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janeiro 30, 2008

Manifestação de milionários

Sexte-feira, às 13 horas, haverá uma manifestação de milionários em frente ao BCP, na rua Augusta.

É o BE que convoca...

Publicado por [Saboteur] às 04:07 PM | Comentários (8)

janeiro 29, 2008

Queremos mentiras novas

O relatório da Reprieve não deixa margem para dúvidas: Os reféns que os Estados Unidos levaram ilegalmente para o campo de concentração ilegal de Guantánamo, onde são sujeitos a interrogatórios e técnicas de tortura que nada têm a ver com a legalidade, tiveram de passar por Portugal, com o conhecimento das autoridades portuguesas.

Quando há meses, a Eurodeputada socialista Ana Gomes denunciou também esses factos, e quando o PCP propôs um inquérito, o Governo desmentiu tudo com a mesma convicção que Durão Barroso tinha, quando dizia ter visto as provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque.

Eu acho é que, neste país onde ninguém se importa com este tipo de mentiras, os spins do Governo escusavam de se ter dado ao trabalho de andar a soprar aos ouvidos da comunicação social que a “Unidade Anti-Terrorista” tinha reunido de emergência e que provavelmente havia em Portugal uns Paquistaneses que sabem “fazer bombas com uma garrafa de bagaço e uma caixa de fósforos”

Publicado por [Saboteur] às 07:34 PM | Comentários (1)

janeiro 28, 2008

Novos anúncios no Metro

Uma viagem pelo Metro de Lisboa está a tornar-se uma experiência cada vez mais Orweliana.

Depois das televisões gigantes a debitarem publicidade e notícias, agora há uns novos anúncios da Super Bock que têm uns altifalantes cima do cartaz que assobiam para chamar a atenção do pobre coitado do utente de transportes públicos.

Cheguei e o metro tinha acabado de sair… Fiquei ali cerca de 10 minutos a tentar ler o meu livro, sempre com os incomodativos “fííííu, fiuuuu” nos meus ouvidos, vindo de diversos pontos da estação.

Claro que qualquer dia alguém se chateia e parte aquilo tudo… Acho que é por isso que estavam uns senhores hoje a montar mais câmaras de vigilância na estação da Baixa-Chiado

Publicado por [Saboteur] às 06:28 PM | Comentários (10)

janeiro 27, 2008

Obama esmaga Carolina do Sul

Publicado por [Saboteur] às 09:00 PM | Comentários (6)

janeiro 26, 2008

Também no Parlamento se grita "Referendo"

Publicado por [Shift] às 01:57 PM | Comentários (4)

janeiro 25, 2008

Referendos e cervejas

O capitalismo é mau mas sabe que precisa de se auto-sustentar na sua própria miséria. Por isso mesmo, e por saber com que linhas se cose, lá deixou cair ao longo dos tempos umas migalhas que dão pelo nome de férias. No fundo as férias são como um pára-choques, se não existissem, o caminho que nos propõem seria bastante mais acidentado.
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vários pormenores, o melhor à esquerda, "more cars less trees"

Fui então ter com o meu comentador favorito, Luca Raglionne, que na sua diáspora académica lá lhe calhou ir estudar uma daquelas tretas que não interessam nem ao menino Jesus (foda-se tava a escrever isto no Word e o cabrão acabou de pôr automaticamente Jesus em maiúsculas!!! E Word também!!!...este capitalismo anda muito narcisista) com a pequena infelicidade de não poder fazer a Alemanha pagar as suas despesas, culpa dos abaixo citados supra-sumos do conhecimento universitário…enfim, assim acontece a quem não quer ir pró MacDonalds vender uns hambúrgueres ou, num registo mais light, prá Fnac vender livros (não é mais light pela vertente cultural, é mesmo só por não chegar a casa com cheiro a óleo de fritar batatas, de resto…)
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Na terra do gajo das flechas nas maçãs, um Guilherme qualquer coisa, as auto-estradas contornam ou furam a montanha, nunca a destroem. Quando contornam, têm na mesma um túnel, coberto por cima com relva e que nesta altura do ano se cobre de neve, fazendo desaparecer por completo a visualização de qualquer veículo. Aqui, na terra onde as 3 maiores uniões de bancos fazem o PIB americano (dizem eles), e normalmente tida como exemplo do controlo social, onde nos buzinam por atirar as beatas pró chão, as sanitas têm ao lado um cinzeiro e os cafés têm açucareiros….quem disse um dia: “Se a ASAE for à Suiça, a Suiça fecha a ASAE” enganou-se redondamente...
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Antes disso uma incursão rápida pelo destino erasmus comum a dois dos companheiros daqui desta casa, e também de duas ex-companheiras lá de casa, que fomos visitar em viagem relâmpago, munidos de uma viatura de alta potência adquirida a metade do preço português (sim, o capitalismo tem fronteiras e nacionalidades, muitas mesmo!) e de um GPS com voz de miúda universitária com graves problemas de dicção, podia ter sido pior, pelo menos fomos sempre em auto-estrada e ela lá nos ia mandando encostar sempre à esquerda até ao destino final, bastião vermelho da terra onde se inventaram aquelas refeições estúpidas que os jovens alternativos comem em demasia, as pastas.
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Depois houve ainda tempo para uma pequena prospecção de mercado, eu e o Luca vamos tornar-nos intelectuais (dizem-me que não dá guita mas nunca vi nenhum trabalhar e lá que tem estilo lá isso tem) e vamos formar uma comissão de estudo. Como precisávamos de um objecto de estudo decidi ir mais a norte até à Alemanha e cingir-me ao escrutínio dos prazeres da cerveja engarrafada. Desde já anunciamos que formaremos também um comité de acompanhamento para a cerveja enlatada, por acompanhamento entenda-se formado por acompanhantes, ou seja, ucranianas giríssimas com pernas até ao meu pescoço, que isso das alemãs serem todas loiras e altas é tão verdade como fazerem-se referendos na Suiça para mudar o nome de uma rua….ou se calhar até fazem…já nem sei, quando saí daqui falava-se muito em referendos e voltei disto tudo para uma ameaça terrorista e dias mais tarde são “lenços árabes” (!!!) que dominam o telejornal…enfim, não fossem as substancias ilegais que surripiei perante todos os controlos fronteiriços e aeroportuários possíveis e imaginários e tudo isto acabaria no mínimo numa depressão de 340 dias.
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referendo anti-absinto em 1908 e oktoberfest bavarian style

Publicado por [Chuckie Egg] às 05:02 PM | Comentários (8)

janeiro 24, 2008

O eterno retorno

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Prodi renunciou. Ou a história que se repete, agora com vilões diferentes...

Publicado por [Bomb Jack] às 10:25 PM | Comentários (3)

janeiro 23, 2008

« Keffieh » sinónimo de « lenço árabe » sinónimo de « terrorismo »?

Há cerca de 10 anos comprei um keffieh em Portugal. Lembro-me que na altura gastei as minhas reservas económicas para poder transportar um símbolo revolucionário, de resistência e de solidariedade com o povo palestino. Reconheço também um fenómeno de moda no ocidente, que segundo reza a história, foi iniciado em França por volta de 1983 com o evento da Marche des Beurs (grande cortejo contra o racismo que começou em Marselha e acabou em Paris reunindo mais de 60 000 pessoas).

