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agosto 31, 2007

Poesia de rua #6

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Publicado por [Saboteur] às 05:30 PM | Comentários (1)

Pior música, melhores debates.

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Um camarada perguntou-me esta manhã: «Vais à Festa do Avante dos intelectuais?»

Demorei alguns segundos a situar-me... Vou. Destaco a sessão de encerramento, no Domingo, sobre a "Actualidade das Ideias Socialistas", com a participação de Gregor Gysi, Francisco Loucã e Helena Pinto.

Publicado por [Saboteur] às 04:28 PM | Comentários (1)

Poesia de rua #5

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Publicado por [Saboteur] às 12:52 PM | Comentários (1)

agosto 30, 2007

Não há coincidências

Um comando da ETA e um acampamento de eco-terroristas, ambos no Algarve. A polícia anda a dormir e Mário Crespo esqueceu-se de perguntar a Louçã, olhos nos olhos, se tinha alugado o carro no aeroporto Sá Carneiro.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:22 PM | Comentários (2)

Um partido de causas


Logo depois tivemos o esvaziamento, na forma tentada, da palavra “responsabilidade”. Foi perpetrado por José Luís Arnaut, que era secretário-geral do PSD no tempo em que a Somague pagava dívidas ao partido, e que veio dizer que “assumia a responsabilidade” pelo sucedido. Se José Luís Arnaut pensa que para assumir a responsabilidade por algo basta pronunciar uma fórmula e ficar por isso mesmo, significa que nesse contexto a palavra responsabilidade vale zero. Assumir responsabilidades significa, desde logo, dar explicações desagradáveis: porque diabo andou uma companhia de construção civil a pagar dívidas ao partido? Não é fácil, está claro; mas “assumir responsabilidades” não é para ser fácil.
Rui Tavares, via Cinco Dias


Tesouraria do PSD, Instalações provisórias

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:11 PM | Comentários (2)

Fear and loathin

O Ministro da Administração Interna apelida de «eco-terrorismo soft» a destruição de um hectar de milho transgénico em Silves.
O director da PJ «admite a existência de conexões e uma possível vendetta» entre as quatro mortes ocorridas no Porto nas últimas sete semanas devido a ajustes de contas entre seguranças e empresários da noite. O último a morrer foi segurança de Cavaco Silva em 1995.
De um lado milho, do outro vidas. De um lado mãos nuas, do outro caçadeiras e pistolas. De um lado eco-terrorismo, do outro algumas relações.
De um lado o ruído mediático que tudo contagia, do outro o silêncio que a todos compromete.


Publicado por [Rick Dangerous] às 05:50 PM | Comentários (3)

Legalização de imigrantes travada

Rui Pereira interrompeu o processo de regularização que António Costa tinha lançado.

Segundo fonte do Ministério, o problema foi o grande fluxo de pedidos que entupiram os serviços e as linhas telefónicas de esclarecimento e apoio aos imigrantes.

Desde quando um serviço fecha por haver demasiadas solicitações?

“Este bar não está a conseguir dar vazão ao serviço. Os clientes chegam a esperar 1 hora à porta para poder entrar. Lamentamos informar mas amanhã não vamos poder abrir”

A ultra-direita, pela voz do ex-Secretário de Estado da Administração Interna Nuno Magalhães (CDS-PP), já aproveitou a deixa para dizer que a culpa é do Governo e das suas políticas de “abertura de portas”.

(Na foto, Nuno Magalhães, o homem que mandava no SIS, no Governo de Durão)

Neste país onde há um ou dois meses atrás os políticos choravam o decréscimo da natalidade e o Governo criava incentivos ao “repovoamento”, milhares de trabalhadores a viver e a dar o litro no nosso país, vão continuar em situação ilegal, à mercê de toda a espécie de mal-feitores que se aproveitam da sua situação precária, escolhendo-os como vítimas preferenciais.

Publicado por [Saboteur] às 03:22 PM | Comentários (1)

agosto 29, 2007

TCHARAN!

O truque é antigo. Uma espécie de ilusão inexplicável: há uma caixa, um mágico e uma partner. Serra-se e... TCHARAN! E há aplausos, ainda mais estridentes quando os Houdinis deste mundo se passeiam pelo espaço público que separa o tronco das perninhas.

Isto não é um post sobre magia é uma metáfora autobiográfica e isso é fodido.

Fiz campanha pelo SIM, militei, desfraldei a bandeira e hasteei-a no meu terraço (ainda lá está) e arreliei-me com o monópolio do discurso sobre saúde pública e choque hemorrágico.

Venderam-me o oportunismo de uma batalha de cada vez, do discurso do género como contra-producente, da diminuição da razão "escolha", da eliminação das "aqui mando eu" porque, coitadas, não percebem nada da luta política - algo que se faz cada vez mais não no campo do ser mas no do parecer - partilhando com o inimigo o mesmo problema que aqui nos trouxe: o truque da serrinha. "Depois logo se fala dessa coisa do corpo como espaço de juridisção exclusiva do indivíduo" e eu pergunto: foda-se, e agora?

Uma amiga minha estava grávida. Por volta da 13ª semana fizeram uma ecografia e um rastreio genético através de análise sanguínea. Resultado: feto com os intestinos de fora e possibilidade elevadíssima de trissomia 13. Era uma gravidez desejada e ela mesma andava louca com a ideia de maternidade, mas quis escolher abortar. Quis escolher mas não escolheu, porque isso da escolha é uma coisa que a transcendia. Era preciso uma outra análise mais conclusiva, feita dali a 2 semanas, uma análise que tem riscos para a mulher e que não caberia a ela escolher fazê-la ou não. Era para fazer e para esperar 2 semanas, retiradas a ferros à sua saúde mental, para que o feto crescesse mais um bocado, e pronto. Arranjou um projecto-piloto para um diagnóstico mais cedo. Fê-lo. Resposta em 5 dias. A médica disse-lhe que, se quisesse, lhe daria uns contactos para ir interromper a gravidez lá fora porque antes da confirmação da análise, nada feito no nosso sistema de saúde. Se o feto não tivesse trissomia 13 talvez nem fosse possível interromper terapeuticamente a gravidez com base na evidência ecográfica: os intestinos estavam de fora, sim senhora, mas poderia ser que a situação regredisse ao ponto em que uma dezena de operações neo-natais tratassem de parte do problema... ou não. Logo se veria. Talvez sim, talvez não. Também nesta fase não há hipótese para escolha. Preencheu todos os papéis solicitando uma interrupção da gravidez e esperou. Chamaram-na ao meio dia de uma terça-feira, mas tiveram de esperar até às 18h00 para uma dita aprovação de comissão ética qualquer. Depois iniciaram uma interrupção química. Durou 3 dias e meio, com comprimidos vaginais de 6 em 6 horas e com ela a pedir uma interrupção cirúrgica porque estava à beira da loucura (acabaram por fazê-la quando expirou a possibilidade de continuação de tratamento químico). Não senhora, que isso lhe fazia mais mal à saúde. "Mas eu fumo, eu bebo, eu faço imensas coisas que me fazem mal à saúde", pois faz, mas não esta. Ora, então não faz sentido? Se é uma questão de saúde, é uma questão de médicos. E agora, perceberam ao que nos trouxe o monopólio do discurso da saúde pública na campanha pelo SIM?

TCHARAN!

Publicado por [Joystick] às 03:22 PM | Comentários (8)

agosto 28, 2007

Millenium BCP - Uma solução

Para que o Jardim Gonçalves, o Paulo Teixeira Pinto e a camarilha Opus Dei não tenham tantas dores de cabeça deixo aqui uma sugestão.

“ Nationalisation of the banks has only to be decreed and it would be carried out by the directors and the employees themselves.[...] Of course, it would be the managers and the higher bank officials who would offer resistance, who would try to deceive the state, delay matters, and so on, for these gentlemen would lose their highly remunerative posts and the opportunity of performing highly profitable fraudulent operations. That is the heart of the matter. [...] It would be enough, for example, to organise the poorer employees separately, and to reward them for detecting fraud and delay on the part of the rich, for nationalisation of the banks to be effected as smoothly and rapidly as can be.”

