« setembro 2006 | Entrada | novembro 2006 »

outubro 29, 2006

Lula!

Parece que Lula ganhou com 62%.

É absolutamente esmagador!

Sem perceber muito da política brasileira, posso dizer que no mínimo, aquilo que se diz há tanto tempo, à direita e em alguma esquerda, curiosamente, que "Lula foi uma enorme desilusão", não é totalmente partilhado pelos brasileiros.

...e eles lá devem ter as suas razões...

Publicado por [Saboteur] às 11:34 PM | Comentários (2)

O que faz falta

socrates.gif

Parece indiscutível que o estado de graça do Governo acabou.

O Orçamento de Estado foi mesmo longe demais... Estive a ouvir o fórum TSF no outro dia e estava toda agente fodida. O secretário de estado tentava explicar que os benefícios fiscais só acabavam para os deficientes com maiores rendimentos, mas o pessoal queria lá saber. O Governo está a tirar dinheiro aos aleijadinhos e isso é intolerável.

É pena é não haver nenhuma alternativa à vista.

Sinto-me como se estivesse na Grã-Bretanha, a ver o Blair a cair nas sondagens enquanto o Partido Conservador se prepara para assumir o poder.

Publicado por [Saboteur] às 05:09 PM | Comentários (2)

outubro 28, 2006

Fazer a discussão sempre adiada: os 50 anos do Relatório Kruschev

Aqui em baixo ponho alguns excertos de um texto de Paulo Fidalgo sobre a conferência que se vai realizar no dia 7 de Novembro, à noite, no museu República e Resistência, com Carlos Brito, Raimundo Narciso e Fernando Rosas.

«(...)Foi sem dúvida muito importante denunciar as purgas, fuzilamentos e deportações. Onde de resto se pode constatar que foram em primeiro lugar os comunistas as vítimas maiores de Stálin. Foi igualmente importante a denúncia do desastre nos primeiros meses do blitzkrieg nazi que levou em 1941 a Wermartch aos arredores da Praça Vermelha, em Moscovo. Foi importante na distensão do clima da guerra-fria e na promoção da coexistência pacífica. Foi finalmente importante a linha de aproximação à Jugoslávia de Tito.

Estabeleceu porém o relatório os limites ideológicos da própria desestalinização ao defender os méritos de Stálin na derrota da direita e da esquerda bolcheviques no final dos anos 20 do século XX. Na medida em que, como nele se diz, ter-se-ia assim possibilitado à URSS desenvolver prioritariamente a indústria pesada e capturar o patamar de desenvolvimento das potências capitalistas. É importante assinalar de resto que o PCUS de Krushchev negou expressamente a reabilitação dos heróis comunistas mais representativos dessas correntes, Trosky e Bukharine, assassinados às ordens de Stálin. Sublinhe-se, naquilo que é um conceito tecnocrata amplamente criticado no marxismo moderno, a prioridade de tal projecto dada à tecnologia e às forças produtivas, onde se desvalorizam portanto, em contraponto, as relações de produção, o motor afinal da transformação socialista (...)»

«(...) Que linha adoptar então face ás formações económicas estatais que hoje proliferam, apesar de defrontarem em muitos casos a oposição dos políticos capitalistas? Irá a esquerda limitar-se a administrar a economia estatal, tal qual a herdem dos capitalistas, ou vão partir dessa plataforma para empreender uma efectiva remodelação? Vão continuar a favorecer uma apropriação estatal da riqueza, com perpetuação do assalariamento, naquilo que é um pensamento da esquerda, ou vão empreender, pelo contrário, uma transformação das relações de produção que dêem aos trabalhadores mais poder e controlo sobre a riqueza de que são os principais criadores, no que pode ser olhado como um argumento à maneira de Bukharine?(...)»

Publicado por [Saboteur] às 05:34 AM | Comentários (5)

outubro 26, 2006

Em massa

portugal86.jpg

CULTURA DE MASSAS EM PORTUGAL NO SÉCULO XX
II Seminário de Investigação (2006/2007)

Local: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna, 26-C, Lisboa)
Horário: 18h – 20h

7 NOV
TER
Filipa Coelho e Ricardo Noronha
«Tóbis Portuguesa: entre a Política
do Espírito e a indústria cultural.»

21 NOV
TER
Cândido Gonçalo
«Fonógrafos e Gramofones: o comércio de música gravada em Portugal.»

5 DEZ
TER
António Tilly
«A produção musical e a indústria fonográfica em Portugal (1960-1980)»

9 JAN
TER
Luis Trindade
«Primeiras Impressões. Entrar no mundo através das primeiras páginas dos jornais»

23 JAN
TER
Carla Baptista e Fernando Correia
«Os anos sessenta como um período de viragem no jornalismo escrito português»

