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junho 30, 2005

Era uma vez um arrastão

Documentário Era uma vez um arrastão
Arrastão ou não arrastão, eis a questão. Aquilo com que fomos bombardeados pelos telejornais no passado dia 10 de Junho seria verdade, ou não? Eram 500 jovens marginais numa leva de assaltos na praia de Carcavelos, muito ao estilo das praias do Rio de Janeiro. Eram... ou não? A população acreditou e os skin-heads sairam das caves, desejosos de usar os bastões. Uma notícia falsa raramente é desmentida e pode ter consequências graves. Afinal o que é que aconteceu? Esta noite Diana Andringa junta um grupo de jornalistas e sociólogos e debate este tema, depois de mostrar um documentário sobre o acontecimento. A não perder, para nos darmos conta do poder da comunicação
A apresentação do documentário será seguida de debate com a presença de

Miguel Gaspar
(jornalista, DN)
Rui Marques
(Alto-Comissário adjunto para a Imigração e Minorias Étnicas)*
Rui Pena Pires
(sociólogo, ISCTE)
José Rebelo
(jornalista, sociólogo, ISCTE)
Mário Mesquita
(jornalista, professor universitário)*
Nuno Guedes (jornalista, A Capital)*
(* a confirmar)

ONDE
Videoteca | Largo do Calvário, 2
213610220

QUANDO
Às 21h30m

QUANTO
Gratuito

Publicado por [Operation Wolf] às 02:52 PM

Finalmente boas notícias de um país em crise

Drogas custam cada vez menos dinheiro. Nações Unidas dizem que consumo de canábis e cocaína voltou a aumentar em Portugal

Portugal tem a cocaína e canábis mais baratas da Europa. E a grama de heroína vendida nas ruas nacionais custa metade da média praticada pelos traficantes no velho continente. As drogas, sobretudo as mais duras, estão cada vez mais baratas. Estas são algumas das principais conclusões do último relatório da Agência das Nações Unidas para o Controlo da Droga e Prevenção do Crime sobre a toxicodependência no Mundo.


in A Capital 29/06/2005

Publicado por [Paradise Café] às 01:18 PM | Comentários (2)

Fusão nuclear

Percebo a preocupação do Paradise.

Este reactor é experimental, uma vez que a fusão nuclear "a frio" (a que tem interesse comercial) ainda não é uma tecnologia completamente desenvolvida.

Eu acredito que pode ser a forma de energia do futuro. Vale a pena passar os olhos pelo artigo da Wikipédia sobre o assunto.

Uma forma barata e limpa de produzir quantidades brutais de electricidade é, à partida, uma excelente notícia para o mundo. O fim da dependência do petróleo travará, à partida, muitos problemas, não?

Acho bem que toda a gente esteja atenta e não aceite tudo sem pensar, mas não é preciso, pelo menos para já, ir buscar os crachás do "Nuclear Não".

Publicado por [Rex] às 07:37 AM | Comentários (1)

junho 29, 2005

Um docinho

Pretende-se Ocupar

Casal com filhos, decadentemente educados, pequeno-burgueses sem cheta e em vias de extinção, pretende ocupar casa de praia durante o mês de Agosto, de preferência no Algarve.

Anúncios, Gente, Expresso, 28/06/1974

in rúbrica do Público 30 anos do PREC

Publicado por [Paradise Café] às 11:54 PM

Um tremor de terra nuclear

Vai ser criado um reactor de fusão nuclear em França, perto de Marselha. O objectivo, segundo os seus criadores - UE, EUA, Japão, Rússia, China e Coreia do Sul - é dar energia "para todo o mundo".



O plano parece arriscado (não quero ser velho de Restelo, mas tanto poder naqueles senhores??) até porque, segundo uma rede ambientalista francesa, que congrega cerca de 700 associações ecologistas, a zona onde vai ser construído o referido monstro está classificada como "de risco sísmico".

