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março 30, 2008

Todos a contribuir para esta deriva... Pensarão nas consequências?

O Presidente da República já percebeu que esta questão da “indisciplina na escola” é um bom filão.

Fez saber à comunicação social que estava muito chocado com as imagens da luta pelo telemóvel e chamou a Belém o Procurador-geral da República, como se agora coubesse à bófia investigar ou impor a disciplina na sala de aula.

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Os professores aproveitam a boleia da dinâmica da luta e dramatizam: vejo nos blogs. Aproveitam a ocasião para dizerem: “Estão a ver o que a gente passa hoje em dia? Vocês nem imaginam! Somos uns desgraçadinhos!”

Os jornais já se aperceberam que isto tudo vende. “Professora brutalizada” disseram por causa daquela cena triste do telemóvel. O EXPRESSO tem hoje on-line 14 vídeos do Youtube com o seguinte destaque: «Desde pegar fogo a cadeiras até gozar com a cara dos professores, passando por insultos em coro, há de tudo nas salas de aula portuguesas.Clique para ver a colecção de vídeos»

Os miúdos, claro, depois de ver o "9º C em grande" em todo o lado (nomeadamente aqui no Spectrum), também querem fazer filmes com as suas proezas e aparecer no EXPRESSO.

A comunicação social agradece, o Presidente e o Paulo Portas podem ficar cada vez mais “chocados” com a “crise de valores” e os professores podem dizer que isto é tudo culpa do Governo porque é ele próprio que não trata os professores com o devido respeito.

É uma deriva perigosa em que todos ficam a ganhar… ou, no fundo, ficamos todos a perder.

Publicado por [Saboteur] às 03:30 PM | Comentários (4)

março 29, 2008

Março, 1871

Documentário sobre a Comuna de Paris

Parte I


La Commune de Paris 1/3


Ver a segunda parte aqui e a terceira parte aqui

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 08:20 PM | Comentários (2)

Os políticos que mais aprecia

Daniel Oliveira está a fazer no Arrastão uma sondagem que vou seguir com interesse: Quais os 3 políticos no activo que mais aprecia?

A minha curiosidade é porque creio que os leitores do Arrastão são uma boa amostra do povo de esquerda em portugal. Pelo menos daqueles que vão a blogs: malta de meios urbanos; jovens adultos até meia-idade; extrato socio-económico médio e médio alto... No fundo o sector intelectual da esquerda. De todas as áreas: desde a looney left ao PS, passando pela malta politizada desencantada com as forças políticas do momento. Veja-se os comentários aos posts ou os resultados de outros inquéritos, por exemplo...

Publicado por [Saboteur] às 02:10 AM | Comentários (6)

março 27, 2008

Bonny (sem clyde). Para o Dangerous

Engraçado. Hoje estava numa aula e num momento de deriva lembrei-me do João Bonifácio. O processo foi mais ou menos o seguinte: os meus tempos aqui em Barcelona estão a terminar e em breve terei de decidir para onde me mudo, a questão têm-me apoquentado sobejamente e nesses cinco minutos em que o prof me aborrecia lembrei-me do “Y” e de como era um pouco triste sentir o enorme peso desse suplemento na vida de muitas de muitas das pessoas que me rodeia. Não porque seja mau, só porque não é nada de especial mas parece que é o único meio de informação que fala de uma cultura mais...“alternativa”. Acho que personagens como o Bonifácio ilustram de maneira clara a mediocridade do panorama, o rapaz acha-se o mais fixe do mundo por assumir uma certa condição de dandy pobre: “fumo quatro maços por dia no meu cubículo infecto, sinto-me em casa aquando imerso nos clássicos da misantropia e do desespero e apesar da aparente miséria existencial que ocupa cada recanto obscuro da minha experiencia ainda consigo fincar o pé ante a decadência espiritual da juventude rendida aos hypes e alcançar algum tipo de plenitude uterina quando envolvido na mais excessiva das fodas”.

Mas alguém ainda tem paciência para este tipo de discurso? Há alguma paciência para estes sucedâneos de Lidl do Cioran, do Céline, do Bukowsky e desses gajos todos, para as sua paranóias aborrecidas e mesquinhas, para as suas relações de amor ódio consigo próprios?

