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setembro 17, 2007

Balanço de uma viagem...

Québec estranho: Um dia comprei uma garrafa toda xpto para a água (toda a gente tem uma!!!)... Tendo no interior uma mini bandeira canadiana! Pendurei-a sem grandes reflexões no meu quarto. Mal podia imaginar que isso podia trazer algumas indisposições no ambiente da casa. Claro que estou a enfatizar a indisposição, mas a bandeira foi logo notada e alvo de críticas. Para me defender, com uma voz séria, disse: “Vive le Québec libre”! Apaziguei as coisas! A partir deste episódio fiquei consciente de que não me encontrava em território canadiano mas em território Québecois. Não se trata apenas de uma divisão linguística, mas também cultural e territorial. Como qualquer identidade, esta transforma-se e desenvolve-se em relação e diria mesmo contra o outro (neste caso os anglófonos). Ser francófono na América do Norte é um processo de resistência contínuo! Este sentimento sente-se em todos os poros de Montréal, mas o que não cheguei a compreender é a fraca motivação de ideias pela independência. Sinceramente pouco discuti sobre a política canadiana e os orgãos de comunicação ajudam a isso (os telejornais por exemplo não tocam por vezes na palavra política), mas parece-me um paradoxo. Para além de algumas casas que mostram sem pejo o seu apoio aos partidos pela independência com as bandeiras québecoises (é preciso ter em conta que a bandeira canadiana versus québecoise são bem diferentes, uma vermelha e branca e a outra azul e branca!), a ideia do Québec separado do Canadá não toma forma. Não é palpável... não consigo explicar, não consigo compreender. Mesmo assim, em 1995 o resultado do referendo pela independência foi de 50,6% contra 49,4%, ganhou o não! Talvez possa assim avançar uma hipótese: Será o modelo canadiano um modelo positivo de democracia regional? Apenas estive em Otawa (capital do Canadá, região do Ontário), mas parece-me que o canadá trata, grosso modo, a região do Québec como uma “nação” independente.

USA ainda mais estranho: NYC: Manhatan, torres que oprimem as pessoas, movimento de pessoas interminável, cultura que respira pelos poros da cidade (ex°Blue Note). Fantástica cidade a cheirar e a viver uma só vez! Brooklyn, um grande mural deixa-nos (aos estrangeiros) sem folgo: “THEY WILL NOT DESTROY OUR SPIRIT”! Bronx, a segregação americana no seu mais alto nível, nunca me senti tão branca e pertencente a uma elite! Washington, cidade sem interesse, a não ser algumas festas à l’americaine em telhados com piscina em prédios de luxo, frequentadas por jovens quadros! Boston e Cambridge, cidades pequenas e engraçaditas. Campus de Havard University não aconselhado durante a noite, segundo um passante!

Parece-me negativo e pretencioso este bilan, mas passei os melhores dias da minha vida!Ei camaradas, que tal transformar este blog num guia de viagens??? Isto para dizer que este pequeno olhar de uma sociedade que tanto nos intriga poderia ser um pouco mais sociológico, néééé?

Publicado por [Shift] às setembro 17, 2007 04:21 PM

Comentários

Very true! Makes a change to see sooemne spell it out like that. :)

Publicado por [Olivia] às maio 26, 2011 06:18 PM

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