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novembro 30, 2007

Lost Christmas

Por estes dias o povo português é novamente convocado a festejar o Natal. Lisboa já está engalanada (e só por usar esta palavra já valeu a pena vir aqui) para as festividades, as ruas luzem mais pindéricas ainda que no ano passado e os portugueses começam a salivar para gastar o 13º mês. É o Natal, pois é. Eu gostava de aproveitar a oportunidade para, desta tribuna (ou deste púlpito, se preferirdes) tecer algumas considerações sobre o mesmo. Claro que, sendo as considerações sobre o mesmo, dificilmente podem aspirar a alguma novidade e desde já invoco a vossa paciente clemência para o que se segue. Sugiro ouvirem a música do vídeo enquanto lêem.


Wham - Last Christmas
Uploaded by hakim93200

Ora sucede que, assim como há muitas maneiras diferentes de amar, também há maneiras diferentes de comemorar o Natal. Neste ponto o PREC foi uma boa fonte de inspiração. O Natal era denunciado em certos meios como uma manigância católica para ajudar a opiar as boas consciências proletárias. Desdenhar da coisa aparecia aos filhos adoptivos da classe operária como manifestação de bom-gosto. Eram tempos de revolta contra a família... até havia aquela família que era tão MRPP, mas tão MRPP que apagava a data do calendário lá de casa e proibía os filhos de falar da coisa.

Na minha família (e que reaccionário soa dizer isto ainda hoje!), pelo contrário, sempre se comemorou o Natal. Não queríamos nada com a padralhada (tirando a tia R., que acabava por ir à missa do Galo a horas impróprias), enfardávamos bacalhau e aquelas coisas todas que matariam de indigestão qualquer sub-sahariano e ficávamos à lareira e abríamos pinhas e comíamos pinhões e tudo. Ena pá.

Mas havia outra coisa que me parece de grande oportunidade nos dias que correm. É que nunca se deu presentes a ninguém. Bom, nunca, nunca, não garanto. Mas lembro-me de ser instruído desde pequeno sobre a inutilidade da maioria das porcarias que os meus colegas recebiam e exibiam orgulhosos no recreio da escola. Ou sobre o facto de haver muitos meninos que não tinham brinquedos no Natal e eram felizes assim. Que o importante era estar com as pessoas e ser gostado por elas (vejam como o português é uma língua elástica, ã?). Que, e este é um ponto importante, eu só queria presentes/brinquedos no Natal por inveja dos outros meninos e por influência nefasta da publicidade. Devo dizer que hoje concordo com tudo. Hoje.

Um gajo acaba por se habituar, essa é que é essa. E isto, com a crise social que por aí vai, parece-me um exemplo a seguir. Creio que estão criadas algumas condições para o consumismo sair de moda. Para recebermos de braços abertos a nova tendência socio-estética: o orgulho pelintra. Um pelintra com orgulho é uma estaca enfiada no coração da burguesia. É um desafio aos valores dominantes das elites badalhocas que nos governam. E sai muito mais barato. Meus amigos pelintras, eu digo: Toca a sair do armário! Longa vida ao pelintra-chic! Vamos a isso, experimentem já neste Natal.

E, no fim desta conversa de chacha toda, confesso: eu queria mesmo era publicar o vídeo dos Wham!. Desculpem lá. (Já não há pachorra para Mãos-Mortas, GNR's e Xutos & Pontapéses, a vida não é só cocktails molotoves e revolta contra o Estado, caramba. Também há coisas bonitas ;-)

Publicado por [Renegade] às 07:56 PM | Comentários (6)

Portugal anos 90 (Para Manic Miner et pour cause)

Tiannamen e o massacre de Pequim,
Pablo Escobar e o cartel de Medellin
Mais a queda do muro de Berlim
E a guerra do Saddam Hussein
Ou a disputa Gorbie - Ieltsin...

Não estava lá!
Não estava lá!
Não, não estava lá!

Na Primavera não estava em Praga.
No 25 de Abril estava em Braga,
Demasiado entretido a crescer
Para dar conta do que estava a acontecer.
Do que estava a acontecer.

Mas ouvi dizer que
Quando o Charles Manson sair da prisão
É que vai ser.
Parem o relógio!
Vamos todos para a revolução
Fazer a festa de cocktail na mão!
Parem o relógio!
Vamos todos aparecer na televisão
De Cocktail na mão!

Mão Morta, Charles Manson

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:18 AM | Comentários (1)

Portugal, Anos 80#2


Publicado por [Rick Dangerous] às 02:05 AM | Comentários (1)

Portugal, Anos 80#1


Por não querer aquilo que me é dado
Por não querer nem governo nem estado
Por não ter nada e por tudo querer
Esquadrão da morte faz-me correr

Por não querer aquilo que me é dado
Por não querer nem governo nem estado
Por não ter nada e por tudo querer
Esquadrão da morte faz-me correr

Eles ai ai estão, já lhes sinto o bafo
Dobro uma esquina a ver se me safo
Por ai não que não tem saida
Muito cuidado que arriscas a vida

A noite é dia, e o dia é de noite
Não tenho sitio onde me acoite
Esquadrão da morte avança no escuro
E sigo em frente a sombra do muro
E sigo o cheiro na escuridão , que me conduz onde está a razão
E sigo o cheiro da escuridão , que me conduz onde está a razão

Sangue na boca da queda de há pouco
Tento falar só sai um grito rouco
Num beco sujo, num vão de escada
Dois tiros secos e não resta nada

Por isso eu ponho, eu ponho a questão
Onde mas onde se esconde a razão
Por isso eu ponho, eu ponho a questão
Onde mas onde se esconde a razão

Por isso eu ponho, eu ponho a questão
Onde mas onde se esconde a razão
Por isso eu ponho, eu ponho a questão
Onde mas onde se esconde a razão

Xutos & Pontapés, Esquadrão da Morte

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:47 AM | Comentários (1)

Nacional-Situacionistas


Retirado do 31 da armada

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:12 AM | Comentários (9)

novembro 29, 2007

"Tarefas profissionais com conteúdo político"


O mais relevante, politicamente, na história da Luísa Mesquita parece-me ser a questão do emprego que lhe foi oferecido numa câmara da margem esquerda (lado certo da vida) e que até parece ser admitida pela DORSA:"Ao contrário da caluniosa acusação de que foi tratada como «mulher a dias», a verdade é que perante as questões concretas colocadas quanto à sua actividade profissional (designadamente a que decorria da interrupção da sua carreira como professora e das consequências que daí resultariam quanto a um seu não desejado regresso à escola e à incidência financeira das alterações das regras para a aposentação) o PCP não só as examinou como lhe apresentou soluções concretas que lhe davam resposta: a possibilidade de desempenhar tarefas profissionais com conteúdo político aproveitando a sua experiência em áreas como a educação e cultura, o que obviaria a um regresso à escola;"

O comunicado do PCP não refere qualquer voto favorável de Luísa Mesquita a uma privatização do fornecimento de água em Santarém, pelo que o comentário abaixo parece não ser mais do que uma calúnia estalinista.O comunicado da Renovação Comunista parece-me equilibrado. Não se trata de aproveitar o momento para dar mais uma martelada na direcção do partido, mas de fixar os princípios políticos que devem nortear este tipo de questões.
Por outro lado existe o episódio caricato de sempre: o grupo parlamentar, na crista da onda, propôs verbas para a construção de um quartel de bombeiros voluntários na freguesia de Pernes, Concelho de Santarém. Faz sempre falta e nunca é demais, dir-me-ão os mais fiéis, mas a verdade é que já lá existe um. Luísa Mesquita sabia-o. Bernardino Soares não.

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:53 PM | Comentários (5)

Soares na RTP1


"Eu ultrapassei a barreira do som, mas enfim...com a minha idade, já não me atreveria a ir ao espaço...mas..."

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:42 PM | Comentários (1)

Burocratices


De acordo com Octávio Augusto, da Comissão Política comunista e responsável pela direcção da organização do PCP/Santarém, «foi enviado um e-mail 13 minutos antes» de a decisão ter sido divulgada à comunicação social.

Antes disso, «foi enviada uma carta registada na segunda-feira», acrescentou, recusando a acusação de Luísa Mesquita, que afirmou à imprensa não ter sido formalmente informada da sua expulsão.

Luísa Mesquita tinha acusado a direcção do PCP de «indignidade e ausência de lisura» por «ter permitido que aquela que é objecto de expulsão tenha sido informada através da comunicação social».

Publicado por [Saboteur] às 11:41 PM | Comentários (3)

E tu, porque no te callas?


A greve da função pública atrasou a saÍda da Revista Atlântico. Mais uma vitória da classe operária.

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:29 PM | Comentários (1)

O blog de Santana Lopes...

