« janeiro 2008 | Entrada | março 2008 »

fevereiro 29, 2008

Desportos de combate

Há alguma coisa na escrita pública e cronística de Pulido Valente e Rui Ramos que perturba. Pacheco Pereira por vezes efectua incursões do mesmo género no mesmo terreno, mas é bastante mais cauteloso e rigoroso nas suas afirmações, mesmo quando elas são meramente instrumentais politicamente.
O que perturba é o uso de uma posição cimeira na academia, de um poder simbólico que atribui ao que escrevem a qualidade de um saber histórico, mesmo quando ambos estão absolutamente conscientes de não poderem - no formato que lhes é atribuído pela Atlântico ou pelo Público - respeitar as regras e condições fundamentais desse saber histórico.

Nenhum deles utiliza referências bibliográficas nem cita fontes concretas para sustentar as afirmações que profere, mas ambos utilizam o tom categórico de quem não admite discussões. Ambos estão conscientes desse terreno de ambiguidade em que se situa a sua escrita e não apenas desconhecem qualquer pudor como exploram até ao limite as possibilidades de um discurso político conservador sustentado numa imagem conservadora do passado e numa visão decadentista do presente. Ambos coincidem ainda por ignorarem tudo aquilo que não entendem, por fazerem de conta que não existe nada, para além de uma ordem liberal atraiçoada e/ou mal servida pelos seus dirigentes, ameaçada por uma ralé de medíocres ressentidos que se lhe opõem. Para ele, toda a história é a história da luta entre uma tradição que nos ilumina e uma barbárie que nos ameaça.

Importa dar-lhes pouco crédito e não se deixar enredar no debate progresso/tradição, ou no destino de Portugal no mundo, ou na perda de qualidade da criação cultural. Isso é o que eles querem.
Da parte dos que se organizam, do outro lado da barricada, o único caminho é a elaboração de uma historiografia de combate, que não deixe de fora precisamente aquilo que ameaça a ordem vigente, que torne audível as vozes silenciadas do passado, que construa a sua própria tradição, que monte o seu acampamento nos períodos sinalizados pelo inimigo como catastróficos, ameaçadores, ruinosos. Que sublinhe quão patético é um poder agonizante, de que brutalidades é capaz uma classe dominante ameaçada, de que violências e convulsões resultou o nosso tempo. Que revele a fotografia dos antepassados de Valente, de Ramos ou de Pacheco, em toda a sua ignóbil boçalidade. Não, evidentemente, os seus pais, avós ou bisavós, mas os que os precederam enquanto conselheiros do príncipe e encarnações da razão de Estado. Dos que lançaram camponeses do Minho fardados contra camponeses da Lunda desarmados. Dos que bebiam café no Martinho da Arcada quando Buíça levou ao ombro a sua winchester e continuaram a fazê-lo quando Gomes da Costa cavalgou pela Avenida da Liberdade.
Essa historiografia saberá forjar as suas armas e disputar o terreno ocupado pelo adversário. Será então surpreendente observar quão frágil é o seu poder e quão boas as razões dos seus receios. «Mal estar», «crise do regime» e outras tantas advertências parecem ser avisos de que algo está para acontecer. Haverá sangue?

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:16 PM | Comentários (5)

Le prix du silence - Orange partout

"Quatro estudantes brancos da Universidade do Estado Livre, em Orange, fizeram um vídeo onde forçavam contínuos negros a comer uma mistura de comida de cão e urina. Filmado há mais de um ano, só apareceu esta semana."

freestateorange.jpg

Mélangeons !
Métissons !
Unies soient nos cultures.
Pratiquons la raison !
Bénie soit l'ouverture,
Y a tant de cons si ce n'est des prophètes
Aboyant leur opinions nées d'idées toutes faites...
Les pressions, les tensions, les temps sont assez durs
Pour laisser progresser, pavoiser les ordures
Se regarder pisser, préparons le futur !...
L'identité ce n'est pas la caricature.

Mélangeons nos cultures !
Pratiquons l'ouverture ! (bis)

Combien de temps faudra-t-il
Pour qu'on comprenne que rien n'est ni noir ou ni blanc ?
Je nie tous les extrêmes.
« La mort au tournant ».
Combien de temps faudra-t-il
Pour qu'on comprenne qu'on n'a pas besoin
D'être noir ou blanc
Pour être un con, un imbécile ou un gland ?

Mélangeons nos cultures !
Pratiquons l'ouverture ! (bis)

Le mondialisme n'a rien pourtant d'un art étrange
Mais tant le nient. Putain de mairie d'Orange !...
Attention ! Innovation !
Attention ! Tradition !
Attention ! Pas de cas de fusion, d'relation, d'intrusion...
A tirer la couverture trop près de soi,
La moisissure naît, c'est la nature qui veut ça !...

la_ruda_salska_prix_silence.jpg

Publicado por [Chuckie Egg] às 11:03 AM | Comentários (4)

fevereiro 27, 2008

No country for old men



Publicado por [Rick Dangerous] às 03:34 PM | Comentários (8)

fevereiro 26, 2008

One night in Paris

O telemóvel da Paris Hilton foi alvo dos hackers, novas fotos dela em práticas pouco católicas rodam pela internet. Mete mulheres nuas, girissimas, vejam!

A soraia está nua, a judith butler foi a paris, a hilton foi (re)exposta na montra. Quem esperava aqui ver as fotos da loiraça do momento enganou-se na última curva, ir ao Spectrum ver gajas nuas é como ir ao restaurante e pedir bitoque. Temos melhor.

Free%20Paris%20Hilton.jpgfeminist.gif

Muito embora me atraia a ideia de uns hackers que não pactuam com as regras mais vincadas da sociedade conservadora, não é disso que se trata aqui. Se lá fossem buscar umas frases do Abel, uns despachos do Telmo, ainda era como o outro, agora as fotos da menina a brincar com as amigas? E é aqui que a porca torce o rabo, ora apesar da excelente lição de dietética que a menina nos possa dar, o escândalo é a (suposta, esperada, ansiada) homossexualidade da miúda. Que obviamente vende mais que essa merda da heterosexualidade tão em voga hoje em dia. Tal como ela, a homossexualidade é uma ovelha negra. Mas só alguma.

