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agosto 30, 2006

Salvador ou o caminho dos enganos

Os israelitas queriam uma Comissão de inquérito de Estado. Olmert não quis e, em alternativa, anunciou a criação de duas Comissões internas – uma sobre a acção governativa que levou à guerra contra o Líbano, a indicar pelo próprio governo, e outra militar, para apreciar a acção do Exército. Portanto, Olmert cria uma entidade investigadora da acção de Olmert. Assim, segundo o próprio, perder-se-á menos tempo com o “passado”. Por outro lado, o ministro israelita de Defesa (que tinha outra opinião antes de ser ministro mas deixou de concordar com ela) tentou fazer ver que a guerra teve mais-valias, nomeadamente através da criação de oportunidades para a existência de novos acordos de paz. O resto são danos colaterais, pequenos nadas que puseram fim a uma paz podre em nome de uma paz sã… com uma guerra pelo meio (mero pormenor). E a malta vai nesta cantoria?

...Faz-me lembrar o Salvador. Salvador é um menino de 4 aninhos, com longas melenas sobre os olhos, roupinha de marca, apreciador de cavalos mas, mais ainda, de correrias. Os seus irmãos são iguais, mas adolescentes – um Martim e um Afonso tão adolescentes que até chegam a meter nojo – e dizem ao elo mais fraco em tom nasalado (um “apetite” de sotaque): “Salvador, se o menino correr com muita muita força, passa a parede para o lado de lá!”. E lá foi ele.

Publicado por [Joystick] às 12:57 PM | Comentários (4)

agosto 29, 2006

O som do silencio

Aconteceu-me andar a ver o que diz a Indymedia e fui parar as mais recentes noticias sobre o Mexico. O Mexico, what about it?!, dirao voces, pessoas informadas e esclarecidas.

Por mim falo que fiquei surpreendido por encontrar noticias sobre as eleicoes presidenciais mexicanas. Ja nem me lembrava. Afinal, a luta em torno da recontagem de votos, anuncio de resultados e declaracao de vencedores continua quase dois meses depois das eleicoes (hiperligacoes nao ponho, vao a procura ou mandem um mail ao Daniel Oliveira para ele escrever um post sobre o assunto, ja que parece que anda distraido).

O que me interessa dizer e' isto: a quem acompanhou o processo nos Estados Unidos em 2000 e se lembra da ocupacao avassaladora do espaco mediatico pela disputa Gore Vs Bush com certeza parecera' estranho o silencio mediatico em torno da questao. Ou entao nem sequer se lembrara que algo se esta a passar. Eu estou longe mas tenho acompanhado regularmente os blogues mainstream, os jornais on-line e os telejornais da BBC. Por isso acho que e' necessario dizer bem alto que estamos a viver uma barreira de silencio orquestrada nos mass media internacionais e nas agencias noticiosas.

Como os blogues mainstream se limitam a reagir as noticias dos jornais/TVs que por sua vez se limitam a ecoar as noticias produzidas nas agencias que por sua vez se limitam a seguir os imperativos politicos dos diversos poderes hegemonicos nao admira que ninguem fale da maior fraude eleitoral organizada num pais que se reclama e e' reconhecido como uma democracia formal depois da palhacada na Florida em 2000. O Mexico vive ha um mes uma luta institucional e social em torno de resultados eleitorais que, para la de se assemelhar a um golpe de estado institucional, ate pode evoluir para coisas mais serias. E nao estamos a falar da piolheira Timor-Leste, isto e' o Mexico.

Este silencio, se nao pode servir para encobrir os factos e os interesses hoje em jogo no Mexico e no mundo, deve servir em primeiro lugar para nos questionarmos sobre sobre a construcao da nossa visao do mundo na sociedade da informacao e sobre o impacto que ela tem na construcao das prioridades politicas de quem luta por outro estado de coisas.

Publicado por [Renegade] às 02:34 AM | Comentários (5)

agosto 28, 2006

Ibéria

A história da Padeira de Aljubarrota todos a ouvimos, mas contada na perspectiva dos pães foi a primeira vez. Como é óbvio, torciam pelos castelhanos e o seu movimento pelo palco era acompanhado do som natural do arrastar de massa a levedar em tabuleiro de ferro (brhruglhe, brhruglhe, brhruglhe).

Cervantes e Camões digladiam-se para provar quem é mais bela: D. Inês de Castro ou Dulcinea, para chegar à conclusão de que era ambas espanholas. Lá está. D. Afonso Henriques também. Viriato e os numantinos não são nem uma coisa nem outra.

Para compensar, os pastorinhos são mesmo cá da terrinha. A 13 de Maio na Cova da Iria... A fantástica transcendência alcançada por crianças analfabetas que apascentam ovelhas, milagreiras mas pneumónicas (o caminho provinciano para o nirvana católico do início do século XX).

Uma peça genial.

Publicado por [Joystick] às 03:33 PM | Comentários (1)

agosto 26, 2006

Sequelas da guerra...não há-de um gajo ter pesadelos!

Quando a guerra foi declarada optou por ficar na retaguarda.

