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setembro 29, 2006

Nobody expects the Spanish Inquisition II

Para quem não acredita que a humanidade pode retroceder do ponto de vista civilizacional, aqui fica o nosso segundo contributo para perceberem como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Convenção das Nações Unidas contra a tortura e as Convenções de Genebra podem ir todas para o galheiro.

"A Administração Bush arrecadou ontem uma importante vitória política ao ver as duas câmaras do Congresso a aceitar as suas condições para a detenção e interrogatório de suspeitos de terrorismo (...). Numa votação quarta-feira à noite, a Câmara de Representantes aprovou a versão defendida pela Administração, que estabelece os critérios para os métodos 'agressivos' de interrogatório de prisioneiros - entre os quais a privação do sono, a simulação de afogamento, o racionamento das refeições ou a obrigação de manter a mesma posição por prolongados períodos de tempo (...)."

Público, 29 de Setembro

Publicado por [Joystick] às 03:57 PM | Comentários (2)

setembro 25, 2006

Banhada

Ontem estava com a Joystick, Renegade e Paradise Café.

Vamos ao cinema? Mas que filme vamos ver?

Alguém se lembrou que Rick Dangerous tinha sugerido o Miami Vice.

Lá fomos...

miami_vice.jpg

Publicado por [Saboteur] às 08:40 PM | Comentários (8)

setembro 24, 2006

As empresas públicas

Dizem-nos as pessoas de direita que a Gestão Pública é ineficiente, irracional e conduz quase sempre a desperdícios.

Respondemos que não percebemos porquê que tem de ser assim.

Dizem-nos que o que é de todos acaba por não ser de ninguém e se não houver um dono a tomar conta do que é seu, acaba por ir tudo por água abaixo.

Respondemos que podem existir formas de organização da gestão com controlo de resultados, com responsabilização pessoal dos gestores públicos, com incentivos para os bons desempenhos e punições para quem faz asneira… respondemos que, afinal, o Belmiro também não está em todas as lojas worten, continente e Optimus.

Mas eles dão – eles próprios – o exemplo:

Depois de apresentarem resultados líquidos negativos de 180 mil euros em 2004, os administradores da GEBALIS (empresa municipal que gere o património habitacional camarário em Lisboa), da maioria PSD/CDS que governa a Câmara, apresentaram um plano financeiro que colocaria a empresa com resultados positivos (pouco mais de 1000 contos, é certo) em 2005.

Passados 9 meses do fecho do ano, a empresa agora tutelada por Maria José Nogueira Pinto, vem, envergonhada, apresentar os seus resultados de 2005: quase 6 Milhões de Euros negativos!

Os proveitos (rendas) aumentaram em linha com a inflação (o que seria de esperar), mas os custos dispararam: +11% de custos com pessoal; + 2 Milhões de “Outros Custos Extraordinários”; + 56% de Fornecimentos de Serviços Externos; empréstimo de 15 Milhões de Euros e consequente aumento de custos de financiamento da dívida.

Proposta da Zézinha (aprovada pela maioria PSD/CDS) para sanear a empresa: Vender à Banca 60% das rendas futuras dos próximos 12 anos, numa operação de financiamento que deve andar próxima dos 100 Milhões de Euros.

Quem vier atrás – claro – que feche a porta.

Publicado por [Saboteur] às 12:06 AM | Comentários (4)

setembro 23, 2006

Grande filme

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Publicado por [Saboteur] às 11:45 PM | Comentários (0)

setembro 22, 2006

Notas do dia

Nobody expects the Spanish Inquisition

Ninguém esperava a inquisição espanhola no Iraque "libertado" do século XXI, mas, ao que parece, foi divulgado um relatório do responsável pelo gabinete de direitos humanos da missão de assistência da ONU naquele país que fala no facto dos corpos dos detidos exibirem "com frequência sinais de espancamento, utilização de cabos eléctricos, feridas na cabeça e órgãos genitais, pernas e mãos partidas, queimaduras com fios eléctricos e com pontas de cigarros", havendo muitos corpos que "não possuem pele, surgem com diversos ossos partidos, ou desmembrados, sem olhos ou sem dentes, enquanto os ferimentos parecem ser provocados por poderosas brocas ou por pregos" (Público de hoje).

Não são todos árabes?