Publicado por [Paradise Café] às 11:44 PM | Comentários (1)

O trabalhinho é muito bonito

Depois de ler este post aqui em baixo e seus comentários, só me restou ter uma deriva obreirista, aqui vai:

Então das profissões que conhecemos, faz o Saboteur questão de, no que respeita à fadiga continuada, salientar os enfermeiros? E aquela malta que lhe dá na soldadura todo o dia, e o vendedor de uma loja que tem de estar em pé no mesmo sítio a criar varizes e dores eternas, e o telefonista que fica com cérebro em papa depois de fazer 400 telefonemas em três horas, e o taxista que faz um giro de 12 horas e já não pode com a costas, e o ...

A discussão é inútil, presta-se de facto ao papel da divisão da luta.

PS: a greve dos professores só teve menos adesão porque o Governo, pela voz da sua respectiva ministra, fez questão de levantar, com todos os meios disponíveis - certamente muito maiores que os dos sindicato - o papão dos meninos ficarem sem fazerem uns exames.

Publicado por [Paradise Café] às 11:38 PM | Comentários (2)

Ilustração da situação político-social portuguesa

Na esmagadora maioria dos países do mundo os enfermeiros reformam-se mais cedo do que os outros trabalhadores. É fácil de perceber que, depois de 30 anos a lavar velhos, a fazer pensos em feridas asquerosas e a conviver todo o dia com todo o tipo de doenças, vírus e bactérias, ninguém tem mais condições para – com motivação e qualidade que o serviço exige e os doentes merecem – chegar aos 55 anos e ainda fazer mais 15 do mesmo.

A greve dos enfermeiros - ao contrário da dos professores - é de uma justiça que se mete pelos olhos dentro.

Também é por isso que a greve dos enfermeiros está a ser um sucesso absoluto, com adesões muito próximas das dos 100%.

Mas quando a jornalista pergunta ao dirigente sindical "o que espera que seja a reacção do Governo a esta greve?", o homem responde "que não espera nada do Governo"; queixa-se que o Governo não trata com dignidade os enfermeiros e queixa-se da sua maioria absoluta que lhe dá todos os poderes.

Tal como a oposição de esquerda, o movimento dos trabalhadores não tem programa, não se assume como alternativa, não assume que a sua missão é governar e não fazer apenas oposição e agitação.

É por isso que o pós-Sócrates vai ser igual ao pós-Guterres: Um neo-Durão Barroso...

Publicado por [Saboteur] às 09:26 AM | Comentários (10)

junho 28, 2005

Vou entrar de férias

Já tinha programado as férias com a patroa há varios meses, mas não esperava que este Domingo fosse rumar à Galiza socialista... Até te aleijas, Rajoy!

Publicado por [Saboteur] às 07:25 PM

Post à BdE II mas ao contrário

Já viram o que vai lá por baixo? É surpreendente a alarvidade que um post do Spectrum conseguiu atrair. Gostaria de poder dizer, como os orgulhosos literatos do BdE 2, que o número de comentários tem alguma coisa a ver com a qualidade da argumentação. Mas não posso.
Assim, fica-nos a consolação de termos atingido os 90 comentários sem ter feito nada para isso. Obrigado a tod@s.

Publicado por [Renegade] às 01:58 PM

junho 24, 2005

Eu até queria ser professor

Mas...
Uma manhã na Av. 24 de Julho, entre departamentos, gabinetes e serviços do ministério da educação deu para perceber:

1. Que devia ter entregue uma candidatura em Março para o programa bilateral de assistentes de português em França (com colocação garantida).

2. Que devia ter entregue a minha candidatura com habilitações próprias para a docência como aluno finalista no concurso geral do ministério para colocação no ano lectivo 2005-2006, o que me teria permitido inaugurar algum tempo de serviço ao ministério. A possibilidade da candidatura de finalistas é, aliás, uma novidade do concurso de 2005-2006.

3. Que o concurso aberto neste momento para tapar os buracos das colocações de professores do quadro na Europa só está aberto para gente que já deu aulas, que já prestou serviço.

4. Que a fase normal do concurso referido em 3. , aberto em Março, não está aberto a finalistas, ao contrário do concurso geral para dar aulas em Portugal.

