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fevereiro 28, 2005

É fazer a conta

Uma visita ao site da CNE permite tirar a limpo as palavras de Jerónimo de Sousa no domingo à noite.
Todos falam da primeira subida em muitos anos ou da inversão de uma tendência antiga - Casanova disse mesmo que tinha esperado "mais de vinte anos para assistir a uma vitória como esta", mas poucos fazem as contas.

Em Outubro de 1999, a CDU teve 487058 votos, equivalente a 8,99% do total e elegeu 17 deputados.
Em Março de 2002 - já depois das catástrofes das presidenciais de Janeiro e as autárquicas de Dezembro de 2001, às quais assistimos com as mãos na cabeça enquanto a fracção m-l levava o PCP para o abismo - a CDU teve 379870 votos, equivalentes a 6,94% do total (o pior resultado em eleições legislativas desde o 25 de Abril )e elegeu 12 deputados. Perdeu 107188 votos, dois pontos percentuais e 5 deputados.
Em Fevereiro de 2005, num país com 500 000 desempregados, que vive a pior crise económica da união europeia, perante uma ofensiva generalizada da direita, do patronato e do grande capital, a CDU obteve 432005 votos, equivalentes a 7,56% do total e elegeu 14 deputados.

Na cidade de Lisboa, por exemplo, a CDU teve 28960 votos (8,23%), contra 30651(8,71%)do Bloco de Esquerda. Em Oeiras, respectivamente 7167( 7,68%)a CDU e 9223( 9,89%) o Bloco de Esquerda. Na Amadora a CDU teve mais 3000 votos do que o Bloco, mas em Sintra, o Bloco obteve 17426( 10,21%) e a CDU 16715(9,79%).
A CDU continua a ter muitos votos na margem sul, mas no concelho de Setúbal a diferença para o Bloco é apenas de 3000 votos.
No distrito de Aveiro, região industrial do calçado, da deslocalização e do desemprego, o Bloco obteve 19833( 5,09%) votos e a CDU 13784( 3,54%). Para quem afirma que as classes sociais não são apenas índices estatísticos, seria importante pensar seriamente no significado político mais sério desta ultrapassagem. Por outras palavras, quem captou ali o voto do descontentamento social?

Voltando ao que motivou inicialmente este post, os resultados da CDU estão a ser alvo de uma leitura mistificatória e revisionista (tomem lá) do que foram realmente os últimos resultados eleitorais.
Semelhante leitura, que os dirigentes do PCP tentam por todos os meios reforçar com a a colaboração da comunicação social burguesa (tomem lá), permite desmentir e recusar não só a descontinuidade real introduzida na história do PCP (eleitoral e não só) pelo XVI congresso, como aquela outra que entre 1998 e 2000 foi introduzida e construída por vários sectores da organização partidária na sequência da derrota eleitoral nas autárquicas de 1997.
Tal como as contas acima apresentadas demonstram, e se a ela juntarmos os resultados de 1995, em que a CDU obteve 506157, equivalente a 8,57% do total e elegeu 15 deputados. Como se vê, a CDU em 1999 elegeu mais deputados e obteve uma maior percentagem de votos, mesmo que o seu número absoluto de votos tenha sido mais baixo. Num contexto de aumento da abstenção, perdeu menos votos do que outros partidos e obteve uma representação superior na Assembleia da República. Chama-se a isso uma vitória e chamou-se a isso, muito justamente, uma inversão de tendência e uma recuperação relativa ao resultado anterior. Quando digo "chamou-se a isso", quero evidentemente dizer que o Comité Central do PCP analisou desse modo os resultados, e Outubro de 1999 foi o prenúncio de um crescendo de lutas sociais, com um surto de greves nos transportes metropolitanos, boas mobilizações da CGTP e a gigantesca luta dos estudantes do secundário.



Olhando para trás e dando uma parte do braço a torcer (com a humildade que me é reconhecida) relativamente ao debate que tivemos nas últimas semanas acerca dos significados e efeitos das eleições, lembro-me de ter tido nesse ano que vai das eleições ao XVI congresso do PCP, a impressão de uma correlação de forças mais favorável e outro tipo de entusiasmo e confiança dos militantes e activistas um pouco por todo o lado, bem em contraste com o que foram os anos que se seguiram e as mobilizações obtidas de 2001 a esta parte.
A greve geral de 2002 e o Fórum Social Português parecem-me bem o exemplo do que digo e o único contraste significativo, para além de uma ou outra mobilização mais combativa da CGTP, foi o da gigantesca manifestação contra a guerra mundial ( e é significativo que a sua origem fosse uma dinâmica de mobilização à escala planetária).

Mas pelo que percebi, agora que o Bloco tem dinheiro do parlamento para abrir sedes em todos os grandes centros urbanos, o movimento social está em condições de ganhar forças.
Ganhar forças para consolidar claro está.

Publicado por [Rick Dangerous] às 10:35 PM | Comentários (2)

Grande Prémio Ligação às Massas

Fiquei de dar eu os resultados do Grande Concurso de Ligação às Massas e ainda não o tinha feito…

Por um lado, porque não tenho tido tempo, visto que assumi novas funções aqui na Companhia, que me deixam pouca disponibilidade para o Spectrum.

Por outro lado, é também dor de cotovelo:

Fiquei em 17º lugar, apesar de quase todos os meus pressupostos estarem correctos: Maioria absoluta para o PS, reforço do BE, CDU e CDS sem grandes variações… Fui traído pelo Paulinho das Feiras e pelo Jerónimo. O primeiro surpreendeu-me no resultado pela negativa e o segundo pela positiva. Bem, ainda bem assim…

A Snowgaze, leva assim o prémio de 25 Euros, mais o livro de pensamentos e aforismos de G.W.Bush Junior, por ter sido a pessoa que, mesmo distante de toda esta confusão (lê-nos em Munique), conseguiu perceber o verdadeiro sentir do Povo Português, os seus mais profundos anseios e aspirações. Parabéns.

Já agora, também parabéns ao Bernardino e ao Jumping Jack: 2º e 3ºs Classificados respectivamente. Não levam um chavo, claro, mas parabéns

Publicado por [Saboteur] às 08:02 PM | Comentários (4)

fevereiro 27, 2005

Já reparou que Lisboa está mais bonita?

Tunel.jpg

O “Inimigo Público” em Televisão ainda agora começou. Não está mal mas a edição impressa é melhor.

De qualquer forma, gostei da entrevista que fizeram ao brasileiro que tratou da campanha do PSD nestas eleições legislativas…

A certa altura, a jornalista fez-lhe uma pergunta genial: “Mas chegaram-lhe a pagar??!” – perguntou incrédula… “Sim…", respondeu o brasileiro com ar de gozo.

A pergunta tem várias leituras divertidas: A campanha foi tão má que nem devia ter sido paga; o Santana é tão aldrabão que perdendo dá o dito pelo não dito e não paga a campanha… etc, etc. Mas o maior gozo foi o do brasileiro…

De facto, a Campanha já estava paga há muito tempo: Toda a publicidade da Câmara Municipal de Lisboa, desde o “Já reparou que a cidade está mais bonita”, à publicidade das festas de Lisboa, dos folhetos, aos cartazes vários, tudo foi adjudicado sem prévio concurso público à equipa deste brasileiro, que tem feito bastante dinheiro desde que começou a trabalhar cá em Portugal - à custa do erário público – e que por isso decidiu oferecer a preço de amigo os seu préstimos ao Dr. Santana Lopes.

Publicado por [Saboteur] às 11:19 PM | Comentários (1)

Polícia de proximidade

Um nazi, detido com uma arma ilegal na quinta de Loures em que se organizou o famoso concerto nacionalista no verão, considerado perigoso pelos departamentos da PSP que acompanham a extrema-direita e as claques de futebol (e que aguarda julgamento por ter espancado algumas pessoas na Figueira de Foz com mais elementos do grupo 1143), foi apanhado já em outubro no Alvaláxia com uma arma, autorizada por outro departamento da PSP.
Importa destacar que este grupelho de fachos se está a organziar na Frente Nacional, a fazer do PNR a sua frente eleitoral e aderiu recentemente à Internacional Nazi, mais conhecida por Hammerskins Nation, conhecida por exigir aos seus membros demonstrações de fidelidade assentes no assassinato ou agressão a figuras conotadas com a imigração e a defesa das minorias étnicas. Uma lista de nomes/alvos foi encontrada pela PSP em casa de um nazi, com nomes de pessoal do SOS racismo.
Sem os amiguinhos fardados e endinheirados, sobreviveriam estes imbecis à sua própria estupidez?

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:36 AM | Comentários (1)

Os suspeitos do costume

Segundo a PJ, a mãe da pequena Joana deu um grande trambolhão escada abaixo e ficou com algumas marcas em todo o corpo.


Publicado por [Rick Dangerous] às 01:31 AM | Comentários (3)

fevereiro 26, 2005

Para a nossa correspondente em Paris

Atenção Shift, também no Expresso se diz que "Nuno Miguel Guedes, ex-assessor de Paulo Portas no Ministério da Defesa, foi nomeado pelo Governo, com efeitos a partir de 1 de Fevereiro, para assessor de imprensa na Embaixada de Portugal em Paris.".

Se estiver cai-não-cai, empurra-o.

Publicado por [Renegade] às 03:35 PM | Comentários (4)

Zambujo faz auditoria a Isaltino

Oeiras continua na crista da onda. O título do post é copiado do Expresso de hoje e o seu significado é tudo menos literal (visão grotesca essa, de Teresa Zambujo a auditorar Isaltino de Morais num qualquer hotel com vista para a Auto-Estrada A5, a água a correr na banheira enquanto se ouve o tlim-tlim de duas taças de champanhe...).

Ficamos a saber que a Presidente da CM Oeiras enviou para a Procuradoria-Geral da República uma auditoria que concluiu pela existência de ilegalidades em programas de habitação social promovidos pela autarquia desde 1998 (englobando a gestão do Isaltino). A auditoria terá sido ordenada em Agosto passado.

Em final de Agosto passado Isaltino dizia assim sobre Teresa Zambujo no Jornal do Imobiliário, enquanto lançava a sua candidatura à CM Oeiras (links para dois posts de Deco no Assédio).

Entretanto, ao que se julga em resposta à intenção de Teresa Zambujo concorrer à CM Oeiras, expressa em 31 de Janeiro, Isaltino anunciou mesmo a sua candidatura à CMO em vésperas de campanha eleitoral, a 2 de Fevereiro.

Na mesma notícia do Expresso refere-se que a CM Oeiras decidiu esta semana, por unanimidade, alargar as investigações a todos os programas de habitação social desde 1994, ano em que Isaltino atribuiu o pelouro a David Justino, prof. de Sociologia na FCSH-UNL, ex-Vereador na CM Oeiras, deputado da nação, ex-Ministro da Educação e uma ligação qualquer à Univ. Atlântica que agora não me lembro.