FeministHackers.jpg

No episódio da mais escandalosa estrela americana, e tomando como redundante para a discussão se aquilo foi mesmo roubado ou se ela é que estava com saudades de aparecer nas revistas, a questão toca num ponto fulcral, a opção sexual. Ela já mostrou tudo o que tinha pra mostrar, excepto o que lhe vai na alma quando chega a hora de ir pra cama. Na verdade, até aí já mostrou o que tem pra dar, só que a hipótese de um novo vídeo sem homens excita até o mais respeitável pasquim. Na Suécia, foi recentemente formado um grupo ao estilo feminista que reivindica o direito ao topless nas piscinas e saunas mistas. Elas pedem apenas para poderem fazer aquilo que os homens também podem. Descontentes com ter que pedir para serem iguais, decidiram passar ao ataque. Têm mamas. Já ganharam. Porque o mundo está mais equalitário? Não, porque o mundo está mais pornográfico.

bara-brost.jpg

Ver mulheres nuas é hoje livre e gratuito, incentivado até. O voyeurismo em relação ao sexo lésbico é o expoente máximo, não da liberdade sexual mas sim dum conceito de sobreposição dos desejos de um sobre o outro no que toca ao prazer sexual. Os homens continuam a ser os que levam no cu e as mulheres são as musas que dão uma grande tesão. Os homens que o façam, mas lá na casa deles. As mulheres só pecam por não convidarem “prá festa”. A questão de fundo aqui é que incorporámos alguma da mais reles pornografia e elevámo-la ao estatuto de garante da liberdade de opção sexual, de liberdade de escolha, quando a única coisa que podemos de facto deduzir é que esses símbolos, essas práticas de marketing, vêm da cabeça dos homens e são feitos para os homens. For Us By Us, dizia alguém há uns aninhos num contexto um pouco diferente. O que interessa aqui é que o facto de hoje em dia termos maior liberdade de mostrar o corpo não tem nada que ver com a liberdade de fazermos dele o que queremos. O facto de hoje em dia podermos ter uma soraia em cada paragem de autocarro não tem nada que ver com hoje em dia podermos exprimir livremente o desejo. Ou seja, se como dizia um companheiro “o espectáculo é o capital acumulado de tal forma que se torna imagem”, então a suposta liberdade de escolha que temos hoje é obviamente a vitória dessa imagem sobre a nossa livre vontade. Perceber que pessoas nuas não equivalem a liberdade e que não existem vitórias de 68 mas sim uma espécie de coito interrompido é a estrada a percorrer. Ficámos com tesão mas não nos chegámos a vir.

feminist-situ.png

Que o marketing de hoje em dia é agressivo e que serve interesses pouco equalitários não deve ser novidade nenhuma. Agora achar que esse marketing só influencia as nossas opções no supermercado ultrapassa todos os limites da ingenuidade, como dizia um outro companheiro “Liberdade haverá quando os aparelhos de TV adormecerem nas tardes solarengas”
E quando tudo o que foi dito desde os anos 60 (e até antes) sobre igualdade de género é confundido desta maneira com exposição mediática de mamas, apenas podemos penar pelo longo caminho que temos pela frente.
Poucas coisas me fariam mais feliz do que ver uma multidão de pessoas nuas ou até em cenas de sexo escaldante, escusava era de ser por causa de um champô ou vindos de um telemóvel de alguém por causa da sua enorme conta bancária.
sexualrevolutionover.jpg

Publicado por [Chuckie Egg] às 02:04 PM | Comentários (6)

Poesia de pasquim

MuroBerlim-Brezhnev_and_Honecker_kiss.jpgsoraiac.jpg


"Soraia está nua e Abílio pensa na militância. É por isso que o Muro de Berlim caiu."

Publicado por [Chuckie Egg] às 09:58 AM | Comentários (1)

fevereiro 25, 2008

Poesia de rua #35

SANY0355.jpg

Publicado por [Renegade] às 12:13 PM | Comentários (1)

fevereiro 23, 2008

Poesia de rua #34

Img145.jpg

Publicado por [Saboteur] às 02:38 PM | Comentários (2)

fevereiro 22, 2008

Diz que ardeu uma embaixada dos EUA...

belgrade.jpg

Publicado por [Saboteur] às 06:23 PM | Comentários (5)

fevereiro 20, 2008

Judith Butler in Paris!

Judith Butler encontra-se em Paris, como professora convidada da EHESS e da ENS, para dar um conjunto de conferências submetidas ao seguinte tema: “La politique au-delà de l’identité: Sexualité, Sécularisation et le sujet des Mouvements sociaux”.
Ontem falou-nos de Abu Ghraib, das torturas e da política sexual. Durante todo o seu discurso, Butler insistiu sobre como é que a tortura sexual feita pelos soldados americanos aos presos iraquianos foi realizada com base na justificação da modernidade e da liberdade sexual do Ocidente. Paralelamente, como é que o tabu da homossexualidade, extremamente presente também na sociedade americana, é utilizado contra o Islão. Tendo em conta o contexto cultural, a utilização de métodos de tortura sexual, sublinhando práticas homossexuais e memorizando-as pelo acto fotográfico, faz deste tipo de tortura um acto de desumanização total. Estamos perante torturas de tipo culturalista. A fotografia numérica incita ao acto, fazendo desse acto uma reprodução do tabu da homossexualidade contra o inimigo. Ou seja, como é que a homofobia foi usada contra o Islão e como as teorias sobre o Poder e a Sexualidade de Foucault continuam extremamente actuais.