Bonny men, relax, põe um reggaezinho, fuma um canhão, escreve ai uns poemas manhosos que tens vergonha de mostrar ao teu pai, bate uma a pensar numa francesinha que viste num filme do Garrel, molha um bocadinho a almofada com lágrimas que corram livres suscitadas pela memória ausente da moça de sabrinas e ganchos que um dia cagou em ti. E depois xixi cama. Não te metas com o pessoal que anda a alinhar os chakras. Peace.

Publicado por [Party Program] às 01:09 AM | Comentários (7)

março 26, 2008

Eh, Rick Dangerous!

Publicado por [Joystick] às 05:27 PM | Comentários (4)

Para Saboteur e Joystick


"...pratico futebol e não Yoga, se fizesse Yoga tinha de comer rúcula, ir à Bica duas vezes por semana, frequentar o Monumental, saber o nome de pratos nepaleses e dizer que um Lucien Freud é "tipo" clássico e "tipo, eu é mais vanguardas". Se fizesse Yoga teria de namorar raparigas cujo sentido ontológico da vida reside em usar ganchos nos cabelos e discutir sabrinas."
João Bonifácio em Sinusite Crónica, o novo blog do Irmão Lúcia

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:25 PM | Comentários (8)

março 25, 2008

Lutar contra o terrorismo


"Na Administração americana surgiu a ideia de que, para combater a nova forma de guerra que é o terrorismo, não bastava erradicar as bases terroristas onde elas existiam (como no Afeganistão ou Sudão), o que era visto como um sintoma, mas ir à causa, à relação de forças que bloqueava todos os processos políticos que deveriam "distender" o Médio Oriente e permitir a resolução de conflitos antigos como o da Palestina. Esses conflitos não eram a causa do terrorismo da Al-Qaeda, de uma natureza diferente do Hezbollah ou do Hamas, mas, ao funcionarem como um irritante geral, bloqueavam as forças moderadas e moderadoras no mundo árabe-muçulmano e impediam a estabilização da região."
José Pacheco Pereira, Público, 22 de Março de 2008

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:08 PM | Comentários (6)

Alguma


"Mas uma coisa é criticar os americanos pela sua ocupação do Iraque e outra é contestar a sua decisão de invadir e negar que nem todos os efeitos da invasão foram desastrosos e alguns foram conseguidos.
Por detrás do fumo dos atentados em Bagdad, a única coisa que vemos na televisão, há muita coisa a mudar no Iraque e alguma no sentido desejado pelos americanos. Mas dizer isto parece que causa escândalo."

José Pacheco Pereira, Público, 22 de Março de 2008

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:00 PM | Comentários (2)

Dez anos que mudaram o mundo


"Que o leitor não se contente com os poucos documentos iconográficos aqui reunidos. Que dedique o tempo necessário a tomar conhecimento, página por página, do calvário sofrido por milhões de seres humanos. Que faça o indispensável esforço de imaginação para «ver» o que foi esta imensa tragédia que vai continuar a marcar a história mundial durante as próximas décadas. Então fará a si mesmo a pergunta-chave: porquê? Porque razão Lenine, Trotski, Estaline e os outros julgaram necessário exterminar todos os que designavam como «inimigo»? Por que razão se sentiram autorizados a infringir o código não escrito que rege a vida da humanidade: «Não matarás»?"
José Pacheco Pereira, Prefácio a «O Livro negro do comunismo», 1998

"Todos falam com a linguagem, os slogans, os tiques, os excessos verbais, a arrogância moral e a pesporrência do Bloco de Esquerda e não querem saber de mais nada do que da condenação moral dos "responsáveis" por "muitas centenas de milhares de mortos". Os números são plásticos, podem ser exagerados porque são sempre números do "crime"."
José Pacheco Pereira, Público, 22 de Março de 2008

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:47 PM | Comentários (2)

props para o pessoal do 9º C

Publicado por [Saboteur] às 02:51 PM | Comentários (5)

março 24, 2008

José Sá Fernandes

Odiado por muitos, à direita e também à esquerda, foi e continua a ser vítima de calúnias, suspeições e coscuvilhice.

Um dos últimos episódios foi a primeira página do expresso a dizer que Sá Fernandes queria torres eólicas espalhadas por Lisboa. Um pequeno mal-entendido em que participaram todos os partidos representados na CML e que deu origem a mais uma vaga de artigos contra o Vereador do Ambiente.

Sá Fernandes pode até ter muitos dos vários defeitos que lhe apontam, mas já agora não esqueçamos que 200 mil euros é muito dinheiro para apenas não fazer nada e deixar cair uma simples providência cautelar sobre o negócio do Parque Mayer.