6 FEV
TER
Eduardo Cintra Torres
«A Multidão na Literatura Portuguesa na Passagem do Século XIX para o Século XX»

27 FEV
TER
Madalena Soares dos Reis
«RTP: “Uma televisão ao serviço do povo”»

13 MAR
TER
Rui Estrela
«Evolução da actividade publicitária no período 1932-1974 – o caso português»

27 MAR
TER
Fernanda Rollo
«Ligar o mundo»

17 ABR
TER
Nuno Domingos
«A narrativa do futebol português em Moçambique durante o período colonial»

8 MAI
TER
José Neves
«A cultura de massas e os comunistas»

15 MAI
TER
Frederico Ágoas
«Ciência e massas»

22 MAI
TER
Tiago Baptista
« Mulheres, cinema e consumo no início do século XX»

5 JUN
TER
António Pedro Pita e Salwa El-Shawan Castelo-Branco
«Povo, Massas, Públicos: definições e debates»

Organização: Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:52 AM | Comentários (3)

Doc Lisboa

A Apordoc e a Culturgest decidiram não passar um documentário acerca de uma agência de viagens que burlava os seus clientes, devido a uma ameaça de acção judicial feita por essa agência.
A Apordoc vai passar hoje à noite um documentário acerca de Hip-hop português, patrocinado pela Red Bull. Não há bilhetes disponíveis, porque a Red Bull reservou para si todos os lugares do Grande Auditórios da Culturgest.

Pacheco Pereira pode dormir descansado.
Nunca as documentaristas da Apordoc hão-de ocupar outra coisa senão uma posição confortável no mercado da «cultura». Nunca o Doc Lisboa há-de ser outra coisas que não uma flor na lapela e um bom certame para jovens aspirantes a documentaristas trabalharem como cães a troco de nada.
Com artistas assim quem precisa de empresários?

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:36 AM | Comentários (2)

outubro 24, 2006

Mais uma Santanada (Durãozada e Guterrada tabém...)

Por motivos profissionais, hoje em dia, quase todas as semanas, tropeço nas mais incriveis santanadas.

Mais uma:

Contratos-programa (financiamento) feitos entre o estado central e autarquias PS e PSD:

2001 - PS: 29; PSD: 13
2002 - PS: 20; PSD: 48
2003 - PS: 6; PSD: 32
2004 - PS: 8; PSD: 45
2006 - Ps: 27; PSD: 28

Para além do imoral padrão do contrato-programa partidarizado, em que Guterres e sobretudo Durão (com o seu famoso Ministro Isaltino de Morais em frente ao Ministério do Ordenamento do Território e das Cidades), aparecem como grandes protagonistas, foi no periodo em que Santana foi Primeiro-Ministro (2004), que com maior esplendor aparece evidente o caciquismo e a vilanagem.

Publicado por [Saboteur] às 11:24 AM | Comentários (1)

outubro 23, 2006

Tudo para o mesmo saco

«O Comité Central valoriza e saúda os processos de resistência e de luta que prosseguem por todo o mundo, expressando em particular a sua solidariedade: ao povo de Timor-Leste e à Fretilin, que enfrentam a continuada conspiração do imperialismo e da reacção interna; ao povo da Guiné-Bissau e ao PAIGC que acabam de celebrar o 50.º aniversário da fundação do partido de Amílcar Cabral; ao povo do Brasil e à coligação de esquerda que apoia a reeleição do Presidente Lula contra o regresso da direita reaccionária; aos comunistas e ao povo coerano pela reunificação pacífica da sua pátria e contra o bloqueio económico e as ameaças de agressão imperialista à RPDC; ao povo e aos comunistas cubanos empenhados na defesa da sua revolução e na luta pela libertação dos cinco patriotas encarcerados nos EUA.»

Excerto do mais recente comunicado do Comité Central do PCP

Publicado por [Saboteur] às 07:21 PM | Comentários (4)

O regresso dos mortos-vivos

Hoje aparece o Santana Lopes na rádio e na televisão a dizer não sei o quê...

Já na TSF, deram a opurtunidade a esse escroque de fazer uma crónica por semana.

Quando vejo desta forma a mediocridade a ser premiada, a má gestão e erros escabrosos a serem esquecidos, a mentira dos políticos a ser aceite, verifico que, realmente, este é um país inviável e que mais vale cada um sacar o mais que pode e que se foda o resto...