Publicado por [Shift] às 11:12 AM | Comentários (6)

fevereiro 19, 2008

Poesia de rua #33 (é mesmo disto que precisamos)

SANY0353.jpg

Publicado por [Renegade] às 08:57 PM | Comentários (3)

A obediência está morta

"Foi lá que adquirimos a rigidez que nos acompanhou todos os dias da nossa vida e isso permitiu, a vários de nós, permanecer tão alegremente em guerra contra o mundo inteiro. Quanto a mim, particularmente, suspeito que as circunstâncias daquele tempo me proporcionaram a aprendizagem que me permitiu construir o meu espaço tão instintivamente pela cadeia subseqüente de eventos, que incluíram tantas violências e tantas fracturas, e onde tantas pessoas foram tão maltratadas — passando todos esses anos como se tivesse uma faca na mão.
Talvez não fôssemos tão cruéis se tivéssemos encontrado algum projecto já iniciado que parecesse merecer o nosso apoio. Mas não houve nenhum projecto dessa natureza. A única causa que apoiámos tivemos que definir e lançar por nós mesmos. Nada existia acima de nós que pudéssemos respeitar.
Para alguém que pensa e age desta maneira, não há problema nenhum em ouvir os longos momentos daqueles que acham algo bom, ou mesmo algo meramente tolerante, dentro das condições presentes; nem aqueles que, perdidos pelo caminho, parecem pretender seguir em frente; nem mesmo, nalguns casos, aqueles que simplesmente não compreendem as coisas rápido o suficiente. Outras pessoas, anos depois, começaram a defender a revolução da vida quotidiana com as suas vozes tímidas e canetas prostituídas — mas de longe e com a tranqüila garantia da observação astronómica. Mas qualquer um que tenha efectivamente assumido semelhante empenho, que tenha escapado às deslumbrantes catástrofes que o acompanharam ou o perseguem, não está numa posição fácil. Os calores e os frios do tempo nunca o abandonam. Até certo ponto, tem que descobrir como viver os dias à frente de uma maneira digna de um bom começo. Acaba por querer prolongar essa primeira experiência de ilegalidade.
Foi assim que, pouco a pouco, uma nova era de conflitos foi fixada em chamas, da qual nenhum de nós, que vivemos neste momento, verá o seu fim. A obediência está morta. É maravilhoso notar como disturbios originados num pequeno bairro humilde e efémero acabaram por abalar toda a ordem mundial. (Tais métodos obviamente nunca abalariam coisa alguma numa sociedade harmoniosa, que fosse capaz de controlar todas suas forças; mas é agora evidente que a nossa sociedade é totalmente o seu oposto).
Quanto a mim, nunca lamentei sobre nada daquilo que fiz; e sendo como sou, tenho que confessar que permaneço completamente incapaz de imaginar como poderia ter feito qualquer coisa de uma forma diferente do que fiz."

Guy Debord, In girum imus nocte et consumimur igni

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:19 PM | Comentários (1)

A bebida e o diabo

"Embora a selecta população deste momentâneo património de perturbações incluísse certo número de ladrões e ocasionalmente alguns assassinos, a nossa vida foi principalmente caracterizada por uma prodigiosa inactividade; e de todos os crimes e ofensas de que as autoridades nos acusaram, esta foi sentida como a mais ameaçadora.
Foi a melhor armadilha possível para apanhar visitantes. Aqueles que ficaram por ali por dois ou três dias nunca mais puderam sair, pelo menos até terem deixado de existir; a maioria veria o seu fim em poucos anos. Não se sabe de ninguém que tenha deixado aquelas poucas ruas e mesas «a tempo» de escapar.
Todos se orgulharam de ter suportado tão magnífico e desafiante desastre; mas na realidade não acredito que alguém que passou por ali tenha adquirido a mais leve reputação de honestidade.
Cada um de nós tomava mais bebidas num dia do que o número de mentiras que o sindicato contava durante todo o tempo que durava uma greve de ocupação. Bandos de polícias, guiados por numerosos informadores, constantemente invadiam o nossos espaços com todo o tipo de pretextos — frequentemente procurando drogas ou meninas menores de dezoito anos.
Mesmo menosprezando todas as ilusões ideológicas e sendo bem indiferentes àquilo que lhes pudessem provar a posteriori como sendo o correcto, estes condenados não desdenharam declarar abertamente o que estava por vir. Acabaram com a arte, anunciaram no meio de uma catedral que Deus estava morto, conspiraram fazer explodir a Torre Eiffel — foram pequenos e esporádicos escândalos praticados por pessoas cujo permanente modo de vida constituia um grande escândalo. [...]
O suicídio levou muitos. Como diz uma canção: «A bebida e o diabo fizeram o resto»."

Guy Debord, In Girum imus nocte et consumimur igni

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:25 PM | Comentários (5)

Pequenas Lutas e Lucidez - O camarada João Martins e a contenda contra a Banca

Joao_Martins.jpg

Publicado por [Joystick] às 12:30 PM | Comentários (7)

Lugar aos novos

373px-Raúl_Catsro.JPG
Fidel retira-se e diz não querer tirar o lugar aos mais novos. O seu irmão, Raúl, de apenas 76 anos, prepara-se para assumir as funções que já desempenha interinamente.

Publicado por [Bomb Jack] às 11:12 AM | Comentários (1)

It's the end of the world, as we know it.

Fidel_Castro.jpg
Adiós!

