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maio 31, 2005

Assim, nós buscamos sempre como se fôssemos encontrar, mas apenas encontraremos o desejo de sempre buscar.
Santo Agostinho, De la Trinité, 9.

Publicado por [Operation Wolf] às 08:29 PM

maio 30, 2005

Moi non plus


Publicado por [Rick Dangerous] às 09:16 PM | Comentários (3)

maio 29, 2005

5 minutos para o KO

5 minutos para a derrota das oligarquias que nos governam.
5 minutos para a primeira vitória em muitos anos de todos os outros.
Mas a vida continua.

Publicado por [Renegade] às 08:52 PM

maio 27, 2005

Ich bin eine Berlinerin

Publicado por [Joystick] às 06:28 PM

Nazis com boa imprensa...

O Correio da Manhã e 4 jornalistas que assinam este artigo (Henrique Machado / Sónia Simões / Miguel Curado / A. M. S.), conseguem transformar as movimentações e os planos de um grupo de assassinos treslocados de ódio, numa agradável peça contra uns ciganos que ficam chateados por pouca coisa... Que nojo.

Publicado por [Saboteur] às 12:57 PM | Comentários (2)

maio 25, 2005

História Exemplar

Entrei.

- Tire o chapéu – disse o Senhor Director.

Tirei o chapéu.

- Sente-se – determinou o Senhor Director.

Sentei-me.

- O que deseja? – investigou o Senhor Director.

Levantei-me, pus o chapéu e dei duas latadas no Senhor Director.

Saí.

Mário-Henrique Leiria, Contos do Gin-Tonic, 1973


Publicado por [Rick Dangerous] às 12:25 AM | Comentários (2)

Aqui

"A uma acomodação definitiva com o pouco que me seria autorizado aqui realizar, oponho a afirmação firme de não me querer adaptar a um surrealismo português-bacalhau-com-batatas. Separo-me da palavra surrealista e de tudo o que com ela tão belamente me acompanhou por tantos anos,
aqui...não."

Mário-Henrique Leiria

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:13 AM

Super realista

"Éramos umas pessoas zangadas no meio de um mar alto e havia um naufrágio - nós escolhemos a mesma jangada."

Mário Cesariny

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:04 AM

maio 24, 2005

Tenha vergonha D. Cegonha

Passando ao lado do cariz pidesco e asqueroso das exigências deste conjunto de cidadãos podíamos de facto reflectir sobre se a escola deveria ser um espaço de criação e transmissão de valores universais e também menos universais dada a existência e convivência de várias culturas em campo. A lembrar a discussão da proibição do uso do véu pelas raparigas muçulmanas nas escolas em França.
Há inúmeras vezes em que a escola representa modelos e valores educativos diferentes dos dos pais dos alunos. E ainda bem, a meu ver, na maioria dos casos. A maioria dos pais neste país aqui há década e meia não quereria nem acharia necessário que os seus filhos estudassem até ao 9º ano. Em muitas escolas por esse país fora há muitos pais que não acham importante que o seu filho tome banho e nem aceitam que isso seja obrigatório na disciplina de educação física. Em muitas escolas também, os mesmos pais não acham que seja importante o pequeno-almoço antes das aulas nem uma alimentação equilibrada para os seus filhos.
O que aqui se apresenta não é muito diferente apesar de vir de pessoas que tiveram oportunidade de estudar e aprender alguma coisa. A julgar pela maioria dos apelidos na petição não estamos a lidar com ignorância simples mas com aquela santa hipocrisia que alimenta ou quer alimentar a ignorância dos outros. Pobres dos filhos desta gente, não são só as criadas que engravidam…mas claro que até Badajoz ainda são uns euros valentes.

(segue em baixo a petição contra a educação sexual)

Petição sobre programa de Educação Sexual nas escolas
Exmo Senhor Presidente da República
Exmo Senhor Presidente da Assembleia da República
Exmo Senhor Primeiro-Ministro
Exma Senhora Ministra da Educação
Exmo Senhor Provedor de Justiça
Exmo Senhor Procurador-Geral da República

Os cidadãos abaixo assinados manifestam a sua repulsa pelo conteúdo dos programas de "educação" sexual promovido pelo Ministério da Educação, em colaboração com a Associação para o Planeamento da Família (APF), que foi denunciado no jornal "Expresso" do passado dia 14 de Maio no artigo que se reproduz em anexo, em total oposição à educação que procuram ministrar aos seus filhos.
Estes cidadãos recordam que, conforme Artº 67º, parágrafo 2c, da Constituição da República Portuguesa, compete ao Estado "cooperar com os pais na educação dos filhos" e, portanto, nunca impôr um modelo em oposição aos pais, seus legítimos e naturais primeiros educadores.

Nesse sentido, os cidadãos abaixo assinados, conscientes de que esta situação não foi provocada por este Governo, mas que lhe compete acabar com ela e anular/minimizar os danos por ela causados:

1 - Exigem a imediata suspensão deste programa, incluindo as "linhas orientadoras";
2 - Exigem uma investigação no seio do Ministério da Educação para responsabilizar os autores e cúmplices deste programa;
3 - Exigem a identificação pública e auditoria a todos os programas de colaboração entre o Estado e a APF, incluindo verbas envolvidas e objectivos versus resultados conseguidos, e, caso se verifiquem irregularidades, sejam apuradas responsabilidades;
4 - Exigem que sejam identificados os alunos que já foram expostos a este programa, e que o Ministério da Educação apresente um pedido formal de desculpas a cada um dos seus pais.
5 - Exigem a criação de uma comissão que inclua as associações de família, nomeadamente associações de pais, oficialmente reconhecidas como tal e que se candidatem a ela pertencerem, para se analisar e conceber, em tempo útil, um programa adequado de educação sexual nas escolas;
6. Exigem a definição da educação sexual como área educativa opcional sendo os seus conteúdos detalhados previamente apresentados aos encarregados de educação e conselho directivo da escola;

7. Exigem uma monitorização muito rigorosa destas acções: avaliação do impacto com um follow up de pelo menos 2 anos lectivos, feita por avaliadores independentes e com os resultados da avaliação tornados públicos.

Publicado por [Operation Wolf] às 11:18 PM

maio 23, 2005

Gosto muito de você, leãozinho


A perder em casa por 1-3, os adeptos do Sporting festejaram o golo do Boavista.
É impossível não ter pena deles.

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:54 AM | Comentários (1)

Obrigado apito dourado

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:27 AM

Ninguém pára o benfica

Desacatos na Avenida dos Aliados
O habitual palco para festejos da cidade do Porto está a ficar marcado por alguns desacatos entre adeptos de FC Porto e Benfica.
A polícia foi obrigada a intervir e a proceder a algumas detenções, de modo a serenar os ânimos mais exaltados entre os apoiantes das duas equipas: de um lado, os benfiquistas que festejavam a conquista do título, do outro as adeptos azuis-e-brancos que celebravam o segundo lugar na classificação, que permite o acesso directo à Liga dos Campeões. O álcool que vai sendo consumido também não ajuda a que tudo corra dentro do civismo exigido.

Para evitar ainda maior confusão, a comitiva do Benfica não vai passar na Av. dos Aliados no seu cortejo até ao aeroporto.

Nesta altura, quando passa das 23h, a maior parte dos elementos da claque Super Dragões afastou-se do local, restando apenas alguns adeptos dos dois clubes. A polícia mantém posições.

A bola



Publicado por [Rick Dangerous] às 02:09 AM | Comentários (1)

I love Khadafi dos pneus


Publicado por [Rick Dangerous] às 01:58 AM

maio 22, 2005

Para Paradise

jafoste2hu[1].gif

Publicado por [Operation Wolf] às 11:33 PM

Hoje, somos todos do Boavista!

diago.jpg

Publicado por [Paradise Café] às 12:51 PM | Comentários (3)

maio 21, 2005

Enfarte cerebral... mas não é de agora

O tribunal chileno adiou uma semana a decisão sobre o pedido de levantamento de imunidade de Pinochet, num caso relacionado com a origem das suas contas milionárias.