A luta continua e ninguém sabe o que vai acontecer...
Será que Isaltino recua na candidatura?
Será que Teresa Zambujo vai até ao fim com a caça às bruxas (que as há, há!)?
Para já o PSD local e seus caciques parecem alinhar com Zambujo...ou não teriam votado por unanimidade a segunda auditoria.
Será que acabam todos numa sardinhada à Integralismo Lusitano, Ok boss, tudo numa nice, uma trip fenomenal, proibido voltar atrás, J. Pimenta forever...?

Pena é que na oposição não haja projectos de poder credíveis para fazer melhor. Um dia falarei sobre isso.

Publicado por [Renegade] às 02:51 PM

fevereiro 25, 2005

Há sempre um referendo na manga

A rentrée política ficou marcada pelo retorno da questão do aborto. O Guedes resume as posições em confronto e diz que lhe parece que a não posição do Sócras sobre a convocação de um referendo é equilibrada. O Vale de Almeida discute o assunto com a habitual destreza intelectual para chegar à quadratura do círculo. A discussão na caixa de comentários é interessante e merece visita.
Antes das eleições, já tinha eu lido e chamado a atenção aqui no Spectrum para este bom texto da jornalista do Público Maria José Oliveira, a pôr os pontos nos ii:

"Eu tenho vergonha deste país: o mais que provável governo socialista que sair das eleições do dia 20 vai repetir o mesmo erro - reincidindo num referendo, com a concordância do Bloco de Esquerda e o protesto do PCP -, num claro sinal dos cordelinhos que o putativo candidato presidencial dos socialistas, António Guterres, já anda a mexer no interior da direcção do partido. Foi este o mesmo homem que em 1998, aparentemente à revelia da sua própria bancada parlamentar, firmou com Marcelo Rebelo de Sousa, então líder do PSD, um acordo para referendar o aborto nas vésperas da alteração da lei na Assembleia da República. Satisfez-se a vontade dos homens da Igreja. Que está já a formar exércitos de gente hipócrita que pragueja contra um dos mais elementares direitos humanos: uma maternidade e paternidade conscientes."

Agora, parece que o PS do Sócras anda a ver se consegue atirar o referendo para as calendas, lá para quando o Cavaco Silva já for Presidente da República, ou pior ainda (deste ponto de vista), o António Guterres.
Quer dizer, nem para resolver isto serve uma maioria absoluta no parlamento e uma maioria sociológica eleitoral conjuntural de 65% dos votos.
Que nojo de gente, só nos saem duques, foda-se...

Publicado por [Renegade] às 10:28 AM | Comentários (5)

fevereiro 24, 2005

Neo-realismo à portuguesa

Isto a propósito de prática desportiva e de um célebre inquérito aos hábitos de actividade desportiva dos portugueses que nos colocava no cú da europa.

Não sei se já alguém ouviu falar da grande clássica do ciclismo português amador que é a prova Paço de Arcos-Cascais-Paço de Arcos? Não?... Pois devo informá-los que o vencedor homologado na edição de 2005 realizada há cerca de duas semanas fui eu próprio, com o tempo de 4H30M, mais ou menos.

Não foi pêra doce. Desde logo a estrada não é boa, tem um gajo que andar sempre a pedir licença para passar a peões e automobilistas, a desviar dos buracos, a empurrar automóveis para a faixa da esquerda, a responder com esgares de esforço e meneios de cabeça aos cumprimentos efusivos dos simpáticos transeuntes (nestas coisas o público atrapalha mais do que ajuda, como pode confirmar qualquer ciclista profissional).

Depois da estrada vem o passeio, normalmente quando a integridade física do atleta começa a estar comprometida. O passeio à portuguesa é uma aventura e uma autêntica súmula das mais exigentes provas físicas e técnicas. Pense-se no slalom gigante por entre os milhares de postes de electricidade, barreiras de estacionamento, sinais de trânsito e semáforos, árvores, buracos no calcário, automóveis estacionados e a sair de garagens e a estreiteza de uma pista com uma média de meio metro de largura por onde também andam, calcule-se, os Armandos deste país, um bocadinho a pé, um bocadinho andando. Pense-se na perícia necessária para subir e descer centenas de bermas absolutamente quadradas, ao estilo _/ ou _|, todas de alturas diferentes. Tudo isto com um olho no burro e outro no cigano, como diria um célebre funcionário político, isto é, um olho no passeio e outro no BMW da tiazóca que se apresta para atirar o ciclista ao alcatrão. Pense-se ainda na absoluta solidão de uma tal empresa. Em vão se procuraram comparsas de jornada pelas estradas de Oeiras e Cascais.

Portugal é um país inimigo da bibicleta. Neste aspecto nem a Comunidade Europeia nos valeu com as suas directivas. Tirando raros casos de investimento público, que não conheço tão bem como gostaria, como Aveiro e Figueira da Foz, andar de bicicleta em contexto urbano português é um convite ao suicídio. Não há políticas activas nas autarquias nem a nível governamental para reconverter o espaço urbano à prática da bicicleta. Por outro lado, não conheço nenhum caso de urbanizações planeadas, projectadas e construídas nos últimos 20 anos que incluam pistas cicláveis em plano de igualdade com a porcaria da calçada à portuguesa e/ou com o alcatrão. Ninguém faz nada. Nem a esquerda, nem a direita (onde andas, projecto autárquico CDU?). O preço do metro quadrado é demasiado caro para os escrúpulos dos nossos autarcas de palmo e meio.

Conheço bem a cidade de Paris e seus arredores e sei bem o que é ter uma rede de pistas para bicicletas que permite circular quase sem interrupções em toda a Île-de-France (região parisiense), ligando mais de OITO milhões de pessoas. Associados a isto andam movimentos sociais com cadernos reivindicativos muito interessantes que movimentam milhares de pessoas.
É por causa desses maus exemplos que custa esta pequenez portuguesa de país remediado e tão, tão incompetente.

Publicado por [Renegade] às 11:47 PM

As anedotas do Renegade

principe.carlos.jpg
são tão interessantes como esta dupla

Publicado por [Operation Wolf] às 12:25 PM | Comentários (2)

fevereiro 23, 2005

Bons velhos tempos



Picasso es pintor, yo también; Picasso es español, yo también; Picasso es comunista, yo tampoco.
Salvador Dali

Publicado por [Rex] às 10:51 PM | Comentários (1)

Marchar sobre S.Bento

Queremos tod@s ser assessores/as parlamentares...


Publicado por [Rick Dangerous] às 06:08 PM | Comentários (1)

Eu sempre pedi a deus...

Hino da Albânia monárquica e socialista

Rreth flamurit të përbashkuar,
Me një dëshirë dhe një qëllim,
Të gjithë Atij duke iu betuar,
Të lidhim besën për shpëtim.

CHORUS
Prej lufte veç ay largohet,
Që është lindur tradhëtor,
Kush është burrë nuk frikësohet,
Po vdes, po vdes si një dëshmor.

Në dorë armët do t'i mbajmë,
Të mbrojmë Atdheun në çdo vend,
Të drejtat tona ne s'i ndajmë,
Këtu armiqtë s'kanë vend.

CHORUS
Se Zoti vetë e tha më gojë,
Që kombe shuhen përmbi dhč,
Po Shqipëria do të rrojë,
Për të, për të luftojmë ne.

ENGLISH TRANSLATION

United around the flag,
With one desire and one goal,
Let us pledge our word of honour
To fight for our salvation

CHORUS
Only he who is a born traitor
Averts from the struggle.
He who is brave is not daunted,
But falls - a martyr to the cause.

With arms in hand we shall remain,
To guard our fatherland round bout.
Our rights we will not bequeath,
Enemies have no place here.

CHORUS
For the Lord Himself has said,
That nations vanish from the earth,
But Albania shall live on,
Because for her, it is for her that we fight.

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:48 PM

Obrigado Léon Davidovitch

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:05 PM | Comentários (2)

fevereiro 22, 2005

Executivo de Portugal 2005-2009 II

Joystick resolveu exilar José Sócras para a escandinávia. A mim parece-me que as litradas de sebo líquido que lhe escorriam da testa quando do discurso na noite de dia 20 revelam, pelo contrário, um homem quente, emocional, de nervo excitado, centro esquerda de influência brasileira.

Publicado por [Renegade] às 10:19 PM | Comentários (4)

Sobre os Discursos da noite eleitoral

Dos discursos da noite eleitoral, só não vi a do Louçã. Mas se o Barreto cascou na declaração do Louça, então deve ter sido uma boa declaração...

Ouvi dizer que ele passou logo à ofensiva, falando do desemprego e da IVG, apontando datas… Isso é muito bom. É o que faz falta à esquerda a sério: Passar à ofensiva o mais rapidamente possível. Deixar para traz as desculpas com a forte ofensiva ideológica do capitalismo, o discurso do é necessário cerrar fileiras e esperar pelos amanhãs que cantarão e ter audácia de avançar.

Ouvi o discurso-despedida do Paulo Portas. Foi o grande momento da noite. Sempre disse que o Portas era um sujeito perigosíssimo e se ele agora abandona a política mais activa, isso é uma coisa absolutamente extraordinária e devemo-lo à CDU por ter ficado em 3ª força política.

Se o CDS fosse a 3ª força, talvez ele não se tivesse demitido… Se bem que, segundo discurso dele, o que aparentemente lhe incomodou mais foi ter ficado “a menos de 1 ponto percentual dos Trotskistas”.

O segundo momento alto da noite foi a declaração de Santana.

O gajo tem-se em tão boa conta que nem sequer se apercebeu que não tinha hipótese nenhuma. É a situação inversa à do Portas: Quer ficar mas o partido quer pô-lo a andar... demorou quase 2 dias a perceber isso.

É uma pena. O homem até fazia um bom lugar. Por mim, lançava já um grande movimento de apoio à recandidatura de Santana à presidência do PSD.

O pior momento da noite foi o discurso de Sócrates. Parecia uma caricatura dos políticos feito pela malta do Gato Fedorento: todos os clichés imaginários; discurso quase sem conteúdo; declaração de intenções vagas e generalistas. Enfim: Sócrates no seu pior, até na noite da vitória.

Finalmente, o Jerónimo estava felicíssimo, e com razão.

Depois da CDU ter passado de 9,2 em 1999 para 6,9 em 2002. Voltou a recuperar 53 mil votos mostrando que o PCP é um partido ainda fortemente enraizado na sociedade portuguesa e de erosão difícil.

Para além disso, o Jerónimo, quando comparado com Carlos Carvalhas, é muitíssimo melhor. É impressionante reparar agora o quão mau era aquele Toninho… Também os tempos eram outros: Se em 99 alguém tivesse dito metade do que disse o Jerónimo sobre alianças com o PS, seria totalmente passado a ferro, acusado de desvio de direita.

Bem. O que sei é que a minha mãe e a minha tia (elas não são operárias da zona industrial de Setúbal ou Aveiro, como alguns as gostariam de imaginar) votaram pela primeira vez CDU, e foi por causa do Jerónimo.

Publicado por [Saboteur] às 09:45 PM | Comentários (7)

O Spectrum feito pelos seus leitores: Cidade Suspensa

Porque isto deve ser divulgado...