Lenin,"The Impending Catastrophe and how to Combat It - Nationalisation of the banks" in Revolution at the Gates (Edited by Slavoj Žižek)

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 12:05 PM | Comentários (4)

Os grandes atletas da raça portuguesa

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 11:42 AM | Comentários (11)

À volta dos balcãs - Mostar

Quem ouve falar de Mostar ouve falar da ponte velha. O turismo da cidade, bem como o seu espaço urbano, desenvolve-se em torno da ponte que em 1993 foi destruída durante uma ofensiva conjunta do JNA e das milícias servo-bósnias. A ponte, repleta de turistas, impressiona muito menos que os cemitérios que cresceram espontaneamente em muitos parques e jardins da cidade. Não é preciso estar muito atento para reparar na constância das datas inscritas nas lápides tumulares. Nos anos de 1992 e 1993 a guerra fez uma colheita sangrenta. Os nomes dos mortos dizem-nos quem eram, a maioria eram bosniaks - bósnios muçulmanos - que morreram em combate ou como vitímas ausentes da guerra total que arrasou a Herzegovina. A batalha de Mostar marcou para sempre a paisagem da cidade; os edifícios destruídos e as marcas de metralha e de tiros de canhão dão uma estranha ambiência à cidade. O centro perfeito e arrumado contrasta com a envolvência urbana que permanece emersa em escombros e estuque fresco.


(Gabrijel Jurkić)

Os panfletos turísticos da cidade convidam-nos a visitar mais de 20 locais. Segundo um palavroso folheto que me veio parar às mãos havia um interessante "Cemitério Memorial dos Partizans" que merecia ser visitado, a fotografia era convidativa, mostrando um contraste cuidado entre a relva verde vivo e as lápides brancas e polidas. Chegar ao local é uma desolação. O lixo vê-se mais do que a relva, os cacos de garrafas de cerveja misturam-se com os maços de tabaco vazios e os restos das lápides despedaçadas. O memorial é um caos de lixo em que a memória ficou algures em 1990. A metáfora perfeita do desmembramento mórbido da Jugoslávia.


(Mostar Reunion Band)

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 11:10 AM | Comentários (1)

agosto 27, 2007

À volta dos Balcãs - Belgrado


Comecei na muito cumpridora Eslovénia. Tudo funciona e os cada vez mais numerosos bandos de turistas que passam por Ljubljana agradecem o rigor germânico da cidade. Os preços subiram abruptamente desde a minha última passagem pela cidade no inverno de 2006; há quem diga que a entrada em vigor do euro em Janeiro de 2007 teve alguma coisa a ver com isso. Não custa acreditar.

As dez horas de comboio que fazem a ligação entre Ljubljana e Belgrado perdem o desconforto quando entramos no perímetro da capital sérvia. Os bairros de lata que se erguem lado a lado com edifícios modernos, construídos depois dos bombardeamentos de 1999, dão uma noção de caos urbanístico e social. A maioria dos habitantes destes subúrbios degradados são ciganos, albaneses e búlgaros. É nesta periferia de casas improvisadas que mais percebemos a situação de estrangulamento económico em que vivem os sérvios.



Quando se avança para o centro da cidade começa a perder-se a noção da pobreza. Primeiro são os bairros organizados e esquemáticos construídos durante o Socialismo e depois as ruas ancestrais da Belgrado dos impérios. Os salões de beleza e as padarias são os letreiros mais visíveis nas ruas da cidade que confluem para uma grande avenida central. Alguém que chegasse directamente à avenida principal (de que não vou tentar reproduzir o nome em cirílico) julgar-se-ia numa qualquer parte do mundo, indefinida e indeterminada, tal a profusão de marcas da globalização. A cidade, barulhenta e buliçosa, sublima-se quando nos enredamos nas ruas estreitas de empedrado que se afastam do centro. Os carros – muitos yugos e wolkswagens dos anos 80 – ocupam quase todos os espaços e é difícil não temer ser esmagado por um dos inúmero veículos que percorrem a cidade a uma velocidade vociferante.

Os habitantes de Belgrado que conheci são muito orgulhosos da sua cidade e a rua é o espaço onde tudo se vive. O adormecimento pós-político ainda não atingiu a Sérvia. A situação económica e o Kosovo obrigam a que a política seja um tema de conversa opressivo no espaço público. A política é ostensiva e proficuamente iconográfica. A cara de Tito é omnipresente – t-shirts, grafitis, pins, cartazes; o druže Tito é inesquecível e a nostalgia da Jugoslavia impressiona; quantas vezes ouvi dizer que no tempo da Jugoslávia (e do Socialismo) o trabalho não faltava. Contudo, também a iconografia nacionalista sérvia se nos impõe. A frase “Karadzic – um herói sérvio” aparece um pouco por todo o lado, muitas vezes acompanhada pela fotografia do foragido servo-bósnio e as bandeiras -do país estão um pouco espalhadas por todo o lado.

(continua...)

Publicado por ["Paco" Menéndez] às 01:09 AM | Comentários (2)

agosto 26, 2007

Estamos incapazes de conter a ofensiva

A enorme onda condenação da acção da Verde Eufémia, está a transformar-se numa das maiores derrotas políticas da esquerda socialista, desde há alguns anos.

Ontem o Editorial do Expresso (“Os ecofascistas estão entre nós”) cavalgava orgulhosamente essa vitória da reacção:

“O ataque (…) tem o condão de nos mostrar isso mesmo: que o totalitarismo, a intolerância, o desprezo pela propriedade individual e outras marcas próprias dos fascismos de direita e de esquerda estão presentes e se mascaram de diversos modos”

“Seria ridículo comparar os resultados de um pequeno distúrbio às grandes matanças de Pol Pot, de Mao, de Estaline, de Hitler ou dos autos-de-fé das várias inquisições. Mas a motivação, o ‘gene transviado’ (…) existe tanto nesses actos como nas mais pequenas acções”

E finalmente um ataque de que Miguel Portas se pode orgulhar:

“É por isso que devemos combatê-las de imediato e denunciar aqueles, como Miguel Portas, que apoiam ou ‘compreendem’ (…)”

Está bem evidente a mensagem que importa fazer passar: a propriedade privada como o mais sagrado dos valores. Quem ousa desrespeitá-la, mesmo que seja de forma simbólica, seja porque motivos for, tem “genes transviados”. É ridículo comparar-se com “as grandes matanças” dos ditadores do imaginário comunista, mas compara-se na mesma e aproveita-se a oportunidade para – de passagem – meter o dirigente do BE no mesmo saco de Pol Pot.

Com editoriais como este, já não falta muito para se defender a imoralidade dos impostos sobre o rendimento ou que os protestos e as lutas populares se passem a realizar através de cartas registadas.

Imagem de uma acção de uma conhecida organização Ecofascista

Publicado por [Saboteur] às 05:09 PM | Comentários (3)

agosto 25, 2007

A Kultura Universal está de luto



Depois de Bergman e Antonioni, Prado Coelho. Que mais nos irá acontecer, Deus meu?

Publicado por [Renegade] às 05:18 PM | Comentários (3)

Pequeno contributo de apoio ao cidadão

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Segundo Mário Dias, director do Serviço de Toxicologia Forense do Instituto Nacional de Medicina Legal, os novos kits da droga podem detectar vestígios canabinoides, mesmo que tenham sido consumidos cinco dias antes.

O especialista refere que esta situação ocorre especialmente em consumidores frequentes daquela droga: Num consumidor regular, é natural que sejam mantidos elevados níveis da substância, que se vão armazenando e tornam-se mais difíceis de eliminar.

Ou seja:o consumidor pode já não estar sob o efeito da intoxicação há já algum tempo e, ainda assim, o teste dar positivo.

Os advogados servem para isto mesmo: Qualquer estagiário, qualquer advogado-amigo de-um-amigo, faz num instante uma carta ("requerimento" é como se chama?) a alegar isto mesmo.

Passados 1 ou 2 anos há-de vir a resposta e depois vão-me agradecer.

Publicado por [Saboteur] às 11:17 AM | Comentários (4)

Poesia de rua #4

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Publicado por [Saboteur] às 11:02 AM | Comentários (6)

Ai à sombra do milho verde

Tanta gente tem falado da acção directa sobre o milho transgénico. A mim, que não sei nada de genética, nem de milho, nem de acção directa, interessava-me mais ver discutido o porquê de as patentes de sementes como as que deram aquelas maçarocas estarem nas mãos de meia-dúzia de empresas multinacionais.