Não sei se há muita gente no país capaz de tamanha proeza. Aliás, a prova que não há, é que ele foi, precisamente, o único Vereador, o único político, que denunciou que um construtor civil lhe quis dar dinheiro, e obviamente que não foi o único a quem isso aconteceu. Eu próprio conheço 2 pessoas que já me contaram casos na 1ª pessoa.

Aqui fica então esta homenagem.


Publicado por [Saboteur] às 12:51 PM | Comentários (16)

março 22, 2008

Para a nossa pink-pluma-girl, a inconfundível, a única, a fabulástica Joystick

Publicado por [Renegade] às 06:32 PM | Comentários (1)

9º C Presente!

Não faço a mínima ideia quem seja a professora barbaramente agredida pelo 9º C mas quando agora vi finalmente as imagens só me lembrei do enorme tédio que foi todo o liceu e de todas as vezes em que me apeteceu dar um par de estalos à professora. Bem sei que aqui transparecerá alguma soberba e que muitas das pessoas com quem agora me dou têm ou virão a ter a nobre profissão de ensinar coisas aos putos, mas nestas imagens eu estou com a chavala. Lembrei-me imediatamente de Irene Pascoal, a minha professora de Inglês que era também directora de turma num liceu do centro de Lisboa. Mil posts seriam insuficientes para descrever o asco que ainda hoje me suscita esse nome, à laia de exemplo posso descrever que quando tocou no programa de Inglês falar sobre racismo e Martin Luther King a senhora fez-nos escrever o seguinte exemplo: “Martin Luther King, apesar de ser negro, era muito inteligente”. Ou que quando trocou um rapaz de lugar e este ficou sentado ao lado de única rapariga negra da turma no fim da aula lhe foi perguntar se não lhe incomodava a catinga. Nem mais. Por isso Irene puta de merda, não fosse eu um miúdo assustado tinhas era levado logo com o telélé nas fuças.

Estou com o 9º C na luta contra a prepotência dos professores e proponho convidá-los para as assembleias do Mayday.

Publicado por [Party Program] às 12:52 AM | Comentários (3)

ó pacheco, mostra lá as armas pá

Como passaram 5 anos da invasão do Iraque e toda a gente fala disso decidi contribuir com os meus 5 tostões. A Dolores Ibarruri do Bitoque dizia que, 5 anos depois, continua a não haver razões válidas para a ocupação. Eu quase me apetece discordar.

Quer dizer, razões houve e há, e muito válidas do ponto de vista de quem tem/quer mandar na América e no sistema em geral. Assim de repente estou a lembrar-me da necessidade dos americanos meterem pé naquela zona e cercarem a Rússia também por ali (já que andam a cercá-la também por outros lados, em particular na europa ocidental com a ajuda prestimosa da UE/Nato. E lembremo-nos das divisões entre os países da UE em 2002/2003, tudo calculado a partir de Washington). Meterem o Irão e a Síria em respeito e controlarem/vigiarem de perto o petróleo dos árabes. Terem acesso, controlo e influência sobre o petróleo e gás das antigas repúblicas soviéticas da região e da própria Rússia, controlarem directamente o acesso ao golfo pérsico e àquelka zona do índico. Depois há todos os contratos multimilionários para as empresas americanas e dos "aliados" no país. A tentativa de reduzir a ONU à insignificância e garantir um papel de liderança para a américa por via militar e diplomática na cena mundial... Sei lá, eu.

Isto tudo eu percebo bem. Faz parte das regras do jogo, embora eu (nós) não concordemos com elas nem com o próprio jogo. Acho difícil por isso que se continue a dizer que não há razões para a ocupação. Claro que há. Ou então ficamos muito indignados e deixamos de perceber. Ou então passamos a achar como alguns que o Departamento de Estado é controlado por totós e passamos a olhar para o mundo com os óculos do Jon Stewart (que é um gajo com piada, mas é um gajo com piada).
Mas o que me mete mais nojo é o papel que intelectuais badalhocos como o Pacheco Pereira representaram nesta história toda (uso o Pacheco como exemplo, claro). O mais extraordinário é que, mesmo sabendo toda a gente o quão badalhocos, quão mentirosos são, ainda continuem por aí a arrotar postas de pescada sobre tudo e mais alguma coisa com a autoridade de Beneditos XVI do nosso audiovisual.