O mesmo jornal utiliza, por duas ocasiões, a mesma fotografia. Cheia de dramatismo, mostra uma mulher coberta de preto dos pés à cabeça, só as mãos estão à mostra. Estão 5 crianças à sua volta, mas nenhuma olha para a objectiva. Estão contemplativas, frente a um edifício destruído, ou melhor frente ao que resta do betão armado do mesmo, rebentado, retorcido e deitado por terra. Parecem estar a meio de uma iniciativa de recuperação de desperdícios sob os escombros. Na página 19, esta foto ilustra a notícia que citei em cima, cujo título é "Tortura no Iraque pior que nos tempos de Saddam Hussein" e taz a seguinte legenda: "Os corpos encontrados na morgue de Bagdad, assim como os de muitos detidos, denotam frequentes sinais de grave tortura". Na página 20 vem em tamanho pequeno. Sim, a mesma foto. Ilustra a notícia com o título "Cinco palestinianos mortos por soldados israelitas na Faixa de Gaza" e tem como legenda: "Uma das casas ontem destruídas pelo Exército israelita na Faixa de Gaza". Alguém se enganou na edição e na revisão ninguém deu pelo erro, afinal, não são todos árabes?

Publicado por [Joystick] às 04:28 PM | Comentários (2)

setembro 20, 2006

Subir na Vida

A propósito das noites tumultuosas de Budapeste, o Público traça o perfil de Ferenc Gyurcsany, primeiro-ministro húngaro. 45 anos, multimilionário. Até 1989 era um dirigente estudantil comunista. O efeito dominó nos países de Leste trouxe-lhe novas oportunidades. De apparatchik a entrepreneur, pondo uma abaixo e acelerando para enfrentar a subida meteórica. Como ele, a maioria das elites financeiras nos países ex-soviéticos ou do Pacto de Varsóvia é composta por altos funcionários políticos dos Partidos Comunistas. Nada de gradualismos, nem reposicionamentos de consciência. Não houve tempo para nada. Um dia está-se na Komsomol, no outro na Banca. Ao dia 10 falamos de melhorias no ensino universitário gratuito e de qualidade, ao dia 11 de hedge funds.

No outro dia também me cruzei com um promissor dirigente estudantil da JCP do final da década de 90. Mas esse não se vendeu à finança nem brincou com fundos de pensão, esse saiu a todos mais barato. Um dia estava na JCP e no outro na Comissão Política do PCP, pelo meio ficou uma purga enquanto ele assobiava para o ar.

Publicado por [Joystick] às 03:13 PM | Comentários (2)

setembro 19, 2006

Sobre o apito dourado e outros casos do futebol português

Um amigo meu, que trabalha na empresa que fornece aquele serviço às televisões, de chamadas de valor acrescentado, para os telespectadores votarem ou concorrerem a algum concurso, contou-me que desde cedo o José Castelo Branco sempre foi o mais votado para sair da quinta das celebridades ou do quartel ou lá o que é...

Basicamente, se fossem seguidas à risca as regras estabelecidas para o programa, “o conde” tinha saído logo e aquilo, provavelmente, não teria sido um programa de tanto sucesso, visto que não estava lá o show-man de serviço.

Aldrabaram-se as regras e não se prejudicou o espectáculo.

O mesmo se passa com o futebol: No fundo é de um espectáculo que se trata. Qual é o problema de haver uns árbitros comprados? Interessa para alguma coisa que ganhe o melhor? É por isso que vem algum bem ao mundo? O que interessa é ver o jogo e depois o debate durante toda a semana, as trocas de mimos entre dirigentes e adeptos, os fóruns TSF sobre o “caso Mateus”, etc., etc.

Não me parece nada que o futebol em Portugal esteja podre (como oiço dizer às vezes). Pelo contrário: está cheio de vida, dinâmica, riqueza, com episódios novos quase todas as semanas. Uma verdadeira indústria de entretenimento. Uma das poucas coisas que fazemos mesmo bem neste país e que não temos sabido dar o devido valor


Publicado por [Saboteur] às 12:18 AM | Comentários (5)

setembro 16, 2006

Le monde diplomatique

Hoje fui à Assembleia fundadora da cooperativa que vai voltar a publicar o Le monde diplomatique.

Publicado por [Saboteur] às 08:30 PM | Comentários (3)

O mais querido

No aniversário da Polícia Municipal de Lisboa, 115 anos, parada, todos os vereadores, entrega de condecorações, etc.

Todos os vereadores e deputados municipais de todas as forças políticas vão entregar medalhas: PSD (claro!), PS, CDS, CDU... até o Chefe de Gabinete do Carmona vai pendurar uma medalhinha!

Todos?... Não. Existe um vereador, que estava lá, chateado que nem um perú, e que não foi convidado para participar na distribuição.