Rascunho de Frank Gehry que costou aos lisboetas 2.500.000 Euros. Um dos mais modestos exemplos de despesismo da gestão de Santana Lopes na CML. Modestos, até porque neste caso, ao contrário de outros, não há pagamento de favores políticos

Publicado por [Saboteur] às 01:12 PM | Comentários (2)

outubro 20, 2006

As pernas curtas de Pacheco Pereira

Pacheco Pereira tem dedicado posts e artigos à ocupação do Rivoli, com uma regularidade que apenas se explica pela existência de um programa político apontado àquilo a que chama, com algum desdém, «cultura subsidiada».
Os ocupantes do Rivoli, com a habitual ligeireza dos «criadores culturais», têm feito o possível para caber nas suas caricaturas, com as suas reivindicações parciais e afirmações melodramáticas, que gastam em adjectivos e figuras de estilo aquilo que economizam em inteligência.

Esta ocupação, que desde logo se saúda por contrariar o espírito bafiento de paz social e conformismo que reina neste olho do cu em forma de país, vem demonstrar desde logo que não pode existir uma crítica consequente da privatização dos espaços culturais que não seja uma crítica consequente da cultura. Em que palavras como «público», «autor», «criação» e «produto artístico» não sejam utilizadas de forma gratuita, como se o seu significado se limitasse a exprimir ou a descrever uma realidade existente e não viesse, pelo contrário, perpetuar essa realidade.
Se falamos de uma «produção cultural» e se incorporamos e reproduzimos no nosso discurso todas as categorias de uma «indústria cultural», porque nos havemos de revoltar contra o facto dessa indústria ser gerida, tal como todas as outras, segundo parâmetros de mercado?

É deste tipo de limitações teóricas que Pacheco Pereira, sabichão que é, se aproveita para combater o «elitismo cultural» dos ocupantes, afirmando em contrapartida a liberdade do «público» para gastar o seu dinheiro nos «produtos culturais» que mais lhe interessam. As suas pernas são porém mais curtas do que seria necessário para semelhante passo, como se vê pegando apenas em duas questões suscitadas pelos seus textos.

No Porto, nos últimos 20 anos antes do 25 de Abril, o "povo" dispunha de espectáculos de teatro, quer "sério", quer de revista, com a vinda regular das companhias de teatro de Lisboa ao Rivoli e ao Sá da Bandeira. Mais raramente havia ópera, é certo que óperas mais "fáceis" como O Barbeiro de Sevilha, o Rigoletto ou a Cavalaria Rusticana, mas era ópera e os espectáculos conheciam enchentes. A maioria destas iniciativas era de empresários do teatro e a presença do Estado fazia-se sentir essencialmente através da FNAT e da Emissora Nacional que organizavam espectáculos populares e baratos. Havia um défice face a Lisboa, mas não era o deserto que hoje se pensa.

Esta afirmação, que explora a inexistência de um jornalismo crítico em Portugal, corresponde escassamente à realidade.
Apenas para dar um exemplo, retirado, não de um jornal, mas do boletim da União dos Grémios do Espectáculo (esses furiosos «elitistas culturais e adeptos dos subsídios», presume-se), nº123, de Novembro de 1964, a propósito da frequência dos cinemas do Porto aquando das estreias de filmes portugueses : "Recordamos ainda que, há mais de trinta anos, é insignificantíssimo o número de bilhetes que se vendem no Porto, na véspera de estreia de qualquer espectáculo, salvo a meia dúzia de excepções por ano - futebol e carnaval."

Como facilmente se vê, o período de ouro de actividade cultural no Porto na época pré-subsídios, que Pacheco Pereira situa algures entre 1954 e 1974, é uma ficção. Não seria grave, se Pacheco Pereira não soubesse estar fazer uma afirmação deste género na qualidade de Historiador (com h grande), para reforçar as suas posições políticas.

A segunda questão, que é um pouco mais ampla e convida a outras reflexões, tem a ver com o próprio ganha pão de Pacheco Pereira que, quando não é deputado (subsidiado por todos nós) ou colunista (subsidiado, de forma mais que artificial em termos meramente mercantis, por Belmiro de Azevedo), dá aulas em universidades, produzindo um «saber» que não é consumido pela maior parte da população que o paga.
Sabemos bem que Pacheco se defenderia com a necessidade das Universidades assegurarem receitas próprias. Mas estaria ele em condições de atacar da mesma maneira professores universitários que ocupassem uma Universidade pública ameaçada de privatização?
Parece-me evidente que teremos de esperar ainda alguns anos para ver acontecer semelhante coisa.
Muito mais haveria para dizer, mas este assalariado da «indústria cultural» tem coisas importantes para fazer. Remodelar a sala, por exemplo...