Imagino que a coisa funcione assim:
1. um agricultor, para maximizar ganhos, passa a plantar só milho transgénico onde antes plantava milho normalzinho da silva.
2. para não lhe ficarem atrás e porque milho leva-o o vento, os outros agricultores passam a plantar também só milho transgénico.
3. em poucos anos, a dita meia-dúzia de empresas multinacionais passa a controlar o mercado do milho e adjacentes.
4. como estas empresas também patentearam e patenteam tudo o que é espécie vegetal por esse mundo fora, o controlo sobre a agricultura cria o controlo sobre a indústria alimentar, têxtil e o mais que se imagina.
5. esse controlo passa a valer tanto como a bomba atómica.

E isto se calhar é mais importante para os equilíbrios desequilibrados do mundo do que saber se o senhor Zé vai passar fome porque uns barbudos mal-cheirosos (embora isto do cheiro também seja matéria controversa) lhe cortaram uns pés de milho.

Publicado por [Renegade] às 01:22 AM | Comentários (0)

agosto 24, 2007

Caso-Estudo: uma votação na Câmara

A votação da proposta do Bloco de Esquerda, de Orçamento participativo na CML, foi um acontecimento político muito interessante.

Uma das razões para dizer isto (sobre outras razões falarei mais tarde), foi porque um exemplo prático sobre como é que se poderão vir a construir maiorias nesta Câmara:

Bloco e PS não têm força para fazer passar sozinhos propostas contra toda a oposição. Mas a “oposição de esquerda”, terá sempre que decidir e enfrentar as consequências de - face a propostas de esquerda (vamos partir do princípio que propostas subscritas por PS+BE serão sempre minimamente de esquerda) – se votam contra, juntamente com a direita; se votam a favor, ou se abstêm, deixando, na prática, passar a proposta (7 Vereadores PS+BE > que 6 Vereadores PSD+Carmona).

Mais: Esta “oposição de esquerda” não age concertadamente. Por exemplo, no orçamento participativo, o PCP votou contra e a Roseta a favor.

Publicado por [Saboteur] às 12:31 PM | Comentários (4)

Poesia de rua #3

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Publicado por [Saboteur] às 02:08 AM | Comentários (1)

agosto 23, 2007

rezinguices de macho omega

-Sou totalmente contra a violência, mas não acho que o grupo de cidadãos tenha usado violência nenhuma. Destruíram para aí 1% do milho, levaram sacas de milho biológico para oferecer ao produtor e ofereceram-se como mão de obra para o cultivar. Se quisessem mesmo destruir a plantação tinham-lhe pegado fogo como fazem sistematicamente os activistas da Greenpeace em França. A acção foi pacífica e simbólica, e usaram máscaras porque em 2003 houve um caso grave de intoxicação de populações nas Filipinas que viviam perto de plantações deste milho, sendo detectados anticorpos no seu sangue, conforme comunicação do Dr. Traavik (Norwegian Institute of Gene Ecology) numa conferência dada em Kuala Lumpur a 22 de Fevereiro de 2004.
- Não percebo onde é que foram buscar a ideia de que a manifestação era composta por um bando de miúdos que nunca trabalharam. Eu pela TV não percebi se eram miúdos; se nunca trabalharam então pelo menos os estrangeiros não arranjavam dinheiro para cá chegar de avião, e se são assim tão amigos de charros e da preguiça não se explica que tenham posto de pé um evento para 500 pessoas num campo alentejano, com alimentação garantida, fornos solares, casas de banho secas, duches quentes, construções de taipa e uma data de workshops, como estava no programa. A mim soa-me a pessoas bem mais desenrascadas que o cidadão comum, que acha que o frango nasce no supermercado.
- Sinceramente, estou farta do monopólio de informação sobre os transgénicos e de nos quererem inpingi-los à força. Quase todos os comentários que li no Público, no DN e as demagogias no Abrupto e no Ambio são nem mais nem menos do que rezinguices de macho omega. Porque morder ao macho alfa está fora de questão. Para estes senhores é mais fácil cair em cima de um bando de pessoas ("miúdos") que teve coragem de trazer as suas convicções para a rua do que virar-se para quem devia apresentar explicações. Esquecem-se de quando eles eram miúdos que trouxeram as convicções para a rua e fizeram o 25 de Abril, agora que estão confortavelmente empoleirados? Talvez.

Polegar Verde, via Indymedia

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:37 PM | Comentários (1)

Volta sempre


Esta velha questão volta sempre, mas volta porque tem implícita um problema que é uma incomodidade para muitos: se a manifestação de Silves fosse de skinheads ou do PNR, contra uma herdade que tinha trabalhadores indocumentados do Magrebe, a GNR colocaria dois guardas a vigiá-la ou haveria um aparato bélico por tudo quanto era campo? E não haveria prisões e barrreiras policiais? E preciosismos jurídicos para explicar por que não houve detenções? E não teriamos já tido o PM com declarações veementes sobre a ordem pública e os energúmenos nazis? Pacheco Pereira in Abrupto

Esta velha questão volta sempre e são sempre os mesmo imbecis a fazer com que ela volte, comparando o incomparável. Quantos mortos conhece Pacheco Pereira, resultantes da acção de eco-activistas ou, para utilizar expressões que lhe são caras, da «extrema-esquerda», em Portugal, nos últimos 20 anos? Parecer-lhe-á necessário ressuscitar as FP's25 para compor uma simetria duvidosa entre extrema-esquerda e extrema-direita?
Esta velha questão volta sempre e volta pela única porta possível, a da desonestidade. Quem não se apercebeu ainda de que a extrema-direita tem mais do que uma ligação a negócios escuros de tráfico de drogas e de armas, à indústria da noite e da segurança privada? Quem não sabe das três mortes, desde 1989, directamente atribuídas a actos violentos de neo-nazis, bem como as inúmeras agressões protagonizadas e que só não acabaram pior porque houve uma resposta à altura?

Esta velha questão volta sempre porque quem a faz voltar se exime de entrar no plano das ideias e dos factos, preferindo pintar a seu bel prazer retratos de minorias marginais e violentas, à esquerda e à direita, que variando no seu folclore político e nos seus pretextos, se unem em actos de destruição e agressão gratuitos.
Esta velha questão volta sempre porque pessoas que se atribuem a si mesmas credencias democráticas (ao ponto de se acharem em condições de julgar os outros) e um alto grau civilizacional são capazes de comparar milho transgénico a imigrantes ilegais. Quando isso acontece, sabemos que o fascismo ganha terreno. Afinal, quem é que está a brincar com o fogo em pleno verão?

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:04 PM | Comentários (7)

De mao a pior


Pacheco Pereira ensina-nos seu blog a ceifar. Manda-nos para o campo, para ver se aprendemos algo com o duro trabalho dos camponeses, uma verdade oculta que o nosso estatuto intelectual e pequeno-buruguês não consegue descortinar. Qualquer coisa como: "Se soubessem o que custa plantar milho transgénico não o iam destruir». Pacheco Pereira gosta do trabalho manual e acha-o saudável. Pacheco Pereira não gosta de pessoas que se divertem porque a revolução não é um convite para jantar.

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:31 PM | Comentários (1)

Poesia de rua #2

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Publicado por [Saboteur] às 02:27 AM | Comentários (1)

agosto 21, 2007

Poesia de rua #1

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Publicado por [Saboteur] às 09:19 PM | Comentários (4)

agosto 20, 2007

Ludd em Silves (2)


Pacheco Pereira mostra-se mais uma vez obcecado com o que classifica de «violência da extrema-esquerda». Vamos passar por cima da inadmissível ignorância que o leva a considerar os eco-activistas de «extrema-esquerda». Relembramos o historiador Pacheco Pereira que estamos em 2007 e não em 1967, desafiando-o a ultrapassar o que parece ser o único quadro explicativo que consegue conceber para enquadrar os actos de quem desafia a lei com um discurso político anti-capitalista. Pela mesma razão que nos leva a não chamar «fascista» a todo aquele que ocupa o lado contrário da barricada.
Mas o que mais nos surpreende é o extremo desequilíbrio com que Pacheco Pereira aborda o Estado de Direito Democrático, violado, ao que diz, em Silves, mas respeitado em todos os outros sítios.

