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julho 31, 2005

Morreu Wim Duisenberg

O primeiro presidente do Banco Central Europeu (BCE), o holandês Wim Duisenberg, 70 anos, foi encontrado morto numa vivenda em Faucon, Sudeste da França, junto à piscina. A revelação foi feita, este domingo, por fontes policiais.

As causas da morte ainda não foram reveladas, mas suspeita-se de "congestão derivada à inadevertida mistura de 4 talhadas de melancia com vinho tinto", disseram as autoridades locais.

Publicado por [Saboteur] às 05:53 PM | Comentários (3)

julho 30, 2005

Post de Verão

Farto de trabalhar
farto de passar os dias rodeado de ignorantes
farto de sorrir hipocritamente
farto de apertar porcas fordianamente
farto de envelhecer por meia dúzia de tostões
farto de aturar cascas grossas, bêbados, arrogantes e outros clientes
farto das dores nas costas
farto das dores nos pés
farto das dores de barriga
farto de ser obrigado
farto de achar que isto tem de ser tudo assim
farto de pagar do meu bolso as minhas falhas
farto de ver outros subir nas minhas costas
farto de ganhar mal
farto de fazer o que não quero
farto de desperdiçar capital cultural
farto de ser agredido
farto da futilidade
farto do barulho dos outros

Publicado por [Renegade] às 10:27 PM

julho 28, 2005

RTP bigode

A ver a RTP memória, pergunto-me porque raio terá ficado fora de moda o bigode?



Publicado por [Rick Dangerous] às 01:22 AM | Comentários (2)

julho 26, 2005

Contra a canalha, unidade



Publicado por [Rick Dangerous] às 02:33 AM | Comentários (3)

julho 24, 2005

Um mundo menos imperfeito...

...era aquele em que Helena Matos, Maria de Fátima Bonifácio, Vasco Rato, César das Neves, Esther Mucznick (quem?), José António Saraiva, Vasco Pulido Valente, José Manuel Fernandes, Maria Filomena Mónica e todos os velhos e jovens turcos desta seita ideológica e social fossem exilados para umas férias douradas com residência vigiada na Quinta da Marinha, do Lago, do Peru ou noutra quinta qualquer e nos despoluissem o horizonte.

Publicado por [Renegade] às 09:29 PM

London calling

Um brasileiro foi morto com cinco tiro pelas forças especiais britânicas numa estação de metro, depois de ter começado a correr quando interpelado por agentes policiais. Era um emigrante legalizado. Foi confundido com um terrorista islâmico.
Os agentes policiais estavam à paisana e o maquinista do metro, que ao ver a cena fugiu para dentro do túnel, viu uma arma ser-lhe apontada à cabeça.
Disseram que foi um acidente. Outros chamam-lhe "fobia securitária". Anda por aí à solta. Brevemente numa rua perto de si.


Publicado por [Rick Dangerous] às 02:01 AM | Comentários (2)

julho 21, 2005

De onde vem a Barbárie

Os atentados que vitimaram em 7 de Julho a população londrina, tal como os que vitimaram há pouco mais de um ano os madrilenos, são actos de terror que atingem gente sem culpa.
Mas a ninguém escapa a ligação entre estes factos e a activa participação do governo britânico (tal como antes o de Aznar) na agressão ao Iraque.A barbárie dos métodos de luta usados em Londres ou em Madrid é um pálido reflexo da bárbara guerra colonial conduzida desde há anos pelo imperialismo EUA, com o apoio de Blair e de outros governantes europeus, contra os povos do Médio Oriente. Se na Europa as vítimas inocentes se contam por centenas, no Iraque, na Palestina, no Afeganistão sobem já às centenas de milhares.
Os atentados de Londres são uma retaliação e não um primeiro ataque. São uma resposta, com terror, ao terror massivo e desmedidamente maior que os EUA desencadearam e que o governo de Blair subscreve e apoia desde a primeira hora.Bush e Blair, seguidos pela maioria dos dirigentes europeus, repetiram o argumento de que "estamos a ser atacados, temos de nos defender". Mas é precisamente o contrário. Longos anos de opressão e de humilhações, de apoio a ditaduras primitivas, de espoliação de recursos económicos pelo imperialismo é que desencadearam o ódio desses povos. E a declaração da "guerra infinita" do governo norte-americano apenas fez alastrar a lógica de terror contra terror.
”Temos de defender a democracia e o nosso modo de vida", dizem. Mas é o inverso que sucede. São eles mesmos que, para conduzirem a guerra ao
Iraque e para se manterem no poder, vão dando golpes profundos na
democracia - mentindo, falsificando documentos, suspendendo direitos
cívicos e fabricando leis de excepção, dando poderes discricionários às polícias, criando prisões fora da alçada da lei, incentivando a denúncia entre cidadãos, promovendo a cargos de poder os indivíduos mais reaccionários e avessos à democracia, dominando os grandes meios de informação e fazendo-os falar pela mesma cartilha.
E são eles mesmos, simultaneamente, que degradam drasticamente o "modo de vida" das populações - pelo desemprego crónico, a precaridade de trabalho,a quebra real de salários, a liquidação dos apoios sociais.

