« outubro 2005 | Entrada | dezembro 2005 »

novembro 29, 2005

Juramento sem bandeira

Eu juro. Todos os poetas estão do nosso lado. Eu juro. E juro que, um dia, todos os políticos se transformarão em estrelas rock e que todas as fardas se confundirão com luzes de néon em cidades sem nome. E juro que, um dia, Marc Bolan ressuscitará por detrás de um écran gigante de vídeo. E que em todas as ruas se dançará ao som de Lou Reed. Take a walk on the wild side. E se, um dia, os fascistas no poder se transformarem em balas perdidas na multidão, nós saíremos à rua, nós seremos mais fortes, nada nos calará, nada nos derrubará. Eu juro.
João Peste, em "Juramento sem Bandeira" (1987)


Publicado por [Rick Dangerous] às 04:49 PM | Comentários (1)

Uma rapariga que tinha como objectivo na vida contestar o Establishment

Pensava escrever alguma coisa a dizer mal da Maria Filomena Mónica ("Mena"), mas o João Pedro George encarregou-se disso. Aconselha-se a leitura deste comentário à imbecilidade doutorada em Oxford.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:35 PM | Comentários (2)

novembro 27, 2005

si, sono disoccupato e me sono fiero

Isto passou-se em Outubro último.
Confesso que fiquei aterrado quando soube que o governo da república se preparava para "endurecer" as regras de controlo das prestações sociais, em particular a vigilância sobre os desempregados. Recordo a retórica incisiva de Louçã quando falava numa nova situação que obrigaria os desempregados a comparência regular nos centros de emprego sob risco de perda dos subsídios, um verdadeiro estado penal de desemprego com termo de residência associado. Em Outubro ainda estávamos (e estamos) na fase de anúncio e discussão das medidas com os "parceiros sociais". De qualquer forma, anunciar medidas anti-sociais deste tipo pode ter pelo menos uma consequência prática: quem ainda não tinha tentado furar o sistema trata de o fazer enquanto é tempo. Foi o meu caso, confesso.

Munido do meu impresso, verdadeira carta branca para o maravilhososo mundo do estado social de bem-estar, dirigi-me aos serviços do centro de desemprego da minha área de residência, onde dei conta da minha humilde condição de excluído do "mercado de trabalho". A jogada era conseguir o subsídio e ao mesmo tempo dar uma voltinha pelo estrangeiro, acumulando se possível duas fontes de rendimento, uma legal e transparente, outra completamente ilegal e opaca aos olhos disciplinadores do Estado. Foi a medo que perguntei quando seria chamado para definir o meu perfil de desempregado, ter uma primeira reunião (obrigatória) de informação e acesso a estágios na área de formação, enfim, responder presente à chamada de controlo. "Ah, em virtude da crise de desemprego que para aí anda só daqui a uns sete (7) meses. Veja lá que os impressos até esgotaram na Impressa nacional!". Respirei de alívio...

O passo seguinte - Segurança Social. Aí fui informado pela simpática funcionária que o processo levaria cerca de 4 meses/4 meses e 1/2 a ser deferido. Quatro (4) meses. Imagino com terror a situação em que eu de facto precisasse daquele $$$ para algo mais essencial do que diletâncias académicas como, por exemplo, comer...

Mas não temais, desempregados do meu país! Sócrates e companhia estão em campanha de moralização da coisa social! Não mais chupistas fraudulentos como este vosso amigo conseguirão deitar as garras ao que é vosso, e só vosso, por direito! Alea jacta est, a vitória é certa!

Publicado por [Renegade] às 12:40 AM | Comentários (3)

novembro 26, 2005

Gorgulho branco

É com exemplares destes que nos querem fazer acreditar na superioridade da raça branca...

Publicado por [Rick Dangerous] às 10:29 PM | Comentários (5)

O spectrum à escuta

O blog do chefe da Frente Nacional, Mário Machado, explica como fazer um Cocktail Molotov:
Materiais:
* Gasolina
* Óleo de motor
* Garrafa de vidro
* Rolha
* Pano ou meia
Procedimento:
Enche metade da garrafa com a gasolina e adiciona um pouco do óleo de motor, depois coloca metade do pano dentro e metade para fora da garrafa e mete a rolha de modo que ela prense o pano no gargalo da garrafa, pega fogo na ponta do pano ( tem que acender bem) e atira a garrafa para longe, ai vais ver porque é que ela é uma bomba incendiária.

