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dezembro 29, 2006

Aprender Cultura de Portugal para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Casaquistão

07.00 SIC Kids

09.30 Floribella

10.15 Floribella

11.00 Fátima

13.00 1.º Jornal

14.15 O Profeta

15.15 Contacto

18.00 Floribella

18.30 Floribella

19.15 Floribella

20.00 Jornal da Noite

21.15 Floribella

22.15 Cobras & Lagartos

23.15 Jura

00.15 Filme: O Guarda Inseguro

02.15 Miss Teen Usa 2006

Borat à chegada a Lisboa, antes de se dirigir a Carnaxide

Publicado por [Renegade] às 01:12 AM | Comentários (6)

dezembro 28, 2006

Para você, que acredita que já ouviu de tudo, na vida

Sol: Há algum político que lhe provoque uma reacção epidérmica de rejeição?

Rita Ferro:Penso que não. Mas tenho um pesadelo recorrente com o Dr. Louçã. Aparece-me em sonhos a maltratar as mulheres que se manifestam contra o aborto, gritando-lhes: «Já abortaste? Vai abortar, palonça!» Até parece que estou a vê-lo: trajado de gladiador, com os olhos raiados de sangue e um chicote na mão... É claro que estou a distorcer as suas intenções, que acredito serem as melhores, mas não mando no meu subconsciente.


Publicado por [Saboteur] às 02:45 PM | Comentários (3)

dezembro 27, 2006

Rita Ferro e Jerónimo

Sol: O PCP de hoje é um retrato fiel da ideologia marxista-leninista?

Rita Ferro: O PCP é hoje um partido educado, amável e democrático.

Sol: Que opinião tem de Jerónimo Sousa?

Rita Ferro: Desperta-me simpatia e ternura. Não estou a ser irónica. É um homem educado e a educação corrompe-me como a de Salazar corrompeu muita gente.

Publicado por [Saboteur] às 11:26 AM | Comentários (5)

dezembro 22, 2006

Pedidos ao Pai Natal

Já tenho a minha agenda, portanto contentava-me com um smoking e uma pistola com silenciador. Pode ser que o resto venha com o pacote.

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:07 PM | Comentários (1)

Simple pleasures

"Enquanto antes eram só coisas adquiridas, livros que compravas, drogas que arranjavas, whiskeys que tinhas em casa. Os prazeres eram todos caçados por ti. Ias buscar este jornal, fazias a marguerita com a tequila, snifavas a coca, mandavas vir da Amazon Books não sei quê. "
Miguel Esteves Cardoso, em entrevista a José Mário Silva

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:23 PM | Comentários (3)

Espalha brasas

noname.jpg

Na "Padaria do Povo" em Campo de Ourique
Rua Luis Derouet nº20 paralela à Av. Ferreira Borges
Vai ser do caralho!

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:01 PM | Comentários (2)

dezembro 21, 2006

É já amanhã

A proposta da organização Global Orgasm é claríssima: Vamos todos contribuir para a paz mundial através do prazer. Ao mesmo tempo.

Este orgasmo tem regras e exige sintonia e entrega total, não só com o parceiro escolhido mas com o mundo em geral

O fim da guerra e de todos os conflitos mundiais pode ser, afinal, mais fácil de alcançar do que se pensa. Falhadas que foram muitas negociações diplomáticas, o caminho para a Paz passa, calcule-se, pelo prazer. E é partindo desta premissa que uma Organização Não Governamental lança ao mundo um desafio que tem tanto de insólito como de nobre: um Orgasmo Global Sincronizado pela Paz.

E dada a dimensão da causa, este orgasmo tem regras e exige (mais do que todos os outros) sintonia e entrega total, não só com o parceiro escolhido mas com o mundo em geral.

O objectivo da Global Orgasm (ver link para a organização no final deste texto) é conseguir que no próximo dia 22 de Dezembro o maior número de pessoas tenha um orgasmo ao mesmo tempo, concentrando (durante e depois) a sua energia para pensamentos positivos a favor da Paz e do fim dos conflitos mundiais.

