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julho 31, 2006

Empresa líder de mercado recruta, para a sua sede em Lisboa, neo-conservador (M/F), idade até 35 anos

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No Público de hoje, na Revista de Economia, vem um artigo de opinião de um jovem chamado Sérgio dos Santos.

Naturalmente o jovem é do campo do costume. O Público não iria dar espaço a um economista heterodoxo, que começasse a questionar as leis sagradas daquela ciência… Qualquer dia ainda alguém se lembrava de dizer que a Economia não era uma ciência exacta e depois é que era o caos!

Ainda assim, este novo “opinador”, diferencia-se de alguma forma de todos os outros: Para além do excessivo barroquismo do texto (que tenho visto ser habitual na malta jovem que escreve para o grande público); o tom pedante, invocando os fundamentos básicos e abstractos da economia clássica – «O indivíduo x não pode “explorar” o indivíduo y quando ambos concordam e aceitam as condições» – é pouco habitual.

Normalmente estes “opinadores” saltam logo a parte da teoria (porque não a dominam) e vão logo para as suas consequências concretas: Os sindicatos são maus, a Lei dá muitos direitos aos trabalhadores, os salários estão muito elevados, isto só vai lá se o pessoal apertar o cinto, e vejam que homem extraordinário é o Dr. Paulo Teixeira Pinto. O Sérgio parece mais refinado.

O artigo traz publicidade ao Blog dele. É do mesmo género, apesar de – face à guerra do Líbano – esta malta já tenha esgotado todos os argumentos minimamente sérios e esteja já só a chamar terrorista” e nazi a quem critique esta política externa baseada na violência do Governo de Israel. Aqui o Sérgio é menos refinado.

Tenho curiosidade acerca de todo este processo de recrutamento e selecção de elites que a direita faz. Por exemplo: como é que um gajo destes tem um artigo de opinião no Público: Por via familiar? Por pró-actividade do próprio? Ou será que andam nas universidades e na net à procura das pessoas… uma espécie de head hunting neo-conservador?

Publicado por [Saboteur] às 05:40 PM | Comentários (8)

Um jornal que não aceita "convites" do Governo Israelita

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Publicado por [Saboteur] às 12:17 AM | Comentários (4)

julho 28, 2006

Hoje é mesmo isto que penso

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Publicado por [Saboteur] às 07:56 PM | Comentários (2)

julho 27, 2006

A secreta função assassina de um advérbio de modo

Em Roma, houve propostas para um cessar-fogo imediato.

Mas a Condoleezza Rice acha que se deve "trabalhar imediatamente para obter um cessar-fogo" e não que se deve "trabalhar para um cessar-fogo imediato". Vai daí, a declaração final diz: "Os participantes na Conferência de Roma exprimiram a sua determinação em trabalhar imediatamente para alcançar com toda a urgência um cessar-fogo que ponha termo à violência e às hostilidades em curso" (excerto do Público de hoje).

Vitória para o advérbio de modo e para uma perspectiva de proveitos estratégicos da miséria humana e, assim, os países presentes na reunião de Roma vão todos, num grande esforço internacional, trabalhar imediatamente para ver se, daqui a um tempos, fazem outra declaração a exigir o fim da chacina.

Publicado por [Joystick] às 06:10 PM | Comentários (1)

julho 25, 2006

Memórias

Assinalando o 70º aniversário do golpe fascista em Espanha (com Guerra Civil de 1936 a 1939), o país vizinho decretou 2006 como Año de la Memoria Histórica e, segundo o El País, mencionado num artigo de opinião de Vital Moreira, Zapatero prepara uma lei de acerto de contas com a ditadura franquista. Ao que parece já a prometeu há bastante tempo sem que se conheça, ainda, uma linha. Mas, pelo que parece, existem associações várias que lutam pela memória e juntas regionais que se esforçam por recuperar aquilo que chamam de "passado ausente". Relembre-se que continuam 40.000 pessoas dadas como desaparecidas, que há bastante pouco tempo houve uma abertura de vala comum mas que continuam por abrir muitas outras, ainda que se conheça a sua localização, que milhares de combatentes republicanos sumariamente julgados e fuzilados continuam registados criminalmente como traidores sem que as famílias consigam recuperar a verdade e a dignidade. Isto para não falar de outras coisas como a malta a fotografar-se, bonacheiramente, na Rua Franco, em Santiago de Compostela, como quem se fotografa ao pé do Papa.


