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janeiro 31, 2007

Nem pensar

É absolutamente fascinante a forma como os liberais deste pedaço encaram toda e qualquer medida que venha pôr a limpo a forma como foram obtidos rendimentos.
Parece-me lícito pensar que, para um liberal, a riqueza é fruto do seu trabalho honesto e por isso mesmo nada terá a temer em demonstrar a sua proveniência.
Mais ainda, para quem acha que criar riqueza é a função social por excelência da livre iniciativa, da propriedade privada e do mercado, e que deve ser uma função do Estado proteger tudo isso de apropriações indevidas, não pode senão ser um incómodo constatar que há detentores de cargos públicos que enriquecem ilicitamente.

Tudo isto me parece claro. E não é que, a propósito das propostas de Cravinho, Eduardo Nogueira Pinto insurge-se contra a inversão do ónus da prova?
Ao que parece, o Estado deve provar que a casa de campo deste ou daquele autarca ou secretário de estado foi comprada com dinheiros ilícitos, ainda que, como todos sabemos, a corrupção não seja em Portugal propriamente um negócio de amadores.
Caso não haja escutas telefónicas, documentos ou testemunhas disponíveis, paciência. "Passarmos a ser todos presumíveis culpados porque o Estado não tem capacidade para investigar é que nem pensar."

Já a simples matemática que nos leva a colocar questões embaraçosas a quem possui património com valores muito acima dos rendimentos declarados e que, por acaso, detém cargos públicos (o "todos presumíveis culpados" é a habitual dramatização - como é evidente, nem todos somos detentores de cargos públicos), é uma ameaça à liberdade.
Nogueira Pinto chama-lhe "rule of law". A que lei se refere? Evidentemente à da oferta e da procura. A corrupção não é mais do que um serviço.
Como dizia Ricardo Araújo Pereira, no "Preço certo em euros", um autarca dá sempre jeito...

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:15 PM | Comentários (2)

Em Fevereiro, vou andar por aqui...



Publicado por [Rick Dangerous] às 05:51 PM | Comentários (3)

Ja que andamos numa de lições da historia...saber largar o osso

Publicado por [Renegade] às 12:21 PM | Comentários (5)

janeiro 30, 2007

History repeats itself...

Carmona Rodrigues sente que "tem condições para governar"

E esta, onde é que já a ouvimos antes??

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Publicado por [Chuckie Egg] às 05:16 PM | Comentários (1)

Caiu da cadeira para os telemóveis...

Imaginem que recebem uma mensagem que diz, "por favor liga-me, 76010xxxx" e quando cedem à curiosidade ou preocupação ouvem "O seu voto foi para António de Oliveira Salazar. Este voto altera qualquer voto anterior feito por este telefone", avisa a gravação, usada quer seja a primeira vez que se disca aquele número, quer seja a terceira".

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Eu bem sei que os salazarentos doentios ainda não morreram todos mas nunca pensei que chegasse a este ponto. Ainda assim, não é preciso pensar muito para perceber que esta ideia não veio de alguém com 85 anos de uma qualquer aldeia esquecida no interior norte, saudosista da maçã podre...

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Ainda que não apele ao voto útil em nenhum dos outros (era o que mais faltava apelar a alguém para deixar de beber uma cuba livre para dar esse prazer à RTP), há que dar os parabéns aos mais audazes dos neo-fascistas, até já recorrem às mais vergonhosas técnicas de vendas, só equiparáveis aos vendedores da rua augusta.

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Bem que a Time se podia lembrar outra vez de nós...sim nós, aqueles que ainda gostam de tentar branquear ditadores e ameaçam com 3 anos de prisão as mulheres que interrompem a gravidez...e ainda pensam que com referendos vão sair da Idade Média e entrar directamente no sec. XXI….desenganem-se amigos, assim não vão lá...nem com revoluções quanto mais com referendos!

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(Imagem estereotipada de um português aos olhos de qualquer povo civilizado)

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:12 PM | Comentários (3)

Cinema (mas daquele bom)

Retirado de quem mais sabe sobre o assunto (bom cinema) :

Realizado imediatamente a seguir ao fim da Segunda Guerra Mundial, ROMA, CIDADE ABERTA é uma das obras-primas absolutas de Rossellini, porventura o seu filme mais emblemático ao mesmo tempo que é, também, um dos mais importantes títulos da história do cinema. Narrativa de resistência durante a ocupação nazi, com um padre e um comunista aliados na causa comum e Anna Magnani num dos seus papéis mais avassaladores - a sequência da sua morte é das coisas mais prodigiosas na obra de Rossellini. No cinema italiano, recém-saído do “escapismo” do cinema do período fascista, ROMA, CIDADE ABERTA teve o efeito de uma bomba. O seu poder emocional continua intacto. E nada voltou a ser igual. Exibiremos a cópia recentemente restaurada pela CINETECA NAZIONALE – CENTRO SPERIMENTALE DI CINEMATOGRAFIA (Roma).

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Publicado por [Chuckie Egg] às 02:19 PM | Comentários (1)

Goleada

Não dava nada por isto, mas o "Prós e Contras", como me diz o Rick, "está a ser uma goleada".

Vital Moreira está muito bem e os do NÃO estão demonstrar, esplendorosamente, a sua linha de raciocínio... não há lá trafulhices habilidosas e dissimuladas a la professor Marcelo...

Só a título de exemplo: Kátia Guerreiro já explicou, no fundo, porquê que os fascistas apoiam o seu movimento: Ela vota NÃO porque "Portugal precisa de mais portugueses".

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A propósito: Na próxima 4ª feira, às 20 horas, na TSF, debate entre João César das Neves e Daniel Oliveira. Vale bem a pena.

Publicado por [Saboteur] às 12:05 AM | Comentários (2)

janeiro 29, 2007

A rir da miséria do país...

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Publicado por [Saboteur] às 01:00 PM | Comentários (1)

janeiro 28, 2007

Concerto pelo Sim no próximo Sábado

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Publicado por [Saboteur] às 06:47 PM | Comentários (1)

janeiro 26, 2007

Nous somme tous les casseurs


Em Beirute, jovens de cara tapada com camisolas de fato de treino, calças de ganga e ténis incendeiam carros na rua e fabricam barricadas com pneus a arder. Dizem-nos que são fundamentalistas comandados pelo Hezbollah. Onde é que já ouvimos isto antes?