Rafa

Publicado por [Rex] às 03:38 PM

fevereiro 21, 2005

Executivo de Portugal 2005-2009

O Sr. "sou-capaz-de-discursar-uma-hora-sem-dizer-absolutamente-nada-intelegível-do-ponto-de-vista-político-repetindo-vinte-vezes-a-palavra-mudança-e-outras-tantas-confiança", eleito com maioria absoluta, declarou-se, hoje, como sendo de centro-esquerda de influência nórdica.

Publicado por [Joystick] às 07:07 PM | Comentários (1)

Sondagem

A nossa sondagem chegou ao fim. Os resultados finais ficam aqui.

Deixo as análises para quem quiseres comentar estes resultados.

Publicado por [Rex] às 03:30 PM | Comentários (2)

Era bom que fosse verdade...

Rex precepita-se.... Era bom que a demissão de Portas se concretizasse. Como tenho dito ele é extremamente perigoso. Mas acho que há um grande risco de o Partido lhe pedir para ele ficar e ele ficar mesmo.

Com o Santana é o contrário: Ele pede ao Partido para ficar mas o Partido vai correr com ele.

Publicado por [Saboteur] às 12:03 AM

fevereiro 20, 2005

Alegria menos moderada

Vai e não voltes!

(infelizmente ainda só para o que está à direita)

Publicado por [Rex] às 11:10 PM

SMS de Aveiro

O BE falhou a eleição por 70 votos.

Mais de 8.000 à frente da Ilda Figueiredo

Publicado por [Saboteur] às 10:10 PM | Comentários (4)

Alegria moderada

E pronto, agora é esperar para ver.

Os resultados das nossas apostas serão conhecidos dentro em breve.

Publicado por [Rex] às 08:06 PM | Comentários (1)

Notícias fresquinhas

Um amigo bem posicionado diz-me que o PSD não chega aos 30. PS com maioria absoluta e BE, CDU e CDS Taco a taco...

Se o BE tiver mais votos que o CDS-PP, à meia-noite em ponto irei cantar a Internacional no Largo do Caldas.

Quem quiser, que me acompanhe...

(nota: posso me atrasar alguns minutos, pois estou longe. Esperem por mim...)

Publicado por [Saboteur] às 07:45 PM | Comentários (12)

fevereiro 19, 2005

Cidade sem muros nem ameias

Hoje o telefone tocou cedo. Era a Maria José (nome fictício) a discar de um lugar perto de Viana do Castelo com uma pergunta certeira em dia de reflexão: onde é que a minha mãe votava porque ela também queria votar nesse partido.

A Maria José é prima da minha mãe em grau indeterminado (pelo menos para mim), uma daquelas parentes anónimas que abundam em toda a freguesia e que só os veteranos da família conseguem ainda identificar. Por que raio ligou a Maria José cá para casa? É que a minha mãe é daquelas primas-galinha que raramente perdem uma hipótese de renovar laços de parentesco com visitas dominicais, telefonemas trimestrais para saber as últimas dos filhos e dos netos, se o Zé Manel já saiu do hospital...tudo isto acompanhado da competente reciprocidade informativa sobre as novidades da família nuclear de Lisboa e da família alargada espalhada por esse mundo fora (ia dizer quatro partidas mas os dedos fugiram da expressão salazarenta). Não é de excluir que uma dessas conversas incluísse politiquices.

O telefone tocou, ela não voltou e a conversa eleitoral lá prosseguiu. Daqui perguntou-se onde é que ela votava normalmente. A Maria José respondeu que votava em dois, fazia sempre duas cruzinhas. Deste lado foi explicado que assim não podia ser porque só se podia votar num partido, se a Maria José fizer duas cruzinhas o voto não serve para nada, facto aparentemente lógico, mas só aparentemente, acrescente-se.

Esclarecida a questão processual passou-se à matéria de facto. Aqui a questão seguinte não foi a aparentemente lógica “Maria José, em que partido é que você vota normalmente?”, porque a lógica aqui é outra. A questão foi: “Maria José, onde é que vota normalmente o Augusto (nome fictício para marido)?”. “Ele vota no PS.”. Era portanto claro que a Maria José não queria votar no PS.

A minha mãe lá avançou que cá em casa os mais velhos votam na CDU, isto é, aquele partido com uma foice e um martelo no símbolo. “Olha que assim ainda vota no MRPP!! Diz-lhe que é o símbolo do girassol, já não pode enganar-se!” (este era o meu pai nos bastidores do aconselhamento eleitoral). E assim foi feito. É de crer que amanhã apareça mais um voto na CDU e menos um voto de duas cruzinhas quando se abrirem as urnas numa escola primária de uma freguesia do Alto Minho. Eu acredito.

Publicado por [Renegade] às 02:44 PM | Comentários (6)

Outro que não gosta do Louçã

Vale a pena ler e reflectir o editorial do Director do Diário Económico, publicado na edição do último dia de campanha eleitoral e disponível hoje - dia de reflexão - na net.

Publicado por [Saboteur] às 12:50 PM | Comentários (1)

fevereiro 18, 2005

Para o dia de reflexão...

Mafalda.jpg

Publicado por [Saboteur] às 07:00 PM | Comentários (5)

Mais 100 - a vida para lá da crise política

"Os 98 trabalhadores da Indesit sob ameaça de despedimento colectivo deverão rescindir os contratos de trabalho por mútuo acordo até 22 de Fevereiro, de forma a beneficiarem das contrapartidas oferecidas pela empresa, admitiu anteontem fonte sindical.

Segundo revelou à Lusa Manuel Neto, da Comissão de Trabalhadores da fábrica de frigoríficos de Praias-do-Sado, em Setúbal, a reunião realizada terça-feira com a administração da Indesit "não trouxe nada de novo, porque a empresa não abdica do despedimento colectivo".

"Após a saída dos 98 trabalhadores, seja através do despedimento colectivo ou da rescisão dos contratos de trabalho por mútuo acordo, a Indesit fica apenas com um total de 96 funcionários, 42 na linha de produção e 54 no apoio técnico e serviços comerciais", disse Manuel Neto, salientando que o despedimento colectivo "abrange todos os elementos das Organizações Representativas dos Trabalhadores".

Público 17/02/05

Publicado por [Renegade] às 11:11 AM

Recta Final

Com Domingo a aproximar-se, é bom lembrar que a nossa central de apostas continua aberta. Quem ainda não passou por lá, que carregue no link piscante aí do lado direito.

Publicado por [Rex] às 12:05 AM | Comentários (2)

fevereiro 17, 2005

O Spectrum divulga a primeira medida de Sócrates no governo

Tivemos acesso em primeira mão à primeira genial medida de José Sócrates como Primeiro-Ministro de Portugal (através do não menos genial André Pirralha):

Alargar a via do Infante

Publicado por [Renegade] às 09:56 PM | Comentários (6)

A banalidade da leitura

Quem nunca se perguntou quantos livros lê e quantos lerá até morrer? Em palavras menos cruas, uma vida equivale a quantos livros? Resolvi fazer as contas.

Se eu lesse 100 páginas por dia, leria 700 por semana. Na previsão de alguns ataques voluntários e temporários de cegueira, é melhor descer isto para as 550 páginas. Multiplicadas por 4 semanas, ficam cerca de 2000 páginas por mês. Multiplicadas por 52 semanas do ano, menos 6 semanas de férias distribuídas pelo Verão, Natal e Páscoa, dá o belo total de 21000 páginas lidas por ano, mais coisa menos coisa. Quantos livros? Isto levanta um nada complicado processo de subdivisão das páginas pelo suporte. Assim, admita-se que cerca de 25% são artigos, capítulos isolados, consultas ocasionais em pesquisas bibliográficas. Outros 25% são as leituras inúteis que me colocam todos os dias em fase com a loucura do mundo - a imprensa. Sobra metade para o suporte livro. E ficou de fora toda a gama de meios de acesso à leitura proporcionados pela Internet, porque não têm a dignidade do papel. Ora, 50% de 21000 dá aproximadamente 11000 páginas.

Mas é preciso ir mais longe, visto que a pergunta a que se tentava dar uma resposta era "quantos livros vais ler na tua vida?". Admitindo uma média de 250 páginas por livro, baseada numa consulta mental apressada às leituras do último ano, e sem levar em linha de conta os diferentes tamanhos de letra, composição, imagem etc, temos assim que este ano eu lerei, ora deixa lá ver..., nada mais nada menos que 50 livros. Sem contar com o resto, que é, pelas contas apresentadas acima, equivalente a outros 50 livros, mais o acumulado pela internet.

E no entanto, ainda posso alargar as contas. Se este ritmo se mantiver durante 10 anos, admitindo que pode aumentar ou diminuir mas mantém valores próximos da média, eu leria 500 livros, talvez um pouco mais, correspondendo à libertação de tempo das leituras fragmentárias. Portanto, numa vida que se poderá prolongar até, digamos, aos 70 anos, eu teria lido, com uma base zero nos meus 28 anos, cerca de 2000 livros. Nisto não entra o período de reforma que, como se sabe, já não existirá quando eu tiver 70 anos. Ora, estas contas rápidas impõem a consciência clara da importância das escolhas a fazer, da dimensão quase transcendental do acto de abrir um livro pela primeira vez e decidir lê-lo. Como é possível, a partir de agora, fazer de conta que ler um livro é um acto banal?
Chiça!!

Publicado por [Renegade] às 09:22 PM | Comentários (1)

Somos tod@s da Cova da Moura

This pig harassed the whole neighborhood,
Well this pig worked at the station.
This pig he killed my Homeboy,
So the fuckin' pig went on a vacation.

This pig he is the chief,
Got a brother pig, Captain O'Malley.
He's got a son that'a a pig too,
He's collectin' pay-offs from a dark alley.

This pig is known as a Narco,
If he's a pig or not, we know that he could be.
This pig he's a fuckin' fag,
So all his homepigs they call him a pussy.

Well this pig he's really cool,
So in this class we know he rides all alone.
Well this pig's standin' eatin' donuts,
While some motherfuckers out robbin' your home.

This pig he's a big punk,
And I know that he can't stand the sight of me.
'Cos pigs don't like it when ya act smart,
And when ya tell 'em that your a group from society.

This pig works for the mafia,
Makin' some money off crack.
But this little pig got caught,
So when he gets to the Pen it's all about the pay-back.

'Cos once he gets to the Pen,
They won't provide the little pig with a bullet-proof vest.
To protect him from some mad nigga,
Who he shot in the chest and placed under arrest.

An' it's all about breakin' off sausage,
Do ya feel sorry for the poor little swine ?
Niggas wanna do him in the ass,
Just ta pay his ass back, so they're standin' in line.

That fuckin' pig.

Look what he got himself into.

Now they're gonna make some pigs feet outta the little punk.

Anybody like pork-chops ?

How 'bout a ham sandwich ?
How 'bout a ham sandwich ?