Nunca ouvimos de Pacheco Pereira referências explícitas ao que se passa na Madeira há mais de 30 anos.Serão uma parte do Estado de Direito democrático as duas ilhas que o dirigente nacional do PSD, Alberto João Jardim, governa? E Guilherme Silva, o líder parlamentar do PSD, que no parlamento regional da Madeira ameaçou um deputado da CDU, a quem prometeu dar um tiro na cabeça? E a distrital do Porto da JSD, onde há poucos anos se roubavam urnas de votos em eleições internas? Helena Lopes da Costa, cujos filhos são perseguidos no Algarve por outros militantes do PSD desde que esta decidiu apoiar Luís Filipe Menezes? Autarcas como Isaltino de Morais ou Carmona Rodrigues serão pormenores, pessoas exteriores ao PSD, militantes periféricos que por acaso se tornaram autarcas corruptos, ou imagens fiéis do que é o pessoal político da oligarquia portuguesa?
E as ligações que dirigentes e estruturas locais do PSD têm, no norte do país por exemplo, com empresários da construção civil, proprietários de estabelecimentos nocturnos, empresas de segurança e toda essa vasta economia paralela de onde parecem brotar continuamente sacos azuis? Essas zonas onde o PSD é o regime, os variados «cavaquistões», onde reina a violência doméstica e o trabalho infantill?

Todas essas falências fraudulentas, despedimentos ilegais, incumprimentos das leis laborais, acidentes de trabalho evitáveis, fogos postos onde mais tarde surgem empreendimentos imobiliários, construções clandestinas em zonas naturais, casas de luxo nas arribas ameaçadas, courts de golf em zonas de reserva agrícola? Agentes policiais da Amadora que detinham pessoas, a quem atribuíam a posse de estupefacientes provenientes de outras apreensões, para cumprir as metas traçadas pelos respectivos superiores?
Tudo isso vem ao de cima de vez em quando, aos bocadinhos, fragmentariamente, graças à carolice de algum jornalista mais sério ou a denúncias incontornáveis. Tudo isso traça o cenário de um país onde o Estado de Direito existe a espaços, quando convém, sempre do lado do mais forte, interrompendo ocasionalmente um estado de coisas bem mais prosaico, feito de relações privilegiadas e secretas, equilíbrios sociais paternalistas, poderes de facto, caciquismos e clientelas.
Tudo isso é aquilo de que Pacheco Pereira não fala, para poder clamar contra os movimentos radicais que perturbam a ordem pública e violam a propriedade privada. Todo um programa.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:59 PM | Comentários (16)

Ludd em Silves

Cem eco-ludditas de Aljezur queimaram 1 hectar de milho transgénico e alguns foram identificados. Na Rua do Carmo, há alguns meses, bem mais pessoas foram espancadas pela polícia por causa de um grafitti sem que o caso atingisse tamanhas proporções. Fazer acções com jornalistas ao lado e câmaras de filmar em abundância faz a polícia pensar duas vezes. O que sugere aos distraídos uma reflexão um pouco mais elaborada acerca do modus operandi de uma carga policial.
Comecemos pelo mais evidente: uma carga policial é a violência em estado puro, indivíduos treinados para bater sem pensar duas vezes, um conjunto de rufias de uniforme, um bando de animais. Que seria o «Estado de Direito» sem este longo, musculado e armado braço, capaz de distribuir dor e danos pelos que o desafiam? Uma declaração de intenções, uma constituição da república que ninguém cumpre.
Quem louva o Estado de Direito tem necessariamente que apagar da sua cabeça essa imagem de barbárie elementar que é o corpo de intervenção a fazer o seu trabalho. É bem mais agradável fazer a sua apologia imaginando apenas salas de tribunal e o cumprimento escrupuloso do código civil. É por isso que a violência policial decresce na exacta medida em que surgem as câmaras de filmar. O maior suporte do Estado de Direito democrático opera longe das câmaras, por trás das câmaras, ao lado das câmaras, tapando as câmaras, confiscando as câmaras e destruindo as câmaras. O segredo e a negação são o seu território natural. Acima de tudo é absolutamente inadmissível que os portugueses sejam surpreendidos à hora do telejornal por imagens que venham pôr a nu a terrível verdade subjacente a qualquer autoridade: que ela se baseia na violência, física ou simbólica, sobre todos os que a desafiam.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:37 PM | Comentários (7)

Louçã Vs Valente

Da polémica entre Louçã e Pulido Valente, que o primeiro ganhou por KO técnico sem dificuldades de maior (contra velhos gágás é fácil Chico...), retiro apenas algumas das formulações de Louçã relativamente ao espaço político do Bloco de Esquerda. Aproveito para sublinhar que acho inteiramente legítimo ser-se social-democrata mas ligeiramente esquizofrénico ter medo de o dizer abertamente e em voz alta. Compreendo o gozo que dá ver Paulo Portas ou Bagão Félix referir-se aos «troskistas» ou à «Albânia» com um esgar ligeiramente escandalizado, mas sinceramente, nem Bronstein nem Enver Hoxa o merecem.
A política do PS no governo é e será a ofensiva liberal contra a segurança social e o serviço nacional de saúde ou a escola pública, ou contra o emprego com a flexigurança. Toda a contradição entre o governo Sócrates e a esquerda socialista, o Bloco, é sobre o papel da responsabilidade das políticas sociais e dos serviços públicos. [...]
Pelo contrário, o objectivo do Bloco é destruir a hegemonia que o PS tem no eleitorado e na massa popular da esquerda. E criar assim um pólo para protagonizar e fazer vencer políticas alternativas à desagregação dos serviços públicos, que é a Bíblia de Sócrates.


Por último, o momento soviético de Louçã: E o Bloco lá tem crescido em vez de minguar e lá tem criado força social em vez de estiolar. Na organização dos trabalhadores da maior fábrica portuguesa como no referendo pela descriminalização do aborto, ou como na proposta de políticas sociais alternativas, o Bloco é uma referência.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:58 PM | Comentários (1)

Socratismo = Costismo

João Delgado conseguiu ludibriar a vigilância do esquerda.net e introduziu-se no portal do Bloco de Esquerda com um artigo de opinião a cascar no Sá Fernandes.

O truque foi simples: Este activista pela contratação de mais funcionários para a CML, mascarou-se de crítico às políticas de direita do governo PS e de pois foi só arraiar na Câmara “que passou a ser mais um ministério do governo Sócrates” (antes, felizmente, não era, pressupõe-se), que é como quem diz, arraiar no Sá Fernandes, que tem um pelouro e não aproveitou a opurtunidade para fazer um "granade confronto" com o PS (aliás, como ninguém aproveitou)...

Só acho estranho é como é que a preocupação com a falta de reforço de pessoal em “áreas carenciadas como os espaços verdes e protecção florestais”, não tenha deitado tudo por terra e impedido o seu artigo.

Numa altura em que o Governo de Sócrates intensifica a sua fúria privatizadora, ao mesmo tempo que se prepara para desregulamentar ainda mais as leis do trabalho, contra os trabalhadores, e enquanto aparecem notícias alarmantes sobre o aumento do fosso entre ricos e pobre no nosso país, João Delgado vem por seu turno deitar água na fervura e comparar tudo isto com o facto de uma Câmara, falida pela gestão ruinosa da direita, ter anulado um concurso de admissão de funcionários (lançado pelo mafioso do Carmona Rodrigues), só porque não tinha dinheiro para os pagar e porque ainda quer ver se consegue pôr os serviços a funcionar com normalidade utilizando os 11 mil trabalhadores que já lá estão.

Publicado por [Saboteur] às 01:30 PM | Comentários (5)

agosto 19, 2007

Somos todos o Rui Costa

"O Rui Costa é um adepto igual aos da bancada, mas com talento proporcional ao seu benfiquismo. Ali a jogar é mais do que ele. Somos todos nós. É exactamente aquilo que nós queríamos ser. E ele joga precisamente como um adepto jogaria: com a cabeça levantada. Nofundo ele quer é ver o jogo, não é olhar para a bola. O Rui Costa só sabe que as bolas vão mudando de modelo pelos anúncios de televisão. O maestro não olha para a bola desde os juvenis. Não precisa. A bola é que está com atenção a ele."

Ricardo Araújo Pereira, A Bola, 19/08/2007

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:58 PM | Comentários (2)

Heróis dos tempos modernos

“É mais longe que devemos ir, sem nos vincularmos seja ao que for da cultura moderna e a nada, tão pouco, da sua negação.
Não é do espectáculo do fim do mundo que queremos ocupar-nos; do que queremos ocupar-nos é do fim do mundo do espectáculo.”