Hoje, quando li o post de Bomb Jack, foi como se a terra se abatesse sobre a minha representação, talvez naive, do simbolismo do keffieh que eu tinha outrora, com quinze anos apenas. Em dez anos, muito aprendi sobre o mundo árabe. Em cinco anos em França tive contacto directo com os interditos do Islão, dancei ao ritmo de Feiruz e provoquei os meus amigos muçulmanos com uma boa linguiça de porco feita pelas mãos da minha tia no norte de Portugal. Estive ao lado de libaneses em Julho 2006, ri com sírios, dormi com palestinos, entre outros. Hoje, quando a subcomissária Paula Monteiro afirma “o saco estava coberto com um "lenço árabe", o que "ajudou a levantar suspeitas sobre o seu conteúdo"(questiono-me ainda se o Keffieh que comprei há dez anos é o mesmo que cobria hoje o saco suspeito), faz com que o meu repúdio pela luta anti-terrorista se amplifique de tal ordem, que estaria pronta a engrossar as fileiras daqueles que se guerrearam contra as cruzadas na Terra Santa. As autoridades portugueses há muito tinham enveredado politicamente por esta luta-antiterrorista sem freios... No entanto, a história de falar em “lenço árabe” na praça pública portuguesa transforma esta via política numa via muito mais perigosa, i.e. na via dos actos e dos preconceitos contra uma cultura e populações. Também eu faço aqui uma amalgama entre mundo muçulmano e mundo árabe, mas isso era tema para outro post...
Esta história ridícula fez rir às gargalhadas as pessoas que me rodeiam no meu quotidiano... por estas gargalhadas tive direito a um presente, 10 anos depois, a um novo Keffieh (made in Siria). O único problema é que também em França o porte do “lenço árabe” transformou-se num acto político-terrorista! Pois então, Bomb Jack, somos já dois potenciais terroristas.

Publicado por [Shift] às 03:54 PM | Comentários (10)

Notícias de Entretenimento Google

Acabaram-me de chamar a atenção para os 3 destaques das "Notícias de Entretenimento" do Google.

A saber:

- Actor de Brokeback Mountain encontrado morto

- Casa Pia: João Pedroso acusa investigação de informar media

- Empresários mortos em Angola vão hoje a enterrar


Publicado por [Saboteur] às 01:21 PM | Comentários (4)

janeiro 22, 2008

Dois anos

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Faz hoje dois anos que provámos ser um povo sem memória!

Publicado por [Bomb Jack] às 09:28 PM | Comentários (1)

Terrorismo «tuga»

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Descobri hoje que sou um potencial terrorista... Acontece que tenho em meu poder um «lenço árabe» e se me esquecer dele num qualquer transporte público a polícia manda fechar tudo e rebenta com o dito cujo assim como com tudo o que estiver nas suas imediações. Resulta mesmo se o deixar em cima de uma mochila com «ar suspeito». Dessas não tenho... Mas a ver se passo no Martim Moniz para comprar uma!

Publicado por [Bomb Jack] às 06:19 PM | Comentários (3)

janeiro 21, 2008

A banca ao serviço do polvo





Publicado por [Rick Dangerous] às 04:02 PM | Comentários (1)

janeiro 18, 2008

MAGAV Assassinos, BATACLAN Cúmplice

Dia 13 de Janeiro, o Bataclan (uma das salas de espectáculo mais conhecidas em Paris) abre as portas a uma gala cujo objectivo é a recolha de dinheiro e homenagem ao MAGAV (polícia israelita das fronteiras). Este evento é organizado cada ano pelo MIGDAL (“Associação d’Utilité Juive”), associação assumidamente racista e islamofoba. Com intuito de anular esta “soirée” um colectivo decidiu fazer uma acção não-violenta. O objectivo era ocupar o hall do Bataclan, lançar algumas bombas odorificas e amarrarmo-nos com cadeados ao edificio. A coisa não correu muito bem... pois subestimamos as forças de ordem. Rapidamente fomos cercados pela polícia, que nos meteram um a um dentro do autocarro e onde ficámos 4 horas encarcerados. Eramos um grupo de 46 dentro de um espaço exíguo, com vontade de mijar, respirar ar puro e ir para a manifestação “legal” prevista às 19 horas. Ao chegarmos ao posto de polícia do sul de Paris, os agentes informam-nos que não tinham efectivos suficientes para fazerem o interrogatório ao grupo todo. Depois de uma longa negociação, os agentes dividiram o grupo em dois. Eu fazia parte do segundo grupo, que deveria ir para um posto de polícia no norte de Paris, i.e. mais meia hora sem poder fazer xixi. Quando, surpreendemente, o autocarro pára no meio do Boulevard de Saint-Denis e nos dizem “Dégagez”! Um dos polícias, também confuso com a situação, desabafa: “em 17 anos de trabalho na polícia nunca deixei ninguém no meio da rua”. Conclusão, o que eles fizeram foi manter o grupo de arabes da banlieu, ditos os selvagens, longe da LDJ (ligue de défense juive – movimento sionista de extrema direita, interdita em Israel e nos USA) que não hesitam em matar quando a sua honra é abalada.

Aqui fica a acção em imagens! Se preferirem daily motion: http://www.dailymotion.com/search/magav/video/x421x7_action-antisioniste-paris-bataclan_news

Publicado por [Shift] às 05:17 PM | Comentários (5)

Poesia de rua #30 (ou a rúbrica que a Time Out de Lisboa copiou do Spectrum)

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Publicado por [Saboteur] às 04:36 PM | Comentários (3)

janeiro 17, 2008

Comunismo e xenofobia


A notícia relativa à suposta xenofobia do vereador da Rifondazione Comunista de Roma, Lucio Conte, foi manifestamente exagerada.
"O contexto desta declaração é a aprovação de uma moção que propunha autocarros escolares especiais para as crianças ciganas de origem romena num bairro de Roma. A proposta partiu do vereador da Refundação Comunista (RC), Lucio Conte, que foi forçado a demitir-se, no sábado, devido à polémica que suscitou."
Esta reportagem (?) do DN é manifestamente um pobre produto jornalístico, sobretudo se formos a Il Manifesto à procura de mais informações e ai lermos a entrevista dada pelo próprio Lucio Conte a expor a situação.
Alguns pais daquela zona manifestaram-se, numa assembleia pública (um hábito inexistente em Portugal e que era comum nas zonas de forte influência do PCI, onde eleitos e eleitores debatem os problemas locais), a favor de um autocarro escolar separado para os miúdos de origem cigana de um acampamento, com o argumento de que estes seriam «demasiado irrequietos e incontroláveis pelos auxiliares escolares». Como o transporte é assegurado por uma cooperativa exterior ao município, foi prometido a esses pais, pela maioria em funções no bairro, um inquérito acerca das condições de segurança a bordo dos autocarros, a realizar no início de Janeiro. Como esse inquérito não tenha sido feito, o vereador da Rifondazione apresentou uma moção a defender a sua realização, que obteve os votos favoráveis da direita e, apesar de supostamente a moção ter sido combinada previamente e aceite por todas as forças políticas, foi chumbada pelo centro-esquerda. Daí à coisa chegar aos jornais italianos (habitualmente muito sérios) e dar a Veltroni (presidente da câmara de Roma, o mais asqueroso dos sociais-democratas e inspirador da recente lei que permite a expulsão de estrangeiros considerados «indesejáveis» em itália) a oportunidade de jogar a cartada demagógica, afirmando que «as crianças são todas iguais», foi um curto passo. Depois, basta esperar que os correspondentes estrangeiros (jornalistas do calibre desta Patrícia Viegas) propaguem a mentira conveniente do «racismo dos meios operários e do deslizar xenófobo dos comunistas». Só quem não viveu em Itália e não conhece a arrumação de forças e a cultura política dos partidos é que acredita no racismo de um vereador da Rifondazione Comunista.