Publicado por [Bomb Jack] às 10:26 AM | Comentários (2)

Poesia de rua #32

ombros.jpg

Publicado por [Saboteur] às 01:30 AM | Comentários (3)

fevereiro 17, 2008

O caso da Byblos e as ideias feitas sobre o muno do trabalho

Os activistas do mayday colocaram o selo de “certificado de precaridade” naqueles lugares mais óbvios… Pelo menos óbvios para o imaginário da esquerda… no entanto, parece-me, pelo que eu sei, que os balcões dos bancos, por exemplo, não são propriamente locais por excelência onde abunda a precaridade…

Fuga ao fisco e distribuição injusta dos rendimentos; violência psicológica para cumprir objectivos draconianos e trabalhar fora de horas. Sim, tudo isso... Recibos verdes: não estou nada a ver…

Já um sítio bastante simpático para um intelectual de esquerda ir passar uma tarde de domingo, um sítio agradável de cultura e conhecimento, um sítio insuspeito, pode ser afinal um antro podre de exploração do homem pelo homem…

Falo da livraria Byblos, a maior e mais moderna livraria de Lisboa.

A livraria Byblos contratou os mais competentes profissionais do sector para a sua loja. Jovens licenciados, cultos, educados, interessados em livros que – na ausência de melhores saídas profissionais – empregaram-se nas Fnacs, Bulhosas, Almedinas, e outras do género que andam por aí…

Muitos deles e delas demitiram-se do sítio onde estavam para irem para a Byblos, visto que esta, aparentemente, pagava melhor.

Acontece que tudo não passava de uma fraude: O salário prometido durante o processo de recrutamento era afinal uma estimativa irrealista e inflacionada, que incluía uma parte variável, impossível de obter em circunstâncias reais.

Um truque sujo, que nos faz mais uma vez recordar que, nestas relações entre empregado e patrão, é sempre mais fácil tramar-se um do que o outro.

Publicado por [Saboteur] às 06:51 PM | Comentários (2)

fevereiro 16, 2008

Certificado de Precariedade


“O grupo de preparação do Mayday Lisboa 2008 faz hoje o lançamento oficial do Certificado de Precariedade (CP), a ser atribuído a partir de agora às empresas e organismos do Estado que mais se distinguirem anualmente na promoção da precariedade laboral em Portugal.”
http://maydaylisboa.blogspot.com/

Publicado por [Shift] às 08:45 AM | Comentários (5)

fevereiro 15, 2008

Nubai - O Rap Negro de Lisboa

Nubai.jpg

Este Domingo, às 16 horas, no Cinema S. Jorge em Lisboa, passa o filme do camarada Otávio Raposo.

É um dos filmes do PANORAMA. Uma mostra de cinema documental português.

Publicado por [Saboteur] às 07:03 PM | Comentários (7)

fevereiro 14, 2008

É por estas e por outras que as manifs do 1º de Maio não dão grande pica...

chorarosas5dw.jpg

Diz o nosso amigo comentador Robespierre: «Quanto ao caso, diga-se que o Chora não tem que ser delegado ao Congresso da CGTP porque, pura e simplesmente, não é dirigente Sindical»

Nem vou dizer o óbvio, que é que nunca, em toda a história do movimento operário, se deitou assim para o lixo a hipótese de ter na Comissão Nacional (que é um órgão muito amplo, nem sequer estamos aqui a falar numa coisa operacional) de uma estrutura que se quer representativa dos trabalhadores, o líder (carismático?) da Comissão de Trabalhadores da maior empresa do país.

“Ainda por cima operário!” Direi aos obreiristas residentes…

O Rick Dangerous, que é estudioso nestas matérias, até pode vir aqui dizer que na década de 50, na Hungria, foi afastado fulano tal, prestigiado elemento das Fundições Estrela Vermelha Lá do Sítio, uma empresa com milhares de operários, ficou toda a gente muito chateada, houve uma grande manifestação e foram todos presos.

Ok. “em toda a história do movimento operário” é capaz de ser um exagero (até porque a história do movimento operário está cheia de erros históricos…); mas isto não deixa de ser uma estupidez sem nome.

Mas nem vou por aí, dizia…

O interessante é ver que para o PCP, para a CGTP, provavelmente para o próprio Carvalho da Silva e para o Robespierre, gajo que não é dirigente sindical, que é “só” dirigente de uma Comissão de Trabalhadores, não pode ter grande importância para a luta.

É que é precisamente aí que reside uma das grandes questões/problemas do movimento:

O facto de se achar razoável que na Comissão Nacional só estejam Dirigentes das estruturas sindicais, independentemente da sua ligação efectiva às empresas e aos trabalhadores. Em muitos casos malta que faz sindicalismo a tempo inteiro já há mais de 10 e 20 anos, estando já muito distante das condições reais e concretas de trabalho na empresa…

Fazem cada vez menos sentido estes formalismos burocráticos. A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa é um organismo muito mais vivo do que a esmagadora maioria das estruturas sindicais que existem pelo país.

Eu até acho que se devia ir mais longe: O Chora até é Delegado Sindical, mas porque não ter um activista não sindicalizado de um call-center, ou um actor que se tenha destacado no FERVE, por exemplo?


Publicado por [Saboteur] às 12:26 PM | Comentários (8)

fevereiro 13, 2008

O meu curso de formação ideológica no Seixal

Pois é verdade sim senhor, só não sei se há programas específicos sobre direcção sindical. Existem lá numa certa e determinada quinta, com quartos com beliches e salas de aula, onde ouvimos falar de materialismo dialéctico - se bem que o Domingos Abrantes fala tão bem sobre isto como eu de mecânica de precisão - e do problema do sortido de calçado na União Soviética (sobre isto, que foi uma questão colocada como exemplo pelo Rick Dangerous, o Sérgio Ribeiro soube falar, não soube foi explicar). Mas o mais interessante é cá fora, no recreio, quando descobrimos, enfim, que não temos assim tanta coisa em comum com o colega de carteira e a discussão é tão acesa que a porrada está lá, latente na idiossincrasia e nas veias das têmporas. Tirando esse momento de esclarecimento sociológico, nada mais fez por mim esse tal cursinho.

Publicado por [Joystick] às 05:58 PM | Comentários (6)

Perre, Paris e Londres

Publicado por [Renegade] às 01:55 AM | Comentários (3)

O Spectrum e o mundo rural

«O autor deste blog: http://www.spectrum.weblog.com.pt/

Encaixa-se perfeitamente nos perfis acima delineados, radiografia tirada.
A rede de extremistas de esquerda está implantada por células por todo o país, incluindo nos mais recônditos locais do meio rural.»

