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agosto 03, 2006

Esta-me mesmo a apetecer desabafar um bocadinho

Os intestinos do Fidel foram pretexto para os comentários do costume sobre o "regime" cubano. A intolerável repressão, a pobreza, o exílio de centenas de milhar, blá, blá, blá. De repente toda a gente se torna especialista em democracia com D grande, aquela grande ideia de liberdade e felicidade para tod@s que nos dizem ter nascido com os gregos e, sabe-se lá por que catacumbas da história, acabou por reencarnar na sua forma mais-que-perfeita nos estados-nação "ocidentais". E eu às vezes fico fodido.

Fico fodido porque sou comunista (e confesso que perceber-me nesta definição tem sido um tortuoso work-in-progress). Não gosto do Estado Cubano, não gosto dos seus aparelhos ideológicos, não gosto da embalagem e dos conteúdos sovietizados. Cuba dói-me, como diz o Saramago. Mas quando me ponho a olhar para o que é Cuba na situação internacional fico fodido com tanta manifestação de autoridade democrática.

Afinal o que é Cuba? Um país do terceiro-mundo, bastante isolado nas relações internacionais, sem petróleo, peso-mosca do comércio internacional. Uma sequela, uma sobrevivência da guerra fria. Sempre que se fala dela da social-democracia para a direita merece os apodos de regime totalitário, ditadura repressiva, regime brutal e desumano, bla, bla, bla.

Depois olho para o lado e vejo as mesmas pessoas a apoiar entusiasticamente (ou mantendo silêncios comprometidos) os Estados democráticos "ocidentais" a fazer as suas guerras em casa dos outros, promovendo massacres e o desmantelamento programado de sociedades inteiras, provocando autênticos genocídios colaterais através dos monopólios comerciais das suas empresas e das normas que impõem ao comércio internacional (incluíndo vendas de armas), ao mesmo tempo que nos convencem que andam a trabalhar para a democracia global que nos há-de levar a todos para o paraíso. Filhos da puta. Os autores e os mensageiros por igual.

O "regime" cubano é assim, pois é, e é uma chatice que assim seja. Mas os "regimes" americano, britânico, francês, russo e a maioria da escumalha organizada em poder de Estado por esse mundo fora são muito piores. Como eu gostava de ver tanta jactância democrática aplicada a estes "regimes".

Publicado por [Renegade] às agosto 3, 2006 09:18 PM

Comentários

Tb eu gostava!
Estas piadas que apareceram do regime "monárquico" por causa da passagem de poder ao irmão, vindas de quem vêm, chegam a ter graça.
E pensar que nos países "exemplarmente democráticos" se fazem passagens de poder monárquicas e nem sequer dentro da família, às vezes nem sequer dentro do governo: do Raffarin para o Villepin, do Durão para o Santana...

Publicado por [Helena Romao] às agosto 4, 2006 04:07 AM

... e sucessões que atropelam o voto popular:
Ramos Horta sobre Alkatiri.

Publicado por [Tiago Mota Saraiva] às agosto 4, 2006 10:16 PM

1-O Renegade referiu que se falou de Cuba. E daquilo que se fala do regime Cubano. Sendo que de seguida relatou-nos que às vezes fica fofido. E que por ser comunista fica fodido "com tanta manifestação de autoridade democrática ".

-> O Renegade pode explicar melhor esta associação (presumo) que faz?


2-O regime de Cuba é mau.Ou pelo menos o Renegade não gosta dele.
Mas americano britânico, francês, russo e tantos outros são muito piores .
->O Renegade pode-me indicar um conjunto de intems em que o regime cubano seja melhor que os outros referidos !?

Publicado por [joao] às agosto 5, 2006 02:59 PM

1-O Renegade referiu que se falou de Cuba. E daquilo que se fala do regime Cubano. Sendo que de seguida relatou-nos que às vezes fica fofido. E que por ser comunista fica fodido "com tanta manifestação de autoridade democrática ".

-> O Renegade pode explicar melhor esta associação (presumo) que faz?


2-O regime de Cuba é mau.Ou pelo menos o Renegade não gosta dele.
Mas americano britânico, francês, russo e tantos outros são muito piores .
->O Renegade pode-me indicar um conjunto de intems em que o regime cubano seja melhor que os outros referidos !?

Publicado por [joao] às agosto 5, 2006 03:00 PM

A quando das últimas noticias sobre o estado de saúde Del Comandante Fidel Castro, muitas das vozes anti-cubanas (leia-se capitalistas e neo-liberais) se levantaram para mais uma vez, tal qual videntes, preverem a morte do que para eles é um ditador cruel e consequentemente do regime que lidera.
Temos pena meus amigos, podem recolher os salgadinhos, os couverts, os papelinhos, os balões, as serpentinas e até o fogo de artificio....Fidel está para durar, por muito que isso vos custe!