Curiosamente o senhor, disse oportunamente o seu filho um dia depois desta decisão judicial, terá tido um enfarte cerebral. Nada disto foi confirmado pelos médicos. No hospital onde esteve internado apenas saiu um comunicado a indicar que o doente estaria em exames de rotina. Já não é a primeira vez que Pinochet recorre a esta táctica, também já não é a primeira que os tribunais caiem na treta.

Publicado por [Paradise Café] às 11:18 PM | Comentários (2)

O Mito é um nada que faz tudo II

Andreas Bichlbaner - reunião da OMC em Salzburgo – pregou a compra do voto e saudou o balanço económico de Hitler – aplaudido pelos homens de negócios.

- anunciou a dissolução da OMC diante de especialistas de contabilidade.

- defendeu a reciclagem dos dejectos para fazer hamburguers para a África perante os estudantes australianos.

- chamou Gandhi de “idiota proteccionista” perante uma assembleia de homens de negócios.

Sempre aplaudido… mas afinal é a fingir.

Este “artivista” tem como brincadeira muito séria exagerar os traços naturais das personagens da economia. Levar o discurso até ao extremo. Elas caiem… E em seguida ele diz que era a brincar. Demonstrativo, não?
Juntou-se agora com Mike Bonnano e formaram os YES MEN.

Diz: “Não temos necessidade de estar tristes todo o tempo, mesmo se os assuntos forem graves”.

Começou esta carreira de gozar com assuntos sérios quando era empregado dos jogos de vídeo SimCity, que agora são os The Sims.

Encarregado de fazer um jogo com simulação de guerra, resolveu pôr os soldados a jogar à bola com drag queens. Escândalo e despedimento.

Daí em diante resolveu simular tudo até ao fim: personagem, presença, comunicados de imprensa.

Antes do Encontro de Seattle da OMC, que seria rodeado de contestação criou um falso site da OMC. E Andy apareceu, credível, de fato cinzento escuro como um executivo de topo.

Foram eles também que simularam ser porta-vozes da Dow, declarando a responsabilidade da catástrofe de Bhopal e a entrega de 12 milhões de dólares às vítimas. Era a brincar… Mas até seria justo.

Os Yes men adoptam o humor para brincar com coisas muito sérias, porque acham que é a melhor maneira, sobretudo nos EUA.

Mais uma vez ver radicais livres

Publicado por [Paradise Café] às 11:07 PM | Comentários (1)

Porque sim

10 coisas que fiz hoje:

Vendi centenas de bilhetes para que centenas de turistas entrassem num monumento histórico lisboeta.
Acordei com sono.
Ajudei o meu pai a resolver mais um pedacinho da sua incompatibilidade informática.
Pensei na minha mãe.
Soube que a minha gata foi barbaramente assassinada pelo cão Husky do fdp do vizinho.
Soube que o meu pai enterrou a gata no jardim.
Andei de bicicleta.
Almocei uma fritada de peixe com arroz de pimentos e uma taça de verde branco.
Vi o blogue.
Desmarquei uma sessão a dois na Monstra - mostra de cinema de animação de lx.

10 coisas que não fiz hoje:

Resolver uma situação complicada no trabalho.
Ir à biblioteca nacional tirar fotocópias a um livro.
Ler/estudar para os exames.
Limpar o quarto.
Telefonar ao meu irmão.
Insultar toda a gente com quem mentalmente me zanguei.
Dormir cedo.
Ser feliz.
Agredir o vizinho por ter assassinado a minha gata Maria/Aisha.
A aula de Ioga na Cidade Universitária do sábado de manhã (sim, vou ficar a dormir).

Publicado por [Renegade] às 01:24 AM | Comentários (4)

maio 20, 2005

Grunho & Grunho SA

Há um manual espanhol que está a agitar os conscienciosos seguranças da moral. O dito manual que, segundo o Expresso, está na bibliografia dada aos professores para se orientarem nos conteúdos da educação sexual propõe que alguns jogos pedagógicos às crianças, entre os quais: colorir partes do corpo que gostam que sejam tocadas ou a encenação de peças de teatro cujo temas é "chegar a uma terra em que a maioria da população seja homossexual".

João Miguel Tavares (JMT) acha "óbvio" que tenha um sido criado um Fórum Família exigindo a "imediata suspensão" do programa e uma "investigação para responsabilizar" os criminosos que se lembraram de tal satânica ideia, bem como identificar "todos os alunos que já foram expostos(?)" aos radicais ensinamentos.

JMT além de dar voz a estes atrasados, ainda enfatiza que "nas escolas estuda-se pouco Eça, Camilo ou Camões. Mas sexo sempre se estudou abundantemente" (ironizando logo a seguir lembrando que sempre se namorou nas escolas sem necessidade de pedagogos para o efeito).

Se assim é, então e:

- o número astronómico de abortos clandestinos?
- Portugal ser o país com mais grávidas adolescentes (dos antigos 15)?
- Portugal estar no pódio no que respeita às taxas de SIDA da UE?
- Se houvesse planeamento a sério e JMT nunca tivesse nascido?


jmt.bmp


Publicado por [Paradise Café] às 09:08 PM | Comentários (4)

Aborto I

A mesma fauna que na altura do referendo do aborto fez aquela campanha lamentável ao lado do patriarcado, vem hoje a terreno, já com outras associações constituídas, levantar-se contra a introdução da educação sexual nos 1º e 2º ciclo.
Os argumentos são de vária ordem, no entanto, a tónica dominante, é a de que o estado "não deve fazer um trabalho que é da responsabilidade dos pais".
Na edição de hoje do DN, João Miguel Tavares sublinha mesmo que, apesar de ter conhecido umas "meninas que pensavam que podiam engravidar todos os dias do mês", só é necessário ensinar-se nas escolas o bê-a-bá anatómico e biológico. Isto porque "para os miúdos se apaixonarem, descobrirem o seu corpo e se envolverem com algum tino nunca foram necessários conselhos do Ministério da Educação".

A irresistível hipocrisia de certa direita é notável. Recordo-me mal ou foi esta mesma fauna que contrapôs à legalização do aborto um planeamento familiar e educação sexual eficazes?

Publicado por [Paradise Café] às 08:32 PM | Comentários (2)

Dei por mim à procura na edição on-line do «Avante!» desta semana de qualquer coisa como "Desculpem lá a cena do outro dia do Stalin. Isto às vezes a malta entusiasmamo-nos e depois é no que dá. Nós não achamos realmente que ele seja o maior. Desculpem lá, sim? A sério."

Qualquer dia começo a acreditar na fada dos dentes, estou mesmo a ver.

Publicado por [Rex] às 11:02 AM | Comentários (5)

Não, obrigado

Toni Negri é a favor da aprovação da constituição europeia por uma questão de "correlação de forças". Considera-se um "revolucionário realista". Ou se aprova a constituição ou se participa na destruição de um novo espaço de luta contra o poder do império. Ou esta constituição ou os neoconservadores americanos.
Negri quer o fim da merda do estado-nação e propõe a criação da merda do estado federal europeu. Negri acha que tudo depende do vigor com que é conduzido o actual processo de integração europeia e nada depende do vigor com o qual o combatemos. Negri não concebe a luta contra o poder de uma superpotência sem a constituição de uma outra superpotência. Negri acha que a verdadeira questão é saber quem vai regular o mercado mundial. Negri acha que as nações europeias serão demolidas pela euroburocracia ou viverão felizes para sempre.
Negri acha que a europa será liberal ou não será. Negri acha que nenhuma crítica que façamos a esta constituição diminui o que de positivo ela nos irá trazer.
Negri bem podia estar caladinho e sossegado. A história tem planos mais ambiciosos para nós.