5. Que, em resultado de 2. não poderei candidatar-me no concurso para ensino no estrangeiro para o ano lectivo de 2006-2007.

6. Que a única hipótese de ter alguma contagem de tempo de serviço este ano é aproveitar as aberturas de vagas por escola em Janeiro, e fazer figas para não aparecerem só coisas na Beira Interior. E depois então pensar em futuras candidaturas.

7. Que alguma coisa não funciona na ligação entre ministério e universidade. Passam dois concursos e ninguém informa de nada? Depois dizem, "Ah, o interessado é que tem de se mexer!". Pois. Com aquela força da evidência que só têm as coisas irremediáveis. Era mesmo evidente andar à caça em Março (início do segundo semestre) dos concursos clandestinos abertos aos finalistas pelo ministério da educação.

Este país continua a escrever-se em cima do joelho.
Tenho que me pirar daqui rapidamente.

Publicado por [Renegade] às 12:38 AM | Comentários (2)

junho 23, 2005

O cúmulo da justiça...

... Era aqule gajo atarracado de bigode, barbicha e cabeça rapada, que disse aos microfones da TSF que tinha "orgulho em ser branco", levar um enxerto de porrada dos Skins ingleses que andam com medo da imigração tuga no país deles.


O bom Skin

Publicado por [Saboteur] às 10:22 PM | Comentários (5)

Um comentário no Barnabé

Sobre o direito dos fascistas (deixemo-nos dessas do "orgulho branco" do "nacionalismo" e de cantores-do-hino-e-a-ver-se-chove, tá?) se manifestarem, entendo que o devem ter. Quanto mais não seja para lhes recusar o direito de dizerem que não têm direito à livre expressão – coisa que, como se sabe, era bem cultivada no tempo do “botas”.

A luta contra o racismo não se faz por via administrativa, isto é, o facto de a Constituição não permitir o direito de manifestação das tendências fascistas não representa nada, nem um ponto contra a tendência xenófoba que se vai desenvolvendo na sociedade portuguesa. Não é esta mesma Constituição que garante o Direito ao Trabalho, à Saúde, à Educação e... vejam.

Derivemos para a Constituição. Quase ninguém a conhece e quem a conhece - quem ganha dinheiro a ser o seu "guardião" - só pensa em revê-la porque "está desactualizada". A Constituição é o rolo de papel higiénico nacional com que se limpa o cu das conquistas de Abril.
Convenhamos, a Constituição não tem nada a ver com o país que somos e pretendemos ser: primeiro, porque não consta que a Lei da Selva possa ser objecto de regulação; segundo, alguém por aqui pretende ser alguma coisa? Miguel de Vasconcelos a padroeiro nacional, já! Não, não alinho em nacionalismos e Olivença que se f.***.


Arrastemos. Primeiro deixaram que se desenvolvessem bairros como o da Cova da Moura, da Bela Vista e outros, porque aquela gente lhes fazia jeito para construir a ”grandes realizações dos portugueses”, deixaram-nos sem direitos no Trabalho, abandonaram-nos às ONGs da treta, às senhora da caridade da Santa Casa da Misericóridia e ao YMCA e, claro, quando as coisas ficavam pretas, "Todos Diferentes , Todos Iguais". Obrigámos os seus jovens a ouvirem na Escola que não fazem parte da nossa História e eles adoptaram a cultura que estava aos seus olhos, a dos guetos norte-americanos.
Agora, carradas de putos que de africanos só têm a cor que herdaram dos pais, vêm assaltar a malta na praia, novidade? Só para os jornalistas que vêm a realidade dos bares da moda ou dos bairros classe média/alta onde moram. A pilha de pólvora há muito que estava a ser construída e vocês, azar, estavam distraídos com outras coisas que dão mais audiência. Podem estar descansados que vão continuar a ter imagens espectaculares (daquelas que a malta gosta de ver) para passarem nas Têvês.
Há tempos li um artigo de uma cronista qualquer de um jornal qualquer que manifestava a sua indignação por as pessoas "brancas" da linha de Sintra viajarem juntas deixando aos "pretos" os outros locais da carruagem. A senhora ficou surpreendida, mas se viajasse com regularidade nesses comboios saberia que isso acontece por uma questão de bom-senso: para não se ser assaltado. Politicamente incorrecto, que se lixe, é verdade e não me considero fascista por afirmá-lo.

