tinha menos de 50 anos (um rapaz da esquerda do arco-íris, a julgar pelo aspecto) e muitos estavam bem acima dos 70. A gerontopolítica no seu melhor.

E fiquei também muito sensibilizado com o domínio absoluto de homens no comentário aos resultados durante toda a noite. A julgar pela amostra, na política italiana menina não entra. Em mais de 3 horas de emissão em 3 canais só tivemos direito a uma falsa loura na sede romana da Aliança Nacional numa entrevista de 10 segundos gravada antes da votação.

Publicado por [Renegade] às 12:47 AM | Comentários (15)

Foda-se. É isto mesmo. E Parabéns ao Gajo que idealizou isto em termos gráficos, ou coisa que o valha. Ou seja, O Berlusconi ganhou outra vez e o Fiodor fez anos há bocado!

O que eu sinto em relação às eleições italianas está claramente expresso neste post do Irmão Lúcia. E o Fiodor fez ontem anos. De maneiras que é um dois em um. Até amanhã.

Publicado por [Bomb Jack] às 12:15 AM | Comentários (0)

abril 14, 2008

Shake your money maker

cartaz_festa.jpg

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:54 PM | Comentários (1)

Rebela-te

Cartaz ela Mayday 2008.jpg

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:04 PM | Comentários (2)

"Estes romanos são doidos"

Estamos habituados a ver Itália como um país próximo, latino, com língua parecida, mas apesar de tudo não deixa de estar distante.

Eu, por exemplo, no aeroporto de Roma vi um velho italiano, farto de estar na fila do detector de metais. Logo ele que estava apenas a fazer uma escala e já tinha passado por aquilo tudo!... Decidiu contornar e passar ao lado. A polícia pôs-se a “mandar vir”, ele pôs-se a “mandar vir” com a polícia, confusão total e o velho foi embora, todo furioso.

Cá esta situação seria impensável, apesar de Itália ser um dos países mais ricos e industrializados do planeta.

Em termos políticos, então aquilo parece outro planeta... Mas apesar disso não faltam por aí especialistas sobre a situação política italiana – designadamente à esquerda – certos de todos os erros cometidos pela refundação comunista, que os levou a perder 2/3 dos votos nestas eleições (leram bem: dois terços).

Estou como o camarada Party Program ansioso por ler e aprender com as análises aqui da tuga…

Entretanto o Le Monde diplomatique (edição portuguesa) vai organizar um debate sobre o tema.


O debate contará com a presença de Goffredo Adinolfi, João de Almeida Santos e Miguel Portas e terá lugar na zona do bar do Instituto Franco-Português no dia 17, próxima quinta-feira, a partir das 21h30.

Publicado por [Saboteur] às 10:56 PM | Comentários (5)

Silvio ci sei mancato

Eu sei que não deveria ficar contente com a vitória de Berlusconi, mas depois de viver em itália durante a sua anterior prestação como presidente do concelho não deixo de sentir que é como o regresso de um velho inimigo a quem já temos afecto. Mais estranhos são o resto dos resultados, em Bologna a Lega Nord teve o dobro do votos da Sinistra Arcobaleno e a Rifondazione ficou sem representação parlamentar. De certo modo é uma vitória, hoje em Itália o movimento é totalmente extraparlamentar, algo que eu e o Rick [interjeição colocada por Rick Dangerous às 23h11:fala apenas por ti meusituacionistasgorduroso !] vinhamos a defender há já uns quantos anos.

Agora só quero ver que análise fazem os blogs de esquerda aqui do burgo.

Publicado por [Party Program] às 10:55 PM | Comentários (8)

abril 12, 2008

Loanda

Não me alongando muito, esta cidade é qualquer coisa que é preciso conhecer. O resto deixo para o próximo jantar sectário.

Publicado por [Rex] às 06:57 PM | Comentários (24)

abril 11, 2008

«Ainda não recebi o seu Outlook!»

A notícia choque desta manhã, na TSF, era que "Há um Big Brother a verificar os e-mails dos deputados na Assembleia da República". No site está mais suave. Parece que a TSF on-line tem um bocadinho mais de consciência.

Segundo a jornalista «há mails que já chegam abertos ao destinatário» (imagino que o Sr. Deputado deva ter o painel de leitura do outlook ligado e que passe por lá sem se apreceber.