Vitório Rosário Cardoso

Publicado por [Saboteur] às 12:03 AM | Comentários (8)

fevereiro 12, 2008

Efemérides[inhas] #1

Fez ontem um ano que deixei de fumar.

Publicado por [Bomb Jack] às 11:28 PM | Comentários (3)

No centro da constelação variável


«O autor d’A Sociedade do Espectáculo sempre foi tido como o cérebro, discreto mas incontestável... no centro da constelação variável dos brilhantes conjurados subversivos da I.S., uma espécie de frio jogador de xadrez, conduzindo com rigor... a partida em que previu todos os lances. Congregando à sua volta, com velada autoridade, os talentos e as boas vontades. E desagregando-os depois, com o mesmo virtuosismo negligente, manobrando os acólitos como pedes ingénuos, a cada jogada desbravando o terreno, vendo-se por fim senhor absoluto, e sempre a dominar o jogo».
Le Nouvel Observateur, 22 de Maio de 1972

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:32 PM | Comentários (2)

Em todas as ocasiões


"Eu que com tanta frequência tive de ler a meu respeito as calunias mais extravagantes ou muito injustas criticas, sinto aliás certa surpresa por ver que afinal se passaram trinta anos, e até mais, sem que alguma vez um descontente tenha utilizado a minha bebedeira à laia de argumento, pelo menos implícito, contra as minhas ideias escandalosas; com excepção, de resto única e tardia, de um escrito dado a lume por uns jovens drogados, em Inglaterra, no qual revelavam, per volta de 1980, que doravante eu estava embrutecido pelo álcool e que, per conseguinte, deixara de causar dano. Nunca me passou pela cabeça dissimular esta feição talvez contestável da minha personalidade, feição esta indubitável para todos quantos me tenham visto mais de uma ou duas vezes. Posso até assinalar que em todas as ocasiões bastaram poucos dias para me ver grandemente estimado, fosse em Veneza ou em Cádis, em Hamburgo ou em Lisboa, pelas pessoas que só por frequentar certos cafés fui conhecendo."
Guy-Ernest Debord, Panegírico

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:11 PM | Comentários (1)

Nunca mais

"Eram aquelas ruas frias e a neve, e no rio a cheia: «A meio do álveo/profundo é o rio.» Eram aquelas meninas da escola, fugindo dela, de olhos ufanos e tão doces lábios; as rusgas frequentes da policia; o fragor de catarata do tempo. «Nunca mais voltaremos a beber tão jovens.»[...]

Situavam-se essas coisas entre o Outono de 1952 e a Primavera de 1953, em Paris, a sul do Sena e a norte da rua de Vaugirard, a leste do cruzamento da Cruz Vermelha e no lado ocidental da rua Dauphine. Assim escreveu Arquíloco: «Dá-nos lá de beber. / Verte e vinho tinto sem levantar a borra. / Que em tal posto, sóbrios não podemos nós ficar.»
Entre a rua do Four e a de Buci, onde a nossa juventude de todo se perdeu, bebendo copos, podíamos sentir com toda a certeza que nada de melhor algum dia faríamos. "

Guy-Ernest Debord, Panegírico

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:54 PM | Comentários (2)

It's not love i'm running from

Nowhere to run to, baby
Nowhere to hide
Got nowhere to run to, baby
Nowhere to hide

It's not love
I'm running from
It's the heartaches
That I know will come

'Cause I know
You're no good for me
But you`ve become
A part of me

Everywhere I go
Your face I see
Every step I take
You take with me, yeah


Publicado por [Rick Dangerous] às 05:48 PM | Comentários (0)

fevereiro 11, 2008

Intelectuais na fábrica

PENSAMENTO CRÍTICO CONTEMPORÂNEO

SEMINÁRIO DE INTRODUÇÃO

FÁBRICA BRAÇO DE PRATA | MARÇO/MAIO 2008 | SÁBADOS das 17H-20H


O seminário pretende mapear algumas das principais problemáticas que desafiam um pensamento crítico contemporâneo, dos estudos sobre nacionalismo à crítica da sociedade do espectáculo. Para este efeito, ao longo das diferentes sessões, serão discutidas propostas de intelectuais cuja reflexão tem motivado importantes debates políticos (ver programa em baixo). O seminário destina-se ao público em geral. Mediante inscrição serão disponibilizados materiais comuns de leitura, dispensando-se qualquer tipo de formação académica prévia.

Inscrições: cursopcc@gmail.com | Tel.: 213 536 054

Atenção: Lugares limitados!

Preço do Curso: 25€ | 15€ para Estudantes

Acesso a Todas as Sessões e a Materiais de Leitura

Preço por Sessão Avulso: 4 €

Organização: Le Monde diplomatique – Edição Portuguesa | NÚMENA

A Fábrica de Braço de Prata. Projecto das livrarias Eterno Retorno e Ler Devagar, a Fábrica Braço de Prata é uma livraria com 12 salas e 3 ateliers que ocupa uma área de 700m2. Construído em 1908 para ser uma fábrica de material de guerra, o grande edifício do Poço do Bispo transformou-se num centro de cultura com cinema, ateliers, galerias de arte, salas de concerto e livrarias. Tem também um bar, uma esplanada ampla e inúmeros lugares de estacionamento. Fica situado em frente aos correios de Poço de Bispo. Mais informação em: braço de prata.org

PROGRAMA

Sábados, das 17h às 20h.