As populações ocidentais sentem-se naturalmente abaladas por ocorrerem
atentados nos seus países. Mas a maioria assiste de modo passivo às
políticas criminosas dos seus governos. É nesta passividade que governos e meios de comunicação se apoiam para fazerem a máxima exploração dos atentados, procurando novos argumentos para limitar liberdades, cortar direitos e prosseguir a agressão externa. Essa passividade permite que continuem no poder os responsáveis por violações dos direitos humanos e das leis internacionais - e esse é que é o verdadeiro perigo.
Não se pode aceitar que a resposta aos atentados seja o reforço das
medidas policiais. O fim do terror passa por uma oposição de massas à
política de agressão aos povos árabes e muçulmanos encabeçada pelos EUA e pelo Reino Unido.Em Portugal isso significa exigir que o governo retire o apoio dado à agressão e à ocupação do Iraque, exigir a anulação do acordo com os EUA sobre a base das Lajes, exigir o regresso das tropas enviadas para o Afeganistão e não permitir a montagem de um sistema pidesco de vigilância dos cidadãos a pretexto da segurança.
Propomos a todas as forças de esquerda um entendimento urgente para
levantar um vasto movimento em torno destas exigências.
POLÍTICA OPERÁRIA
14 de Julho de 2005

Publicado por [Operation Wolf] às 10:41 PM | Comentários (3)

julho 17, 2005

This is Jenin

Assim ficou Jenin, após os ataques terroristas israelitas.

According to a report prepared by United Nations agencies in the Occupied Palestinian Territory, the humanitarian and development effects of the two waves of incursions were as follows:
(a) A total of 497 Palestinians were killed in the course of the IDF reoccupation of Palestinian area A from 1 March to 7 May 2002 and in the immediate aftermath;
(b) Palestinian health authorities and the Palestinian Red Crescent Society reported approximately 1,447 wounded with some 538 live-ammunition injuries (for the same period);
(c) Round-the-clock curfews were imposed in cities, refugee camps, towns and villages affecting an estimated 1 million persons; over 600,000 of them remained under a one-week curfew, while 220,000 urban residents lived under curfew regimes for a longer duration and without vital supplies and access to first aid;
(e) Protracted curfews, compounded by severe restrictions on commercial circulation of supplies, rendered the food security situation in the Occupied Palestinian Territory precarious: over 630,000 persons or roughly 20 per cent of the resident population were considered food security vulnerable;
(f) Food deficit was increasingly observed in various regions of the Occupied Palestinian Territory, the Gaza food market being particularly distorted. Restrictions on food imports resulted in a mild increase in the overall food price level in the West Bank and in a considerable rise (up to 25-30%) of prices for staple commodities in the Gaza Strip;
(g)Over 2,800 refugee housing units were damaged and 878 homes were demolished or destroyed during the reporting period, leaving more than 17,000 people homeless or in need of shelter rehabilitation;

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:54 PM | Comentários (1)

Si non é vero, é bene trovatto

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:50 PM

Lições dos atentados de Londres e da guerra no Iraque

Ao que parece, o mundo está hoje muito mais perigoso do que era há uns anos por causa do apocalíptico terrorismo islâmico. Mas os habitantes do Iraque estão mais livres e seguros graças ao cirúrgico ocidente democrático.
O atentado de Londres foi bárbaro, cobarde e criminoso, os seus mortos mártires da luta contra o terror. Já os iraquianos bombardeados nas suas casas ou presos sem julgamento são situações lamentáveis mas globalmente secundárias.
No mapa mundo sobre o qual nos debruçamos, o centro aparece cada vez mais central e a periferia cada vez mais periférica.
Parece-me tudo absolutamente simples. Inacreditavelmente. No mais profundo sentido dessa palavra. "Inacreditável". Haverá ainda um uso mais do que retórico para semelhante palavra?


