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fevereiro 16, 2005

Espectáculo

Novidades, novidades aconteceram mesmo no comício-concerto do Bloco de Esquerda em Braga, anteontem à noite. Por onde começar? Bem, a meio da tarde, o "staff" que acompanha Francisco Louçã não escondia algum nervoso miudinho por causa da escolha da sala - o maior auditório do Pavilhão de Congressos da cidade, dotado com 900 lugares. O temor desfez-se logo às 21h30: a sala estava quase lotada, com a excepção das últimas cinco ou seis filas, e no palco estava instalado um gigantesco ecrã.

Depois, confirmou-se aquilo que alguns jornalistas já desconfiavam: afinal, o Bloco também tem autocarros. O PÚBLICO viu pelo menos um. Eis a explicação para o facto de estarem entre a assistência tantas pessoas do Porto e das cidades circundantes de Braga. Ontem à tarde, e depois de a comitiva do Bloco ter decoberto que os jornalistas já conheciam a novidade, um dos assessores da campanha confirmou que os bloquistas transportaram para Braga muitas pessoas de Barcelos e Vila Nova de Famalicão.

A mais surpreendente novidade foi, porém, a presença de guarda-costas-militantes-do-Bloco (os bloquistas não gostaram muito da designação), estrategicamente espalhados em determinados lugares do auditório. Todos eles estavam devidamente fardados com um impermeável vermelho (alguns com as mãos atrás das costas, vigiando atentamente o público) e a sua aparente função era pedir ao público para ocupar as filas da frente. Alguns não foram nada cordiais, tendo mesmo demonstrado alguma hostilidade enquanto encaminhavam as pessoas para os lugares ainda desocupados.

Tudo isto para que os holofotes instalados no palco - colocados para facilitar a vida aos repórteres de imagem das televisões -, projectassem uma luz ofuscante sobre Francisco Louçã, Pedro Soares (cabeça de lista pelo distrito) e Ana Drago e ainda sobre as dezenas de bandeiras coloridas que foram distribuídas pela plateia. Não há dúvida de que se assistiu a uma singular organização no âmbito dos comícios dos bloquistas.

Depois das intervenções, seguiu-se a actuação, a solo, de Pedro Abrunhosa e, espantosamente, aconteceu uma debandada de grande parte do público. Enquanto o cantor revisitava alguns dos seus êxitos musicais, já o auditório apresentava muitas clareiras. No refrão de algumas canções, Abrunhosa fez um apelo directo ao voto no Bloco de Esquerda e terminou a última interpretação gritando: "Bloco! Bloco! Blocoooooooooooooooooo!".

Público, 16 de Fevereiro



Publicado por [Rick Dangerous] às fevereiro 16, 2005 05:29 PM