Na sua declaração de missão, a organização faz saber que “a combinação da alta energia orgasmica, com uma vontade intensa, tem um efeito maior do que a meditação e as orações em massa”. Tudo porque este orgasmo colectivo (se a participação for a que se espera) será capaz de injectar elevadíssimos níveis de energia positiva no campo magnético da terra. O resultado directo: a redução dos níveis violência no mundo.

Data não foi escolhida ao acaso

E para que tudo corra bem, nem a data é escolhida ao acaso. O dia 22 de Dezembro representa o solstício de Inverno, que no calendário Maia significa um «recomeço». A organização explica que esta iniciativa é à escala mundial, mas apela à especial participação dos residentes em países com armas de destruição massiva ou onde se vivam situações de conflito. Mas esclarece que o mundo inteiro é benvindo a esta causa.

Para facilitar a sincronização deste Orgasmo Global pela Paz, a organização coloca na sua página na Internet um relógio com a contagem decrescente para o grande momento.

Publicado por [Saboteur] às 05:06 PM | Comentários (5)

dezembro 20, 2006

Postal de Natal para José Sá Fernandes

bandeira.jpg

Publicado por [Saboteur] às 11:18 AM | Comentários (1)

dezembro 19, 2006

Nórdicos...

Os confrontos acima são fruto de um desalojo de uma casa na Dinamarca, a Ungdomshuset (Casa da Juventude), que se encontrava okupada e auto-gestionada desde 1982, ano em que foi dado aos activistas o direito de usufruto do espaço. Mas não querendo correr o erro de me explicar mal ou esquecer-me de algum pormenor, podem ler toda a história do espaço aqui.

Depois disto ainda há quem tente argumentar que as pessoas que vivem nos países nórdicos são por natureza mais "frias"...a julgar pelas imagens que vi este fim de semana eu diria que não. Atrevo-me até a dizer que frio é aquele que vê uma manifestação em que 300 pessoas são presas e não tem sobre ela qualquer opinião...a pessoa que vê o telejornal à noite e acha tudo "normal"...a pessoa que não tem opinião crítica, a pessoa que cultiva a monotonia, a pessoa que cultiva a "imparcialidade"...não admira que os reality shows cheguem a líderes de audiências, não é preciso pensar, basta consumir...e se quisermos comparar a educação nos países nórdicos à dos países do sul da Europa lá se vai a arma da frieza como justificação para enaltecer esta porra de jardim à beira-mar plantado onde nada se passa, onde cada dia é uma fotocópia do dia anterior, onde a nossa intervenção fica-se pela escolha do jantar e três cruzes nuns boletins emitidos pelas entidades reguladoras da sociedade em cada 5 anos.

Eu não. Chuckie Egg aqui se apresenta como parcial, defensor das suas opiniões. Não temo a incoerência nem a crítica.

Até já.

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:24 AM | Comentários (2)

Let the games begin...

Spec_-_Chuckie_Egg.jpg


Mais um colaborador para a festa, Chuckie Egg...

...sempre gostei mais do Chuckie dos filmes de terror mas nunca foi adaptado aos videojogos...

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:14 AM | Comentários (6)

dezembro 18, 2006

Uma prenda de Natal que vou dar

ESQUERDIREITA

À esquerda da minoria da direita a maioria
do centro espia a minoria
da maioria de esquerda
pronta a somar-se a ela
para a minimizar
numa centrista maioria
mas a esquerda esquerda não deixa.
Está à espreita
de uma direita, a extrema,
que objectivamente é aliada
da extrema-esquerda.

Entretanto
extra-parlamentar (quase)
o Poder Popular
vai-se reactivando, se...

Das cúpulas (pfff!) nem vale a pena
falar, que hão-de
pular!

Quanto à maioria da esquerda
ficará - se ficar - para outro poema.

Alexandre O'Neill, Anos 70 poemas dispersos

Publicado por [Joystick] às 03:23 PM | Comentários (2)

Para o The Plotter

Acabou-se a mama?

Publicado por [Saboteur] às 11:56 AM | Comentários (1)

dezembro 17, 2006

biblioteca democrática

2000 pessoas e um silêncio rumoroso muito relaxante. Entrada livre. Tudo à borla. Das 12 às 22 horas. Fecha à 3ª feira.