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:23 AM | Comentários (2)

O sitio do protagonismo

Depois da queda de Santana, Pacheco estava a ficar com falta de protagonismo aguda. O terapeuta aconselhou uma ou duas entradas em jornais da noite e para isso o paciente resolveu criar http://sitiodonao.weblog.com.pt/.

Também na esquerda temos os nossos cromos que por quererem ser diferentes são pelo sim.

Publicado por [Paradise Café] às 12:10 AM | Comentários (1)

O Mito é um nada que faz tudo

serpicanaro.gif


Serpica Naro é uma nova estilista anglo-japonesa de 16 anos! Criação completa dos adeptos de São Precário, que, com as mesmas letras, criaram esta figura fictícia na altura da Semana da moda de Milão, em Fevereiro de 2005. Com a ajuda de 200 trabalhadores precários do sector da moda, inventaram um estilo, criaram um site, fizeram um book de falsos artigos e ponto de imprensa.

Tudo suficientemente convincente para que a “estilista” tivesse sido inscrita na agenda dos desfiles.

Para baralhar as cartas e chamar a atenção sobre a Serpica Naro, fizeram uma polémica, acusaram-na de se estar a apropriar dos precários e de exigir 15.000 euros para desfilar.

Anunciaram que iam manifestar-se no dia do desfile da jovem estilista. Deste modo o desfile foi protegido pela polícia, para proteger a estilista dos precários.

Ninguém desconfiou da brincadeira. Até que apareceram os manequins…

E aí estiveram os modelos apresentados: fato de macaco de duas faces que se transforma em pijama, para dormir no local de trabalho, fato multi-funções para os que trabalham num call center de manhã e num fast-food à tarde, colete que permite à mulher esconder a gravidez ao patrão. Ao todo oito criações originais, chamando a atenção sobre “os aspectos mais odiosos da precaridade”. Seguiram-se verdadeiras criações de estilistas independentes habitualmente excluídos destas semanas de moda – Yo mango, catalães e Conscious Fashion Week, ingleses.

“O objectivo de Serpica Naro foi chamar a atenção sobre a autoprodução, sobre a criação independente, fazer uma espécie de meta-marca”.
Conseguiram: toda a imprensa falou deles largamente.

Isto tudo no site http://www.radicais-livres.org

Publicado por [Paradise Café] às 12:02 AM | Comentários (3)

maio 19, 2005

Com o rabinho entre as pernas

anjinho.bmp


César das Neves brindou-nos, na segunda-feira, com mais uma pérola do neo-movimento-dada. Foi no DN.

A propósito do aborto, o senhor beato, lembra-nos que o sucedido no anterior referendo foi "a mais extraordinária manifestação de maturidade democrática do Portugal moderno". E porquê? É que pelos vistos "Grupos de cidadãos anónimos, com meios improvisados e sem qualquer apoio partidário, enfrentaram forças poderosíssimas de esquerda maciçamente mobilizadas. E Ganharam".

Há mais: diz o dito senhor que "os números astronómicos de abortos clandestinos (...) esses números não têm base séria e foram inventados na lógica de que uma mentira muito repetida fica verdade". Mas, antes de sublinhar esta sua verdade insofismável, Neves relembra que as forças da esquerda é que "obscurecem o problema (...) ocultando os tremendo drama da mãe (?) que abortou".

Bom, comentar isto seria um pouco de mais para a inteligência de qualquer um. Fica o registo.

Publicado por [Paradise Café] às 11:52 PM

Polit Duro

Zé Guilherme e Jorge Costa escrevem num texto da conferência do Bloco, taxativamente e de dedo apontado ao Ruptura: "No bloco não há depois-do-bloco". Depois o mesmo de sempre. O pluralismo genético do bloco que lhe permitirá ser a direcção socialista da luta popular, a nostalgia da velha esquerda doutrinária, a novidade e alternativa que representa o bloco e por aí fora.
No Ruptura, de olhos bem aberto, Gil Garcia responde:"Tal prognóstico é falso e politicamente conservador. Nada é irreversível e está isento da possibilidade de degenerar, tanto na vida como na política.[...] Ninguém pode prever o que acontecerá daqui a dez ou vinte anos, muito menos afirmar que o BE é o fim da história da política partidária de esquerda em portugal."
É só a mim que surpreende ver o zé a levar lições de heterodoxia do gil garcia?

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:52 AM | Comentários (2)

Devorado

Os ingleses, entre uma cerveja e outra ,
esmaguei com um sorriso,
no último minutos fiz desabar
em lágrimas,
o dique holandês.
Devorado fui,
pelo poderoso
pelo indestrutível
pelo fulminante,
exército vermelho.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:55 AM | Comentários (1)

maio 17, 2005

Resistível ascensão e queda de Santana nas boas graças do público opinioso

O Público diz hoje na secção local (em tom suficientemente lacónico para que ninguém dê muita importância) que o Santana Lopes apresentou um estudo em reunião da vereação da Câmara Municipal de Lisboa no qual se prova que muitas das obras realizadas nas vereações anteriores sofriam dos mesmos vícios politicos e irregularidades que o famoso túnel do Marquês. Estão lá o túnel da João XXI (sem Estudo de Impacto Ambiental, previsão de execução para 39 semanas, execução real em 165, custo previsto de 8 milhões de Euro e final de 11,5...), o túnel da Av. da República, o do Campo Grande, etc. Nada de muito diferente, portanto.

O caso do túnel foi um dos cavalos de batalha da esquerda e da direita bem pensantes, apostadas em explorar as fragilidades de Santana e do grupo de arrivistas e adesivistas que com ele chegaram ao governo da cidade de lisboa e de Portugal. Entretanto conseguiram reduzir Santana à insignificância, tiraram-lhe o tapete e só não conseguiram impedi-lo de voltar à Presidência da CML. Mas também isso foi resolvido quando escolheram Carmona para lhe suceder na lista do partido à Câmara, apesar dos últimos estrebuchos dos últimos fiéis.

Sabe-se à boca pequena que Santana ganhou as eleições há 4 anos com recurso a práticas de manipulação eleitoral passíveis de integrar a qualificação de fraude. À boca pequena soube-se que o PCP acusava o PS de não ter querido avançar com a correspondente queixa e impugnação das eleições. E sabe-se, também à boca pequena, que houve quem acusasse o PCP de ter tido medo de avançar sozinho. Mas tudo isto são contas da alta política que não cabe ao povinho saber, quanto mais discutir...

Agora, nos últimos momentos antes de sair de cena, o menino guerreiro parece ocupar-se em tentativas de última hora para deixar cá qualquer coisa que nos faça lembrar dele, e até em branquear o que andou a fazer utilizando o exemplo exemplar dos seus antecessores socialistas, laicos, republicanos, maçónicos, carluccianos e savimbistas na Câmara de Lisboa.

Claro que à boa opinião pública e aos seus fazedores não lhes interessa qualquer respeito pela verdade. Assim como calaram a vitória fraudulenta de Santana, assim calaram as tropelias de João Soares e sua camarilha no governo da Câmara, assim calam as tentativas desesperadas de Santana em manter-se à tona (de quê?).

Triste espectáculo, pobre poder que a tanto obrigas.

Publicado por [Renegade] às 04:01 PM | Comentários (4)

maio 16, 2005

Poema odorífero para os poemas do Avante! a Estaline

Não se sabe se Estaline cheirava mal dos pés.
Leandro Martins asseguraria que não.
Para este, apesar do potencial odor a cholé,
E apesar de todo o cliché,
Estaline está vivo no nosso coração.

Vai na volta o gajo tinha também micoses,
Pé-de-atleta e outras bem piores,
Que, na peúga, juntamente com os odores,
Joanetes, unha encravada e artroses,
Faziam os camaradas da dacha de Volynskoye sofrer horrores.

