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outubro 31, 2005

Isaltinândia

Passeio pelo subúrbio verde.
Desentorpecedor primeiro e depois mortificador. O trabalho mata mesmo. Gostei de voltar a cheirar o verde. Parece que isso acontece quando já cá não estou. Não ter uma coisa permite apreciá-la com muito mais cambiantes quando a voltamos a ter.
Gostei da tranquilidade e de me poder aperceber dessa tranquilidade. Gostei de perceber que a Vila de Oeiras ainda tem coisas que eu não conhecia, recantos à espera da requalificação que ofereça novas centralidades para a vida fora de Lisboa. Gostei de visitar os jardins do Palácio do Marquês agora em recuperação. Não gostei da ribeira cinzenta de merda e malcheirosa que os atravessa e vai desaguar à praia de Sto Amaro. Não gostei da proliferação de velhas e velhos com cara de cu, a enfadar-se nos dias que lhes restam neste mundo e a encher de mofo "d'autre-tombe" o dia ensolarado e reconciliado com a vida.

Não gosto do parque dos poetas. Tanta pedra e tanto obstáculo à livre fruição do verde. Porquê o gradeamento? Medo que roubem as estátuas? (Aqui acima está o mono à la Tomb Raider que dedicaram a Sophia etc). É a paranóia da destruição do espaço público pelas hordas de cidadãos pouco escrupulosos. A moda dos jardins públicos-privados tem que ser combatida. E o parque? Não teria sido muito mais fácil, barato e recompensador seguir um modelo simples de laguinhos, árvores e bancos de jardim com espaço para esticanços na relva, pistas de bicicleta e sobretudo, sombras? Porquê o novo-riquismo boçal da cultura da pedra e conceptualismo jardineiro a acompanhar as "homenagens" aos poetas? Será que ainda estamos tão presos à mundivivê(dê)ncia burguesa do fatinho de domingo para sair e mostrar-se no passeio público? A popularização do espaço público está por fazer em Portugal. E quem inventou que um jardim, local de repouso e lazer, deve servir para educar as massas (e de caminho dar trabalho aos amigos artistas)?

Publicado por [Renegade] às 04:05 AM | Comentários (2)

outubro 30, 2005

blá

Estava há pouco a terminar a minha ronda quase semanal pelos blogs políticos favoritos e dei por mim como um visitante de aquário a olhar para a fauna que circula dentro do tanque. Uma relação marcada em simultâneo pela proximidade "física" e por uma distância essencial e radical que me faz estranhar-me daquele universo. Ressalta-se, discute-se, contrapõe-se até à exaustão a frase do político que foi citado pelo jornal da manhã, comenta-se e amplia-se a agenda política de terceiros, há pronunciamentos a favor ou contra os actos político-(i)morais de alguém. E do lado de cá fica o espectador-leitor, mediado pelo vidro do monitor, a pensar por que razão não consegue atingir o nível de intervenção política na blogoesfera que um dia pensou poder atingir.

Há razões para isso. Incapacidade e desmotivação. Dificuldades de acesso ao material informático. Mas sobretudo dificuldades de acesso ao fluxo de informação de que se nutre o sistema. Um trabalhador "manual" submetido a uma rotina desgastante física e psicologicamente acaba afastado do contacto com a informação e com a própria possibilidade de a (re)produzir ou reelaborar. Daí à expulsão dos palcos de participação política, mesmo os mais mesquinhos como escrever um texto num blog, vai um pequeníssimo passo.

Por isso a participação política no sentido mais lato acaba por ser um privilégio de meia dúzia. Por isso recordo com alguma nostalgia os tempos em que passava quatro horas duas (e três) vezes por dia em reuniões em salas enevoadas a preparar manifestações, orientações políticas para as massas e para os camaradas, quase acreditando que o futuro era já ali.

Publicado por [Renegade] às 09:37 PM | Comentários (1)

outubro 29, 2005

Agora, calúnia gratuita...

Cavaco na Presidência, vai ser pior que o próprio Sampaio.