A Nossa Santa Comba Dão, por outro lado, recebe missas pela alma do fascista cá do sítio, mas não sem apupos e, para além disso, nós fizemos o nosso exorcismo revolucionário. Saimos à rua de cravo na mão. É verdade que, ao fim de algum tempo e como diz o outro, saimos à rua de cravo na mão sem percebermos que saimos à rua de cravo na mão a horas certas. Mas, ainda assim, saimos à rua. Mas, claro, nem toda a verdade foi dita mas, como se fosse, começámos a ficar apaziguados com o nosso passado. Tão apaziguados que vamos ter um condomínio fechado na António Maria Cardoso. É por essas e por outras que o movimento Não Apaguem a Memória propõe a criação de um roteiro da memória da resistência à ditadura e, como noticia hoje o Público, recolheu o número de assinaturas necessárias para agendamento de reunião plenária do Parlamento sobre o tema, no início da próxima sessão legislativa.


Publicado por [Joystick] às 03:09 PM | Comentários (5)

Crise? Qual Crise?

Curiosamente, no início do ano, vi Ricardo Salgado, numa reunião de quadros, quase que a desculpar-se da subida extraordinária de lucros que o Banco tinha tido em 2005.

Segundo ele, as regras contabilisticas da banca tinham mudado em 2005 (por força de directivas europeias), pelo que se estava a comparar coisas diferentes.

Agora não tem "desculpa"... é que este homem, sendo o gajo mais poderoso do país, não gosta muito de dar nas vistas... aliás, para encontrar esta foto, foi o que foi.

Publicado por [Saboteur] às 10:12 AM | Comentários (3)

XIXI

Minha gente, esta noite urinei no Tejo. Não foi novidade. A doca é um sítio perfeito para isso. É uma concretização da ideia inata que nos diz ser a natureza uma gigante casa-de-banho, mas num cenário citadino, o que lhe acrescenta algum conteúdo subversivo.

Ao contrário do que se passa quando mijo de pé encostado a uma árvore ou a um muro, mijar numa doca é um acto livre de obstáculos. O facto é que a distância entre a fonte emissora e o receptor é absolutamente segura. Não há perigo de ricochete - aliás, este é um aspecto que merece atenção especial, dado que pode transformar-se no pior inimigo de alguns tipos de calçado e da roupa abaixo do joelho (em casos graves o problema pode chegar acima...). Não há qualquer hipótese de incómodo posterior a novos utentes do espaço, dado que, como dizia Heraclito, tudo flui e não menos as águas de um rio, que, como se sabe, nunca passam duas vezes debaixo da mesma ponte nem ao largo da mesma doca. Além disso, o som que anuncia a mistura dos dois líquidos acaba por ter um efeito relaxante.

Pode argumentar-se que a coisa vai contra as normas escritas e não escritas que promovem a urbanidade dos comportamentos, o que é verdade. Mas o que se ganha em experiência de cidade é incomparavelmente superior. A cidade é um conjunto de lugares submetidos à pressão do socialmente correcto. Raramente estamos à vontade para fazer o que nos dá na gana sem pensar em terceiros.

Urinar num espaço público sem prejudicar terceiros ajuda a libertar esse espaço da privatização colectiva de cariz totalitário em favor de uma socialização privada de cariz libertário e é um contributo, portanto, para a humanização da cidade.

Atente-se na fotografia acima: o urinol como incontestável ex-libris da cidade de Lisboa

Ao mesmo tempo que se constitui como experiência no espaço, aparece como experiência no tempo: há memória(s) associada(s) ao acto que partilhamos ou não com outros em momentos preci(o)sos das nossas vidas, que acabam por carregar de sentido o presente. Hoje, por exemplo, enquanto mimetizava o acto na grande foz do Tejo lembrava-me de uma bela mijadela no Sena uma noite há uns três anos.

Mais haverá para dizer, espero ter oportunidade de voltar a este assunto apaixonante.

Publicado por [Renegade] às 12:07 AM | Comentários (14)

julho 24, 2006

Duvida de ultima hora

Portugal ainda esta a ocupar o Iraque?