Publicado por [Rick Dangerous] às 02:40 AM | Comentários (3)

julho 15, 2005

Melhor a Bárbara que o José Maria

Bárbara, o PS gosta de si, o PS precisa de si!

Publicado por [Operation Wolf] às 12:34 AM | Comentários (1)

julho 11, 2005

L'amore mio non muore

Congresso de fundação da Autonomia Operária
3 e 4 de Março de 1973, Bologna
Moção aprovada

O encontro de trabalho e de análise das assembleias autónomas e dos comités operários que se realizou em Bologna a 3 e 4 de Março debruçou-se, num confronto político a partir das diversas realidades representadas, sobre o tema do desenvolvimento e das organizações da autonomia operária. O contributo militante dado pelos camaradas organizados nas várias situações permitiu-nos não ficar submersos num debate ideológico abstracto, e centrarmo-nos concretamente nos problemas da luta de classes em curso no país. A classe operária, hoje na ofensiva contra os programas de reestruturação capitalista e de repressão, exprime a necessidade, evidenciada na reunião de Bologna, de caminhar para níveis organizados e alternativos de autonomia a nível nacional.
A autonomia operária exprimiu neste ciclo de lutas a necessidade de organizar-se acima de tudo em torno de uma linha política e, consequentemente, dos objectivos que dela decorrem. Defender os interesses reais da classe operária significa na prática agudizar a crise da burguesia - agindo sobre objectivos que bloqueiem a recuperação da produção - e superar as organizações revisionistas que buscam a construção de uma alternativa.


A base de tudo isto é o comportamento político da autonomia operária, que age enquanto negação do desenvolvimento pretendido pelo capital e contra a sua componente reformista, funcional a esta pretensão (sindicatos e partidos do arco constitucional).
Esta recusa da organização capitalista do trabalho, que se exprime também através do absentismo como forma espontânea de reacção operária, articula-se com os objectivos que a autonomia foi capaz de pôr em prática em cada uma das realidade representadas, com a perspectiva política da luta contra a reestruturação, contra a repressão, contra a organização capitalista do trabalho.
Objectivos relacionados com esta perspectiva são:
- recusa da mobilidade e da polivalência;
- luta contra a intensificação dos ritmos e a sua nocividade;
- 36 horas;
- luta contra os despedimentos;
- salário igual para todos;
A prática revolucionária alternativa destes objectivos deve desenvolver o ataque para rebentar com a hierarquia empresarial, que se manifesta directamente através dos dirigentes e chefes e indirectamente através dos fura-greves organizados e das tentativas de provocação fascistas, desenvolvendo continuamente um processo tendente à ingovernabilidade da produção. Defrontado com este específico ataque, o capital precisa de fazer a classe operária pagar a sua crise.
A classe operária responde, com um nível de organização assente no salário garantido em todas as suas várias articulações. Salário garantido também como programa de lutas sociais que encara o território como um momento organizativo entre fábricas, escolas e bairros, juntamente com todos os objectivos de um projecto de reapropriação de classe que exprima uma luta generalizada e cuja qualidade irá impôr reacções cada vez mais duras e violentas da parte do Estado burguês. As propostas organizativas devem concretizar as linhas políticas expressas nesta moção.

Estruturas: Estabeleceu-se a constituição de uma comissão que reúna periodicamente com as tarefas abaixo enunciadas, ficando claro que tais soluções têm necessariamente um carácter provisório e caminham no sentido de construir estruturas mais sólidas na base do crescimento unitário e das capacidades de todas as realidades representativas.
1) A comissão é composta de dois camaradas por zona: Porto Marghera, Roma, Nápoles, Milão, Turim;
2) Tal comissão assume a responsabilidade de garantir continuidade ao processo de construção da autonomia ao nível mais geral possível. Assume-se pois a responsabilidade política de tudo o que vier a ser feito e promovido a nível comum (nomeadamente a promoção de contactos e relações políticas com novas realidades autónomas);
3) As estruturas de trabalho (sedes, imprensa, etc…) de cada situação particular estão disponíveis para sustentar a comissão neste início de estrutura unitária, com a perspectiva de vir a criar uma estrutura unitária mais completa;
4) A comissão deverá ampliar a base estrutural ao nível de apoio mútuo revolucionário, autodefesa, financiamento, etc…
5) Considerando todas as diferenças, na base do processo de concreta construção e promoção unitária, a comissão propõe um encontro nacional a todas as realidades autónomas.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:11 AM | Comentários (1)