...tem fotografias de um jardim.
"E esta obra, conhecem? Ali, na Alameda das Linhas de Torres, ao Lumiar. Que bem sabe ver aquele fantástico espaço verde, feito tal e qual como o pensei. Creio que muito influenciado por outros idênticos de que usufruí quando estudava em Cambridge, nos Verões da minha adolescência. Lembro- me de ir de comboio e olhar pela janela, vendo tantos miúdos a jogarem à bola, ou, simplesmente, a correrem, em grandes relvados, quase sem obstáculos, sem bancos de jardim, sem grandes arbustos, sem vedações de ferro a protegerem não sei quantas plantas.
Simplesmente espaços verdes, grandes relvados, relva de jardim bem tratada, bem aparada. E um grande espelho de água. Foi o que eu pedi aos engenheiros da Câmara e à equipa da SGAL(sociedade de gestão da alta de Lisboa). Não sou engenheiro paisagista, pelo que não sabia, nem sei, desenhar. Tento explicar,assim fiz na Figueira, assim fiz em Lisboa. Grandes espaços para as famílias correrem e brincarem. Também para se poder jogar à bola, sem vir a Polícia e levar a tal bola, como acontecia quando eu era miúdo e jogávamos no pátio, ao pé da nossa casa. É dos maiores motivos de orgulho, esta Quinta das Conchas, a Quinta Bensaúde, ali na Estrada da Luz,(recuperação e abertura ao público), o Jardim do Arco Cego e, muito, muito, a "grande volta" dada a Monsanto. Em menos de quatro anos, sem maioria na Assembleia Municipal e com muitos percalços pelo meio. E não falo destas realizações por qualquer intuito de candidatura. Não posso, não quero e não devo. Mas, ORGULHO, isso sim: posso, quero e devo. "

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:23 PM | Comentários (5)

novembro 28, 2007

Eu até nem queria dizer mal

Eu até nem era para escrever nada. Porque afinal isto já não tem interesse nenhum. Mas não consigo resistir ao reflexo condicionado de dizer mal do PCP. Claro que o PCP facilita muito a tarefa a qualquer um. Até dá razões muito válidas para que se diga mal dele. Esta história da expulsão da deputada Mesquita devia pôr a imprensa e comentadores anti-comunistas com a passarinha aos saltos, perdoe-se-me a expressão.

Mas não. Parece que ninguém quer saber, tirando uns quantos presidentes de Junta de Freguesia de umas quantas terras perdidas lá por Santarém, escolhidos por Mesquita para trabalhar com ela. De "dentro" do PCP não se sabe mais nada. Presume-se que achem todos muito bem que uma deputada seja expulsa do partido por se recusar a ceder o lugar a outr@, embora a própria desminta publicamente ter assumido esse compromisso.

Dos movimentos e personalidades afastadas ou expulsas do PCP em anos recentes também ninguém ouve nada, com excepção da Renovação Comunista. Fui ao site da RC e encontrei lá este comunicado, obviamente crítico da situação, de um ponto de vista comunista. Mas não me lembro de algum jornalista se ter dignado pegar nisto. Quanto aos outros, que também os há (houve?), devem achar muito bem que a Mesquita seja expulsa ou então estão-se cagando para o assunto, admitindo eu que já se estejam a cagar para o PCP e tudo o que lhe diga respeito. Os jornalistas fazem peças inócuas. Parece que já perderam a verve para entalar o PCP. E os comentadores perderam interesse. É engraçado: uma deputada em exercício de funções foi expulsa do seu partido (pergunto-me se será caso único na história da terceira república, e estou tentado a crer que sim) e parece que nada disso interessa muito.

As notícias de sarrafada no PCP já nem ajudam a vender jornais. Eu se fosse militante do PCP preocupava-me.

Publicado por [Renegade] às 07:58 PM | Comentários (9)

We'll always have Paris


Madame Veto avait promis,
Madame Veto avait promis.
de faire égorger tout Paris,
de faire égorger tout Paris. Paris.
Mais son coup a manqé
grâce à nos canoiners.
Dansons la Carmagnole
Vive le son,
Vive le son.
Dansons la Carmagnole
Vive le son du canon.

L'aristocrate a pour amis,
Tous les royalist's à Paris. (bis)
Ils vous les soutiendront
Tout comme de vrais poltrons
Dansons la Carmagnole,
Vive le son, vive le son,
Dansons la Carmagnole,
Vive le son du canon !

Les gendarmes avaient promis,
Qu'ils soutiendraient tous leur pays. (bis)
Mais ils n'ont pas manqué
Au son du canonnié
Dansons la Carmagnole,
Vive le son, vive le son,
Dansons la Carmagnole,
Vive le son du canon !

Oui, je suis sans-culotte, moi,
En dépit des amis du roi. (bis)
Vivent les Marseillois,
Les Bretons et nos lois
Dansons la Carmagnole,
Vive le son, vive le son,
Dansons la Carmagnole,
Vive le son du canon !

Oui, nous nous souviendrons toujours,
Des sans-culottes des faubourgs. (bis)
A leur santé buvons,
Vivent ces bons lurons !
Dansons la Carmagnole,
Vive le son, vive le son,
Dansons la Carmagnole,
Vive le son du canon !

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:50 PM | Comentários (2)

novembro 26, 2007

Uma orgulho que Bernardino Soares não pode ter...

Líder da JC responsabiliza Bernardino Soares por incidentes no "Verão Quente" de 1975

Bernardino José Torrão Soares, nasceu no dia 15 de Setembro de 1971, tendo por isso quatro anos quando se deu o 25 de Novembro de 1975...

Publicado por [Saboteur] às 05:53 PM | Comentários (3)

novembro 25, 2007

Poesia de rua #23

cartoes.jpg

Local onde os lojistas da zona deixam as caixas de cartão para ser recolhido por quem anda aos cartões.

Publicado por [Saboteur] às 11:04 PM | Comentários (1)

novembro 24, 2007

Quem vai à guerra, dá e leva

Militar português morre em acidente de viação no Afeganistão.

O Estado Maior das Dorças Armadas advertiu que conduzir e enviar sms's ao mesmo tempo pode ser muito perigoso, nomeadamente se froem em excesso de velocidade.


Publicado por [Saboteur] às 03:04 PM | Comentários (0)

novembro 23, 2007

Poesia.

Dizem-me que a única coisa que escrevo de jeito são Haikus. Acedo. Mas não deixo de vos propor também alguma da minha poesia.

Estes três pequenos poemas foram escritos com a ajuda de alguém que provavelmente prefere ser desleal e continuar anónimo(a).

POEMA ANARQUISTA.

Ratazanas estatais que escarafuncham
o berço sujo do bébé tuberculoso
enquanto a bófia assassina dez crianças
em mais uma rua escura do mundo prisão

trabalho 25 horas por dia
por um prato de feijões que me sabe a merda
e que engulo em frente à televisão
enquanto ela me escarra cretinicies para o cortex

CHEGARAM OS TEMPOS DA REVOLTA
SOAM AS BADALADAS DA RAIVA

bocadinhos de bófia espalhados pelo jardim infantil!
caem capacetes, caem cassetetes mil!
os deputados atirados à fossa do leão!
escancaradas as portas da prisão
e toda a gente anda de calção!
vinte assembleias por dia!
não há descriminação, não há hierarquia
vinte pessoas partilham a maria (porque ela quer)

como cogumelos que brotam do chão

surgem mil bancas de divulgação!


POEMA SOCIAL DEMOCRATA (para o d.o.)

CIDADÃO! ele há despedimentos
ele há exclusão
há ir para casa sem aumento
há falta de participação

jovem de ténis estrangeiro
que joga à bola num charco
falta-te dinheiro
e vives debaixo de um barco!

mas chega a primavera de braga
da intervenção estatal

polidesportivo, ATL e até hospital!

o avô não se aborrece
a mãe passa meno mal
e até o rapaz abandona
o comportamento anti-social.

VIVA PORTUGAL!

POEMA COMUNISTA (ML)

ENA que grande dialéctica
que rubra vermelha ondula
PUNHO. ROLDANA. FOICE.

as massas abigodadas
que estudam o capital
FÁBRICA. OPERÁRIO. ASSEMBLEIA.

o sorriso proletário
que nasce em portugal
PORTO LISBOA FUNCHAL

VIVA PORTUGAL!

Publicado por [Party Program] às 11:55 PM | Comentários (13)

Lido no youtube

«Caralho o vocalista dessa banda é a cara do Hugo Chavez»

Publicado por [Saboteur] às 04:58 PM | Comentários (3)

Economia política de uma derrota


A eliminação da selecção Inglesa do Europeu de Futebol em 2008 pode gerar perdas de 2780 milhões de euros, entre receitas de casas de apostas, pubs, merchandising da selecção, viagens de adeptos e outras coisas, segundo a BBC. Um professor universitário de Coventry citado sugeriu ainda que o fracasso da selecção deverá ter efeitos negativos ao nível da produtividade da classe trabalhadora britânica.

1- Os ingleses jogam muito mal à bola. Nem sequer vou falar dos 20 e tal selecionáveis que conseguiram arranjar num país de 70 milhões de habitantes. Refiro-me a uma falta de jeito natural e congénita para manobrar o esférico e de uma gritante incapacidade para compreender que futebol não é só correr e saltar, disseminada e massificada entre os ingleses que gostam de futebol.