E da boca, inundava-se o clima de mentol?
Talvez o mais provável fosse, ao invés, um fedor,
Que, apesar do abuso de aerossol,
Alternado com elixir de formol,
Abundava de pestilência o seu redor.

Conta-se que na assinatura do pacto germano-soviético
Clausulou-se a excepção de armas químicas corporais
Para fazer com que nas reuniões bilaterais,
Não obstante o uso de anti-séptico,
Os óbitos dos diplomatas nazis fossem “mortes naturais”.

Diz-se também, apesar de Manuela Bernardino discordar,
Que, em Yalta, tanto Estaline se peidou
Que o obeso Churchill se esquivou
Da cadeira à sua direita se sentar,
Deixando Roosevelt, entre ambos, a ofegar.


Estaline a tresandar junto de nazis


Estaline a tresandar junto dos aliados

Publicado por [Joystick] às 01:26 PM | Comentários (4)

maio 15, 2005

Carlos Brito é o novo treinador do Boavista

carlos brito.bmp

Publicado por [Paradise Café] às 11:53 PM | Comentários (2)

anti-social

Caro Café:

1- Recebi um panfleto de divulgação do encontro, formato A4 e papel couché, patrocinado no seu interior pelas Câmaras municipais de Setúbal, Sines e Alcácer do Sal, e na última página (toda a última página...), pela secretaria de estado da juventude. Para quê a subtileza?

2- São necessários muitos passes de magia para me meteres ao lado da velha esquerda e te colocares do outro lado da barricada. Não sei se reparaste que todas as tradições históricas a que te referiste estiveram em évora contigo este fim-de-semana. E eu não.

3- As críticas... Há um ano estava em bologna e polemizei via blog com o nuno ramos de almeida. O discurso dele era mais ou menos o teu. Acusava-me de só saber dizer mal e ser sectário, não ser construtivo nem unitário. Eram acusações plenas de sentido. Eu reivindico todas essas qualidades, com destaque para o sectarismo.

4- A representação que os participantes do fórum social fazem de si próprios e o discurso que projectam acerca do fórum não me merecem grande confiança. "Inclusivo", "alternativas às alternativas", "projecto utópico", "negação do presente", "justiça cognitiva global" - os termos do novo léxico movimentista são apenas o último grito da novilíngua dos especialistas da política ou pretendentes a tal.

5- O 1º fórum social português teve como lema "Outro Portugal é possível"...

6- Em tudo isto, nomeadamente no diálogo com o poder político a que grande parte do fórum aspira para poder materializar as "alternativas", existem evidentes hierarquias e distribuições desiguais do poder, acerca das quais não se reflecte e que não se criticam precisamente porque estão escondidas atrás de discursos como o que tu aqui reproduziste. Os movimentos sociais não são realidades puras marginais ao mundo onde vivemos. Eles são alguns dos locais privilegiados onde esse mundo se manifesta e se configura.
É de acordo com a posição assumida face às contradições fundamentais do nosso tempo, com a identificação mesma dessas contradições, que um movimento social se pode tornar um apêndice bem intencionado ou um sujeito político em conflito com a ordem dominante. Parte do problema ou parte da solução.

7- O projectar da alternativa é o último refúgio de todo o discurso e projecto reformistas. Isso não é necesssariamente mau, mas seguramente não é aquilo de que eu desejo fazer parte. A alternativa molda o movimento e impõe o éden futuro ao presente inferno. A última manifestação de uma lógica transcendente que precisamente hierarquiza as acções actuais em função da utopia redentora para a qual é necessário "estar preparado" e "criar as condições".

8- Claro que há no "partido da alternativa"- formado pelos movimentos do fórum social português, o bloco de esquerda, a renovação comunista, a attac, a esquerda do PS e até o PCP - a facção mais apressada. Quer uma alternativa já, um governo de esquerda apoiado pelo movimento social, a conduzir as reformas que alarguem a esfera da democracia a novos e velhos direitos colectivos, redistribuindo melhor a riqueza, garantindo a igualdade de oportunidades e reforçando o estado de direito democrático através da "participação". E depois há os que, como tu, procuram fugir a esse pragamatismo refugiando-se no boaventura sousa santos.

9- Anarquista o caralho. Eu valorizo a troca de experiências tanto com qualquer outra pessoa. Não vejo é por que razão isso me deveria levar a participar num fórum com este formato e estes objectivos (mesmo que tu queiras negar que o fórum tenha objectivos).
Na 4ª feira estive na faculdade de letras a invadir o conselho directivo para impedir o aumento das propinas. Dominada por palavras de ordem mais do que recuadas ("propina só a mínima"), a invasão rapidamente se radicalizou no confronto frontal e na subversão da ordem universitária. De repente, aquelas pessoas perceberam que estavam a infringir regras em conjunto e que isso tornava praticaveis coisas impensáveis, como sentar-se à mesa grande de um órgão de gestão universitária e interromper o seu presidente durante hora e meia até ele desistir de falar.

10- É esse tipo de experiência que eu quero partilhar. Não preciso de outras alternativas que não a alternativa ao tédio, à passividade, à resignação, à alienação e outras misérias habituais. E essas, não estavam reunidas em évora este fim-de-semana.
Talvez seja isso que faz de mim um sectário com má fé. É que eu recuso-me precisamente a abdicar de uma avaliação e hierarquização do conteúdo político de cada movimento social. A repetir que um mundo melhorzinho é possível. Essa nova expressão da velha ideologia da "unidade de todos os portugueses honrados" não me cheira nada bem nem me inspira grande confiança. Deu os resultados que se conhecem no passado. E encaixa como uma luva na continuação do presente estado de coisas.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:32 PM | Comentários (2)

Alternativas

Decorreu, ontem, o encontro Resistências e Alternativas, em Évora e não o 2º Fórum Social Português.

Sendo sérios, o que o Rick não é quando diz que o dito encontro é patrocinado pelo IPJ, podemos dizer com relativa certeza que os projectos que têm emanado do Fórum Social Mundial e o próprio são os únicos momentos políticos decentes que têm procurado criar alternativas reais.

1. Ao contrário das longas tradições marxista-leninista/social-democrata/anarquista, a que chamaria provocatoriamente "velha esquerda", o FS é o único movimento político actual que procura juntar gente para procurar alternativas reais, porém diversas e por isso sem capacidade de afirmação programática (para já). Talvez seja essa a razão que leva a que a tal "velha esquerda" - onde incluiria a linha de pensamento de Rick - lhe dirija tantas criticas.

2. É o único movimento actual realmente global e local. Ao conseguir afastar o paradigma do Estado/Nação de premissa base para soluções, o Fórum dá um salto qualitativo e quantitativo sem par na actual configuração da luta.

3. O Fórum traz uma novidade notável: é inclusivo quer no que respeita à sua escala, quer à temática. O que é novo é o todo que ele constitui, não as partes que o compõem.

4. o Fórum parte da premissa mais democrática possível: "não haverá justiça social global sem justiça cognitiva global"

5. Por fim e o que me parece mais interessante: O Fórum parte do principio que vivemos num tempo de utopias conservadoras cujo carácter utópico reside na negação radical de alternativas à realidade do presente. Ao perceberem isto, a maioria dos participantes do movimento trabalham objectivamente, como mais ninguém faz (infelizmente)pela afirmação de alternativas e mesmo de alternativas às alternativas. Mais do que "Um outro mundo é possível" o FS diz: "outros mundos são possíveis" contrariando assim a tese de que não há alternativas.
"Este projecto utópico, baseado na negação do presente em vez de assentar na definição do futuro, concentrado nos processos de intercâmbio entre movimentos e não na avaliação e hierarquização do conteúdo político destes, é o mais importante factor de coesão do FS" [Boaventura Sousa Santos]

Ora, o que é que isto tem a ver com o encontro de ontem de onde acabo de vir? Quase tudo.