Publicado por [Renegade] às 12:23 AM | Comentários (4)

março 21, 2008

"9º C em grande!"

Hoje é noticia em todo o lado o incidente em que uma professora anda a lutar por um telemóvel com uma aluna histérica.

Não quero fazer aqui a apologia de uma educação sem recurso à coacção, em que as criancinhas fazem o querem e tal… Eu, na situação daquela professora, teria obviamente optado pela cabeçada-à-cais-sodré, a mais apropriada, não só pela proximidade da aluna, como porque, como é murcona, não deve conhecer o golpe e seria totalmente apanhada de surpresa.

No entanto, há que reconhecer que tudo isto foi um exagero.

Porquê sacar o telemóvel à miúda? A professora não sabe que para os putos o telemóvel é como um carro descapotável para os homens de meia-idade? Eles não gostam que ninguém mexa no telemóvel deles. Aquilo é já como e fosse um prolongamento do seu ser. Enviam centenas de mensagens por dia, subscrevem serviços de valor acrescentado, tiram fotografias, fazem vídeos… toda a sua vida está ali naquele aparelho.

Quem é que nos garante que a velha não ia no intervalo ver as fotos escaldantes que a jovem tinha tirado ao namorado?

Publicado por [Saboteur] às 02:16 PM | Comentários (10)

março 20, 2008

Ready-Made Ego-Reality Show

"Quando descobri os ready-mades pensei que ia desencorajar os estetas... Atirei-lhes o porta-garrafas e o urinol à cara como um desafio e eles agora admiram-nos pela sua beleza estética."

Marcel Duchamp

A maior das perversões é quando uma subversão se "institucionaliza" tornando-se reflexo do objecto que interessava subverter. Duas consequências: uma coisa e o seu "contrário" podem ser faces da mesmas moeda, o que é uma merda epistemológica, e, depois, porque se isso pode ser assim, muitas das nossas intentonas - políticas, artísticas e pessoais - podem ser não só infrutíferas como contra-producentes e, claro, o conhecimento disto até lhe retira a magia de poder ser escape. Isto deu cabo de muita coisa na humanidade mas, no micro-cosmos egoísta, isto é lixado na minha vida, agora que lhe faço um balanço por ocasião do meu aniversário e da última ceia. Eu não sei a quantas ando e o tão fashion Zizek - faltam os circunflexos ao contrário, estúpida! - dá-me cabo da cabeça.

Dois exemplos recentes.

Fui ao teatro ver umas coisas no âmbito do tal Ano Europeu do Diálogo Intercultural. "Turbo-Folk", pelos Praga ( outra coisa que vi, de tão má, nem merece referência). Mais do que inspirados em Zizek - faltam os circunflexos ao contrário, estúpida! -, sobre multiculturalismo, amor, catástrofes simbólicas, tensões políticas, os diálogos/monólogos eram uma cópia em papel químico das provocações que lhe conheço pelo You Tube [isto é formação ready-made, como o urinol do outro, tenho mestrado em história do século XX pela wikipédia e doutoramento em cinema documental em partes de 10 minutos pelo You Tube! Um dia que perca a pen fico só com a 4ª classe]. Às tantas, os meninos - cansados de plagear - dedicam a segunda parte da peça a "desconstruir" o teatro - o processo criativo, mas coado - só com coisas de suprema intelectualidade refinada. Mas que merda, nem no teatro uma pessoa tem evasão e subjectividade. Está tudo lá, ele é o que é e o seu contrário, é tudo real, um real complicado, violento mas... esteta.

Bem, o segundo exemplo tinha a ver com uma porcaria de partido em que o meu companheiro anda metido. Mas, enfim, vou mas é apanhar sol na cara e, logo à noite, vinho chunga à descrição.

Publicado por [Joystick] às 02:57 PM | Comentários (3)

Filmes de merda #1 - Este país não é para velhos

Fui ao centro comercial ver o filme que a indústria americana do cinema elegeu como o melhor do ano (e que as indústrias nos venderam como o melhor do ano). Pois na minha modesta opinião o filme "Este país não é para velhos" é uma merda. Uma merda requintada, bem-cheirosa, servida em prato de luxo, mas uma merda.

Imagens bonitas, muito bonitas mesmo. Uma montagem perfeita. Bom ritmo. Tommy Lee Jones muito bem, o Bardem também. Percebe-se que os meninos percebem da poda com as referências todas aos filmes dos '70s, os estereótipos todos da "América" que o cinema inventou. E que mais? Mais nada.