Publicado por [Rick Dangerous] às 06:12 PM | Comentários (4)

The frontline is everywhere

Os falcões de Israel lêem Deleuze, Guattari e Débord para melhor combater a intifada.
Máquinas de guerra nómadas, desvio, deriva, fluxo e descontinuidade são a nova gramática do Tsahal. Eles já ganharam.

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:38 PM | Comentários (0)

Para Saboteur e Joystick et pour cause

Your own personal jesus
Someone to hear your prayers
Someone who cares
Your own personal jesus
Someone to hear your prayers
Someone whos there

Feeling unknown
And youre all alone
Flesh and bone
By the telephone
Lift up the receiver
Ill make you a believer

Take second best
Put me to the test
Things on your chest
You need to confess
I will deliver
You know Im a forgiver

Reach out and touch faith
Reach out and touch faith

Your own personal jesus...

"Personal Jesus" is Depeche Mode's twenty-third UK single, released on August 29, 1989, and the first single from the then upcoming album Violator. The song was covered by Johnny Cash, Lollipop Lust Kill and Gravity Kills in 2002, Marilyn Manson, Richard Cheese, french band No one is innocent in 2004, Tori Amos in 2005, and the Dixie Hummingbirds in 2006. [...]
The song itself was inspired by the book "Elvis and Me" by Priscilla Presley. According to songwriter Martin Gore, "It's a song about being a Jesus for somebody else, someone to give you hope and care. It's about how Elvis was her man and her mentor and how often that happens in love relationships; how everybody's heart is like a god in some way, and that's not a very balanced view of someone, is it?"

Wikipedia

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:08 PM | Comentários (7)

A pôr ao bolso desde 1822

O pacote anti-corrupção apresentado por João Cravinho na A.R. foi chumbado pela sua própria bancada parlamentar. Sócrates considerou-o uma asneira e outros deputados argumentaram que as medidas propostas para fiscalizar o enriquecimento ilícito dos funcionários públicos seriam contrárias ao Estado de Direito.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:46 PM | Comentários (2)

Oops...

O PCP classificou a permuta de terrenos entre a Bragaparques e a Câmara Municipal de Lisboa como "um negócio da China".


Publicado por [Rick Dangerous] às 04:00 PM | Comentários (3)

Você tem-me cavalgado, seu safado!

O Assédio publicou o Manifesto sobre a disciplina legal do aborto (original aqui), da Associação das Mulheres Juristas que é, para mim, o melhor manifesto pelo SIM que já tive oportunidade de ler.

Destaco a capacidade para abordarem o "pudim" (recuperando a nomenclatura de um post anterior sobre esta matéria) ou, já que estou numa onda de recuperações de posts, levantarem o tapete, enfrentarem a merda e afirmarem «hum, isto tem de ser limpo!».

«(...) a maternidade não é racionalmente concebível como uma obrigação ou um equivoco, que a procriação e a gravidez são situações tão livremente eleitas que não podem ser entendidas como contrapartida ou castigo decorrente do acto sexual, e logo que, não deverá ser permitida uma imposição da gravidez mediante uma cominação penal, transformando num processo obrigatório aquilo que é um acto livre e voluntário.
Perante um direito à maternidade, assim configurado - alheio a todo o sentido da obrigatoriedade - ante a procriação e maternidade, caberá ás mulheres optar livremente, aceitando ou rejeitando a maternidade.
Acresce ainda que a defesa dos direitos fundamentais já referidos dá relevância constitucional à oposição, que a mulher queira aduzir, à continuação da gravidez, na medida em que a proibição do Aborto, acarretando uma compulsão à maternidade, afecta aqueles direitos, e através dela o Estado nega a liberdade individual de cada mulher poder configurar a sua própria vida, introduz-se na sua esfera da sua intimidade e obriga-a a aceitar as condições de vida que acompanham a maternidade, afectando o livre desenvolvimento da sua personalidade.
Deste modo entende a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas que, nos casos que a interrupção da gravidez se apresenta como uma situação de colisão de direitos, entre uma vida humana em formação e os direitos fundamentais da pessoa humana, a imposição da gravidez mediante cominação penal obsta à realização daqueles direitos, e como tal está ferida de inconstitucionalidade.
»

De mais nenhum movimento pelo SIM vi esta clareza e este enquadramento. Pelo contrário, e nunca é demais dizê-lo, centram-se no tacticismo e recusam o desconforto de tratar uma questão de género como uma questão de género, preferindo tratá-la como uma questão penal e de saúde pública. E às vezes parece que, na realidade, estão a cavalgar a situação, ao serem claros na restrição do discurso e na promessa de que, depois da vitória do SIM (se houver vitória do SIM), logo se fala disso. Daí o verso que dá o título:

Você tem-me cavalgado,
seu safado!
Você tem-me cavalgado,
mas nem por isso me pôs
a pensar como você.

Que uma coisa pensa o cavalo;
outra quem está a montá-lo.

Alexandre O'Neill, De Ombro na Ombreira (1969)

Publicado por [Joystick] às 03:42 PM | Comentários (3)

janeiro 25, 2007

Cada vez mais puros

O PCP não perde uma oportunidade para dizer que o BE não votou contra, na Assembleia Municipal, o negócio do Parque Mayer e que só o PCP o fez.

Parece-me que se trata da chamada "dor de cotovelo", pelo facto de hoje em dia ser o BE e José Sá Fernandes que lideram a oposição na CML.

O BE votou a favor. Se fosse hoje, tinha votado a contra, como é óbvio. O José Sá Fernandes já deve ter dito 1000 vezes ao Carlos Marques: “É pena a gente ainda não se conhecer na altura, tinha-te explicado que aquela merda é uma falcatrua pegada”.

O BE na altura não tinha praticamente experiência autárquica. Ainda hoje tem muito pouca, a comparar, por exemplo, com o PCP… E quem diz experiência, diz meios, militantes colocados nos serviços da Câmara, conhecimentos no terreno.

(Isto, já não contando com a questão que ainda não percebi muito bem sobre se tinham sido disponibilizadas todas as informações aos deputados municipais ou não)

Não me admira nada que hajam abstenções do BE da altura, que de facto deveriam ter sido votos a favor ou votos contra, tal como um ou outro voto errado.