Publicado por [Renegade] às 03:36 AM | Comentários (5)

julho 21, 2006

Concentração em Lisboa

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Recebido via ATTAC - Portugal

Publicado por [Saboteur] às 04:01 PM | Comentários (1)

Cegueira política

O que Israel está a fazer, para além de ser de uma desumanidade brutal, é de um claro erro político que agrava cada vez mais a sua própria situação de insegurança na região.

Parece que só mesmo eles, como Esther Mucznik (mais uma vez no Público), é que não consegue ver uma coisa tão clara. Cegueira total: Hoje, na página 7, vem-nos falar angustiadamente da criança que foi circuncisada na sinagoga de Safed, entre dois ataques de mísseis (um nome demasiado pomposo para os rockets em causa) do Hezbollah.

Percebo que quando se trata de circuncisões, todo o cuidado é pouco e o rabi não deveria estar a se perturbado… Mas é impressionante a falta de seriedade de tudo aquilo: Nas linhas de Esther, o Agressor transforma-se em vítima frágil e desprotegida, apenas com uma “confiança inabalável na justeza da sua causa”. O país que está a ser diariamente bombardeado, é acusado de “ataques mortíferos no interior de um país soberano, dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas”.

Esther Mucznik está embrenhada na sua fantasia em torno da situação do médio oriente, que não vê que são este tipo de acções que mais contribuem para o crescimento do radicalismo (do Hezbollah ao Hamas), e mais dificultam a já difícil existência do Estado judaico.


Publicado por [Saboteur] às 02:19 PM | Comentários (3)

Destruição e revolta no Líbano

Daniel Oliveira descreve no Arrastão o ambiente em Damasco.

Hoje na TSF, os Portugueses fugidos do Líbano, acusam Israel de Bombardear alvos civis e falam-nos da devastação da cidade de Beirute, deserta, abandonada, com todas as suas infra-estruturas destruídas…

Ontem na CNN, vi uma reportagem com um professor de trintas e tais, a mostrar ao repórter (falando em Inglês) os resultados dos bombardeamentos. Há medida que iam andando pelos escombros, o professor ia ficando cada vez mais nervoso… Foi impressionante… no fim já chorava e falava directamente para a câmara. Revoltado com a injustiça da situação, o pobre professor barrigudo desafiava em desespero os soldados israelitas a virem lutar com ele cara a cara.

Publicado por [Saboteur] às 01:04 PM | Comentários (2)

julho 20, 2006

Morreu Rosa Casaco

Espero que tenha sofrido.

Publicado por [Saboteur] às 12:46 PM | Comentários (2)

julho 19, 2006

O Estado a que isto chegou

Estive a ver o escandaloso programa (tempo de antena / conversa em família) de Paulo Portas na SIC notícias.

Qual é a justificação editorial para ter um programa daqueles?

E a fina análise da questão da Palestina?

Segundo ele, com a morte de Arafat, Sharon percebe que há ali uma oportunidade para a paz. Manda destruir colonatos, sai do Likud e faz um partido moderado. Só que “por infelicidade” as coisas complicam-se ainda mais: Arafat morre, há eleições e chegam ao poder os terroristas do Hamass, com que obviamente, o diálogo é impossível.

Algum erro de raciocínio?

Outra pérola foi quando ele disse que não ia ao futebol ver o Sporting (seu clube), exactamente porque, como político, “queria estar de mãos limpas para um dia poder tomar qualquer decisão que influenciasse a vida dos clubes”.

Para além do disparate, reparem que este “comentador político” mantém ambições de poder executivo que não são nada pequenas.

Publicado por [Saboteur] às 01:10 AM | Comentários (6)

julho 18, 2006

Apanhados no G8

No portal do Bloco está esta coisa engraçada e que tem mais importancia do que pode parecer à primeira vista.