Uma infindável procissão de violência e morte, como se o espectador tivesse alguma coisa a ver com aquilo. Não tem. O filme está-se perfeitamente cagando para o espectador, tão entretido anda com o umbigo. O filme quer comunicar alguma coisa? Não. Tem alguma reflexão sobre a sociedade, sobre o indivíduo, sobre o transcendente, sobre o cinema, sobre a criação de patos? Não. Há alguma emoção naquelas duas horas de película (além do suspense ocasional que acaba por cheirar demasiado a manipulação na falta de substância narrativa)? Não. Os autores, realizadores e argumentistas não têm nada para dizer. Nada. Talvez isso explique por que ganharam tanto prémio em Hollywood.

Fui ver o filme ao centro comercial onde mataram um tipo de uma loja de surf há uns dias. Com tanto tiroteio na tela e na vida real um gajo quase se sente culpado por não ter ainda dado prova de vida. Como? Levando um tiro, pois claro.

Publicado por [Renegade] às 12:06 AM | Comentários (11)

março 19, 2008

Poesia de Rua#39 Obrigado Manel

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Publicado por [Rick Dangerous] às 08:13 PM | Comentários (1)

março 17, 2008

Jerónimo apela à união da esquerda

Segundo o Público de hoje, numa pequena notícia «Portugal precisa de "uma ruptura democrática de esquerda" que reúna forças políticas, independentes e movimentos sociais face à situação política criada nos últimos 30 anos por uma "alternância sem alternativa", defendeu sexta-feira, na Madeira, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.»

Eu subscrevo, mas vindo de quem vem é surpreendente!

Ainda há tão pouco tempo a palavra de ordem era cerrar fileiras, porque "os amanhãs que cantarão", só seriam para daqui a 20 anos ou mais, e que quem achasse que não era assim, bem podia arrumar as botas e era ostracisado com o epíteto de querer fazer coligações com o PS a todo o custo, traindo o povo em luta.

Mesmo que imposto pelo calculismo de uma situação objectiva muito pressionante, que é ver a classe trabalhadora angustiada com a prespectiva de ter um Governo de Sócrates ou do PSD/PP, não deixa de ser uma manifestação de adaptação.

Será cínica, para sacar uns votos? Perdoem-me a descrença, mas é que trabalhar em conjunto com "outras forças políticas, independentes e movimentos sociais" exige uma grande flexibilidade, espírito de abertura, de fraternidade e até de uma pitada de humildade...

Não se pode estar premanentemente a desconfiar da boa fé de todos os políticos que não são do nosso partido, mesmo quando eles defendem ou até implementam aspectos do nosso programa; não se pode estar a controlar todas as palavras dos independentes e a agredi-los cada vez que dizem uma coisa menos correcta, nem tão pouco lançar mantos de suspeição sobre os ditos, dizendo internamente que eles vão acabar por nos traír... não se pode querer dirigir os movimentos sociais a partir das estruturas dos partido, impondo a linha, desconfiando de quem não está em sintonia...

Publicado por [Saboteur] às 08:10 PM | Comentários (4)

março 16, 2008

Mayday 2008 - Secção de congelados

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:28 PM | Comentários (2)

Poesia de rua #38

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Publicado por [Renegade] às 06:11 PM | Comentários (1)

março 15, 2008

Voltar a jogar

Tomamos conceitos e agarramos palavras, codificamos assim a praxis diaria com termos que se repetem e que de certa forma reduzem a abrangencia da sua influencia quotidiana. Falar de precariedade é falar de recibos verdes e de contratos temporarios, mas nao so. Assim como lutar contra a precariedade nao se fica por lutar contra a flexibilizaçao dos despedimentos. Ampliando um pouco a visao, digamos sériamente que precaria é a vida em que precisamos de pedir para trabalhar.

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Descodificando um pouco mais o fenomeno, vendo onde e como essa estrutura se formou, como ganhou o espaço necessario a sua imposiçao, é bastante obvio concluir que a precariedade, mais do que uma situaçao laboral é uma situaçao de vivencia, omnipresente. Nao é metafisico, na verdade exigimos voltar a viver. Voltar a escolher. A palavra escolher cai aqui bem, toma um sentido de aquisiçao de autonomia, de tomada de decisao. Acima de todas as reflexoes, estamos aqui porque nao acreditamos que a democracia se esgote num preenchimento de cruzes mais pequeno que um totoloto.