Depois passam a palavra a Marques Guedes, do PSD, que diz: Que «há deputados que quando têm problemas na recepção de determinados e-mails, solicitam aos serviços de informática da Assembleia a razão pela qual estão a ter essas dificuldades e são confrontados com respostas onde vêm dados relativamente aos seus e-mails que suponham ser dados confidenciais»

Já estão a ver, não é? Provavelmente o Help-Desk diz que o mail ficou retido indevidamente porque foi considerado SPAM, por ter muitos destinatários, ou porque tinha ficheiros demasiado pesados ou com extenções estranhas... logo o deputado interroga-se: "Mas como é que este gajo sabe que o mail tinha ficheiros demasiado pesados? Só o pode ter aberto para ver!"

Faz lembrar aquela história veridica - que eu presenciei - do gajo que telefona para o Help-desk porque não conseguia imprimir...

Depois de vários minutos a verificar as configurações da impressora, sem resultados, chegaram à conclusão que o problema residia no facto da impressora não ter papel.

Publicado por [Saboteur] às 11:36 AM | Comentários (6)

abril 10, 2008

A nossa sondagem II.

Mais possibilidades que não cabiam na outra, é possivel votar quantas vezes quiserem dada a possibilidade combinatória, eu por exemplo nunca votando bloco acho uma certa piada à Ana Drago.

Publicado por [Party Program] às 03:14 PM | Comentários (11)

A nossa sondagem.

Aqui está:


Podem votar quantas vezes quiserem para ser mais divertido.

Publicado por [Party Program] às 12:54 PM | Comentários (6)

Kriegspiel

Não me recordo de entre todos os pro-situs que conheci, dos mais infantis e ingénuos aos mais azedos e ressentidos, de nenhum que tivesse alguma vez chegado a jogar o jogo de tabuleiro que Debord inventou e que afirmava ser a única coisa realmente interessante do seu legado teórico. E quando falo de pro-situs não falo de bandas rock que se gabam de noitadas que nunca tiveram nem de criticos do Y mas de pessoal mesmo core que levava a cena às últimas, e geralmente às mais ridiculas, consequências. Bom, há uns tempos numa capital estrangeira encontrei uma edição nova bastante bonita que para além do livro com a regras tinha também o tabuleiro de jogo com as peças, obviamente que a comprei mais pelo fetishismo do objecto do que pelo objectivo de passar os meus serões entretido a jogar um jogo de nerds inexplicável a anarquistas espanhóis.
Para quem tudo isto é chinês passo a explicar. Debord, sobre quem outras pessoas aqui aqui deste blog já excelsamente analisaram em recentes eventos, fez com o seu copin Gerárd Lebovici (o tal) em 70s e tais uma empresa para promover um jogo de tabuleiro inventado por ele que traduziria a complexidade da táctica e estratégia militar. O jogo serviria de treino táctico para jovens revolucionários e chegou a ser produzido em enormes quantidades mas num laivo posterior Debord pediu para destruirem tudo. O livro com as regras, algo complexas, e o exemplo ilustrado de uma partida está editado em português pela antigona e deve ser o livro situacionista menos lido de sempre (deixo aqui a sugestão: se quierem impressionar os vossos amigos levem a vossa cópia, ou a de um amigo, à proxima assembleia do mayday). Ora bem uns amigos holandeses fizeram uma versão para computador que pode ser sacada gratuitamente aqui : http://www.r-s-g.org/kriegspiel/index.php . Será dificil a imersão nas possibilidades táctivas do jogo, mas sempre será tempo melhor gasto do que votar nas sondagens do daniel oliveira. Aliás melhor que o kriegspiel só mesmo o bate-pé

Publicado por [Party Program] às 12:20 AM | Comentários (5)

abril 08, 2008

Lembrem-se!

No dia em que começou o julgamento dos 35 skins que foram apanhados com a boca na botija, no dia em que tanto tempo de antena foi dado a estes canalhas (tive que os gramar na TSF hoje de manhã), sugiro uma viagem ao mundo do terror que é a cabeça desta gente.

Vejam a caixa de comentários de um post antigo nosso.