julho 07, 2005

Uma terra sem amos

Toda a noite, no entanto, ele reviu a batalha. Dos montões de jacques mortos outros jacques se levantavam, com outros trajos, outras armas, impelidos à revolta pela mesma miséria que os oprimia. E sempre do fundo do horizonte, dos altos dos montes, dos sinos, desciam cavaleiros, que tinham armas diversas, gritos de guerra diversos, que carregavam, esmagavam os jacques, os deixavam mortos, sobre a grande lua cheia. Mas desses, pouco a pouco, mais pálidos, outros se erguiam, brandindo picaretas de mineiro, ferramentas de oficina, mostrando os seus andrajos, os filhos esfaimados, clamando justiça. E logo, a um brado do alto, fortes esquadrões desciam, trazendo à frente magistrados tougados, homens carregados de sacos de ouro, e em massa, caindo sobre os jacques, de novo os prostrava, os deixava no montão, que a lua, mais pálida e mais desmaiada, cobria de alvura e silêncio. E assim, indefinidamente, os jacques renasciam dos ossos dos jacques mortos, cada vez mais numerosos, até que a planície toda era uma sarça de braços magros, clamando, pedindo igualdade.E imediatamente outros esquadrões desciam, mais diminuídos, com um arranque menos vivo, hesitando, lançando golpes mais frouxos. Até que, por fim, os jacques eram tão inumeráveis, que da planície de estendiam aos montes, e a lua, que já desmaiara de todo, alumiava multidões disciplinadas, armadas, conscientes, que avançavam com ordem e ritmo. Os esquadrões, mandados contra essas cortes, fundiam-se como cera numa chama. Os jacques ocupavam a terra. Um último cavaleiro veio ainda e, derrubado, largou as armas, desapareceu. E sobre a terra só ficavam jacques, que cantavam em triunfo na frescura da noite clara.

Lendas de Santos, Eça de Queiroz

Publicado por [Paradise Café] às 02:02 AM

julho 06, 2005

Carta aberta a Sócrates

Santana Castilho*


Esta é a terceira carta que lhe dirijo. As duas primeiras, motivadas
por um convite que formulou mas não honrou, ficaram descortesmente sem
resposta. A forma escolhida para a presente é obviamente retórica e
assenta num direito que o Senhor ainda não eliminou: o de manifestar
publicamente indignação perante a mentira e as opções injustas e
erradas da governação.

Por acção e omissão, o Senhor deu uma boa achega à ideia, que
ultimamente ganhou forma na sociedade portuguesa, segundo a qual
os funcionários públicos seriam os responsáveis primeiros pelo
descalabro das contas do Estado e pelos malefícios da nossa economia.
Sendo a administração pública a própria imagem do Estado junto do
cidadão comum, é quase masoquista o seu comportamento. Desminta, se
puder, o que passo a afirmar:


1. Do Statistics in Focus n.º 41/2004, produzido pelo departamento
oficial de estatísticas da União Europeia, retira-se que a despesa
portuguesa com os salários e benefícios sociais dos funcionários
públicos é inferior à mesma despesa média dos restantes países da Zona
Euro.

2. Outra publicação da Comissão Europeia, L"Emploi en Europe 2003,
permite comparar a percentagem dos empregados do Estado em relação à
totalidade dos empregados de cada país da Europa dos 12. E que vemos?
Que em média, nessa Europa, 25,6 por cento dos empregados são
empregados do Estado, enquanto em Portugal essa percentagem é de
apenas 18 por cento. Ou seja, a mais baixa dos 12 países, com excepção
da Espanha. As ricas Dinamarca e Suécia têm quase o dobro,
respectivamente 32 e 32,6 por cento. Se fosse directa a relação entre
o peso da administração pública e o défice, como estaria o défice
destes dois países?

