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março 21, 2005

E ainda se queixam?!

Seis agentes mortos desde 1999 (continua em baixo)

Este título do Público diz tudo sobre a polícia destomatada que temos e de como o clamor público contra a insegurança só pode redundar em falsificação da realidade e instrumento perigoso em mãos ultra-securitárias. Morreram 6 agentes da PSP em serviço desde 1999! Ai Jesus, que desgraça, este país é um faroeste! Portugal é um dos países mais seguros do mundo para quem trata da imposição da ordem.

Morre mais gente por mês em acidentes de trabalho do que os mortos em serviço em 5 anos na PSP. Arrisco-me a dizer que há poucas profissões tão seguras como a de agente da PSP, além de estarem todos contratados com vínculos de trabalho seguros e duradouros, com as consequentes regalias no que toca a compensações em prestações por morte, invalidez ou incapacidade temporária.

Sindicatozinhos pequeninos que ainda não o são e só servem para tratar dos interesses do umbigo. Quando os agentes da PSP matam e torturam pessoas ninguém os ouve piar. A mim não me emprenham pelos ouvidos.

O tiroteio da madrugada de ontem na zona da Amadora elevou para seis o número de agentes da PSP mortos em serviço nos últimos seis anos, três dos quais no primeiro trimestre deste ano. Os quatro casos de assassinatos com armas de fogo aconteceram todos na Amadora. Há cerca de um mês, outro agente foi morto a tiro quando seguia com um colega - que ficou ligeiramente ferido - numa patrulha no bairro da Cova da Moura, na Amadora. Em 2002, morreram dois polícias, um abatido a tiro na Amadora e outro na sequência de um atropelamento intencional em Algés. Em 2003, morreu um agente em serviço, também após atropelamento intencional, mas em Vila Real de Santo António. De acordo com dados avançados à Lusa pela Direcção Nacional da Polícia de Segurança Pública, o número de agentes da PSP feridos em serviço desde 1999 ascende a 2800, número que segundo a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP) peca por escasso.

Publicado por [Renegade] às março 21, 2005 03:07 PM

Comentários

"Outro factor que contribui para que a actuação policial seja muitas vezes desproporcionada e violenta está relacionado com as deficientes condições de trabalho, insuficiente formação e ausência de regulamentação para, por exemplo, o uso de armas, das forças policiais. Os salários são baixos, não há subsídio de risco, as esquadras estão degradadas, os meios são escassos, as armas estão obsoletas, etc. Tudo isto torna os agentes policiais susceptíveis a acessos de nervosismo e violência em situações de risco, a atitudes autoritárias, descontroladas e discriminatórias. Este factor conjuntamente a tudo o que já foi exposto anteriormente – política de permissividade e de legitimação da violência policial por parte do governo e das instituições, sentimento de impunidade e corporativismo das forças policiais – torna muitos dos elementos da polícia em “bombas relógio”, levando a que muitos civis, nomeadamente os pertencentes aos grupos sociais já referidos, se sintam inseguros na sua presença. O comentário feito por uma pessoa que trabalha no bairro da Bela Vista, por ocasião do caso já referido, evidencia isto claramente: “Se há aqui alguém que mete medo é a polícia, não são as pessoas do bairro”. "

és um palhaço

Publicado por [putz] às março 22, 2005 03:30 PM

É que às vezes também tenho acessos de nervosismo. Não insultes os palhaços que eles nunca fizeram mal a ninguém.

Publicado por [renegade] às março 22, 2005 10:07 PM

Ser polícia não é fácil, não é propriamente o mesmo que ser empregado de escritório ou escrever num blog. Se é certo que o número de mortes de agentes da ordem possa eventualmente ser reduzido (não conheço os números de outros países) é certo também que esse número tem aumentado, a par do aumento exponencial do número de agressões e injúrias a esses mesmos agentes. Isto revela a transformação social em curso em Portugal, temos cada vez mais gente excluída e desprotegida, ora, um país em que se cultiva a injustiça social tem de estar preparado para o aumento da violência, violência essa que se dirige não aos que promovem e se alimentam dessas injustiças mas sim ao comum cidadão e àqueles que para ganhar a vida escolheram ser polícias. Não me transtornaria nada que o assassinado desta vez fosse um banqueiro, infelizmente isso é inverosímil. Além disto é preciso não esquecer que os polícias actuam em ambientes muito hostis onde proliferam as ameaças, condenando a violência e a repressão policial gratuitas é necessário também não retirar, de forma demagógica, à polícia os meios para agir com firmeza. Se é importante uma política de integração dos habitantes de tais guetos, não podemos cair na utopia de achar que isso resolverá o problema por si. A par de tudo isto é preciso gerir com ponderação a maneira como se analisa estes casos, tendo em conta que a ameaça populista e xenófoba prolifera rapidamente ao mesmo tempo que as populações anseiam por mais protecção. Quanto ao julgamento feito aos sindicatos da polícia, acho que são comentários infelizes, independentemente da dimensão ou orientações desses sindicatos, é de louvar, que ao fim de tanto tempo os polícias tenham finalmente os meios para se defenderem enquanto classe profissional, como aliás, sempre defendeu a esquerda.

Publicado por [Jeremias] às março 22, 2005 11:43 PM

De acordo Jeremias, tudo isso é do senso comum. Depois, é claro que as polícias e forças militarizadas devem poder organizar-se para lutar pelos seus interesses. O estado democrático deve aguentar tudo isso.
Os comentários podem ser muito infelizes (embora o adjectivo te ande na boca frequentemente). O que não deixa de ser verdade é que ninguém os ouve (o pessoal das marchas e protestos) quando são torturadas e mortas pessoas por gente que faz parte das corporações que os para-sindicatos constituídos dizem querer representar. Ou seja, reproduzem o espírito de corpo e protegem-se e é também (também, repito) para isso que os sindicatos virão a existir, para tratar dos interesses da rapaziada das polícias (os trabalhadores das forças de segurnaça. se quiseres), que não se confundem com os interesses do resto dos trabalhadores porque a função, o papel na estrutura social não é a mesmo. Eles têm as armas e mantêm a ordem pela força e respondem aos interesses dominates na sociedade através de uma cadeia de comando. De resto, gente séria somos todos.

Publicado por [Renegade] às março 23, 2005 01:07 AM

who do you call? the ghostbusters!

Publicado por [xico] às março 23, 2005 03:25 PM

As minhas raízes transmontanas, fazem de mim familiar, colega dos tempos de escola, conterrâneo e amigo de muitos policias… a eles só posso desejar sorte no cumprimento do dever…
Porque cabe ao Estado, dotar as forças policiais do material necessário à especificidade e dignidade das suas funções, entendo ser o Estado responsável pela falta de condições materiais para a boa manutenção da ordem pública, e defesa da integridade física de cada agente…
Agora, misturar vencimentos com desempenho das funções, os meus amigos policias e os seus sindicatos que me desculpem, pois “quem não está bem que se mude”, é desta forma que funciona a economia de mercado, e se é valida para todo e qualquer privado, deveria valer para quem igualmente serve o Estado e as suas Empresas…

Publicado por [xico] às março 24, 2005 02:55 PM