Durante a guerra apareceu timidamente a apoiar os que perderam.

Depois da guerra entrou juntou-se aos vencedores para ganhar umas eleições e continuar a trabalhar.

Ganhou as eleições e levou para trabalhar consigo no seu novo trabalho alguns dos mais notórios vencidos (Rui Godinho, Demétrio, sei lá eu...).

Os vencedores não gostaram e prepararam-se para lhe fazer a folha enquanto espumavam de raiva.

A oportunidade chegou em período de férias (institucionais, políticas e partidárias), depois de um segundo mandato ficar assegurado nas urnas.

Acendeu-se uma fogueira com um relatório fantasma da IGAT e espalhou-se o fumo (um relatório da IGAT?! Que comédia, tenham santa paciência...).

O camarada não está para se chatear e, como pessoa recta que é, respeita os compromissos assumidos com o partido de que faz parte, embora o partido se esteja a cagar para a sua rectidão e a use como trunfo para lhe fazer a folha.

Chegados aqui não me espantava nada que a próxima a saltar fosse a de Palmela.

Já deviam saber que burro velho não aprende.

Publicado por [Renegade] às 12:42 AM | Comentários (2)

agosto 25, 2006

Traumatizado

Ontem estive a trabalha até às 4 da manhã, numa tretinha aqui no trabalho. Hoje tinha de estar cá às 10, no máximo.

Já quando estava a na Companhia de Seguros, quando tinha muito trabalho – durante todo o ano de 2005 – tinha sonhos intermináveis com o que tinha para fazer, como os pendentes, com os objectivos…

Também hoje acordei às 7h30 com um pesadelo... Mas não foi com o trabalho que eu sonhei.

Provavelmente influenciado com toda esta história inacreditável que se está a passar em Setúbal, tive um estranho e aflitivo sonho com uma reunião da JCP… cheio de personagens reais (grande destaque para a Luísa Araújo) e outras – provavelmente imaginárias – mas com os tiques todos…

E já passaram 6 anos!

Publicado por [Saboteur] às 07:21 PM | Comentários (3)

agosto 24, 2006

Descobertas

Através do Vento Sueste (um blog que decobri há uns 3 dias), descobri também o technorati. (já oiço os risinhos de gozação dos cromos da net... ao menos eu tenho namorada)

Descobri depois que a mais recente referência ao Spectrum é no blog do provedor dos leitores do Público em que se mistura um protesto de Nuno Ramos de Almeida, o site do Bloco de Esquerda e um post do Rick Dangerous.

Como dizia o Domingos Abrantes, "Isto está tudo ligado!".

Rick.jpg
Rick Dangerous na sua casa de campo

Publicado por [Saboteur] às 11:50 AM | Comentários (7)

agosto 23, 2006

Morreu Vasco Carvalho

vascocarvalho.jpg

Para quem não conhece este Secretário Geral do PCP apagado das fotografias, fica aqui este texto de Paulo Fidalgo, membro do Movimento de Renovação Comunista.

Publicado por [Saboteur] às 07:43 PM | Comentários (4)

Polícia para quem precisa

Já depois de ter feito o último post, li no DN que a polícia vedou o acesso aos jornalistas ao local das demoluições.

«Só estamos a cumprir ordens superiores» desculpou-se o assalariado.

Publicado por [Saboteur] às 12:06 PM | Comentários (0)

Direitos despedaçados

Na passada sexta-feira chegou um aviso da Câmara de Amadora de demolição das casas da Azinhaga dos Besouros. O aviso informava que a demolição seria feita “na próxima semana”.

Os moradores ficaram preocupados mas não quiseram acreditar: O aviso era vago e parecia ser apenas mais uma ameaça, daquelas com que este pessoal se habituou a conviver no dia-a-dia.

Para além disso, apesar de ser mais ou menos do conhecimento generalizador que este bairro é “ilegal”, não deixa de ser um bairro com mais de 10 anos, com esgotos, cujos moradores pagam a respectiva taxa, com casas que já foram fendidas, que foram feitas escrituras, em que foi paga sisa, etc.

Apesar de se tratar então de uma demolição de legalidade duvidosa e de moralidade mais que duvidosa, a Polícia lá esteve ontem, toda equipada, a agredir os moradores que tentavam defender as suas casas, a bater, algemar e a deitar spray para os olhos de quem lhes fazia frente.

Com esta cultura de desprezo pela vida das pessoas que as elites deste país vão fomentando e instituindo, admira-me como é que somos um país tão pacato, com tão pouca criminalidade, nomeadamente criminalidade violenta.

Publicado por [Saboteur] às 11:44 AM | Comentários (3)

agosto 21, 2006

Ainda o "Dia D"

São poucos os que têm a lata de criticar a publicação da lista de devedores ao fisco e à segurança social.

Mesmo numa perspectiva neoliberal, é inegável que a transparência nos mercados aumenta a eficiência. Se eu – empresário - vou fornecer uma empresa que nem os impostos paga, terei maiores cautelas… Afinal o modelo de concorrência perfeita só funciona com informação perfeita, e a publicação destas listas nada mais é do que simplesmente pôr a circular informação relevante.