8 MARÇO >>
A Arte de Governo em Michel Foucault - Jorge Ramos do Ó (FPCE-UL)
Benedict Anderson e os Estudos sobre Nacionalismos - João Leal (FCSH-UNL)

15 MARÇO >>
E.P.Thompson e a Cultura Plebeia Fátima Sá (ISCTE)
Debord e o Estranho Jogo da Internacional Situacionista Ricardo Noronha (FCSH-UNL)

29 MARÇO >>
Gilles Deleuze e a Micropolítica Nuno Nabais (FL-UL)
Alain Badiou: Pode a Política Ser Pensada? Bruno Dias (NÚMENA)

5 ABRIL >>
Do Feminismo a Judith Butler Miguel Vale de Almeida (ISCTE)
De Edward Said aos Estudos Pós-Coloniais Manuela Ribeiro Sanches (FL-UL)

19 ABRIL >>
Rancière e a Partilha do Sensível Manuel Deniz Silva (FCSH-UNL)
Fredric Jameson e o Marxismo Dialéctico Miguel Cardoso (Birkbeck College – Universidade de Londres)

10 MAIO >>
James Scott e a Força dos Fracos José Manuel Sobral (ICS-UL)
Bourdieu, Classes e Gosto Nuno Domingos (SOAS – Universidade de Londres)

17 MAIO >>
Giorgio Agamben e o Homo Sacer António Guerreiro (FL-UL | jornalista do Expresso)
Toni Negri e John Holloway: Comunismos pós-1989 José Neves (ICS-UL)

24 MAIO >>
Georg Simmel e os Estudos sobre Tecnologia José Luís Garcia (ICS-UL)
Jacques Derrida e a Política da Desconstrução Silvina Rodrigues Lopes (FCSH-UNL)

31 MAIO >>
Slavoj Žižek – Bem-vindos ao Deserto do Real Nuno Ramos de Almeida (jornalista do RCP)
Dois Anarquismos, Chomsky e/ou Feyerabend Rui Tavares (EHESS-Paris | cronista do Público)


Publicado por [Rick Dangerous] às 03:06 PM | Comentários (6)

Poesia de Rua#31 (fotografia retirada do Abrupto, pintada efectuada pelos suspeitos do costume)

10-1-2008+DSC02593.JPG

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:49 PM | Comentários (5)

fevereiro 10, 2008

Violência e estupidez

bofiaporco.bmp
Polícia a ser agredido com um cachecol que o perigoso meliante tinha enrrolado ao pescoço.

Como acontece sempre que uns senhores armados agridem pessoas que não se podem defender, a extrema-direita exulta.

Não vos vou maçar com os links do costume… São os mesmos jovens que se dizem “desalinhados”, contra o sistema que prendeu injustamente o Mário Machado, só porque ele andava a ameaçar e a espancar pessoas, que acham agora bem feita a carga policial sobre quem protestou contra o despejo de uma colectividade que ocupa determinado espaço há mais de 100 anos (lá se vai a “história” e a “identidade”, parece que o importante afinal é que se espanque alguém)

No entanto, se querem rir, este post merece ser lido.


tomates.jpg
Se eu fosse polícia preocupava-me com o facto de haver certos fora-da-lei a exaltar constantemente a minha acção.

Publicado por [Saboteur] às 11:37 PM | Comentários (12)

Não há só um Grémio

O o que está a acontecer no Grémio remete para o que poderá vir a acontecer com a Sociedade Harmonia Eborense. A S.H.E. tem sede na Praça do Giraldo e ocupa um dos principais edificios da cidade, paga a renda à mesma família de proprietários desde 1902 e não fez obras não autorizadas. A Associação é um dos principais centros de actividade cultural da cidade, alguns dos que lerem este post já estiveram na Harmonia a ver um concerto ou numa festa, já tocaram ou representaram numa das suas salas. A associação não tem uma vocação comercial, preocupa-se em subsistir com a exploração de um bar e em manter as actividades que programa.


a Harmonia fica no primeiro portão à esquerda)

No mês de Outubro a ASAE fechou o bar e agora, por intervenção da S.R.U. Évora Viva, os seus associados correm o risco de ser escorraçados da sede que a colectividade ocupa (perdoem, arrenda) desde 1902. A razão é a reabilitação urbana e o argumento – ou a verdadeira razão – é a incapacidade da S.HE. de rentabilizar o edificio de forma a poder fazer as obras necessárias para salvaguardar a fachada turistica da Praça do Giraldo. As S.R.U.s – que têm na autarquia o elemento mais activo – ao funcionarem numa lógica de negócio com privados remetem a reabilitação para uma condição indissociável da reconversão comercial das práticas sócio-económicas do centro das cidades. Entretanto os proprietários pediram a alteração do direito de utilização do edificio para nele se poder construir uma pousada. É o início de um processo que parece ter um fim previsto.

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 12:12 AM | Comentários (2)

fevereiro 09, 2008

E é sempre a mesma melodia, é a bófia e a sua democracia.

Depois de uma assembleia no átrio principal, cerca de 40 pessoas decidiram subir as escadas onde já sabiam que alguns polícias guardavam a porta. Eram 5 e nunca falaram, bateram assim que apanharam o primeiro, neste caso até foi a primeira. Depois dessa primeira carga houve quem pedisse explicações, quem exigisse a identificação dos polícias (não tinham nenhuma chapa com o nome óbviamente), uma pessoa que penso estar ligada ao grémio pedia calma a quem por subir as escadas levou com o cacetete sem nenhuma razão que o justificasse, nunca sequer olhou para a cara dos polícias, ali sabia que não havia nada a fazer.

Um vídeo mais completo aqui


Cá fora vimos que realmente nos deviam considerar perigosos porque já havia quase tantos polícias como manifestantes. Cá fora percebemos também pela primeira vez que alguns deles falavam, alguns conseguiram mesmo elaborar uma frase inteira com o tempo verbal correcto. Infelizmente, quando as esperanças se levantaram reparámos que afinal apenas conjugavam um único verbo, dispersar. Pedras e fogo seriam pouco para quem, armado e treinado, bate sem pudor só porque lhe apetece. A única certeza é que nada melhorará antes de piorar bastante.