Acho muita piada ao facto de um partido que cometeu os maiores erros históricos, assumindo depois que não tinha acesso a todas as informações, etc. (o que, diga-se, é perfeitamente normal… também eu…), venha agora achar absolutamente ultrajante e ponto central no debate sobre a Câmara, que os 2 deputados que o Bloco tinha naqueles tempos, na Assembleia Municipal, tenham errado no voto de uma proposta.

Acho também piada que o PSD repita o mesmo que o PCP: A permuta foi aprovada na Câmara e na Assembleia Municipal e o BE votou a favor.

Sinceramente, parece-me que a estratégia da concelhia de Lisboa está um bocado mal desenhada: eleger como maior inimigo do PCP na cidade o José Sá Fernandes e o BE, é capaz de afastar mais pessoas do que aproximar, por muito que os camaradas sintam depois uma grande auto-satisfação de serem os únicos que... sei lá o quê.

Publicado por [Saboteur] às 07:17 PM | Comentários (7)

Lenine descoberto na antartida

Segundo o Liberation de ontem, Lenine foi descoberto intacto na Antartida. Um busto do Vladimir Ilitch Ulianov era a unica coisa visivel de um acampamento sovietico dos anos 50 que estava 2 metros abaixo do nivel do gelo. Toma la.

Publicado por [Renegade] às 01:03 PM | Comentários (1)

janeiro 24, 2007

Para o Nuno et pour cause

"Neste momento, a questão é se nos agrada que o Salazar seja escolhido. Não levo a mal, quem diga que vai fazer outras coisas: força. Eu cá, investi, o preço de uma Cuba Livre a telefonar para o televoto. Sempre é melhor do que ficar de braços cruzados, à espera da iniciativa ideal e pura. Por exemplo, ainda estou à espera da "capital do capital" :) "
Nuno Ramos de Almeida






"Afirmemo-lo claramente. Do ponto de vista histórico, os erros cometidos por um movimento verdadeiramente revolucionário são infinitamente mais fecundos do que a infalibilidade do mais competente comité central."
Rosa Luxemburg, Questões organizativas da Social-Democracia Russa


Publicado por [Rick Dangerous] às 03:28 PM | Comentários (1)

Domingos, o bruto

Domingos Névoa é uma espécie de lupen da classe dos promotores imobiliários e magnatas da construção civil.

Tem a 4ª classe, trata dos seus negócios pessoalmente, acelerando no seu BMW Diana-killer, todos os dias, pelas auto-estradas do país...

Por exemplo: É bronco o suficiente para ter sido apanhado na curva por José Sá Fernandes. Uma Teixeira Duarte, uma Somague, já para não falar de um BES ou uma SONAE, nunca seriam apanhados numa situação destas...

Agora não tem saída. Está encurralado e vai levar uns tantos com ele…

Ainda assim, mesmo maniatado, ainda está a dar as suas últimas cornadas: A casa e o escritório de Ricardo Sá Fernandes – o irmão do Vereador – foram assaltadas esta noite.


Publicado por [Saboteur] às 03:17 PM | Comentários (4)

janeiro 23, 2007

Asseio

Os movimentos do SIM ouviram o repto do poeta futurista e tudo e, crendo que Portugal há-de ser qualquer coisa de asseado, batem-se por uma campanha limpinha, daquelas que passam o teste do algodão, que não engana, sem nunca mostrar a imundice por debaixo do tapete. Essa merda bem escondida das visitas e que, às vezes, nos relembra da sua existência, empestando o ar da latrina a que, carinhosamente, chamamos de país. Está a acontecer com a campanha do referendo e vai acontecer no programa da Maria Elisa na TV.

Publicado por [Joystick] às 12:31 PM | Comentários (2)

Grandes Portugueses, o caralho!

Há dias, Nuno Ramos de Almeida (também conhecido por Nuno Tito), postou uma espécie de manifesto de voto em Cunhal naquele concurso da RTP.

A propósito disso já ouvi duas vezes em reuniões de amigos: “Temos de votar no Cunhal, senão ainda ganha o Salazar…”

A própria Joystick estava a queixar-se que não conseguia ligar do trabalho porque o telefone não deixava fazer esse tipo de chamadas e em casa não tem telefone fixo…

Oiçam o que digo: Mais uma vez cometo uma pequena inconfidência por uma boa causa: Está perdido. O Salazar vai muito à frente e aquele concurso vergonhoso quer apenas fazer render o peixe.

A atitude leninista é desvalorizar o programa. Chamara a atenção para o enviezamento da amostra, para a imbecilidade de andar a gastar dinheiro com aquela merda… ainda para mais, militantemente, como fazem alguns sal azarentos… É dizer mal. É escrever cartas e mails para a RTP a dizer que se aquilo é serviço público, vou ali e já venho.

Publicado por [Saboteur] às 12:28 PM | Comentários (11)

janeiro 21, 2007

Profissão: Porteira!

Encontrava-me a terminar o livro « Deux heures de lucidité » (Noam Chomsky. Entrevistas feitas por Denis Robert e Weronika Zarachowicz. 2001. Les arènes), quando, a campainha tocou. “Êtes-vous la concierge?”, respondi prontamente e de maneira áspera: NON.


Depois das duas horas de lucidez, passei mais duas horas de depressão. Reflecti no porquê deste estado emocional, e dei-me logo conta que tinha ficado muito ofendida com tal evento.
Ou seja, o facto de ter um apelido português e desse apelido estar exposto no prédio onde moro fez com que um indivíduo não hesitasse em tocar à minha porta sem o mínimo de pudor. Poderão alguns dizer “menos mal se as discriminações se resumissem a este tipo de situação”. No entanto, este tipo de situações demonstram o que se passa nos bastidores de uma sociedade que se diz de “acolhimento”, mas a que eu chamaria intuitivamente de sociedade de instalação.