2- Depois de 6 anos a culpabilizar o técnico sueco Ericsson pelos maus resultados (apesar da selecção ter sempre atingido as fases finais das competições internacionais) e pela sua vida sexual, os media britânicos finalmente começam a aceitar que o problema não está no banco. Daí a considerarem a hipótese de o desporto se jogar, hoje em dia, de outra maneira e privilegiando outro tipo de jogo, talvez vá apenas um passo.

3- O país que importa todos os grandes jogadores, alguns deles ainda adolescentes, e esvazia todos os campeonatos mundiais dos seus maiores talentos, tem poder de compra, mas nada mais. A solução talvez passe pela importação de jogadores para a selecção, e já não apenas para os clubes.
4- Pode ser um complexo nacional de inferioridade da minha parte (embora eu ache que não), mas dá-me um gozo muito especial ver uma equipa medíocre rodeada de uma retórica chauvinista de grandeza ser eliminada em casa pela Croácia. Que nem sequer joga nada de especial.

5- Em todo o caso a notícia de que milhares de ingleses permanentemente bêbados e muitos dos quais racistas não irão desembarcar no continente este verão deve ser festejada com cerveja. À falta de uma marca croata, Guiness claro está.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:56 PM | Comentários (4)

Brechas na cortina de ferro

"Como sabemos, os sindicatos debatem-se com uma profunda crise, que resulta largamente dos processos em curso de fragmentação e fluidez dos sistemas produtivos e de precarização das relações de trabalho e de emprego. É claro que a “crise” deve-se também à incapacidade dos aparelhos sindicais se adaptarem aos desafios do presente, mas esse é um problema que a eles diz respeito. Não compete ao Estado, tal como não compete aos empresários, ajuizar entre o “bom” e o “mau” sindicalismo. Se o “bom” sindicalismo for aquele que está sempre de acordo com o parceiro mais forte, então o que se pretende não é a negociação, mas a simples aceitação.
E com isso alimenta-se, de facto, o confronto. Ou seja, engana-se quem pense que a conflitualidade diminui com a implosão dos sindicatos e que a influência comunista deixa de existir. Não é preciso ler Marx ou ser-se socialista para se perceber que com o desemprego crescente, a perda de poder económico de sectores importantes da classe média e a intensificação das desigualdades, ganharão terreno os sentimentos de revolta e as ideologias anti-sistémicas. "
Elísio Estanque, Boa Sociedade e no Público de hoje

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:46 PM | Comentários (3)

«A mim, ninguém me cala!»

Dando mais uma prova de resistência contra a deriva neoliberal do Governo PS, mostrando que é um homem de coragem e de grande frontalidade, Manuel Alegre... absteve-se.

Publicado por [Saboteur] às 03:53 PM | Comentários (4)

Universidades...

Para além de ser a primeira mulher a presidir Havard University, pode ser que as suas ( ideias (a ver ainda)) atravessem o atlântico num momento em que Sarkozy tenta meter em vigor (“la loi relative aux libertés et responsabilités des Universités” (LRU) ).

Publicado por [Shift] às 03:50 PM | Comentários (2)

novembro 22, 2007

"Dinheiro e Beijinhos" - o jornalismo como literatura de cordel

«Paulo João Silva está sozinho. O banco dos réus é só dele, bem como o juiz e os advogados. Neste momento, é livre. O cálice da culpa está à sua frente e ele bebe o que quiser. Decide não lhe tocar».

Não é lindo? Veja-se a crueza do primeiro plano do personagem, o diálogo de si mesmo com a solidão e a liberdade. A imagética cristã do santo graal... Que mestria literária!

«Neste caso, a verdade, por si só, sabe a pouco. Se Silva quer confessar, que confesse o inconfessável. Confesse a miséria da condição humana».

Nem Malraux nem Reich nem Beauvoir conseguiram condensar tanta culpa humana, tanto existencialismo, tanta dor de humanidade em somente três frases curtas, certeiras, lacinantes.

Não pretendesse isto ser "jornalismo" e seria uma obra de génio.

[In Publico de hoje, página 8, sobre julgamento de figura de revistas cor-de-rosa acusada de mandar matar o marido - o "autor" é Paulo Moura]

Publicado por [Joystick] às 07:47 PM | Comentários (10)

Boaventura comenta o ¿Porqué no te callas?

Esta frase, pronunciada pelo Rei de Espanha dirigindo-se ao Presidente Hugo Chávez durante a XVII Cúpula Iberoamericana realizada no Chile, no dia 10 de Novembro, corre o risco de ficar na história das relações internacionais como um símbolo cruelmente revelador das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colónias.

Publicado por [Saboteur] às 06:13 PM | Comentários (1)

O Pequeno Timoneiro

Daqui a 20 anos poderia estar muito rico, mas vou desde já partilhar este vídeo com vocês.

Publicado por [Saboteur] às 01:23 AM | Comentários (4)

Gorgulho Hetero

Hoje no metro não quis acreditar no que os meus olhos viam.

Há quem pague para ter o prémio da campanha publicitária mais idiota do mundo? "Orgulho Hetero"??! Qual é exactamente o alvo que a Tagus pretende atingir com esta mensagem?

tagus5.jpg

Imagem retirada das Panteras Rosa

Publicado por [Saboteur] às 01:19 AM | Comentários (5)

novembro 20, 2007

Somehow


It's getting faster, moving faster now, it's getting out of hand,
On the tenth floor, down the back stairs, it's a no man's land,
Lights are flashing, cars are crashing, getting frequent now,
I've got the spirit, lose the feeling, let it out somehow.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:29 PM | Comentários (2)

novembro 19, 2007

Em Itália é tudo mais intenso

Ainda no outro dia voltei aqui a falar de Genóva e um dos comentários afirmava que tal já não interessava a ninguém. Bom parece que apesar desse desinteresse generalizado 50 000 pessoas se juntaram lá este fim de semana para se manifestarem contra as penas propostas para os manifestantes detidos (225 anos para 25 pessoas). Toda a cidade tremia por medo de uma repetição dos confrontos de há seis anos, medos reafirmados depois de no fim de semana passado se terem atacado quatro esquadras da policia depois de esta ter assassinado um membro dos ultras da Lazio e sublinhado por um novo dossier da Digos, a policia politica (sic), em que é afirmado haver cerca de 2000 ultras com ligações à extrema esquerda (e aqui extrema esquerda quer dizer maoistas e estalinistas que treinam diariamente no ginásio, não jovens escanzelados com uns pelinhos de barba e um porro na mão ). Caruso, divertido deputado da Rifundazione, afirmou ao La Repubblica: “Na manifestação vão estar todos: os black bloc, os ultras, os islamistas, alguns romenos e à frente o Bin Laden e o Mullah Omar numa moto”. Ainda que para mim nada menos do que isso seria verdadeiramente o movimento dos movimentos creio que Caruso estava a ser irónico. Aliás, Mesmo a esquerda institucional Italiana acaba sempre por ser levemente interessante: Caruso em 2003 despejou um barril cheio de merda à porta da residência de Berlusconi. Lá está, não imagino discutida na mesa nacional do Bloco a hipótese de mobilizar os militantes, ruptura e tudo, a defecar conjuntamente, num magnifico e louvável esforço partidário, para posteriormente despejar tanta raiva escatologicamente reificada à porta do primeiro ministro, tudo isto claro com poias devidamente identificadas para não haver deslealdades.

Caruso no parlamento, qual Che Guevara ministro saudoso da guerrilha

A manifestação no entanto correu de modo bastante tranquilo, de novo segundo o La Repubblica durante a marcha houve um punk que se excedeu e escreveu na parede algo entusiasta da morte dos Carabinieri no Iraque mas foi logo chamado à razão pelo serviço de ordem do sindicato dos metalomecânicos que o expulsaram ao pontapé e ao murro (sic). O único ponto de conflito foi nos comboios ocupados pelos manifestantes, alguns acederam a pagar o bilhete inteiro mas outros, como de costume, praticaram uma unilateral auto-redução dos preços e obrigaram a Trenitalia a juntar mais carruagens. Em Livorno os cerca de 300 manifestantes recusaram-se a pagar seja o que fosse. A Trenitalia deixou-os partir depois de estes dizerem que mandassem a conta para a Refondazione.



Bilhete !? Passe !? O chico paga!