Publicado por [Chuckie Egg] às 12:33 AM | Comentários (13)

fevereiro 08, 2008

O novo Ópio do Povo

Eis um copy paste do Fórum da intranet da Organização em que trabalho:

Visitante Colocada: Seg Jan 28, 2008 12:48 pm Assunto: Racionalização da Internet -------------------------------------------------------------------------------- O que é que os colegas acham das novas medidas de racionalização da Internet? Na minha opinião se as medidas se cingem apenas a motivos económicos, deveriam começar a actuar primeiro na utilização abusiva dos telefones para chamadas pessoais. Aí sim, poupariam imenso. Quanto a Internet, concordo que os utilizadores abusivos, cujas chefias notem negligência no trabalho para uso da mesma, esses sim tenham acesso racionalizado. Gostaria saber a vossa opinião. Voltar acima Visitante Colocada: Ter Jan 29, 2008 12:30 pm Assunto: -------------------------------------------------------------------------------- O acesso à internet tem que ser controlado já que muita gente ouve rádio e joga no horario de trabalho. É ridiculo passar pelos corredores e ver pessoas a jogar Travian. Voltar acima Visitante Colocada: Qua Fev 06, 2008 12:04 pm Assunto: -------------------------------------------------------------------------------- É que o travian é viciante É como o tabaco! Eu limitava as idas à net mas dava 10 minutos de manhã e 10 à tarde para o pessoal fazer as suas jogadas. Na medecina do trabalho devia haver apoio a quem quisesse largar o Travian.

Não sei se conhecem este ou outros jogos on line. Eu conheço-os há relativamente pouco tempo mas já ouvi falar muito deles.

Descobri há pouco tempo que um familiar meu é "Governador" de uma importante "aliança" no Travian.

Na vida real é um funcionário público frustrado, com meras funções administrativas, apesar de ter estudos e talento para muito mais. No Travian é um lider, que tem sob as suas ordens algumas boas dezenas de jogadores, os seus exércitos, mas também o seu tempo, o seu respeito a sua solidariedade, dispostos a morrer (virtualmente) a uma ordem dele para salvar uma das suas aldeias.

Isto dá que pensar, ou não?

Publicado por [Saboteur] às 03:33 PM | Comentários (10)

Centros de detenção à la portugaise...

Pela via do zero de conduta, e, ainda na ressaca do lenço árabe, tive acesso a este vídeo no mínimo Hilariante, no máximo Bárbaro!
Em Abril 2007 escrevi um post intitulado “C’est pas les sans-papiers, c’est Sarkozy qu’il faut virer” no qual descrevia as condições às quais os sans-papiers em França são submetidos desde a rusga, passando pela detenção e o repatriamento forçado, até aos movimentos de solidariedade. A luta pela regularização dos sans-papiers continua: ainda no passado dia 2 de Fevereiro participei numa grande manif em Paris sob o tema “les chiffres ont un visage”, denunciando a política numérica de sarkozy no que diz respeito às expulsões, i.e. repatriamentos (para os mais sensíveis).
Quando vejo este filme sobre a festinha de natal oferecida pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) aos “cidadãos estrangeiros à espera de repatriamento" não consigo deixar de fazer uma comparação com a situação dos “centres de rétention” em França sobre os quais já existem muito mais informações críticas.

Os “centres de rétention” à la française não são uma brincadeira, não se recebe prendinhas de natal como nos Centros de detenção à la portuguesa. Os sans-papiers (os detidos), cujo o único delito foi o de terem escolhido a França para viver, podem ficar até 32 dias nestes centros de detenção. Este é o tempo que a administração francesa tem para lançar o processo no tribunal, fazer com que as embaixadas reconheçam os seus filhos da nação e por fim metê-los num avião de volta ao país, com o bilhete oferecido pela Republique française, mas com uma experiência de detenção a não querer repetir! Muitos são os relatos da violência sofrida durante estes dias, testemunhos que sublinham as deficientes configurações arquitectónicas dos centros, a omnipresença de câmaras, as condições de higiene sórdidas, as refeições que não têm em conta os “códigos” culturais e religiosos, a humilhação da parte dos polícias para com os sotaques, características físicas, etc:
« Un détenu témoigne de ce à quoi peut ressembler une journée au centre de rétention de Vincennes.
Tous les matins on nous fouille.
On descend au réfectoire vers 9 h. Il n’y a pas d’eau chaude pour le café.
Lorsqu’on le signale, les policiers nous répondent qu’ils ne sont pas là pour ça, qu’ils sont juste là pour nous surveiller.
Ils ne veulent pas s’occuper de ça.
Ce midi, on nous a servi des haricots blancs périmés depuis le 5 janvier.
Quand on l’a signalé, on nous a répondu qu’ils n’étaient pas là pour regarder les dates. Qu’ils ne voulaient rien savoir.
On l’a signalé à la CIMADE qui elle a écrit un texte pour en témoigner.
Pendant la journée on peut circuler mais on doit rester dans les chambres.
Quand on veut se reposer, les policiers veulent fouiller les chambres.
La nuit, ils sont dans le couloir.
Lorsque q’on doit se rendre aux toilettes, ils nous suivent et laissent la porte ouverte
Ils nous provoquent.
Ils nous dérangent la nuit en mettant l’alarme entre minuit 1 heures, pour qu’on ne dorme pas »