Um questionário distribuído pelo “Syndicat National des Gardiens d’Immeuble et Concierges » em França mostrou que mais de 2/3 das pessoas que exercem a profissão de porteiro são mulheres. Destes, 60% são portugueses, 30% são franceses e 10% são espanhóis (Ribeiro, 1997, Les familles portugaises et la société française, Edition W). Queiramos ou não, os serviços desempenhados pel@s porteir@s são associados directamente ao conceito de “servilismo” herdado da escravatura. Não podemos esquecer, por outro lado, que estas pessoas habitam nas “loges de concierge”, muitas vezes caracterizadas por serem espaços exíguos. Aliás, conta a história dos porteiros na região de Paris que esta profissão sempre foi relegada pelos autoctones às pessoas vindas do exterior. Num primeiro momento, foram as migrantes camponesas da Bretanha que ocuparam em massa este serviço, que foi paulatinamente relegado às imigrantes de Espanha e seguidamente às portuguesas.


Em resumo, fiquei revoltada pelo “Êtes-vous la concierge?” porque ouço dizer em voz alta, tanto pelas autoridades francesas como pelas autoridades portuguesas ou mesmo por certos indivíduos actores da imigração portuguesa em França, que a condição dos imigrantes portugueses é um exemplo bem sucedido da integração francesa.
É um facto, as mulheres portuguesas em França têm a mais elevada taxa de actividade profissional quando comparadas com outras mulheres imigradas em França. Mas esta profissionalização faz-se pelo intermédio de profissões consideradas na cauda da hierarquia socio-profissional e profissões muito segmentadas ao nível do género. Não afirmarei que a integração das portuguesas em França é bem sucedida ou mal sucedida, nem muito menos penso que a integração seja um conceito susceptível a avaliações desta ordem. Apenas direi para terminar que a integração das mulheres portuguesas em França está envolta em mecanismos ligados a uma tripla discriminação: de género, de classe e de origem geográfica.

Publicado por [Shift] às 06:43 PM | Comentários (11)

janeiro 20, 2007

2007 começou bem

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Um grande empresário da construção civil – Domingos Névoa da Bragaparques – foi acusado de corrupção activa, porque o Vereador que ele tentou corromper – José Sá Fernandes – decidiu não aceitar o donativo e denunciar a prática à polícia.

Disto já todos sabíamos.

O que é novidade é que a PJ decidiu continuar a vigiar o corrupto (telemóvel, encontros, etc.) e pelos vistos terá apanhado mais coisas. Afinal de contas a policia até serve para alguma coisa. (Eles andam aí, mas costuma ser no outro lado da barricada).

Vamos ver agora se de facto este caso vai ter consequências ou se a elite que manda em grande medida no país (falo de políticos sem princípios, patos-bravos “desenrascados” e outros empresários Chico-espertos) consegue mais uma vez passar por entre as gotas da chuva.


Publicado por [Saboteur] às 01:53 PM | Comentários (6)

janeiro 19, 2007

Profissão: ignóbil

"Como se fosse possível a condenação de regimes pretéritos por decreto, esquecendo tantas outras coisas. Esquecendo, por exemplo, que muitas vítimas do franquismo foram elas próprias autoras de crimes horrendos; ou que tantas vítimas do salazarismo estariam prontas, uma vez tomado o poder, a fazer o mesmo ou pior do que o regime que as reprimia; [...]
A violência do comunismo na Polónia, com dezenas de milhares de indivíduos assassinados, centenas de milhares encarcerados em "campos de reeducação" (o eufemismo comunista para campos de concentração), a perseguição aos camponeses, a perseguição à Igreja, as purgas anti-semitas, etc., faz do nosso salazarismo, por comparação, uma brincadeira de crianças.
Os ajustes de contas históricos agora em voga têm o condão de nunca deixarem ninguém bem na fotografia. Nem direita, nem esquerda, nem sequer as religiões. Quem se mete neles está a entrar num campo minado de onde com dificuldade sairá também inteiro. "

Luciano Amaral, D.N., 18/01/2007


Roosevel, Churchill e Stalin, minutos depois de terem dividido o mundo (e a Polónia) como bons irmãos

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:11 PM | Comentários (2)

janeiro 18, 2007

Misoprostol

O Público recupera, na edição de hoje, alguns casos de julgamento por "crime de aborto". Uma delas é de C.S., uma jovem de 17 anos, levada a tribunal em Lisboa em 2004, 4 anos depois de ter ingerido Misoprostol para interromper uma gravidez. Um dos efeitos secundários são hemorragias que podem levar à morte da mulher. C.S. teve-as e recorreu às Urgências do Hospital Amadora-Sintra. Um enfermeiro denunciou-a. Foi julgada. Juíza, defesa e acusação não queriam condená-la, e o julgamento resolveu-se em 45 minutos. Com que base? Não ficou provado que a ingestão do medicamento tivesse sido feita com o objectivo de provocar um aborto.

Pronto, C.S. recorreu ao mercado negro dos fármacos - 10 euros cada comprimido à venda na internet - teve uma hemorragia que poderia ter sido fatal, deu entrada no hospital e foi denunciada, foi a julgamento, com cobertura mediática, e pode contar com a "mentirinha institucional" para não levar com uma pena de prisão até 3 anos.

Quem defende a actual lei mas vai dizendo que é pela descriminalização mete a vida da mulher na roleta russa: pode ser que tenha sorte com os efeitos do misoprostol e se tiver azar morre (fim da história); se tiver somente algum azar com o medicamento pode ser que tenha sorte no enfermeiro; se tiver azar com o medicamento e o enfermeiro, pode ser que tenha sorte com o advogado de acusação; se tiver azar com o medicamento, o enfermeiro e advogado, pode ser que tenha sorte com o juíz. Se tiver azar com todos e não tiver morrido, vai para a cadeia.

Publicado por [Joystick] às 12:42 PM | Comentários (5)

A foto já cá está...

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Agora só falta o tal post sobre o MEC de que falava o Saboteur numa caixa de comentários ali mais para baixo...
Para a próxima não provoques a malta!

Publicado por [Bomb Jack] às 12:07 AM | Comentários (3)

janeiro 16, 2007

Olho por olho

Contribuir com os meus impostos para financiar julgamentos por aborto? Não Obrigada!
Continuar com Abortos Clandestinos para Pobres e Espanha para Ricos? Não Obrigada!

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:22 PM | Comentários (3)

«Não tem conversa...»

Cavaco diz aos jornalistas que tem comido sobretudo fruta e iogurtes porque "a comida indiana é muito picante".

O Mário Soares, ao menos, nunca se queixava da comida... Quem não é bom para comer...

Publicado por [Saboteur] às 03:14 PM | Comentários (3)

De quantas vozes se faz um SIM?