Aliás, quando eu estava a trabalhar num certo grupo financeiro, listas destas e outras era o que não faltavam: Eram distribuídas por mail (pela área comercial) para utilizarmos com alguma parcimónia. Eu reenviava-as para um amigo de faculdade que trabalha na indústria e que sempre muito me agradeceu...

Claro que há sempre uns idiotas de serviço.

José Pedro Costa e Silva (atenção ao "e". Não confundir com o simples José Silva), que é o autor do blog Lóbi do Chá, hoje no Dia D, publica um artigo de opinião extremamente revoltado com o assunto.

Diz ele que “a divulgação dos nomes de quem não paga impostos é inconsequente”, (quando aliás, mais uma vez, a dura realidade mostra o contrário, visto que nem sequer estavam ainda publicadas as listas e já estavam a ser actualizadas com os contribuintes faltosos a chegarem-se à frente), acrescentando com grande acertividade que se deveria era divulgar os nomes dos “governantes que ao longo dos últimos anos arruinaram as contas públicas com uma gestão incompetente ou mesmo corrupção”.

Demagogias à parte, o Zé Pedro também tem razão na lista que exige. Quantos de nós se lembram hoje em dia das vendas ao desbarato que Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite fizeram para dar uma imagem de pseudo-controlo de deficit orçamental? Como é que ficou o negócio de venda de direitos sobre a dívida ao multimilionário saudita do CitiBank que se orgulha de nunca comprar nada que não possa vender no mínimo pelo dobro? Sempre se safou?

Publicado por [Saboteur] às 12:14 PM | Comentários (6)

agosto 18, 2006

No bom caminho (mostram as sondagens!)

Não há dúvidas que têm feito um excelente trabalho nesse sentido. A malta ali à volta adora Israel. Muito mais do que há 1 ano… e há 1 ano, muito mais do que antes de terem bombardeado o quartel-general da autoridade Palestiniana e terem posto Arafat sem água, comida e medicamentos.

Já agora, relacionado com os sucessos de Israel no caminho para a paz: a malta dos Blogs “Amigos de Israel”, que repetiram exaustivamente que, segundo as sondagens, 80% da população apoiava a guerra, não têm comentado as últimas sondagens vindas daquele país.

Soldados israelitas contribuindo para a pacificação da região

Publicado por [Saboteur] às 05:05 PM | Comentários (1)

agosto 17, 2006

É lógico!

Hoje fui ao Blog do nosso amigo ultra-liberal com uma secreta (e maldosa) esperança de encontrar um artiguito sobre esse grande amigo de Israel e grande liberal que foi Marcelo Caetano (perdão: Marcello).

É certo que o nosso amigo não me deu esse prazer, mas acabei por descobrir outra coisa que também me interessava:

A certa altura, dadas as dificuldades de comunicação entre nós, perguntei-lhe se a formação dele era Economia. Respondeu-me com mais idiotices do género tu-queres-é-a-Coreia-do-Norte.

Percebi agora que é um estudante de física.

É este o grande problema da Ciência Económica: Os físicos e os matemáticos, com a ajuda (porque servindo os interesses) da elite dirigente do capitalismo, apoderaram-se da ciência económica e estão fortemente barricados lá dentro.

Na altura já tinha referido a linha editorial do Dia D (suplemento de Economia do Público), como um exemplo acabado de como estas coisas se passam. Mas posso contar-vos o que disse João César das Neves na minha primeira aula na faculdade: Imaginem o anfiteatro cheio, todos impressionados com o peso da Academia, e ele a explicar-nos que os agentes são racionais, que os mercados equilibram em concorrência perfeita, etc, etc. e depois remata: >«Estes são os postulados básicos da Economia. Quem não os compreender claramente ou aceitar ainda vai a tempo de mudar de licenciatura. É o que vos aconselho. Nem que seja para Gestão».

Para alguém treinado a fazer raciocínios lógicos e abstractos na sala de aula, toda a economia neoclássica é fácil e cristalina: Se um empresário contrata um trabalhador por 100, a lógica diz que contratará 2 por 50, reduzindo o desemprego para metade.

O problema desta escola é (e tem sido sempre), a dura realidade: Se o empresário só precisa de 1 trabalhador não vai contratar outro; ou o outro, para estar a trabalhar por 50, prefere assaltar a loja; ou os dois, depois de contratados, dizem que não trabalham mais enquanto não lhes subirem os salários; etc, etc...

Se toda esta parte “mais subjectiva” da Economia não é nada fácil para o nosso amigo físico, e a outra parece-lhe tão óbvia, naturalmente, ele agarra-se à outra com unhas e dentes… até porque é assim que é convidado para escrever sobre economia no Público.


Publicado por [Saboteur] às 11:04 AM | Comentários (7)

agosto 16, 2006

Mix-feelings

Alguém tem opiniões mais definitivas sobre este blog?