É evidente que este encontro teve pouco a ver com que disse em cima. A realidade doméstica dita que os partidos tenham uma força enorme no movimento social e esse é o nosso principal problema. Como "Resistir é Perder" propunha ao Rick e a outros Ricks que se queiram ocupar mais em dar alternativas e menos em resistir. O Fórum precisa, a revolução também.

Um outro Rick é possível!

Sobre a partidarite do FS e sobre o encontro mais propriamente dito falarei depois

Publicado por [Paradise Café] às 01:13 AM | Comentários (1)

maio 14, 2005

Resistir é perder

Começa e acaba amanhã em Évora, o 2ª Fórum Social Português. Para disfarçar, chamaram-lhe resistências e alternativas. Conta com o patrocínio da secretaria de estado da juventude.
O movimento parece estar em parte incerta e os movimentistas têm outras coisas em que pensar.
Assim se vê a força do PC.

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:00 AM | Comentários (3)

maio 13, 2005

O boss anda lixado da vida...

RicardoEspiritoSantoSalgado.bmp

Continuo sem tempo para postar. Os Objectivos são extremamente ambiciosos e o meu Director tem-me sob pressão constante...

Ele também tem a sua dose de sofrimento, coitado... acho que o boss (ou "o accionista" como aqui lhe chamam) anda lixado da vida: Gastou uns milhões com o Portas e o PP e depois foi a barraca que se viu... tudo por água a baixo... Neste país não há espaço para a iniciativa privada, é o que é.

Publicado por [Saboteur] às 12:58 AM | Comentários (1)

maio 11, 2005

Hotline

De como se passa vida a falar da necessidade de compreender as transformações em curso à escala global e de como nos movemos continuamente num pântano movediço de conceitos que já não querem dizer o que diziam mas ainda querem dizer algumas coisa. E assim mesmo vamos recuando cada vez mais até nos vermos confrontados com a necessidade de nos entricheirarmos cada vez mais fundo, no partido ou no estado social ou nas instituições ou na tribo urbana de cuja existência só nós temos conhecimentos.
E de como o estado de coisas actual é para abater o mais rapidamente possível antes que nos habituemos a respirar o cheiro desta latrina e aceitar como inevitável que do movimento operário só sobrem as sardinhas assadas e o copo de vinho no 1º de maio, e da revolução social uma nostalgia organizada pela attac na ler devagar.
Assim sendo, e ainda que sobrem também mil outras possibilidades que aqui não se referem, era fixe que começassemos a focar-nos mais e debatessesmos a elaboração de coisas como esta, que custam um bocadinho mas que nos colocariam numa posição mais favorável para atacar certas contradições com tiros certeiros. Para começar, quem quer ajudar a traduzir a brochura?
Rex, estes senhores e estes senhores andam para os teus lados. Que tal uma pequena pesquisa e o esboço de contactos internacionais?
E quem tem vontade de queimar as pestanas a sério pode entreter-se com isto.

Publicado por [Rick Dangerous] às 12:57 AM | Comentários (1)

maio 10, 2005

Fabrica Sin Patrones

E ainda dizem que já não existe.

Publicado por [Rick Dangerous] às 11:59 PM | Comentários (2)

Até os comemos

As contra-manifestações de domingo em Berlim foram um sucesso.

O bando de nazis (mesmo assim uns 2000) ficaram limitados a um espaço muito pequeno na Alexanderplatz, completamente cercados de polícia.

Ainda tentaram furar a barreira, mas não conseguiram (sorte a deles).


"Heterossexualidade é contra-revolucionária. Nazis nunca são sexys."

Não só um grande grupo no caminho directo que a marcha queria percorrer como grupos mais pequenos nas restantes ruas em torno da praça tornaram a coisa impossível.

A polícia tinha avisado que não faria nada contra um bloqueio pacífico (em alemão diz-se "die Straße aufräumen", "arrumar a rua").

Apesar de terem andado a passear os canhões de água, não fizeram mesmo anda, e às 5 da tarde anunciaram que não havia condições para a marcha avançar.

Os skinheads foram metidos em comboios que só pararam fora da cidade. Agora estão todos lixados com o NPD (Partido Nacional-Democrata da Alemanha, organizador da marcha) que acusam de fraco. As contra-manifestações foram um golpe duro contra o movimento.

Se os idiotas do PNR tiverem ideias semelhantes no futuro, fica a mensagem de que vale a pena fazer alguma coisa contra isso.


"Não paramos com a merda enquanto a merda não parar."

Mais fotos aqui.

Publicado por [Rex] às 01:36 PM | Comentários (1)

jouissez sans entrave

Sun tzu não escreve
ocupado em filmes
talvez até longas metragens (?).

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:05 AM | Comentários (2)

A esquerda

A filha do Saramago é da Mesa Nacional do Bloco e o "José Guilherme" (estudante universitário de 28 anos...) também. No total conheço, já bebi copos, rodei ganzas, andei de carro ou trabalhei com 17 membr@s da mesa.
Uma pequena família feliz. A esquerda.

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:42 AM | Comentários (3)

maio 08, 2005

Esquecimento

O rio - corria,
A lua luzia, A lua esquecia a luz - e eu me esquecia
A mim mesmo, enquanto bebia
O meu vinho.
Os pássaros estavam longe,
A dor estava longe,
E eu estava sozinho.

Li-tai-pe

Aproveito para relembrar a tod@s @s que tenham possibilidade$ que não se esqueçam de passar na feira do livro da Gulbenkian. Por 15 euricos ficam com as traduções todas do Paulo Quintela (Holderlin, Rilke, Brecht etc, incluindo este venerável amigo chinês).

Publicado por [Renegade] às 12:18 AM | Comentários (1)

maio 06, 2005

Uma revolução liberal?

Saiu a revista da direita atlantista e não faltam motivos para nos regojizarmos. Está on-line e oferece-nos logo à entrada um conjunto de textos ambiciosos, desejosos de disputar "à esquerda intelectual e bem-pensante" o seu domínio avassalador sobre as nossas pobres cabeças simples.
Dos artigos disponíveis destaca-se o de João Marques de Almeida acerca da revolução portuguesa. O objectivo aparece claro. Olhar a história do século XX a partir de uma perspectiva liberal. Resgatar os seus momentos centrais da apropriação que deles terá feito a tradição de esquerda e repropôr a partir do pensamento liberal uma interpretação alternativa do que aconteceu.
Note-se que o autor pretexta a seu favor uma necessária e inexistente simetria: fariam falta outras opiniões numa sociedade pluralista (porque liberal) como a que se quer, acerca de momentos que perduraram longamente no real e no imaginário português. Na sua, todos os partidos do arco democrático-liberal (do PS para a direita) teriam contribuído à sua maneira na luta contra a ameaça totalitária e terceiro-mundista, encontrando-se 30 anos depois para relembrar como era terrível o inimigo e quão difícil foi abatê-lo.
Mas a ideia não é, nem podia ser, ficar-se pelo 25 de abril. Trata-se de celebrar a data evidentemente, mas situando-a num longo contínuum que desdramatiza os acontecimentos fundadores da II República e os respectivos ícones ainda actuantes (Soares, Freitas...) para narrar uma longa marcha.
Nesta história, o "liberalismo" nacional é o sujeito político e histórico fundamental cujo vigor preenche os diversos actores ao longo dos tempos. Desde o século XIX ao século XX, essa corrente por vezes subterrânea (como durante o estado novo, presume-se) mas sempre que necessário poderosa (como durante o prec contra o copcon, ainda no campo das presunções), teria triunfado ao fim de muitas lutas e não poucas tormentas, resultando no presente em que vivemos.