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:19 PM | Comentários (1)

A Madonna italiana

"Elvira Nereu, uma jovem serena, com cara de Madona italiana, que chefiava um bloco dactilográfico da Unilever quando a conheci, pouco tempo depois da minha chegada a Lisboa, foi acordada às dez horas, na noite de vinte e cinco de Abril, por uma mensagem tensa: Golpe de Estado! Coragem!A notícia chegara à cadeia horas antes, transmitida por um automóvel que subira e descera várias vezes uma estrada próxima, buzinando-a no «morse» simplificado usado pelos presos - um toque para o A, dois toques para o B, três toques para o C, etc.
Uma vez recebida, fora comunicada no mesmo «morse», por pancadas, dadas nas paredes, junto aos canos que ligam quase todas as celas do edifício branco e triste da cadeia de Caxias em que se encontrava presa Elvira Nereu, que foi uma das últimas presas a receber a notícia por estar numa cela afastada das restantes."

É com esta ternura ingénua que Wilfred Burchett reporta em Portugal depois da revolução dos capitães, Seara Nova, 1975.

"(...)Elvira Nereu fora presa, com mais 47 pessoas, semanas antes do vinte e cinco de Abril. O grupo reunira para organizar uma forma de comemorar o 1º de Maio, o que estava de acordo com as tradições da oposição portuguesa que todos os anso tentava assinalar a data com risco, muitas vezes, para a vida dos manifestantes.
Nesta altura do ano a PIDE dobrava a sua vigilância e, certamente por imprudência de alguém, tomara conhecimento da reunião, cercara a casa e prendera os 48 membros do grupo que tinham seguido imediatamente para a sede da Polícia de Degurança Pública de onde os maiores de 15 anos tinham transitado para a cadeia de Caxias, entregues à PIDE.
Depois de uma investigação preliminar, a maioria foi incriminada por «associação ilegal», obrigada a pagar uma multa de 2000$00 e depois posta em liberdade. Mas um pequeno grupo de que Elvira Nereu fazia parte - era a única mulher deste grupo - recusara-se a confessar fosse o que fosse e os seus componentes tinham sido sujeitos à tortura do sono, de que voltarei a falar, porque a PIDE queria, à viva força, arrancar-lhes o nome da organização a que afirmava pertencerem.
(...)Quis saber qual tinha sido a prmeira coisa que ela fizera ao chegar a casa. Telefonei à noiva de um fuzileiro naval que tinha estado todo o dia e toda a noite de serviço na prisão para lhe dizer que não estivesse em cuidado porque não lhe tinha acontecido nada.
Libertada nas primeiras horas da manhã de sábado, voltara ao trabalho na segunda-feira depois de um fim-de-semana passado com o marido e com amigos a trabalhar na organização do 1º de Maio - todos queriam que o 1º de Maio fosse a maior festa de sempre.

Publicado por [Renegade] às 12:34 AM | Comentários (1)

fevereiro 16, 2005

Em busca do tempo perdido

Quando comecei a mandar umas bojardas no admirável mundo novo dos blogs fi-lo a medo mas com um sentido de liberdade que me vejo perder. Quando escrevia no Assédio com dois outros camaradas de Spectrum sob o alter-ego Deco, tinha a consciência difusa que ninguém lia aquilo e que, portanto, podia mandar as caralhadas que me apetecessem e esticar-me à vontade sem outra preocupação que não fosse o dar-me prazer com o que escrevia. E os camaradas estavam de acordo.

Depois fizemos o Spectrum. É verdade que a base programática não limitava nem impunha grande coisa (e por aí se mede a grande valia política de qualquer base programática, diga-se de passagem). A moral previsível da história deveria ser que cada um escreve o que lhe dá na gana e que isso seria suficiente para fazer um blog que desse tanto prazer escrever como ler. Mas não é.

Eu não estou satisfeito com o que faço. Por três razões: 1) aceitei uma espécie de pacto tácito sobre a "dificuldade" de aceitar posts longe da política, tão longe como um gajo a discorrer sobre o sentimento ou sobre a sua vida quotidiana, por comezinha e irrelevante que seja; 2) com o aumento das visitas (embora às vezes me pareça que nos conhecemos todos) apareceu-me uma responsabilidade da abrangência dos conteúdos, um aceitar que só se pode meter aqui o que se supõe que pode interessar ao maior número. Daí também o privilégio pela actualidade política; 3) finalmente, o peso de ter que respeitar um padrão mínimo de inteligibilidade e respeitabilidade no que escrevo não me satisfaz. Queria ter o à vontade para mandar as caralhadas que me apetecessem, para teclar incoerências, para mandar umas flatulências intelectuais e sentir-me bem com isso.

No fundo, queria não me preocupar com o que os camaradas de blog e os leitores podem pensar do que faço, como acontecia no Assedio. Será que posso, ou isso desvirtuaria o Spectrum? E será que sou capaz?

Publicado por [Renegade] às 11:12 PM | Comentários (3)

Não haver crise

Gosto à brava do teu post. Também é fixe que a Rita tenha aparecido. E renegade, claro, com o seu estilo inconfundível.
Se acham mesmo que a coisa bomba, votem aí no bloco de esquerda. Ninguém vos diz para não votarem. Ninguém vos diz (só Paulo Portas e Manuel Alegre) que votar no bloco será mau. Apenas não sabemos se será bom (espero que não se classifique isto como futurologia).


1- Da mesma maneira, não me parece razoável pensar que o voto no bloco de esquerda equivalha a um combate consequente pela legalização do aborto. Já alguém ouviu o bloco impôr isso como condição para um entendimento à esquerda? Até me pode ter passado despercebido, mas se sim digam-me quando e em que moldes.
E deixo para mais adiante o meu contributo para o debate, que será para sempre adiado enquanto o pessoal achar que o voto é a única coisa concreta e realista a fazer, acerca de uma luta mais ampla contra o patriarcado e a miséria sexual difusa.

2- Condoleezza Rice nos açores ou nas bahamas? Não me parece que ela se chateasse muito com a alternativa. Eu seguramente não me chateio. É-me mais ou menos indiferente se os bombardeamentos são planeados aqui ou do outro lado do planeta, de forma uni, multi ou bi lateral. Interessa-me muito mais pensar porque razão são eles planeados e efectuados. Que interesses os movem. O lugar da guerra na crise do capitalismo e vice versa. Os impasses do movimento contra a guerra e tudo o mais. Vocês sabem bem do que é que eu estou a falar.
Não me parece que ganhemos muito com pragmático deslizar para o nacional-pacifismo mutilateral. Em todo o caso, mais um debate hipotecado por aquele outro, sem dúvida mais realista, acerca de qual deve ser o papel do governo português na ordem mundial.

3- Não se benzem quando Jonathan filma o namorado ou fuma marijuana? E então?
O moralismo bafiento a que este país tresanda já meteu no bolso ameaças bastante mais sérias do que as do Dr.Louçã. É bastante sólido e deixa-se incomodar pouco com imagens fortes criadas pelas vanguardas artísticas. Sabe bem o que fazer com a cultura de massas e por isso mesmo não tem problemas em deixar livres as margens desta, para que jovens ousados e artistas provocadores exibam os seus trabalhos subsidiados. Mil Lúcias poderão morrer e outras tantas nascerão.
No que interessa - no aborto, como na família, como na educação sexual, como na violência doméstica, como na repressão sexual nas escolas, como nos esteriótipos sexuais e de género - essa fracção do poder impera ainda. A sua função é, evidentemente, complementar à da exploração, pela indústria cultural e sexual, do desejo reprimido.
Mas ao contrário do que acontece nos países "desenvolvidos" onde as lutas sociais pulverizaram esse poder e levaram à sua substituição quase integral pelo mercado, em Portugal existe uma articulação, uma espécie de pacto tácito e divisão de trabalho, em que a indústria cultural assimila conteúdos da ordem sexual conservadora e os reproduz, ao mesmo tempo que canaliza a procura de sexo para os seus mecanismo diversos de valorização.
É esse equilíbrio, caríssima amiga, que nenhum artista alternativo nem nenhum resultado eleitoral no dia 20 de Fevereiro irá alterar.
Precisamente porque esses poderes não estão no governo. Estão em toda a parte.

Acerca dos mui poderosos interesses que mandam neste cabaret à beira mar plantado, tenho pouco a dizer. Eles já cá andavam muito antes de nós cá chegarmos e, pelo andar da coisa, ainda por cá ficarão muito tranquilamente. O meu discurso pode soar apocalíptico, na medida em que recusa qualquer saída pelos caminhos que estão à vista. E duro, na medida em que me sinto angustiados com aquilo que me parece ser alguma resignação.
Tudo começou porque o pessoal acha inaceitável que eu não vá votar no domingo e argumente a favor dessa opção. Não espero convencer ninguém. Não acho o voto nem bom nem mau, antes pelo contrário.
O que me interessa é que o pessoal não deslize para este aceitar do menor dos males possíveis, que conduz a, num futuro próximo, aceitar votar no PS para impedir uma vitória da direita.
E que pense na necessidade imperiosa e possibilidade real de passar à ofensiva. Disso mesmo falamos nos debates do passadiço.
Como, num grande esforço anti-nacional, desestabilizar esta estabilizaçaozinha filha da puta. Porque a crise é não haver crise.

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:17 PM | Comentários (1)

Jerónimo

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can't you understand
Oh my little girl

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Enjoy the silence

Publicado por [Rick Dangerous] às 06:05 PM | Comentários (3)

Espectáculo

Novidades, novidades aconteceram mesmo no comício-concerto do Bloco de Esquerda em Braga, anteontem à noite. Por onde começar? Bem, a meio da tarde, o "staff" que acompanha Francisco Louçã não escondia algum nervoso miudinho por causa da escolha da sala - o maior auditório do Pavilhão de Congressos da cidade, dotado com 900 lugares. O temor desfez-se logo às 21h30: a sala estava quase lotada, com a excepção das últimas cinco ou seis filas, e no palco estava instalado um gigantesco ecrã.

Depois, confirmou-se aquilo que alguns jornalistas já desconfiavam: afinal, o Bloco também tem autocarros. O PÚBLICO viu pelo menos um. Eis a explicação para o facto de estarem entre a assistência tantas pessoas do Porto e das cidades circundantes de Braga. Ontem à tarde, e depois de a comitiva do Bloco ter decoberto que os jornalistas já conheciam a novidade, um dos assessores da campanha confirmou que os bloquistas transportaram para Braga muitas pessoas de Barcelos e Vila Nova de Famalicão.

A mais surpreendente novidade foi, porém, a presença de guarda-costas-militantes-do-Bloco (os bloquistas não gostaram muito da designação), estrategicamente espalhados em determinados lugares do auditório. Todos eles estavam devidamente fardados com um impermeável vermelho (alguns com as mãos atrás das costas, vigiando atentamente o público) e a sua aparente função era pedir ao público para ocupar as filas da frente. Alguns não foram nada cordiais, tendo mesmo demonstrado alguma hostilidade enquanto encaminhavam as pessoas para os lugares ainda desocupados.

Tudo isto para que os holofotes instalados no palco - colocados para facilitar a vida aos repórteres de imagem das televisões -, projectassem uma luz ofuscante sobre Francisco Louçã, Pedro Soares (cabeça de lista pelo distrito) e Ana Drago e ainda sobre as dezenas de bandeiras coloridas que foram distribuídas pela plateia. Não há dúvida de que se assistiu a uma singular organização no âmbito dos comícios dos bloquistas.