Loucos furiosos, convencidos que Mário Machado é um herói nacional, dementes que dizem que "Só hitler nos pode salvar", semi-analfabetos que afirmam "na época do hitler não havia desemprego", gente com todo o tipo de esquizofernias que diz "esta coisa que se anda aqui a passar no nosso pais já só se resolve com prai 3 milhoes de mortes selectivas. Os primeiros teram de ser os das pensoes milionarias", e, claro, as mesmas ameaças nojentas de sempre: "n duvidem pretos nojentos....vamos dar cabo de vos....picadinhos para fazer salsichas e dps exportamos para africa para dar de comer aos vossos irmãozinhos...".

Eu sei que não é uma coisa bonita de se ter num blog. Mas acho que é preciso que todos saibamos que estes não são meros criminosos à procura de ganhar dinheiro fácil sem trabalhar. São gente mais perigosa, desequilibrada e obcecada com o ódio e a violência


Publicado por [Saboteur] às 10:46 PM | Comentários (8)

Marcos às vezes, parados nunca...

"As pessoas não sabem ao que vão, até se pode tratar de actos terroristas e elas ignoram. Eu própria recebi - acredito que por engano - uma sms a convocar-me para participar na manifestação dos professores no Porto, à porta do Palácio de Cristal. Não havia um remetente, um número. Apenas uma data e um texto: Aparece às tantas horas, no local x..."

"Os perigos que esta nova realidade proporcionada pelas tecnologias representa são os da ausência de um rosto que organiza a acção e a possibilidade de o conteúdo ser manipulado durante a transmissão da mensagem. É o contrário do que diz a Constituição. Uma manifestação tem de ter um rosto e quem se manifesta tem de dar a cara."

serpica_naro.gif

"Marcos é gay em São Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, hispânico em San Isidro, anarquista na Espanha, palestiniano em Israel, indígena nas ruas de San Cristóbal, rockero na cidade universitária, judeu na Alemanha, feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria, pacifista na Bósnia, artista sem galeria e sem portfólio, dona de casa num sábado à tarde, jornalista nas páginas anteriores do jornal, mulher no metropolitano depois das 22h, camponês sem terra, editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores e, sobretudo, zapatista no Sudoeste do México." Enfim, Marcos é um ser humano qualquer neste mundo. Marcos é todas as minorias intoleradas, oprimidas, resistindo, exploradas, dizendo ¡Ya basta! Todas as minorias na hora de falar e maiorias na hora de se calar e aguentar. Todos os intolerados buscando uma palavra, sua palavra. Tudo que incomoda o poder e as boas consciências, este é Marcos."

asae.jpg

Saudações para os companheiros terroristas do Bitoque. Dalila, nunca lhes vi o lombo.

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:51 AM | Comentários (2)

abril 07, 2008

CME - Cultura

A Câmara Municipal de Évora pretende criar uma empresa municipal que se responsabilize pela gestão dos espaços culturais da cidade. A política do presidente - José Ernesto Oliveira, um convertido socialista - pressupõe a viabilidade económica (e comercial) dos eventos programados como o factor determinante para a sua realização.

Entretanto surgiu uma plataforma de contestação a esta pretensão, que no dia 9 de abril pode tornar-se efectiva, criando uma petição para além das acções locais que tem convocado.

"Confrontados com a proposta da criação de uma empresa municipal para a gestão e programação de equipamentos Municipais tão distintos como o Teatro Garcia de Resende, a Arena d’Évora, o Palácio D. Manuel, o Convento dos Remédios, as Igrejas de S. Sebastião e S. Vicente, vimos manifestar a nossa preocupação pelo conceito economicista que reduz a cultura a um mero negócio presente no estudo de viabilidade económica que sustenta essa intenção do executivo camarário. E a Cultura não é um negócio! "

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 07:26 PM | Comentários (5)

Espanha no seu melhor

2 vídeos enviados pelo meu grande amigo JP, que tem familia em espanha (bem como em outros 50 países do mundo...)

Candidato a 1º Ministro

Candidato ao festival da eurovisão

Publicado por [Saboteur] às 12:30 PM | Comentários (2)

abril 05, 2008

Eh! Marinho!

Alguns camaradas vão organizar pela 3º vez um jantar comemorativo do 25 de Abril, sob o esírito da união das esquerdas...

Este ano convidam para falar, Ricardo Araújo Pereira, o artista que viu o nome e a morada do colégio da sua filha posto num fórum de extrema-direita, acrescido de ameaças, e Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, que foi visitar Mário Machado à prisa e disse elel só está preso porque defende uma ideologia diferente.