Já os centros de detenção à la portugaise metem em valor outras proezas que diria mesmo façanhas bem portuguesas. Não conheço muito bem a realidade do processo pelo qual os imigrantes em situação irregular em Portugal têm que passar, no entanto o filme do SEF é esclarecedor em vários aspectos que resumo em três palavras: Hipocrisia; Messianismo e Néo-lusotropicalismo. Hipocrisia na medida em que transformam a realidade da expulsão, momento de malogro para o imigrante, num espaço de lazer folclórico e de propaganda política onde o detido incorporiza um Utente (de un centro de detenção paroquial). Messianismo na medida em que enviam um Messias, ou seja, um divino libertador dos oprimidos que traz a verdade e a moral com ele: “A maria estava grávida à espera de um bebé, tiveram que ir recensear-se porque o governo queria que as pessoas tivessem os papeis todos em dia, tivessem documentos, foi por causa disso que Maria e José tiveram que fazer uma viagem grande desde a terra onde viviam até à terra onde deviam recensear-se”. Para além da infantilização, será isto um Messias anacrónico ou um Moralista sem pudor? E Néo-lusotropicalismo porquê? Os portugueses, não venham cá com histórias... expulsamos os imigrantes Iraquianos para o Iraque, os somalianos para a Somália, os nigerianos para a Nigéria, etc, etc (tudo países onde a paz reina), mas o processo de expulsão é isento de racismo e distingue-se dos outros países porque damos beijinhos e abraços e para além do mais metemos um padre à sua disposição.

Em suma, entre os “Centres de rétention” à la française e os Centros de detenção à la portugaise venha o diabo e escolha. Os anjinhos (cidadãos europeus responsáveis) escolheriam por outro lado uma Europa abolicionista de muros intra e extra comunitários, pois a regulação dos migrantes não se opera através do encarceramento bárbaro-hilariante de pessoas.

Publicado por [Shift] às 12:40 AM | Comentários (3)

fevereiro 06, 2008

Com a dança também se “instrumentaliza” a “luta de classes”

Estamos em 1932, em New York City, quando 6 dançarinas, dão um espectáculo de dança num comício comunista em Manhattan. “Dance is a Weapon 1932-1955” é o nome da exposição agora em exibição no Centre National de la Danse em Paris. Precisamente, a Dança é uma arma, i.e. impulsionar a mudança social através da dança, é o principio de base do grupo New Danse Group (NDG) fundado por estas seis dançarinas (Fanya Geltman, Miriam Blecher, Nadia Chilkovsky, Edna Ocko, Becky Lee e Grace Wylie). Este grupo desenvolve-se e forma-se em relação directa com a intelligentsia de esquerda de New york.

(Logo do NDG)

Extremamente activas em termos políticos, desenvolvem todo um programa onde os estudantes recebem uma hora de aula de dança, uma hora de improvisação baseado num tema social e uma hora de debate sobre questões politico-sociais.

Portanto, inserindo-se na corrente Workers Dance League, NDG torna-se facilmente a vanguarda deste movimento pela conjugação de altos standards artísticos e performativos com a luta política. Aqui ficam alguns titulos de espectáculos: “Tenant of the Street” (sobre a miséria de uma sem-abrigo); “Hamonica Breakdown” (Jane Dudley “incorpora” uma “operária agricola”); “Strange fruit” (poema escrito por Abel Meeropol – professor e membro do PC Americano- sobre as linchagens de negros, tornado mundialmente conhecido pela interpretação de Billie Holiday e representado por Pearl Primus do NGD).

Southern trees bear a strange fruit
Blood on the leaves and blood at the root
Black body swinging in the Southern breeze
Strange fruit hanging from the poplar trees


(Harmonica Breakdown, Performance recente desta peça com entrevista a Jane Dudley)

(Strange fruit – Billie Holiday)


Este grupo vai marcar profundamente e dar origem à dança moderna na América do Norte, adaptando-se bem e mal às mudanças políticas: em parceria com o grupo de Anna Sokolow recolhem fundos para a luta contra o franquismo; apoiam o New Deal; destroiem barreiras artísticas entre brancos e afro-americanos; tornam-se patriotas na II Guerra Mundial; institucionalizam-se e dão espectáculos em Broadway para depois se tornarem um alvo a abater do Macartismo.



(Anna Sokolow e Pearl Primus)

Publicado por [Shift] às 11:38 AM | Comentários (5)

fevereiro 05, 2008

Mix feelings

cartazbacalhoeiro.jpg

A Motel Taz Dinbaz dá-nos conta que a polícia foi ao Bacalhoeiro mandar retirar os cartazes que comentei no post em baixo.

Tenho sentimentos mistos em relação à actuação da polícia.

É óbvio que entre uma associação cultural com provas dadas e um policia incomodado com um cartaz, as minhas simpatias vão todas para o Bacalhoeiro.

Por outro lado, se a foto é mesmo de um bófia português, que de repente viu a sua foto espalhada pela cidade com uns bracinhos de porco desenhadas, é natural que ele fique chateado.

É óbvio que os nossos amigos mandaram-se para fora de pé (argumentar que "o senhor da foto está em acção pública" é uma piada) e se a coisa ficar por um mera apreensão de cartazes na véspera da festa, já é uma sorte.

PS: No mesmo blog - quem sabe se, lá no fundo, relacionado com o assunto deste post - está um interessante vídeo acerca de 3 polícias que, mascarados de activistas radicais, tentaram provocar desacatos e violência com objectivos bastante óbvios.

Publicado por [Saboteur] às 09:45 PM | Comentários (10)

fevereiro 04, 2008

É carnaval, ninguém leva a mal

Img142.jpg

O cartaz da festa de hoje no Bacalhoeiro, está provocador...

Como veêm tem um sr. agente da autoridade com dois bracinhos de suino.

A organização pede para o pessoal vir mascarado para a festa mas, por favor, para o pessoa "não vir à porco".

A festa é apoiada pela CML.

Publicado por [Saboteur] às 03:38 PM | Comentários (3)

fevereiro 02, 2008

Cinema Spectrum

Uma curta metragem de 1992 baseada numa lenda urbana. Ganhou um Oscar em 1994. "O preto acabou de o comer." é a citação que a história recordará.

Publicado por [Rex] às 04:25 PM | Comentários (4)

fevereiro 01, 2008

Justiça e Progresso

Publicado por [Joystick] às 11:16 AM | Comentários (9)