Depois das intervenções, seguiu-se a actuação, a solo, de Pedro Abrunhosa e, espantosamente, aconteceu uma debandada de grande parte do público. Enquanto o cantor revisitava alguns dos seus êxitos musicais, já o auditório apresentava muitas clareiras. No refrão de algumas canções, Abrunhosa fez um apelo directo ao voto no Bloco de Esquerda e terminou a última interpretação gritando: "Bloco! Bloco! Blocoooooooooooooooooo!".

Público, 16 de Fevereiro



Publicado por [Rick Dangerous] às 05:29 PM

Uma mão lava a outra

Durao Santana.jpg

Segundo Santana Lopes, em entrevista recente à TSF, há meia dúzia de meses, Durão Barroso – o Homem-recessão – pediu encarecidamente ao próprio Santana que este fosse para primeiro-ministro para ele poder salvar minimamente a face ao aceitar o tacho de Bruxelas.

Ontem, Durão pagou a dívida:

Depois de todos os seus amigos europeus de direita terem caído em cima de Prodi por, nas últimas semanas do seu mandato à frente da Comissão Europeia, ter apoiado a Coligação Oliveira em Itália; Durão teve de aparecer num tempo de antena do PSD a apoiar Santana Lopes.

Terá ajudado ou desajudado?

Publicado por [Saboteur] às 04:31 PM

O Spectrum feito pelos seus leitores: Euskal Herria!

Mais um cocktail blogotov de luta solidária com o povo basco.

O povo mais antigo da Europa, com uma das línguas mais antigas do mundo. Um povo que vive ocupado há cerca de três séculos pelo Estado espanhol e pelo Estado francês mas que nunca se rendeu nem deixou de resistir. O retrato actual é um retrato manchado de sangue: o fim do franquismo não acabou com a repressão fascista, nem deu ao povo basco o direito de escolher a independência ou a dependência e, acima de tudo, não lhe deu razões para parar a luta. Nas prisões espanholas e francesas estão confinados aproximadamente mil presos políticos bascos, todos eles a milhares de Km de casa. Fora os cidadãos presos todas as semanas que, após dias de incomunicação, vexações, humilhações e bárbaras torturas fisicas e psicológicas, são soltos por nada se comprovar contra eles. O Estado espanhol ilegalizou um partido político que costuma ter entre os 10% e os 30%, o Batasuna, partido da esquerda independentista basca; ilegalizou jornais e rádios pela expressão de determinados ideais políticos; ilegalizou organizações juvenis, sociais e humanitárias; ilegaliza diariamente um povo por querer romper as amarras da opressão, por exigir paz e liberdade.

Ficará aqui mais um blog informativo da luta que se trava em Euskal Herria porque a voz dos oprimidos não tem eco nos meios de comunicação dos que oprimem. Cabe a todos nós denunciar a verdade, cabe a todos nós encetar a luta solidária e internacionalista.

Viva Euskal Herria independente e socialista!

B. C.

Publicado por [Rex] às 09:03 AM | Comentários (7)

Cinema para as massas

Comecei a escrever isto como comentário ao comentário do post abaixo e acabei por me esticar mais do que devia.

É a propósito do King Kard, o tal cartão que o Paulo Branco introduziu cá em Portugal para dar cinema mais barato à malta e lhe encher os cinemas e os bolsos. Pode ser bom mas há melhor no mesmo estilo. No mesmo estilo era muito melhor, por exemplo, fazer cartões mensais ou semanais sem a ditadura do contrato anual, como qualquer grupo de exibição francês faz. Até o grupo de salas independentes de Paris o faz, isto é, os cinemas marginais organizados para responder ao controlo asfixiante do mercado por parte dos grandes grupos, y compris o grupo MK2 a que o Paulo Branco está associado. Ou ainda, agora que penso nisso, cartões que servissem só para sessões que à partida se sabe que ficarão às moscas, do género "cartão cinema português". Parece-me uma boa ideia. É risível ler as estatísticas de assistência a cinema português em sala como as publicadas recentemente e descobrir filmes com 3 dezenas de espectadores...
Claro que à divulgação destes números tem vindo associado um discurso de condenação do nosso sistema de produção cinematográfica, que vive do subsídio porque não pode viver do mercado, e até se condena, aparentemente com a melhor das intenções, o intelectualismo dos realizadores portugueses, o chamado "cinema para o umbigo" ou coisa que o valha. Por outro lado, parece que não nos chega ter um Oliveira e um César Monteiro. A malta da hipercrítica, como a expressa no artigo do DN de João Miguel Tavares citado no Bde quer mais. Como só vê mediocridade em todo o lado, sente-se no direito de exigir prémios internacionais todos os anos e acaba a medir a qualidade pelo número de espectadores. Mais valia a J.M. Tavares estar calado.
A massificação do cinema está por fazer em Portugal e o King Kard pode servir para ir reformando os hábitos culturais da populaça. Mas continuam a faltar tomates e/ou neurónios a quem define políticas culturais neste país (em período eleitoral um gajo não resiste a usar estes chavões...) para definir sistemas que permitam e encorajem o acesso aos cinemas às grandes massas, ou seja, massificar o cinema. E isto aplica-se ao cinema como ao resto do audiovisual. Ou então podemos dizer, como o cronista J.M. Tavares acrescenta do alto da sua cátedra, que a culpa é dos realizadores e dos encenadores.

Publicado por [Renegade] às 12:50 AM

fevereiro 15, 2005

A desconfiança de esquerda vista pelo cartaz de cinema

1. That´s not what I call it, dear

Vera Drake está nos cinemas, e em todos os palanques de prémios cinematográficos. Um filme fantástico sobre a interrupção voluntária da gravidez e, a bem dizer, sobre classes e luta de classes. Vera é altruísta, vive num ambiente familiar atipicamente feliz, forrado de papel de parede com cores verde musgo e cornucópias sanguíneas, e corre em socorro de jovens em apuros. Não quaisquer jovens, somente aquelas que, ao contrário da filha da aristocrata em casa da qual faz limpeza a dias, não podem recorrer ao sistema legal para interromper uma gravidez – um ginecologista, um psiquiatra, uma clínica privada e 150 libras. É pós-guerra e a vida é difícil... e há quem jante pão barrado com banha sem sequer saber que pão barrado com banha não é coisa que se coma.

A questão essencial não está nos métodos – todos os investigadores fazem olhares chocados quando vêem os instrumentos rudimentares que Vera utiliza e imaginam fertilmente os usos proto-homicidas de um ralador culinário. A questão essencial está na capacidade de escolha da mulher, na definição do direito sobre o seu corpo, na diferenciação no acesso a tratamento condigno. Deste ponto de vista o pós-guerra é o agora. E eu, em Portugal do século XXI, ou vou à Clínica dos Arcos para um “tratamento voluntário da gravidez” ou vou às Veras Drakes, com a forte possibilidade de me deparar com uma menos benigna e mais mercantil.

Assim sendo, quanto a este assunto – que não muda o mundo mas que, para mim, enquanto mulher, muda muito, sem prejuízo do que sobre esta matéria influirão politicamente os debates do Passadiço – não só voto como sei que o meu voto pode representar uma alteração da perspectiva pseudo-hegemónica, propagada pela direita e pelo seu acordo pós-eleitoral, sobre a inviolabilidade do resultado do último referendo.

2. O cadáver de Hans Blix a ser devorado pelo tubarão do aquário do Kim Jong Il

Team America é um filme que é uma desilusão. Bate em todos e quando a culpa é de todos os culpados saem incólumes. Michael Moore é um extremista kamikase, sujo de mostarda de cachorro quente. Kim Jong Il o cérebro de uma acção terrorista global e Hans Blix... Bem, Hans Blix ameaça com uma carta que diz que a ONU fica desgostosa com a Coreia do Norte por não poder inspeccionar todos os quartos do palácio de Kim Jong Il. Um burocrata, portanto, que, como qualquer burocrata que se despreze, morre na boca de um peixe assassino, sob a gargalhada do coreano.

Eu cá tenho pena porque prefiro o multilateralismo à chacina da ONU, seja por novos conceitos estratégicos da NATO, seja por processos de legitimação de guerras preventivas, seja por “coligações” forjadas em ilhas atlânticas de acesso difícil, sobretudo se essas ilhas estiverem sob a administração do país em que vivo, seja por tubarões metafóricos de chefes totalitários. Assim sendo, eu voto contra a guerra no Iraque e, possivelmente, contra a guerra no Irão. O meu voto não mudará o sistema, mas pode ser que faça com que Condoleezza Rice reuna nas Bahamas, e não nos Açores.

3. Me, myself and I

Tarnation é uma obra plástica de recortes. Jonathan filma-se desde miúdo, transvestido e imaginando-se, regra geral, envolvido em cenas de violência doméstica e ambientes psicóticos. Uma autobiografia crua, contada ao som de melodiosas músicas, que atravessa fronteiras do cinema e sem pudores quanto a voyerismo. Mostra a mãe, totalmente desequilibrada – it’s a pumpkin, it’s a pumpkin –, em grandes planos pouco abonatórios, não se sabe se pela patologia se pelo tratamento por choques eléctricos.

Toda a imagética da sua família é reproduzida e oferecida na magnitude da sua disfuncionalidade. É uma obra que também fala de moral, mas de moral sem pingo de moralismo bafiento, que é a que este país tresanda já há algum tempo. Eu voto contra partidos que suspendem a campanha porque morreu a D. Lúcia, enclausurada desde a adolescência e testemunha da conversão da Rússia no próprio ano da sua “perdição”. Eu voto em partidos que não se benzem quando Jonathan filma o seu namorado, ou quando se fala em marijuana. Aliás, eu voto no partido que acha que estes dois últimos assuntos são questões políticas prementes dos portugueses.

Publicado por [Joystick] às 08:10 PM | Comentários (3)

fevereiro 14, 2005

O outro lado da vitória

Um grande post do Lutz.


Mapa de Dresden (Preto - Destruíção total, Quadrados - Afectado)

Publicado por [Rex] às 01:00 PM

Impressionante

"A morte da irmã Lúcia é uma notícia impressionante que constitui um momento impressionante para Portugal e para o mundo, quer para católicos quer não católicos, porque ela teve também uma vida impressionante."

Pedro Santana Lopes

Publicado por [Saboteur] às 11:47 AM | Comentários (6)

fevereiro 11, 2005

Confiança de esquerda

Fiz um post a deixar clara a minha posição acerca destas eleições. Os meus amigos respondem com mais do mesmo.

"Não desperdiçar instrumentos", "não oferecer a vitória de mão beijada à direita", "o combate pode não se resumir à correlação de forças no parlamento mas sem dúvida que passa por lá", "atirar o voto à cara de uns quantos", etc...

Renegade acusa-me mesmo de querer apenas surgir no palco com outra cantiga. De querer chamar as atenções em suma. Um tal de Joe Dafundo, do bloco, está enjoado com a campanha contra o Louçã e não percebe em que é que o bloco deixou de ser uma organização contra o patriarcado, compara o spectrum ao acidental e acusa-me de não pensar um segundo na campanha eleitoral em curso. Depois, um pouco mais de metafísica da representatividade - "não há como escapar ao mainstream eleitoral".