Publicado por [Saboteur] às 12:05 AM | Comentários (2)

setembro 12, 2006

Milionários de Guerra

No Diário Económico (4 set), por Nuno Guerreiro

Os Estados Unidos são, acima de tudo, um país subordinado aos princípios do mercado. Por isso mesmo, nas guerras no Afeganistão e no Iraque, em vez de confiar na lenta burocracia federal, a Casa Branca optou por confiar em empresas privadas para fornecer serviços, garantir a reconstrução e apoiar as tropas no terreno. Com lucros recorde para alguns.

Num livro acabado de publicar nos EUA, intitulado “The new El Dorado”, o jornalista do “Los Angeles Times” Christian Miller , mostra que a esmagadora maioria do dinheiro despendido desta forma por Washington tem ido directamente para meia dúzia de grandes empresas, como a KBR, uma subsidiária da Halliburton. Segundo Christian Miller, estas grandes empresas têm demonstrado uma enorme capacidade de “ineficácia, desperdício e incompetência”. Miller conta que a KBR facturou ao governo americano 200 milhões de dólares em refeições que nunca foram servidas e cobrou gasolina importada a 2,64 dólares por galão, ao mesmo tempo que uma agência do Departamento de Defesa estava a fazer exactamente o mesmo por menos de metade do preço. A KBR cobrou também 617 mil dólares para fornecer refrigerantes a 2500 soldados (à razão de 247 dólares por cabeça). Por outro lado, em 2005, os contratos do Pentágono renderam ao sector privado 269 mil milhões de dólares, contra 143 mil milhões em 2000. Em Abril deste ano, o gabinete do Inspector Geral Especial para a Reconstrução do Iraque revelava a existência de 72 investigações relativas a corrupção e lucros indevidos. Por enquanto, a ausência de uma participação militar dos Estados Unidos no Líbano, parece ter vedado, pelo menos para já, a reconstrução do país a empresas norte-americanas. Entretanto, segundo um estudo intitulado “Excesso Executivo”, divulgado recentemente pelo Institute forPolicy Research, sedeado em Boston, 34 CEOs de empresas norte-americanas ligadas à defesa receberam cerca de mil milhões de dólares desde os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001.

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Segundo o estudo, antes dos atentados, o salário do CEO de uma empresa fornecedora do Pentágono ganhava em média 190 vezes mais do que um soldado do exército. Actualmente, o mesmo CEO ganha 308 vezes mais: o salário médio de um soldado é de 25 mil dólares anuais, contra o salário de 7,7 milhões de dólares de um CEO médio de uma empresa de defesa. Ainda de acordo como documento, os directores-gerais que mais lucraram desde 11 de Setembro foram o da United Technologies (200 milhões de dólares), da Lockheed Martin (50milhões) e da Halliburton (49 milhões). Muito, se considerarmos que a ajuda europeia para a reconstrução do Líbano, aprovada esta semana pela UE, se cifra em 42 milhões de dólares.

Guerra no Líbano paralisa fábrica nacional

A fábrica da Ciment de Sibline no Líbano, detida a 28% pelo Grupo Secil, está encerrada desde o dia 17 de Julho de 2006,mas segundo declarações de responsáveis da cimenteira ao Diário Económico na altura da paralisação da produção, esta deverá abrir assim que existam condições de segurança e que haja abastecimento de electricidade. Para já a fábrica continua fechada, mas deverá abrir em breve uma vez que o sul do Líbano, onde se situa a fábrica, vai receber forças militares internacionais, incluindo portuguesas, para ajudar a estabelecer a paz depois do anúncio do cessar-fogo há cerca de duas semanas. De acordo coma cimenteira, a paralisação da produção não terá um impacto demasiado negativo, uma vez que será suportado pelo aumento da produção esperado para quando o conflito armado acabar. O cimento é um dos bens mais preciosos em tempos de guerra, usado para se proceder à reconstrução das cidades. A cimenteira assegura estar preparada para responder a esse aumento de procura e diz mesmo que, a médio prazo, este conflito vai trazer benefícios ao desempenho da participada da Secil. Aliás, o grupo cimenteiro português tem já experiência desta realidade, uma vez que através da Ciment de Sibline, beneficiou coma guerra do Iraque e o posterior plano de reconstrução promovido pelos norte-americanos. A participada da Secil passou de uma expressão nula na vertente exportadoraem2002, para 200milhões de toneladas de exportação no ano seguinte e para 399milhões de toneladas em2004, grande parte para o país antes liderado por Saddam Hussein. No ano passado, a exportação baixou para 121milhões de toneladas.

