« O que tu queres sei eu Zézinha | Entrada | Brave new world »

setembro 14, 2007

(ou não-pago)

" O surrealista não é um mártir da ciência ou de qualquer outro mito aceite pela sociedade dita organizada, nem um combatente pago (ou não-pago) para servir ordens emanadas de qualquer partido ou organização mais ou menos política ou filantrópica. O surrealista usa o seu próprio mito, venha ele das cavernas dos anões de sete olhos ou das máquinas de costura antiquíssimas, serve-se do seu mito particular para seguir pelos caminhos tenebrosos e ainda por descobrir onde existem pontes de velhos manequins, e usa-o conforme a sua necessidade e furor pessoais dentro do meio em que por acaso existe, sem procurar o martírio merdoso heróico-patriótico dos homens de partido. Por isso as actuações têm de se adaptar ao local em que se situam. Por isso a nossa afirmação de que, em Portugal, não é possível a existência de qualquer agrupamento ou movimento dito surrealista, mas de que apenas poderão existir indivíduos surrealistas agindo, por vezes, em conjunto.
Debaixo de qualquer ditadura (fascista ou estalinista) não é possível uma actuação surrealista organizada sem as respectivas consequências de represálias policiais e portanto sem o aparecimento dos respectivos mártires e heróis. A acção surrealista, neste caso particular, está limitada a uma série de actos que poderíamos chamar de guerrilhas, ou a um acomodamento reaccionário com os respectivos ministérios de PROPAGANDA. Das duas posições é, sem dúvida a primeira a única possível, embora, por vezes, bastante difícil de manter."

Mário Henrique Leiria, João Artur Silva e João Cruzeiro Seixas, Abril de 1950

Publicado por [Rick Dangerous] às setembro 14, 2007 10:02 PM

Comentários

Just the type of isinght we need to fire up the debate.

Publicado por [Chelsi] às janeiro 19, 2012 02:02 AM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)