Publicado por [Rick Dangerous] às 10:22 PM | Comentários (3)

Em Novembro é de Abril que me lembro

Celebraram-se ontem, com um ligeiro travo a 24 de Abril, os 30 anos da nossa democracia.

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:43 PM | Comentários (2)

novembro 25, 2005

Paris fever

Publicado por [Renegade] às 03:18 PM | Comentários (2)

novembro 24, 2005

sem título.bmp

Publicado por [Operation Wolf] às 10:36 PM | Comentários (2)

novembro 23, 2005

Isabel de Castro


Uma das melhores.
Martela-me a memória um poema sobre borboletas e vestidos que escreveu.

Publicado por [Operation Wolf] às 10:31 PM | Comentários (1)

novembro 22, 2005

coitus interruptus parte 2?

(para abrir imagem usar o botão direito do rato. obrigado.)

via agridoce

Publicado por [Renegade] às 11:32 PM | Comentários (2)

novembro 20, 2005

Festa em Kabul


Um militar portugês morreu no Afeganistão.
Diz quem o conheceu que era um verdadeiro comando.
Diz quem não o conheceu que um bom comando é um comando morto.
O país está de luto. Aproveito para me associar às comemorações de Kabul. Respiro um pouco melhor cada vez que um exército ocupante sofre uma baixa.

Publicado por [Rick Dangerous] às 09:51 PM | Comentários (44)

novembro 17, 2005

Émeute

O spectrum à escuta.

Watching the people get lairy
Is not very pretty I tell thee
Walking through town is quite scary
And not very sensible either
A friend of a friend he got beaten
He looked the wrong way at a policeman
Would never have happened to Smeaton
And old Leodiensian
I predict a riot, I predict a riot
I predict a riot, I predict a riot

Publicado por [Rick Dangerous] às 10:27 PM | Comentários (3)

Rioting is a class act

O spectrum à escuta:
Those who wondered what French youth had to gain by taking to the streets should ask what they had to lose. Unemployed, socially excluded, harassed by the police and condemned to poor housing, they live on estates that are essentially open prisons. Statistically invisible (it is against the law and republican principle to collect data based on race or ethnicity) and politically unrepresented (mainland France does not have a single non-white MP), their aim has been simply to get their plight acknowledged. And they succeeded. [...]
Amid the charred chassis and broken glass there is a vital point of principle to salvage: in certain conditions rioting is not just justified but may also be necessary, and effective. From the poll tax demonstrations to Soweto, history is littered with such cases; what were the French and American revolutions but riots endowed by Enlightenment principles and then blessed by history?

Publicado por [Rick Dangerous] às 09:27 PM | Comentários (3)

novembro 16, 2005

Não gostamos da vida-tal-qual-ela-é

Notícias da hora do almoço: fábrica de cerâmica na Nazaré fecha e deixa 42 trabalhadores na rua. Literalmente na rua, sem contrato de rescisão, sem indeminização, sem papel para apresentar para receber o subsídio de desemprego. Ministro da Saúde diz que hospital de Sta Maria tem de dispensar mil funcionários. Salário mínimo vai aumentar 11 euros enquanto espero a botija de gas com preços em permanente actualização, desta vez 17,10 E.

Publicado por [Operation Wolf] às 01:41 PM | Comentários (0)

Notícias da argentina

Folheio um jornal argentino: Mais um asalto violento numa casa de um bairro rico.

2 larápios entraram em casa de uma senhora pela janela, amarraram-na e roubaram-lhe cerca de 8 mil pesos em dinheiro (o ordenado medio é 925) e objectos em ouro.

A senhora conta ao jornalista que era gente violenta e sem coracao... ela ainda disse a um dos indivíduos : "Sabes que podias ser meu filho. Enterrei à 2 anos um filho com 19 anos". "Que carajo isso me importa? Faco isto para dar de comer aos meus filhos!", respondeu. "Se queres comida vai à despensa e leva o que quiseres". "Cala-te!" Disse o ladrao ao mesmo tempo que lhe aplicava um valente estaladao.

Publicado por [Saboteur] às 04:26 AM | Comentários (8)

novembro 14, 2005

Yo soy porteña de Boca

Publicado por [Joystick] às 11:13 PM | Comentários (4)

novembro 11, 2005

Toujours Paris

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento,
mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem.