Publicado por [Saboteur] às 11:39 AM | Comentários (7)

agosto 13, 2006

For your own good

Captain: You gonna get used to wearin' them chains afer a while, Luke. Don't you never stop listenin' to them clinking. 'Cause they gonna remind you of what I been saying. For your own good.
Luke: Wish you'd stop bein' so good to me, cap'n.
Captain:Don't you ever talk that way to me. Never! Never!
What we've got here is failure to communicate. Some men you just can't reach. So you get what we had here last week, which is the way he wants it. Well, he gets it. I don't like it anymore than you men.

Publicado por [Rick Dangerous] às 08:43 PM | Comentários (4)

lux

dançava enquanto escrevia mensagens
cercada por crocodilos zombie
saiu sozinha, de Punto e óculos de sol.

Publicado por [Rick Dangerous] às 08:20 PM | Comentários (5)

Benjamin e outras observações

O debate entre Vasco Pulido Valente, São José Almeida e Vítor Dias, acerca da caracterização do regime salazarista, tem tudo para interessar.
Ilumina por um lado os usos políticos contemporâneos da história e por outro as pretensões de autoridade com que certas luminárias da academia entram em debates deste género.
Personagens como Filomena Mónica, Fátima Bonifácio, Pulido Valente, Rui Ramos e Pacheco Pereira não entram em debates destes sem uma agenda clara. Habituados a ganhar ao primeiro assalto a adversários frágeis, passeiam pela imprensa a sua arrogância. O que neles surpreende é, evidentemente, a fé.
Eles acreditam num tempo homogéneo e vazio, numa longa marcha até ao presente, que não poderia deixar de ser aquilo que é. Eles acreditam que as possibilidades e escolhas que se nos colocam, a experiência histórica que vivemos, o mundo que habitamos, os discursos que produzem, são os únicos que podem ser levados a sério.
O que neles estupefaz é a superficialidade com que encaram o tempo, essa dimensão única que nos atravessa e que não deixa nada como dantes, que já surpreendeu na cama muitos planos sábia e cautelosamente esboçados, jamais se deixa aprisionar na gaveta e torna insustentável a pretensão de julgar tudo pela lente baça do conservadorismo.

Recapitulando, São José Almeida, num artigo que defendia a musealização da antiga sede da PIDE, acusava de branqueamento histórico os que recusavam ao Salazarismo o epípeto de "fascista".
Respondeu-lhe Vasco Pulido Valente do alto da cátedra, chamando ignorantes a todos os que confundiam as duas coisas e enumerando as diferenças entre o Estado Novo e o franquismo por um lado e o nacional-socialismo alemão e o fascismo italiano pelo outro. Respondeu a este Vítor Dias, no único artigo que não cheguei a ler, sublinhando o carácter fascista do Salazarismo.

Respondeu-lhe novamente Vasco Pulido Valente, acusando o PCP de utilizar o termo de forma instrumental contra todos os que se lhe opõem e assinalando a ignorância dos que continuam a insistir nele. E rematou Vítor Dias (que aproveitou para nos dizer que há muitas coisas e pessoas a que o PCP não chama «fascista»...), arrumando Vasco Pulido Valente numa corrente historiográfica e colocando-se a si próprio noutra, o que teve o mérito de assinalar que não existe uma última e definitiva palavra a dizer sobre o assunto, como pretendia Pulido Valente no início da conversa.

Tanto quanto sei, e porque não leio o Público diariamente, a coisa ficou por aqui, o que me atrevo a considerar um empate técnico, embora o Vítor Dias (que segundo o Público é um «consultor») tenha ganho clara vantagem no último assalto.

Nada disto é novo e o debate repete-se sempre que as comemorações do 25 de Abril se arredondam, mas o que me interessa é a ideia de história que está por trás dos argumentos utilizados.
Para Pulido Valente cada regime tem as suas características próprias, que o tornam inconfundível em relação aos outros.
Para Vítor Dias eles estabelecem relações de afinidade e de cumplicidade, formando famílias, que aliás se reconhecem enquanto tal no momento das alianças geo-políticas. Escusado será dizer que nos anos 30 ninguém à esquerda (e portanto não só os estalinistas, como pretende Pulido Valente) se escusava a utilizar o termo «fascismo» para caracterizar as ditaduras que resultavam da crise da ordem liberal, precisamente porque estas resultavam de problemas e situações históricas semelhantes.

Voltando à ideia de história, o que me interessa em ambos os lados desta polémica é a caracterização destes regimes, há distância de 60 ou 30 anos, através da enumeração de algumas características sumárias e fragmentárias, como se nada mais tivesse sobrevivido ao tempo. Ambos exploram a história a favor de posições políticas sustentadas em 2006, o que faz evidentemente parte da posição do historiador, mas fazem-no empobrecendo, mesmo que inadvertidamente, a densidade e complexidade do que está em jogo neste debate.