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:53 PM | Comentários (3)

outubro 19, 2006

Rivolição


Ao que parece o Rivoli foi desalojado pela polícia.
Em todo o caso está marcada para as 20h00 de hoje, em frente ao S. Luiz, uma concentração em solidariedade com os ocupantes daquele teatro municipal do Porto.
Amor com amor se paga...

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:19 PM | Comentários (9)

PS em alta

É o título dado à mais recente sondagem no site do tio Balsemão. Uma boa sondagem em tempos de aperto de cinto e mobilização sindical em alguns sectores, a provar como a malta até gosta de levar no lombo. Tão boa que até parece outra coisa. Mas deixe-se Balsemão em paz.

Afinal, todos nos lembramos quem é verdadeiramente responsável por isto, não é?

Publicado por [Renegade] às 10:20 AM | Comentários (1)

outubro 18, 2006

O problema

O problema do Governo, como disse Paulo Sucena é que «Desde que tomou posse o ministério não tem feito outra coisa a não ser insultar os professores e os sindicatos, e mentir descaradamente, para usar a mesma linguagem do ministério» sem perceber que é com os agentes educativos e com os cidadãos em geral que se tem de (re)construir um sistema educativo de maior qualidade.

O problema da Fenprof é que tem centrado toda a questão numa mera luta em defesa dos direitos/regalias dos professores, colocando de fora do discurso sindical o ataque aos problemas de fundo do sistema, em defesa da Escola Pública de qualidade, mesmo que isso implique reconhecer que há jovens professores (e outros não tão jovens) que só o são porque essa era a melhor saída profissional que arranjaram num dado momento da sua vida, e que há velhos professores (e outros não tão velhos) que serviriam melhor a Administração Pública se estivessem a fazer outras tarefas.

A luta dos professores vai ser perdida porque não há apoio social para ela, como está a haver, por exemplo, com o caso do RIVOLI…

...Tenho pena, porque este Governo tem de ser travado. Não porque quer impor um sistema de avaliação dos professores, mas porque está a ser muito profissional e eficiente a cumprir o essencial do programa neo-liberal que está na moda na europa.


Nota: Para além disso, creio eu, não ajuda muito que quem esteja sempre a dar a cara seja o Mandatário Nacional do Jerónimo Sousa à Presidência da República, que foi o cabeça de lista da CDU por Coimbra, que tinha sido o cabeça de lista da CDU nas autárquicas… Não é por acaso que o Carvalho da Silva sempre se manteve como militante de base do PCP… Não é preciso ser um crânio da estratégia política.

Publicado por [Saboteur] às 08:00 PM | Comentários (13)

Operários da produção educativa em luta!

proletariado.jpg

O meu pai é professor. Parece-me que é dos bons:

Faz aulas divertidas mas insiste nas coisas básicas da matemática. Tenta ensinar coisas para além da matéria, não perde a calma quando os alunos lhe cospem em cima ou quando fazem os 1001 disparates do costume, e tenta sempre conversar com os pais sobre as dificuldades dos alunos. No final do ano, não dá positivas só para se ver livre de determinada “peste”.

Há uns meses estava todo chateado porque tinha passado a ter de estar na escola durante 26 horas por semana em vez das 18 do ano passado.

Em relação, à reforma do estatuto da carreira docente, ele não tem grandes preocupações, não só porque está em fim de carreira (e portanto não é afectado), mas porque acha bem que os professores devam ter um sistema de avaliação.

Aliás, a avaliação dos professores é uma questão importantíssima para ele, visto que se está sempre a queixar que uma série de professores e professoras não percebem nada do que é dar aulas, dão mau nome à profissão e dificultam ainda mais a vida aos outros professores.

Não fez greve

Publicado por [Saboteur] às 07:10 PM | Comentários (5)

outubro 17, 2006

Ele professores ha em todo o lado...

Dinis Barcelona 012.jpg

Cheguei ao Mexico para perceber que os nossos professores nao sao os unicos com problemas.
Alem da situacao presidencial ainda nao estar resolvida (continua a haver accoes regulares de apoio a Lopez Obrador - espero ainda escrever sobre isso durante a semana), os professores em Oaxaca estao em greve ha 129 dias.
E como estamos na America Latina, a coisa nao se faz por menos: barricadas nas ruas, assembleias populares no Zocalo (a praca central das cidades mexicanas), cartazes e grafitis em toda o centro historico.

Tudo remonta a 14 de Junho, data em que o Governador do Estado, Ulises Ruiz, decidiu terminar com a vigília de 24 dias dos professores do Sindicato Nacional de Trabajadores de la Educación (SNTE) com uma intervencao policial que deixou mais de 90 feridos.