Bertolt Brecht

Os acontecimentos de Paris continuam a ocupar a atenção de tod@s.
O André Belo começou um blog novo a falar sobre eles.
Pacheco Pereira escreveu, agora no Público, um texto de acusação contra os Parisienses revoltosos, bem à sua maneira, inserindo-os no processo de decadência Europeia.
Interessa ler, desde logo porque nem os acontecimentos são exclusivamente parisienses, nem a sua leitura pelo intelectual orgânico dos liberais e conservadores portugueses aceita a distância geográfica entre a Gare del'Est e Stª Apolónia: "Sim, são as nossas liberdades e a nossa democracia que ardem nos arredores das cidades francesas".
Parece-me justo que assim seja. O que está em jogo em Paris tem de facto tudo a ver com a força da democracia que tão bem dá de comer a Pacheco Pereira. E a passagem proposta, que visa deslocar filosoficamente a democracia, do terreno social em que foi emersa no pós-guerra para o céu das ideias puras da liberdade, lei e estado de direito, tem tudo para resultar. Encerra em si o espírito do tempo.
Também por isso me parece justificado o silêncio de tant@s e o desconforto de muit@s, dos e das que ocupam em democracia o espaço político da representação institucional do descontentamento e do conflito social. Esse espaço não pode albergar os que se movem à noite pelo Banlieu. Os seus ocupantes são necessariamente incapazes de traduzir para a mitologia dos direitos e para a linguagem da indignação conformista este ódio profundo, que não compartilham e cuja própria sombra os assusta.
A música que pôs Paris a dançar soa para a esquerda a uma marcha fúnebre.
Do ponto de vista da correlação de forças está tudo claro nesta diferença.
Pacheco Pereira aproveita a ocasião para defender os seus pontos de vista radicais acerca da reconversão social Europeia que ocupa um lugar destacado em todos os programas (de esquerda e de direita) do capital. Simultaneamente, aproveita para pôr todos os que não partilham a sua posição a pedir desculpas pela sua posição hesitante acerca da violência. Identifica uma enorme conspiração mediática (acerca da qual já se escreveu aqui alguma coisa) de simpatizantes da violência suburbana.
E, como não podia deixar de ser, traduz o conflito social em choque de civilizações, porque seria uma chatice se a realidade viesse desmontar tão conveniente visão (passe-partout simplista?) do mundo.
A esquerda? Bem a esquerda aproveita para dizer que se não tiver mais votos, dentro de anos corremos o risco de ver isto a acontecer na Cova da Moura. E isso é que nem pensar.

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:47 PM | Comentários (1)

novembro 10, 2005

Pintura no Muro da Palestina#2

muro.palestina1.jpg

Publicado por [Operation Wolf] às 06:34 PM | Comentários (2)

novembro 04, 2005

Admirável mundo velho


De tanto gritar contra os jornalistas Pacheco Pereira arrisca-se a enrouquecer.
Poderá ser normal que alguém que dispõe de tamanha exposição mediática e tempo de antena televisivo esteja sempre a queixar-se do poder dos jornalistas?
Emerso numa paranóia constante, permanentemente obcecado com conspirações contra a "verdade rectilínea" e os "factos incontornáveis" e tantos outros lugares comuns, Pacheco Pereira vai a todas, com a convicção de que cada segundo televisivo não ocupado pela sua visão bicromática das coisas é um segundo livre para a contaminação do politicamente correcto, da cultura laxista, do multiculturalismo - de tudo em suma, que não corresponde ao mundo inevitavelmente securitário, militarizado, neoliberal, industrioso, competitivo e darwiniano onde só ele vive, mas para onde nos quer arrastar a todos, a golpes de retórica imperial.
Com José Manuel Fernandes, forma um bloco de reaccionários ex-esquerdistas elevados a intelectuais orgânicos de um admirável mundo velho, rivalizando no louvor à ordem e ao trabalho (nisto não se esqueceram em nada da herança estalinista), na sede de repressão, na irrepreensível coerência com o projecto de nova ordem mundial que se desenha em frente aos nossos olhos e contra o qual se queimam carros em Paris.
O seu discurso é tão velho como o mundo que propõem. Ouxalá houvesse açaimes para tão raivosos cães de guarda.