Ambos tacteiam no interior dessa complexidade, para selecionar dentro dela o que podem utilizar em defesa das suas posições, mas ambos se recusam a encará-la em si mesma, descendo e regressando a cada momento histórico preciso, descodificando os significados do que se fez e disse e ouviu, assinalando as encruzilhadas, as lutas e os seus resultados, a acumulação de experiências e a combinação de contradições, as marcas deixadas nos corpos pelo trabalho e pelo ócio e pela alimentação e pela fome e pela disciplina, aquilo que os olhos viram e que as cabeças fixaram para nunca mais esquecer.

O debate sobre fascismo e antifascismo tem o formato dos jornais por causa da pobreza da academia. Alguns milhares de caracteres convidam às posições mais confortáveis, em que todos sabem de antemão aquilo que pensa o adversário, mas não nos aproximam do significado histórico dos fascismos. Para isso seria necessário considerar o tempo que passou desde o ocaso das suas primeiras experiências históricas não como uma distância segura, mas como uma distância capaz de revelar a força do seu impacto sobre o presente, ou por outras palavras, a sua força de ressonância, a sua capacidade de se projectar no aqui e agora.
Semelhante pretensão torna a história um jogo perigoso, capaz de por em causa o presente, em vez de fazer dele a tribuna da qual se julga o passado.

Olhar o presente à luz da história poria em causa as posições dos habituais protagonistas deste tipo de debates, que gostam de tratar o passado como um animal empalhado, que não morde. Para eles o «fascismo» ou o «totalitarismo» foram uma grande noite escura que se tornou num dia interminável.
A hipótese de que o fascismo seja uma tendência histórica capaz de se projectar uma e outra vez em diferentes períodos e em determinadas situações não cabe em semelhante concepção do tempo. A hipótese de que o fascismo esteja entre nós e dentro de nós, impresso nos dispositivos de poder que as democracias tão bem aprenderam e que os democratas tão passivamente toleram, é inimaginável para quem partilha a fé no progresso e na razão.
Olhar o presente à luz da história é um desafio que só se coloca a quem não teme atribuir protagonismo e importância às "coisas brutas e materiais sem as quais nada existe de espiritual e refinado", a quem não hesita em ver no tempo em que vivemos as coisas belas e terríveis dos tempos que nos esperam.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:38 PM | Comentários (3)

Vamo la' cumprir a meta das EP's, camaradas

Este ano o Ruben "Vodafone" de Carvalho ate programou umas coisas com piada. Posso estar longe mas ja tenho a minha EP.

Publicado por [Renegade] às 06:30 AM | Comentários (4)

agosto 11, 2006

Things might have been so different

O Público abre com uma notícia cujo título é: "Podia ser pior do que o 11 de Setembro". E depois continua com jornalismo-things-might-have-been-so-different. Os cenários multiplicam-se, pelas fontes habituais, e até palpites são lançados no esforço de quantificação da expressão de abertura de telejornais "assassínio em massa a uma escala inigualável" - "três mil, quatro mil mortos foi o palpite que o director do Centro de Estudos de Defesa do King's College, Peter Neumann, deu ao PÚBLICO" (sexto parágrafo). Há, ainda, uma passagem sobre um "pressentimento" do ministro do Interior britânico. Ao que parece, antes desta história, o dito ministro rebelava-se contra os críticos das medidas anti-terroristas levadas a cabo pelo governo britânico porque estes não entenderiam o perigo global.

Portanto, a notícia é sobre cenários, palpites e premonições.

E eu exijo jornalismo-what-really-happened-and-who-did-it, com dados, fontes cruzadas, contraditório, provas, contextualizações e historiais. Porque eu olho para o lado e vejo o pessoal a borrar-se nas cuecas de terror e a voltar a amar a desamada aliança atlântica anglo-saxónica e todo o seu arsenal de guerra - "eu amo o míssil deles, eu amo o míssil deles" - e começo a resvalar para o pensamento-cabala (teoria da conspiração: e se isto é um pseudo-evento legitimador de acção violenta de quem pretende poder global? Estão a ver o género?) sobre o assunto, ao qual até tenho de forma relativa resistido nas últimas horas.


Publicado por [Joystick] às 04:57 PM | Comentários (4)

Navegando pela net em horário de expediente

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Publicado por [Saboteur] às 09:30 AM | Comentários (2)

agosto 10, 2006

A lógica da batata

A. Lourenço Martins, um Juiz Conselheiro do STJ, num artigo de opinião no Correio da Manhã, no meio de falinhas mansas sobre "compromissos entre grupos representativos da maioria e da minoria, em favor da paz social", pede leis mais duras para as drogas.

Argumenta ele: «A descriminalização do consumo de droga a partir do ano 2000 trouxe, como era previsível, um aumento do consumo».

Passando por cima da questão sobre se é necessário combater o consumo de drogas ou antes a toxicodependência, perguntaria directamente ao todo poderoso Juiz, então quais foram as causas do aumento do consumo, nos anos todos antes de 2000, quando este era criminalizado duramente.