E caso para pensar: depois disto, de Acteal, de Atento, de Chiapas, como consegui exactamente o Mexico a imagem democratica e "limpinha" que tem a nivel internacional?

Publicado por [The Plotter] às 06:05 PM | Comentários (4)

Escolha

A campanha de desinformação da IVG já começou. A Câmara Municipal de Lisboa aprova a transferência de dinheiros públicos para actividades do Movimento de Defesa da Vida e a Diocese de Coimbra faz um panfleto em que mete, lado a lado, um bébe com 1 mês de idade e uma grávida de 28 semanas e pede para que as pessoas assinalem as diferenças e vaticina: «A morte de uma criança horroriza qualquer um. E quando não a vemos, podemos tirar-lhe a vida? Pense Nisso. Interrompa Voluntariamente o aborto».

O cúmulo é que a criança de 1 mês de idade do dito panfleto tem uma mãe que é activista pela despenalização da IVG. Fez queixa e obteve a seguinte Notificação de Arquivamento do Ministério Público: «Donde se conclui que, a partir do momento em que foi consentida a reprodução da imagem pelo titular do direito respectivo [para uma reportagem com temática diferente para a Notícias Magazine] - no caso em apreço os legais representantes do menor - qualquer posterior utilização da imagem não está penalmente tutelada. A menos que essa posterior utilização coloque em crise outros valores com tutela penal, como por exemplo a honra ou a auto-determinação sexual, o que não ocorre no caso vertente.» Mas não é exactamente isso que se passou?!

Catarina Pires, apesar de ser pró-escolha, tem o seu filho na campanha da Igreja pelo "Não" no referendo e participou, através das suas contribuições, para os 20.000 euros que acabaram nos bolsos do movimento anti-escolha. É fodido!

Vejam aqui uma notícia sobre este caso. E aqui outra.

Publicado por [Joystick] às 04:01 PM | Comentários (3)

outubro 16, 2006

Somewhere over the rainbow bluebirds fly

O Fórum Social Português deste ano, em Almada, soou-me a Chico Buarque:

"Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim."

O único sinal de rejuvenescimento veio da banca da ATTAC. Por lá, no meio dos folhetos e autocolantes, um outro mundo era possível: havia troca de fraldas e os gu-gu-dá-dás da Francisca e do Lucas. Almada está para os movimentos sociais como a Checoslováquia estava para os estudantes comunistas: até poderia ter outras condições, mas é o exílio e, claro, fica-se debaixo do olho do Big Brother.

Depois lá fomos assistir a um debate sobre Partidos Políticos e Movimentos Sociais na era da Globalização, organizado pelo Bloco de Esquerda, abrilhantado por Alex Callinicos no papel de Feiticeiro de Oz. Escondido atrás de cortinas e controlando um holograma e uma máquina de fumos, explica a Dorothy como a Rifondazione é a Bruxa Má e Respect a Fada Boa. A prova é que a primeira está no governo de um país que manda tropas para o Líbano e Respect está num país que tem tropas sem mandato internacional numa ocupação no Iraque, mas Respect é contra, tem, assim, uma posição "lavadinha" que enche de orgulho Alex Callinicos e de cadáveres as ruas de Bagdad. Rifondazione, que escolheu parar de encher de cadáveres as ruas de Beirute, "vendeu-se" à Real Politik e à Luta contra o Terrorismo, como braço armado da expansão do Império, sugere Alex Callinicos.

Quanto às relações entre Movimentos Sociais e Partidos Políticos, Feiticeiro de Oz - ainda antes de ser desmascarado por detrás das cortinas de chuveiro - convence Dorothy (Movimento Social) que, para voltar a casa, precisa da sua ajuda e sapiência preciosíssima e cumprir a missão de dar cabo das Bruxas Más deste mundo, mas - como a Joana do GAIA - Dorothy não percebe que o poder que tem está nos próprios sapatos, que nem precisava de ir à Emerald City do Bloco de Esquerda.

["O Feiticeiro de Oz" passou, curiosamente, no mesmo dia da conferência, na Cinemateca]

Publicado por [Joystick] às 01:04 PM | Comentários (4)

outubro 15, 2006

Ao que se sujeitam as Universidades, em busca de financiamento

O grupo de betinhos liberais que se instalou no "suplemento de economia" do público - Dia D - sente-se de tal forma estável e de costas quentes, que até se dá ao luxo de publicar artigos destes, sobre o aquecimento global.

Leiam no blog e espantem-se como num jornal, supostamente “de referência”, saiam artigos a roçar descaradamente o mais tacanho obscurantismo.