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Analizando entao a abrangencia, e tomando como bagagem a sua construçao, olhando para os tempos nao tao distantes em que foi construida a actualidade e a quem calhou bem este afunilamento do debate, da interacçao entre os varios sectores da sociedade, pomos sobre a mesa que foi a propria desagregaçao da organizaçao, a vitoria em ralenti dos valores individalistas, mascarados como economico-liberais (quando na verdade vinham de grupos oriundos das bancadas mais a direita do espectaculo da representatividade), conservadores portanto. Aqui, pelo contrario, organizamo-nos.

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Nao se trata mais de ganhar o debate, agora trata-se infelizmente de ganhar o espaço para ele acontecer. Mais do que tentar ganhar batalhas juridicas nas quais entramos como o elo mais fraco e tendencialmente dependente do mediatismo onde impera o outro lado da barricada, interessa desconstruir a ideia das pseudo-oportunidades, de que esta unica saida, a de um curso universitario na area certa, para a qual ate nos vao alertar com os seus indices sempre tao bem contruidos, é o caminho certo, que é o caminho. Interessa mostrar que essa competitividade que é incentivada desde muito cedo no ensino se transforma em poucos anos numa visao de sucesso individual, numa estrada que se percorre sozinho, na esperança que haja para nos um pequeno buraco, um espaço que ainda nao esteja ocupado, ou em ultimo caso com o nosso trabalho a imperar sobre o dos outros, uma batalha por um lugar confortavel num espaço limitado.Exigimos que se entenda que nao é um lugar ao sol que queremos mas sim o verao para todos. E que, 40 anos depois do Maio que mostrou a praia que ha debaixo do betao, ainda nao paramos para pensar como vamos começar. Interessa construir a nossa Primavera. E continuar...
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Publicado por [Chuckie Egg] às 04:47 PM | Comentários (4)

Os contorcionistas voltam a falar

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http://maydaylisboa.blogspot.com/

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:43 PM | Comentários (0)

março 12, 2008

PP - Partido do Povo

A direita na oposição bate todos os recordes da demagogia.

Oiço Teresa Caeiro na televisão e nos mesmos 10 minutos barda contra o peso excessivo do estado na economia e queixa-se das urgências e escolas a fechar.

Depois diz que o déficit só foi reduzido porque o Estado explora cada vez mais os desgraçados dos contribuintes. O que aumentou foi a receita e não as despesas... Mas logo a seguir defende novas comparticipações para os medicamentos e o aumento das pensões para os mais idosos.

Publicado por [Saboteur] às 09:47 PM | Comentários (4)

O pintor sim mas o mestre não (apetece-me mesmo jogar à bola)

Publicado por [Renegade] às 01:09 PM | Comentários (1)

março 11, 2008

«O Pintor morreu...»

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Morreu o Rogério Ribeiro.

Publicado por [Bomb Jack] às 11:10 PM | Comentários (3)

bah

a calcorrear a revista e os cadernos do espesso lembro-me do que já pensei muitas vezes. lembro-me também das leituras que tive que fazer há uns tempos de genéricos da gestão empresarial (curiosamente - ou talvez não - a propósito de um concurso para a função pública). é que esta gente de direita, muito burguesinha, muito avenida de roma via quinta da marinha empenha-se mesmo em criar, recriar e reproduzir uma visão do mundo muito própria. um mundo marcado pela gente de sucesso, pela competitividade, pelas lideranças, pelas superações individuais, pela encenação da felicidade endinheirada. gente empreendedora. gente como nós devíamos ser se fossemos melhores do que somos. se não fossemos tão feios, porcos e maus. mas atenção: os pobrezinhos e deserdados também lá andam, normalmente associados a projectos de solidariedade dos primeiros. ou então não, limitam-se a aparecer para ilustrar a degradação humana, para satisfazer instintos voyeuristas. só não se percebe de onde vêm uns e outros. como é que se criam, recriam e reproduzem uns, outros e uns aos outros. há sempre um défice (cá está a linguagem "deles" a parasitar) de explicação. esta gente da direita da comunicação que manda em quase tudo o que se lê evacuou o melhor jornalismo para o vácuo e o melhor das ciências sociais para o limbo universitário. não abrem portas a nada que possa quebrar as telenovelas dos portugueses de sucesso, as historietas dos cérebros muito apreciados lá fora, as mediocridades das modas-lisboa, as polémicas estéreis entre cronistas da classe a falar para a classe e para os que um dia sonham aceder à classe. bah.