Voltemos aos fascistas. Eles só prosperam ou não consoante a "democracia" lhes permite. Com tantos anos de modelos de “integração” e “urbanismo” como este, só agora os democratas andam assustados, porque acabaram de provar o sabor das baratas que há anos vêm nadando na sopa. Estavam à espera de que acontecesse o quê em resultado da vossa "cozinha" política?
Insegurança, racismos “arrastados” ou de taco de basebol em riste, a melhor forma de os combater é respeitando os direitos de todos quantos partilham esta terra connosco, considerar português quem aqui nasce e garantir direitos e obrigações iguais para todos. Combater todos os racismos, vindos dos “brancos” dos subúrbios da margem sul ou dos “pretos” da Cova da Moura.
Num país e numa sociedade destas, pedir que a insegurança e o racismo não existam é o mesmo que pretender ir à cagadeira e não querer sentir o cheiro da merda.

Publicado por CausasPerdidas em junho 21, 2005 03:33 AM

Publicado por [Operation Wolf] às 08:28 AM | Comentários (5)

Agora ficas aí quietinha

Numa aldeia do norte de Portugal um homem acorrentou pelo pescoço a sua mulher a um tanque. Ao fim de 8 dias a comer pão e água a mulher conseguiu fugir e pedir ajuda. O homem aguarda julgamento detido. A reportagem passou esta semana no jornal da uma, e, às tantas, enquanto se filma a aldeia e se diz:"na aldeia ninguém estava à espera" entrevistam um popular:"Isto nunca se viu, se ela se portou mal dava-lhe umas lambadas agora prendê-la ao tanque está mal."

Publicado por [Operation Wolf] às 07:45 AM | Comentários (1)

junho 21, 2005

Pátria Lusa... Oh minha musa

Que opinião tem sobre a manifestação "skinhead"?

"(...) Sei apenas que havia skinheads incluídos. Acho bem que manifestem mas não sei se vão conseguir fazer algo pelo país"

Bárbara Tavares, 19 anos, Estudante
"As pessoas estão a lutar pelos seus objectivos, por isso concordo (...)"
Ilda Pereira, 24 anos, estudante de origem africana


in palpites, do Jornal O Metro

Publicado por [Paradise Café] às 01:41 PM | Comentários (8)

junho 20, 2005

Episteme e Chocolate

Alguém que amo contou-me que, quando era miúdo, gostava de ir a uma geladaria lá do sítio onde morava e pedia sempre duas bolas, logo dois sabores: chocolate e outro que podia oscilar da baunilha a uma fruta qualquer (relembrem-se que, na nossa infância, não havia praliné cream nem stawberry cheesecake, e outras delícias de marca americana a soar a alemã).

Bem, um dia um novo namorado da mãe levou-o a pedir os tais dois sabores, mas antes perguntou-lhe:

- «Então, quantas bolas vais pedir?»
- «Duas.»
- «De que sabores?»
- «Chocolate e baunilha.»
- «Qual é o teu sabor favorito?»
- «Chocolate. Do que eu gosto mais é de chocolate.»
- «Então, porque é que não pedes duas bolas de chocolate?»

Enfim, um mundo inteiro revelado. Assim, num estalar de dedos. Um mundo inteiro novo, perante os olhos de uma criança que se encontrava no registo do possível. O possível aplicado a uma teoria sobre sabores que acompanhem chocolate, mas ainda não o possível do chocolate como o melhor sabor de todos e, por consequência, o melhor sabor para acompanhar... chocolate. O possível para lá do "possível" de agora.

Enfim, e eu cá conto sempre isto a pessoas perante situações que exigem saltos "epistemelógicos", ou perante ideias quadradas, feitas à medida e resolvi partilhar convosco esta história.