Internacional Situacionista nº3 Dezembro de 1959

Por alturas dos protestos anti-cpe em frança, não me lembro se vi ou li uma frase “irada” que assombrava as paredes de uma universidade parisiense: “plutôt 77 que 68”, simples e eficaz mostrava o pensamento de alguns, fartos desse sebastianismo françês não raras vezes referido na altura pela comunicação social. Essa geração soixante-huitard com que sarkozy quer acabar, esse espírito que tem de ser liquidado de uma vez por todas a bem da nação, foi muito mais além do que esta geração francesa, ainda assim, dela não sobra nada hoje tirando o nosso próprio revivalismo ou idolatração, conforme a idade, desse passado recente.

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Ao ler a entrevista de Manu Chao ao El Pais, preocupa-me pensar que este gajo que vende agora milhões de albuns é um ícone de um movimento anti ou alter globalização e que façam dos seus fans um retrato do movimento social mais mediatizado no momento. Não são mas ainda assim preocupa-me pensar que uma possível geração 68 ou 77 de hoje em dia se revê naquele tipo de discurso. A alienação vai muito mais longe do que as telenovelas e o futebol, a religião ou a política. Imaginar que na américa latina é que se deve estar muita bem e que lá a vida é que é feliz e as pessoas mais humanas, ou que o festival de sines é melhor porque não tem musica comercial, é muito mais irritante e contraproducente do que cagar pra isso tudo e beber umas jolas a ver a bola. Já curti naqueles concertos e continuo a gostar de sines mas este apelo terceiro-mundista é paternalista e estúpido. E este manu chao é cada vez mais irritante, desde regozijar-se de andar com a moca do peyote em bairros do méxico onde outros não se atreviam a entrar, justificar as diferenças dos albuns para os concertos com as drogas que mete, é de lêr...Temos um novo Cohn-Bendit, talvez nem tanto...

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Publicado por [Chuckie Egg] às 03:44 PM | Comentários (5)

Não te confundimos, não és nem Lennon nem Giuliani...

El Manu Chao de 2007 se revuelve incómodo cuando se menciona su activismo político. "Detesto que me consideren el líder de los antiglobalización, los altermundialistas o como quieras llamarlo. Primero, es un movimiento que no admite líderes. Perfecto: lo más fácil del mundo es corromper a un líder. Segundo, nadie me ve como líder, a algunos les gustará mi música y otros pensarán que soy un payaso. Tercero, es peligroso. Estuve en los actos contra el G-8, en Génova, donde la represión fue fortísima, hubo hasta un muerto. Ahora, los policías han reconocido que tenían orden de machacarnos. No quiero que me confundan con lo que no soy y vayan contra mí".

El Pais

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Publicado por [Chuckie Egg] às 01:14 PM | Comentários (3)

Ainda vens com uma massaroca ó cabrão

Há muito que não me ria tanto a ver as notícias, se nenhum mérito tiver como luta pelo milho "original" terá certamente como entretenimento para um domingo no sofá...

Activistas destroem cultivo de milho transgénico em Silves

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Publicado por [Chuckie Egg] às 11:57 AM | Comentários (2)

agosto 16, 2007

Evocação de Jorge Nuno num snéque portuense

De volta ao "país" (na expressão popularizada por Zé Barroso) entro num snéque ali ao lado da Trindade e mando vir uma bifana e um fino. Questão de fazer tempo para o autocarro que me levará a Viana. Um velho lê o JN enquanto faz de conta que bebe um cimbalino, as moscas descansam nas paredes, sábado à tarde e não se passa nada.
Enquanto mando dois golos na super-bock e espero que a iguaria de porco me venha aterrar à frente reconheço uma cara familiar na sempiterna televisão sintonizada na RTP. É ele. O Jorge Nuno. Mas parece um Jorge Nuno mais novo, bem conservado, sem aquela carga que carregam nos olhos os acusados de crimes em processo de condenação judicial. Até parece ter recuperado uma certa aura de integridade que chegou a ter quando o FêCêPê, com Mourinho, abraçou a imortalidade temporária dos heróis da nação. Sim, sem dúvida, o grão na imagem denuncia um Jorge Nuno de outros tempos, com os calcanhares intactos, sem úlceras nervosas.

Foi aqui que associei um mais um. Por que é que no princípio de Agosto, com os campeonatos de futebol parados e a justiça de férias, um telejornal vai buscar imagens de arquivo do Jorge Nuno? Surpreendido pelo meu próprio beato estado momentâneo de alegria, constatei intimamente (não fosse o guarda Abel estar disfarçado de velho leitor de JN com um cimbalino à frente) o falecimento do Jorge Nuno: "Foda-se, o Pinto da Costa morreu!".

Um "país" novo abriu-se-me diante dos olhos. "Este não é o Portugal que deixei há 15 dias", lembro-me de ter pensado, na inconfessada esperança que outros falecimentos tivessem entretanto ocorrido. De repente, voltou a ser possível, voltei a acreditar, quase me apeteceu gritar "Viva Portugal" e trautear o Hino. Dessem-me uma caravela para as mãos que eu ia já descobrir novas Índias, uma G-3 e eu ía já para o Ultramar matar uns pretos, sei lá, ganhar a guerra.

Depois é que percebi que não estávamos a 13 de Maio. Espremi o frasco de mostarda, pedi o JN ao guarda Abel e mergulhei na leitura das últimas notícias sobre Maddie.

Publicado por [Renegade] às 05:52 PM | Comentários (5)

Foi finalmente realizado o investimento que se impunha para a segurança rodoviária

'Kits' da droga apanham nove no primeiro dia

Publicado por [Saboteur] às 01:25 PM | Comentários (6)

agosto 14, 2007

Sacco e Vanzetti


O Esquerda.net contém um dossier acerca da execução dos dois anarquistas italianos, Sacco e Vanzetti, em 1927.
O artigo de Howard Ziinn documenta o ambiente de histeria reaccionária e nacionalista em que foram executados.
Realce para o facto de, tendo sido acusados de um roubo e assassinato que, tudo o indica, não cometeram, Sacco e Vanzetti não eram em todo o caso duas almas generosas adeptas do pacifismo, do vegetarianismo e e da meditação. Estavam associados ou simpatizavam com um conjunto de anarquistas de origem italiana agrupados em torno do jornal «Cronaca sovversiva», que respondia com armas e bombas à repressão de que eram alvo os trabalhadores imigrantes, eram adeptos da violência revolucionária e da utilização de métodos de sabotagem e destruição no contexto da luta de classes. Não pretendiam ser tratados como vítimas passivas nem concebiam a sua situação social (um fabricava sapatos o outro vendia peixe) como uma fatalidade perante a qual se devessem resignar. Eram a imagem da alteridade: emigrantes vindos da periferia para o centro, proletários, anti-militaristas, internacionalistas e revolucionários. Exactamente aquilo que fazia deles uma imagem da modernidade.
Por alguma razão a imagem predominante dos italianos nos EUA tornou-se a da Máfia, uma instituição arcaica, altamente hierarquizada, típica do antigo regime.
De alguma maneira, torna-se claro que a adaptação da Mafia ao terreno social norte-americano foi muito mais fácil e natural do que a dos movimentos mais ou menos anti-capitalistas que, nos porões de navios lotados, fizeram com ela o mesmo percurso através do atlântico. O que não deixa de clarificar a natureza das relações sociais dominantes nesse terra dos livres e país dos corajosos.
Ainda Benjamin (Tese VII): "Todo aquele que domina é sempre herdeiro de todos os vencedores."


Quando Vanzetti foi preso, tinha um panfleto no seu bolso que anunciava um encontro dali a cinco dias. É um panfleto que podia ser distribuído hoje, em qualquer sítio do mundo, tão certo nos nossos dias como o era no dia da sua prisão. Declarava:
"Vocês combateram todas as guerras. Vocês trabalharam para todos os capitalistas. Vocês viajaram por todos os países. Colheram os frutos do vosso trabalho, o valor das vossas vitórias? O passado consola-vos? O presente sorri-vos? O futuro promete-vos alguma coisa? Encontraram um pedaço de terra em que possam viver como seres humanos e morrer como seres humanos? Sobre estas perguntas, sobre esta discussão, sobre este tema, a luta pela existência, falará Bartolomeo Vanzetti."

