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maio 17, 2005

Resistível ascensão e queda de Santana nas boas graças do público opinioso

O Público diz hoje na secção local (em tom suficientemente lacónico para que ninguém dê muita importância) que o Santana Lopes apresentou um estudo em reunião da vereação da Câmara Municipal de Lisboa no qual se prova que muitas das obras realizadas nas vereações anteriores sofriam dos mesmos vícios politicos e irregularidades que o famoso túnel do Marquês. Estão lá o túnel da João XXI (sem Estudo de Impacto Ambiental, previsão de execução para 39 semanas, execução real em 165, custo previsto de 8 milhões de Euro e final de 11,5...), o túnel da Av. da República, o do Campo Grande, etc. Nada de muito diferente, portanto.

O caso do túnel foi um dos cavalos de batalha da esquerda e da direita bem pensantes, apostadas em explorar as fragilidades de Santana e do grupo de arrivistas e adesivistas que com ele chegaram ao governo da cidade de lisboa e de Portugal. Entretanto conseguiram reduzir Santana à insignificância, tiraram-lhe o tapete e só não conseguiram impedi-lo de voltar à Presidência da CML. Mas também isso foi resolvido quando escolheram Carmona para lhe suceder na lista do partido à Câmara, apesar dos últimos estrebuchos dos últimos fiéis.

Sabe-se à boca pequena que Santana ganhou as eleições há 4 anos com recurso a práticas de manipulação eleitoral passíveis de integrar a qualificação de fraude. À boca pequena soube-se que o PCP acusava o PS de não ter querido avançar com a correspondente queixa e impugnação das eleições. E sabe-se, também à boca pequena, que houve quem acusasse o PCP de ter tido medo de avançar sozinho. Mas tudo isto são contas da alta política que não cabe ao povinho saber, quanto mais discutir...

Agora, nos últimos momentos antes de sair de cena, o menino guerreiro parece ocupar-se em tentativas de última hora para deixar cá qualquer coisa que nos faça lembrar dele, e até em branquear o que andou a fazer utilizando o exemplo exemplar dos seus antecessores socialistas, laicos, republicanos, maçónicos, carluccianos e savimbistas na Câmara de Lisboa.

Claro que à boa opinião pública e aos seus fazedores não lhes interessa qualquer respeito pela verdade. Assim como calaram a vitória fraudulenta de Santana, assim calaram as tropelias de João Soares e sua camarilha no governo da Câmara, assim calam as tentativas desesperadas de Santana em manter-se à tona (de quê?).

Triste espectáculo, pobre poder que a tanto obrigas.

Publicado por [Renegade] às maio 17, 2005 04:01 PM

Comentários

Não querendo entrar em polémicas, faltou ao menino guerreiro dizer que nos casos das obras realizadas no período João Soares, os estudos de impacto ambiental não eram vinculativos, nem obrigatórios...

Publicado por [emplastro] às maio 17, 2005 09:02 PM

É verdade emplastro. Alguma dessas obras se faria com estudos de impacto ambiental obrigatórios e vinculativos nos moldes em que foram feitas?

Publicado por [renegade] às maio 18, 2005 12:51 AM

Excelente post!

Publicado por [Golfinho] às maio 18, 2005 03:21 AM

Meus amigos quando chegou a câmara a dupla Santana e o seu lugar tenente Carmona pediram um exame ás contas da camara, seria nessa altura que estes possiveis problemas deviam ter sido suscitados.

Quatro anos depois e após de uma gestão ruinosa Santana-Carmona tiram esta da cartola.

Só que estão 4 ANOS ATRASADOS

Publicado por [a.pacheco] às maio 19, 2005 01:38 AM