Vejam na revista e riam-se da fotografia de André Azevedo Alves com o seu melhor ar “a la mourinho”, e que pomposamente assina douturando na London School of Economics.

Publicado por [Saboteur] às 09:39 PM | Comentários (5)

outubro 14, 2006

Dedicated to sabouter, dangerous and all the bluntmen & bluntwomen out there

Publicado por [Renegade] às 03:20 PM | Comentários (3)

outubro 13, 2006

festa

festaspectrum5anos2.jpg

Publicado por [Renegade] às 11:45 PM | Comentários (1)

Mira, que gran idéia!

Visitando este blog brasileño neubo que descubri ha dias, aprecebi-me que hoy es el dia mundial de hablar portuñol.

Que grande ideia! Por mi, poderiamos hacer igual en la iberia!

Publicado por [Saboteur] às 07:04 PM | Comentários (2)

Coisas inesperadas VII

director.jpg

Fazer tremer o Director Financeiro da EPUL.

Publicado por [Saboteur] às 06:31 PM | Comentários (2)

Cenas inesperadas VI

Renegade a jogar setas na sala de profs. de uma escola secundaria na banlieue de Paris.

Publicado por [Renegade] às 10:35 AM | Comentários (1)

outubro 12, 2006

Cenas inesperadas V

A selecção nacional perder na Polónia sem que um jogador português agrida alguém.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:47 PM | Comentários (4)

Cenas inesperadas IV

Acordar de manhã, com um comboio que atravessa o meu quarto.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:40 PM | Comentários (2)

Cenas inesperadas III

Ouvir Cavaco Silva afirmar-se preocupado com o combate à corrupção.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:36 PM | Comentários (2)

Cenas inesperadas II

Entrar na faculdade e estar dentro de um episódio dos morangos com açucar.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:29 PM | Comentários (4)

Cenas inesperadas

Passar um vermelho e levar um tiro na cabeça.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:25 PM | Comentários (1)

Um filme e um livro

Tous étaient frappés

Uma senhora na casa dos quarenta fala sobre o drama que é atarraxar uma tampa num boião, 5 dias por semana, 7 horas por dia, desde os 17 anos de idade. Ganha bolhas e queixa-se à encarregada. "O que quer que eu faça? Meta umas luvas". Mete as luvas, mas as mesmas são maiores que a mão e metem-se entre a tampa e o frasco. Tem metade da produtividade e leva na cabeça. Se não se porta bem... Tira as luvas e colecciona bolhas e dores nos pulsos, braços e costas. Os que se portam bem têm trabalhos mais fáceis, fora das linhas de montagem ou nas embalagens. Esta não sai de onde está e tem crises de choro. Fala com tanta rapidez que percebemos que está à beira do colapso nervoso, é a primeira observação da psicóloga ouvinte: "Fala sempre assim tão rápido?!" Os testemunhos são de consultas de patologias psicológicas do trabalho e vemos pessoas acabadas, profundamente deprimidas e com problemas psicossomáticos com razões laborais. Há a mulher da linha de montagem mas há também o director de vendas com um esgotamento nervoso e outros casos.

O documentário foi exibido ontem, na Festa do Cinema Francês. Em princípio não terá distribuição em Portugal. Falta-lhe qualquer coisa ao nível da narrativa, mas parece ser a opção ética e estética da dupla de realizadores. É um documentário cru, duro, nervoso como os intervenientes, mas é verdadeiramente um documento sobre o sofrimento no trabalho.

Fazer as pazes com a literatura

Acabei de ler "Adeus às Armas". É a nova edição dos Livros do Brasil. Nunca vi, em toda a minha vida, um livro com tantas gralhas, erros ortográficos e sintácticos. Queixei-me à editora. Dizem que me devolvem o dinheiro. Acho bem que o façam. Não sei se por causa disso - o Hemingway não merecia uma coisa destas -, acabei por não gostar nada do livro. A história também não me emocionou muito. Não percebo como é que a enfermeira independente, emancipada e voluntária na I Guerra Mundial se torna estúpida e lamechas ao apaixonar-se pelo protagonista, e passa a incluir a palavra "amor" - nas suas variantes, amo-te, amas-me, etc. - em todas as frases que profere quando, antes (do infortúnio do enamoramento), tinha uma fluência impressionante sobre as razões da guerra.

Bem, isto tudo para dizer que, quando acho que a literatura me deixou ficar mal, porque não compensou o tempo que investi nela, faço as pazes lendo Saramago.