Note-se que o texto é ambicioso, mas também calculista. Não lamenta a revolução, mas antes a comenta a seu favor. E para o fazer, para tornar a crise revolucionária de 1974-75 um momento mais do liberalismo português, não pode deixar de a descrever de passagem, sem se aventurar longamente nos domínios mais profundos do que se disse e se fez há 30 anos atrás. Essa é a sua insustentável leveza e o limíte de semelhante aproximação. Semelhantes exercícios teleológicos e historicistas não podem deixar de simplificar tudo no sentido de apresentar aos seus leitores uma visão polida e clara, precisamente porque superficial, do que se passa e se passou. Luís Trindade escreveu o ano passado um texto interessante acerca do assunto que merece a pena ser lido e que não vou repetir, mas do qual vale a pena partir para este debate.
E fico-me por algumas questões fundamentais.
Pode-se falar seriamente de uma revolução liberal que, mesmo no seu epílogo de novembro, se afirma incontestavelmente socialista ou socializante ? Que no momento simbólico fundamental de consolidação das instituições que com tanta dificuldade haviam resistido ao embate revolucionário - o da aprovação da constituição por uma câmara de deputados resultante do primeiro sufrágio verdadeiramente universal da história portuguesa-, nele consagra a propriedade colectiva irreversível de sectores tão centrais numa economia liberal como era em 1976 toda a banca? Que colocando as terras à mercê dos camponeses e a propriedade no fio da navalha, vê nascer milhares de experiências autogestionárias colectivistas em vez da divisão fundiária e da constituição de pequenos proprietários de que sempre nos falou o imaginário liberal oitocentista? Que na aguda luta entre totalitarismo esquerdista e "liberalismo nacional" coloca no campo deste último um partido como o MRPP e outro como o PC-ML?
A lista de questões deste género poderia ir até ao infinito e ser sempre pertinente. A revolução não se entrega tão facilmente ao primeiro que lhe canta ao ouvido. Foi muito mais do que qualquer uma das versões oficiais que disputam a legitimidade dela emanada e merece muito mais do que essa disputa.
De resto a visão luminosa da herança liberal oitocentista é amplamente desmentida por todos os estudos que conhecemos. Não houve sufrágio universal em portugal até ao último quartel do século XX. O analfabetismo não é comparável ao de nenhum outro país da europa ocidental. Não há um espaço público, ou uma inteligentsia ou elites económicas comparáveis a Espanha, só para ser simpático. Não há qualquer direito social, incluindo o direito à greve. O ensino continua nas mãos da igreja. As conferências do casino foram proibidas por incitarem ao desrespeito pela religião e pelo bem público.
Fora do castelo de cartas metafísico que constitui esta visão da história, não se vê mesmo nada bem o que tem a ordem liberal em que vivemos a dever ao "liberalismo" nacional. Aos milhares de greves, manifestações, poemas e panfletos, funcionários de bicicleta, camponesas do couço e operários da cintura industrial de lisboa, aos estudantes contra a guerra colonial e aos capitães que faziam a guerra colonial, a isso podemos atribuir um papel por certo nada secundário na configuração do século que agora abandonámos. Algo de documentável e memorável, feito de imagens, sons, textos e vozes, coberto durante muito tempo pelas narrativas regressivas ou simplesmente autoritárias que, como fantasmas, pairam ainda sobre as nossas cabeças nos momentos mais aparentemente inofensivos do nosso quotidiano.
Cobertos agora pelo ruído da ordem liberal, por certo mais respeitável mas nem por isso menos ambiciosa. O passado pode ser uma arma de destruição maciça.

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:56 AM | Comentários (5)

maio 04, 2005

E por falar em Europa

Um jogo para fazer aqui.
Aconselhável

Publicado por [Operation Wolf] às 08:26 PM | Comentários (4)

Democracia Hardcore

No domingo (dia 8 de Maio) celebra-se o aniversário da capitulação da Alemanha Nazi.

O NPD (Nationaldemokratische Partei Deutschland, Partido Nacional-Democrata da Alemanha) vai assinalar a data com uma marcha entre a Alexanderplatz e as Portas de Brandenburgo (percorrendo assim a principal e histórica avenida de Berlim, a Unter den Linden). O tema da coisa é "60 anos da mentira da libertação. Fora com o culto da culpa!" Gente de bem, portanto.

A democracia é uma coisa que aqui se leva a sério e, portanto, até os neo-nazis têm direito a fazer as manifestações que quiserem. Esses e os outros.

Estão já organizadas cinco contra-manifestações. A que é organizada pelos principais partidos de esquerda começa no Berliner Ensemble (o teatro do Brecht) e vai acabar na mesma Alexanderplatz. Os grandes partidos não alinharam em contra-manifestações, mas promovem o "Dia da Democracia" à volta das Portas. A ideia é sempre a mesma e muito simples: bloquear a passagem à marcha nazi.

As contra-manifestações são inteiramente apoiadas pelo senado do estado de Berlim. Não há melhor maneira de combater o fascismo do que com boas doses de democracia para cima deles.

Eu já combinei com o Bertolt às 10 da manhã.

Programa das comemorações em Lisboa

No âmbito das comemorações do 60° aniversário do final da Segunda Guerra Mundial o Goethe-Institut e o Instituto Franco-Português convidam, conjuntamente com a Embaixada da Áustria, a Fundação Friedrich Ebert e o Instituto Cervantes, para uma sessão de leituras e um colóquio internacional subordinados ao tema O ódio do Outro Sessão de Leituras

Segunda-feira, 9 de Maio às 18h15

Marcel Beyer (Alemanha)
Apesar de não ter vivenciado a II Guerra Mundial, Marcel Beyer partilha no seu romance Espiões (Ambar) as memórias deste conflito de forma tocante.

Adolfo García Ortega (Espanha)
O escritor e editor Adolfo García Ortega apresentou recentemente um novo romance O comprador de aniversários (Temas e Debates) que relata a vida não vivida de Hurbinek, menino judeu que morre no campo de concentração de Auschwitz aos três anos.

Robert Wilson (Reino Unido/Portugal)
Robert Wilson, vencedor do Prémio Golden Daggar, escreveu com o seu livro O Último Acto em Lisboa (Gradiva) um romance envolvente que decorre em Portugal durante a II Guerra Mundial e no qual se cruzam os caminhos de refugiados e de agentes secretos dos diferentes países beligerantes.

Moderação: Kurt Scharf (Goethe-Institut Lissabon)

Colóquio
(tradução simultânea: Alemão, Francês e Português)

Terça-feira, 10 de Maio

10.00 Abertura

10.15 Tema 1: Como surgiu a ideologia da demonização e a fantasia do extermínio?

Participantes: António Louçã (historiador, Lisboa)
Reyes Mate Rupérez (Instituto de Filosofia, Madrid)
Michael Wildt (Universidade de Hanôver)

Moderação: Reinhard Naumann (Fundação Friedrich Ebert, Lisboa)

11.15 - 11.30 Coffee Break

11.30 - 12.30 Continuação do tema 1

12.30 - 14.00 Intervalo para almoço

14.00 - 15.30 Tema 2: Como é que a ideologia se apoderou das massas e se tornou violência materializada?

Participantes: Siegfried Beer (Universidade de Graz)
Fernando Rosas (Universidade Nova de Lisboa)
Reyes Mate Rupérez (Instituto de Filosofia, Madrid)
Josette Anger-Weller (co-autora de Les Territoires perdus de la Repúblique)

Moderação: José Pedro Castanheira (Expresso)

15.30 - 16.00 Coffee Break

16.00 - 17.30 Tema 3: A perspectiva das Vítimas

Participantes: Patrik von zur Mühlen (historiador, Alemanha)
Fritz Teppich (testemunha da época, Berlim)
Miguel Vale de Almeida (ISCTE)
Vítor Marques (União Romani)

Moderação: Alan Stoleroff (ISCTE)

17.30 - 18.00 Coffee Break

18.00 - 19.30 Encerramento do colóquio:
Como se consegue ultrapassar o ódio?