Os meus amigos são um bocado chatos. Eu sei que não fazem por mal. A minha bisavó sempre me disse que os meninos que não são baptizados não vão para o céu. E se ainda há quem acredite nisso, não é assim tão estranho que haja quem acredite que o voto é uma arma.

O pessoal vota porque precisa de acreditar. Eu respeito essa crença, mas não a aceito como válida neste debate. O vosso voto não vai materializar as transformações que o bloco propõe. Repito, o vosso voto não vai materializar as transformações que o bloco propõe.

A correlação de forças entre esquerda e direita, poque é disso que se trata nos vossos discursos, não determina os acontecimentos. Nem sequer a correlação entre esquerda "radical" e esquerda "moderada" põe em causa os interesses que dominam as nossas vidas.

Se as pessoas não sentem que o voto no bloco vai mudar as suas vidas, não é porque sejam estúpidas ou alienadas. Os meninos que andam por aí a fazer campanha deveriam parar um pouco para aprender com elas.
É essa atitude que altera as correlações de forças, e não o nº de deputados à esquerda do PS.

Posso conceber um momento em que no voto se jogue muita coisa importante. Ninguém me ouvirá apelar à abstenção num referendo sobre o aborto.

Mas mais votos no bloco?

Agora começa a ser tempo de ser antipático.

O bloco não tem uma organização política fora dos períodos aleitorais. O bloco não tem qualquer tipo de debate político estratégico alargado aos seus militantes. Os activistas do bloco no movimento social são, com raras e honrosas excepções no plano da emigração e de algum activismo sindical, uma miséria - os jovens do bloco são um punhado de vencidos da vida.

E perante esta menoridade dos militantes e activistas, sobra esse corpo de dirigentes e especialistas da política. Os assessores de todo o tipo que juntamente com o estarolas da comissão permanente, determinam aquilo que se vai passar.

Votar nisso, é votar pela manutenção desse estado de coisas e até pelo seu reforço.

Não existe emancipação por meios alienados e alienantes da acção política.

Os debates no paradiso não são meritórios. São a única forma que eu conheço de transformar as coisas no sentido que desejo. Pessoas que se sentam durante algumas horas para discutir as condições da sua existência. Nenhuma delegação, nenhuma proeminência, nenhuma representação - apenas pessoas a discutir política com a naturalidade de quem respira. Já agora, apareçam lá amanhã às 18h. Vamos debater o tema do controlo social. Inexplicavelmente, nunca ouvi do bloco um comentário acerca do assunto, a não ser, é claro, na defesa da polícia de proximidade.

O voto no bloco não "tem de ser". O voto não "tem de ser". Não há aliás garantias que o voto no bloco seja o menor dos males. Até se pode tornar o maior dos males e ninguém tem condições de o antecipar.

E já agora, a frase do louçã não foi um pequeno pormenor. Em primeiro lugar é o que acontece a quem faz do debate e projecção televisiva o alfa e o ómega da sua actuação política. A televisão não é um espaço neutro, nem um simples transmissor de imagens e de sons. Não se pode fazer da televisão e dos media aquilo que se quer. O formato televisivo determina a, tanto como é determinado pela, actuação dos seus protagonistas.

E depois, o que Louçã fez não foi apenas uma gaffe. Ele disse o que realmente pensava acerca de um tema delicado. E disse-o assimilando e normalizando os valores do adversário para pô-lo em cheque aos olhos do seu campo político. Louçã quis demonstrar que Portas não estava à altura de ser o porta-voz do campo conservador, porque não vive conforme os seus postulados.

Não se trata da deselegância de falar da vida sexual de Portas. Isso pode melindrar o establishment político mas não me choca por aí além. Isso poderia ser considerado uma gaffe. Mas o que Louçã fez foi apenas uma estratégia clássica do oportunismo no combate político. Abdicou de um ponto de vista claro, antipatriarcal e pela liberdade das mulheres em escolher, para falar dos dramas humanos do aborto clandestino, que portas não compreenderia "porque nunca gerou uma vida". Assumiu simultaneamente uma postura defensiva acerca do tema e, por isso mesmo, teve de jogar no terreno do adversário.

Louçã deixou que o campo conservador falasse pela sua boca. Essa é a miséria das suas afirmações. Como sempre, no bloco, o debate resume-se a lamentar a infelicidade do grande líder. Nenhuma reflexão acerca das implicações e alcance do que aconteceu. Esquerda de confiança...


Publicado por [Rick Dangerous] às 04:12 PM | Comentários (3)

«PJ investiga José Sócrates»

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Assim, sim. Com a direita a trabalhar a este nível, até fico desconfiado que o Sócrates possa de facto fazer uma política de esquerda...

Publicado por [Saboteur] às 03:16 PM | Comentários (4)

fevereiro 10, 2005

Um artigo de um consultor...

José Diogo Madeira - Consultor de Comunicação de profissão - escreve um artigo de opinião no Jornal de Negócios sobre a questão da subida da idade da reforma.

Começa pelo estafado argumento da esprança média de vida, mas depois vai para algo complectamente novo nesta àrea:

«Caríssimo leitor, se a perspectiva de mais umas dezenas de anos a fazer o que hoje está a fazer não o entusiasma, pare esta leitura e tire uns minutos para pensar. Para quê continuar a fazer o que faz, para quê continuar a amargar com a sua rotina, para quê viver desmotivado?»

«Pelo contrário, se a ideia de continuar a desenvolver a sua carreira actual o entusiasma, siga em frente. Vai ver que, muito brevemente, terá atingindo a sua idade da reforma.»

Um artigo a ler aqui. A partir do momento em que afastam a ideia de que o senhor consultor está a gozar convosco, o artigo até é interessante...

Publicado por [Saboteur] às 02:34 PM | Comentários (1)

Crise??!!

cover_crise.gif

«O Banco Nacional Ultramarino encerrou 2004 com lucros de 8 milhões de euros, o que representa um aumento de 40,1 por cento.» ("Expresso", 29-1-05)

«O lucro do BES aumentou 11,5 por cento para 275,1 milhões de euros em 2004, um crescimento acima das estimativas dos analistas (...). Os analistas previam um lucro líquido entre os 221 e os 270 milhões de euros.» (PÚBLICO, 4-2-05)

«O Banco Nacional de Crédito (BNC) teve, no ano passado, um lucro líquido de 33,7 milhões de euros.» (PÚBLICO, 28-1-05)

«A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa obteve receitas de 1014 milhões de euros em 2004, mais 24,7 por cento do que os 813 milhões arrecadados no ano anterior. Este resultado, apresentado como sendo um 'montante recorde' na história da instituição, teve como principal contribuinte o Euromilhões (...) Entre os vários países que aderiram a este jogo, Portugal está nos três primeiros, em termos de valor absoluto de apostas, e é o primeiro em valor 'per capita'.» ("Diário Económico", 27-1-05)

Publicado por [Saboteur] às 02:22 PM

Crise?! Qual crise?

Agricultor subsidiado.jpg

«As vendas de automóveis de luxo em Portugal cresceram 3,01 por cento em 2004, para 617 unidades (...). O modelo de luxo Porsche 911 explica grande parte deste aumento, com 68 unidades vendidas, mais 23 do que em 2003, correspondente a um acréscimo de 51,1 por cento. A Maserati vendeu 12 automóveis desportivos de luxo em 2004 (nove em 2003), a Ferrari 11 (10 em 2003), a Aston Martin seis (três em 2003) e a Lamborghini três (nenhum em 2003).» (PÚBLICO, 28-1-05)

«Os lucros do BPI aumentaram 17,6 por cento em 2004, ascendendo a 192,7 milhões de euros, muito acima do estimado pelos analistas financeiros.» ("Expresso", 29-1-05)

«Os lucros conjuntos das três companhias de seguros do grupo Espírito Santo Finantial Group atingiram no ano passado os 49,5 milhões de euros.» (PÚBLICO, 1-2-05)

«O resultado líquido do BCP subiu 17,2 por cento para 513 milhões de euros em 2004 face a 2003, acima do previsto pelos analistas, que apontavam para um valor entre os 476 e os 507 milhões de euros.» (PÚBLICO, 26-1-05)

Publicado por [Saboteur] às 10:14 AM | Comentários (2)

fevereiro 09, 2005

Passar à ofensiva

O meu pai, que vota PSD desde que eu me lembro, está indeciso em quem há-de votar.

Segundo ele, o PS é o Partido “mais bem posicionado para fazer as reformas estruturais” e a maioria absoluta “é que os pode abrir caminho a isso, porque eles têm sempre muito medo de ser impopulares”… estão a ver, não é?

Cada vez é mais claro que as forças burguesas apostam numa vitória total do PS, com maioria absoluta, para amarrar o PS ao "centro" livrando o país de acordos com a esquerda. Nesse âmbito, votar à esquerda do PS, lutar para que a esquerda do PS saia reforçada nestas eleições e que o PS não tenha a malfadada maioria absoluta, é um imperativo político.

Digo mais: ao contrário de muitos dos meus camaradas - nomeadamente de blog - a minha insatisfação com a minha escolha de voto no próximo dia 20 é ver que não há nenhuma força de esquerda capaz de tomar a ofensiva e constituir e determinar uma verdadeira alternativa de esquerda…

O BE está cheio de medo que, indo para o Governo com uma força ainda tão pequena, acabe por ser absorvido pelo PS e pelo gosto do exercício do poder neste sistema podre… há mesmo que diga, descontraidamente, entre um copo e outro que “o melhor era o PS ter mesmo maioria absoluta para agente não ser confrontados sequer com essa questão”.

O PCP, está praticamente na mesma. Jerónimo lá acabou por falar, pouco convicto, em “acordos pontuais” na Assembleia da República, lembrando o célebre acordo da Lei de Bases da Segurança Social (que ironicamente, é sabido, Jerónimo e outros foram frontalmente contra e utilizaram essa questão dentro do Partido para atacarem a própria Comissão Política da altura e os seus supostos desvios de direita).

Assim, naturalmente posso pôr-me a mim próprio a incomoda questão:

No dia 20 o PS não tem maioria absoluta. Quais vão ser os seus aliados de programa político? O PP? Os deputados do PPM? Do MPT? Do PSD Madeira? Deputados Limianos? O Governo vai cair passado 1 ano para vir a direita novamente ocupar o seu lugar? Valerá mesmo a pena?

A esquerda devia pôr os olhos na estratégia do perigoso Paulo Portas: Apresenta-se como Partido de poder, como candidato ao Governo e mesmo a Primeiro-ministro!

Assim sim. Teríamos a Condolezza Rice a passar por Portugal, preocupada com o eu se estava a passar…

Publicado por [Saboteur] às 11:03 PM | Comentários (4)

Coreia do Norte

Ao contrário do Bernardino Soares, não acho que a Coreia do Norte seja uma democracia. A verdade é que acho muito pouco sobre a Coreia do Norte. Consigo apontar onde fica no mapa e pouco mais.