Publicado por [Renegade] às 06:49 PM | Comentários (3)

dezembro 16, 2006

Arte Urbana II

cartaz.jpg

Publicado por [Saboteur] às 12:34 PM | Comentários (4)

Arte Urbana

carmoquio.JPG

Publicado por [Saboteur] às 12:29 PM | Comentários (2)

dezembro 15, 2006

Agulhas de croché e pimenta moída

Na campanha contra a despenalização do aborto há uma tendência para a dramatização que se aproxima inevitavelmente da demagogia mais populista.
Uma frase como "Dinheiro dos nossos impostos para financiar clínicas de aborto" transporta o seu leitor para um universo paralelo onde tudo se torna possível. Tipo "Dinheiro dos nossos impostos para financiar uma religião de velhos, beatas e maluquinhos, pagando ainda o salário dos padres que ensinam religião e moral?". Ou então outra, um pouco mais comezinha, tipo "Dinheiro dos nossos impostos para alcatroar uma estrada de Rio Tinto?". Há, está claro, aquela mais baixa, tipo "Dinheiro dos nossos impostos para salários e indemnizações a administradores nomeados pelo último governo e exonerados por este?". "Dinheiro dos nossos impostos para levar os clubes de futebol da Madeira às competições europeias?".

Mas é claro que a única pergunta que vale a pena colocar é "Dinheiro dos nossos impostos para financiar associações de tias e reaccionários que combatem o uso de preservativos, recomendam nas escolas a abstinência e métodos contraceptivos «naturais», defendem a Família (nomeadamente a sua) e estão realmente a chamar assassinas às mulheres que abortaram?".
Porque esta gentinha, que está sempre a falar dos países civilizados e desenvolvidos como exemplo a seguir e estatuto a alcançar, consegue realmente dar a entender nesta campanha que todos os países da UE, menos a Irlanda, a Polónia e Portugal, legalizam o homicídio de crianças indefesas. Torna-se quase impossível compreender como é que não exigem o encerramento das fronteiras e o isolamento mais severo em relação a todos esses países onde a barbárie grassa e as mulheres podem utilizar clínicas financiadas pelos impostos de tod@s para recorrer gratuitamente ao aborto.

Afinal de contas, em questões de defesa da vida humana, não deveria haver qualquer tipo de concessão ou compromisso. E a única posição coerente, para quem tão facilmente julga e condena as escolhas alheias, seria exigir a prisão por homicídio de todas as mulheres que abortaram e de tod@s os que as ajudaram a fazê-lo.
Mas a coerência não é propriamente o forte da reacção. A missa de domingo chega-lhe e sobra-lhe.


Publicado por [Rick Dangerous] às 03:37 PM | Comentários (4)

dezembro 14, 2006

E para quando a Madeira?

Alberto-Joao-Jardim.jpg

Num rasgo de humor que eu não sabia que os belgas tinham, a estação de televisão belga RTBF interrompeu a emissão de ontem para anunciar a independência da Flandres.

Mesmo depois da explicação oficial em como tinha sido apenas uma rábula "à là Orson Wells", a coisa parece não ter caído bem a muita gente. O debate continua, o que prova que pelo menos algum sentido fez tocar este ponto sensível.

Mas a minha questão é: para quando anunciar, a sério e sem volta a dar-lhe, a independência do Reino da Madeira?

Publicado por [The Plotter] às 09:10 PM | Comentários (1)

Protocolo

Cláusula 3ª

"A CML assume o compromisso de mobilizar os seus Serviços Municipais de forma a colaborarem com a LIGA na execução dos Projectos e Programas a executar no âmbito deste Protocolo, nomeadamente o estabelecimento de protocolos específicos para a formalização e concretização das iniciativas abrangidas pelo presente Protocolo, a prestar pela LIGA"

Publicado por [Saboteur] às 03:26 PM | Comentários (3)

dezembro 12, 2006

Coitadinho...

pinochetnazi.jpg

Publicado por [Saboteur] às 12:24 PM | Comentários (7)

dezembro 10, 2006

Morreu Pinochet!