3. Um dos slogans mais usados é o do peso das despesas de saúde. A
insuspeita OCDE diz que na Europa dos 15 o gasto médio por habitante é
de 1458 ?. Em Portugal esse gasto é... 758 ?. Todos os restantes
países, com excepção da Grécia, gastam mais que nós. A França 2730 ?,
a Áustria 2139, a Irlanda 1688, a Finlândia 1539, a Dinamarca 1799,
etc.


Com o anterior não pretendo dizer que a administração pública é um
poço de virtudes. Não é. Presta serviços que não justificam o dinheiro
que consome. Particularmente na saúde, na educação e na justiça. É um
santuário de burocracia, de ineficiência e de ineficácia. Mas,
infelizmente para o país, os mesmos paradigmas são transferíveis para
o sector privado. Donde a questão não reside no maniqueísmo em que o
Senhor e o seu ministro das Finanças caíram, lançando um perigoso
anátema sobre o
funcionalismo público. A questão reside em corrigir o que está mal,
seja público, seja privado. A questão reside em fazer escolhas
acertadas. O Senhor optou pelas piores. De entre muitas razões que o
espaço não permite, deixe-me que lhe aponte duas:

1. Sobre o sistema de reformas dos funcionários públicos têm-se dito
barbaridades. Como é sabido, a taxa social sobre os salários cifra-se
em 34,75 por cento (11 por cento pagos pelo trabalhador, 23,75 por
cento pagos pelo patrão). Os funcionários públicos pagam os seus 11
por cento. Mas o seu patrão Estado não entrega mensalmente à Caixa
Geral de Aposentações, como lhe competia e exige aos demais
empregadores, os seus 23,75 por cento. E é assim que as
"transferências" orçamentais assumem perante a opinião pública não
esclarecida o odioso de serem formas de sugar os dinheiros públicos.
Por outro lado, todos os funcionários públicos que entraram ao serviço
em Setembro de 1993 já verão a sua reforma calculada segundo os
critérios aplicados aos restantes portugueses. Estamos a falar de
quase metade dos activos. E o sistema estabilizará nessa base em pouco
mais de uma década.

Mas o seu pior erro, Senhor Engenheiro, foi ter escolhido para
artífice das iniquidades que subjazem à sua política o ministro Campos
Cunha, que não teve pruridos políticos, morais ou éticos por acumular
aos seus 7000 euros de salário os 8000 de uma reforma conseguida com
seis anos de serviço. E com a agravante de a obscena decisão legal que
a suporta ter origem numa proposta de um colégio de que o próprio
fazia parte.

2. Quando escolheu aumentar os impostos, viu o défice e ignorou a
economia. Foi ao arrepio do que se passa na Europa. A Finlândia dos
seu encantos baixou-os em quatro pontos percentuais, a Suécia em 3,3 e
a Alemanha em 3,2. Porque não optou por cobrar os 3,2 mil milhões de
euros que as empresas privadas devem à segurança social? Porque não
pôs em prática um plano para fazer andar a execução das dívidas
fiscais pendentes nos tribunais tributários e que somam 20.000 milhões
de euros? Porque não actuou do lado dos benefícios fiscais, que em
2004 significaram 1000 milhões de euros? Porque não modificou o quadro
legal que permite aos bancos, que duplicaram lucros em época
recessiva, pagar apenas 13 por cento de impostos? Porque não revogou a
famigerada Reserva Fiscal de Investimento e a iníqua lei que permitiu
à PT Telecom não pagar impostos pelos prejuízos que teve... no Brasil,
o que, por junto, representará cerca de 6500 milhões de euros de
receita fiscal perdida?

A verdade e a coragem foram atributos que Vossa Excelência invocou
para se diferenciar dos seus opositores. Quando subiu os impostos, que
perante milhões de portugueses garantiu que não subiria, ficámos todos
esclarecidos sobre a sua verdade. Quando elegeu os desempregados, os
reformados e os funcionários públicos como principais instrumentos de combate ao défice, percebemos de que teor é a sua coragem.