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:34 PM | Comentários (3)

agosto 13, 2007

Dedo, mão e braço na ferida


Tuesday, June 05, 2007
O Balanço da Convenção - o que ninguém reflecte
Para balanços oficiais e análises profundas, outros peditórios andarão por aí já feitos ou por fazer. A "Esquerda Comunista" põe apenas o dedo na surpreendente ferida.
Facto extraordinário da Convenção, apenas sussurrado secundariamente pelos vários vencedores (todos ganharam...), foi que dos 615, apenas 384 votaram nas moções de orientação política!
Se fossem meia-dúzia a baldar-se... percebia-se! Há sempre um baptizado, um filho numa peça de teatro, um imprevisto qualquer, mas mais de 200!!! Cerca de 1/3 dos delegados, nem sequer estava presente no plenário à hora da votação sobre as linhas políticas com que o Bloco se cozerá nos próximos dois anos. Problemas de bexiga?
Dizem-me e repito - dizem-me! pois não vejo esses número publicado no www.esquerda.net que, ainda assim, para a eleição da Mesa Nacional votaram 541 delegados. A ser assim - a ser assim... - apetece responder que
a escolha dos caminhos políticos do partido para os próximos 2 anos não é nada comparada com a escolha dos chefes!
Todavia, é fácil de imaginar: para a escolha da direcção as urnas funcionaram durante várias horas ao longo dos 2 dias... Dava para descarregar o voto, dar um pulo ao plenário, dois dedos de conversa e seguir para a praia... Terá sido?
Digam o que disserem, esta "balda generalizada" expressa, de modo ilustre, o fraco nível de consciência política do conjunto da militância bloquista. Mas com 3 ou 4 reuniões por concelhia e por ano, que mais se poderia esperar? Uma vanguarda esclarecida? Muito há por fazer. Na Esquerda Comunista, estamos cá para isso.

Posted by Rui Faustino

Publicado por [Rick Dangerous] às 08:28 PM | Comentários (7)

o novinho


O Eduardo Prado Coelho deu-te uma porrada muito grande no Diário de Lisboa, num texto que escreveu sobre Crítica de Circunstância, o primeiro livro do Luiz Pacheco...

Esse paneleiro de m**** disse que o livro tinha graça mas que não continha uma única ideia, ou seja, o Luiz Pacheco não tem ideias... Ora se isso é verdade então o problema, a culpa é da família dele... É que eu já aturei 3 gerações de Prados Coelho. O avô no Liceu Camões, por sinal fui o melhor aluno dele, mas pelos vistos não assimilei nenhuma ideia dele. Do que li do Jacinto encontrei algumas ideias mas não me devem ter entrado na pinha. Este, o novinho, tem ideias mas são francesas.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:52 PM | Comentários (8)

Tony Wilson (1950-2007)

No life at all in the house of dolls. No love lost.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:36 PM | Comentários (1)

«Já foi»

Isto agora aqui são os últimos dia do condenado. Aqui a lei é morrer devagar. Está uma a morrer ali, ou já morreu, não sei, estou eu a morrer aqui, está outra a morrer ali... A ver quem morre primeiro… “Já foi”, é o que dizem quando alguém morre. Agora já sei o que vão dizer quando eu morrer, estes caralhos.

Entrevista a Luiz Pacheco

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:23 PM | Comentários (1)

Como espectros


Há, em Torre Bela, um inesquecível momento em que os trabalhadores rurais do Ribatejo parecem dialogar, para lá dos portões da morte e do esquecimento, com Walter Benjamin. A filosofia da história torna-se então um fio vermelho que confere aos actos do presente uma outra dimensão. Nos rostos curtidos da primavera de 1975 projectam-se imagens dos mortos que, como espectros, pairam sobre os acontecimentos.

Com um megafone, Wilson, o homem que fuma cigarros atrás de cigarros, ex-emigrado em França, ex-preso por ter assaltado um banco, «um homem do povo» (como ele próprio se descreve), convoca o ódio de classe para o plenário e os trabalhadores rurais deixam de estar apenas a lutar contra o desemprego ou pela democracia. Fala-lhes do Duque de Lafões cuja propriedade se ocupa, e relembra a exploração secular que deu origem à prosperidade testemunhada. Ressuscita as gerações de camponeses oprimidos e esfomeados, antepassados ilustres de camponeses oprimidos e esfomeados.

E convoca-os para fazer pender a balança a favor da ocupação selvagem. Não se trata já de um futuro radioso a construir mas, antes de mais nada, de um passado a vingar, um ajuste de contas inadiável, um ódio no peito que não deixa respirar. O passado torna-se então uma barricada que tudo clarifica - a acumulação primitiva, o trabalho assalariado, a mercadoria, a violência, a propriedade. O presente está nas mãos do inimigo, que detém todas as armas e espera o melhor momento para as utilizar. Torna-se então necessário criar um estado de excepção, um movimento real que supere o presente estado de coisas. Torna-se necessária a revolução, o «aqui-e-agora concreto» em que os campos se afrontam e se toma em mãos o próprio destino.

Diz Benjamin, na XII das suas «Teses sobre a Filosofia da História«:
"O sujeito do saber histórico é a classe combatente, a própria classe oprimida. Em Marx ela apresenta-se como a última classe submetida, a classe vingadora que, em nome das gerações vencidas, leva até ao fim a obra de libertação. Esta consciência, que por um curto espaço de tempo readquiriu vigor no Spartakismo, foi sempre considerada inconveniente aos olhos da social-democracia. Em três decénios ela quase conseguiu apagar o nome de Blanqui, cuja voz de bronze tinha abalado o século XIX. Agrada-lhe atribuir à classe operária o papel de libertadora das gerações por vir. Ao fazê-lo debilita as suas melhores forças. Numa tal escola a classe operária desaprende, em conjunto, o ódio e a vontade de sacrifício. Porque um e outro alimentam-se da imagem dos antepassados submetidos, e de modo nenhum do ideal dos filhos libertados."

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:13 PM | Comentários (2)

agosto 10, 2007

Your own personal jesus

Jesus esclareceu ainda o que disse a Schuster no final do jogo com o Real Madrid. “Entendeu que a nossa equipa foi defensiva, mas viu outro jogo. Fomos mais equipa a jogar contra os melhores do mundo. Com os jogadores que o Real Madrid tem, é preciso jogar mais. Se não o faz, o problema é do treinador. Com os jogadores dele, dava-lhe 3-0 a acabar aos cinco”, garantiu.
Via Hotel Lisboa

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:57 PM | Comentários (2)

Bons artigos no Le Monde diplomatique

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Refiro-me, obviamente, ao editorial de Ignacio Ramonet sobre Hugo Chávez (disponível no site do Le Monde diplo) e do artigo de Ricardo Noronha, «A banca ao serviço do povo. Do 25 de Abril às nacionalizações». (não disponível on-line, provavelmente porque o autor exigia direitos demasiado elevados para a pobre cooperativa que edita o jornal)

Publicado por [Saboteur] às 04:08 PM | Comentários (3)

agosto 09, 2007

Aparatchik x 3

Na página do Bloco, três artigos de opinião acerca do acordo em Lisboa. Todos de membros da direcção (dois do secretariado e o coordenador autárquico de Lisboa) a favor do acordo. Consta que a indignação dos militantes está ao rubro. Mas é dentro de casa. Para fora, sentadinhos e caladinhos.

Já agora destaco a opinião de Miguel Portas, que como sempre se destaca pela sua mediocridade iintelectual e estilo rasteiro: Há muito, mais precisamente desde que o Bloco nasceu, que Francisco Martins Rodrigues prevê o "inevitável". E há oito anos que a previsão se engana. Agora insiste. E assim o continuará a fazer pelos anos vindouros. Sem novidade, portanto. Uma só dúvida assalta o meu espírito: a palavra "sonho". Se este é o que a presciente Política Operária descreve, porque haveríamos de andar a "perder tempo" no BE?...