Publicado por [Party Program] às 08:30 PM | Comentários (5)

O rosto da democracia

O piquete dos trabalhadores da Valor Sul é atacado pela GNR e os sindicatos decidem pedir uma audiência ao Ministro da Administração Interna. Entretanto os trabalhadores da recolha do lixo (muitos dos quais, admite-se, filiados no STAL e no STML) entram nas instalações do centro de tratamento para despejar o lixo já recolhido nos camiões, dando assim trabalho aos fura-greves.
Ficam as questões:
1- Perante um governo que tão assumidamente se coloca no campo da repressão dos conflitos e do reforços da autoridade do Estado, que esperará a direcção do SINQUIFA? Compreensão? Solidariedade? Acaso julgarão que a GNR carrega por acaso e sem ordens expressas do Ministro?
2- Para que serve todo o aparato de uma Confederação e a palavra de ordem «unidade sindical», se quando as coisas chegam a este ponto não existe qualquer tentativa de solidariedade inter-sindical? Se em cada greve os trabalhadores podem contar apenas consigo e nada têm a esperar de outros sectores, que conteúdo prático tem a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses? Quando os trabalhadores de recolha do lixo tiverem que lutar contra uma redução dos seus direitos por parte das respectivas administrações (e parece que a CML, por exemplo, não anda propriamente a distribuir regalias), quem estará do seu lado? Os trabalhadores da Valor Sul?
3- À luz de tudo isto, a opção de organizar manifestações de cara tapada e com meios de protecção contra a polícia pode ser criticada com algum argumento sério? Já sabemos o que é que este governo pensa de protestos ordeiros e piquetes simbólicos.

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:59 PM | Comentários (4)

Just Another Day em Barcelona

Infelizmente não estava presente neste sábado na manifestação antifascista convocada uns dias antes aquando do assassinato de um jovem por uns quantos nazis em Madrid. A noticia foi ampliamente divulgada e creio que saberão do que estou a falar. Pelo que leio parece que no entanto foi bastante agitada: uma muito breve descrição aqui, conhecendo a geografia do centro de BCN percebe-se melhor o alcance da situação. Mais fotos aqui

Publicado por [Party Program] às 11:46 AM | Comentários (0)

novembro 18, 2007

Diferentes Percepções

Proudhon dizia que a propriedade é um roubo.

DORL do PCP quer descer os impostos sobre a propriedade.

Publicado por [Saboteur] às 04:55 AM | Comentários (12)

O fotógrafo estava lá!

Img062.jpg

Publicado por [Saboteur] às 04:20 AM | Comentários (2)

novembro 16, 2007

Os senhores das pocilgas


Numa greve em curso na Valorsul, a PSP interveio a pedido da administração para abrir os portões da central de tratamento, encerrada pelo piquete de greve. A greve foi decretada por tempo indeterminado. "Os trabalhadores contestam o aumento salarial de dois por cento oferecido pela administração da empresa, face aos 3,7 por cento pedidos pelos trabalhadores, além da alegada intenção da empresa em reduzir o tempo de descanso entre turnos de 12 para oito horas, como forma de combater o trabalho suplementar."
Tempo de descanso de 8 horas entre turnos . Muito civilizado não é?

Atingindo a greve uma adesão de 100%, a administração impôs serviços mínimos e acusou os trabalhadores de violarem a lei da greve por não os cumprirem. Tem também efectuado vários comunicados a sustentar a sua posição. A CGTP e o SINQUIFA, sindicato do sector, acusam a administração de violar o direito à greve substituindo trabalhadores grevistas nas suas funções.
As interpretações da lei correm mas o seu braço armado não precisa de esperar. Trabalhadores em greve de um lado, administração amedrontrada por outro - poderá haver alguma dúvida da parte do comando da PSP e da GNR?
Ao fim e ao cabo, para que servem estas forças senão para combater a subversão que permanentemente coloca em perigo as pessoas de bem e a paz social? Um ataque à hierarquia da empresa, trabalhadores que paralisam totalmente e por tempo indeterminado, em vez das paralisações simbólicas e de curta duração a que todos estamos habituados - bem pode o Dr.Carvalho da Silva indignar-se e dizer que não se deve confundir um conflito laboral com uma ameaça à ordem pública. A tradição está contra ele. O consenso está contra ele. Esta é a democracia que desliza subtilmente para o fascismo. Todo o conflito é uma subversão da ordem pública. Como dizia o outro - habituem-se.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:42 PM | Comentários (5)

Em alerta

Ao abrigo de um anonimato irresponsável, têm sido efectuadas num blog chamado Lisboa em alerta revelações acerca de situações laborais na CML. Trata-se de uma prática de calúnia inadmissível num Estado de Direito Democrático como o nosso, onde pessoas honestas dão a cara sem ter medo de represálias. Queria repudiar aqui os cobardes que se escondem na clandestinidade para vilipendiar deste modo pessoas honestas apenas porque elas ganham mais do que 2500€ pelo seu trabalho e dedicação para com a cidade. Associo-me assim à vaga de fundo em curso na blogosfera e a todos aqueles e aquelas que lutam por um activismo honesto e responsável.

Carmona Rodrigues agastado pelas manobras de baixa política dos precários da CML

Junto-me assim a democratas como Santana Lopes, Carmona Rodrigues ou António Costa (e, antes deles, João Soares), que nunca tiveram medo de dar a cara pela democracia, nas boas e más ocasiões, sem dela nada obter. E estas pessoas todas não se podem defender, porque não dispõem de informações que lhes permitam denegrir os denunciantes (tipo, as notas deles na 4ª classe e o facto de terem sido apanhados a roubar caramelos de fruta pelo Sr. Joaquim da mercearia quando tinham 12 anos).

Santana desgostoso pelas calúnias que se abatem sobre as santanettes

Desta vez, estes precários foram longe de mais. Vejam a forma como reivindicam a legitimidade do seu anonimato: "Pelo calibre do poder instalado na CML, um blog como este representa riscos, nomeadamente o de colocar o emprego das pessoas em causa. Se atenderem à apresentação que fizemos do blog sabem que vamos continuar a manter o anonimato de quem nos contactar via e-mail com situações e casos que estejam a ocorrer nos serviços. "
Decididamente já não há moral... Se não estão dispostos a dar a cara e correr os riscos de perder o seu emprego então fiquem caladinhos e sentadinhos, que mais cedo ou mais tarde o seu problema será resolvido por alguém com a coragem necessária para falar em seu nome. Como aliás é habitual.

António Costa firme e convicto no combate contra o anonimato na blogosfera

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:15 PM | Comentários (17)

Lula defende Chávez e a democracia venezuelana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou ontem (14) a democracia da Venezuela, reiterou a importância do país tornar-se membro pleno do Mercosul e defendeu o presidente Hugo Chávez no polêmico episódio com o rei Juan Carlos da Espanha. “Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora por falta de democracia na Venezuela não é.", disse Lula.

Publicado por [Saboteur] às 12:13 AM | Comentários (3)

novembro 15, 2007

Vai tudo a baixo!

Eis um caso que ainda vai servir de estudo para alguns académicos.

Para os mais distraídos, a CML está falida e começou a rescindir contratos de avenças.

Inicialmente eram só para ser umas avenças que a Câmara tinha com uns juristas, uns arquitectos, uns médicos, umas floristas, etc… mas quando se foi a ver, havia também malta a recibos verdes, com mais de 3 anos de serviço na CML que também foram corridos.

Até aqui, infelizmente, nada de novo.

Acontece alguém criou um blog, onde se podem pôr comentários anónimos.

Os funcionários da CML podem ir lá e mandar umas bocas, qual plenário do século XXI…

Muito engraçado... Apesar de ter sentimentos contraditórios em relação a estas coisas (tipo fórum TSF), não deixa de ser enriquecedor dar uma vista de olhos no blog:

Começou-se por denunciar os despedimentos e alertar para que estavam em causa cerca de 1000 postos de trabalho precários. Depois foram trocadas algumas informações e começou-se a perceber que alguns dos recibos verdes eram afinal boys e girls do Carmona. Depois alguém lembrou que há avenças tão antigas que as pessoas até já estão aposentadas e continuam a receber, e agora instalou-se o caos: Alguém publicou uma lista dos avençados que recebem mais de 500 contos por mês e aparecem lá os carmongas todos – como seria de esperar – mas também a mulher do próprio Ruben Carvalho, que afinal é professora na Faculdade Direito de Lisboa…

Mais: Parece que desta lista dos "mais que 500", nenhuma avença foi rescindida. O blog está ao rubro e cheira-me que está a fazer mais pela luta do que todos os burocratas sindicais juntos.

Publicado por [Saboteur] às 02:39 AM | Comentários (12)

novembro 13, 2007

FIKE - Cinema na Província

FIKE - Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora


"O mês de Novembro é marcado pelo regresso do FIKE 2007 - Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora. O Auditório da Universidade de Évora será o centro do Festival, que promete ser o maior e o mais participado de sempre. De 16 a 24 Novembro, 101 filmes dos 5 continentes competirão pelos Prémios de Ficção, Animação e Documentário."

(imagem do filme "My Kaboul")

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 04:19 AM | Comentários (6)

Para um activista (re)conhecido

O que irritará tanto Daniel Oliveira em Hugo Chavez? Só por desinformação ou enviesamento propositado se pode compreender que o famoso colunista (e activista) arremeta com tal despropósito contra o presidente venezuelano. Dizer que Chavez prefere o insulto à discussão política é querer inutilizar o debate em torno do processo venezuelano. Aliás, é tomar o caminho da demagogia e da crítica superficial. Chavez e os governos do Equador, Bolívia e Nicarágua trazem uma nova perspectiva crítica do neoliberalismo enraízada no próprio Estado. Os processos são discutíveis, as ideias e os resultados são discutíveis. Mas será que Daniel Oliveira perdeu mais de 10 minutos a ouvir Hugo Chavez?