Acerca desse tema e pegando na boleia de Saboteur, importa sublinhar que a tese da passagem dos votos comunistas para Le Pen, fértil em interpretações pouco convincentes, carece de demonstração.
Parece-me evidente que o desemprego, as debilidades do movimento sindical e a perda de influência do PCF têm efeitos de despolitização no seio da classe trabalhadora. E que em França há uma longa tradição cultural chauvinista e xenófoba. A combinação das duas coisas pode levar a alguns efeitos de deslocação para a direita. Mas uma transferência de votos de um extremo para o outro? Essa tese é demasiado conveniente para o bloco central francês para que possa ser aceite com ligeireza.

O que me parece bastante mais razoável é pensar que o racismo, quando atinge uma expressão política à escala nacional e se transforma em projecto capaz de agregar os sectores mais conservadores da sociedade francesa - essa larga percentagem de agricultores tornados proprietários pela revolução francesa, mantidos de pé pela PAC e que é a retaguarda reaccionária da França, mas também os antigos colonos da Argélia, parte do patronato, ex-militares, bófias - penetra e infiltra-se um pouco por todos os sectores sociais (nomeadamente os mais castigados pela crise e pelo aumento da desigualdade, os que têm menos condições para defender os seus direitos) e daí passa facilmente para as formações políticas. Subtilmente, a esquerda desliza para posições mais defensivas e que se confundem com a manutenção do status quo (abrilhantadas com alguns lugares comuns acerca da «necessidade de integração») e a direita torna-se cada vez mais abertamente racista, assumindo a capacidade de moldar o tom do debate. E temos então uma deslocação global da cena política para a direita, com o centro-esquerda e, por vezes (como aconteceu com Chirac), até o centro-direita, a apresentarem-se como a única alternativa à extrema-direita. Basta enquadrarmos este mecanismo com o sistema eleitoral francês (maioritário) - que leva quase sempre o PCF a subordinar a sua estratégia própria à necessidade de assegurar uma maioria de esquerda - e a decomposição social em curso desde os anos 80 - que desagregou parte dos espaços de sociabilização operária e popular nos lugares de trabalho e atomizou as condições de existência - para termos Le Pen a crescer nos subúrbios onde o PCF já teve uma considerável implantação, sem que necessariamente se tenha processado uma transferência de votos de um extremo ao outro da cena política.

Em Portugal por exemplo, parece-me inegável (até porque já assisti a vários episódios que o ilustram) a existência de sentimentos racistas entre a base social de apoio do PCP e até dos seus militantes, mais ou menos na mesma medida e proporção em que o racismo se encontra difuso entre a população portuguesa. Mas parece-me também inegável que a direcção do PCP e a cultura política do partido combatem esse racismo e promovem (de maneira insuficiente na minha opinião) um discurso e uma prática anti-racista que remete os sentimentos racistas para as margens, para o silêncio ou para formas tão subtis que se tornam quase imperceptíveis. Ou seja, existe racismo, mas ele não se exprime e não assume legitimidade à luz da tradição e do projecto político do partido, antes é combatido por ela ou assumido como um corpo estranho no seu seio.
Mas a progressiva fragilização do partido e despolitização dos seus quadros, dirigentes e militantes, é evidentemente um campo fértil para um involução neste aspecto. Na medida em que a inteligência e energia no seu interior sejam incapazes de travar esse combate, a tendência será para que formas de racismo cada vez mais óbvias cresçam e se fortaleçam nas suas zonas de influência e possam assumir uma legitimidade cada vez maior na cena política. Daí à sua exploração por um discurso claramente xenófobo e chauvinista será um pequeno passo.

Face a tudo isto, penso que a única resposta consequente é encarar os e as emigrantes como protagonistas da sua própria história, sujeitos políticos capazes de intervir neste combate. E quanto menos medo e mais segurança sentirem tanto mais facilmente se constituirão em movimento e se exprimirão contra o racismo e a xenofobia. Se os subúrbios onde antigamente se votava no PCF agora escolhem Le Pen, é preciso não esquecer que outros há (ou por vez são os mesmos) onde eclodem lutas e revoltas contra o racismo institucionalizado do Estado francês, da sua polícia, da sua escola e da sua política de habitação social. E se essas lutas e revoltas - espectros que percorrem a noite sem se deixarem fotografar, deixando atrás de si apenas a imagem transparente da sua própria força e impacto - são reduzidas pelos discursos dominantes a «actos de vandalismo» e «ocorrências sem significado político porque sem reivindicações ou programa», é preciso começar a ver em cada uma delas um alcance e um significado político que estamos aindalonge de poder precisar. As luzes dos incêndios e o ruído das sirenes policiais são, actualmente, a cartografia mais evidente do conflito social. É ali que se desenrola, já, o combate principal contra a xenofobia. Ali, Le Pen nada tem a ganhar a não ser uma corrente na cabeça ou uma pedra na cara. E tem o mundo todo a perder.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:01 PM | Comentários (6)

Um mito

Já ouvi várias vezes a conversa de como, apesar de tudo, Salazar tinha tido grande visão de futuro ao encomendar uma ponte sobre o Tejo que prevesse já a possibilidade da travessia ferroviária, como se veio a verificar, etc…

Ora ontem aprendi uma coisa nova com um engenheiro, especialista nestes assuntos, e que está muito ligado a todos os estudos que se estão a fazer sobre a 3ª travessia do Tejo.

Parece que afinal, a única coisa que se aproveitou na ponte 25 de Abril para fazer a travessia ferroviária, foi o canal que existe por debaixo da plataforma. Tudo o resto teve de ser reconstruído ou reforçado: tirantes, apoios, pilares, etc, etc…

Afinal de contas os velhos fascistas quiseram dar a ideia que aquilo já previa comboios e tudo… mas no fundo não se chegaram à frente para preparar a ponte para os ditos.

Publicado por [Saboteur] às 03:00 PM | Comentários (7)

janeiro 15, 2008

Descobre o intruso







Publicado por [Renegade] às 11:28 PM | Comentários (3)

Os protestos do PSD não fazem sentido

A prova final de que Vítor Constâncio fez um bom trabalho, fazendo aquilo que a banca e o capital financeiro esperam que ele faça, é o facto de não ter havido nenhuma corrida ao BCP, apesar de se ter descoberto e tornado público que o Banco viveu os últimos anos de esquemas pouco claros.

Publicado por [Saboteur] às 11:08 AM | Comentários (1)

janeiro 14, 2008

No que dá o populismo

A moção racista que propunha autocarros separados para crianças ciganas foi apresentada pelo Vereador comunista romano Lúcio Conte, que entretanto se demitiu do Partido, sob pressão da Direcção.