Cada vez mais acho que nos encontramos no registo do chocolate-com-outro-sabor-a-acompanhar, porque queremos negar - ou os outros negam-nos - a possibilidade de experimentarmos coisas diferentes. Falo de política, mas de outras coisas para além da política.

Sim, confesso, em política, mais do que nas outras coisas, vivemos ao ritmo do raciocínio «DUAS BOLAS = DOIS SABORES» e eu aguardo, ansiosamente, pelo dia do segundo boom:

TRÊS BOLAS DE CHOCOLATE
TOPPING DE CHOCOLATE QUENTE
PEPITAS DE CHOCOLATE
SERVIDO EM CONE COBERTO DE CHOCOLATE


Publicado por [Joystick] às 07:50 PM | Comentários (4)

junho 19, 2005

O homem de mão

Este homem está por todo o lado. Aparece ao lado de Luís Delgado na sic notícias a dar a outra versão dos acontecimentos. É um encontro feliz porque começa mesmo a parecer que Luís Osório é o Luís Delgado deste regime. Sairá da direcção de A Capital para a Lusa também?
Dizia outro dia que o governo tinha feito muito bem em fazer a requisição dos serviços mínimos para os exames nacionais, pondo em causa o direito à greve de um vasto e significativo grupo profissional (medida que nenhum governo de direita ousou tomar) e que, nesta matéria, Sócrates não devia recuar. Sobre as razões da greve nada. E que era contra este tipo de greve porque atingia o elo mais fraco, o estudante. E em como as medidas anunciadas pelo governo prejudicam o estudante nada disse. Falou o homem de mão do PS. Por isso o temos visto em todo o lado.

Publicado por [Operation Wolf] às 11:05 PM | Comentários (2)

junho 18, 2005

Idolatria

O Cunhal morreu e eu quase não dei por isso. Assisti com alguma tranquilidade e distância às manifestações post mortem. Por um lado tinha muito mais que fazer nesses dias para me dar ao luxo de ocupar espaço mental com as peripécias à volta das festas funerárias. Mas isso não chega para explicar o dessentimento que experienciei. Como se tudo isso me fosse estranho e como se não conseguisse fugir à tentação do olho clínico, asséptico, incapaz da emoção. Nesses termos, qual o sentido de uma participação no ritual?

O que terá levado 250 000 pessoas a sentirem necessidade de adorar uma última vez o corpo do ídolo? Eu, que me considero uma pessoa com relativas preocupações comunistas, posso conseguir perceber mas não consigo sentir. A experiência de militância partidária terá cavado tão fundo ao ponto de cauterizar a possibilidade de comunhão num ideal? Ou será isto uma forma de alienação social?

Publicado por [Renegade] às 01:03 AM | Comentários (8)

junho 14, 2005

Provas

"Álvaro Cunhal era efectivamente um revolucionário de corpo inteiro, não era um revolucionário desses de gaveta. Ele passou por todas as provas, a prisão, a tortura, o sofrimento, o exílio. E passou essas provas todas, onde muitos falharam, porque era forte nas suas convicções."

Carlos Brito, Publico

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:24 AM | Comentários (2)

Álvaro Cunhal (1913-2005)

Los presidios

Pero,

portugués de la calle,

entre nosotros,

nadie nos escucha,

sabes

dónde

está Álvaro Cunhal?

Reconoces la ausencia

del valiente

Militão?

Muchacha portuguesa,

pasas como bailando

por las calles

rosadas de Lisboa,

pero,

sabes dónde cayó Bento Gonçalves,

el portugués más puro,

el honor de tu mar e de tu arena?

Sabes

que existe

una isla,

la isla de la Sal,

y Tarrafal en ella

vierte sombra?

Sí, lo sabes, muchacha,


muchacho, sí, lo sabes.

En silencio

la palabra

anda con lentitud pero recorre

no sólo el Portugal, sino la tierra.