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 03:08 AM | Comentários (5)

novembro 12, 2007

Para o Rick e ficamos assim porque senão isto ainda azeda!

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Publicado por [Bomb Jack] às 07:52 PM | Comentários (4)

Destruindo um tigre de papel

"É preciso fazer o que dizia Mao:« Se somos só 10 e o inimigo 100, então teremos de ser 10 contra 1 cem vezes.»" Daúto Faquirá, treinador do Estrela da Amadora, antes do jogo com o Futebol Clube do Porto

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:16 PM | Comentários (3)

Número a definhar...

O Festival Número está aí. O Festival Internacional de Artes Multimédia, Cinema e Música tinha tudo para ser um dos grandes acontecimentos culturais da cidade, ao lado de coisas como o DOCLISBOA, tão comentado que foi, na Blogossfera. Mas quem sabe dele? Parece que a Organização esqueceu de divulgá-lo.

Tentei no Sábado ir ver um filme-concerto de música electrónica (Atomic Tour), tinha sido cancelado. Não disseram porquê mas os 6 bilhetes vendidos devem ter tido a alguma coisa a ver.

Visto que estava numa de Número, aproveitei para dar um pulo ao Quarteto para ver um filme do cinema Pink Japonês. Que vergonha!: 3 Euros para ver um DVD projectado sem qualidade de imagem ou som absolutamente nenhuma?!

Ainda saí a tempo para ver e ouvir IKUE MORI, Uma japonesa que foi apresentar uma banda sonora electrónica desenvolvida para 3 filmes mudos avant-garde dos anos 40. Um espectáculo interessante que podia ter enchido o São Jorge mas que acabou por ser feito para umas 30 ou 40 pessoas.

Num contexto de contenção financeira em que a CML vai começar a reduzir apoios (e o Ministério da Cultura vai continuar a fazê-lo), o Número, com este tipo de coisas, está mesmo a pôr-se a jeito...

Publicado por [Saboteur] às 04:15 PM | Comentários (1)

Para Jesualdo et por cause

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:00 PM | Comentários (2)

Activismos com rosto

"Sempre que participo numa reunião, enquanto dirigente associativa, numa actividade, conferência ou debate, saio com uma incomoda sensação de deja vu. As mesmas caras, os mesmos sítios e, infelizmente, os mesmos discursos que já é possível associar a cada cara e local.
O trabalho em rede já praticamente não existe. Tod@s nós estamos demasiado ocupad@s com os nossos projectos, financiamentos, e, no limite, com a nossa sobrevivência! Isto porque @s senhor@s de cima, aqueles lá no parlamento e na Europa instituíram que, para haver dinheiro que pague alternativas, temos que nos portar bem, sentadinh@s nas nossas secretárias, presos a burocracias sem fim! E nós aceitamos.. e lá vamos ficando tentando encontrar as alternativas que mais agradem os financiadores.
E o que é que acontece quando de facto é possível juntar um considerável numero de organizações e movimentos sociais? A ronda de apresentações é dispensável, já toda a gente se conhece de qualquer forma! O discurso é velho, quase decorado e o ponto alto do debate é aquele em que se decidem @s orador@s, protagonistas de mais uma actividade alternativa. Sim, porque na hora dos protagonismos invade-me de novo a mesma sensação de “eu já vi isto em algum lado!”. Na hora dos protagonismos e interesses estratégicos partidos e movimentos estão mais próximos que nunca!
E lá se organiza mais uma conferência, um debate, um asfixiante encontro orientado para dentro, que passa perfeitamente ao lado da vidinha calma e pacata da maior parte dos cidadãos portugueses, ou melhor, lisboetas, porque quando falamos de “espaços alternativos” referimo-nos a Lisboa... Alternativos mas não tanto!"

in Les Canards libertaires

Foto tirada no Fórum Social Português por activistas sem medo de dar a cara

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:36 PM | Comentários (3)

Por muito menos, Luís XVI perdeu a cabeça


Publicado por [Rick Dangerous] às 03:17 PM | Comentários (3)

novembro 10, 2007

Pesia de rua #22

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Passo tantas vezes por esta estranha mensagem feita em azulejos... Que história estará por detrás disto?

Foto roubada à Rosava

Publicado por [Saboteur] às 11:44 PM | Comentários (4)

Não há coincidências

Hoje Álvaro Cunhal faria 94 Anos
A JCP faz 28 anos
Os 'Jovens do Bloco' fazem a sua 'Conferência de Jovens'

...E o André Pestana, primeiro subscritor de uma da Moções da Conferência, que eu vi, pela primeira vez, no primeiro Congresso da JCP a que fui, há muitos anos atrás. Que idade terá?

Publicado por [Saboteur] às 10:10 AM | Comentários (2)

novembro 09, 2007

Some give you better omelettes

Para preservar o seu ovo de classe superior, Matilde, Mourinho puxou os cabelos e as orelhas de um outro ovo mais rasca.

Publicado por [Joystick] às 11:21 PM | Comentários (2)

Mania das grandezas

Primeiro Santana pôs a maior bandeira de portugal no alto do Parque Eduardo VII
Depois Carmona montou a maior árvore de Natal da Europa
Agora António Costa vai ter o maior assador de castanhas do mundo.
Meu Deus! O que mais nos poderá acontecer?

Publicado por [Saboteur] às 03:08 PM | Comentários (7)

Sicko de Michael Moore

Fui ontem ver o Sicko e fiquei agradavelmente surpreendido. Está bem feito, tem ritmo, tem piadas é extremamente incisivo. Provoca o debate e leva as pessoas a pensar no que se está a passar hoje, cá em Portugal, com o Serviço Nacional de Saúde, com o desinvestimento e com o florescimento das seguradoras e dos hospitais privados. Um filme que aconselho a todos.


Um homem com 2 dedos cortados foi informado nas urgências que era tempo de tomar decisões: se queria voltar a juntar os dedos à mão o preço era o seguinte: 1 dedo do meio, 60 mil dólares. O anelar 12 mil.

Agradavelmente surpreendido porquê? Reparo agora que li várias críticas que esmagavam o documentário e o próprio Michael Moore e acabei por interiorizar que era um mau filme. Estamos tão habituados à propaganda do inimigo que já nem damos por ela e respiramo-la quase sem incómodo.

No monte de jornais para reciclar ainda encontrei, por exemplo, um textozinho de Luis Martins Oliveira (no Público), cheio de coisas do género:

«não é, nunca foi, um cinema muito sofisticado» (ui!); «situação forjada, comoção procurada» (coisa nunca vista no cinema documental!); «baseado num palhaço político em permanente e primária guerra ideológica» (a favor de um serviço universal de saúde? Que primário!); «até já ganhou um prémio “artístico” em Cannes» (se é dado pelos comunas de Cannes é melhor pôr artístico entre aspas); «Parece que quer ser menos palhaço e menos arruaceiro. O resultado é mau» (ele quer ser mas não é. Certo Luis?) «Mais próximo de um Edson Athayde do que do Medvedkin que, de resto, sempre esteve longe de ser» (mas o que é que ele quer dizer com isto?)

Na curtíssima critica recheada de piropos como estes, parece que só há uma coisa que Luis Martins Oliveira acha minimamente interessante: a homenagem dos bombeiros cubanos aos bombeiros americanos do 11 de Setembro. Nessa cena aposto que lhe escapou uma lagrimita e tudo.


O filme tem imagens reais de uma senhora deixada na rua por um hospital privado que se apercebeu que a velha não ia ter dinheiro para pagar a conta. Algo que "procura a comoção" e que por isso não tem qualquer tipo de interesse para o documentário. É um "palhaço" e um "arruaceiro", este Moore.

Publicado por [Saboteur] às 11:59 AM | Comentários (5)

Haiku desleal

Hoje no aeroporto
cruzei-me com duas pessoas do bloco
mal sabiam elas quem era eu

Publicado por [Party Program] às 01:13 AM | Comentários (10)

novembro 08, 2007

Já não há respeito ou andamos a ver se damos graxa ao Mário Machado? [Ou a incrível oportunidade de escrever o meu título mais longo para um post onde, uma vez mais, não digo absolutamente nada de importante!]

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Então agora dá-nos para polemizar com o Daniel Oliveira? Esta agora.
Pronto. Era só isto. E a imagem não tem nada a ver com o resto, mas imagino que o Daniel não seja muito mais bonito ao acordar. E só digo isto ao abrigo do meu fantástico nick!