Esta história faz-me lembrar outras... Por exemplo, de como os bairros operários de Paris, onde o PCF tinha historicamente a hegemonia, tiveram já várias vezes grandes deslocações de voto para Le Pen.

Parece que o desvio estalinista e nacionalista enfraqueceu a tal ponto o Partido em termos ideológicos que o tornou permeável a ideias como o racismo e à xenofobia.

Por outro lado, neste caso tem também havido grande pressão de pais, no sentido de pedir “medidas radicais” para acabar com os episódios de violência com as crianças ciganas.

Isto convoca-nos para outra importante questão: para onde nos leva o populismo, o ir irreflectidamente atrás de qualquer onda de descontentamento popular que se gere, mais uma vez, a falta de debate ideológico e o não aprofundamento de ideias? Facilmente para a asneira.

Publicado por [Saboteur] às 04:46 PM | Comentários (6)

janeiro 13, 2008

Parabéns Maxime

Fez hoje 2 anos que o Maxime reabriu.

Foi fechado por ordem da Câmara no seguimento de pressões do hotel que está lá perto e que pertence ao poderoso Grupo Espírito Santo.

Logo após o seu encerramento, a Administração do Hotel fez um proposta choruda para comprar o Maxime…

Manuel João Vieira (um daqueles artistas geniais que só vai ser reconhecido, como Luiz Pacheco, depois de estar com os pés para a cova ou mesmo na cova) e o seu sócio Bo Backstrom – seu padrasto – continuaram a lutar pelo Maxime. Fizeram as obras que a câmara exigiu, sujeitaram-se a todas as regras e limitações impostas e voltaram a abrir. Estão de parabéns.

Podem ir ao site do Maxime e ver a quantidade, a qualidade e a diversidade da sua programação.

Apesar da intensa pressão do hotel – ainda esta noite apareceu a polícia às 3h30 da manhã – o Maxime continua a ser uma das melhores casas da noite e da cultura lisboeta.

Fazem falta mais espaços assim pela Baixa e pela aquela zona da Av. Da Liberdade, que ficam quase desertas ao início da noite. Hotéis há muitos.

Publicado por [Saboteur] às 04:04 AM | Comentários (2)

janeiro 12, 2008

Inimigo Público

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No público, as ideias mais à esquerda, conseguem passar sob a forma de humor. José Manuel Fernandes não percebe...

Publicado por [Saboteur] às 11:26 AM | Comentários (1)

janeiro 11, 2008

Comunismo e nacionalismo


Muitas pessoas assistiram à defesa de tese do Zé Neves, na 4ª Feira, subordinada ao tema «Comunismo e nacionalismo» em Portugal no século XX. Ficámos ali a saber, através de um eminente arguente (os senhores mascarados de jesuíta directamente provenientes da contra-reforma) que o comunismo sempre aceitou a nação como espaço privilegiado de combate político, nem que fosse por questões de pragmatismo. Exemplos? Marx escreveu um livro intitulado «As lutas de classes em França» e Lenine um outro, intitulado «O desenvolvimento do capitalismo na Rússia».
Esta forma digamos, administrativa, de resolver as questões em debate parece fascinar a academia. O contrário - aprofundar o debate, argumentar, interpretar, invocar textos concretos que se conhece realmente - poderia implicar o risco de tornar evidente para todos o que é óbvio para alguns: que muitos e bons académicos não estão preparados para debater assuntos com os quais não estão familiarizados, porque se tornaram especialistas obssessivos num tema e perdem o pé sempre que dele se afastam. Os debates académicos arriscam-se a ignorar todos os temas que não se deixam reduzir ao seu formato e, a prazo, a deixar de fora tudo aquilo que realmente interessa.


«As lutas de classes em França» é o título de um opúsculo resultante de uma série de artigos escritos por Marx para uma revista alemã intitulada «Nova Gazeta Renana». Textos publicados na Alemanha sobre acontecimentos ocorridos em França. Mas o que leva Marx a escrever acerca de França é precisamente a necessidade de dar conta de um acontecimento histórico de dimensão e alcance universal.
Ao contrário das precedentes revoltas, que se haviam reivindicado da herança da Revolução Francesa e equacionado a política em termos jacobinos, patriotas, republicanos (nomeadamente a revolução de 1830 e o levantamento falhado de 1832), Marx destaca o facto de, sob a aparência meramente verbal e ilusória da tradição revolucionária francesa (que pesava aqui sobre as cabeças dos vivos), se mover já uma estranha toupeira subversiva, uma ameaça destinada a erguer-se uma e outra vez contra as classes possedentes e contra a forma de dominação política moderna sobre a qual assentava o seu poder.
O proletariado irrompendo na cena política não já como mero apêndice ou tropa de choque das fracções mais radicais do partido democrático, mas fazendo da sua condição social a medida da transformação a operar e da sua emancipação o horizonte histórico da revolução. Um acontecimento nacional transportado, pela sua modernidade, para um plano europeu. Um espectro que percorre a Europa.

«O desenvolvimento do capitalismo na Rússia» é um opúsculo escrito por Lenine em polémica com elementos nacionalistas anti-czaristas, nomeadamente os chamados populistas de «A vontade do povo», com o intuito de assinalar as implicações políticas da modernização económica da Rússia. Tratava-se de negar precisamente o alcance das especificidades do contexto nacional/imperial russo, em dissolução devido aos efeitos da industrialização, e de defender o carácter internacional da expansão capitalista, cuja dinâmica necessariamente arrastaria a Rússia na mesma direcção que as outras nações europeias. Os marxistas social-democratas apareciam ali precisamente como elementos estrangeirados, transportando um modo de pensar em profunda contradicção com as tradições intectuais e culturais «russas». Temos assim que Lenine combate as interpretações e caracterizações nacionalistas, eslavófilas, da formação social russa, para lhes contrapor uma tendência actuante que acentua o carácter arcaico e, a médio prazo, insustentável do czarismo. Por outro lado, as funcionalidades do sistema repressivo imperial permitiam à burguesia russa e aos investidores estrangeiros lidar «à maneira russa»com uma classe operária em franco crescimento numérico, o que os tornava incapazes de liderar qualquer movimento liberalizante de modo consequente. Só o proletariado russo, porque integrado num movimento internacional e possuidor de uma experiência histórica condensada em teoria, poderia ser aqui o agente de modernização capaz de transformar o desenvolvimento capitalista em derrube da autocracia.

Equacionavam os bolcheviques o combate político em termos nacionais? Dificilmente poderiam ignorar as questões nacionais latentes no interior do império, mas nunca equacionaram a revolução russa como uma revolução nacional, a não ser na medida em que as «tarefas da revolução burguesa» permaneciam por cumprir. E se isso até pode ser relevante para um certo período, resulta claro que a eclosão da I Guerra Mundial transporta todos os combates políticos no interior de cada Estado para uma dimensão europeia. E daí as conferências de Zimmerwald e de kienthal, a redacção de «O imperialismo, estádio supremo do capitalismo» e a concepção da Rússia como o elo mais fraco do sistema capitalista mundial.
Nestas questões do marxismo/comunismo e do nacionalismo, importa reter que tanto a I como a III Internacionais não eram federações de partidos nacionais, mas organizações centralizadas a uma escala europeia/mundial que procuravam implantar-se em todos os países. Apenas a II Internacional resultou de uma cooperação entre vários partidos socialistas e social-democratas previamente fundados em bases nacionais. Essa origem dificilmente poderá ser separada da sua prática e talvez explique melhor a facilidade com que cada partido aderiu ao respectivo chauvinismo nacional, governo e exército em Agosto de 1914, apenas alguns meses após a aprovação de uma moção internacional contra a guerra.