Sí, sabemos,

en remotos países,

que hace treinta años

una lápida

espesa como tumba o como túnica

de clerical murciélago,

ahoga, Portugal, tu triste trino,

salpica tu dulzura

con gotas de martirio

y mantiene sus cúpulas de sombra.

Pablo Neruda, La Lámpara Marina

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:38 AM | Comentários (1)

Até amanhã, camarada

Continua a escrever-se história.

Publicado por [Renegade] às 02:32 AM

junho 11, 2005

manifestação (pacífica)

O apelo abaixo transcrito foi colocado noForum Nacional e a esta hora já deve circular por todos os meios nacionalistas do minho a timor.
Apesar do português deficiente, espera-se uma verdadeira demonstração de força Nazi no próximo sábado. Os acontecimentos de ontem fizeram subir a parada de um confronto até aqui relativamente folclórico. Agora espera-se uma parada numerosa, de todos os fachos peninsulares, pelas ruas de lisboa. Aguardamos movimentações do campo antifascista, a divulgar (espera-se) brevemente.


Sáb Jun 11, 2005 3:31 pm Assunto: Manifestação -Basta de imigrantes e crime

A Frente Nacional apela a todas as forças nacionalistas, e a todos os patriotas em particular, para que se juntem a nós na próxima manifestação(pacifica) que irá ter lugar em Lisboa no próximo sábado 18 Junho.

O motivo do protesto, a criminalidade grupal que aumentou 6% este ano, as marés negras de crude que assolam as nossas praias de Quarteia a Carcavelos, os Apátridas que massacram as populações de Coruche, a Vila Verde, e a Imigração Colonização que estamos a ser vitimas..

Realizamos ontem uma reunião extraordinária da FN, e o sitio e as horas serão disponibilizados em breve.

Mobilização total


Publicado por [Rick Dangerous] às 05:21 PM | Comentários (91)

Ligações perigosas

No site da Frente Nacional, um artigo de Pacheco Pereira reproduzido na íntegra.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:45 PM

Viva Portugal!

O quê, Operation Wolf?! Também tu?!
Antes pobre que espanhol!

Publicado por [Renegade] às 12:02 AM

junho 10, 2005

Fear and loathing in carcavelos

Alguns gajos efectuaram um assalto em massa na praia de Carcavelos. A bófia chegou e terá havido um tiroteio, de que resultaram duas feridas, ao que se sabe atingidas por fogo amigável. A polícia confessou as suas dificuldades em efectuar detenções porque os meliantes, entre os quais se encontravam pretos retintos e loiros de olhos azuis, se terão espalhado pela praia entre os banhistas.
Há cinco anos um comboio, agora uma praia. O lumpen proletariado está cada vez mais ambicioso. O simbolismo da data não deixa de ser impressionante.
Note-se que poucas horas antes houve uma concentração nacionalista no Camões e uma contra-concentração no Martim Moniz, que ali rumou para ser carregada pela polícia.

Mas a verdadeira ofensiva contra portugal decorreu noutro lado. Lá onde uma nova guerra colonial toma forma, das selvas de zinco e de cimento às praias da linha, com tácticas de guerrilha e ataques decididos ao estado de direito e à bolsa da classe trabalhadora.
À esquerda, como de costume, lamentar-se-à um roubo indiscriminado em vez de uma mobilização paciente e uma luta credível por direitos sociais.