Em 2001 Portas concorreu sozinho em Lisboa contra uma coligação do PS e do PCP que estava inequivocamente à esquerda de António Costa. Na altura parecia-lhe inconcebível uma aliança. Agora parece-lhe a coisa mais natural do mundo. A coligação perdeu por 800 votos, Miguel Portas obteve alguns milhares e não foi eleito (parece-me razoável sugerir que Santana Lopes terá lucrado com a situação).
Resumindo, a aliança que há 6 anos era inaceitável tornou-se agora a melhor solução para a cidade. Mas as previsões de Francisco Martins Rodrigues é que estão enganadas. Há verdades que fazem comichão. Miguel Portas deve estar com sarna.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:43 PM | Comentários (11)

O acordo da vergonha

Inesperado e chocante para muitos apoiantes do Bloco de Esquerda, o acordo assinado
pelo vereador Sá Fernandes com António Costa está na lógica do curso político do BE.
As justificações com que procura cobrir-se não resistem à mínima análise. A desculpa
de que Sá Fernandes negociou à revelia da direcção do Bloco cai pela base: se violou os
compromissos assumidos, porque não é publicamente desautorizado pela direcção do
BE? É óbvio que negociou porque lhe foi dada liberdade de acção para tal.
Garante-se, por outro lado, que o vereador do BE vai “obrigar” António Costa a
adoptar, para além de programas difusos e mais ou menos líricos, medidas de contenção
das rendas de casa. Falta saber quando isso acontecerá e quem beneficiará dessas
medidas. E falta saber sobretudo, as contrapartidas que o BE terá que pagar quando
chegar a hora de fazer face à escabrosa questão das finanças municipais e tiverem que
ser votados os esperados “sacrifícios”: privatização de serviços, cortes de pessoal, cortes
de regalias, regime de precários, etc.
Toda a pessoa minimamente sensata percebe que este acordo serve o governo, não a
oposição popular. Forçado a encontrar parceiros devido à sua escassa votação, o PS
optou por utilizar o aliado mais dócil e mais interessante para o futuro. Porque este
acordo abre, a médio prazo, perspectivas para um acordo de governo em 2009, se o PS
não obtiver, como tudo indica, maioria absoluta nas legislativas.
O acordo assinado na Câmara de Lisboa tem que ser lido como um primeiro passo para
a entrada do BE na área governativa – o sonho há muito acalentado por Miguel Portas,
Louçã e Fazenda e que só os muitos ingénuos ignoram.
Na última P.O., fazendo o balanço da V convenção bloquista, recomendávamos
ironicamente: “É bom que o PS comece a olhar com mais atenção para este ‘irmão mais
novo’, com vista a futuros arranjos de governo” porque “esta convenção marca a
entrada do BE na idade adulta, como partido do sistema, perna esquerda da social-
democracia”. Parece que não errámos.
Aliás, a deriva em que o Bloco está a ser arrastado é comum a todo o arco da esquerda
institucional, PCP incluído. Estes partidos reduziram toda a sua estratégia ao apelo
“Dêem-nos mais deputados para podermos, dentro deste sistema, ir para o poder e
governar melhor, com mais honestidade, respeito pelos interesses nacionais, atenção aos
desprotegidos, etc., etc.”
Acontece, porém, que nesta época de brutal ofensiva capitalista, a tradicional margem
de regateio de que se alimentava o discurso reformista está reduzida a zero. Agora só
vão para o poder os partidos que dêem garantias de melhor servir o mundo dos negócios
ao mais baixo custo – caso do PS. Começa a ser muito difícil convencer alguém de que
a “esquerda construtiva”, PCP e BE, alguma vez chegue ao governo, a não ser que
cumpra as exigências do capital.
Chegámos a um ponto em que aqueles que têm jogado a carta do reformismo votando
PCP ou BE se perguntam que utilidade tem esse voto. E isto anuncia a bancarrota da
utopia de um capitalismo domesticado.
O acordo do BE com o PS só agrada àqueles militantes que perderam todo o espírito de
resistência e que se sentem tanto melhor quanto mais integrados no sistema. Àqueles,
pelo contrário, que conservam o desejo de mudar esta sociedade feroz, dizemos: Foram
anos perdidos os anos gastos a apoiar a miragem reformista. É hora de iniciar um
real reagrupamento à esquerda. É hora de retomar a luta unida da esquerda real,
a esquerda anticapitalista. Estamos ao lado de todos os que quiserem trilhar esse
caminho.
5 Agosto 2007
Política Operária


Publicado por [Rick Dangerous] às 03:38 PM | Comentários (5)

As lágrimas amargas das ovelhinhas negras

Consta que alguns militantes do Bloco acordaram, surpreendidos, para um acordo entre Sá Fernandes e António Costa na CML.
Tinha a impressão de que uma campanha eleitoral havia decorrido nos últimos dois meses, e que nela Sá Fernandes tinha deixado bem clara a sua intenção de viabilizar uma solução de esquerda para o governo da Câmara. Da mesma maneira, foram avançadas condições para um acordo pós-eleitoral e, no combate ao voto útil, Sá Fernandes apareceu mais do que uma vez, ladeado por Louçã, tentando desmontar a imagem de força do bloqueio com que a comunicação social o havia pintado.
Tanto barulho parece estranho e apenas explicável pelo carácter da militância no Bloco de Esquerda.
Passo a explicar, eu militei num partido cuja democracia interna não me satisfez, mas onde o envolvimento dos militantes era real, necessário e efectivo, não apenas durante as campanhas eleitorais, mas ao longo de todo o ano. E posso não ter ficado contente com a forma com as decisões foram tomadas, mas posso assegurar que tive espaço e tempo para me pronunciar acerca da grande maioria delas. Num partido onde a militância é real e permanente, ninguém fica surpreendido quando decisões difíceis são tomadas num certo sentido, nomeadamente quando tudo apontava, desde há muito, nesse sentido.
Há militantes do Bloco de Esquerda que acordaram agora para o facto de muitas decisões serem tomadas por cima das suas cabeças. Para o facto de a sua militância ser contemplativa e passiva, limitada a umas conversas de café, uma peregrinação anual a este ou aquele evento, uma crença na superioridade moral do seu partido e um carinho muito especial pelo seu líder.
Tiveram muito tempo para se mostrar inquietos com o caminho escolhido e para discordar dele. Tiveram mais do que uma oportunidade para conduzir a campanha noutros moldes ou pelo menos propô-lo.
Preferiram ficar a ver de fora, ir ao Maxim ouvir o Manuel João Vieira, cantar «o zé faz falta» e jantar todos juntos. Preferiram ir a banhos, segurar bandeiras e vir mais cedo da praia no domingo para votar no Zé. Agora queixam-se. Estudassem.
Pior do que uma direcção reformista só mesmo as bases imbecis que choram lágrimas amargas quando tudo está decidido. Cada um tem a militância que merece. A nova esquerda nunca foi outra coisa senão um rebanho apascentado por bons pastores. Agora pintem-se tod@s de preto a ver se ajuda. Uma ovelha negra ainda é uma ovelha. Da próxima vez votem Garcia Pereira. Esse ao menos dá todas as garantias e tem um yacht.

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:46 PM | Comentários (2)

I'll jack yo' ass like a looter in a riot

Like Louie Armstrong, played the trumpet
I'll hit that bong and break ya off somethin soon
I got ta get my props
Cops, come and try to snatch my crops
These pigs wanna blow my house down
Head underground, to the next town
They get mad when they come to raid my pad
and I'm out in the nine-deuce Cad
Yes I'm the pirate, pilot
of this ship if I get with the ultraviolet dream
Hide from the red light beam
Now do you believe in the unseen?
Look, but don't make you eyes strain
A nigga like me is goin insane

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:22 PM | Comentários (3)

Música no pulmão


Chegado do sudoeste com um balde de pó distribuído entre o meu nariz, os meus pulmões e a minha roupa, interrogo-me:
1- Como é que milhares de pessoas coexistem durante 4 ou 5 dias em condições tão precárias e desconfortáveis, sem uma autoridade omnipresente, sem que se assista a uma única cena de porrada?
2- Como é que milhares de pessoas se disponibilizam a ir todos os anos a este festival e insistem em garantir que viveram os melhores dias das suas vidas?
3- Como é que uma coisa tão mal organizada (eu já estive no sudoeste em lazer e em trabalho) pode dar tanto dinheiro e ter tanto sucesso?
4- Como é que alguém (várias pessoas diga-se) monta a sua tenda a um metro de um conjunto de casa de banho móveis, quando a simples passagem pelo local, de noite, me deixa à beira do vómito?
5- Como é que a Amália chegava à praia baptizada com o seu nome e onde possuía uma casa, cujo único acesso é um longo e acidentado caminho de terra, seguido de uma escadaria íngreme num declive acentuado, à qual faltam os últimos 10 degraus?
6- Como é que a gaja dos Bonde do Rolé faz para cair de pernas abertas e continuar a dançar?
7- Como é que o Sam The Kid teve coragem para pôr o sudoeste a dançar ao som de ministars?
8- Como é que ainda há paciência para assistir a concertos de reggae todos iguais, onde o vocalista fala sempre de «one love» e «freedom for africa»? A mesma pergunta, com dupla incredulidade, no que diz respeito aos sound systems. Aqui queria sublinhar a incredulidade com que vi um grupo de betos de cascais «actuar» perante um público eufórico. Chamam-se no joke sound system, parecem saídos de uma linha de montagem de betos e têm uma página no my space. Directamente de uma vivenda com piscina, devem sacar continuamente as gajas mais giras... Consta que apoiam o acordo entre o Sá Fernandes e o António Costa.
9- Como é que alguém teve a ideia genial da cena dos head-phones do silent disco? Para os ignorantes, é um sistema que transmite directamente da mesa do dj para os head-phones distribuídos pela pista, permitindo a escolha entre mais do que um dj numa pista quase silenciosa. Simples e genial. O futuro.