Resulta claro também que uma internacional fundada em 1919 enquanto partido da revolução mundial se tornou uma agência da política externa soviética. E que o deslizar dos problemas organizativos e estratégicos para uma esfera nacional foi inseparável da necessidade de reconhecimento internacional do Estado Soviético no «concerto das nações». Por outras palavras, no sentido de reforçar as suas fronteiras, a União Soviética aceitou todas as outras, nomeadamente as que separavam o proletariado em função da sua nacionalidade. Tudo isto aconteceu lentamente. De tal modo que ainda em 1926 o Komintern enviava para a China revolucionários profissionais europeus no sentido de ali organizar células comunistas e enquadrar a luta de classes. E que em 1936 foi possível juntar milhares de voluntários em brigadas internacionais e enviá-los para Espanha. Mas já aí os regimentos se organizavam por nacionalidades (exigência do NKVD para facilitar seu o controlo pelos comissários políticos e dificultar a dispersão de milhares de comunistas no teatro da revolução espanhola) e seriam em breve utilizados para esmagar o levantamento anarquista de Barcelona e as milícias que recusavam a integração no exército republicano regular.
A «nacionalização» do movimento comunista fez-se assim paulatinamente a partir de Moscovo, não porque não existissem simpatias e sentimentos nacionalistas em cada secção nacional da internacional, mas porque foram precisamente essas simpatias e sentimentos a sair reforçados das várias purgas, afastamentos, inversões estratégicas e ascensões fulgurantes dos anos 30. Articular sentimentos patrióticos e fidelidade orgânica aos soviéticos passou a ser a principal qualidade de um dirigente comunista (Cunhal é o estudo de caso português mais evidente), tendência evidentemente reforçada pela Resistência antifascista durante a II Guerra mundial, mas de modo algum surgida espontaneamente da dialética da luta de classes. Só o silêncio relativo, por exemplo, à guerra civil grega, pode contribuir para tornar menos evidente o sacrifício do internacionalismo levado a cabo por Estaline em Ialta.

E é assim que se pode concluir que, à semelhança dos outros nacionalismo, o dos comunistas emergiu da acção de um Estado. Parece ser essa aliás a questão fundamental em debate, que divide os intervenientes em dois blocos, com as nuances previsíveis. Dar conta dela é importantes, assinalá-la é o mínimo que se poderia esperar do debate em torno da tese do Zé Neves. Simplificando - na versão dominante, o Estado emerge da nação, na versão alternativa ocorre o contrário. E temos também que o debate de há uns meses, acerca do Estado e da Revolução, resolvido de modo muito provisório e encalhado em parte desconhecida, se entrelaça com este outro, mais historiográfico, acerca do comunismo e da nação.
O que o referido elemento do júri considerou ser algo inserido na própria natureza do combate político moderno – a sua formulação privilegiada em termos nacionais – é manifestamente exagerado e em grande medida falso no caso do movimento comunista. Não se trata de um equívoco, mas de uma posição política que silencia posições, intervenientes e acontecimentos históricos para justificar com bonomia a sua simpatia para com a ideia de nação. Na sua origem e nas suas consequências históricas, o comunismo propõe-se a superação da nação enquanto espaço privilegiado simbólico e de socialização. Não pode ignorar a existência e a materialidade desse espaço, mas pode desconstrui-lo para revelar os seus usos e implicações. O comunismo de Marx foi a negação da imagem de igualdade, liberdade e fraternidade com que a nação moderna, herdeira da revolução francesa, procurou cobrir as efectivas relações de exploração, dominação, violência e desigualdade operando no seu seio. E foi também a tentativa de remeter a emancipação da humanidade para um horizonte histórico de abolição das fronteiras que a dividiam.
Que o comunismo tenha vindo a ser um campo da guerra fria e um discurso de legitimação para aparatchiks chauvinistas pode ser lamentado, celebrado ou simplesmente equacionado como um facto histórico. Que o comunismo se veja reduzido à sua face mais cínica e monstruosa pode ser um programa político ou uma carreira académica. Que rareie o espaço para debater a questão para além de lugares comuns e com a suprema leviandade de ter lido uma tese em quatro dias é que se torna mais difícil de engolir.

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:39 PM | Comentários (6)

janeiro 10, 2008

Misógino e croquete

A Visão decidiu dedicar cinco páginas a uma entrevista a Ana Drago, com o título nada abonatório de «Feminista e 'coquete'». A primeira pergunta, que é claramente uma pergunta de poder (no sentido em que é uma forma de código para ir avisando «prepara-te que tu falas bem mas eu já te fodo») , é sobre a razão que fez com que a próxima líder parlamentar do Bloco de Esquerda (diz-se!) adiasse continuamente a entrevista. A resposta de Ana Drago é acutilante, dizendo, no mesmo código, «catch me if you can»:

«O meu receio é outro: dar mais uma entrevista a contar a história da minha vida e de como cheguei à política. Quando cheguei, pela primeira vez, à Assembleia da República, em 2002, pertencia a uma categoria sociológica, jovem e mulher, que normalmente não entra no Parlamento. Nessa altura, dei várias entrevistas. Há um momento em que penso 'bom... está dito'. Possso responder a entrevistas em que me perguntem por política como se fosse um homem de 50 anos.»

Sensibilizados, os jornalistas Miguel Carvalho e Paulo Pena fizeram as seguintes questões:

«Noutra entrevista, explicou que a sua entrada no activismo político se deveu a um desgosto de amor.»
«Sim... falou em 'coração partido'.»
«Segundo lemos, só há um campo onde gosta de terrenos movediços: no discurso amoroso...»
«Certeza na política, incerteza no amor?»
«Tem planos para casar, ter filhos?»
«Na sua geração, é possível ser-se feminista e coquette?»

Publicado por [Joystick] às 09:57 PM | Comentários (5)

Argumentos contra o referendo II

Um dos argumentos que tenho ouvido mais contra o referendo, vem no seguimento da opinião que Miguel Sousa Tavares botou na TVI.

É interessante verificar como certos comentadores cagam umas coisa, os jornalistas da imprensa escrita e os comentadores de segunda linha vão atrás lambuzar-se com os seus cagalhotos e finalmente os jornalistas da Televisão (uma actividade que já nem é bem jornalismo), comem aquilo tudo e cagam os noticiários da noite que são, para a esmagadora maioria dos portugueses, a Verdade, aquilo que Realmente Existe, Aconteceu e É.

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Disse MST que o problema de se fazer um referendo em Portugal não era que os portugueses votassem contra. O problema é que isso iria criar pressões para que outros países de UE fizessem também um referendo e – esses sim – poderiam votar mal.

É o caso do Reino Unido, explicou MST, que se fizesse um referendo, provavelmente o tratado não passaria…

“Não porque o tratado seja mau para o Reino Unido”, disse outro comentador na TSF, mas porque “os ingleses têm uma maneira muito particular de encarar as questões europeias”.