Estou indeciso: Ao jantar, abro uma Cabeça de Burro ou Quinta da Terrugem?

Publicado por [Saboteur] às 07:27 PM | Comentários (5)

Prós e Contras

Fátima Campos Ferreira (FCF) devia uma ao baixinho do PSD (Mendes qualquer coisa...), por não ter convidado ninguém do Partido quando foi discutir o Orçamento de Estado.

Esta semana, chegou a altura de lhe cobrarem a dívida: Aposto que Carmona terá dito que só ía ao debate sobre Lisboa, se não tivesse lá o Sá Fernandes para o chatear com a EPUL, com o Plano Verde, os Eléctricos Rápidos, as Salas de Injecção Assistida e o negócio do Parque Mayer.

A RTP - televisão pública - decidiu então convidar Carmona, Carrilho, Ruben de Carvalho (os cabecilhas das 3 listas mais votadas) e Maria Josá Nogueira Pinto (MJNP) que (Não sabiam? Que estranho!...) foi eleita por uma unha negra com pouco mais de metade dos votos de José Sá Fernandes.

FCF argumentoou (e notem que já não estou na parte das teses mas sim dos factos), que MJNP já tinha governado a Câmara e por isso tinha mais notoriedade. Mas Ruben e Carrilho nunca governaram a Câmara... Mas Sá Fernandes tem claramente muito mais notoriedade (na oposição e na proposta) do que Ruben e Carrilho... Pois é. Mas foram eleitos em listas mais votadas que a de Sá Fernandes. Mas MJNP teve metade dos votos de Sá Fernandes... Pois é.

Finalmente, FCF deu o seu arguento final e demoluidor: O Prós e Contras não escolhe os convidados segundo critérios relacionados com representatividades partidárias.

Assim, tem lógica.

Publicado por [Saboteur] às 12:54 PM | Comentários (5)

dezembro 07, 2006

Capitão América: como contextualizar o relatório do Grupo de Estudo sobre o Iraque

A história geopolítica da América é a história do Capitão América. Aliás, são tão gémeas que é impossível distinguir se são os fascículos do herói da Marvel que determinam a política externa dos EUA ou se o inverso. Vários são os indícios de que o Capitão América está à frente da política do seu país, marcando o passo da mesma.

Já em 1941, antes de Pearl Harbour, o Capitão América combatia os nazis. Aliás, foi ele que deu cabo de Hitler, sem armas de fogo e sem aliados. Chegou mesmo a dar cabo de Hitler por duas vezes, em 1945 e nos anos 90, com o fim da Guerra Fria, por ocasião da redefinição de conceitos estratégicos dos EUA e da NATO.

Depois da II Guerra Mundial, Capitão América regressa a casa, transformando-se em combatente do crime organizado. Deixa de ter sucesso e a edição dos fascículos é cancelada em 1948.

Nos anos 50, o Capitão América volta à cena, enfrentando perigosos agentes e espiões comunistas nos EUA – acompanhando o clima de caça às bruxas macarthista. O próprio arqui-inimigo nazi, Red Skull, tornara-se – súbita e despropositadamente – agente comunista. Não houve lugar a nenhuma reorientação ideológica da personagem, ele era simplesmente mau e feio e, por isso, era nazi nos anos 40 e comunista nos 50.

Nos anos 60, Capitão América ressurge aliado a outros super-heróis. Era suposto estar envelhecido. Mas não. Explica-se que o Capitão América tinha sido criogenado no final da II Guerra Mundial. Ou seja, o Capitão América Macarthista era outro e não este super-herói exemplar. Uma espécie de relatório Krushev dos Estados Unidos, sob a forma de banda desenhada. Nos finais dos anos 60, acompanhando a luta pelos direitos civis na rua, Capitão América possui um novo companheiro. Trata-se de Sam Wilson, um super-herói negro, ex-marginal e militante da luta dos afro-americanos, e, como os Panteras Negras, um animal é o seu símbolo.