Participantes: Moshe Zimmermann (Universidade Hebraica de Jerusalém)
Basil Kerski (Revista: Dialog, Berlim)
Elke Gryglewski (Aktion Sühnezeichen/Friedensdienst e Haus der Wannseekonferenz, Berlim)
André Tolentino (Fundação Calouste Gulbenkian)

Moderação: Edgar Galindo (Universidade Lusófona)


Sessão de Lançamento
Quarta-feira, 18 de Maio às 18.30 horas

Lançamento do livro na presença do autor Portugal visto pelos Nazis:
Documentos 1939-1945
Selecção e organização de António Louçã Organização: Goethe-Institut Lissabon e Fim de Século - Edições

Para mais informações consulte o site www.goethe.de

Publicado por [Rex] às 05:59 PM | Comentários (4)

maio 03, 2005

Sei lá

Na sólida frente ocidental falam de nós."Tenho inimigos, devo ser célebre", dizia o velho bertolt.
Que a economia semântica não é o forte dos jovens-turcos-neo-qualquer-coisa-pardalitos-a-imitar-falcões, já o sabíamos. Mas mesmo assim tem-me causado algum desconforto um betinho qualquer que eu nunca vi mais gordo (ou, segundo ele próprio afirma, alto) a dirigir-se-me como se tivéssemos andado juntos na tropa.
"Ícone da direita moderna" (na qual, ao que parece, estas aves raras se incluem), "mítico rick dangerous", "men" e "jovem", são alguns dos termos com que um tal rodrigo moita de deus me saúda. Procurei ignorar e manter a coisa à distância que as circunstâncias impõem, confiando nas maneiras britânicas do rapaz. Mas à segunda alguém tem de dizer alguma coisa antes que isto descambe.
Não me cabe naturalmente a mim pôr na ordem este grupinho a quem pacheco pereira fez gala de ignorar durante todo o verão, com um silêncio que atingiu notáveis níveis desprezo, apesar das múltiplas provocações que, como qualquer miúdo mimado, produziram em avalanche. Antes já um deles tinha chamada imbecil ao Daniel Oliveira. Arrogantes, desdenhosos, presunçosos, sectários e com um sentido de humor mais que duvidoso, dali já se ouviram as maiores enormidades e já todos nos teremos habituado a sorrir e a não levar a sério.
E por isso mesmo, e por ainda terem ficado piores depois de perderem as eleições, já ninguém lhes liga, ninguém discute com eles, ninguém quer saber o que eles pensam acerca do que quer que seja. Cada vez são mais (todos quadros do alto funcionalismo público ou pontas esquecidas dos conselhos de administração, a julgar pela disponibilidade que têm para escrever um blog para os amigos lerem) e cada vez dizem menos coisas de jeito. Vieram bater à nossa porta, a provocar, como uma criança traquinas que faz tropelias para arreliar e chamar a atenção. Daqui não levam nada a não ser um bom par de chapadas.
Se é verdade que tenho algum (cada vez menos) gosto por provocar os meus amigos de esquerda, também tenho uma enorme falta de paciência para betinhos que acabaram de lêr Tocqueville e Burke e procuram alguém para terçar armas, citações e lugares comuns. Falta-me o tempo, falta-me a vontade e, sinceramente, falta-me a pachorra. Até lá, o respeitinho é muito lindo, sei lá.


Publicado por [Rick Dangerous] às 10:31 PM | Comentários (9)

De fazer inveja ao marocas

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Pelos feitos realizados no sentido de estreitar laços entre a lusa pátria e a terra da liberdade - nomeadamente através da manutenção do comando da NATO em Oeiras, do seu empenho no alargamento da Aliança Atlântica e por ter comprado duas fragatas aos yanques para as FA portuguesas - PAULO PORTAS VAI SER CONDECORADO QUARTA-FEIRA, PELO PENTÁGONO, EM WASHINGTON POR DONALD RUMSFELD.
A medalha que nos orgulha a todos é raramente dada a estrangeiros e premeia "serviços públicos distintos".

em anexo comunicado da lusa

«O anterior ministro da Defesa Paulo Portas vai ser condecorado quarta-feira no Pentágono, em Washington, pelo secretário da Defesa norte- americano, Donald Rumsfeld, disse hoje à Lusa um colaborador do ex-governante.
De acordo com a mesma fonte, a condecoração premeia "serviços públicos distintos" e esta é "a primeira vez que um ministro da Defesa português" recebe a medalha, raramente atribuída a estrangeiros.
Os fundamentos da distinção serão conhecidos quarta-feira, após a cerimónia reservada de condecoração.
A manutenção do comando da NATO em Oeiras, o empenho de Paulo Portas no alargamento da Aliança Atlântica, a opção por duas fragatas norte-americanas no reequipamento das Forças Armadas e a posição portuguesa na guerra do Iraque são razões apontados pelo colaborador de Paulo Portas para justificar a condecoração.» LUSA


Publicado por [Paradise Café] às 08:06 PM

A justiça não é adiável

Sampaio não convocará referendo sobre despenalização do aborto para o início deste verão. A justificação para mais esta medida - que a par das que tem vindo a tomar o colocará por certo fora até do rodapé da história da esquerda portuguesa - é aparentemente democrática e até cidadã.
Ora vejamos: Sampaio rejeita a convocação do referendo em nome da instituição referendo. Diz que muito aprecia esta figura e que tem medo que saia mais uma vez desprestigiada devido à forte abstenção que acredita vir a acontecer devido ao sol, praia e férias.
Para sermos sinceros o argumento é respeitável. Mas há outras questões que têm de pesar mais que a instituição referendo e a sua credibilidade. Algumas dessas questões são sem dúvida alguma a liberdade e a justiça.
Pôr na balança a figura do referendo e a liberdade da mulher decidir sobre o seu corpo é muito baixo para um homem com as suas competências e com seu sentido sempre alerta para dar conselhos aos vários sectores da sociedade.

Socrates vais certamente fazer a triste figura do hipócrita - a que já costumamos a estar habituados - e dirá, qual Pilatos, que esta é uma responsabilidade do PR, e que seja hoje ou amanhã o que lhe interessa é resolver o problema, defraudando assim o seu eleitorado.

O PCP quer ganhar na secretaria (leia-se parlamento) o que não conseguiu ganhar junto dos eleitores. O BE sei lá eu...

Nesta altura a única luta possível é contra Sampaio, o seu único aliado objectivo nesta questão é o PP, portanto que mais base política/partidária precisa o movimento social para abanar novamente a sério Belém nos próximos dias?


manif sampaio.bmp

Publicado por [Paradise Café] às 02:15 PM | Comentários (1)

Para quando, a homenagem que este homem merece?

"Vou voltar a exercer advogacia, que é a minha profissão, vou dar umas aulas e vou trabalhar para um grupo financeiro na área internacional. Um ex-primeiro-ministro conhece muita gente, em África, na Europa, na América Latina."

Pedro Santana Lopes, sobre o seu futuro profissional, em entrevista à SIC, 2-5-2005

Publicado por [Saboteur] às 12:08 PM | Comentários (3)

Maus tempos para o lirismo

Carvalhelhos
Diz depressa que não consigo soletrar

Carvalhelhos
Enrolo os eles e atrapalho-me com os agás

Vitalis tem nome
Luso é fama
Pedras a evocada
Fastio o proveito

Marcas de água
de tinta pouco permanente.
O meu amor por Carvalhelhos
É pena, é romance,
é coisa que ninguém entende

Nascente transmontana,
Que cedo nos leva na corrente,
Este amor que nos une
é coisa que ninguém entende

Que outros gozem o fausto
Que outros desejem
o que não podem almejar.
A água peço pelo nome.
Carvalhelhos é fácil de lembrar


[Rodrigo Moita de Deus] o acidental

PS: Ao Diogo...para que não sinta saudades.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:11 AM | Comentários (1)

Notas para uma redefinição da cultura

Vamos desfazer mitos: Em Portugal existem três ou quatro intelectuais e nenhum deles aparece na televisão, subsidiar teatros é estar a pagar aos amigos, inaugurar bibliotecas é um desperdício de dinheiro e a esmagadora maioria da esquerda pensante roça o analfabetismo cerebral.
Discutir cultura não é discutir “casas-museu”, “arte”, “intelectualidade”, “bailado contemporâneo” mas também não é discutir a ideologia de Ary dos Santos. Discutir estes conceitos é discutir “cultura” como a esquerda nos ensinou. Não nasce nada de novo e eles ganham sempre.
Quando a direita entender isto, deixará de discutir orçamentos.