Moral da história: Existem dezenas de pessoas, com importância suficiente para terem espaço na Comunicação Social, que acham normal e justo que Sócrates não cumpra uma promessa eleitoral, para ajudar o Reino Unido, evitando as más escolhas do povo britânico sobre o seu próprio destino.

Nunca a Grã-Bretanha deveu tanto a Sócrates e Menezes! Podem vir agora outros países com referendos (o da Irlanda será certo), que já ninguém demove os ingleses "Se o parlamento português achou que não se devia fazer referendo, nós por cá também não faremos!" diz o senhor na foto em baixo.

Publicado por [Saboteur] às 05:32 PM | Comentários (2)

janeiro 09, 2008

Argumentos contra o referendo

É impressionante a quantidade de gente (estive a ouvir o Fórum TSF outra vez, ai, ai), nomeadamente comentadores políticos encartados, como Carlos Rosado Carvalho (ontem na SIC notícias), que fazem na mesma intervenção o seguinte raciocínio:

1. O referendo poderia pôr em causa o Projecto Europeu e deve por isso ser evitado.
2. O tratado é um tema demasiado complexo para ser referendável. Mesmo alguns especialistas têm dificuldade em compreende-lo (“eu próprio” – como disse Carlos Rosado ontem – tenho dificuldades).

Isto é: As pessoas estão cientes que o assunto é complexo e têm dificuldade em debater e argumentar a favor ou contra o conteúdo, mas estão definitivamente e categoricamente a favor. Estão tão a favor que até acham perigoso que se pergunte às pessoas se o tratado é de aprovar ou não!

Parece que oiço os seus pensamentos mais profundos: “E se as outras pessoas não tivessem logo a mesma percepção que eu que aquele tratado que ninguém compreende é muita bom?”

Publicado por [Saboteur] às 12:19 PM | Comentários (1)

janeiro 08, 2008

Fraca memória

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Corria o ano de 2005. O Governo de direita tinha caído de podre, de tão mau que era.

Assim de repente lembro-me da venda de créditos da segurança social ao citibank, para cumprir o pacto de estabilidade em determinado ano; lembro-me do código do trabalho de Bagão Félix; lembro-me da mega-campanha ‘Abril é Evolução’; da Guerra do Iraque e das certezas acerca das armas de destruição maciça; dos submarinos do Paulo Portas… enfim. Fiquemos por aqui…

O povo estava farto daquela malta e havia alguma pressão para o voto útil no PS… Por outro lado, um PS com maioria absoluta não poderia comprometer a desejável mudança de políticas para o país? Afinal de contas, não seria a primeira vez que o PS “piscava à esquerda e virava à direita”.

Em plena campanha eleitoral houve duas promessas de Sócrates que deram alguma confiança e conforto ao voto de esquerda no PS: A promessa de rever o código de trabalho do Bagão e a promessa de realizar um referendo sobre as questões europeias.

Lançar mão de um dos mais importantes instrumentos de democracia participativa – o referendo – para decidir sobre um tema que o Centrão sempre preferiu debater e decidir em privado, apesar dos protestos do PCP e do BE, foi um sinal extraordinário para o povo de esquerda.

Não arrisco muito se disser que essa promessa lhe valeu mais uns bons milhares de votos e, portanto, a maioria absoluta.

A quebra dessa promessa é uma fraude eleitoral. O facto de essa fraude ser tão bem “compreendida”, desde logo, pela comunicação social e pelos comentadores políticos, demonstra bem o quanto é que a nossa democracia está doente.


Publicado por [Saboteur] às 11:15 PM | Comentários (1)

A espuma dos dias...

Com o aumento das pensões em Janeiro, há lugar ao recebimento dos retroactivos dos aumentos do 13º e 14º mês.

Como a palavra de ordem do Governo em relação à segurança social é “Um Cêntimo é Um Cêntimo”, decidiram que esses retroactivos deveriam ser divididos pelos próximos 14 meses.

Estamos a falar de valores ridículos.

Os aumentos das pensões mais baixas (a grande maioria) são em termos absolutos miseráveis. Para uma pensão de €400 a questão é se o pensionista irá receber €1,37 por cada um dos “14 meses”, de retroactivos, ou se vai receber logo os €19,20 em Janeiro.


pensionistas.JPG

Longe de mim querer defender o Governo. As minhas opiniões sobre pensões e segurança social estão a milhas de distância das de Sócrates. Mas a forma como este assunto foi trazido à opinião pública diz muito sobre o estado da política:

Primeiro, o Correio da Manhã fez hoje uma notícia a denunciar este facto, informando que “os pensionistas estão revoltados”.

Depois, Paulo Portas veio para a TSF chorar lágrimas de crocodilo pelos reformados e acusar o Governo de “crueldade” para como os pensionistas.

Depois, a TSF decidiu que esse ia ser o assunto do Fórum TSF. O costume: São todos uns gatunos, os políticos só se querem é governar a eles próprios, e ainda dizem mal do Salazar, etc, etc. O Secretário de Estado justifica-se com desculpas de mau pagador. A oposição entra toda ao barulho, porque ninguém quer ficar calado e a TSF está a telefonar para saber a opinião do partido A, B ou C sobre esta magna questão.

Finalmente as TV’s, que fazem os seus noticiários através do que já saiu nos jornais e nas rádios, fazem todas uma peça sobre se os 19 Euros devem ser pagos a pronto ou a prestações.

Assunto encerrado, vamos para outras notícias. Parece que Sócrates não vai cumprir com uma das suas mais emblemáticas promessas eleitorais…

Publicado por [Saboteur] às 09:32 PM | Comentários (6)

Dos anos internacionais e das suas lógicas

Publicado por [Rex] às 07:34 PM | Comentários (3)

Sociedade de consumo

Tenho um candeeiro na sala que deixou de acender.

Fui hoje finalmente ao AKI comprar uma lâmpada, mas parece que o problema não é da lâmpada… talvez fosse do casquilho… Voltei ao AKI para procurar um casquilho daqueles para substituir, mas não havia.

A lâmpada é daquelas modernaças e o casquilho não é fácil de encontrar.

Farto de não ter luz na sala, fui à loja onde há 2 anos comprei o candeeiro com a ideia de comprar outro, caso não fosse muito caro.

Era 19 Euros, lâmpada incluída. Comprei-o.

Que raio de mundo este onde se deita fora um candeeiro e compra-se outro com esta facilidade. Vidro, metal, cabos eléctricos, parafusos, uma lâmpada velha… tudo para o lixo.


Para quem gostou deste filme: Ide ao site, ver o filme completo. Muito pedagógico.

Publicado por [Saboteur] às 06:23 PM | Comentários (2)

janeiro 07, 2008

Gestão para tótós

Na companhia de seguros em que trabalhava, houve uma vez um colega do Marketing que foi ter com o Administrador da tutela – hoje um dos mais importantes Administradores do Grupo Espírito Santo – para apresentar a sua demissão.

O Administrador, quando soube que ele ia para a concorrência, não só ficou de mau humor como lhe disse que no dia seguinte já não contava com ele na Companhia.

A razão é óbvia. Mesmo apesar do meu colega não ter um cargo de Direcção, tem naturalmente acesso a uma série de informação interna, que é útil que não vá parar às mãos da concorrência.