* Professor do ensino superior

Publicado por [Operation Wolf] às 02:06 AM | Comentários (3)

julho 04, 2005

Uma doença infantil contagiosa

A unidade não se obtém por decretos, por ambientes de caserna ou pela acção automática de regulamentos estatutários, por mais perfeitos que sejam; ela forja-se constantemente, dia após dia, através da luta de ideias no seio do próprio partido; pela confrontação constante das concepções opostas e pela sua resolução segundo o método dialéctico marxista, elaborando a partir da luta novas concepções, mais correctas, passando da unidade à contradição e da contradição a uma unidade mais elevada.[...] A unidade orgânica do partido só pode ser edificada sobre a base da sua unidade ideológica e essa unidade ideológica nasce do decurso da luta de ideias; este é um princípio essencial. Todo aquele que restringe a luta de ideias no seio do partido, que responde às dúvidas, às objecções e às críticas com fórmulas dogmáticas, com argumentos viciados ou com excomunhões, está a minar a unidade ideológica do partido e a preparar a sua desintegração
Francisco Martins Rodrigues, 1965

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:13 AM

O que é o surrealismo?

A morte dos séculos projectando uma sombra muito longa debaixo da água das sombras
Mário Henrique Leiria

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:03 AM

Sem nada conceder

O nosso movimento ataca o respeito dado aos valores culturais do ocidente, na maior parte antiquados e varridos pelo vento, incita a mocidade a voltar a descobrir Angola, sob todos os aspectos e por esforço organizado e colectivo. As orientações modernas da cultura estrangeira devem ser estudadas, mas para repensar e nacionalizar a sua faculdade criadora, positiva e válida, em favor das situações africanas. Os poetas devem escrever acerca dos interesses reais dos africanos e da natureza real da vida africana, sem nada conceder à sede de exotismo colonial, ao turismo intelectual e emocional do prurido e curiosidade europeus.

Viriato da Cruz

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:49 AM

Guilhotina de amor

À palavra de Rimbaud – La vie est absente – juntamos o axioma mágico da grande conspiração contra a permanência das coisas, guilhotina de amor sobre a infantilidade dos gestos de repouso – No círculo de uma acção, todo o verbo cria o que afirma.

Mário Cesariny

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:42 AM

Aforismo (José Craveirinha)


Havia uma formiga
compartilhando comigo o isolamento
e comendo juntos

Estávamos iguais
com duas diferenças:

Não era interrogada
e por descuido podiam pisá-la.

Mas aos dois intencionalmente
podiam pôr-nos de rasto
mas não podiam
ajoelhar-nos.

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:17 AM | Comentários (1)

julho 03, 2005

Um muro nos contempla
Atrás de nós o déficit
as armas de destruição maciça.
Ao nosso lado a
esperança média de vida
tens mais tempo agora
meu amigo
para alongares os créditos
do seguro de vida
da casa
da televisão por cabo.
Um muro nos contempla
mas há frechas que se entrevêem
e não há muros que vivam para sempre

Publicado por [Operation Wolf] às 03:18 AM

julho 02, 2005

Razões para apoiar uma greve

O meu irmão tem 14 anos e passou para o 8º ano. A minha antiga professora de História do secundário tem 60 anos. Eu tenho pena da senhora, mas acima de tudo tenho pena do puto, que não merece uma coisa destas.

Eu tenho 26 anos, sou licenciado em História e atendo telefonemas na vodafone. Enquanto a camada bolorenta que se arrasta nos níveis superiores da carreira docente não for à sua vida, as escolas continuarão a ser este acumular de conhecimentos mortos que todos nos habituámos a suportar.

Mais ainda cumpre dizer que a produtividade do trabalho vem aumentando incessantemente, o que equivale a dizer que os ritmos se tornaram em todo o lado mais intensos e a exploração maior. Lutar contra o trabalho tem essa face concreta de lutar contra o acréscimo de trabalho que tanto pode ser a isenção de horário, as horas extraordinárias impostas ou o aumento da idade de reforma. As lutas e os direitos estão interligadas e alimentam-se mutuamente. Cada derrota parcial tem repercussões a nível geral. Cada sector que recua ligeiramente contribui para o recuo gigantesco de todos os sectores.

Tudo isto Saboteur conhece e sabe tão bem como eu. É por isso mesmo que eu tive de descer tão baixo ao ponto de contrapor às suas as palavras de Pacheco Pereira.

Porque a greve só pecou por tímida. Tal como Pacheco Pereira escreveu, os serviços mínimos tornaram-se um truque dos governos contra a impopularidade das greves. A greve serve precisamente para demonstrar que o trabalho dos grevistas é precioso porque muito depende deles. Esta greve aos exames cumpria esse papel.
Mas a FENPROF é sempre a primeira a recuar ao mínimo sinal de conflito e luta de classes, tudo o que lhe retire em suma a credibilidade de parceiro social que com tanto esforço persegue.