Publicado por [Joystick] às 12:04 PM | Comentários (2)

outubro 11, 2006

Há males que vinham por bem

canabis.jpg

Em Itália, 16 deputados foram apanhados (numa amostra de 50) numa armadilha que um programa de TV (da TV do Berlusconi) lhes montou:

Entrevistavam-nos sobre o orçamento, um assistente limpava-lhes o suor antes de filmarem, analisavam o suor do deputado e pimba: 3 com vestígios de coca e o resto com Marijuana e haxixe.

Muitos se revoltaram imediatamente contra este expediente vergonhoso da televisão Berlusconiana e aplaudiram a decisão do tribunal de impedir que o programa fosse para o ar.

Eu, sinceramente, acharia mais interessante que se acabasse de vez com esta hipocrisia. Que aparecessem os nomes dos gajos e das gajas era capaz de ser um excelente passo para a luta anti-proibicionista e para o fim do negócio desonesto e perigoso das drogas ilegais.

Publicado por [Saboteur] às 12:23 AM | Comentários (2)

outubro 09, 2006

As vidas dos famosos

O novo Sec-Geral da ONU, Ban Ki-moon (habituem-se...) à chegada a um cocktail oferecido recentemente em Washington em bela e sorridente companhia

Publicado por [Renegade] às 01:44 PM | Comentários (4)

outubro 08, 2006

O amor quando nasce é para todos

Hoje vou falar de gays, lésbicas, bi, heterossexuais e adjacentes.
A ideia vem deste artigo do Expresso que nos vem falar algo superficialmente da revolução legislativa do governo do Zapatero que garantiu a adopção de crianças por homossexuais e o casamento entre homossexuais. E pus-me a pensar como esta é provavelmente a reforma social por via legislativa mais radicalmente inovadora no sentido progressista a que já assisti no meu tempo de vida.

E por que é que isto pode ser tão revolucionário?
Durante os curtos meses em que vivi no Reino-Unido vi pela primeira vez na minha vida dois rapazes de mão dada na rua a passear ao sol com uma naturalidade tipo água do luso, num registo de quem conquistou e usufrui do anonimato a que tem direito. Eu pensava que era uma pessoa relativamente cosmopolita e tolerante. E devo ser, se comparado à esmagadora maioria dos meus concidadãos portugueses. Fui ensinado a respeitar. E a não moralizar. Mas também aprendi, quase desde a escola primária, que há um certo conjunto de comportamentos que a sociedade em que aprendi a viver condena de forma transversal e hegemónica. Dois rapazes darem a mão na rua como expressão de afecto (quanto mais de amor) é uma delas. Já desconfiava, mas no dia em que isto aconteceu percebi a amplitude da revolução social que está a acontecer em Espanha.

Pela primeira vez desde que andamos por cá (eu e a malta que escreve aqui no blog) a direita conservadora e os católicos a cheirar a mofo e inquisição foram cilindrados. O machismo hegemónico de séculos perdeu em toda a linha. Abriu-se uma nova área legal para a existência de milhões de pessoas. Foram alargados direitos de forma que só a geração dos meus pais alguma vez viu. E este é um caminho sem retrocesso no quadro das instituições vigentes. Quer dizer, não haverá maneira de a Igreja e os seus aliados políticos voltarem a meter no armário legal os milhões que dele saíram sem provocar o caos na sociedade espanhola.

A malta que escreve aqui no spectrum e muit@s outr@s zangou-se e saiu ou foi corrida do PCP e com esse processo acabou também a última esperança genuína de alguma iniciativa política do PCP em torno da questão da igualdade de direitos para LGBTs na sociedade portuguesa, o que vem provar mais uma vez, se necessário fosse, que não é revolucionário quem quer mas quem é capaz de definir e actuar segundo uma linha política que conduza a mudanças revolucionárias na sociedade. Como fez o PSOE com o Zapatero. Portanto, aí em Portugal a bola ficou do lado do BE e associações periféricas e, ocasionalmente, da JS. O que se tem revelado pouco para a força que existe no outro lado da barricada, infelizmente.

Bonito, bonito, era que depois de legalizar o aborto em Portugal o Sócrates tivesse colhões para legalizar o casamento e a adopção de crianças para gays e lésbicas. Mas se calhar vamos ter que esperar por uma directiva ou recomendação da Comissão Barroso, como em tantas outras coisas.

Publicado por [Renegade] às 02:39 PM | Comentários (4)

outubro 07, 2006

Sim, senhor Professor

profs.jpg

No fim de Setembro estive em Londres no dia dos protestos anti-guerra, em que estiveram 50.000 pessoas a pedir (novamente...) a saída de Blair devido ao seu apoio à intervenção militar no Iraque.
Infelizmente, a manifestação foi marcada para Manchester, o que me deixou algo aborrecido...