É por isso que acho estranho que o accionista da CGD (no fundo todos nós), esteja tão calmo com o facto de vários membros do Conselho de Administração do Banco, nomeadamente o seu Presidente, se estejam a preparar para sair da empresa e irem para o seu mais importante e perigoso concorrente.

Não há dúvida que o sector público tem ainda muita coisa a aprender com o sector privado.

Publicado por [Saboteur] às 05:33 PM | Comentários (2)

Pacheco, o tradutor

Publicado por [Saboteur] às 12:52 AM | Comentários (1)

janeiro 06, 2008

Façam a vontade ao homem!

Luiz Pacheco contava que ficou impressionado ao ver o funeral de Ary dos Santos.

"Aquela gente toda a gritar 'Ary amigo, o povo está contigo', os punhos no ar, os cravos, a bandeira vermelha em cima do caixão... Pensei para mim 'Uma coisa destas é que me servia'. Fui ao Vitória, ali na Av. da Liberdade e disse assim ao Casanova: 'Psst, ó menino. Quero-me inscrever no Partido'".

Alguém sabe onde vai ser o enterro?

Publicado por [Saboteur] às 07:24 PM | Comentários (3)

Love is down in Mexico

Acompanho a paixão de Party Program pelos grandes ícones da cultura popular norte-americana (e outras também). Mas quando penso no tema a minha imaginação leva-me quase sempre para o outro lado dessa cultura (ou talvez não).

Refiro-me aqueles e aquelas que fugiam não de Detroit, mas para Detroit, vindos da «black belt» do sul ou dos ghettos das grandes cidades e que, nos estúdios da Motown e de outras editoras cujo nome agora não me recordo, prolongaram e reviveram a tradição do blues no terreno, ainda em construção, da pop.
Vozes roucas, que se dividem entre a angústia mais extrema e a sensualidade mais irreprimível e que fazem do amor não um tema de evasão, mas de dor e redenção, despedidas e reencontros, coisas irreversíveis e desastres irreparáveis. Um palácio em ruínas, uma cidade-fantasma, uma zona de impacto.


Num registo arriscado, James Brown em versão muito pouco politicamente correcta. O que é que querem? Eram os tempos. Numa voz que vem de muito fundo, Brown reduz o mundo à sua real insignificância e, no meio do materialismo mais estreito e mesquinho, encontra a sua redenção. Quantos quilómetros percorreu para nos vir dizer estas coisas de um modo tão sofrido? Quantas separações e arrependimentos? E no entanto, se ele está aqui a cantar para alguém é porque sobreviveu a tudo isso.
Estamos perdidos num mundo selvagem e amargurado. Um mundo de homens, aparentemente, mas preenchido de significado por mulheres ou raparigas. Alguém conhece batimento de couro mais poderoso do que este? Alguém duvida do que está a ser dito? Pessoas que expõem assim a sua fragilidade, sem pedir nada em troca, são poderosas sedutoras.


Marvin Gaye canta a traição como quem corta a si próprio um dedo para nunca mais se esquecer de uma dura lição. Ele sabe que a ama e sabe também que nunca mais nada será o mesmo. A letra dirige-se à puta de merda que o traiu, mas a canção é toda para ele, que procura arrancar o punhal cravado no peito. Não existe nada mais extremo. Se o amor é isto, então estamos perdidos.
I know that a man ain't supposed to cry,
But these tears I can't hold inside.
Losin' you would end my life you see,
Cause you mean that much to me.
You could have told me yourself
That you love someone else.
Instead...


All Green canta «Let's stay together» com a consciência de que as suas palavras já não podem ser lidas inocentemente, sem um sorriso irónico nos lábios. De que se tornou quase impossível dizer coisas como:
Why, why some people break up?
Then turn around and make up
I just can't see
You'd never do that to me (would you, baby?)
Staying around you is all I see

É por isso que a sua voz tem de cantar tudo aquilo que não pode ser escrito acerca do amor, no tempo armadilhado do capitalismo tardio e da banalização absoluta. O terreno dos afectos já não é um continente desconhecido, mas um território há muito habitado. E, caminhando sobre tudo isso, dedica-se a ressuscitar todos aqueles que alguma vez morreram de amor.

Brown ainda acredita no amor, de um modo que Green nunca poderia acompanhar com ligeireza depois de ter ouvido Gaye a chorar. Mas todos eles sabem que não há outra saída senão repetir, vez após vez, o mesmo erro de colocar a vida e a morte nas mãos de outra pessoa, nas mãos do destino. É isso que constantemente os salva e que constantemente os condena. Não há outra saída. This is a man's world.

Esta não tem nada a ver. Achei simplesmente que o pessoal haveria de gostar. Eu gostei. Os Coaster gostaram. E o Kurt Russel deve ter gostado imenso.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:00 PM | Comentários (2)

janeiro 05, 2008

O grande negócio do Dakar

Num país em que ninguém sabe fazer contas - particularmente os jornalistas – ouvi ontem várias vezes dizer a TV e na rádio que o Dakar (conhecido por alguns como o “Paris-Dakar” e por outros poucos como o “Lisboa-Dakar”), «Trouxe em 2007, só de retorno directo, 16 Milhões de Euros para a região de Lisboa.»

Como é que se chegou a esse valor? Que estimativas são essas?

Segundo o que sei, esta patranha foi inventada numa altura em que começava a aparecer muita gente a contestar o facto de uma série de entidades públicas e semi-públicas (Câmaras Municipais, Governo, Santa Casa da Misericórdia, etc.), estarem a apoiar com milhões de euros do erário público um evento privado que, por si só, já dá milhões de lucro.

As contas tinham a ver com uma estimativa sobre o consumo que participantes, organização, jornalistas e, sobretudo, visitantes/espectadores (que são milhares), faziam naqueles dias em que o rally estava em força em Lisboa.

Para já isso não é “retorno directo”. Depois, desconfio muito dessas estimativas. Finalmente, na verdade, grande parte daquela gente, se não gastar dinheiro nos seus passeios saloios à Praça do Império “para ver as máquinas”, vai gastá-lo provavelmente mais bem gasto noutro sítio.

O que sabemos hoje é que a Santa Casa comprou por preço não conhecido o direito de ser o “patrocinador oficial” e gasta outro tanto com anúncios ridículos (para além de ambientalmente irresponsáveis) com esperanças que as pessoas joguem mais no euromilhões.

O que sabemos é que a falida Câmara Municipal de Lisboa já passou para as mãos da organização um cheque de 400 mil euros e a Câmara de Portimão, quer pôr o Dakar em tribunal para reaver parte do 1,5 Milhões investidos no evento (concertos pimba incluídos)

Publicado por [Saboteur] às 11:40 AM | Comentários (1)

janeiro 04, 2008

Isto está a melhorar!

2008 já leva quatro dias quase completos e ainda não houve (que se saiba) qualquer jantar separatista no Spectrum...
[Estavam à espera que falasse do Obama?]