Debate esta sexta-feira, às 19 horas, na livraria Almedina do Atrium Saldanha, promovido pelo Le Monde diplomatique.

Participam: André Pirralha, Isabel do Carmo, Miguel Vale de Almeida e José Neves

Publicado por [Saboteur] às 12:19 PM | Comentários (3)

janeiro 15, 2007

Racismo: um problema grave que não tem preocupado muita gente...

Encontrei um gajo que já não via há uns bons tempos...Um gajo muito porreiro. Trabalha como gráfico de uma revista:

- Lá estou naquela revista que odeias.

- Eu não odeio. Disse-te que era uma revista de direita, só isso.

- Realmente são muito de direita… Quer dizer: A VISÃO é de esquerda e eles são de direita, não é? Mas o que me chateia é que eles são de uma direita mesmo muito conservadora... Isso é o que me chateia, mais… por exemplo: Não digas nada a ninguém, mas os gajos não me deixam meter fotografias de pretos na revista… já viste a estupidez?


Publicado por [Saboteur] às 03:04 PM | Comentários (19)

janeiro 12, 2007

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:17 PM | Comentários (2)

O debate errado

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Muita gente fala da falta de ética da campanha do NÃO.

Creio que o problema não é esse. O NÃO faz a sua campanha... e na verdade nem é muito demagógica, quando comparada com as campanhas cheias de mentiras, fotomontagens, bébes estropiados e falsidades várias que se veêm por esse mundo fora.

O problema é que toda a gente está a discutir assuntos paralelos à verdadeira questão do referendo: O NÃO, claro, mas também a comunicação social, as pessoas nos cafés e restaurantes, os próprios activistas do SIM, muitas vezes...

De uma vez por todas: A questão não é sobre se está certo ou errado fazer um aborto; se é melhor ter a criança mesmo que ela tenha de viver com os avós; se toda a gente se arrepende mais tarde ou não; se mais vale acabar primeiro os estudos ou não; se "o Pai" deve ter opinião sobre o assunto ou não; mas sim, sobre se, quando se decide fazer um aborto (independentemente de se estar a ter uma boa ou má decisão moral), as pessoas envolvidas devem ser punidas legalmente.

Exemplo:

Hoje a RTP faz hoje uma reportagem com dois pontos de vista:

Uma mulher que fez um aborto e não está arrependida porque era muito jovem quando engravidou e nunca poderia ter dado condições à criança, teria tido, ela própria, grandes dificuldades e tal.

Depois, uma mulher que engravidou aos 16 anos e não fez um aborto. Não está arrependida porque apesar das dificuldades gosta muito do filho e tal.

Mas o que é que isto tem a ver com o referendo? A pergunta não é: “Imagine que uma mulher muito jovem engravida. Deverá ela fazer um aborto?”

Se queriam fazer duas reportagens, sobre 2 pontos de vista diferentes sobre o referendo, deviam ter antes entrevistado:

Primeiro entrevistavam uma mulher que foi fazer um aborto e a polícia judiciária apanhou-a em flagrante e ela foi acusada, teve de ir a tribunal e achava aquilo tudo muito injusto porque achava que não tinha cometido nenhum crime.

Depois, entrevistavam uma que, por exemplo, tivesse ido fazer um aborto e que lamentasse o facto de a polícia não ter aparecido no momento e mandado toda a gente para a esquadra porque assim se tinha evitado uma coisa de que está tão arrependida e tal.

Porque é que uma mulher me fez questão de dizer no outro dia que "assinava pelo SIM apesar de estar grávida"? Porquê que um outro gajo me diz que votará sim "porque mais vale ter um filho saudável do que 3 com fome"? Porquê que a Odete Santos argumenta que "apesar de já haver um coração às 10 semanas não se pode dizer que haja vida"?

Mas o que é que isso interessa para a pergunta do referendo? Tem bastante mais a ver com a questão o celebre cartaz do NÃO, tão criticado, sobre o dinheiro dos impostos para financiar abortos.

Publicado por [Saboteur] às 03:37 PM | Comentários (11)

Miseráveis e desprezíveis

Com a evolução da campanha, finalmente vai-se afirmando o tom certo para o debate em torno do aborto.
Clara Ferreira Alves deu o mote no «Eixo do Mal», na tarde de Sábado, na SIC. Vítor Dias parafraseou-a no seu artigo de hoje, no Público. "Os argumentos do movimento «Não, obrigada», são miseráveis e desprezíveis". Nem mais.
Finalmente começamos a perceber que não está em causa um tema ligeiro, acerca do qual todos podem ter uma opinião e acabar tranquilamente a trocar ideias, em torno de uma mesa repleta de bebidas quentes, ao som de Lou Reed.
Este é o tema. Este não é um tema, é um combate. Uma guerra civil não declarada. Não vale a pena dizer que é apenas uma questão judicial. Ou de saúde pública. Ou de desigualdades sociais. Ou de género. Ou de progresso e modernidade.
É tudo isso ao mesmo tempo e muito mais.
Não está em causa, evidentemente, a opinião particular desta ou daquela pessoa. Mas antes o modo como essas opiniões particulares são trabalhadas por dispositivos, argumentos, narrativas, imagens e imaginários.
É possível entender as dúvidas ou mesmo as certezas de um católico praticante acerca deste tema. Elas são antes de mais nada privadas, tal como a fé é um tema privado.

Do que se trata neste combate é uma prática, tão antiga como a própria instituição igreja, que Pacheco Pereira veio recentemente, e num momento tão decisivamente delicado, glorificar como pilar da cultura «ocidental».
Transportar a fé do domínio privado - da relação pessoal de cada crente com as suas crenças, a raiz revolucionária do cristianismo - para o espaço público, integrando-a num dispositivo normativo, transformando-a num instrumento do poder terreno, é o desporto favorito da reacção.
E as pessoas decentes não trocam placidamente argumentos de tertúlia com a reacção. Com a reacção, o único argumento razoável é o da guerra civil, tal como «o século XX português» não se cansou de demonstrar.
Mentir, iludir, obscurecer, demagogizar, não são coisas novas na história política portuguesa, nem sequer um exclusivo ultra-montano. Mário Soares, a face luminosa da reacção portuguesa, passou toda uma carreira política de insigne democrata a praticar essas nobres actividades.
É toda essa tradição de casamento entre o trono e o altar que se joga nesta campanha. "A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos" dizia Karl Marx, em "O 18 de Brumário de Luís Bonaparte"