Lucros da guerra taxados a 90%

“Não quero ver um único milionário feito nos Estados Unidos à custa da guerra, aproveitando-se deste desastre mundial.” As palavras do Presidente Franklin Roosevelt, à medida que os Estados Unidos entravam na Segunda Guerra Mundial. marcavam com uma ameaça o tom da participação americana. Harry Truman, na altura senador, referiu-se àqueles que aproveitavam a guerra para enriquecer como “traidores”.

Das palavras à acção foi um pequeno passo. Depois de ouvir rumores segundo os quais algumas empresas tiravam partido da guerra para aumentar imensamente os seus lucros, Truman aproveitou as férias parlamentares, meteu-se no seu Dodge e fez 48 mil quilómetros pelo país todo, visitando escritórios e fábricas.

A comissão do Senado que Truman chefiava lançou uma feroz investigação às práticas empresariais em tempo de guerra, encontrando “desperdício, ineficiência, má gestão e especulação”, segundo o próprio Truman, que defendia que este comportamento era “antipatriótico”. Instado por Truman e por outros congressistas, o Presidente Roosevelt aumentou em 90% o imposto sobre lucros empresariais excessivos. Truman, que se tornou um herói nacional depois da sua cruzada contra a especulação e os lucros indevidos em tempo de guerra, foi convidado por Roosevelt para concorrer como seu vice-presidente em 1944.

Publicado por [Saboteur] às 03:55 PM | Comentários (6)

O poder dos media

Tantos filmes e documentários sobre o 11 de Setembro, reportagens, reconstituições com choros, mostrando as pessoas reais envolvidas, valorizando cada uma delas, apelando ao máximo à emoção de cada um de nós, com musica dramática dramática à mistura...

Se fosse feito metade deste esforço em relação a outras vítimias, a todas as vítimas da barbárie, talvez se conseguisse mobilizar melhor a opinião pública contra tantos crimes que se cometeram e se cometem, e talvez se conseguisse, finalmente, começar a tentar pacficar o Mundo.

Publicado por [Saboteur] às 01:28 AM | Comentários (12)

setembro 10, 2006

caixa baixa

Segundo a redacção do Público, escrever holocausto com "h" minúsculo é insinuar que o mesmo nunca existiu.
Segundo Rick Dangerous (caixa alta), toda esta história insinua que o jornalismo português (caixa muito baixa) nunca existiu.


Publicado por [Rick Dangerous] às 04:40 PM | Comentários (1)

setembro 06, 2006

Vale della luna

Onde as rochas cantam com o vento
as medusas nadam nas ondas
corpos nus
trilhos secretos na areia cortante
grutas luxuosas crianças perdidas
festa no bosque drogas caras
sete caes
e nenhum osso

Publicado por [Rick Dangerous] às 09:31 PM | Comentários (4)

Sardegna






Publicado por [Rick Dangerous] às 09:16 PM | Comentários (5)

Planeta Terra: o inferno é já amanhã

videoclip de An Inconvenient Truth
Parece que vai estrear este filme promovido pelo Al Gore (link para a organização aqui). Tenho a certeza que o tema do aquecimento global merece todas as discussões possíveis, desde as declarações de 5 segundos de algum Quercus guetizado no telejornal do meio-dia às queixas sopradas d@s velh@s na canícula "ai isto está de cada vez pior, valha-me Deus nosso senhor, desde que os americanos foram à Lua, blá, blá, blá". Eu gostava de para já dizer que este podia ser o acontecimento mais importante do ano em termos políticos e mediáticos. Pelo menos merecia que assim fosse.

O filme estreará em Portugal pouco depois de dois outros filmes preocupados directamente com questões da "política real" internacional - O paraíso, agora! e A caminho de Guantánamo, que mobilizam as atenções. Como afirma o próprio Gore no filme, não será altura de tod@s nos questionarmos sobre a centralidade destas questões nos diversos pensamentos e discursos políticos? E se estes fossem pequenos problemas (verdadeiras cortinas de fumo) à escala dos efeitos prometidos e desconhecidos do aquecimento do planeta na próximas "décadas" (ler década). E se isto tiver que passar a estar no centro de qualquer discurso político/ideológico/moral sobre a sociedade? E se tudo isto fosse demasiado importante para continuar confinado à expressão de antagonismos públicos em cimeiras de G8 e coisas do género? E se estivermos perante a necessidade imediata (no sentido milenarista da palavra) de lutar pela concretização de um outro modo de vida? E se não houver lugar para ses?

A atitude geral (à direita, à esquerda, acima e abaixo) perante a questão do aquecimento global parece-se cada vez mais com aquela célebre máxima de João Pinto:

Tivémos sorte. Estávamos à beira do abismo e demos um passo em frente.

