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maio 03, 2005

Dinheiro

Tlim Tlim.
Chocalha nos bolsos dos anónimos transeuntes, nos chapéus dos excluídos sedentários, na mente alarmante de muitos. Achincalha-os num riso de escárnio, cínico, escondido.
Tlim Tlim.
Piscinas cheias, para dar um mergulho, nadar, fazer a limpeza regularmente. Outras vazias; incham galos, torcem pescoços desprevenidos, rasgam fissuras nos músculos, esmigalham ossos. Crac!
Tlim Tlim.
Chove do céu. Uns com parabólicas globalizadas, outros com chapéus-de-chuva revirados e alguidares de descobrir ervilhas e, pior, funis minúsculos.
Tlim.
Começa a escassear, que se passa?
Ouve-se uma gota de torneira a pingar numa cadência tortuosa, irregular.
Hipnotizas-te. No cheiro de notas recortadas de papel de lustro, de ouro na brasa, abrasivo, de metal de moedas a tilintar-te nas narinas. Queres sentir-lhe os veios, dizer-lhe bom dia, boa sorte, bom apetite, 'tás bom, boa noite, dorme bem, bons sonhos, lucrativos, de preferência. Caso contrário são um desperdício.

Estórias d'embalar


Publicado por [Rick Dangerous] às maio 3, 2005 02:36 AM