Nos anos 70, com o Vietname e Watergate, o Capitão América combate uma organização que se chama Hidra – um império formado por criminosos norte-americanos cujo cabecilha é o chefe da Casa Branca! E nos anos 80, saturado, demite-se. Juro que é verdade.

Na passagem do milénio, o Capitão América tem um assalto de consciência. Já elegeu a luta contra o terrorismo como a sua maior batalha, mas, conhecedor profundo da história americana – não fosse ele mesmo essa história – descobre que as armas tecnológicas dos terroristas são de fabricação americana e, num fascículo, aparece martirizado por imagens terríveis de vilas palestinianas e asiáticas completamente destruídas. Há um número também em que defende um americano de descendência árabe da xenofobia dos seus compatriotas. O argumentista – John Ney Rieber – é obviamente demitido. Para o seu lugar veio um outro que defendia um Capitão América mais comprometido com a guerra no Iraque. Não teve assim tanto sucesso junto dos leitores e, então, surgem as 79 recomendações de Baker ao Presidente Bush.

Publicado por [Joystick] às 06:27 PM | Comentários (4)

Pinochet: a sua saúde evoluiu "favoravelmente", dizem os médicos

Pablo Germán Atanasiu Laschan, recém-nascido (alguns documentos mencionam alguns meses de idade). A sua mãe, Frida Elena Laschan Mellado, estudante chilena, foi detida no seguimento do golpe de 11 de Setembro de 1973, tendo sido posteriormente libertada. Aproveita a ocasião para fugir com o seu marido, Miguel Angel Atanasiu Jara, estudante argentino, para Buenos Aires. É nesta cidade que acabarão por ser sequestrados - pai, mãe e bebé - a 15 de Abril de 1976, no âmbito da operação Condor e da acções contra matrimónios mistos entre argentinos e chilenos, promovidas por Pinochet. Nada mais se soube sobre qualquer um deles. Constam da lista de crimes do despacho do juíz Baltazar Garzón para a detenção de Pinochet em 1998.

Os pais de Pablo estão, obviamente, mortos. Pablo ou está morto ou foi entregue a uma família "às direitas", como aconteceu a centenas de bebés chilenos e argentinos, desconhecendo a sua história.

Diferente percurso teve o filho de 2 anos e meio de Nalvia Rosa Mena Alvarado, 20 anos, militante do Partido Comunista. Foi sequestrado juntamente com a sua mãe, grávida de 3 meses, o seu pai, Luis Emilio Recabarren González, e o seu tio, Manuel Guillermo Recabarren González, a 29 de Abril de 1976, pelas 21h30. Às 23h30, o bebé é abandonado pelos oficiais da DINA nas proximidades do domicílio. No dia seguinte, também o seu avô, Manuel Segundo Recabarren Rojas, foi detido. Foram todos para o centro de detenção e tortura Villa Grimaldi. Há testemunhos sobre a presença de toda a família nesse espaço, apesar das suas detenções nunca terem sido reconhecidas oficialmente. Essas mesmas testemunhas dizem que deixaram de ver todo o grupo familiar durante o mês de Agosto de 1976. Estão todos, obviamente, mortos.

O bebé da foto tem um site onde procura os seus familiares.

Publicado por [Joystick] às 11:35 AM | Comentários (1)

dezembro 06, 2006

Bom senso e bom gosto

"Uns jovens com as prioridades no sítio - inscrição numa caixa Multibanco na Universidade Nova."

Presume-se que Pacheco Pereira terá utilizado um daqueles telemóveis muito à frente que tiram fotografias. A hipótese de andar sempre acompanhado por uma máquina digital também se coloca. Em todo o caso, os jovens estudantes da Nova nada têm a aprender com Pacheco Pereira no que toca a febres consumistas.