Publicado por [Renegade] às 06:22 PM | Comentários (2)

Noddy do Chá ou Quantas pessoas eram mortas pelos espíritos

Nas traseiras de um edifício do Terreiro do Paço - assim como num dos acessos ao Cais do Sodré - existe uma frase que não passa despercebida e que é: "OS ESPÍRITOS MATAVAM + - 200 PESSOAS NOITE".

No meu bairro, um outro "autor de parede", igualmente profético e com uma missão salvadora, tem escrito que "O AR CONDICIONADO MATA AS PESSOAS".

Mas há uma diferença abissal entre os dois autores dos alertas.

O primeiro mostra-se claramente preocupado com o rigor. Ele poderia ter escrito que os espíritos matavam duzentas pessoas, mas, convenhamos, talvez soubesse que havia noites em que matavam menos e noites em que matavam mais. Dependia dos casos. E, preocupado com isso, optou por uma média.

O segundo poderia ter optado por um complemento que determinasse que em certas condições - mas não em todas - os sistemas AVAC podem ser responsáveis por óbitos e poderia até quantificar o número de vítimas (sensivelmente duzentas, como os espíritos, por exemplo). Mas não o fez. Este autor não se preocupa com o rigor. Para ele não importa clarificar a mensagem porque as frases feitas têm mais impacto e porque, se optasse pelo caminho do aprofundamento da dita, ela deixaria de ser uma frase feita e ascenderia a dado estatístico. E isso seria terrível para a retórica pretendida e para a soberba do "comunicador".

O nosso amigo Noddy do Chá - que ficou tão sensibilizado com o facto de ter sido chamado de idiota neste blogue que se viu obrigado a referir o facto no seu, no início desta semana - faz o mesmo. Numa versão mais limpinha, porque não suja paredes na minha rua, escreve obituários como este: "o legislador é, para além dos governantes em determinadas matérias, aquele bando de incompetentes que vai para o Parlamento fazer telefonemas e encher o bandulho" ou outra pérola como "Eu fico lá satisfeito com o pagamento de uns milhares de euros [no âmbito da pré-publicação de lista de devedores ao fisco], que são imediatamente consumidos pelas máquinas devoradoras que se rendem de quatro em quatro anos".

Eu acho que, dadas as afinidades, se se entenderem quanto a um rigor ligeiramente temperado, poderiam ter uma acção concertada. Qualquer coisa como "OS ESPÍRITOS PARLAMENTARES MATAVAM + - 200 PESSOAS NOITE COM AR CONDICIONADO".

Publicado por [Joystick] às 12:31 PM | Comentários (4)

setembro 04, 2006

O Paraíso... Quando?

Acabei agora mesmo de vir do Cinema King.
Quando há um par de dias ouvi a Esther Muznik dizer que o filme "O Paraíso, Agora!" não prestava um bom serviço à Palestina e à sua causa, pensei imediatamente "Uau! Mas que nobre da parte dela preocupar-se com a causa palestiniana!".
Não conheço o realizador Hany Abu-Assad nem nenhuma posição concreta sua sobre o conflito, mas felizmente o filme, seja qual for a intenção do realizador , está longe de ser uma apologia de seja o que for. Aliás, o filme baseia a sua história precisamente na tensão entre as formas de luta escolhidas pelos palestinianos. Ou seja, parece-me que o filme até se pode até enquadrar melhor no debate "terrorismo" (através das interações pessoais entre as personagens) e não exclusivamente no "conflito israel-palestiniano" (tendo em conta todo o contexto).

O mais triste (e desde logo já uma vitória da direita) é sentirmo-nos tantas vezes obrigados a tecer considerações sobre a idoniedade de um filme em vez de nos centrarmos nos temas que supostamente estão em debate...

Bem sei que havia coisas bem mais interessantes que mencionar hoje, como o discurso de Jerónimo de Sousa no encerramento da Festa, a proposta sobre a Segurança Social apresentada por Marques Mendes na Universidade de Verão do PSD, ou até mesmo a situação de tensão vivida na Bolívia, mas... a rentrée política para mim foi mesmo celebrada com uma rentrée cinéfila à maneira.

Seja bem-vindo Setembro com mais filmes destes.

# They seek him here / they seek him there / they seek The Plotter everywhere #

Publicado por [The Plotter] às 12:26 AM | Comentários (3)

setembro 01, 2006

O Fim

O jornal que nunca teve futuro histórico - considerando que era a voz de uma "direita moderna - simultaneamente conservadora e sofisticada, tradicionalista e libertina" - deixou de ter futuro concreto. O ar da latrina mediática tornou-se um bocadinho menos rarefeito.

Publicado por [Joystick] às 05:15 PM | Comentários (2)