Mas não terão o neoliberalismo, a crise, o desemprego, a precariedade, os movimentos migratórios conferido às relações sociais uma violência e uma urgência que pouco se compadecem com as receitas moralistas e bem intencionadas do costume?
A 2ª geração de emigrantes, que não encontramos nas manifestações da Solidariedade Emigrante e tampouco no 1º de Maio, move-se noutros terrenos, com outros motivos e problemas que não o de contribuir para o aprofundamento da democracia neste país. Com eles movem-se outros tantos putos, brancos e portugueses da velha cepa, como eles pobres, numerosos, cínicos, hedonistas e pouco pacientes.
No mar de resignação com que se vem vivendo a crise, no agravar do défice mais importante de todos - o da conflituosidade social -, estes assaltos têm pelo menos o mérito de exprimir até que ponto a burguesia portuguesa vem resolvendo os seus problemas à nossa custa.
Na sua nova ordem, a questão social não se pode exprimir senão de dois modos: o assistencialismo miserabilista com que se evita que os indigentes morram nas ruas ou a violência dirigida contra a propriedade privada e protagonizada pelas franjas do proletariado que menos têm a perder.
No meio disto tudo ficam os eleitores de esquerda e os trabalhadores sindicalizados, a repetir concentrações, protestos simbólicos, abaixo-assinados, moções de censura e greves parciais contra a crise. No meio disto tudo fica a impotência de quem se passeia numa praia da linha num feriado, a tentar apanhar sol por entre as gotas da tempestade e é assaltado.
Lamentável sem dúvida, mas de modo nenhum incompreensível. Quem alinhar no coro securitário, mesmo que através da versão "democrática" da polícia de proximidade, não faz mais do que entrar no partido da ordem para aí animar a sua ala esquerda.
Na cidade dos ghettos e dos condomínios, ninguém estará seguro.

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:28 PM | Comentários (9)

viva o 10 de junho e a restauração

Portugal como marca registada é o tema de um anúncio que anda a passar por estes dias na tevê. Ser português é bom. Já reparou também no design e nas marcas nacionais? Eu gosto de ser português. Sinto-me bem em ser português. Fresca, limpa e segura o dia inteiro.
Neste anúnci, enquanto umas quantas personalidades vão falando vai passando em rodapé uma lista de nomes, sobre o fundo da bandeira, que é suposto insuflar-nos o peito de orgulho pátrio. Amália(Quinzinho de Portugal), António Damásio(Vale e Azevedo), Eduardo Lourenço(Eduardo Lourenço), Siza Vieira( Isaltino de Morais), Figo(João César das Neves), José Saramago(Manuela Moura Guedes; Fátima Felgueiras; Luís Nobre Guedes; Alberto João; Valentim Loureiro, Avelino Ferreira Torres;presidente da C.M Águeda..) A esta altura as quinas e a esfera armilar vão deixando espalhar o amarelo até ao desmaio final.

Publicado por [Operation Wolf] às 04:04 PM

junho 08, 2005

Valha-nos Deus!!

O presidente-executivo do BPI considera que o fim do sigilo fiscal é «o maior ataque à economia de mercado em Portugal». Fernando Ulrich diz-se «espantado» por «estar tudo tão calado».

Publicado por [Saboteur] às 08:08 PM | Comentários (2)

junho 04, 2005

Ao pai

Que andas a fazer pela vertente
deste escalvado ano? A assinar,
ao fundo, os dias em branco?
Deixa que o fumo espirale
a um canto de ti, que envelheces,
quando o regresso das pombas
é já cinéreo, e senta-te na pedra.
Pousa, no joelho, a mão:
o destino permanece
na obscuridade assim acautelada
da palma.
A estirpe debela-se. Esta não a salvam
amores ancilares e pão caseiro.
E homens há de quem o sol não repele
a noite invasora, como um deus instantâneo.

Sebastião Alba, Uma Pedra ao Lado da Evidência

Publicado por [Operation Wolf] às 08:32 AM | Comentários (5)

junho 01, 2005

Surrealizar por aí

Há dois processos em curso contra os okupantes do Paradiso Okupado. Num deles, a advogada do proprietário exige 15000€ de indemnização porque não pôde mostrar a casa a eventuais compradores interessados. Acusa ainda os ocupantes de publicitarem na internet as suas actividades, assim incitando à cumplicidade de outros num ataque à propriedade privada. Um post do spectrum, da autoria de saboteur, foi anexado ao processo como prova.



Publicado por [Rick Dangerous] às 08:09 PM | Comentários (4)

Eu vi um sapo

Estava a papar
um bom jantar
Tudo comeu
nem ofereceu
Tu viste um sapo
a encher o papo


4 mil de reforma

Publicado por [Operation Wolf] às 03:44 PM | Comentários (3)