Publicado por [Bomb Jack] às 08:00 PM | Comentários (1)

O amor na working class americana como mito fundacional

Se bem que os meus gostos musicais sempre tenham estados orientados para campos mais vanguardistas e/ou arriscados, do Requiem do Mozart aos Black Dice sem passar pelo Manu Chao, há uma tradição temática no cançonetismo anglo-saxónico à qual não consigo ficar indiferente: A balada rockeira que relata um amor nascido no seio do proletariado americano. Ressalvo que a banda sonora da minha vida amorosa sempre foi mais Gainsburg que Bon Jovi, mas afirmo sem pudores que dos melhores momentos de desfrute musical épico a que tive acesso foram passados numa qualquer auto-estrada ibérica cantando a plenos pulmões algumas destas baladas, imaginando a Stacy, a Louise, a Kimberly ou a Brenda a meu lado enquanto escapamos de um destino de merda numa qualquer cidade industrial americana, vivendo o nosso amor contra tudo e contra todos. É óbvio que toda esta fantasia só funciona em auto-estradas com uma promessa de espaço e transumância e pouco se adequa às estreitas ruas boémias do centro de Lisboa, onde o amor é barato e tudo é permitido.

Escolhi 4 canções para ilustrar esta minha paixão, três más, uma boa: Bon Jovi “Livin' on a Prayer”, Rod Stewart “Young Turks”, Journey “Don't Stop Believeing” e a melhor de Bruce Springsteen “Born To Run”.

Em Livin' on a Prayer Tom e Gina estão numa pobre situação financeira: o sindicato está de greve e Tom não consegue trabalhar nas docas, Gina trabalha no Diner, uma espécie de restaurante de estrada característico do estado de New Jersey. Tom empenha a guitarra que tão bem tocava e num momento de verdadeira comunhão pede a Gina que não se preocupe, que tudo terminará bem, que pelo menos tem um ao outro. Se bem que esta seja talvez a canção mais conhecida e mais cantável a plenos pulmões é também a pior e quiçá até contrária ao verdadeiro espírito baladeiro-proletário: O amor surge enquanto meio de escape a uma situação de merda e não como energia emancipatória que permite deixar para trás a fábrica. Jon Bon Jovi esse grande traidor de classe.

Depois temos Don't Stop Believeing: Os Journey directamente do caixote de lixo da história, quiçá algo injustamente. A canção alcançou nova ribalta nos últimos meses por ser a que fecha o último episódio dos Sopranos. Nela os Journey falam de uma rapaz e uma rapariga que se conhecem num bar, ela foge de uma pequena cidade em direcção a lado nenhum, ele foge de south detroit (que não existe) também em direcção a lado nenhum. Bastante mais bonita que Livin' on a Prayer os journey propõem-nos um imaginário tipo bukowsky in love, dois perdedores, duas “streetlight people” que se encontram num qualquer bar chunga e que pelo menos por essa noite terão um ao outro de um modo honesto e querido. Outros tantos de nós não poderão dizer o mesmo. Passe toda o contexto estético para lá do obsoleto esta canção merece uma segunda hipótese.

Rod Stewart. Quase inominável. Mas semi-redimido por este clássico que leva um proto-Tom e uma proto-Gina a fugirem de tudo e todos para viverem um enorme amor. Aqui não há as metáforas e as ruas escuras dos Journey: Billy e Patty são jovens e estão apaixonados. Nada nem ninguém os irá separar, fogem da cidade e da família com um dólar no bolso porque sabem que a vida é como uma mão cheia de areia que há que aproveitar antes que se esvaia e se misture no deserto. Rod não se coíbe: como o paraíso estava fechado foram para a Califórnia onde alugaram uma pequena cosa onde faziam amor até de madrugada todas as noites. Billy, imagine-se, até fura a orelha. No último verso escrevem aos pais: -Desculpa aí, e a Patty dá à luz um grande e saudável bebé. Para Rod este amor resolveu tudo e não pode senão ter um final feliz. Tom e Gina não acabarão bem, o alcoolismo e a depressão tomarão conta das suas vidas. O rapaz e a rapariga dos Journey nunca deixarão de acreditar, mas amanhã será sempre igual. Billy e Patty não. Tá-se bem.

E o Boss. Faltam-me palavras para descrever a minha admiração imortal por o único verdadeiro herói proletário americano. Se todos os outros artistas são aqui referidos de modo algo sarcástico e Kitsch por Bruce Springsteen tenho maior respeito do mundo, tanto que reservo as palavras elogiosas para um qualquer outro post. Em Born to run Bruce canta a wendy como odeia a merda de cidade onde vivem, New Jersey, e como quer fugir com ela, mas nada das rimas patetas de Stewart ou dos lugares comuns dos Journey: Bruce domina a problemática do romance numa “cidade de merda” como ninguém, senão vejamos:

In the day we sweat it out in the streets of a runaway american dream
At night we ride through mansions of glory in suicide machines
Sprung from cages out on highway 9,
Chrome wheeled, fuel injected and steppin out over the line
Baby this town rips the bones from your back
Its a death trap, its a suicide rap
We gotta get out while were young
`cause tramps like us, baby we were born to run

Wendy let me in I wanna be your friend
I want to guard your dreams and visions
Just wrap your legs round these velvet rims
And strap your hands across my engines
Together we could break this trap
Well run till we drop, baby well never go back
Will you walk with me out on the wire
`cause baby Im just a scared and lonely rider
But I gotta find out how it feels
I want to know if love is wild, girl I want to know if love is real

Beyond the palace hemi-powered drones scream down the boulevard
The girls comb their hair in rearview mirrors
And the boys try to look so hard
The amusement park rises bold and stark
Kids are huddled on the beach in a mist
I wanna die with you wendy on the streets tonight
In an everlasting kiss

The highways jammed with broken heroes on a last chance power drive
Everybodys out on the run tonight but theres no place left to hide
Together wendy well live with the sadness
Ill love you with all the madness in my soul
Someday girl I dont know when were gonna get to that place
Where we really want to go and well walk in the sun
But till then tramps like us baby we were born to run

A frase imortal, a cereja no topo do bolo, é sem dúvida “ The highways jammed with broken heroes on a last chance power drive”, torpemente traduzível como “A auto-estrada está engarrafada com heróis quebrados numa ultima viagem desesperada”. Ai está tudo o que os outros não conseguiram expor: A paixão por wendy como ponto de fuga a uma existência condenada a cheap thrills e um trabalho de merda, a hipótese de escapar a tudo resgatando o único elemento dele que nos mantém vivos, o amor pela wendy traduzido em desejo de lhe oferecer espaço vital não marcado por polígonos industriais. Mas ao mesmo tempo a consciência da enorme idealização que compõe todo esse sonho, o desejo que da consumação desse amor aconteça uma imolação que o torne imortal e os isente do reportório existencial omnipresente. Enorme este Bruce.

Publicado por [Party Program] às 01:26 PM | Comentários (8)

Bom tempo

Acendi o rádio e estava Miguel Bonjardino a falar sobre como ontem fazia anormalmente bom tempo no Iowa e como isso pode ter influenciado o resultado eleitoral.

Percebi logo que algo de muito bom se tinha passado...

Publicado por [Saboteur] às 12:31 PM | Comentários (1)

janeiro 03, 2008

Já agora...

... O primeiro de 2008 também é meu!
E que tal aquele discurso do senhor Silva? Cheio de consciência social o nosso Cavaco...

Publicado por [Bomb Jack] às 11:25 AM | Comentários (3)