Publicado por [Saboteur] às 02:58 PM | Comentários (2)

Ghetto






Publicado por [Rick Dangerous] às 12:45 AM | Comentários (2)

Made in Mossad

José Manuel Fernandes faz a cobertura da situação no Médio Oriente, a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros Israelita.
Hoje no Público, entrevista com uma judia ortodoxa da costa leste dos EUA que foi viver para um colonato constantemente atacado por rockest cassam.
Ontem no Público, entrevista com um general israelita na reserva cujo filho morreu.
Os funcionários do MNE israelita que traduzem isto tudo para português devem estar a fazer horas extra.
Aqui temos um jornalismo que não corre o risco de ser acusado de «relativismo cultural». Que escolhe criteriosamente de que lado estar. Que distingue os bons dos maus e não tem medo de o dizer.
140 mortos no Líbano não lhe tiram o sono. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel pode pagar bons comprimidos para dormir.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:21 AM | Comentários (2)

julho 17, 2006

De férias

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Publicado por [Saboteur] às 10:36 PM | Comentários (3)

julho 13, 2006

La double vie de Joystick

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Ontem fui a um cinema-pipoca e antes do filme começar aparece-me esta gaja à frente numa promoção a outro filme.

Publicado por [Renegade] às 03:47 PM | Comentários (3)

julho 12, 2006

É assim mesmo, vai-lhes às trombas, dá-lhes cabo do canastro, pá!

Ministro da Economia diz que caso General Motors tem de ser exemplar.

O ministro da Economia e Inovação garantiu hoje que “o caso General Motors tem de ser um caso exemplar”, na sequência da intenção governamental de exigir uma indemnização à empresa pelo encerramento da fábrica na Azambuja.

Público

Publicado por [Renegade] às 02:38 AM | Comentários (4)

julho 10, 2006

Em defesa da batota: o 'fair-play', cavalo de tróia moral da racionalização mecanicista no futebol

Um aspecto do último campeonato do mundo indicia uma mudança mais rápida no futebol profissional do que eu julgava. Estou a pensar na introdução do controlo do jogo através de imagens de vídeo. Os franceses vencidos na final queixavam-se que a cabeçada do Zidane ao Materazzi só foi sancionada por indicação do 4º árbitro após consulta às imagens em repetição. A ser assim, argumentaram, o árbitro não podia ter decidido a expulsão dado que nem ele nem nenhum dos outros três árbitros presentes terão "visto" em tempo real o que se passou. Com toda a razão afirmaram que Zidane devia ter continuado em campo. A equipa de França teria ganho o jogo (isto não disseram mas pensaram). A selecção italiana não teria ganho à Austrália com um penálti simulado e não seria campeão do mundo.

É interessante pensar que, ao mesmo tempo que resiste à introdução das imagens de vídeo como critério de julgamento, a FIFA apostou decididamente numa outra política que vem criar as condições ideais para essa introdução: a defesa do que designam por 'fair-play'. A FIFA quis que este fosse o campeonato do 'fair-play'. Atribuíram-se prémios em função do fair-play, deu-se um sinal aos fazedores e consumidores de opinião que este passava a ser um aspecto decisivo do jogo e, ainda mais importante, os árbitros foram instruídos para guiar a sua visão do jogo e as suas decisões segundo o 'fair-play'. Ora, tenho para mim que a interpretação que se quer fazer desta expressão deve tudo à sua origem anglo-saxónica e ao futebol quadrado, mecanizado, falho de inspiração, falho de alegria e de arte, apoiado no pontapé para a frente e na capacidade atlética do jogador, e deve muito pouco a um outro tipo de futebol com espaço para a simulação, o toque a mais, o despique no um-para-um, a capacidade de ver a bola como um objecto em harmonia com a sensibilidade criativa do jogador, enfim, com espaço para a batota também (quanto isto deve a uma visão 'luso-tropicalista' do futebol não vem aqui ao caso).

Claro que o futebol profissional é uma actividade económica orientada para o lucro, ponto. E progressivamente o critério económico tem vindo a invadir todos os aspectos ligados ao jogo, do merchandising à táctica, do treino à circulação de trabalhadores (jogadores etc). No dia em que o 'fair-play' seja imposto a golpe de televisão esgota-se um dos últimos bastiões da subversão possível no jogo de futebol: a batota.