Publicado por [Bomb Jack] às 09:59 PM | Comentários (8)

Haiku#3 Do activismo

Em democracia dá-se a cara
só esse activismo é leal
lava as mãos antes de vires para mesa

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:06 PM | Comentários (4)

Haiku #2 Da carreira académica

Se nenhum catedrático senil
reconhecer a minha caligrafia
chegarei um dia a catedrático senil

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:58 PM | Comentários (1)

Haiku #1 Da frontalidade

O mais furioso dos comunistas
só escreve com pseudónimo
e masturba-se sozinho em casas de banho públicas


Publicado por [Rick Dangerous] às 06:46 PM | Comentários (1)

Daniel Oliveira a.k.a. TechnoViking, defensor dos oprimidos e guardião da internet ou Coisas que só posto a coberto do anonimato #3

(Aos 40 segundos ele salva a donzela em perigo, toma depois a dianteira das massas e acaba por mostrar a todos como é que se faz a coisa a sério e de uma forma leal)

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:22 PM | Comentários (7)

Acerca do editorial do Público de ontem


Há cerca de 40 anos, o marxismo era o código de comunicação das elites intelectuais europeias. Nas suas múltiplas cambiantes, do mais primário ao mais sofisticado, quase todos seguiam o mesmo esquema mental e de pensamento. Ser jovem e ter pretensões intelectuais conduzia em linha recta às obras escolhidas, não havia um indigente que não citasse Mao com o tom solene das grandes verdades incontornáveis. Um intelectual sardo lembrou-se de chamar a isso hegemonia, recuperando um vocábulo grego que até nem tinha muito a ver.
Parece-nos estranho, mas em 1974 não era raro ouvir a alguém como Freitas do Amaral que a democracia económica e cultural é inseparável da democracia política. Ou Spínola falar de um «socialismo humanista». Ou Mário Soares acusar a social-democracia de ser apenas uma gestão do sistema capitalista.
Como em tudo, quando ideias se tornam moda e, depois, ideologia, vão perdendo a sua capacidade de exprimir a realidade e esgotam-se, dando lugar a outros modos de interpretação. É da sucessão de ciclos que se faz a história das mentalidades, pelo que não é estranho que as tradições liberal e conservadora tenham sido recuperadas para enquadrar uma ampla transformação do sistema capitalista após a crise dos anos 70 e a falência do compromisso keynesiano. Este tipo de ciclos é também fértil em reconversões, e não é raro o liberal de ontem tornar-se no socialista de hoje. O contrário tem sido particularmente verdade nos últimos anos.
José Manuel Fernandes tem assumido a preocupação, tal como Pacheco Pereira, de efectuar esta transição do marxismo para o liberalismo sem dar lugar a qualquer dúvida. E é curioso que sejam dois dos intelectuais orgânicos mais influentes das elites económicas e políticas portuguesas, normalmente pouco atreitas a reflexões de grande fôlego.

Lendo as suas descrições do fenómeno comunista ressalta a caracterização de um movimento feito de pessoas sem qualquer tipo de problemas éticos relativamente às opções tomadas, dispostas a tudo, capazes de todas as formas de violência e autoritarismo sobre os outros, incapazes de qualquer juízo crítico acerca da sua própria actuação e de qualquer auto-reflexividade relativamente às relações sociais no interior das suas organizações. Pessoas sem escrúpulos, aparentemente generosas, mas na verdade feitas de sentimentos mesquinhos e potencialmente homicidas, se não mesmo genocidas.
E digo curioso porque da minha militância como do meu estudo do fenómeno nada retiro que o confirme. Sem dúvida houve cinismos vários e misérias pessoais para todos os gostos. Decisões difíceis e certamente questionáveis. Por vezes esqueceu-se o mais importante. Mas olhar a história do comunismo implica aceitar um confronto com coisas palpáveis e reais - textos, imagens, discursos, acontecimentos - e não um permanente ajuste de contas. Responder à história oficial e fantasiada elaborada pelos partidos comunistas com mistificações grosseiras e incorrecções históricas é dar um salto de qualidade no plano da desonestidade.
É falso, por exemplo, que um punhado de bolcheviques tenha tomado o poder na noite de 7 para 8 de Novembro de 1917. Qualquer historiador liberal reconhece que os bolcheviques, tendo ganho as eleições nos Soviets de Petrogrado e de Moscovo, se serviram desse poder para movimentar regimentos inteiros e armar comités de Fábrica na tomada dos principais centros de poder das duas grandes cidades, desafiando em seguida o II Congresso Russo dos Soviets - onde predominavam militates socialistas-revolucionários - para assumir as consequências da insurreição, retirando a Rússia da guerra e distribuindo as terras pelos camponeses. O processo é bastante discutível, mas não pode ser falsificado e substituído pela pequena conspiração ambicionada por José Manuel Fernandes.
Esclareço - seria bom ter acesso a uma boa história do comunismo feita por liberais. Tudo o que nos dão são romances policiais. Pacheco Pereira começou bem com os dois primeiros volumes da biografia de Álvaro Cunhal, mas logo sentiu a necessidade de acolher as teses da PIDE acerca do PCP e dos seus ajustes de contas próprios de uma associação de mal-feitores. Nota-se aliás, neste trabalho de Pacheco Pereira acerca do PCP e (adivinha-se) na sua futura tese sobre a extrema-esquerda, a intenção de familiarizar os seus leitores com os contextos sociais e culturais em que se implantaram movimentos anti-capitalistas e de tratar a política como expressão de realidades sociais que a sustentam. Mas neste alargar de horizontes são necessárias concessões e Pacheco Pereira sabe que não podia passar, aos olhos liberais e conservadores que o lêm, por excessivamente simpatizante e compreensivo para com o seu objecto de estudo. E então torna-se necessário introduzir este ou aquele processo de diabolização para que o comunismo possa ser reconduzido à sua posição inicial - a de um fenómeno paranormal, caso de polícia, patologia política.
Tudo se passa como se a tradição anti-comunista em Portugal - que historicamente se filia numa tradição anti-iluminista (e por tanto anti-liberal) directamente herdada do Antigo Regime e do catolicismo ultra-montano - tornasse impossível qualquer elaboração liberal sobre a questão comunista, ocupando no imaginário das elites todo o espaço disponível. Aqui também, como relativamente ao marxismo a que referi no primeiro parágrafo, trata-se de um código de comunicação que se impõe enquanto concepção do mundo e trata como estranho tudo o que não encaixa nele.
Nesta passagem do marxismo-leninismo ao liberalismo queria apenas assinalar que os intelectuais em causa demonstram acima de tudo um gosto muito particular por um tom definitivo e categórico, a par de uma reflexão bastante esquemática e mecânica acerca dos fenómenos sociais. Dir-me-ão alguns que se trata de um lastro transportado de uma tradição para outra. Avanço pelo contrário a hipótese de haver um lugar reservado, em todas as estruturas de poder, para reflexões esquemáticas e mecânicas, para tons categóricos e definitivos. E que geralmente as pessoas propensas a tal assumem nessas estruturas posições de comando. O marxismo-leninismo foi, a esse respeito, uma excelente escola de formação para todos os autoritários deste mundo. Tanto que até lhes custa a ideia de que o comunismo é precisamente a negação de toda a autoridade e de toda a separação, uma crítica radical de todas as formas de poder. Têm sempre a necessidade de o reconduzir à sua forma estatal e oficial de super-potência da guerra fria, às suas vulgatas e cultos da personalidade, aos seus vestígios arqueológicos. Sem isso, perderiam a posição estratégica que lhes permite, a partir de uma posição liberal, navegar nas águas plácidas do anti-comunismo. Para isso, são obrigados a contornar factos e acontecimentos, a mistificar posições, a apagar certos personagens da fotografia, porque de outro modo a coisa não encaixava.
Ao fazê-lo, sacrificando à tradição anti-comunista uma abordagem liberal do fenómeno, denotam mais fragilidades do que forças. Quando as ideias deixam de conseguir exprimir, descrever, interpretar o real, tornam-se ideologias e têm os dias contados enquanto força actuante. Aquele editorial do Público de ontem pode bem ser apenas um epitáfio. Não da revolução, mas dos seus coveiros.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:57 PM | Comentários (5)

Daniel Oliveira e a luta contra os nicknames cibernéticos ou Coisas que eu só posto a coberto do anonimato #2

[Com a preciosa colaboração de Chuckie Egg]

Publicado por [Joystick] às 03:30 PM | Comentários (3)

Revolução de Outubro

O Editorial de ontem do PÚBLICO sobre a Revolução de Outubro é uma aberração completa. Sob a capa de intelectual ex-comunista arrependido, o Director do jornal impinge uma série de teses absolutamente distorcidas e desonestas.

No fundo, José Manuel Fernandes, desde jovem, entendeu a Revolução e o Comunismo daquela maneira: Um grupo de revolucionários profissionais que, pela calada da noite, toma o poder e instala o terror para começar a construir uma sociedade nova, utópica, a partir do zero. (por incrível que pareça, julgo que não estarei muito longe da citação exacta).

Dir-me-ão o costume: “mas ainda compras o Público?”; “mas alguém minimamente inteligente liga alguma coisa àquilo que aquele estúpido escreve?”. Estúpidos somos nós! A verdade é que este é um dos homens mais influentes do país. Para além de Director do “jornal de referência” em Portugal, é professor de mestrados na UAL e na NOVA, consultor em várias fundações e institutos, pivot múltiplo em trocas de influências que estão para além da nossa imaginação.

Por exemplo: quem responde como deve ser a este editorial?