Eu sei que este convite foi feito e aceite antes desta barraca. Ainda assim, é daquelas situações em que se justificava plenamente retirar o convite... Só se fôr para o o Bastonário se redimir publicamente do disparate que fez.

De qualquer forma, o que apetece é ir lá e dizer: "eh! Marinho!"

Publicado por [Saboteur] às 01:00 PM | Comentários (7)

abril 04, 2008

Os "outros" são todos iguais (e muito unidos, cuidado!)

eh pá, esta moda de só por causa dos 40 anos do assassinato do martin luther king irem fazer comparações e pedir reacções ao obama não é assim daqueles racismos mais reles, mais incutidos, mais ocultos-e-ao-mesmo-tempo-omnipresentes que a comunicação social veícula? (assim estilo os pretos são todos iguais e hádem gostar todos uns dos outros comós chineses?)

martin_luther_king_arrest.jpg

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:14 PM | Comentários (3)

abril 02, 2008

En finir avec Mai 68?

maio 68 net.jpg

Maio de 1968. Em Paris anuncia-se o início de uma luta prolongada. Quatro décadas depois, este colóquio internacional reúne um conjunto de reputados intelectuais cujas investigações permitiram voltar a olhar para 1968 nas suas mais variadas dimensões. Levando o debate mais além das repetidas alusões ao cariz geracional e estudantil da revolta, mapeando 1968 para lá das fronteiras da França, o colóquio confronta a importância de 1968 na emergência de novas subjectividades políticas, analisa a dimensão de luta de classes que atravessa o período e discute a persistência de Maio'68 nos conflitos políticos contemporâneos.


Os coordenadores,
Bruno Peixe (NÚMENA)
Luís Trindade (IHC-UNL/U.Birkbeck)
José Neves (ICS-UL)
Ricardo Noronha (IHC-UNL)


*******************************************

PROGRAMA

11 DE ABRIL
9h30
Sessão de Abertura


10h | Maio no Mundo

Fernando Rosas
Teses sobre a geração dos anos 60 em Portugal e a questão da hegemonia

Gerd-Rainer Horn
Um conto das duas europas

Manuel Villaverde Cabral
Maio de '68 como revolução cultural

14h30 | Ideias de Maio

Anselm Jappe
Maio de 68, do «assalto aos céus» ao capitalismo em rede. O papel dos situacionistas

Daniel Bensaid
Como será possível pensar que se possa quebrar o ciclo vicioso (da dominação)

Judith Revel
1968, o fim do intelectual sartriano

12 DE ABRIL
10h | Maio em Movimento

Maud Bracker
Participação, encontro, memória: os imigrantes e o Maio de 68

João Bernardo
Estudantes ou trabalhadores?

Franco Berardi (Bifo)
68 e a génese do cognitariado

14h30 | O Outro Movimento Operário
Xavier Vigna
As greves operárias em França em 1968

Yann Moulier Boutang
Maio de 68, herança por reclamar na divisão de perdidos e achados da História

John Holloway
1968 e a crise do trabalho abstracto

18h | 1968 - 2008

Bruno Bosteels
A revolução da vergonha

François Cusset
Os embalsamadores e os coveiros

RESUMO DAS COMUNICAÇÕES

Teses sobre a geração dos anos 60 em Portugal e a questão da hegemonia

Fernando Rosas

Pretende-se discutir o papel que o "Maio de 68" em Portugal, ou seja, a contestação estudantil de 1969, desempenhou na radicalização da luta política em geral e na alteração das relações de hegemonia em favor das mundivisões marxizantes e revolucionárias na sociedade portuguesa da época.

Fernando Rosas, Historiador, Professor catedrático da FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Autor de bibliografia sobre a História do séc. XX em geral e a História do Estado Novo português em particular.


Um conto de duas Europas

Gerd-Rainer Horn

Em quase todo o lado o meio estudantil universitário serviu de catalisador para "1968", e isto será exemplificado com um breve olhar sobre as origens do 1968 Belga. Contudo, podemos distinguir dois padrões bem distintos na Europa Ocidental e nos Estados Unidos em 1968. Na "Europa do Norte" e nos Estados Unidos, 1968 representou sobretudo uma série de movimentos sociais de base estudantil. Na "Europa do Sul", 1968 foi muito mais transclassista, com a classe operária a assumir um papel proeminente.

