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março 12, 2005

O Poder

Sinto cada vez mais próximos os fumos do poder.

A minha experiência nos círculos do poder de Estado resumia-se, até hoje, a duas bacalhauzadas à ex-Ministra Maria de Belém, no princípio e no fim de uma reunião sobre cursos nocturnos universitários, quando a simpática senhora ministrava igualdade a partir do ostracismo guterrista do Palácio Foz, aos Restauradores.

Até hoje. Porque daqui em diante já posso ostentar alguns tête à têtes com o novel Sec. Estado da Justiça e com o Sec. Estado Adjunto e da Educação, e posso acrescentar que é para mim motivo de orgulho manter amizade com um familiar do novo Sec. Estado do Emprego e da Formação Profissional.

Mas a cereja em cima do bolo é mesmo o ter partilhado quinzenalmente a amena companhia do novo Sec. Estado da Cultura numa famosa instituição de ensino superior. Recordo com certa nostalgia as tardes passadas em discreta conversa sobre uma reestruturação curricular, o processo de Bolonha, o INAFOP (meu deus, o INAFOP, que saudades...), as substituições de serviço docente, os aumentos de propinas e o subfinanciamento do ensino superior...isto para não falar daquelas questões mais obscuras e de problemática resolução como a do escandaloso número de sanitas e urinóis vandalizados nos WCs da faculdade...

Sobre este último aspecto posso garantir que o novo Sec. de Estado da Cultura não ignora que há uma relação directa e imediata entre o número de sanitas partidas e a falta de limpeza dos rebordos das ditas sanitas nos WCs universitários para o sexo feminino. É que, obrigadas pela natureza a fazê-lo sentadas, preferem as ditosas meninas encavalitar-se em precário equilíbrio e assim obrar, mantendo a distância segura os germes a seus pés. Daí que, por vezes, a sanita não aguente a pressão, e aquilo que era um conjunto harmonioso de louça Valadares passe a cortante monte de cacos.

Isto recorda-me uma saudosa sanita vermelha, verdadeira retrete do poder estudantil, palco de crítica literária, peça de instalação em arte de intervenção política, que nunca serviu para o que tinha vindo ao mundo, a saber, uma valente cagada.

E assim, falando de merda, voltamos ao princípio e se fecha o post onde tinha começado.

Publicado por [Renegade] às março 12, 2005 12:01 AM

Comentários

Mas subsiste a dúvida; estamos perante a merda do poder ou, o que me parece mais verosímil, o poder da merda?

Publicado por [JRD] às março 12, 2005 12:28 AM

A propósito das sanitas: se pusessem uns toalhetes húmidos para limpar o rebordo da sanita, se calhar havia menos sanitas partidas ou danificadas... Mas provavelmente nao passa pela cabeça de ninguém.

Publicado por [snowgaze] às março 12, 2005 10:06 PM

Era uma possibilidade. Outra era colocar distribuidores daquele funil para as meninas mijarem de pé. Lá na escola reforçou-se a limpeza.

Publicado por [Renegade] às março 12, 2005 10:50 PM