Publicado por [Saboteur] às 10:59 AM | Comentários (3)

Sou só eu que acho curioso o Público, a propósito da Revolução de Outubro, citar um historiador chamado Neves?

Publicado por [Saboteur] às 10:58 AM | Comentários (2)

Coisas que eu só posto a coberto de um pseudónimo

E com quem é que eu vi a Isabel Castro, histórica dos Verdes e agora semi-dissidente?

Publicado por [Saboteur] às 10:40 AM | Comentários (8)

novembro 07, 2007

Poesia de rua #21.1

Algures numa parede dizia-se que o Gonçalo é gay.


Algures na contracapa de uma edição de 1949 do Fiesta (ou The sun also rises) do Hemingway, que aliás só recomendo para fanáticos, dizia-se:

"There are also many gay and exuberant scenes, particularly at the fiesta at Pamplona - the fight with the matador, the dance in the streets, the tensely exciting events in the bullring."

Publicado por [Renegade] às 09:20 PM | Comentários (0)

Orçamento Vaudeville - a política como teatro burlesco

«Isto não é o Parque Mayer». José Sócrates, debate parlamentar de ontem.

Santana falou em jeito de western spaghetti sobre número de balas nos revólveres. Paulo Portas comparou a cena ao Canal Memória. Jerónimo de Sousa fez comédia com deixas como "porreiro pá". E Francisco Louçã, sempre literário, falou sobre um pôr-de-sol e outros décors e pediu a devolução de bilhetes.

Foi um desfilar de técnicas dramáticas, baseadas em princípios de eloquência e telegenia. A imprensa adorou, como sempre adora estes processos miméticos entre a pseudo-plítica e o pseudo-jornalismo. Ler o destaque do Público é como ler uma crítica teatral a um espectáculo burlesco, onde há parágrafos dedicados à direcção de cena e de actores: «O ex-primeiro-ministro usava o mesmo registo que normalmente iniciava as suas famosas intervenções nos congressos do PSD. percebia-se que estruturara o discurso em crescendo: uma entrada suave, pose blasé, a voz colocada, pausada, depois introdução do tema central, contra-argumentação, e por fim a artilharia pesada, a retórica, a libertação da voz, dos gestos, dos sentimentos, até ao clímax final e à apoteose das massas». O meio é a mensagem. O MEIO É A MENSAGEM E ISTO NUNCA FOI TÃO CLARO!

Eu queria ter a política de volta. Eu queria ter o jornalismo de volta. Eu queria ser cidadã de uma comunidade onde o Hamlet se veria num teatro e a democracia representativa num hemiciclo (e outras democracias noutros sítios), e onde as notícias sobre o Hamlet viessem na secção cultural e as dos debates parlamentares no destaque de política nacional. Eu estou farta deste papel de pseudo-cidadã-espectadora-decifradora (e isso é se tiver dois dedos de testa!) de artifícios semânticos, de esquemas cénicos, de teatralidades políticas enquanto fodem o que restava de democracia à espera que eu me entretenha enquanto o fazem.

Publicado por [Joystick] às 12:07 PM | Comentários (7)

Retirem os cartazes da rotunda do Marquês!

Quando vocifero contra os tags e as pichagens, há sempre um esquerdalho mais afoito que diz: “E a publicidade que alastra por todo o espaço público? Não é poluição visual?”

Ó meus amigos... Estou de acordo!

Comece-se por proibir os outdoors no Marquês de Pombal. É uma das artérias mais emblemáticas e centrais da cidade. É raro alguém conseguir ir a Lisboa sem passar por lá.

Já não bastava termos todos que levar com o cartaz das bestas dos Skins, temos agora que levar com um cartaz alusivo às guerras da Distrital do PSD?!

O Outdoor diz "Lisboa é Para Ganhar!” e vem assinado Helena Lopes da Costa, uma Santanete/Menezista, que disse um dia que passou por grandes privações quando foi Vereadora do Santana/Carmona na CML.

«Passei a ter despesas brutais com idas a recepções, jantares e apresentações, porque infelizmente, uma mulher-política é obrigada a vestir-se bem, a variar a roupa e nos adereços, porque toda a gente repara e fala. Era obrigada a gastar entre 200 a 300 contos por mês, coisa que jamais gastaria se só desse aulas, por exemplo»

(A citação é do 24 horas. Sem Link)

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Publicado por [Saboteur] às 10:44 AM | Comentários (2)

novembro 06, 2007

O activismo exige nomes

uma pequena lista de activismos e activistas desleais (ver comentário de Daniel Oliveira no post abaixo)

- Subcomandante Marcos - O blah blah romanticoide do delegado zero nunca me entusiasmou por ai além, mas Marcos e o seu cachimbo adornam mil e uma t-shirts da malta

- Tute Bianche / Disobbedienti - Os herdeiro de uma certa tradição autónoma Italiana que como táctica de superação do debate legalidade / ilegalidade procuraram encontrar um termo de desobediência civil activa que no entanto não estivesse sujeita aos quadros legais e "espectaculares" do Black Bloc, por exemplo. Os Tutti Bianchi vestiam-se todos de branco e através de PVCs e espumas protegiam-se das cargas policiais ao mesmo tempo que avançavam contra elas. A táctiva foi depois aproveitada por inúmeros grupo em Espanha, Inglaterra e Estados Unidos. Depois de Génova mudaram o nome para Disobbedienti e suscitaram alguma polémica ao surgirem acusações que combinavam e discutiam previamente as suas acções com a policia e que as organizavam para durassem apenas o momento das fotos dos jornalistas. São predominantes no norte de itália e bastante próximos da rifondazione.

- Indymedia - Na agência de noticias alternativa, com ramificações em todo o mundo nenhum editorial aparece assinado com um nome "legal". Obviamente que no newswire tal também não acontece.

- Reclaim The Streets - As festas de rua surgidas em Inglaterra que marcaram o tom festivo que se tornaria o das grandes mobilizações no-global. Quase toda a gente ia mascarada.

- Mayday / S. Precario - A rede europeia do precariato rebelde, cujo imaginário o Bloco recentemente usurpou, lança comunicados em nome de uma figura inexistente, San Precario. Também se inscreveram na semana da moda de Milão em nome de Serpica Naro, anagrama do seu nome, uma inexistente estilista japonesa. Quando chegou a altura do seu desfile assaltaram o palco e fizeram a sua propraganda. Os textos fundacionais do Mayday também estão assinados ou colectivamente ou por pseudónimo.

- Luther Blissett / Wu ming - Uma fraude mediática surgida em Itália cujas façanhas são demasiado longas para contar aqui, fica o link da entrada na wikipédia.

- Black Bloc - O terror dos burocratas, centenas de anarco-nihilistas enraivecidos com violência nas mentes e pedras nas mãos. O seu único propósito é a violência e a destruição, o seu único obejctivo o caos e a anarquia. Desleais com a democracia não respeitam nada nem ninguém, nem sequer comentadores politicos de esquerda.

São só assim os que me lembrei de repente, alguns serão grupos minimos outros, como os tutti bianchi, moveram milhares de pessoas. Em cada entrada está o link para a wikipédia inglesa.

Publicado por [Party Program] às 12:13 PM | Comentários (10)

novembro 05, 2007

Vamos todos Dar a Cara!

Um pequeno aparte do Daniel Oliveira fez ressurgir a questão da “cara” exigida pelo Pedro Sales num post algures ai abaixo. Reiterando de forma mais suave e contida a angústia sentida pelo Sr. Sales face a um comentário assinado por um nome obviamente falso Oliveira afirma “porque sim, o activismo exige nomes” sem explicações posteriores. Presumo perceber no entanto o raciocínio que leva Oliveira a tão contundente afirmação: o anonimato abre a possibilidade de fazer afirmações sem que seja julgado por elas e tal condição deslegitima civicamente a voz que o faz, excluindo-a de um verdadeiro debate público e consequentemente da política. A priori não partilho dos entusiasmos de Oliveira relativamente ao “debate público” ou à existência ou validade de uma arena de discussão cujos tramites de participação afiram alguma credibilidade ou representatividade à discussão que ali é feita, mas isso será talvez outra história. O que não percebo realmente é que se considere a adopção de uma identidade confirmável em notário enquanto pré-requisito para exercer algum tipo de activismo. A questão da identidade foi alvo de mil e uma reflexões e práticas, do subcomandante marcos aos tutti bianchi, dos manifestantes mascarados aos pseudónimos das clandestinidades e das guerrilhas, passando pelo Luther Blissett. Face a todos exemplos, presumo familiares a maioria dos leitores e próximas às referências do partido onde milita Oliveira, espanto-me como é que este se apronta a afirmações como as acima citadas, ainda mais num contexto identitário que se assume herdeiro de uma tradição de esquerda. Oliveira é arguto, esperto e eloquente QB, mas manda postas de pescada sobre tudo e é inevitável que grande parte delas sejam barbaridades originárias de um conhecimento superficial dos temas em questão. Cada vez que leio algo que escreve sobre Espanha, Itália ou movimentos sociais à esquerda do BE e alheios à representatividade parlamentar ou “cívica” já sei que vai sair algo bastante superficial e até ignorante.