Só essa tradição pode justificar que tantos comentadores políticos acusem Louçã de demagogia e populismo e saúdem Marcelo Rebelo de Sousa como um observador imparcial da vida política portuguesa.
Qualquer observador atento, que tenha lido os clássicos do liberalismo político, pode encontrar aí as raízes modernas e iluministas do discurso e do horizonte político do Prof. Francisco Louçã.
Qualquer pessoa que conheça o pensamento conservador que mais escola fez em Portugal poderá, sem dificuldades de maior, sublinhar a vermelho nas intervenções do Prof. Marcelo a sua pesada dívida para com Oliveira Salazar.
É contra essa tradição que o combate se desenrola. Ignorá-la ou menosprezá-la é um luxo ao qual não nos podemos dar. Desprezá-la é importante, desde que o desprezo dê origem a uma irrepremível vontade de passar ao ataque. É necessário dar às palavras a importância que elas merecem. Se os argumentos são "miseráveis e desprezíveis" é difícil pensar menos das pessoas que os empregam.

Todo o respeito pelos católicos, mortificados pela dúvida acerca das questões morais implicadas neste referendo, implica respeito nenhum pelos miseráveis e desprezíveis que procuram capitalizar essa dúvida para preservar o actual estado de coisas.
Argumentar que apenas está em causa se as mulheres serão ou não presas, ou se poderão abortar num hospital em vez de o fazer num vão de escadas, é respeitável, mas não é a única maneira de encarar a questão.
Há um combate em torno da legitimidade do Estado para impor esta ou aquela concepção ética e moral a quem dela discorda. Há um combate em torno da validade universal da família (e concretamente do patriarcado) como referência fundamental da vida social. Há um combate em torno da liberdade da mulher a dispor do seu próprio corpo.

Todos estes combates são, como a própria semântica da palavra "combate" indica, combates contra. Nomeadamente contra os que despuduradamente conspiram contra a nossa liberdade.
Os apelos a que não se personalizem os debates são tão piedosos como imbecis. Desconheço o que sejam disputas meramente intelectuais. Tudo isto é extremamente pessoal. Negá-lo é tão hipócrita como a actual legislação relativa ao aborto.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:31 PM | Comentários (8)

janeiro 11, 2007

Strange Fruit

Southern trees bear strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black bodies swinging in the southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.

Pastoral scene of the gallant south,
The bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolias, sweet and fresh,
Then the sudden smell of burning flesh.

Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:46 PM | Comentários (1)

Quem escreve assim não é gago

noname

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:55 PM | Comentários (7)

Exposição de Orgasmo Carlos até Sábado na Arqué

A jornalista da TSF pergunta, como quem informa os ouvintes do ridículo da peça que está pendurada na parede, a Orgasmo Carlos (Manuel João Vieira): «Este auto-retrato é um espelho?»

Resposta imediata: «Não. É arte»

orgasmo carlos.jpg

Não aprecio Manuel João Vieira enquanto artista plástico, mas não há dúvida que ele é um dos poucos grandes artistas portugueses vivos.

Esta coisa de o tratarem como se fosse um comediante, de compararem os "Ena pá" aos "Furia do Açucar", etc. é a cegueira cultural típica dos países medíocres.


Publicado por [Saboteur] às 11:31 AM | Comentários (5)

janeiro 09, 2007

As desonestidades intelectuais do NÃO

Confesso a minha incapacidade para lidar com a desonestidade intelectual. Fico fula, nervosa, sem resposta. Mas também, acima de tudo, acho que não existem respostas para este tipo de desonestidades. São retóricas, não é suposto ter resposta para elas. A única forma de combater este tipo de processo argumentário, passe o eufemismo, é democratizar a percepção da desonestidade, ou seja, partilhar com os outros o desconforto.

O melhor exemplo disto é a campanha do movimento do NÃO. Corações que batem, impostos, IVG versus doenças oncológicas e Alzheimer (porquê Alzheimer?!?!), bombas demográficas prestes a explodir (a criminalização da IVG como imperativo da nação xenófoba), a vida, a vida, a vida e as suas aleluias.


Gâmeta em que o coração está, erradamente, identificado como núcleo

Impávido e sereno, o movimento do SIM morde o isco, mas só de vez em quando. Por outro lado, não parece ter campanha. Tem razão, mas não tem campanha e a razão não basta para ganhar referendos e, com eles (é preciso não esquecer!) ter vitórias civilizacionais. Porque, para mim, é disso que se trata. Do afastamento de posições neandertais transpostas em lei. De reconhecer ao indivíduo a capacidade humana de tomar decisões, resolvendo, em simultâneo, um problema de saúde pública, de acesso desigual a tratamento clínico, de humilhações em tribunal e cumprimento de penas. Indo mais além, para mim – mas compreendo que não para todos – a questão é de reconhecer o corpo como espaço de jurisprudência do indivíduo, neste caso da mulher. Noutros casos, do outro género. Ser uma questão intencionalmente banida da discussão não quer dizer que não exista a questão. Como diz o outro, a prova de que o pudim existe é que o comemos.


Pudim que existe

O discurso NÃO é desonesto mas é “eficaz” e rápido. Os indecisos e mesmo os não-categoricamente-SIM perdem o norte. Diferentes perspectivas dão diferentes conclusões – “de facto, o meu pai tem Alzheimer!”. Passei por um post num blogue do NÃO – não linko, era o que faltava! – que tinha três parágrafos sobre a seguinte problemática: como é que os defensores do SIM poderão viver com a permanência de uma franja de clandestinidade, considerando a possibilidade de, por exemplo, uma menor com medo da ausência de anonimato (apesar da obrigação de sigilo médico – intencionalmente esquecido no discurso) não recorrer à IVG em estabelecimento oficial? E havia comentários com “respostas” de defensores do SIM que caíram nesta simples armadilha, esquecendo-se que quem tem de explicar a convivência com a clandestinidade é o NÃO!