Depois ter perdido também um concerto do Sílvio Rodriguez no Barbican, voltei para Portugal para descobrir que cá também andamos a ter alguma acção: no mesmo dia seguinte em que a UNESCO anunciou que o Mundo precisa de 18 milhões de novos professores até 2015 (imagino as contas que terão feito), por cá houve protesto contra a revisão do Estatuto da carreira de docente.

Cá para mim, os 25.000 professores que estiveram na manifestação em Lisboa não querem esperar até 2015.

Publicado por [The Plotter] às 01:22 PM | Comentários (1)

outubro 05, 2006

8:36

“O Henrique olhou o seu relógio «Cauny Prima». «Tenho de ir», disse ele. «Mas oiça. De todos os muitos trabalhos que passei ao serviço da Revolução, não houve nada que me fizesse mais cabelos brancos do que romper com o Partido Comunista Português mai-la sua Nova Linha que foi velha desde o princípio, porque os trabalhadores marimbam-se para os sindicatos fascistas. E os camaradas que ficaram no Partido não podem nem querem saber que eu saí pelas mesmas razões que me levaram a entrar. Veja você, a dificuldade que impede tanto camarada descontente de sair do Partido é que se sai de lá sem se ter para onde entrar. Mas eu, a partir do momento em que vi claro que esta coisa de Partido Revolucionário Único é voltar à vaca fria que envenenou a sociedade porque afoga a inteligência, das duas uma: ou deixava o que tinha conseguido salvar durante o meu crescimento ou saía do Partido. Não é numa religião disfarçada de Partido Revolucionário que está o caminho. Sendo as coisas assim, restava-me pôr a trouxa às costas e partir à confiança. Há grandes estradas para o indivíduo que quiser ser livre e não tiver medo de dormir onde calhar. Sinto que há por esse mundo cada vez mais homens à procura dessas estradas. E eu tinha de encontrar alguns, mesmo vivendo aqui, cercado de mar por todos os lados menos por um, onde está a Espanha. Até logo, amigo.»

O Henrique saiu do carro. Atirou com a porta e foi-se embora sem olhar para trás.

«Entrecolites, Fedrico Nites», citou alto o homem sem saber porquê. Olhou para o relógio. Eram oito horas e trinta e seis minutos.”

Nuno Bragança, Directa, 77

Publicado por [Renegade] às 11:23 AM | Comentários (4)

outubro 04, 2006

Não matem o subsidiozinho!

O Movimento de Defesa da Vida - instituição com larga experiência na defesa da vida, e que organiza inúmeras conferências (todas com data a confirmar, cujo o preço é € 7,5 por pessoa) - vai hoje receber da Câmara Municipal de Lisboa 20.000 Euros, para "um projecto".

O projecto é bastante interessante: "Durante 6 semanas, 7 dias por semana, 24 horas por dia" um assistente social do MDV está disponível para as 17 famílias em àreas tão diversificadas como: Apoio/Orientação Conjugal; Planeamento Familiar; Educação Sexual; orientação e encaminhamento de Acção Social (não sei o que é mas cheira-me a "epá! O melhor é contactarmos alguém da segurança social"); grupos de auto-ajuda; apoio juridico; etc.

Mais uma iniciativa de grande fôlego do vereador do PSD Sérgio Lipari.

Agora, não gastem tudo em panfletos do Não-matem-o-Zézinho...

Publicado por [Saboteur] às 10:33 AM | Comentários (5)

outubro 03, 2006

Água e Sovietes!

Passou ontem na Cinemateca. Quem não viu perdeu a oportunidade de ver um filme soviético realizado nos Estados Unidos (King Vidor, 1936), com cenas épicas de homo sovieticus musculados, lutando pela água salvadora da comuna agrícola, mas com sotaque sulista do Alabama.

Publicado por [Joystick] às 07:43 PM | Comentários (2)

Festa carbonária

Na noite de 4ª para 5ª, na Rua da Palma, 268, a partir das 22h, Rick Dangerous e o seu bigode celebram, à sua maneira, o fim da Casa de Bragança.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:18 PM | Comentários (2)

2749, 2748.....

towe2.jpg

Fui ver o filme World Trade Center.

No final informam que morreram no WTC 2749 pessoas.

Não eram 3000?! Afinal são menos 251?... Felizmente que ainda há tragédias em que o número de vitimas não pára de diminuir.

Publicado por [Saboteur] às 01:08 AM | Comentários (0)

outubro 02, 2006

Chile, Setembro de 1973. Portugal, Setembro de 1974

Recordação dos tempos em que Portugal correu o risco de ser outro Chile.

Publicado por [Joystick] às 03:56 PM | Comentários (5)