Gerd Rainer Horn ensina no departamento de Hiatória da Universidade de Warwick e escreveu The Spirit of '68.



Maio de '68 como revolução cultural

Manuel Villaverde Cabral

Testemunho pessoal sobre o momento mais alto de um movimento social internacional que não queria o poder, mas que nem por isso – ou talvez por isso – deixou de mudar o mundo.

Manuel Villaverde Cabral nasceu em 1940. Fugiu à PIDE em 1963, indo para Paris onde trabalhou e estudou. Voltou a Portugal em 1974, ingressou na carreira docente no ISCTE, entrou para o antigo Gabinete de Investigações Sociais em 1975, passando para a carreira de investigação quando foi criado o Instituto de Ciências Sociais na Universidade de Lisboa em 1982. Foi Director da Biblioteca Nacional entre 1985 e 1990.

Maio de 68: do «assalto ao céu» ao capitalismo em rede. O papel dos situacionistas

Anselm Jappe

Começaremos por abordar a questão de saber qual foi a «influência» dos situacionistas em Maio de 68 bem como na sua preparação, opondo a outros movimento políticos e intelectuais mais visíveis da época a sua própria agitação subterrânea. Sublinharemos de seguida que Maio de 68 constituiu simultaneamente um esforço de emancipação mas também o início da passagem para uma nova forma mais subtil de dominação capitalista. Neste contexto, recorreremos às ideias de Guy Debord para compreender esta evolução tirando daí algumas consequências.

Anselm Jappe ensina estética na Escola de Belas Artes de Frosinone (Itália). É autor de Guy Debord (edíção portuguesa da Antígona prevista para 2008) e As aventuras da mercadoria. Para uma nova crítica do valor.

Lançamento do livro Guy Debord, pela Editora Antígona

12 de Abril 21h30

Fábrica de Braço de Prata

Apresentação por Ricardo Noronha


«Como será possível pensar que se possa quebrar o ciclo vicioso [da dominação]?»

Daniel Bensaïd

Era esta a questão colocada, logo em 1964, por Herbert Marcuse, em L'homme unidimensionnel, e que assolava a sua época. A exuberância dos acontecimentos de Maio terá significado um princípio de resposta à questão ou confirmado, pelo contrário, o fecho daquele ciclo vicioso, como parece indicar a evolução posterior da obra de Debord ou de Baudrillard: depois do espectáculo, estado supremo do fetichismo da mercadoria, o simulacro, estado supremo do espectáculo?

Daniel Bensaïd é Professor de Filosofia na Universidade de Paris VIII (Vincennes) e dirigente da Ligue Communiste Révolutionnaire (IV Internacional). Participante no movimento estudantil em Maio de 1968, é autor, entre outras, das seguintes obras: Mai 1968: Une répétition générale (1968), Walter Benjamin sentinelle messianique (1990), Marx l'intempestif : Grandeurs et misres d'une aventure critique (1996).



1968: o fim do intelectual sartriano

Judith Revel

1968 não constitui apenas o levantamento de uma geração que não quer mais viver de forma semelhante à dos seus pais, alimentando-se da mesma memória – de Vichy, das guerras coloniais – e reconhecendo-lhe os valores. Constitui também uma outra forma de conceber a tomada da palavra e a acção colectiva, os modos de intervenção política e os processos de subjectivação. Nesta grande transição de uma época à outra, a própria função dos intelectuais vê-se profundamente redefinida: o modelo sartriano de envolvimento político cede pouco a pouco o lugar a uma outra figura que, por seu turno, implica já uma análise diferente das relações de poder e do papel do conhecimento, da função das lutas e dos usos colectivos da palavra. De Sartre a Foucault, trata-se pois de uma passagem de testemunho em forma de ruptura – que quarenta anos depois não deixa de suscitar mal-entendidos.

Judith Revel, filósofa, italianista e tradutora, docente (maître de conférences) na Universidade de Paris-I Sorbonne. Especialista em pensamento contemporâneo, particularmente no de Michel Foucault, a quem consagrou numerosos livros e artigos, trabalha actualmente sobre as categorias políticas anteriores e posteriores a 1968. Integra a redacção das revistas Posse (em Itália) e Multitudes (em França), e o gabinete científico do Centre Michel Foucault. Membro da equipa de investigação ANR «La bibliothéque foucaldienne. Michel Foucault au travail" (CNRS-ENS-EHESS).