Sou capaz de passar horas a navegar na Internet para encontrar sites (todos não-oficiais) como o do Metro de Pyongyang ou do Aeroporto Internacional de Sunan.

Publicado por [Rex] às 04:25 PM | Comentários (1)

Estou velho

Ainda sou do tempo em que nenhum partido queria estar colado ao Cavaco Silva.

Publicado por [Saboteur] às 11:29 AM | Comentários (1)

fevereiro 07, 2005

Place your bets!

As apostas devem conter as percentagem de votação dos seguintes 5 partidos/coligações:

PS, PSD, PP, CDU, BE

Não é preciso que a soma seja 100%, claro.

O vencedor será quem conseguir um erro relativo médio mais baixo:

votacao.gif

ai - aposta para o partido i
vi - votação conseguida pelo partido i

As percentagens de votação terão em conta todos os votos (outros partidos, brancos e nulos).

Múltiplas apostas, mesmo que usando e-mails diferentes, são, obviamente, proibidas.

Em caso de empate, ganha quem tiver apostado mais cedo.

Para não baralhar muito as coisas, os comentários à iniciativa devem ser deixados no post do Saboteur (Grande Prémio Ligação às Massas), enquanto neste devem ficar apenas as apostas.

Publicado por [Rex] às 03:54 PM | Comentários (34)

Grande Prémio Ligação às Massas

Ontem apostei uma jantarada em como o PS teria maioria absoluta.

Gosto de avaliar a minha ligação às massas pelo meu palpite sobre os resultados eleitorais.

Acho, por exemplo, que apesar da CDU estar a ter um novo alento com o novo SG do PCP, o sectarismo e o seu fechamento vão impedi-la de ter melhor resultado do que há 3 anos atrás.

Acho que o PP vai reforçar-se com a queda do PSD e com a demagogia perigosa do Paulo Portas e acho que o BE vai ter um bom resultado, porque furou definitivamente para outros mercados, para além do eleitorado urbano/intelectual/rendimentos médios/altos.

Qual é a vossa opinião?

Propomos o seguinte: Façam as vossas apostas.

Nos comentários ao próximo post (Place your bets!), deixem o vosso palpite para os 5 partidos com assento parlamentar (em percentagens com uma casa decimal), deixando como contacto um e-mail válido.

No dia 21 faremos as contas e quem tiver o menor desvio dos resultados, para além de ser coberto de glória ao ganhar o “Grande Prémio Ligação às Massas – Spectrum” ganhará a fabulosa obra (em 2ª mão) que está na foto em baixo, mais 25 euricos, de uma colecta que vou fazer pelas editoras e editores deste blog.

broncas.JPG

As apostas terminam no Sábado dia 19. Só pode haver uma aposta por mail válido.

Publicado por [Saboteur] às 03:21 PM | Comentários (2)

fevereiro 06, 2005

Exame de consciência eleitoral

Já que estarei privado de internet nos próximos tempos vou deixar aqui a minha intenção de voto e o porquê. Como não partilho a ortodoxia anti-sistémica do Rick Dangerous vou mesmo votar. A soberania popular, a representação e o sistema partidário podem ser um embuste, mas não os ofereço de mão beijada à direita por um punhado de bons princípios e um lugar ruidoso na plateia. Ou então no palco.


Vou votar no BE. Isto significa que não vou votar no PS e na CDU.


Não voto na CDU porque não quero premiar o sistema de poder instalado no PCP e os seus meios de reprodução. Um saneado político não vota nos seus saneadores. Por outro lado, não vi nenhuma alteração, por milimétrica que fosse, em palavras ou em actos, que aproximasse o PCP do que eu gostava que ele fosse. Não vou votar no PCP e não estou contente com isso. O PCP vai perder votos e deputados e vai queixar-se dos outros, como é costume.


Não voto no PS porque não voto em partidos de direita. Sócrates e a sua clique representam o aparelho de caciques do PS no seu caminho para a depredação dos tachos no aparelho de Estado. A clique dirigente do PS representa o tacticismo sem princípios, a política do programa mascarado contra o programa expresso. O PS que se apresenta a eleições é o cavalo em que os grandes interesses apostaram para destruir o resto do Estado-providência, pôr-se de joelhos em Bruxelas e deixar funcionar os mercados, a fraude fiscal e a corrupção. Não creio que votasse num PS ferrista, mas, infelizmente, a questão nunca se colocou. Não voto num partido que vai ter maioria absoluta. O meu voto é anti-PS e qualquer cidadão que queira políticas de esquerda em Portugal tem que votar à esquerda do PS.


Voto no BE porque não voto nos outros. Voto no BE porque tem política teórica para me convencer, embora essa também tenha o PCP. Tem já alguma tradição nas lutas sociais e tem um bom trabalho de oposição à direita no parlamento e nas ruas. Há razões para não votar no BE mas a principal tem a ver com o futuro. Não votaria no BE se soubesse que Sócrates se aguenta quatro anos com o apoio bloquista. Este PS não pode merecer o apoio do BE. Se for esse o caso estarei cá para fazer pagar o meu voto onde for preciso...


...mas o que eu gostava mesmo de saber era quando é que este gajo morre.

Publicado por [Renegade] às 11:14 PM | Comentários (7)

Mais Cinema

Não sei se ainda está, se é que alguma vez esteve, em cartaz o filme "The House of the Flying Daggers" (não sei o título em português).

Vale a pena ver no cinema, acho que perde um bocado se for visto num ecrã mais pequeno.

Depois de "Tigre e Dragão" e "Herói", vem mais uma vez mostrar que a história da China é uma grande fonte de histórias que podem ser contadas de uma forma maravilhosa.

Publicado por [Rex] às 06:13 PM | Comentários (1)

Cinemas...

Fui ontem ver o Team America, convencido que iria ver uma sátira política à ideia dos EUA - Polícia do Mundo e uma ridicularização de como os norte-americanos encaram a política global.

Uma desilusão. Politicamente, o Team America não arrisca quase nada e é sobretudo pró-americano.

Está bem que o Team acaba por mandar abaixo a Torre Eifel e as Pirâmides com o seu comportamento à cóboi na luta contra o terrorismo, mas isso é até encarado com alguma simpatia pelo o filme, género "somos gente um pouco rude mas damos cabo deles".

As críticas mais duras vão é para os actores de Hollywood que são contra a guerra no Iraque (quanto ao Presidente Bush, nem sequer lhe tocam num cabelo); vão para a ONU e para Hans Blix (uns "coninhas"); para Michael Moore (retratado como um fanático. louco radical que se faz explodir a si próprio); e para a Coreia do Norte, que aparece como o grande império do mal, mandante de todo o terrorismo global.

......

Filme que é politicamente muito bom, é o Vera Drake, de Mike Leigh. A não perder.

......

Já agora, que falo de cinema, os nossos camaradas do Paraíso Ocupado, vão exibir dois filmes que parecem ser extremamente interessantes e entusiasmantes nos dias 9 e 16.

O Programa completo está aqui.

Ainda a propósito, deixem-me ser má lingua: o cartaz que em cima está linkado, anuncia os dois filmes com o título "KINO PRAVDA".

Quem é que se apercebe, com um título destes, que se trata de cinema?... ainda mais tem as datas erradas: "Dia 10 de Fevereiro, Quarta". O que dizer disto? Pelo menos que quem fez o cartaz não anda muito preocupado/a com os dias da semana...

Enfim... Já não porém os filmes às 16h30, já é uma sorte e a classe trabalhadora agradece.

Lá estarei.

Publicado por [Saboteur] às 05:24 PM | Comentários (3)

fevereiro 05, 2005

Poema para alevantar a moral / Bocage 4ever

Renegade passou por aqui e achou que o Spectrum estava a precisar de alguma tusa. O poema que se segue é dedicado a tod@s @s colaboradores/as do Spectrum, a todos os homens que já geraram vidas e aos outros e, em especial, aos meus amigos.

XIII

É pau, e rei dos paus, não marmelleiro,
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser arvore de figo,
Da glande o fructo tem, sem ser sobreiro:

Verga, e não quebra, como o zambujeiro;
Occo, qual sabugueiro tem o umbigo;
Brando ás vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:

Á roda da raiz produz carqueja:
Todo o resto do tronco é calvo e nú;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!

Para carvalho ser falta-lhe um u;
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar metta-o no cu.

Bocage, Poesias eroticas, burlescas e satyricas, London, 1926.

Publicado por [Renegade] às 08:37 PM | Comentários (4)

fevereiro 04, 2005

L'amore mio non muore

Algures abaixo, um tal de Saboteur informa os prezados leitores que eu vou votar em branco. Depois, com o sentido de humor que tod@s lhe reconhecemos, cita pacheco pereira. Eu não sei se quero entrar por determinados caminhos, mas não me importo de experimentar. Pela parte que me toca, votar em branco é tão desprezível como votar vermelho e negro.
Os meus amigos vão votar no bloco e alguns estão a fazer campanha pelo bloco, mesmo se, como todos sabemos, fazer campanha pelo bloco é fundamentalmente servir de figurante para uma qualquer encenação televisiva e/ou distribuir panfletos com palavras de ordem e declarações de intenções.

1- O bloco foi em tempos uma organização política contra o patriarcado. Não sabemos se deixou de o ser, mas todos pudemos ver Louçã na televisão a fazer a apologia da família e do milagre da vida.

2- O bloco gosta de se apresentar como esquerda anti-capitalista nos certames e eventos onde essa é uma condição necessária à respeitabilidade mínima (Fóruns Sociais, Esquerda europeia, eventos da 4ª internacional e por aí fora), apresentando-se no entanto como uma força de propostas e alternativas credíveis quando tal se torna indispensável. E é assim, com esta filosofia de chico esperto, como quem acha que pode ir a todas de forma mui camaleónica, que vão cantando e rindo os estarolas da nova esquerda.

3- O bloco adaptou-se à dimensão do debate e da luta política em portugal e, pragmaticamente, bate-se pelo melhor dos mundos possíveis. Mas está por recordar o momento de aceso debate em que este suave deslizar, da periferia para o centro do sistema político, foi decidido. A esquerda que não está cansada dispensa bem esses formalismo antiquados. A malta não quer saber dessas coisas. Uns poucos, altamente qualificados, decidiram. E isso chegou.

4- O bloco propõe uma modernização da sociedade e da economia portuguesa. A CDU também e o PS também. Qual é então a diferença entre os três?
O PS é evidentemente o partido dos interesses económicos fundamentais. Esse estatuto, que disputa com o PSD em cada eleição, é a condição fundamental para a vitória. Esse estatuto, conquistado nas eleições internas do PS pelo sumaríssimo programa de repôr o mínimo de credibilidade no sistema político e no governo, é o que explica a virulência da campanha do PSD ( a última pérola é o cartaz que pergunta "você quer que eles voltem?").
Mais choque tecnológico menos reforma da administração pública, eles propõem-se fazer o que o governo anterior não conseguiu - relançar a acumulação.
Se não tiverem maioria absoluta, negociarão, mas nunca no sentido de pôr em causa este programa. Para que lado se partirá então a corda ?