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Publicado por [Saboteur] às 11:18 PM | Comentários (13)

Gostaria de dedicar esta cancao a tod@s @s bloggers, jornalistas, politic@s e curios@s do partido da guerra

Publicado por [Renegade] às 12:52 AM | Comentários (6)

agosto 09, 2006

Teoria da Conspiração

O Hezbollah diz que vai atacar Telavive, Israel diz que, se isso acontecer, ataca Damasco, o Irão diz que, se isso acontecer, defende a Síria (ou seja, ataca Israel). Sem ser preciso dizer, se o Irão atacar Israel, os EUA atacam o Irão.

A forma rápida e desajustada como se deu a mais recente escalada no Médio Oriente levanta a hipótese de ser pouco mais que a procura de uma desculpa para bombardear o Irão, talvez até com armas nucleares.

Há quem defenda que uma bomba atómica nas mãos do Irão conduziria à estabilidade na região. Acho que há poucas dúvidas que foi a hipótese de destruição mútua que evitou uma guerra entre os EUA e a URSS. Também é preciso ver que isso só funciona com malta que acha que a própria vida é mais importante que uma causa maior.

E enquanto isso há um país a ser empurrado de volta à idade média. Depois de terem ficado sem aeroportos, sem pontes e sem estradas, hoje ficaram sem praias.

Publicado por [Rex] às 04:57 PM | Comentários (4)

De volta, ainda com um sorriso nos lábios...

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...Fui dar uma volta pela net para saber das novidades.

Talvez por ter estado afastado da realidade é que fico ainda mais impressionado com a cretinice que vai por aí.

Especial destaque para o entusiasmo de certa genta com as "fotografias manipuladas".

As pessoas são contra a guerra e a política de violência, vingança e ódio de Israel, que está a pôr a região e o mundo num caos; e vêm-nos dizer que não temos razão porque o senhor de t-shirt branca ou de capacete verde, pousa para os fotografos com os corpos de crianças nos braços, a simular um desespero que afinal não existe.


Andam satisfeitíssimos com a descuberta, os auto-denominados amigos de Isrrael... Está mesmo tudo doido? Só me resta esperar mais 2 anos pelo próximo festival?


Publicado por [Saboteur] às 01:03 AM | Comentários (2)

agosto 08, 2006

Life as it once was

...enquanto uns iam de ferias pela primeira vez...

...outros comecavam uma luta de morte...

...flash gordon partia numa viagem interplanetaria em busca da cura para a "doenca purpura"...


...e Chaplin queixava-se do Capitalismo...

...Thomas Mann dava uma conferencia sobre "Freud e o Futuro" (sim, com F grande)...

...e havia quem se entretesse a matar comunistas e menos comunistas numa conhecida regiao a leste de Moscovo...

...outros ainda davam o seu melhor para vender mais cafe...

...e outros ainda brincavam as corridas...

Publicado por [Renegade] às 11:16 PM | Comentários (4)

agosto 03, 2006

Esta-me mesmo a apetecer desabafar um bocadinho

Os intestinos do Fidel foram pretexto para os comentários do costume sobre o "regime" cubano. A intolerável repressão, a pobreza, o exílio de centenas de milhar, blá, blá, blá. De repente toda a gente se torna especialista em democracia com D grande, aquela grande ideia de liberdade e felicidade para tod@s que nos dizem ter nascido com os gregos e, sabe-se lá por que catacumbas da história, acabou por reencarnar na sua forma mais-que-perfeita nos estados-nação "ocidentais". E eu às vezes fico fodido.

Fico fodido porque sou comunista (e confesso que perceber-me nesta definição tem sido um tortuoso work-in-progress). Não gosto do Estado Cubano, não gosto dos seus aparelhos ideológicos, não gosto da embalagem e dos conteúdos sovietizados. Cuba dói-me, como diz o Saramago. Mas quando me ponho a olhar para o que é Cuba na situação internacional fico fodido com tanta manifestação de autoridade democrática.

Afinal o que é Cuba? Um país do terceiro-mundo, bastante isolado nas relações internacionais, sem petróleo, peso-mosca do comércio internacional. Uma sequela, uma sobrevivência da guerra fria. Sempre que se fala dela da social-democracia para a direita merece os apodos de regime totalitário, ditadura repressiva, regime brutal e desumano, bla, bla, bla.

Depois olho para o lado e vejo as mesmas pessoas a apoiar entusiasticamente (ou mantendo silêncios comprometidos) os Estados democráticos "ocidentais" a fazer as suas guerras em casa dos outros, promovendo massacres e o desmantelamento programado de sociedades inteiras, provocando autênticos genocídios colaterais através dos monopólios comerciais das suas empresas e das normas que impõem ao comércio internacional (incluíndo vendas de armas), ao mesmo tempo que nos convencem que andam a trabalhar para a democracia global que nos há-de levar a todos para o paraíso. Filhos da puta. Os autores e os mensageiros por igual.

O "regime" cubano é assim, pois é, e é uma chatice que assim seja. Mas os "regimes" americano, britânico, francês, russo e a maioria da escumalha organizada em poder de Estado por esse mundo fora são muito piores. Como eu gostava de ver tanta jactância democrática aplicada a estes "regimes".

Publicado por [Renegade] às 09:18 PM | Comentários (9)

"Isto está tudo ligado!"