Outro exemplo, neste caso de quem caiu na armadilha do coração-no-acto-da-fecundação ou do barulho das luzes sobre a criminalização. A recolher assinaturas dos Jovens pelo SIM, Saboteur deparou-se com uma mulher com cerca de 50 anos que explicava que não tinha a certeza se assinava a folha para participação na campanha daquele movimento porque tinha feito uma interrupção de uma gravidez e não tinha a certeza se tinha feito bem. Depois, Saboteur perguntou-lhe se achava que deveria ter respondido em tribunal e cumprido pena por o ter feito. A senhora assinou.

Isto vai ficar pior antes de ficar melhor.

Publicado por [Joystick] às 07:31 PM | Comentários (9)

Uma ilustração de um país que acarinha os seus licenciados

Sobre a falta de mão-de-obra qualificada no nosso país esta pequena história:

Um Geógrafo que vá à página da Associação Portuguesa de Geógrafos, tem no menu um botão intitulado “GeoLinks”. Ou seja: todos as ligações de eventual interesse para um geógrafo no seu dia-a-dia.

Vão lá ver: Expressoemprego.pt; Superemprego.pt; emprego.aeiou.pt…


Publicado por [Saboteur] às 03:54 PM | Comentários (1)

janeiro 08, 2007

PSI 20 a bombar

O PSI 20 passou hoje o máximo dos "anos de ouro" do Guterrismo (2000).

É um crescimento sustentado desde 2003. Não foram rumores ou especulações financeiras.

Não há dúvidas que apesar da crise, da falta de habilitações da população, da entrada na União Europeia de uma porrada de países supostamente mais competitivos que o nosso, etc, etc, os accionistas das empresas portuguesas têm lá as suas razões para estarem confiantes e satisfeitos.

Alguém anda a zelar muito bem pelos seus interesses.

Publicado por [Saboteur] às 07:34 PM | Comentários (2)

Coisas bonitas em 2006

Bonitas e longas





Bonitas e curtas



Publicado por [Joystick] às 03:13 PM | Comentários (4)

janeiro 07, 2007

Parvalheira Blues


You are Catwoman


















Catwoman
40%
Poison Ivy
39%
Apocalypse
38%
Mr. Freeze
36%
Dr. Doom
32%
Two-Face
32%
The Joker
31%
Magneto
31%
Lex Luthor
29%
Venom
27%
Mystique
24%
Green Goblin
24%
Dark Phoenix
18%
Riddler
18%
Juggernaut
16%
Kingpin
15%
With a troubled past and an upbringing on the streets you have learned how to fend for yourself through crime.

Click here to take the Supervillain Personality Quiz

Os resultados transgénero deste quiz são surpreendentes. Há também o http://www.thesuperheroquiz.com/.

Publicado por [Renegade] às 07:35 PM | Comentários (4)

Sexual healing

renegade.jpg

O Renegade está a saber envelhecer.

Publicado por [Rex] às 03:40 AM | Comentários (4)

janeiro 04, 2007

Xixi 2

Como tudo nesta vida, também a reflexão dedicada aqui no Spectrum ao mijar em público parecia destinada a uma sequela por várias razões não despiciendas, das quais a mais importante releva das magníficas reacções dos leitores. Alguns houve que se revelaram verdadeiros/as amantes (para não dizer amadores/as, antes pelo contrário) da arte, referindo inclusivé práticas muito interessantes carregadas de simbolismo como mijar nas portas das igrejas ou em plena praia durante a época balnear.

Hoje gostaria de deixar de lado esta leitura do conteúdo subversivo do fenómeno para analisar com mais pormenor o acto de mijar na cidade. E aqui assume figura de relevo o urinol público. Que tem sido vandalisado, descurado, deixado à sua sorte, arredado das prioridades políticas e finalmente perseguido e fechado ou destruído. E isto é, na minha opinião, uma grande perda para todas as cidades, em especial para Lisboa, urbe com tradições na matéria (embora aqui não sejamos muito apegados à tradição).

É um empobrecimento da vida democrática: o xixi é um direito fundamental de primeiríssima geração...quantas vezes não é um/a gaj@ apertad@ obrigad@ a comprar qualquer porcaria para ter acesso ao WC? Se isto não é uma espécie de taxa informal criadora de exclusão social, o que será então? É um empobrecimento urbanístico: perde-se diversidade, perdem-se diferentes hipóteses de experiência de cidade. É um empobrecimento artístico: o Metro de Lisboa é justamente elogiado pela sua arte pública... por que não pensar num tecido urbano marcado pelo urinol-peça de arte em utilização? É um empobrecimento da vida social: ainda há umas semanas o saudoso Cesarinny recordava os gloriosos urinóis lisboetas dos anos 40-50.

Uma cidade marcada pela excelência da sua arte pública

Uma outra dimensão do fim do urinol como peça de mobiliário citadino tem a ver com isto: toda a cidade passa a ser um enorme mijatório e os espaços de substituição vão sendo ocupados e reinventados pela prática social. Alguns traços comuns: a preferência por jardins, árvores, paredes em ângulo recto. Quem já mijou em caixas de electricidade sabe que um xixi nestas condições pode implicar um risco para a própria vida. E há também questões de género muito sérias. Há uma flagrante descriminação de género - ninguém se escandaliza por ver um homem a regar uma árvore em público mas imagina-se o dito e o não dito quando isso é feito por uma mulher. Não é preciso descrever o conjunto de representações sociais adjectivadas pela negativa em que uma senhora incorre por mijar ao Deus dará.

Consequências dramáticas da extinção dos urinóis públicos

Ao que sabemos a temática tem infelizmente sido descurada pelas ciências sociais embora uma pesquisa bibliográfica mais aturada pudesse dar resultados surpreendentes. Isto tudo que aqui digo não é de somenos - é um apelo a uma outra experiência da civitas, é um outro olhar estético sobre a vida numa das suas mais ordinárias manifestações; é um repto, minha gente, a mijar com outra dignidade. E a um estudo sério de um fenómeno universal e transversal.

Publicado por [Renegade] às 09:51 PM | Comentários (3)

Até sempre...

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Carles Fontserè 1916-2007

Publicado por [Chuckie Egg] às 05:43 PM | Comentários (2)

janeiro 03, 2007

O novo senhor ONU

Ban Ki-Moon, novo secretário-geral de uma organização que tem doutrina sobre a abolição da pena de morte, foi interpelado, no seu primeiro dia de trabalho na sede da ONU, por um jornalista que queria saber se achava justa a execução de Saddam. Querendo esquivar-se a um "não", falou dos crimes da acusação. Mas a pergunta não era sobre a acusação, era sobre a pena (talvez também sobre a forma de execução da mesma). Assim sendo, parece-me, a resposta deve ser tomada como um "sim".

