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setembro 08, 2007

Quid Pro Quo

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Enquanto condenavam acções de cara tapada, Francisco Louçã e o BE desceram nas sondagens, enquanto que o PCP e PS subiram. Se, num mero exercício académico, partirmos do princípio que há ligação entre estes factos, não deverá o BE reflectir sobre a sua estratégia de crescimento eleitoral? Lendo mecanicamente os números, não será legítimo concluir que o eleitorado à esquerda prefere mais um PCP que condena tudo o que não controla do que quem o imita e que o eleitorado ao centro prefere mais um PS à direita do que quem, desajeitadamente, cai nas suas rasteiras?

Quando alguém se propõe ser a «esquerda popular e socialista», não era melhor sê-lo? É possível ser «popular e socialista» sem questionar radicalmente o capital, o trabalho, o estado e a vida quotidiana nas condições capitalistas? Será assim tão descabido considerar que o ataque ao milheiral se enquadra nesta perspectiva de transformação radical? Se assim for, não será mais interessante centrar o debate na discussão sobre se aquela acção contribuiu positivamente ou não para esses objectivos, em vez de chamar imbecis aos activistas envolvidos e de resolver o assunto com a condenação moral das caras tapadas?

Publicado por [Manic Miner] às setembro 8, 2007 12:47 PM

Comentários

Calma, as sondagens "valem o que valem", não é o que se costuma dizer.

O mais interessante é a "maioria absoluta do PS", 45%.

Publicado por [josé Manuel Faria] às setembro 8, 2007 02:34 PM

Benvinido Manic Miner! Espero que seja para ficares e não só para responder à Provocação que te fiz lá em baixo... Desculpa lá postar por cima de ti mas acho que tenho um "furo".

Um grande abraço.

Publicado por [S] às setembro 8, 2007 03:24 PM

Tem graça que a sondagem da Marktest publicada ao mesmo tempo pelo Correio da Manhã diz:

A- o PS perde quase 4 pontos
B-o BE perde 0.1 ( sim sim ZERO VIRGULA um por cento)
C-O PCP sobe poucas décimas
D-Os únicos ditigentes partidários acima da tona de água são Francisco Louçã e Jeronimo de Sousa, com Francisco Louçã com melhor opinião que o chefe do PCP.

Lá se vai a argumentação do amigo pelo cano abaixo...

È que tentar justificar as nossas analises politicas, com sondagens, tem destes problemas

E a sondagem da Eurosondagem tem uma valente contradição

O Socrates e o Governo em queda e o PS a subir, o que é que o amigo diz disto...

Que os portugueses não gostam do Socrates do PS , do Governo do PS, mas gostam do PS , alguem percebe, talvez se se disser que a Eurosondagem está ligada ao PS .....

Quanto á guerra das maçarocas e a sua influencia no pais real , ela foi praticamente nula.

Entre crianças inglesas desaparecidas, atletas portugueses aos saltos, fogos, desemprego, e contas para pagar , com dinheiro que não chega, a única maçaroca com que os portugueses se preocupam realmente, é aquela com que se compram os melões....

Publicado por [a.pacheco] às setembro 9, 2007 04:23 AM

Duas rectificações ( a hora justifica certos lapsos)

A sondagem do C.M. é da Aximage
O PS desce 5,8

Publicado por [a.pacheco] às setembro 9, 2007 04:56 AM

Pois é a.pacheco, tem toda a razão quanto à análise das sondagens. Deve ser porque me é absolutamente indiferente a posição relativa de cada força partidária nas sondagens que não consigo ir além destas análises superficiais dos números. Tem também razão sobre o impacto no «país real» do caso das maçarocas. Só que isso tudo torna ainda mais bizarras as posições do BE sobre o assunto: é que se não era para aumentar a popularidade, a posição nas sondagens, a capacidade de atracção eleitoral, a aproximação ao centro, não haveria então nada de esquerda para dizer obre o caso?

Em todo o caso, sobre a magna questão da «esquerda popular e socialista», ficámos na mesma.

Publicado por [Manic Miner] às setembro 10, 2007 09:08 AM

Caro Manic, incapacidade minha ou não entendi peva do que quis dizer.

Eu limitei-me a constactar qua sua analise cai pela base, quando tenta justifica-la com uma sondagem da Eurosondagem ,quando outra da Aximage diz exactamente o contrario.

Quanto ás tão faladas maçarocas, olhe por exemplo em França é do proprio governo de direita, que partem iniciativaas para controlar este flagelo dos OGM .

Em Portugal como se sabe é o contrario.

Quanto á acção folclorica de Silves, que certos comentadores de direita tão bem exploraram, e que tentaram imputar a uma acção concertada pelo Bloco, a minha posição é que se não estivessemos em Agosto sem factos pliticos relevantes , tudo não teria passado de um fait-divers.

Tem razão numa coisa o Louçã NUNCA deveria ter-se prestado a dar justificações ao Mario Crespo, deveria ter sido alguem do Bloco com conhecimentos especificos da area, e sem o peso institucional do Louçã , que deveria ter feito esse papel, olhe até poderia ter sido o Miguel Portas, que de algum modo desencadeou toda esta confusão.

Quanto á sua frase de aproximação ao centro, isso deve ser alguma miragem sua, alías eu conheço posições de esquerda e de direita, centro NÂO È NADA.

E para ser coerente com a sua analise o caro Manic, deveria dizer aproximação á direita.

Que como é óbvio o Bloco NUNCA fará, tal como espero que seja sempre capaz de traçar o seu rumo sem ir areboque de pseudo-esquerdistas, ou de saudosos do PCP, não sei se me entende.....

Publicado por [a.pacheco] às setembro 10, 2007 02:38 PM

muito bem manic miner.Muito bem

Publicado por [Jó] às setembro 10, 2007 05:55 PM

O que é que não percebe exactamente, a. pacheco? Utilizei a palavra centro no sentido em que é utilizada mediaticamente, não como um espaço de definição política e ideológica, mas como a faixa fluída do eleitorado, habitualmente disputado pelo PSD e PS, que determina as maiorias nas eleições. Naturalmente que, se não quiser sair do maniqueísmo esquerda/direita, eu poderei utilizar a expressão direita. Acho, em todo o caso, que não define com precisão o que pretendia dizer.

Um partido político, para crescer no seu habitat natural, que é o terreno da disputa eleitoral, tem que contemplar na sua táctica política, a aproximação a esta faixa. Faz parte do jogo. Daqui resulta que, para crescer eleitoralmente, é indispensável substituir um posicionamento político e ideológico marcado pelo hibridismo da táctica (como acho que aconteceu no caso do milheiral). É inevitável. É aqui que reside, na minha opinião, a contradição fundamentl da forma-partido e do sistema de representação partidária. Ele é, em si mesmo, sempre, a sua forma final de reprodução. Nesse sentido, a expressão partido revolucionário (ou socialista e popular) é uma contradição nos termos. Os partidos políticos são sempre reformistas e, logo, intrinsecamente conservadores.

Obviamente que é tão respeitável ser reformista como ser outra coisa qualquer e que, apesar de tudo, prefiro o reformismo do BE do que o do CDS ou do PSD, mas apenas da mesma forma que prefiro que não chova quando saio à rua.

Já agora, só para entender, qual o rótulo que acha que me serve melhor: pseudo-esquerdista ou saudoso do PCP?

Publicado por [Manic Miner] às setembro 11, 2007 09:02 AM

TYVM you've solved all my proeblms

Publicado por [Cherilynn] às maio 25, 2011 07:51 PM

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