No fundo sei que as coisas não são assim tão simples.

…Mas após esta polémica, navegando um pouco pelos blogs dos nossos amigos ultra-liberais, que não são de esquerda mas que também (supostamente) não se identificam com a direita e com as suas visões autoritárias sobre o estado e sobre a vida (Anarquista de direita, como dizia um ex-colega meu de faculdade), não posso deixar de reconhecer que isto afinal até parecem versões mais ou menos folclóricas da direita que sempre combatemos.

Dos comentários do blog do Sérgio vou para um do género que – tal como do Sérgio – fervilha de ódio contra a esquerda e contra o mundo muçulmano, retratando-os sempre como uns fanáticos religiosos, de turbante, a querer matar todos os infiéis. Naturalmente este blog apoia a política de guerra infinita do estado de Israel e da administração Bush.

Não vi, mas acredito que apesar de todo este radicalismo, violência, preconceito a roçar o racismo e confusão entre o que é uma elite dirigente detestável e todo um povo, apesar de tudo isso, somos nós os anti-semitas...

Curiosamente, este blog faz parte de uma comunidade de blogs que apoiam a “Condi” à Presidência dos EUA.(!)

Volto atrás e vou para o Blog com nome sugestivo: Mão Invisível. Nele o autor tem uma troca de ideias amigável (apesar de se opor, é certo) com o blog Tomar Partido, que está indignado com a notícia do Expresso sobre a preocupação da polícia com as acções do PNR nas escolas. Segundo esse Blog a polícia devia era dar atenção à JCP e ao Bloco de Esquerda, que aliás terá feito um workshop de desobediência civil (como disse Mário Machado na TSF).

Depois, percebo que o autor deste blog é um sujeito chamado Jorge Ferreira que é do Partido do Manuel Monteiro e escreve para o Semanário (aquele jornal de direita que já faliu duas vezes, dá um prejuízo doido, e continua a sair, contra todas as leis da racionalidade económica).

Vou depois ao blog do outro articulista do Dia D, o Bruno Gonçalves. É mais fraco que o do Sérgio, porque, com medo de se comprometer em demasia e meter o pé em ramo verde, prefere fazer posts de citações (a maioria delas em inglês, para o estilo). No entanto lá está Israel, a Condoleezza Rice, o Sarkozy e – pasme-se – a Teixeira da Cruz, presidente da Assembleia Municipal de Lisboa que se destaca agora na luta interna do PSD.


Publicado por [Saboteur] às 05:30 AM | Comentários (2)

agosto 02, 2006

Último post antes de férias

Sérgio dos Santos queixa-se de que não é tratado com delicadeza neste blog, que lhe estamos sempre a apontar a questão da idade e que não discutimos o conteúdo do artigo dele.

Por mim vou tentar fazer as pazes com ele:

Conteúdo: Ao discutir economia a partir das premissas mais básicas do modelo clássico, sem considerar o que hoje em dia é comummente aceite, mesmo pela ciência económica (que até é pouco dada – hoje em dia – a grandes questionamentos), que existem externalidades, que não há concorrência perfeita, nem agentes puramente racionais e que os mercados não se equilibram automaticamente fora da sala de aula; não deixa grande espaço para debate de ideias… pelo menos através de uns posts num blog…


Naturalmente acho que a pobreza e miséria são em grande medida problemas de distribuição, porque existem pessoas que, desesperadas com fome, comem areia e eu todas as semanas deito comida para o lixo. Naturalmente que sei que quando um Homem se dispõe a trabalhar por uma tijela de arroz é porque não tem alternativa possível à sobrevivência e não porque assim o escolheu livremente.

E também é natural que a humanidade procure continuamente as melhores formas de se organizar colectivamente de forma a sobreviver, a evoluir e a conseguir níveis de bem-estar cada vez maiores. E é claro que essas formas têm passado sempre, através dos tempos, de forma mais ou menos vincada, pelo contributo de todos (através de um planeador central Estado, Igreja, Rei), para o bem-comum (incluindo desde há muito tempo, o auxilio aos mais fracos). Esse também foi o da Irlanda (do artigo do Sérgio). Quem pagou o programa massivo de educação Irlandês, foram os Irlandeses (e a CEE), não foi cada um deles que decidiu amealhar uns cobres nos anos 60 e 70 para pagar umas pós-graduações nos anos 80.

Enfim, isto para dizer que as nossas são galáxias demasiado distantes. Teríamos de estar a discutir tudo desde o início e um post não deve ter mais que um determinado número de linhas.

A idade: A Joystick não falou na idade. Eu é que falei nisso. Não é por qualquer descriminação ou preconceito contra os jovens. É que a questão política interessa-me: Na semana anterior, um outro jovem, Bruno Gonçalves, que também tem um Blog aparentemente semelhante ao do Sérgio (Israel, ataque à esquerda, etc.), escreveu um artigo de opinião semelhante ao do Sérgio. De onde vem o recrutamento destes “jovens turcos”? É uma estratégia pensada? Por quem? É um post que vem na linha de outros sobre o Jornal Público e a sua linha editorial.