O mais interessante em todos os monólogos decadentistas em que o Abrupto é fértil - "Claro que ninguém vai ao teatro, claro que acabaram os cafés (pelo menos em Lisboa), claro que se desertificaram os bairros, claro que acabou a Lisboa dos anos 60, tão íntima como provinciana, onde éramos os absolutos cosmopolitas, exactamente porque os filhos dos deserdados das cheias, os filhos dos operários do Barreiro, os filhos das criadas de servir, os filhos dos emigrantes de Champigny, os filhos da "canalha" anarco-sindicalista e faquista de Alcântara mandam no consumo e o mundo que eles querem é muito diferente. Eles entraram pelos cafés dentro e transformaram-nos em snackbars e em lanchonetes, entraram pelas televisões e querem os reality shows, entraram pela "cultura" e pela política e não querem o que nós queremos, ou melhor, o que nós queríamos por eles. O acesso das "massas" ao consumo material e "espiritual" faz o mundo de hoje, aquele que é dominado pela publicidade, pelo marketing, pelas audiências, pelas sondagens. É um mundo infinitamente mais democrático, mas menos "cultural" no sentido antigo, quando a elite, que éramos nós, decidia em questões de bom senso e bom gosto." afirma-se a dada altura a propósito da entrevista de Jorge Silva Melo à RTP - é que o habitual à vontade de Pacheco Pereira para atribuir responsabilidades e encontrar culpados se desvanece completamente.

A culpa é de uma nebulosa chamada democratização, para a qual terá contribuído, indistintamente, uma suposta «geração de 60». E o que fica é uma imagem desfocada de muita gente de barba ou patilhas, calças à boca de sino de evidente mau gosto, estruturalismo francês e Pop britânica debaixo do braço, a cozinhar a sociedade de consumo nos cafés das Avenidas Novas, criando os seus próprios coveiros, as tenebrosas «massas de consumidores», os «jovens com as prioridades no sítio».

Mas o que fica, acima de tudo, é uma indistinta linha recta que vai da Revolução até hoje, sem qualquer discontinuidade ou ruptura, como se não tivesse existido Cavaquismo ou fundos europeus. Como se tudo isto que nos rodeia resultasse da expressão directa da vontade popular. Como se aquilo a que Pacheco Pereira chama a «sociedade de consumo» e a «democratização massificada» não se tivessem erguido sobre os cadáveres de inúmeras lutas, não fossem politicamente construídas e não se articulassem com uma restauração, parcial mas efectiva, de uma ordem muito antiga, contra a qual, precisamente, a Revolução embateu com um estrondo que ainda ecoa.

Como se tivesse em tempos existido História, para agora deixar de existir. Como se só Pacheco Pereira e os amigos com quem bebe café conhecessem o sítio certo para as prioridades.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:41 PM | Comentários (7)

Herri Matatuna



Publicado por [Rick Dangerous] às 03:24 PM | Comentários (1)

dezembro 05, 2006

De direita, eles?

No ultra-tendencioso Dia D (auto-denominado “suplemento de economia do Público"), Adolfo Mesquita Nunes escreve um artigo de opinião sobre “Os Excêntricos Liberais”.

Não está on-line e já o li no Domingo, mas lembro-me bem dele.

Basicamente, a teoria é que a divisão esquerda / direita já não faz sentido, sobretudo para essa espécie supostamente nova – Os Liberais (do Dia D). Os Liberais estão acima dessas disputas antigas entre esquerda e direita e avisam: Se não nos libertarmos deste paradigma, é o próprio debate de ideias que sai a perder, porque ficamos presos em dogmas do tipo “Só podem haver políticas de imigração de direita”, “só podem haver políticas de ambiente de esquerda”, etc, etc.

Sem entrar aqui em grandes provocações, gostava que alguns destes liberais , me informassem sobre 3 questões (e tiro o chapéu ao liberal que tiver a coragem política para o fazer):

- Que posição têm acerca da livre circulação de pessoas? Vistos de residência e trabalho a pedido ou nem é preciso?

- Que posição têm acerca da liberalização das drogas? Só da cannabis ou de todas?

- Que posição têm acerca dos benefícios fiscais para deficientes? São contra ou como são contra os impostos, nem sequer há hipótese de benefícios fiscais?

Publicado por [Saboteur] às 07:39 PM | Comentários (9)

Pinochet: passou bem a noite

Juan Alsina Hurtos, padre progressista espanhol com 31 anos, foi detido a 19 de Setembro de 1973 no Hospital de San Juan de Dios, juntamente com outras 6 pessoas - 4 fuziladas e 2 dadas como "desaparecidas". Foi espancado e executado nessa mesma noite com rajada de metralhadora. Foi deitado ao rio e o seu cadáver foi encontrado passados 8 dias. A certidão de óbito refere como causa de morte "lesões profundas na cara" e "múltiplas feridas de bala". Ao contrário de Pinochet, não teve extrema unção.