Publicado por [Renegade] às 11:05 PM | Comentários (9)

março 10, 2008

Poesia de rua #37

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Publicado por [Renegade] às 11:47 PM | Comentários (4)

março 08, 2008

Desabafo do outro lado da barricada

Alegria no trabalho, o caralho.

Publicado por [Rex] às 12:10 AM | Comentários (6)

março 06, 2008

Poço dos Negros, menu para hoje

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Dedicado ao Paradise Café e tutti quanti (eu levo o limão!!!)

Publicado por [Renegade] às 10:40 PM | Comentários (9)

Poesia de rua #36

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Publicado por [Saboteur] às 06:34 PM | Comentários (3)

Quem quer ser dona de casa

Con motivo del Día Internacional de la Mujer Trabajadora, la organización impartirá cursos destinados únicamente a mujeres universitarias, que incluirá clases de costura, cocina, plancha y nutrición "para mantener el tipo".
Aunque suene a viaje al pasado, esto está sucediendo en el año 2008. En estas clases, las universitarias aprenden cosas como a coser el bajo de un pantalón, hacer una tortilla de patatas y a realizar una compra

5 minutos foi o que bastou para ir ver isto e descobrir que houve 72 mulheres em 2007 que se esqueceram de aprender a coser meias, em 2006 foram 69 que não fizeram bem a tortilla.

E por cá, que é que se faz dia 8?

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Publicado por [Chuckie Egg] às 04:41 PM | Comentários (3)

Quem escolhe?

«O Parlamento vai passar o monitorizar os computadores a partir dos quais são efectuados acessos ou tentativas de acesso a sites “não recomendados”. São assim considerados os de pornografia, droga, agressão, jogo e pirataria informática.» in Público

Porquê? Porque indiciam um uso lúdico de computadores de trabalho? Mas então o problema está no “lúdico” e isso faz com que um fórum de gastronomia ou bordados sejam tão pouco recomendável como um “Mature Pussy Porn” ou um “Big Dicks, Huge Cocks” não é?
Resumindo: se não me choca a proibição/limitação de acessos “lúdicos” durante o horário de trabalho, já me faz muita confusão a moralização dos mesmos.

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Publicado por [Chuckie Egg] às 09:48 AM | Comentários (1)

Fotos de um fim de semana no Alentejo

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Ti Isaías

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Parede da sala do Ti Isaías

Publicado por [Saboteur] às 09:33 AM | Comentários (1)

março 04, 2008

Um país descomplexado e com um comércio de retalho muito competitivo

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Promoção num super-mercado de Barcelona, via Party Program.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:05 PM | Comentários (6)

março 02, 2008

A Defesa de Israel !

Para nós, Europeus com um passado « colonial glorioso » e torcionário, sempre nos foi incutido o geo-politicamente correcto e incorrecto. Interiorizamo-lo sociohistoricamente. Comparar o holocausto ao massacre que os israelitas fazem quotidianamente aos palestinianos parece-nos indefensável nos limites da nossa moral judéo-cristiandade. Insuportável, não pela existência palpável de uma qualquer realidade mas porque a identificação do outro, vitima outrora, ao nosso lado mais cruel não nos redime dos pecados.
Alguém o fez, com toda a legitimidade e transparência. "Legitimidade" porque israelita, "transparência" porque sem pudor nas palavras. Foi a primeira vez que um alto responsável israelita (Matan Vilnai - Vice-ministro da Defesa) assumiu que as operações conduzidas por Israel contra os palestinianos é um holocausto, na medida em que ao ameaçar estes últimos de um « holocausto ainda maior » se eles não cessarem os lançamentos dos « roquettes » significa que o holocausto já està em andamento ?!
Existem soluções para o fim deste massacre, uma delas é a tomada de consciência da parte dos jovens israelitas do papel que eles têm no exército. Deixo-vos aqui um exemplo de resistência saído do interior da sociedade israelita e também um contra-exemplo da propaganda oficial israelita :

UM VERDADEIRO ISRAELITA NAO ABANDONA A REALIDADE (Versão alternativa)

UM VERDADEIRO ISRAELITA NAO ABANDONA O EXERCITO (Versão oficial)

Publicado por [Shift] às 09:52 AM | Comentários (4)