Publicado por [Renegade] às 02:03 PM | Comentários (5)

julho 07, 2006

Centro e Periferia

Estou no meio da Romagna, parte meridional da regiao de Bologna. Uma aldeia sobre um monte, com um antigo convento no cimo, onde fica o Centro Universitàrio de Bologna. A aldeia chama-se Bertinoro, e o meu quarto, que se ve na foto, dà para um monte arborizado e uma planìcie sem fim.
Vim cà para discutir o centro e a periferia, ou seja, a història contemporanea comparada de Itàlia, Espanha e Portugal, com estudantes e professores de Compostela, Bologna e da FCSH.
E nao se està nada mal na periferia.
Para os entusiastas destas coisas, devo chegar ao aeroporto ao mesmo tempo que a selecçao portuguesa.
Um banho de multidao é mesmo o que faz falta depois de uma curta estadia no estrangeiro.

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:13 PM | Comentários (1)

il ritorno

Bologna Nihil, oh yeah...

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:23 PM | Comentários (3)

Do Post Secret

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Publicado por [Saboteur] às 12:41 AM | Comentários (4)

julho 06, 2006

A Nação já mais esquecerá os seus heróis!


Cipriano Ronaldo

Publicado por [Saboteur] às 10:46 AM | Comentários (4)

julho 05, 2006

Reeleger Lula

“O primeiro mandato criou as condições para a construção de um novo projeto de desenvolvimento; o segundo mandato é necessário para sua concretização”, diz Renato Rabelo em discurso feito para a Convenção Nacional Eleitoral do PCdoB, realizada em Brasília. Leia abaixo a opinião do presidente do Partido Comunista do Brasil sobre a necessidade de se lutar pela reeleição de Lula e pelo avanço no caminho das mudanças.

A homologação da candidatura Lula para um segundo mandato é o começo de uma nova etapa, que resulta daquilo que se construiu até agora e permite, para diante, o avanço da transição a um projeto nacional de desenvolvimento com distribuição de renda, valorização do trabalho e integração continental.

O primeiro mandato, superando a difícil situação herdada do governo de FHC, criou as condições para vingar a construção do novo projeto. Por isso, o segundo mandato se impõe a fim de se alcançar a concretização desse projeto, impedindo a sua descontinuidade e a volta das forças conservadoras, capitaneadas pelos tucanos.

É grande a possibilidade de vitória para um novo mandato para o presidente Lula. A maioria da população, sobretudo as camadas mais populares, identificaram em Lula o seu presidente. Por mais que a oposição de todos os matizes esbraveje, Lula impõe-se como presidente do povo. Por isso, é cada vez maior o desespero da aliança tucano-pefelista, que parte para torpe baixaria, demonstrando que não tem mensagem e nada de novo a apresentar a não ser o seu surrado projeto de Estado mínimo, privatizações, alinhamento automático aos Estados Unidos, opção conservadora que encalhou o país nos oito anos de Fernando Henrique.

Essa gente revanchista, segundo seus interesses e sua concepção, não admite o êxito de um operário e de forças democráticas e progressistas na presidência da República.

Um presidente que dialoga e respeita os movimentos sociais, um presidente que transforma em grandes investimentos projetos sociais que atingem vastas camadas marginalizadas, valoriza progressivamente em termos reais o salário mínimo, um presidente que se empenha em transformar o Brasil numa grande potência energética, um presidente que levou o país a assumir uma posição de inserção soberana no mundo e de solidariedade com os povos do nosso continente. Esse presidente é um perigo para a elite conservadora que sempre mandou e moldou um Estado antidemocrático, a sua semelhança.

O êxito do governo Lula - apesar das enormes restrições que encontrou, da grave crise política que atravessou - é devido principalmente a aplicação num curto período de tempo, de inúmeros e exitosos programas voltados para as grandes carências do nosso povo (Bolsa Família, Luz Para Todos, Brasil Sorridente, Pronaf, micro crédito, ProUni, Fundeb, Segundo Tempo, pontos de cultura, etc.). Na infra estrutura, enfrentou o desafio de uma política energética para o século XXI, desenvolvendo tecnologias para aproveitamento em grande escala de fontes renováveis de energia, questão chave na construção de uma infra-estrutura moderna; e deu passos efetivos, inéditos no sentido da integração do continente sul-americano.