As "circunstâncias difíceis" não podem servir de desculpa permanente para todos os recuos. O secretariado do PCP parece ter tido acesso à publicação no spectrum.

Os impasses dos movimentos sociais residem precisamente na incapacidade de colocar o conflito social no centro da cena política. Tudo parece residir na boa vontade desta ou daquela liderança ou facção partidária, no carisma deste ou daquele personagem. Tudo parece incontornável e irremediável. Tudo se reduz ao combate pelo mal menor. Permanecemos aprisionados nesse impasse e nos lugares comuns que dele decorrem. O post de Saboteur em nada contribuiu para nos libertar.

Publicado por [Rick Dangerous] às 10:23 PM

julho 01, 2005

Desta é que eu não estava à espera

O RickDangerous não concorda com a minha visão sobre a última luta dos professores.

Eu até posso estar a ver mal as coisas, e ele até tinha o direito de me chamar insensível aos problemas dos professores como o meu Pai, que é um moiro de trabalho e exploração. Ele até podia partir para a arrogância de tecer considerações sobre a minha maior ou menor inteligência (tenho 3 amigos que são assim e eles sabem que eu reprovo isso… Eu, inclusivamente, aceitava na boa o insulto pessoal: “tu-vai-mazé-pó-caralho”; “filho de uma ganda-puta”; e coisas assim…

… Mas teve que descer ainda mais baixo por esta divergência de opinião… e foi-me dizer que eu estava “quase à direita do Pacheco Pereira relativamente a uma greve”.

“Uma Greve”.

“A luta!”

"A luta, camarada... A luta!"

São ou não sempre correctos, em qualquer circunstância, os seguintes dogmas:

1. Todas as lutas (greves, etc.) são justas, desde que sejam feitas pelos trabalhadores (por conta de outrem?)

2. Todas as lutas justas são boas per si, não havendo lugar a discussões social-democratizantes sobre formas de luta, estratégias de luta, contexto e circunstancias politicas ou sociais, etc…

3. Direitos adquiridos nunca se tocam!

....É só para saber em que pé é que estamos.

Publicado por [Saboteur] às 10:47 PM | Comentários (1)

Ultimamente o Spectrum não me tem sabido tão bem...

...mas o assunto está a ser resolvido.


Publicado por [Rick Dangerous] às 02:43 AM | Comentários (3)

Sou só eu que acho estranho...

...que Saboteur esteja quase à direita de Pacheco Pereira relativamente a uma greve?

[Uma pequena lembrança aos liberais: faz parte da força de uma sociedade livre e activa, como a que os liberais desejam construir, ter... greves. O conflito social não é um fim em si, mas um instrumento legítimo de defesa de interesses, por mais corporativos e egoístas que eles sejam, sem o qual as sociedades deixam de ser democráticas.

Segunda nota: não há greves eficazes sem dor, sem prejuízo, sem vítimas. Faz parte mesmo da possibilidade de eficácia de uma greve, que é o que uma greve pretende. A ideia que as greves só podem existir quando são apenas simbólicas, coloca efectivamente em causa o direito à greve. É natural por isso que os sindicatos as tentem realizar quando atingem ou mais pessoas, ou interesses de grupos, que possam levar governos ou empresas a recuar. O prejuízo social de uma greve – aos “utentes” dos transportes, aos alunos que vão fazer exames, etc – pode e deve ser discutido e utilizado no debate público contra os grevistas, mas não pode ser argumento contra a erosão do direito à greve. A distinção é importante. (*)

A sociedade protege o interesse geral estipulando os “serviços mínimos” que são vitais para o seu funcionamento regular. Mas “mínimos” significa sempre “mínimos”, e o terreno desse mínimo é o que atribuo às funções mínimas do estado: segurança dos cidadãos, defesa nacional, funcionamento regular dos corpos de emergência nos hospitais, bombeiros, etc. Fora disso, os “mínimos” já são máximos. Não tem sentido ser liberal quanto ao Estado e depois entender os “serviços mínimos”, que este tem que garantir numa greve, com uma latitude de obrigações típica de um Estado socialista, ou seja, tudo]

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:31 AM | Comentários (5)