Publicado por [Joystick] às 03:33 PM | Comentários (3)

janeiro 02, 2007

Uma certa ideia de europa: nobody expects the german inquisition

A Igreja católica foi uma das construtoras da Europa e do "Ocidente", e, mesmo com todas as ambiguidades da sua história e sem pôr em causa as sociedades "descrentes" dos nossos dias, é natural que aquilo que era um pensamento fora do mainstream europeu começasse a migrar de novo para um centro onde sempre esteve. O interesse por Ratzinger vem daí, mesmo pelo Ratzinger inquisidor. [...]
Aumentando a sua influência no pontificado de João Paulo II, de que era o alter ego doutrinário, Ratzinger acabou por ser a voz da ortodoxia em todas as questões "fracturantes" da Igreja: papel da mulher no sacerdócio, moral sexual, "democracia" ao modelo oriental dos sínodos versus autoridade da Cúria Romana, infalibilidade papal, diálogo inter-religioso, relações com as sociedades laicas do Ocidente.
Ao pensar sobre todas estas matérias, Ratzinger deixou escritos sobre questões morais, religiosas, teológicas, filosóficas, culturais, que, independentemente da crença religiosa de cada um, suscitam problemas muito actuais da acção política, ancoradas em velhas tradições intelectuais europeias. [...]
Ao se lerem esses textos hoje, à luz do fim do comunismo e do que se sabe das experiências latino-americanas, percebe-se a razão de Ratzinger e a solidez do seu corpo doutrinário.

Pacheco Pereira, Abrupto

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:49 PM | Comentários (1)

Bimbas pelo não: Katia Guerreiro

Não consigo entender este desejo tão evidente de legalizar um acto que só traz prejuízo a todos. Em primeiro lugar ao milagre que é a vida, bem tão precioso a que, pelos vistos, só alguns dão verdadeiro valor, que começa com a tão simples fusão de dois gâmetas, e que homem nenhum consegue reproduzir sem que os dois gâmetas estejam presentes. Em segundo lugar à mulher, que se priva de gerar uma vida e de dar continuidade a si mesma, e que terá para sempre a dúvida sobre o que teria sido esse filho que não nasceu. Em terceiro, ao homem que com a mulher concebe um ser irrepetível, e que é tão esquecido neste processo, nem tendo poder de decisão. Em quarto, aos avós que perdem a oportunidade de reviver a sua própria juventude, e de dar apoio ao crescimento de um neto. Em quinto, ao projecto família, núcleo fundamental da sociedade, em torno do qual giram valores morais, sociais e humanos. Em sexto, à humanidade pois ganharia um ser que poderia ser um brilhante cientista, investigador, poeta, bombeiro, médico, prémio Nobel, político, economista, filósofo, matemático, professor de renome e contribuir para o desenvolvimento do mundo. Em sétimo, à taxa de natalidade, que cai a pique cada dia que passa, com consequências drásticas para a produtividade, a jovialidade, e o sucesso do país. Em oitavo, todos os outros motivos que podemos imaginar a partir daqui.

Médica e artista, Katia Guerreiro foi também a mandatária para a juventude de Cavaco Silva na campanha que antecedeu as últimas eleições presidenciais, Blog do não

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:35 PM | Comentários (16)

A banca ao serviço do polvo

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:35 PM | Comentários (2)

Escolhas...

De um grupo total de quase 60 pessoas, várias tendências coexistiram durante os últimos 4 dias...a grande parte pedia pouco, substâncias psicotrópicas em dose cavalar e contínua, com a ajuda de uma réplica de tabaqueira instalada e do espelho da casa de banho, requisitado passados escassos minutos da chegada...

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...outros pediam um pouco mais e, numa demonstração da sua natureza suburbana, encheram de grafittis, fumo, ragga e garrafas um sítio onde as únicas coisas que não provinham da natureza eram uma barragem e as casas que nos albergavam...

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...houve também quem fosse enganado e, depois duma mostra de infantilidade e elitismo pós-universitário, só rezava para voltar rápido e com as suas poucas amizades, saúde e dignidade (?!?) intactas...penso que todas ficaram seriamente afectadas....

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...como no que toca aos amigos de infância sou pouco sectário, fiquei com dose q.b. de quase todas as tendências e juntei ao pacote uma linda osteopata...

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...a aposta foi ganha e as minhas articulações choram por mais...onde andas salvadora???

Publicado por [Chuckie Egg] às 04:22 PM | Comentários (9)

Uma legislação que defende a vida humana, a dignidade da mulher e a preservação da família

O Tribunal de Ponte de Lima fixou hoje termo de identidade e residência à mãe de uma recém-nascida encontrada morta no início de Dezembro num coreto no Monte de S. Cristóvão, naquele concelho.
A mulher, uma operária fabril de 26 anos, solteira e residente na freguesia de Duas Igrejas, Vila Verde, fica ainda obrigada a apresentações periódicas, às terças-feiras e sábados, no posto local da GNR.
Segundo o advogado da jovem, Pedro Saraiva, o tribunal não optou pela prisão preventiva porque teve em conta as "razões emocionais" que a levaram a abandonar a filha recém-nascida, depois de sempre ter escondido a gravidez, por "vergonha e receio", quer dos pais, quer da freguesia.
O facto de o pai da criança ser um homem casado terá levado a jovem a fazer o parto em casa e a abandonar depois a filha num local isolado.
A "muito humilde" condição sócio-económica da família também pesou na decisão de a deixar aguardar julgamento em liberdade.
A recém-nascida foi encontrada morta pelas 11:00 de 08 de Dezembro num coreto em S. Julião de Freixo, Ponte de Lima, ainda com o cordão umbilical e embrulhada em roupas.

Portugal Diário, 29/12/2006


Publicado por [Rick Dangerous] às 04:05 PM | Comentários (3)

janeiro 01, 2007

Boas entradas

Estive ontem numa das melhores festas que houve.

Buraka Som Sistema foi uma aposta segura, como eu imaginava.

Publicado por [Saboteur] às 06:51 PM | Comentários (5)