A candidatura Lula, por tudo isso é a favorita do povo. Porém, não devemos subestimar os nossos opositores. Muitos deles não terão escrúpulos, nem agirão seguindo as normas da boa decência. As provas do tipo de jogo sujo que praticam estão sobejamente dadas por eles. Não se pode, tomado pelo clima de favoritismo, na prática, já começar a cuidar da festa da vitória. O mais importante, neste momento, é cuidar da batalha; ela precisa ser ganha e, para isso, vai exigir muito de nós, teremos muito a fazer para seu êxito.

O PCdoB nunca deixa de tomar partido. Definiu o seu lado, sobretudo no período político mais crítico, quando defendeu o mandato do presidente Lula contra as tentativas golpistas; hoje, defende e apóia a sua reeleição.

Na etapa atual insistimos ser importante, para a vitória e para o êxito do governo, a formação de uma aliança política ampla, liderada por um núcleo de esquerda, orientada por um Programa Comum de Governo e com responsabilidades definidas dos partidos que venham a compor a aliança e o novo governo.

Em nossa opinião o Programa Comum de Governo para essa nova etapa - um segundo mandato - deve estar voltado, sobretudo, para um desenvolvimento mais forte, que é um grande anseio nacional, e que tenha base no potencial já criado no primeiro mandato do presidente Lula, com distribuição de renda, ampliação do mercado interno e valorização do trabalho, ampliação dos projetos sociais, universalização de uma educação de qualidade e avanço da integração do continente, diversificação do comercio exterior, contribuindo para uma nova formação política e econômica mundial de solidariedade e equidade. Não consideramos que exista antagonismo entre um desenvolvimento mais acentuado e o rigor fiscal. Nem que, para haver desenvolvimento acentuado e duradouro, seja é preciso liquidar direitos dos trabalhadores. Nem que os grandes investimentos sociais sejam considerados como custos ou, como denomina a ortodoxia conservadora, como “gastança”.

O PCdoB não é um aliado conjuntural ou temporário do PT e do presidente Lula. Temos afinidades estratégicas. O nosso esforço não perde de vista a construção de um projeto de desenvolvimento nacional, baseado na defesa da soberania do Brasil, no aprofundamento da democracia, progresso social e integração continental.

O PCdoB defende como primordial e inadiável a realização de uma reforma política democrática, que leve em conta a realidade de pluralismo partidário que caracteriza a realidade política brasileira. Hoje, a vigência da clausula de barreira é antes de tudo um instituto antidemocrático, que procura manter por decreto o status quo dos partidos maiores. A forma como é aplicada no Brasil (percentual de votos dos partidos para a Câmara Federal) torna-se um critério de representatividade partidária parcial e injusto, porque no Brasil o sistema não é unicameral (aqui existem Câmara e Senado) nem é parlamentarismo, como acontece na Alemanha, de onde esse modelo foi copiado.

A luta pela reeleição do presidente Lula faz parte de um grande esforço político pelo relançamento da esperança. Da esperança realista com base numa experiência de governo que concentrou múltiplos desafios, prevalecendo vitórias importantes. Da esperança que renasce, fruto dos ensinamentos extraídos dos erros, dos êxitos e dos compromissos de mudança que responda aos anseios da maioria da nação.


*Discurso pronunciado na abertura da Convenção Nacional Eleitoral do PCdoB. Brasília, 29 de junho de 2006

Publicado por [Saboteur] às 09:13 PM | Comentários (2)

Colonização cultural

É simpático da parte da claque portuguesa cantar «Portugal allez!»

Publicado por [Saboteur] às 09:01 PM | Comentários (2)

Vitória do País com o Governo mais à esquerda da Europa


Paolo Ferrero - Ministro Italiano da Solidariedade Social

Como não gosto de futebol e muito menos tenho essas ligações emocionais à Selecção Portuguesa, faço os meus raciocínios futebulisticos de forma diferente da maioria de vós.

Para uma lista complecta do Governo Italiano, vejam aqui.

Publicado por [Saboteur] às 03:56 PM | Comentários (3)

julho 04, 2006

Vamos lá acabar com a pouca vergonha...

...e meter esta escumalha na ordem:

1. A polícia judiciária cria um departamento de investigação para a detecção e denúncia de tod@s os implicad@s em situações de aborto em Portugal. O Governo, através dos serviços de segurança, deve socorrer-se de todos os meios de investigação necessários, incluindo escutas telefónicas, para detectar eventuais infracções à lei.