Rodrigo Moita de Deus O acidental

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:48 AM

Dinheiro

Tlim Tlim.
Chocalha nos bolsos dos anónimos transeuntes, nos chapéus dos excluídos sedentários, na mente alarmante de muitos. Achincalha-os num riso de escárnio, cínico, escondido.
Tlim Tlim.
Piscinas cheias, para dar um mergulho, nadar, fazer a limpeza regularmente. Outras vazias; incham galos, torcem pescoços desprevenidos, rasgam fissuras nos músculos, esmigalham ossos. Crac!
Tlim Tlim.
Chove do céu. Uns com parabólicas globalizadas, outros com chapéus-de-chuva revirados e alguidares de descobrir ervilhas e, pior, funis minúsculos.
Tlim.
Começa a escassear, que se passa?
Ouve-se uma gota de torneira a pingar numa cadência tortuosa, irregular.
Hipnotizas-te. No cheiro de notas recortadas de papel de lustro, de ouro na brasa, abrasivo, de metal de moedas a tilintar-te nas narinas. Queres sentir-lhe os veios, dizer-lhe bom dia, boa sorte, bom apetite, 'tás bom, boa noite, dorme bem, bons sonhos, lucrativos, de preferência. Caso contrário são um desperdício.

Estórias d'embalar


Publicado por [Rick Dangerous] às 02:36 AM

maio 02, 2005

Sarrafada em Celorico de Basto 1470

O Spectrum continua a alargar a sua rede de colaboradores por esse mundo fora.
Como achamos que Paris e Berlim não têm contribuído como poderiam, decidimos contactar o nosso correspondente na corte do D. Afonso V a saber de novidades, cujo lá se dignou enviar esta carta truncada e transcrita às três pancadas (e com as limitações do blog) de uma cena de porrada e baixaria em Celorico de Basto em 1470. Que vos dê tanto prazer a ler como deu a transcrever.
Um chupa-chupa a quem souber o significado de "Rapazes" (logo antes de "fi des putas")!

"Dom afomso etc A todollos Jujzes e Justiças dos nosos Reignos a que esta carta for mostrada Saude

Sabede que o conçelho e homeens boons d atey honrra de dom fernando de meneses do noso conselho nos emviarom dizer que estando elles seguros sob guarda de deus e nosa nom fazendo nem dizendo mall algua pessoa que fernam coutinho mandara ao dicto logo de atey huu luis aluarez seu escudeiro E meem rrodrjguez e lopo martjnz morador em canedo termo de çellorico de basto., E outros homeens de pee armados d escudos e lanças e espadas dizendo que queriam tomar per força huu laurador que sse veera do dicto logo de çellorico morar ao dicto llogo d arey

E que tanto que ao dicto lugar chegarom começarom de os doestar chamando lhes Rapazes fi des putas cornudos dizendo lhes outras mujtas maas pallauras desonestas E que veendo elles aquello lhes diserom que se fosem em boa ora E os nom desonrrasem que sse algua cousa queriam que Requeresem o Juiz ou ho seu ouuidor do dicto dom fernando e que lhes fariam dereito dizendo lhes elles que nom eram alli vijndos por ijsso.,, mais que fariam o que lhes Era mandado. que emforcariam dous ou tres delles ., mouendo contra elles doestando os de mujtas desonestas pallauras.

E que veendo elles como os sobredictos moujam contra elles começarom de chamar da nossa parte (isto é, "Aqui del Rei", ou coisa parecida!)., No quall apillido acudirom todollos moradores do dicto logo d arey asy homeens como molheres E se emvurilharom todos huus com os outros em aRuido do quall aRuido ssayrom feridos os dictos lujs aluarez e meem rrodrjguez e lopo martjnz., E que o dicto lopo lujs aluarez sse veera a morrer e os outros eram saaos e sem alleyjom das dictas feridas.," (...)

Publicado por [Renegade] às 08:30 PM

Camarada Cavaco

"Ninguém pode dizer que os sindicatos estão a criar problemas à modernização das empresas"

Cavaco Silva, Público (tirada da pág. 22 do suplemento economia).

Publicado por [Renegade] às 08:15 PM

Oh, Rick, manda lá estes gajos pró caralho

Escrever pseudo-anonimamente num blog tem destas coisas. Hoje fui à faculdade (ali na Av. Berna) num intervalo entre dias de trabalho e abanquei na ágora amarela para dois dedos de conversa enquanto esperava pela aula que não houve. Assim fiquei a saber que afinal ainda há pessoas que eu respeito que lêm este blog (e aproveito para agradecer agora os elogios que a emoção profunda não me permitiu exprimir na altura).

Também fiquei a saber por estas pessoas que há pessoas que eu não respeito a lerem o spectrum. Como a coisa não me é dirigida e eu nunca respondo à correspondência alheia (embora possa lê-la), não digo mais nada.

Publicado por [Renegade] às 08:07 PM | Comentários (2)

adivinha quem voltou

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O presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, aceita candidatar-se pelo CDS-PP nas próximas eleições autárquicas, depois de ter concorrido como independente em 2001 por estar suspenso do partido desde que aprovou um orçamento de Guterres em troca de uns investimentos no seu distrito.

Ribeiro e Castro, o homem da esquerda da direita já começa a marcar pontos.

Publicado por [Paradise Café] às 05:43 PM | Comentários (1)

maio 01, 2005

6-1 4-6 6-1

06gaston.jpg

Gaston Gaudio ganha de forma impressionante o Estoril Open. Finalmente um campeão decente neste misero torneio de lusas terras.

Publicado por [Paradise Café] às 09:43 PM

1º de Maio revisited

trabalho.bmp

Muito ao contrário do que outrora diziam os socialistas, isto é, que o capital se concentraria dentro em pouco num tão reduzido número de possuidores que bastaria expropriar alguns desses milionários para que todas as riquezas fossem comuns, - o número dos que vivem à custa do trabalho alheio aumenta cada vez mais.

Kropotkine, A Conquista do Pão

Temos de libertar as nossas várias personalidades é o facto de termos de exercer no mundo uma profissão, de termos de ter um trabalho.
(...) então o segredo para nós podermos desenvolver a nossa personalidade vai ser o de ver de que maneira vamos abolir no mundo a obrigação do trabalho, de que maneira vamos organizar as coisas de modo a que as coisas materiais, digamos, as máquinas, trabalhem para nós. Ora, para construir máquinas, só podemos fazê-lo sob o império do imprevisível. Nunca ninguém enamorado do imprevisível conseguiu construir uma máquina. Então foi preciso que a Humanidade vivesse completamente no domínio do previsível e no qual provavelmente, vai ter de continuar ainda algum tempo, anos ou séculos, não sabemos,para que realmente a máquina chege à sua máxima elaboração, cujo fim será o de nunca nos oprimir. em que só tenham de trabalhar com ela os homens que lhe tenham amor, homens que estejam apaixonados pela máquina.


Agostinho da Silva, Vida Conversável

Publicado por [Paradise Café] às 12:34 PM | Comentários (1)