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maio 24, 2005

Tenha vergonha D. Cegonha

Passando ao lado do cariz pidesco e asqueroso das exigências deste conjunto de cidadãos podíamos de facto reflectir sobre se a escola deveria ser um espaço de criação e transmissão de valores universais e também menos universais dada a existência e convivência de várias culturas em campo. A lembrar a discussão da proibição do uso do véu pelas raparigas muçulmanas nas escolas em França.
Há inúmeras vezes em que a escola representa modelos e valores educativos diferentes dos dos pais dos alunos. E ainda bem, a meu ver, na maioria dos casos. A maioria dos pais neste país aqui há década e meia não quereria nem acharia necessário que os seus filhos estudassem até ao 9º ano. Em muitas escolas por esse país fora há muitos pais que não acham importante que o seu filho tome banho e nem aceitam que isso seja obrigatório na disciplina de educação física. Em muitas escolas também, os mesmos pais não acham que seja importante o pequeno-almoço antes das aulas nem uma alimentação equilibrada para os seus filhos.
O que aqui se apresenta não é muito diferente apesar de vir de pessoas que tiveram oportunidade de estudar e aprender alguma coisa. A julgar pela maioria dos apelidos na petição não estamos a lidar com ignorância simples mas com aquela santa hipocrisia que alimenta ou quer alimentar a ignorância dos outros. Pobres dos filhos desta gente, não são só as criadas que engravidam…mas claro que até Badajoz ainda são uns euros valentes.

(segue em baixo a petição contra a educação sexual)

Petição sobre programa de Educação Sexual nas escolas
Exmo Senhor Presidente da República
Exmo Senhor Presidente da Assembleia da República
Exmo Senhor Primeiro-Ministro
Exma Senhora Ministra da Educação
Exmo Senhor Provedor de Justiça
Exmo Senhor Procurador-Geral da República

Os cidadãos abaixo assinados manifestam a sua repulsa pelo conteúdo dos programas de "educação" sexual promovido pelo Ministério da Educação, em colaboração com a Associação para o Planeamento da Família (APF), que foi denunciado no jornal "Expresso" do passado dia 14 de Maio no artigo que se reproduz em anexo, em total oposição à educação que procuram ministrar aos seus filhos.
Estes cidadãos recordam que, conforme Artº 67º, parágrafo 2c, da Constituição da República Portuguesa, compete ao Estado "cooperar com os pais na educação dos filhos" e, portanto, nunca impôr um modelo em oposição aos pais, seus legítimos e naturais primeiros educadores.

Nesse sentido, os cidadãos abaixo assinados, conscientes de que esta situação não foi provocada por este Governo, mas que lhe compete acabar com ela e anular/minimizar os danos por ela causados:

1 - Exigem a imediata suspensão deste programa, incluindo as "linhas orientadoras";
2 - Exigem uma investigação no seio do Ministério da Educação para responsabilizar os autores e cúmplices deste programa;
3 - Exigem a identificação pública e auditoria a todos os programas de colaboração entre o Estado e a APF, incluindo verbas envolvidas e objectivos versus resultados conseguidos, e, caso se verifiquem irregularidades, sejam apuradas responsabilidades;
4 - Exigem que sejam identificados os alunos que já foram expostos a este programa, e que o Ministério da Educação apresente um pedido formal de desculpas a cada um dos seus pais.
5 - Exigem a criação de uma comissão que inclua as associações de família, nomeadamente associações de pais, oficialmente reconhecidas como tal e que se candidatem a ela pertencerem, para se analisar e conceber, em tempo útil, um programa adequado de educação sexual nas escolas;
6. Exigem a definição da educação sexual como área educativa opcional sendo os seus conteúdos detalhados previamente apresentados aos encarregados de educação e conselho directivo da escola;

7. Exigem uma monitorização muito rigorosa destas acções: avaliação do impacto com um follow up de pelo menos 2 anos lectivos, feita por avaliadores independentes e com os resultados da avaliação tornados públicos.

Publicado por [Operation Wolf] às maio 24, 2005 11:18 PM