Publicado por [Joystick] às 11:45 AM | Comentários (1)

dezembro 04, 2006

Sobre a infanticida Maria Farrar

Maria Farrar, nascida em Abril,
menor, sem sinais particulares, raquítica, orfã,
sem qualquer condenação anterior, ao que se julga,
é acusada de ter assassinado uma criança, da seguinte forma:
Conta ela que já no segundo mês
em casa de uma mulher, num sótão,
tentou expulsá-lo com duas injecções
dolorosas, como se calcula, mas não saíu.

Não se indignem por favor,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.

Assegura contudo, ter pago de imediato
o estipulado, ter continuado a apertar a cintura,
ter também tomado aguardente com pimenta moída,
o que apenas serviu de forte purgante.
O corpo estava inchado e sentia também
dores frequentes quando lavava os pratos.
Estava ainda em idade de crescer, segundo ela própria dizia.
Rezou à Virgem Maria com muita fé.

a vós também, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.

As orações, ao que parece, não serviram de nada.
Pedia-se demasiado. Quando já estava mais cheia
sentia vertigens durante a missa. Suava muito.
E também suava de medo, com frequência, diante do altar.
Mas fez segredo sobre o seu estado
até ser surpreendida pelo nascimento.
Isto resultou, pois ninguém pensava
que ela, tão pouco atraente, pudesse ser presa de tentação.

E também a vós, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.

Nesse dia, diz, bem cedinho,
estando a limpar as escadas, sentiu como que umas unhas
a arranhar-lhe o ventre. A dor
sacudia-a, mas conseguiu manter-se calada.
Todo o dia, enquanto estendia a roupa que lavou,
pensou e tornou a pensar, até se dar conta,
de coração apertado, que tinha mesmo que parir.
Só tarde subiu para o quarto.

A vós também, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.

Quando estava deitada, vieram chamá-la;
tinha nevado e teve que varrer.
O trabalho durou até às onze. Foi um dia bem longo
Só pela madrugada pôde parir em paz.
Conta ela que pariu um filho.
O filho era igual aos outros filhos.
Mas ela não era como as outras, embora...
Não há motivo para brincadeiras.

A vós também, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.

Assim, pois, deixemo-la contar
o que sucedeu com este filho
(diz ela que não quer esconder nada)
para que se veja como somos.
Diz que ficou pouco tempo na cama
angustiada e sózinha;
sem saber o que aconteceria a seguir
obrigou-se a conter com esforço os gritos.

A vós também, peço que não se indignem
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.

Como o quarto também estava gelado,
segundo diz, arrastou-se com as últimas forças
até à latrina e ali
(quando, já não se recorda) pariu
sem ruído até ao amanhecer.
Estava, diz ela, muito perturbada nesse momento,
já meio entumescida, mal podia segurar o menino
prestes a cair na latrina dos criados.

A vós também, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.

Então, quando ía da retrete para o quarto
- antes, diz ela, não aconteceu nada - a criança
começou a gritar. Isso afligiu-a tanto
que se pôs a bater-lhe com os dois punhos,
cega sem parar até a criança ficar quieta.
Então, levou o morto
consigo para a cama durante o resto da noite
e pela manhã escondeu-o na lavandaria.

A vós também, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.

Maria Farrar, nascida em Abril,
falecida na prisão de Meissen,
mãe solteira, condenada,
quer mostrar-vos os crimes de todo o ser humano.
Vós que paris sem complicações em lençóis lavados
e chamais "bendito" ao vosso ventre prenhe,
não condeneis estas infames fraquezas
porque, se o pecado foi grave, o sofrimento também foi grande.

Por isso peço que não se indignem
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.