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:52 PM | Comentários (33)

novembro 03, 2005

Back to school

Re-re-revi Elephant. Ao fim de algum tempo deixa de interessar o massacre, deixa de interessar a câmara sonâmbula em traveling permanente, deixam de interessar as tentativas de leitura do sentido do filme e qualquer interesse político-estético para só ficar um olhar invejoso sobre a escola secundária de Columbine.
Umas instalações do camandro com direito a campos de treino relvados, pavilhão interior muita grande com balneários enormes, estúdio de fotografia, biblioteca com mais estantes que a biblioteca da minha faculdade, reuniões de grupos de alunos para discutir temas socialmente relevantes (no caso era qualquer coisa sobre a homossexualidade), cantina com n pratos à escolha e lugar para toda a gente, um serviço de recepção, atendimento e apoio à entrada da escola com funcionários e professores, cacifos para todos...

Cá pelo burgo ainda me lembro de fazer o secundário todo em escolas sem cantina, sem educação física, com bibliotecas miseráveis sem que se aprendesse nada além do esforçado currículo obrigatório e sem que alguém se preocupasse com isso. Um deserto de actividades de sociabilidade e de educação/expressão extra-curricular (o máximo que se conseguia arranjar era excursões auto-organizadas à sala de jogos do Café Serpente para fumar uns cigarros e jogar umas máquinas). O 12.º ano (1995) foi mesmo numa escola provisória em contra-placado montada nos anos pós-Abril, impraticável à chuva, que, por sinal, já nem existe. Uma merda, em conclusão.

Publicado por [Renegade] às 10:14 PM | Comentários (5)

Era uma vez uma insurreição


Os acontecimentos das últimas seis noites em Clichy-sous-Bois vieram denunciar a a paz podre que se vive nas principais metrópoles europeias.
A violência parisiense não tem nada de excepcional, particular, inexplicável ou lamentável.
Ataques a esquadras, edifícios públicos e centros comerciais - à ordem pública em geral - demonstram o quão consciente é a raiva intuitiva dos jovens do banlieu parisiense. E deixam adivinhar uma inteligência semelhante nos ataques que por certo se seguirão, noutras ruas, praças e motins. Este ódio, soletrado em todas as línguas, não carece de tradução. Ça ira!

Há já alguns meses que a polícia intensificou o controlo nos subúrbio parisienses, com o pretexto da segurança pública, no seguimento dos incêndios de Julho em prédios ocupados por emigrantes. Houve várias detenções de emigrantes ilegais e foi criado um clima de militarização do espaço, estilo pós-colonial. Sob as calçadas, a faixa de Gaza.
O que se seguiu - a repetição de confrontos de pequena escala até à morte de dois jovens que se refugiaram num depósito da EDF para escapar a uma perseguição policial e foram eletrocutados - só pode parecer estranho quem nunca viveu num subúrbio pobre de uma grande cidade, onde a maioria dos jovens opta por práticas difusas de ilegalidade (roubo, tráfico, etc...) como alternativa à formação profissional, ao desemprego, ou a um trabalho de merda.
O choque com o estado era já a vida quotidiana deste proletariado ilegal, as barricadas estavam presentes em todas as cabeças. Bastava uma faísca.

Lá onde se vivia na mais completa abundância e com as mais amplas protecções sociais, emergiram as contradições que o discurso do poder procurara ocultar, contrapondo à violência organizada da polícia as tácticas sempre clássicas e sempre actuais da guerrilha urbana.
Lá onde o estado, a cultura e os direitos sociais se combinaram para cimentar o consenso da mercadoria e a paz do capital - que não é senão a guerra quotidiana ao proletariado -, a questão social não podia deixar de se repropôr em bases sempre mais radicais, abrindo brechas no edifício republicano.

Da Cova da Moura a Paris, toma forma um sujeito do conflito social desintegrado e estranho a qualquer mediação política ou mediática. No indymedia de paris ninguém relata os acontecimentos. Ninguém sabe exactamente o que se está a passar. Os que o sabem não estão ainda dispostos a relatá-lo. As coisas belas e terríveis que terão para nos ensinar valem bem o seu silêncio actual.
Dentro de algumas semanas, quando tudo isto fôr passado, alguém poderá dizer "Era uma vez uma insurreição"?

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:21 PM | Comentários (3)