Participação, encontro, memória: os imigrantes e o Maio de 68

Maud Bracker

Esta comunicação debruça-se sobre alguns dos modos pelos quais os principais grupos que encabeçaram o Maio de 68 em França – estudantes, intelectuais, sindicalistas – tentaram compreender a emergência do mundo pós-colonial, e integraram essa passagem ao pós-colonialismo na sua oposição ao capitalismo. Contudo, as teorias e a acção em solidariedade com os trabalhadores imigrantes que se desenvolveram durante e após 1968 herdaram das formas mais antigas do anti-imperialismo marxista europeu alguns dilemas não-resolvidos.

Maud Bracke dá aulas de História Moderna Europeia na Universidade de Glasgow. É autora de Which socialism, whose détente? West European communism and the Czechoslovak crisis of 1968.

Estudantes ou trabalhadores?

João Bernardo

Será paradoxal que os participantes num movimento que jornalistas e historiadores insistem em classificar como estudantil colocassem principalmente problemas políticos e sociais relativos à classe trabalhadora? O desenvolvimento do capitalismo, com as pressões ao aumento da produtividade e com a necessidade de qualificar a força de trabalho, converteu universidades de elite em universidades de massa e transformou a maioria dos estudantes universitários em futuros trabalhadores.

João Bernardo é doutor pela Unicamp (Brasil). Em 1965 foi expulso por oito anos de todas as universidades portuguesas. Desde 1984 tem leccionado como professor convidado em universidades públicas brasileiras. É autor de numerosos artigos e livros.



1968 e a génese do Cognitariado

Franco Berardi (Bifo)

O movimento de 1968 representa o efeito da escolarização de massas e a primeira manifestação política da emergência do cognitariado, classe do trabalho cognitivo, composição social que se tornou predominante no final do século, com a difusão da rede.

Rádios piratas, cibercultura, net-art, são as manifestações sucessivas do trabalho cognitivo em busca da sua própria autonomia. Só reencontrando o fio (actualmente submerso) da revolta de sessenta e oito poderá o trabalho cognitivo empreender um processo de recomposição e autonomia.

Franco Berardi (Bifo), militante do Potere Operaio nos anos 60, redactor da Radio Alice em 1976 e fundador da revista A/traverso. Autor de Contro il lavoro, Mutazione Ciberpunk e Felix. Colabora actualmente com a revista on-line www.Rekombinant.org, ensina em Bologna numa escola para trabalhadores emigrantes e em Milão na Accademia di Belle Arti.



As greves operárias em França em 1968

Xavier Vigna

O movimento de Maio e Junho de 1968 em França constitui o mais importante fenómeno grevista de toda a história do país. Alarga-se a todo o território e mobiliza também operários de que até então não se falava: os jovens, as mulheres, os imigrantes. Retoma um vigoroso repertório de acções e levanta questões que não encontraram ainda resposta quando finalmente se retoma o trabalho em Junho de 1968. Nessa medida, o movimento grevista de Maio-Junho de 1968 constitui um evento que inaugura um período de dez anos de insubordinação operária: a década de 68.

Xavier Vigna, docente (maître de conférences) em história contemporânea na Universidade de Bourgogne, trabalha sobre a conflituosidade social e política na segunda metade do século XX. Publicou recentemente L'insubordination ouvrière dans les années 68. Essai d'histoire politique des usines.



Maio de 68, herança por reclamar na divisão de perdidos e achados da História

Yann Moulier Boutang

Começou por ser grande o interesse na recuperação de Maio de 68, depois na sua liquidação. Abordaremos aqui um ponto de vista radicalmente diferente relativamente ao qual trataremos dois aspectos: 1) Que foi realmente Maio de 68? Canto do cisne do movimento operário, outro movimento operário, proclamação oculta do verdadeiro sujeito da renovação radical do capitalismo? 2) Qual o legado não reclamado mas efectivo de Maio de 1968? Concluímos que o evento foi e continua a ser critério de demarcação entre duas fases, embora não necessariamente do modo condensado pelas diferentes cristalizações fantasmáticas que gerou e continua a produzir.

Director da Redacção da revista Multitudes. Professor universitário de ciências económicas (Universidade de Tecnologia de Compiègne e Escolas de Arte e Design de Saint Etienne).