Bertolt Brecht


Publicado por [Rick Dangerous] às 04:32 PM | Comentários (3)

Pinochet: 1800 dólares e vai dormir a casa, com extrema unção e tudo

Elsa Victoria Leuthner Muñoz, professora e mãe de 3 filhos, foi presa no seu domicílio, em Santiago do Chile, às 7h30 do dia 15 de Agosto de 1974. Foi levada para "Londres 38", recinto clandestino de detenção e tortura da Dirección Nacional de Inteligencia - DINA. Nesse lugar cruzou-se com outros detidos que testemunham a sua detenção. Daí seguiu para "Cuatro Alamos", sendo que sobreviventes testemunharam, de igual forma, que Elsa esteve detida nesse lugar. Uma dessas testemunhas foi uma amiga mexicana, Rosetta Pallini González, que viria a morrer aos 22 anos num hospital da cidade do México por complicações das torturas sofridas - destruição vaginal, obstrução da bexiga, problemas respiratórios, colapso vesicular e desnutrição.

Considerada como "desaparecida" durante a ditadura de Pinochet, não está dada como provada a sua detenção. Está, obviamente, morta.

Publicado por [Joystick] às 04:24 PM | Comentários (3)

Até os comemos


Publicado por [Rick Dangerous] às 03:57 PM | Comentários (2)

dezembro 03, 2006

Eu, leitor de diários desportivos, me confesso!

kick_racism_logo.jpg
Talvez isso explique parte do meu humor sexista e brejeiro mas sou, de facto, leitor assíduo de diários desportivos. Principalmete d'A Bola (a «bíblia do desporto»), desde os tempos mais distantes - que, na minha faixa etária, equivalem aos idos de 80 do século passado!
Vem isto a propósito do artigo de opinião que surge na edição deste chuvoso (de acordo com as previsões dos senhores da meteorologia) Domingo, da autoria do vetusto (no sentido elogioso da palavra, e para usar termos à altura da sua verve) jornalista Homero Serpa. Transcrevo, a seguir, um excerto do já referido artigo, e deixo um apelo à reflexão! [Tão bonito...] [E, ao mesmo tempo, civilizado!]
Um abraço desportivo!

«Notícias deste nosso nacional socialismo
Por Homero Serpa
O Jornal de Notícias deu destaque na primeira página de sexta-feira ao resultado de uma investigação da Polícia Judiciária às claques dos clubes de futebol do topo da lista nacional, oferecendo ao leitor atento não apenas as descobertas até agora conseguidas, já de si graves, mas uma perspectiva do que pode ainda trazer à opinião pública. Se isso lhe for permitido, claro, porque num país de valores paralelos até os crimes mais erodentes do bem-estar social podem cair em bem guardado arcano, dependendo isso de quem os pratica. Mas a manchete do JN alerta o cidadão para os bastidores do desporto, para as suas caves tenebrosas, tendo ainda a vantagem de, numa perspectiva lógica, sugerir comportamentos duvidosos de indivíduos, até agora, defendidos pelo hissope* que de bondade e honestidade salpica rostos angelicais. A confirmarem-se as veneníferas infiltrações nas agremiações desportivas, o caso Apito Dourado não passa de uma questão secundária, embora, aparentemente, mais mediática, e as ligações de elementos das claques aos neonazis, referenciadas por aquele matutino portuense, justifica muita coisa que se passa à volta dos jogos de futebol, incluindo o racismo. O cidadão democrata não é racista, nem xenófobo, as atitudes dissociais são, normalmente, atribuídas aos grupos extremistas e estranho seria que as obsoletas e vencidas ideologias fascistas ou nazis não invadissem o desporto com relevo para o futebol, o seu rosto mais visível.»

* «Hissope» significa, de acordo com o dicionário online Priberam, «de hissopo, planta que era usada para aspergir. s. m., pequena haste que tem na extremidade cabelos ou sedas, ou uma esfera de metal oca e furada, com que se fazem aspersões de água-benta, nos actos religiosos.» Que isto de ler diários desportivos ainda tem o seu quê de complicado... Ou bem que se tem um dicionário (online, de preferência) à mão ou perde-se muito do que é essencial!


Publicado por [Bomb Jack] às 05:46 AM | Comentários (6)