5- Deixamos de fora a CDU, que é doutro campeonato (a nuance do Jerónimo à volta do torno merece no entanto o destaque devido).
Fiquemos então com o bloco. Que se propõe valorizar o debate político, a democracia e o estado de direito, propondo um contrato social em torno do pleno emprego e do combate à precariedade, para além das obrigatórias posições sobre o aborto. Não há nisto nada de demagógico, como é evidente.
Trata-se de um mui moderado programa mínimo de reformas que assegurem uma nova legitimidade ao sistema político indo ao encontro das mais sentidas "aspirações das massas". De assegurar a coesão social e relançar a participação cidadã contra as lógicas da globalização neoliberal. Trata-se de assegurar que um outro mundo é possível e está ao alcance de um boletim de voto.

6- Mas na medida em que tudo isto age numa conjuntura específica, o que acontecerá se o PS não tiver maioria absoluta ? Que políticas irá o Bloco apoiar ou não no parlamento?
Sabemos que aprovará o primeiro orçamento e o programa de governo. Sabemos que assegurará a governabilidade, mas e depois? Quando os patrões, que se organizam já a contar com este debate e utilizarão toda a sua força para fazer vingar os seus projectos de reconversão autoritária da sociedade portuguesa, pressionarem e a "opinião pública" se erguer (com a independência de espírito que todos conhecemos) pelas "reformas necessárias"?
O que acontecerá quando a desagradável luta de classes vier interromper a ordem e o progresso desta modernização simpática que nos propõe o bloco? O que acontecerá quando as votações no parlamento tiverem impactos sobre a vida de milhares?

7- Não está em causa a vontade do bloco de esquerda de fazer face a esse outro bloco, social e político, que domina a sociedade portuguesa e o debate político, e que fabricou um consenso em torno das "mudanças inadiáveis".
Mas a estratégia que nos propõem os seus dirigentes (porque é disso que se trata) coloca-nos numa posição defensiva - ao fim e ao cabo a posição defensiva que desde 25 de Novembro de 1975 é ocupada pelo movimento operário e pela esquerda revolucionária, e que o surgimento do bloco se propunha precisamente inverter.
Depois será fácil chorar e acusar o desequilíbrio de forças. Quem aceita jogar o jogo no terreno do adversário, quem respeita as suas regras e as aceita como justas, não pode depois queixar-se. Mesmo se, como é habitual no caso da burguesia portuguesa, o adversário não cumprir essas regras.
A batota só é inaceitável num jogo de cartas. Quando se trata da luta de classe, anything goes. Perguntem a Sócrates, a Van Zeller, José Manuel Fernandes ou Portas. Eles sabem que é assim. Sempre foi assim. Eles mentem e eles ganham.

8- Os problemas estão pois noutros lugares que não os da ribalta eleitoral. Lugares que convocam outros debates. A dimensão presente das coisas não nos deve assustar. Em 1916, na conferência de Zimmerwald, onde se agruparam os sociais-democratas contra a guerra, o afluxo de delegados internacionalistas teria merecido de Lenine o comentário de que "os revolucionários de toda a europa juntos sabem numa carroça". Já então Illitch errava de modo grosseiro. Os revolucionários europeus estavam em toda a parte, tal como se viu nos anos posteriores.
A força das nossas posições não está na sua projecção mediática nem no aparelho político que as servem. As nossas ideias estão em todas as cabeças. O seu poder de contágio é grande. Autocarros como os que renegade descreve no post anterior existem aos milhares. O seu percurso não será sempre o mesmo.

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:19 PM | Comentários (3)

fevereiro 03, 2005

Zaragata

«O que faltou no debate foi a zaragata».

Carlos Magno, comentador de Política Nacional, na 2:.



Publicado por [Joystick] às 10:25 PM | Comentários (2)

Os candidatos e o autocarro

Chego a casa e a televisão mostra um debate (?) entre dois sujeitos supostos candidatos a primeiro-ministro (?). Como é evidente pouco me interessa o que os dois sujeitos terão para dizer. A coisa está a acontecer na televisão mas eu já sabia.

O autocarro corre veloz pela estrada que passa no local onde se pavoneiam os dois sujeitos referidos acima. Primeiro o controlo policial, logo a seguir estão os jotinhas em frente ao ecrã grande de quatro por quatro ecrãs, no vazio da noite. É um belo espectáculo de luz e som este.

Dentro do autocarro soltam-se gemidos de identificação "Olha para aqueles", abanam-se cabeças reprovadoras "Eles estão lá dentro..." e trocam-se risos desdenhosos com o companheiro de viagem "Ah, deviam ter vergonha!". O autocarro acelera veloz e deixa para trás o feérico espectáculo dos dois sujeitos referidos acima.

A vida continua. Eles não conseguirão fazer-nos esquecer.

Publicado por [Renegade] às 09:24 PM | Comentários (2)

«Voto Saramago»

Rick Dangerous vai votar em branco.

O historiador Pacheco Pereira já disse no Público: “Se houver um incremento do voto em branco nestas eleições será uma manifestação de eleitores do PSD que não querem votar nem em Santana Lopes, nem no PS.”

Publicado por [Saboteur] às 11:58 AM | Comentários (3)

fevereiro 02, 2005

Mais uma para o Programa Mínimo

operarias.jpg

Leio que em França se debate o regresso da 40 horas de trabalho semanais.

Lembro-me que o meu livro de história do 8º ano trazia uma reprodução de um cartaz do fim do séc. XIX – creio – a reivindicar as 40 horas semanais…

Entretanto passaram mais de 100 anos. A revolução tecnológica fez a produtividade das nossas sociedades disparar exponencialmente, em flecha. Hoje em dia, diz-se que se “produz” mais conhecimento científico num ano do que num século inteiro de há 200 anos atrás! … Mas continuamos no mesmo bolorento debate das 40 horas.

É impressionante comparar o desenvolvimento científico-tecnológico da humanidade com as suas formas retrógradas de organização social.

Eu votava com gosto num partido que propusesse como programa mínimo uma semana de trabalho de 4 dias.

Nem precisava que fosse um fim-de-semana de 3 dias para todos. Poderia ser uma coisa do género: no início do ano escolhia-se qual seria o 3º dia de folga da semana, por exemplo. Tínhamos todos mais tempo para tudo, inclusive para fazer aquelas coisas (consultas, obrigações legais, etc.), que hoje em dia obrigam a faltar ou chegar atrasado ao trabalho, para as fazer. A produtividade iria aumentar; a qualidade de vida também e a taxa de emprego iria ser incrementada, dinamizando a economia.

Publicado por [Saboteur] às 04:02 PM | Comentários (7)

Colo

Nunca o assunto da homossexualidade foi tão abordado numa campanha eleitoral sem ser, no entanto, tratado politicamente. Santana já vai na terceira boca para o Sócrates - de fama de candidato paneleiro não se safa ele. Primeiro com o trocadilho dos meninos no recreio, depois com o desafio sobre posições acerca do casamento entre homossexuais e adopção de crianças, agora com a história do colo de mulheres, esse refúgio doméstico, que não só é uma alusão homofóbica como também sexista.

Santana achou uma forma eficaz de tentar desmembrar o discurso de boémio e até de promíscuo que rondava sobre si, um discurso ridículo que entrou no ouvido e na fala dos transeuntes, mas que, apesar de ridículo - convenhamos - afastava os conservadores de direita do próprio Santana, favorecendo a esquerda na exacta medida em que dispersava o segmento de direita extremamente patriarcal.

Agora, Santana achou um motor de união de conservadores e até, penso, tirou proveito da "tirada visceral e espontânea" do Francisco Louçã. Afinal, o líder do conservadorismo e autoritarismo não gerou vida. E porquê? Será homossexual? Somente Santana representa os valores supremos da família biparental heterossexual. O Francisco Louçã também, mas este não retira proveitos desta imagem, pelo contrário (e repito, PELO CONTRÁRIO, porque espontaneamente pensou nisso como um factor de superioridade moral inabalável).

Retornando ao colo, um dirigente do PSD foi ao DN dizer - como se fossemos todos mentecaptos - que o que Santana quis dizer foi que "José Sócrates sente-se bem ao colo dos poderosos, ele sente-se bem com o povo". Ó meus amigos... O pior de tudo é esta sensação de que a realidade da expressão verbal nos transcende a todos - apesar de surtir efeitos imediatos previstos e estudados que importa apagar politicamente em momento posterior - sendo que o conjunto dos iluminados explicar-nos-á a verdade por detrás da retórica, ciência clássica, entre a geometria descritiva e a lógica aristotélica, apenas conhecida pela elite da academia.

Mas a verdade é que o Sócrates também não fez o bonito sobre esta questão. Quando questionado sobre o desafio lançado por Santana acerca dos direitos de casais homossexuais, Sócrates não teve problemas em afirmar, peremptoriamente, que o PS estava interessado era em discutir os "problemas dos portugueses". Surrealista. Os gays, lésbicas e trangenders são, portanto, apátridas ou espanhóis. Agora, sobre o colo que Santana sugeriu que preferiria, escolheu contornar pela direita - são tudo "brejeirices". O que pode ser visto de duas formas. A primeira é olhar para a escolha do discurso como forma de campanha reles, sendo, portanto, uma questão de forma. A outra é considerarmos "brejeiro" o conteúdo. Sob esta última perspectiva, a homossexualidade não será só um problema, será também um problema de apátridas e de estrangeiros e, ainda, de apátridas e de estrangeiros bregas.

Publicado por [Joystick] às 11:57 AM | Comentários (4)

fevereiro 01, 2005

Declaração de voto

A sondagem aqui ao lado tem uma pergunta para mim muito difícil. Para além de acompanhar a noite eleitoral no Spectrum (e talvez com o Spectrum), não sei o que vou fazer. Chego na véspera das eleições a Lisboa de propósito para votar, por isso a (confortável) abstenção está fora de questão.


"Ansiedade", Edvard Munch

Acho que ainda não sou capaz de votar no BE. Tenho pena de não poder acompanhar minimamente a campanha fora das edições on-line dos vários jornais e fora da blogosfera, talvez mudasse de opinião. Acho que há qualquer coisa de terrivelmente ôco no conceito de ter um partido (só) para fazer barulho.

Por outro lado, acho que o PCP deixou de fazer sentido no princípio deste século (em Dezembro de 2000, para ser mais exacto). Eu até tenho amigos metalúrgicos, mas o mundo do trabalho já passou essa fase há muitos anos.

Em relação ao PS, ainda só tenho 21 anos, por amor de Deus...

Publicado por [Rex] às 06:11 PM | Comentários (17)

Choque de Valores

O Ministro da Defesa e dos Assuntos do Mar, no Domingo, inaugurou uma estação dos CTT.

Na freguesia, cartazes do PP, anunciavam a presença do Ministro.

Adivinhem em que círculo eleitoral se situa a freguesia e a nova estação dos CTT…

No círculo eleitoral de Aveiro, pelo o qual o Ministro é cabeça-de-lista?

Certo!

Publicado por [Saboteur] às 09:32 AM | Comentários (1)