Na foto: Pamela anderson dá corajosamente a cara por aquilo em que acredita!

Quanto a Sales o seu comentário explica perfeitamente a pertinência do anonimato, Sales terá sentido próxima a provocação sobre o infame comportamento do bloco de esquerda e possuído por alguma raiva que esperamos momentânea dispara atribuindo o meu anonimato a uma preocupação com uma hipotética carreira académica. E portanto das duas uma, Sales não me conhecendo (não tenho carreira académica, e se a tivesse aqui onde vivo ninguém perceberia o que escrevi em Português) quiçá suspeita de alguém especificamente e zás ataque pessoal, ou Sales não tem a mínima ideia de quem seja o blogger e dispara ao calhas esperando ferir alguma susceptibilidade pelo caminho. Em nenhum momento responde ao que foi dito. De qualquer dos modos é uma atitude que visa perseguir uma afirmação sem lidar com ela: é uma atitude repressora. Felizmente Sales não assusta ninguém.

Para acabar quero só afirmar que de certa maneira percebo que para Oliveira e Sales seja algo importante assinar, respectivamente, Oliveira e Sales. Tanto quanto sei, não que encontre A priori algo de errado com isso, ambos vivem do seu “activismo”. Desejo-lhes fulgurantes carreiras, heroicamente susceptíveis de serem abaladas pela exposição pública das suas polémicas opiniões, mas se relativamente a Oliveira já expressei as minhas dúvidas em relação a Sales tenho poucas. Só lhe quero dizer, ainda que não acredite, que me chamo realmente Party Program, João Luís Party Program Silva. Juro. E como Pamela e outros antes de mim dou a cara pela revolução. Sou eu na foto.

Na Foto: João Party Program afirma que Bloco se comportou de forma vergonhosa

Publicado por [Party Program] às 06:26 PM | Comentários (27)

Poesia de rua #21

gay.jpg

Sinal dos tempos ou de que as classes existem? (Foto tirada em frente ao colégio dos Maristas...) Na minha escola escrevia-se: "O Gonçalo leva no cu" Não havia sobrenomes nem estrangeirismos.

Publicado por [Saboteur] às 11:32 AM | Comentários (1)

Pensar o Comunismo

Chamo a vossa atenção para o texto de Paulo FidALGO, Presidente da Associação Renovação Comunista. A forma como escreve é não é fácil de ler (diria mesmo chata), mas o conteúdo é extremamente interessante.

É o Estado e o seu sector económico o Santo Graal do comunismo ou tem pelo contrário sido um substancial embuste e mistificação do sonho socialista? Como olhar o Estado e a sua economia na URSS, o lugar do planeta onde a estatização foi mais longe na história? E que lições daí retirar para o programa comunista hoje?

Publicado por [Saboteur] às 11:30 AM | Comentários (2)

novembro 04, 2007

Estes publicitários são uns exagerados!

É impressão minha ou só o CDS está muito preocupado com o novo estatuto do aluno? Vocês vêm mais alguém preocupado com o facto de que determinada criança, após ter ultrapassado o limite de faltas, possa ainda passar de ano se tiver positiva num exame final?

Ainda assim, o PÚBLICO, no "Sobe e Desce" de sexta-feira, põe Valter Lemos para baixo, dizendo que "nenhum português" entende esta medida; e põe Paulo Portas para cima, dizendo que "tem dominado nos últimos meses a oposição ao Governo", dando como exemplo que "não largou nunca a questão do Estatuto do Aluno".

Eu sempre disse que Jerónimo Sousa exagerava quando disse que a grande manifestação de dia 18 da CGTP iria ficar "na memória dos tempos", mas o PÚBLICO exagera mais, ao pôr o mais apagado dos deputados a liderar a oposição ao Sócrates nos últimos meses.

Publicado por [Saboteur] às 11:54 AM | Comentários (1)

novembro 02, 2007

A propósito do comentário do Rui Faustino

Vou seguir o desafio do Samuel, no post abaixo, e escrever sobre a questão importante que o Rui Faustino aborda.

Começo por dizer que a questão é importante mas o comentário que o Faustino anda a espalhar pela blogosfera é uma merda.

O Rui, face a um problema complexo, aproveita para reafirmar o que sempre disse: Não devia haver acordo em Lisboa, o BE nunca deveria assumir responsabilidades para governar nada, a revolução vai fazer-se qualquer dia, até lá é ir gritando contra as injustiças… pelo caminho, os ataques de sempre à Direcção do seu Partido, a dizer que Louçã “jurou” e “chegou ao cúmulo de acusar…” enfim…

O que é preciso ver aqui é o seguinte:

1 - Nem todas as avenças são de manter. O esquerdista exaltado grita “desgraçados dos precários!”. Mas um revolucionário honrado constata que na Câmara paga-se 3.500 euros de avença a uma jurista, que foi lá posta a ganhar isso porque tinha o cartão de um partido. “Se mandarem embora essa gaja, nós vamos lançar foguetes a comemorar”, disse-me um trabalhador. “É importante para a própria motivação do pessoal que certas pessoas se vão embora. Está cá a recibos verdes um velhote que é pai de um assessor do Pedro Fiest” (Vereador com pelouro no mandato anterior), disse-me um ex-dirigente sindical.

Para além disto, é necessário compreender que nem todos os recibos verdes são precários. Há prestadores de serviços que são realmente prestadores de serviços (1 médico que dá umas horas de consulta na CML, p.ex) e que caso vejam a sua avença cancelada, perdem um cliente e não um posto de trabalho.

2 - Neste grupo de 125 rescisões, foram, no entanto, incluídos trabalhadores precários como o Rui Faustino. Conheço um caso, mas sei que há mais: Uma funcionária da CML contou-me que a filha entrou para a câmara em 97, a recibos verdes. Foi ela que conseguiu na altura “arranjar” este emprego para a filha (reparem que os recibos verdes não necessitam de concurso como a função pública). Tem estado sempre a trabalhar como contínua e agora recebeu uma carta de rescisão.

Ou seja: O PS fez mais uma das suas. Cada vez mais parecido com o PSD, quando confrontados com dificuldades financeiras, os xuxas, fazem aquilo que está na moda fazer, aquilo que lhes disseram que se devia fazer: Cortar em despesas com pessoal, mandar para a rua avençados, como quem decide que vai passar a comprar menos papel de fotocópia... "Socialista" só de nome.

O que se passa é que face à falência da CML, foi pedido aos Directores Municipais que avaliassem que avenças é que deviam ser rescindidas. Assim, para além de algumas situações referidas no ponto 1 (não todas, infelizmente), foram também incluídos trabalhadores que desempenham funções que a CML que não são claramente necessárias.

Sobre estes casos não tenho dúvidas que é imoral rescindir estes contratos. Pelo contrário, essas pessoas deveriam entrar para o quadro da Câmara. “São dinheiros públicos desbaratados” dirão alguns. Mas e os carrões para Vereadores, adjuntos, etc? E os salários dos assessores? E a “loja da juventude” aberta no centro comercial Aqua Roma que só serve para transferir dinheiro da Câmara para privados? E todo o desperdício de dinheiro que existe na Câmara? Por onde se deve começar a cortar então?

Nunca tão poucos votos fizeram tanto na Câmara

O Bloco, neste caso, está a fazer o que deve ser feito. Apesar de ser uma força política pequena (teve pouco mais de 6% dos votos) está a fazer mais do que PCP e Roseta justos:

Ter ficado escrito na proposta de Plano de Saneamento Financeiro, que não haveriam rescisões de contratos de avença que fossem contratos de trabalho encapotados ajuda ou não ajuda para esta luta?

Aparecer publicamente o Bloco e o Vereador do Ambiente e Espaços Verdes a exigir saber quais os critérios que levaram à rescisão destes 125 contratos e exigir a nulidade das rescisões feitas à revelia do estabelecido, está ou não está a ter impacto na comunicação social e logo na correlação de forças dentro da Câmara?

O Bloco ter exigido que se avance para a integração dos recibos verdes precários no quadro da Câmara antes de se iniciar o processo de Orçamento para 2008, é ou não é uma pressão adicional para que isso aconteça?

Um debate com barbas

O debate é no fundo antigo: à esquerda só interessa a luta “por fora”? Eu acho que não. Acho que a esquerda tem muita margem de manobra para conseguir no concelho de Lisboa grandes vitórias para a causa dos trabalhadores, nomeadamente acabando com a imoralidade que é ter-se transformado a CML num autêntico centro de emprego para militantes dos partidos no poder.

Pode ser que qualquer dia a esquerda deixe de ter essa margem de manobra e que as perdas, para o Movimento, de se estar a lutar “por dentro” sejam maiores do que os ganhos. Mas por enquanto, não e não. Pelo contrário Roseta e PCP deveriam ter também assumido pelouros na CML. Do que é que estão à espera? Que o PSD volte à Presidência e continue a destruir tudo?

Publicado por [Saboteur] às 05:31 PM | Comentários (10)