2. É restabelecido o controlo fronteiriço para a circulação de mulheres. Todas as mulheres que se encontrem na situação de gravidez entre as 24horas posteriores à concepção e o presumível limite de nove meses são obrigadas a fazer prova dessa condição à saída e entrada do país e a apresentar-se todos os 15 dias na esquadra mais próxima da sua residência com um certificado médico de gravidez actualizado.

3. O Ministério Público trabalhará em estreita coordenação com a PJ para que todo@s @s presumíveis culpados (ou presumíveis inocentes) tenham o julgamento que os seus actos merecerem.

4. Dado o previsível aumento exponencial de casos de julgamento por aborto que chegam aos tribunais o Ministério da Justiça deve tomar todas as medidas possíveis para tornar o exercício da justiça mais célere e eficaz. Deve ser estudado desde já o alargamento do espaço disponível nas prisões. Deve ser lançado um plano de construção de novos espaços prisionais para acolher as dezenas/centenas de milhares de mulheres condenadas e seus cúmplices.

5. O Ministério da Saúde cria brigadas de intervenção rápida para actuar junto d@s abortistas. Com esta medida visionária pretende-se salvar os zigotos/embriões/fetos em processo de assassínio premeditado pel@s respectiv@s progenitores. Ver da possibilidade de conservação criogénica. A tecnologia do futuro poderá permitir a retoma do processo gestacionário em condições mais favoráveis.

Publicado por [Renegade] às 04:12 PM | Comentários (2)

julho 03, 2006

Maravilhas da bola

Por culpa da campanha da selecção nacional nos estádios alemães sinto-me tentado a apostar que a maioria dos portugueses só hoje se terá apercebido de que o ministro dos negócios estrangeiros se demitiu do Governo, durante a semana passada, alegando motivos de saúde. Muitos dirão, imbuídos do mesmo espírito, que «fez muito bem. Se não está em condições tem que dar o lugar a outro, como fez o Cristiano Ronaldo contra a Holanda».
Vem isto a propósito do seguinte: no Sábado, juntei-me com uns amigos no café do costume (o qual já frequentamos há mais de 15 anos) para ver o Portugal-Inglaterra. O café estava cheio, a rebentar pelas costuras. Entre o pessoal que se preparava para assistir ao jogo encontravam-se alguns skinheads. Pouco mais de meia dúzia. Entre eles havia dois que já estiveram presos devido ao assassinato do dirigente do PSR, José Carvalho, em Outubro de 1989, e do Alcino Monteiro, em Junho de 1995.
É costume os skinheads encontrarem-se por ali. É também costume exibirem sem qualquer pudor toda a parafernália de símbolos nazis que os distingue dos demais. Sejam as tatuagens ou os pin's ou as t-shirts.
Fiquei a saber que um deles, precisamente o que cumpriu pena de prisão pela participação no assassinato de José Carvalho, é dono de uma loja, em Lisboa, onde vende roupa, calçado e acessórios de vários tipos. Quase tudo relacionado com a ideologia que continua a defender.
No Sábado, antes do início do jogo, antes de cantar, de forma inflamada, o Hino Nacional, este skinhead vendeu, naquele café de Almada, pelo menos umas 10 t-shirts com a inscrição «Portugal Nação Valente» e as 5 quinas estampadas. Cada uma a 20 euricos... Quando perguntei a um amigo meu, que acabara de comprar uma dessas t-shirts, se sabia que aquelas o podiam identificar como membro de uma organização fascista ele respondeu-me que isso não lhe interessava porque achava a t-shirt bonita e era isso o mais importante. Quando lhe perguntei se também não se importava que o dinheiro resultante da venda das ditas pudesse, de forma directa ou indirecta, servir de financiamento a uma organização fascista respondeu-me que estava a delirar e que o deixasse ver o jogo.
Resta referir que já durante o Euro 2004 tinham acontecido situações semelhantes. Embora eu não tenha presenciado nenhuma delas.
Pouco importa. Importante mesmo é que a nossa selecção continue a ganhar. A mostrar ao mundo que nós, os honrados e valentes portugueses, somos capazes de ser bons. Não é?

Publicado por [Bomb Jack] às 11:45 AM | Comentários (8)