Ou seja, mais uma vez voltando atrás: O meu post não foi feito com intuito de debate de ideias com o Sérgio, mas para chamar a atenção da “Comunidade Spectrum” para outro tipo de fenómeno.

Cordialidade: Ás vezes, sobretudo em contexto blogosférico, é fácil resvalar para o ataque pessoal. Mas leiam o meu post e o da Joystick e digam-me onde é que passamos das marcas.

Claro que o Sérgio diz que fazemos tresleituras da opinião dele, mas isso também podemos dizer nós: Em 2 posts são inúmeros os falsos estereótipos, caricaturas e cretinices acerca do Socialismo e do Comunismo. Naturalmente, não só não conhecemos em detalhe o pensamento um do outro, como não dominamos as linhas ideológicas com que cada um se cose. Isto passa-se sempre assim. Vir agora declarar-se ofendido, adoptando a estratégia (do Governo de Israel) de vítimização, é o tipo de coisas que nos leva para a brilhante BD do post da Joystick, aqui em baixo.

Publicado por [Saboteur] às 01:30 PM | Comentários (2)

Mais Férias

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Também eu vou a um "festival de verão".

Publicado por [Saboteur] às 11:25 AM | Comentários (5)

agosto 01, 2006

E a Coreia do Norte, heim?

Olhem, o tal Sérgio dos Santos picou-se! Ripostou mesmo à boa maneira ilustrada pela BD, queixando-se do post anterior não referir o "conteúdo" do seu artigo (passe o eufemismo), recorrendo a uma defesa de honra baseada na pergunta retórica "E a Coreia do Norte, heim?".

Permite-me que te diga, Sérgio, que no dito artigo não há um pingo de originalidade que merecesse, inicialmente, citação ou comentário para além da questão essencial que é a de como a tua galáxia foi parar a uma página de um diário de referência. Mas, para não cair na simplificação das respostas-perguntas tais como "E a Coreia do Norte, heim?", concretizo: todo o teu artigo é um silogismo baseado em premissas estanques sem que tenhas feito o mínimo esforço da sua verificação e confirmação, mesmo no campo da abstracção meramente teórica. A isso eu chamo desonestidade intelectual. Exemplos:

1. "Deliberadamente viciados (ah, sim? tu não?) a interpretar a economia como um acto bélico, os detractores da liberdade (ah, eles são isso?) constantemente esquecem que cada transacção económica consciente e voluntária apenas se verifica quando ambas as partes crêem obter de si um benefício, uma vez que seria necessária a recorrência à coacção para que o contrário fosse expectável". Vejamos, em que casos o comportamento de agentes económicos - tratemo-los por pessoas, só para facilitar - está livre de elementos coactivos (elementos coactivos subjectivos incluídos)? Claro que me podes apresentar um modelo teórico abstractivo como exemplo, mas convém que não o apresentes como fazes no artigo, como inabalável verdade revelada no quotidiano social.

2. É "(...) irrealista presumir que a abusiva (se é científico porque não usaste um adjectivo neutro?) acção fiscal e reguladora dos governos não representa um fardo para a sociedade da qual todos - pobres e ricos - são parte integrante". Ficou por demonstrar a irrealidade de que falas e, por favor, que venhas com um "E a Coreia do Norte, heim?" no teu blogue ainda vá, mas escreveres que os supramencionados "detractores da liberdade" são desonestos porque não dizem que nas opções não capitalistas os pobres não estão isentos de impostos...

3. "(...) é bastante evidente (ai é?) que os mais pobres saem claramente lesados numa sociedade em que também os empresários mais ricos (ah, também eles?!) vêm a sua liberdade económica reduzida e, como tal, desincentivados da busca permanente pela eficiência na qualidade e distribuição de recursos". Portanto, tamanha mundividência reconhece a existência e necessidade de um papel social regulador, mas eu pensava que defendiam que esse pertencia ao sistema abstractamente considerando, alheio e superior aos agentes (pessoas), ou mercado e empresários mais ricos são uma e a mesma coisa? Olha que a inferência é minha mas a essência é tua.

4. "A suposição recorrente de que o capitalismo menospreza os mais pobres é, portanto (ah, ficou demonstrado?), um mito". Para quem trouxe o assunto para o mundo mitológico, deixa que te diga que o que é mais nojento e perigoso nessa conversa toda é a deificação de uma economia longíqua do homem que, a um tempo, o esmaga e o absolve, porque nesse conjunto de agentes perfeitos não há pingo de responsabilidade humana pelos seus próprios actos e escolhas, não há progresso possível, o Homem não é confrontado consigo mesmo, sendo o seu papel secundário, à mercê de uma evolução supra-humana, divina até, género "mano de dios" maradonesca romanceada por pequenos e menos estilosos Adams Smiths deste mundo. Quanto a mim, parece-me ser verdade que o capitalismo - pelo menos nessa versão por ti retratada - não menospreza os mais pobres, porque o que ele menospreza é o Homem.


Publicado por [Joystick] às 03:03 PM | Comentários (8)