Poderia acabar por aqui este meu texto mas para aqueles que andam menos informados, ou que não procuram a informação aqui vão alguns factos:

- Antes da revolução cubana, o analfabetismo atingia a esmagadora maioria da população. Hoje, nas faculdades de medicina cubanas estudam milhares de alunos do Terceiro Mundo, além dos 20 mil cubanos. Tudo isto sem gastarem um único centavo. O povo cubano é um povo culto e participativo Discute e intervém na vida política e social.

- Antes da revolução, a estimativa de vida em Cuba ao nascer, era de 59,6 anos e nos países desenvolvidos cerca de 66,1 anos. Actualmente, os nascidos em Cuba têm uma esperança de vida de 77. Há países em África, onde actualmente a esperança de vida ao nascer atinge apenas os 38 ou 39 anos.

- Antes da revolução, a taxa de mortalidade infantil, em Cuba, era de 118 para cada mil nados vivos. Dados de 23 de Julho de 2006, referem que a mortalidade infantil em Cuba foi de 5,56 para cada mil nados vivos.

- Posso falar também do bloqueio económico a Cuba que dura há 42 anos, bloqueio este imposto pelos E.U.A., da dificuldade das relações comerciais com outros países e da dificuldade de aquisição de bens essenciais.

- Por fim vamos as famosas Eleições. Em Cuba existem eleições para as Assembleias Municipais de Poder Popular (democracia directa) de dois em dois anos. Cada pessoa do bairro ou da localidade vota no seu representante. Aquele ou aquela que ali vive e viverá, leva para o poder central as demandas, as opiniões e os anseios da população daquele lugar. Nesse tipo de eleição, o protagonista é o povo, o voto é secreto, livre e o escrutínio é público. Quem trata das urnas são as crianças, algo singular neste mundo.Segundo a lei cubana, uma localidade precisa ter sempre mais de um candidato. Não há eleições com candidatos únicos. Para se eleger o candidato ou candidata precisa-se alcançar mais de 50% dos votos. Depois, os eleitos precisam prestar contas periodicamente aos seus eleitores e podem ter seus mandatos revogados a qualquer momento se o povo assim decidir.Outra coisa interessante no processo cubano é que os delegados eleitos para as Assembleias de Poder Popular não recebem nada por isso.

Esta é a verdade que é escondida, sabe-se lá porquê, pelos meios de comunicação social ao serviço dos estados capitalistas, mas meus amigos quando a informação não chega até nós, temos o dever de ir procura-la! Foi o que eu fiz!

CUBA SIM! BLOQUEIO NÃO!
VIVA FIDEL E A REVOLUÇÃO!

Publicado por [Hugo] às agosto 5, 2006 05:13 PM

Caro João
Quanto ao facto de me dizer comunista e ficar fodido com as manifestações de autoridade democrática a respeito de cuba: imagino que para ti comunismo e democracia sejam palavras a nunca meter no mesmo saco; apesar da tua sugestão não foi isso que eu quis dizer. O que eu quis dizer, como bem sabes, é que, e repito-me, as maiores jactâncias democráticas vêm de gente que dá cobertura ou apoia activamente grandes golpadas que só podemos classificar de anti-democráticas (pelo mesmo critério de democracia que exigem aos outros): não preciso de te lembrar a golpada montada para destruir um país (Iraque) em nome da democracia e da segurança do mundo livre, por exemplo. E repara, estou a falar de uma sociedade destruída, milhares de mortos, sequelas que vão atingir gerações... É claro que é mais fácil (e recompensador, para quem se meter a jeito...veja-se os posts do Sabouter sobre os fiéis neo-cons que pululam por aí) mandar umas bocas sobre Cuba do que ao mesmo tempo afrontar o consenso dos poderes dominantes na sociedade. Mas julgo que isso marca uma certa diferença de estatuto moral e ético entre as duas formas de estar, além de ideológico e político.
Quanto à segunda questão: além da enumeração feita pelo Hugo (ainda que eu não partilhe o apoio incondicional ao sistema político - em particular o facto de formalmente não se admitir o direito de oposição e liberdade de associação políticas etc com as consequências judiciais que se conhecem) há a questão das políticas externas.

Publicado por [renegade] às agosto 7, 2006 06:57 PM

Belo post. Estamos em sintonia

Publicado por [Anónimo] às agosto 9, 2006 10:17 AM

Shoot, who would have thguoht that it was that easy?

Publicado por [Alexavia] às setembro 30, 2011 03:16 AM

Está-me mesmo a apetecer ser homem agora.

Publicado por [O maior] às abril 10, 2012 06:04 PM

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