Publicado por [Saboteur] às 01:04 AM | Comentários (2)

outubro 26, 2005

Discurso de tomada de posse do Presidente da República Portuguesa, sob o tema auspicioso de “O clima de confiança... ança... ança”

Portuguesas e Portugueses,

O nosso país encontra-se mergulhado num mar de infortúnios. O nosso país olha para esse mar não como nação empreendedora, como antes foi, no decurso da gloriosa história de descoberta de novos mundos, mas como uma nação sem rumo... umo... umo.

É preciso voltar a criar as condições para o desenvolvimento económico, a incutir no sector empresarial o signo da inovação tecnológica, pensar o Estado como parceiro de desenvolvimento e não como peso morto de burocracia. Neste trilho que tem de ser percorrido é preciso o esforço de todas e todos os portugueses, muito em especial dos trabalhadores e, de entre estes em particular, dos trabalhadores da Administração Pública, cuja modernização assumo como prioridade do meu mandato... ato... ato.

Sabemos que neste trilho que é necessário percorrer, e que todas e todos temos como inevitável, encontraremos vários obstáculos, sobretudo os relacionados com as medidas que deverão ser tomadas, no quadro de um mundo globalizado, para tornar Portugal um país competitivo... ivo... ivo.

O Estado terá de assumir, nesta missão, o papel preponderante de mobilizador. Terá de ouvir a sociedade civil e repensar a sua densidade de actuação, por forma a que cumpra, efectivamente, as suas funções de incentivador de desenvolvimento económico, de modernizador de processos, de garante da justiça e da equidade, mas de uma equidade real, de quem sabe que é preciso tratar o que é igual como igual e o que é diferente como diferente... ente... ente. Esta missão é particularmente premente perante o cenário de falência do tradicional estado providência e do modelo de estado interventivo e controlador, que não se coaduna com a realidade macroeconómica.

No século XXI, portuguesas e portugueses, é preciso olhar para o futuro e não para o passado, para que, num esforço conjunto, saibamos ultrapassar a presente fase de crise e construir um país com confiança... ança... ança.

Publicado por [Joystick] às 05:03 PM | Comentários (9)

Lisboa e a candidatura à Unesco

CRITÉRIO III
A Baixa de Lisboa manifesta e sintetiza a dimensão civilizacional da cultura portuguesa. Por um lado através da expressão central de uma capitalidade indagada desde os primórdios do Império — o primeiro de dimensão universal a seguir aos da Antiguidade Clássica —por outro como clímax de uma forma específica do fazer cidade apurada e exercitada um pouco em todo o Mundo.
Da complexa interacção entre o pequeno reino europeu e o além-mar floresceu uma dimensão civilizacional hoje pulverizada nessasubstância algo etérea a que chamamos portugalidade. Não é só portuguesa e nem em tudo nela nos revemos. Por isso é grande. Muitos consideram a língua a sua principal expressão viva, alguns encontram no urbanismo uma dimensão, por vezes silenciosa, dessa
realidade. De facto nada há de mais perene que as estruturas urbanísticas e territoriais de uma cultura. Sentimo-lo inconscientemente no território do nosso dia-a-dia.

A ilustrar uma imagem de Comemoração do Euro 2004 na Praça D. Pedro IV.

Este é o 3º em 6 critérios apresentados para justificar a candidatura da baixa pombalina a património mundial. Não sei quem é ou serão os escreventes da coisa mas chamarem para aqui a portugalidade é o mesmo que eu chamar a NªSrª de Fátima enquanto vejo um jogo do Benfica. Compreender-se-ia o critério se estivesse formulado de outra maneira. Assim, é meramente bacoco. Espero que os tipos da Unesco não se lembrem de classificar como património a preservar este tipo de provincianismos.

Publicado por [Operation Wolf] às 03:36 PM | Comentários (1)

Pintura no Muro da Palestina

muropalestina2.jpg

Publicado por [Operation Wolf] às 02:00 PM | Comentários (3)

outubro 23, 2005

Começo a ficar preocupado...

Mesmo sendo já oficialmente candidato, a comunicação social respeita escrupulosamente o compromisso de não pressionar o candidato a dar a opinião sobre nada em concreto.

Esta é, afinal, a única forma que o homem tem de ser eleito.

Que merda de memória de um povo! Vamos ter o Presidente que merecemos...