Publicado por [Rick Dangerous] às 01:45 PM | Comentários (6)

Folhas Secas - A Sequela

O Spectrum dá as boas-vindas ao Clube Folhas Secas a tod@s @s militantes vencidos na secretaria política do BE.

Publicado por [Joystick] às 11:02 AM | Comentários (2)

agosto 08, 2007

"Blog da semana"

Cheguei ontem tarde a casa, com um mal estar daqueles que já não tinha desde o ano 2000.

Sem vontade de me ir deitar - pois não conseguiria dormir - estive a navegar na www e fui ver um blog que me sugeriram: Cabaret Voltaire.

Muito bom. Editores talentosos... Pena que escrevam pouco.

Destaco os textos de Nikolas Goldman.

Publicado por [Saboteur] às 11:56 PM | Comentários (6)

agosto 07, 2007

Deixem o Governo para quem sabe

Há muito tempo que o camarada Xico Martins Rodrigues não aparecia nas páginas do Público (alguma vez apareceu?).

Desta vez aparece em destaque, nas páginas da direita, com foto e tudo!

A notícia informa que ele critica violentamente na "Política Operária" o acordo Sá Fernandes/BE - António Costa/PS... Diz ele "O acordo assinado na Câmara de Lisboa tem que ser lido como um primeiro passo para a entrada do BE na àrea governativa".

Publicado por [Saboteur] às 03:36 PM | Comentários (11)

agosto 06, 2007

Já chateia a história do "medo"

Parece claro que Sócrates é um homem determinado e que gosta pouco de ser contrariado.

Parece também claro que está a criar à sua volta uma cultura de falta de flexibilidade e diálogo. Casos como o do Charrua, do outro médico lá do norte ou mesmo da Dalila Rodrigues, são exemplos disso mesmo.

Mas chateia-me que em todo o lado, desde a direita à esquerda, toda a gente aproveite a ocasião para bater forte e feio no Governo, sem ponderar um instante no facto que, apesar de tudo, devem ser caros à Administração Pública os valores como a isenção, a independência, a neutralidade e distanciamento ao “subsistema político”.

Daniel Oliveira, veio de férias e fala já em “purga”... Será que se o Director Municipal do Ambiente e dos Espaços Verdes da CML, der uma entrevista ao jornal, a dizer que o seu Vereador não percebe nada de ambiente, que a manutenção dos jardins devia ser toda privatizada e que o Plano Verde é uma utopia irrealista, será – dizia eu – que ele não acha que José Sá Fernandes deve substitui-lo por outro?

Creio que tem de haver mais cuidado nestas críticas. Acho que a esquerda não ganha nada em ir alegremente (com a direita, com o Cavaco, etc.) nesta tese de que o Governo é estalinista, que não deixa ninguém pisar o risco, etc.

Para já, parece-me uma tese claramente exagerada e que não tem aderência à realidade. Depois, desvia energias e atenções da importantíssima frente de batalha que é fazer a oposição consistente e credível às politicas neoliberais do Governo.

É esse campo que a oposição pode contribuir para a construção de uma alternativa de esquerda, enquanto no outro, mais facilmente acabamos por facilitar o caminho para o PSD chegar pela enésima vez ao poder.

Publicado por [Saboteur] às 09:44 PM | Comentários (2)

agosto 02, 2007

As declarações que vieram do espaço

Nunca a expressão “Não acredito no que estou a ouvir” me fez tanto sentido.

Ontem, ouvi na TSF Helena Roseta a dizer:

«Hoje disse ao vereador Sá Fernandes que ele me exigia um pedido de desculpas, porque todos ouviram, durante a campanha eleitoral, que ele disse várias vezes que os cidadãos por Lisboa e a Helena Roseta tinham um acordo com António Costa».

Num jantar com apoiantes, recordou que, durante a campanha para as intercalares de 15 de Julho sempre disse que nunca faria este acordo e que afinal foi o vereador Sá Fernandes que o fez.

«Afinal ele é que queria fazer um acordo e agora ficámos todos a saber afinal a quem é que o 'Zé fazia falta'»

Vejo duas hipóteses: Ou tem uma lata digna de um Carmona Rodrigues, ou, coitada, fez a campanha com tão poucos meios, envolvida em tanto stress, que, durante estes 3 últimos meses, nem teve oportunidade de ir lendo os jornais, ouvir as entrevistas e os debates ou mesmo dar uma espreitadela nos telejornais e na rádio…

Como é claro para qualquer pessoa que se tenha interessado minimamente nas intercalares em Lisboa, o Zé nunca disse nem nunca se preocupou com o facto de “Helena Roseta ter um acordo com António Costa”.

Bem pelo contrário, o que preocupou e ainda preocupa o Sá Fernandes e o Bloco é que a Helena Roseta e o PS não se ponham de acordo! Tricas entre PS e recém-dissidentes do PS são sempre complicadas, já se sabe…

Como todos se recordam também, o único reparo que a candidatura de Sá Fernandes fez à da Helena Roseta, foi de que ela esta a dar a entender que era possível uma convergência entre todos os Vereadores eleitos (ver, por exemplo este post e este no Gente de Lisboa), nomeadamente com o Carmona Rodrigues e os seus companheiros da pulseira electrónica… Tirando isso, que mais haveria para dizer, visto que o programa da Roseta, praticamente mimetiza ponto por ponto o do Bloco?

Finalmente, como todos se aperceberam, Sá Fernandes, durante toda a campanha apostou em que o PS não tivesse a maioria absoluta e que fosse fazer entendimentos à esquerda, com base num programa de esquerda para a cidade.

A única dúvida que pode ter ficado no ar até ontem era se Sá Fernandes impunha como condição (escondida, porque nunca foi mencionada) para a convergência que nela participasse toda a esquerda, ou se, mesmo só, aceitaria o acordo.

Face a isto, o que dizer das declarações de Helena Roseta?


Nota: Ver também no Blog Gente de Lisboa este apanhado de declarações do Sá Fernandes (e não só), sobre o tema da “convergência”. Bastante elucidativo…

Publicado por [Saboteur] às 03:10 PM | Comentários (7)

Cinema e esperança de vida

Em 2004 a morte de Jean Rouch foi triste para mim. Morreu com 86 anos no norte do Niger num acidente de carro. Triste destino para um cineasta apaixonado pelo rio Niger. Fui bastante sensível a este desaparecimento, pois tive a oportunidade de ter aulas com ele durante o ano lectivo 2003.
Sinto de maneira diferente a morte de Ingmar (com 89 anos) e Antonioni (com 94 anos), mas... dois num mesmo dia, equivalente à expressão 2 em 1, não deixa de ser triste. Para agravar este sentimento, nada podia ser melhor que ter como companheiro de casa um estudante de cinema que possui a colecção completa de Bergman. 30 de Julho de 2007, um dia deprimente! lua cheia? Talvez não.
Muitos artigos tentam fazer o paralelismo entre as duas obras... eu só consigo voltar a sentir uma vez mais a sessão romântica que experimentei quando vi “Profissão: repórter” ou o prazer das seis horas fabulosas que passei em frente do ecran de “Fanny e Alexandre” (realizado no ano 1982, ano em que morreram pessoas como Henri Fonda, Grace Kelly ou Louis Aragon e que nasceram pessoas como eu, ehehhe!).




Publicado por [Shift] às 04:54 AM | Comentários (2)