1968 e a Crise do Trabalho Abstracto

John Holloway

1968 tornou evidente que a crise do trabalho é a crise do capital, que a luta contra o trabalho é a chave da luta contra o capital. Em 1968, o fazer fendeu o trabalho e transbordou. Falar hoje de 1968 não é falar de um legado histórico, mas sim das reverberações causadas por essa fissão.

John Holloway é professor na Universidade Benemérita de Puebla, no México. É autor de vários livros, publicados em vários países, o mais recente dos quais, Mudar o Mundo sem Tomar o Poder.

A revolução da vergonha

Bruno Bosteels

Partindo do famoso poema de Octavio Paz, publicado pouco depois do massacre de Tlatelolco no México em 2 de Outubro de 1968, poema inspirado nas cartas de Karl Marx ao seu amigo Arnold Ruge, discutirei o destino da esquerda no período posterior a 1968 em termos de vergonha e de melancolia, de coragem e de justiça. Não é apenas Sarkozy e os seus acólitos pseudo-intelectuais que pretendem acabar com o legado de 1968; na realidade, semelhante legado vê-se igualmente corroído a partir do seu interior por uma forte tendência de negação, a favor de um certo recuo do político, que se proclama mais radical que qualquer noção de revolucionarização da vergonha.

Bruno Bosteels é Professor Associado de estudos românicos na Universidade de Cornell. É autor dos livros Alain Badiou o el recomienzo del materialismo dialéctico e Badiou and Politics.



Os embalsamadores e os coveiros

François Cusset

No quadro da vastíssima bibliografia que 'explica' ou 'comemora' Maio de 68, a interpretação de esquerda, que lhe imputa o liberalismo da década de 1980, e a interpretação de direita, que o acusa de ter minado a autoridade e os valores, partilham entre si uma vontade intransigente de liquidar o movimento de Maio, denegando-lhe a dimensão de acontecimento, a sua actualidade intacta, em proveito de uma causalidade de carácter retrospectivo muito contestável. Embalsamadores de esquerda e coveiros de direita do Maio de 68 trabalham assim ombro a ombro para substituir a irrupção possível do comum pela impotência colectiva.

François Cusset, que ensina história intelectual em Sciences-Po-Paris e na Universidade de Columbia em França, é autor de Queer Critics, Frenche Theory e La Décennie. Em Maio de 2008 publica na editora Actes Sud um panfleto contras as mentiras históricas sobre 68, L'avenir d'une irruption.

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:18 PM | Comentários (4)

abril 01, 2008

Nha kub, nha bairro, nha mundo

BébéRIPMetro.jpg

So, so you think you can tell Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year,
Running over the same old ground.
What have you found? The same old fears.
Wish you were here.

RoundOne.jpg

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:31 AM | Comentários (1)

Do timing...

The first may day parade in fifteen years took place in Paris on May 1, 1968. Scuffles erupted between the security detail of the major union federation, the C.G.T. and revolutionary students. (...) Meanwhile, students in Berkeley rebelled against the Vietnam war and copies of Che Guevara´s memoir were burned by cops in Barcelona (...)

berkeleysixties.gif

(...) a week of street fighting ensued - students were arrested and sentenced to hard time. Police occupied the Latin Quartier. On May 6, Enragé René Risel and other students were to appear before a disciplinary comission at the Sorbonne. Demonstrations and riots erupted around the Latin Quartier. Barricades went up and were defended against the police. Suburban hoods (blousons noirs) had come to the center of the city to fight side by side with the students. Cars were burned; stores looted. (...)

blousonsnoirs.jpgmai68.jpg

(...)The unions, including the students unions, were against the action of the most revolutionary students and would alternate in their support-for and against (mostly against)-the demonstrations and occupations.(...)

(...)On May 11, the unions call for a strike on May 13 (...)

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:31 AM | Comentários (4)

Fire walk with me...

twinpeaksbob.jpgtwin_peaks_dalecooper.jpg

...my dream is a code waiting to be broken. Break the code, solve the crime.

twin_peaks_midget_300.jpg

Publicado por [Chuckie Egg] às 09:56 AM | Comentários (1)

There's a moral in there somewhere...

The Brothers step into strange territory, try to trick a midget, and fail. There's a moral in there somewhere...

Publicado por [Chuckie Egg] às 09:53 AM | Comentários (2)

desejos

Publicado por [Renegade] às 12:30 AM | Comentários (2)