Publicado por [Saboteur] às 06:29 PM | Comentários (4)

O Regresso

Um ano e tres meses depois. A tempo de ver chegar o inverno. Como se nunca tivesse saido daqui. Como se nunca ca tivesse estado. O ritmo permanece igual, mas agora vejo-o de fora e nao chego a entrar nele.
Tres faculdades ocupadas. Em Letras os muros foram pintados com a poesia a que o momento convida. Queremos tudo. Destruamos os relogios e apropriemo-nos do tempo. Nem estado nem patroes. Assembleias acerca da precariedade, da emigracao, da escola, dos saberes, do neoliberalismo, das lutas sociais.
Entre os grupos politicos e centros sociais as mesmas discussoes inadiaveis e decisivas de sempre: deve-se ou nao vender carne num espaco ocupado? Deve-se ou nao ceder o material sonoro para uma festa numa das universidades ocupadas? Sera aquele outro colectivo suficientemente radical para colaborar conosco?

Pessoas capazes de se sacrificarem permanentemente em actividades ilegais altamente minoritarias continuam a viver a sua rotina militante, sem que a ocupacao de espacos universitarios numa cidade predominantemente estudantil lhes transmita qualquer urgencia ou sugira possibilidades desconhecidas. Sabado a noite, enquanto se realizava uma festa nao autorizada na praca principal da zona universitaria, os centros sociais organizavam as suas proprias festas com a entrada paga do costume e a proposta cultural alternativa de sempre.
Em Bologna o movimento antagonista nao e um ghetto, mas um condominio privado. Com tudo o que e preciso para viver uma vida tranquila. Tudo menos uma vontade irreprimivel de subverter o actual estado de coisas.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:07 PM | Comentários (2)

outubro 18, 2005

Porcos Para Pérolas

presidenciais.JPG

Publicado por [Joystick] às 11:33 AM | Comentários (6)

outubro 16, 2005

Nobelissimo

Ninguém tem jogado spectrum mas há boas notícias:

Publicado por [Operation Wolf] às 10:19 PM | Comentários (5)

outubro 08, 2005

Sagrada Esperança



O golo de Akwá e o último apito do árbitro no Estádio Amahoro, em Kigali, provocaram duas explosões de alegria em Luanda, capital de Angola, que deram início à festa do primeiro apuramento dos Palancas Negras para uma fase final do Campeonato do Mundo.
A expectativa em redor deste jogo foi crescendo ao longo dos últimos dias em Angola, e os ecrãs gigantes multiplicaram-se por toda a cidade, quer em espaços públicos, como em restaurantes ou mesmo em casas particulares. O início do jogo, às 15 horas (mesma hora de Lisboa) silenciou a capital, totalmente absorvida pelo jogo de Kigali.
O golo de Akwá, a onze minutos do final, deu início às primeiras buzinadelas mas só depois do último apito do árbitro é que as ruas voltaram a ganhar vida em Luanda. Na baixa e na Ilha de Luanda, em escassos minutos, as ruas ficaram intransitáveis, numa ambiente festivo que se deverá prolongar pela madrugada dentro.

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:29 PM | Comentários (5)

outubro 05, 2005

Pela História, pela Memória e por outras coisas alheias à escória, ainda que rimem

Espero que a burgesinha de 2 anos que habitará na quinta divisão de uma casa com acabamentos de luxo, três lugares de garagem, cozinha equipada com mobiliário sueco, aspiração e aquecimento central, durma bem, no seu bercinho de lençóis com bordado inglês, apesar de, naquele mesmo lugar, terem morrido homens e mulheres às mãos da polícia política do fascismo português, histórias que não lhe serão contadas.

Estivemos algumas dezenas de pessoas à porta do estaleiro, hoje, à hora de almoço. Mas chegámos tarde... Nada justifica a permanência da propriedade do edifício da António Maria Cardoso nas mãos de uma entidade ligada à monarquia, durante anos e anos de negligência pouco inocente, sem projecto nem movimento social para a expropriação. Esse movimento, se tvesse existido, teria chegado a tempo...

Publicado por [Joystick] às 05:51 PM | Comentários (2)