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novembro 30, 2004

Impossibilidade

Gostava de escrever um post longo, mas ....

Continuo aos saltos!!!!

jumpingjack.jpg

[Jumping Jack]

Publicado por [Jumping Jack] às 11:12 PM

Agora a sério

Passada a euforia...

Estamos lixados.

[Rex]

Publicado por [Rex] às 08:34 PM

Finalmente o Sampaio abriu a pestana


Em Berlim também se festeja!

O Freunde, nicht dieser Töne!
Sondern lasst uns angenehmere
anstimmen, und freudenvollere!
Finale der 9. Sinfonie, Beethoven

Ó amigos, não destes tons!
Deixem-nos sim entoar mais agradáveis
e mais cheios de alegria!
Finale da 9ª Sinfonia, Beethoven

[Rex]

Publicado por [Rex] às 07:08 PM

Pirotecnia pelas eleições antecipadas

[Joystick]

Publicado por [Joystick] às 06:50 PM

Eleições Antecipadas

Eu já tinha dito 5 posts atrás, no "Ferraz da Costa também ataca Governo ou "O fim está próximo!"", que isto ía acontecer.

O problema é que o Sampaio agora já vem muito tarde.

A este governo não há alternativa de esquerda que dê uma esperança com E maíusculo aos trabalhadores.

Tudo está calmo: O PSI 20 não vai cair e os Objectivos 2005 de Seguros de Saúde e de PPR/E, aqui na Companhia, vão se manter nos valores astronómicos de sempre.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 06:49 PM

novembro 29, 2004

Parabéns!

O Acidental - um blog de gente de benzoca - aqui e aqui, chama furiosamente de filho-da-puta o autor de outro blog, por causa disto.

Por ter sido insultado desta forma por um blog asqueroso como o Acidental, o Almocreve das Petas está de parabéns e ganhou mais um link, aqui ao lado.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 08:44 PM | Comentários (3)

Não há almoços grátis

[Rick Dangerous]

Comentei aqui um texto do Paulo Fidalgo. Começámos pelo Bento Gonçalves e acabámos na classe operária(!!).
O Morcego Vermelho não achou claro. Ou melhor, para ele é tudo claro: o que antes era feito por mulheres e homens suad@s e com mau aspecto é agora feito por máquinas "mantidas e operadas por engenheiros saídos do Técnico e do ISEL".Os tipógrafos foram substituídos por computadores. E por aí fora.
Eu não quero dar uma de quadrado. E este tipo de transformações de forma alguma me passa despercebido. Mas parece-me ser tempo de fazer um ponto de ordem, uma vez que estas ideias começam a fazer escola da pior forma - a do simplismo. De resto, a eleição do Jerónimo de Sousa não é suficientemente importante para servir de pretexto a certas mistificações.
Partilhamos tod@s uma mesma inspiração/tradição teórica que atribui ao trabalho uma centralidade decisiva na definição dos fenómenos sociais. Há anos que dizemos que é necessário reflectir acerca das "tranformações e novas formas de organização do trabalho" para relançar "um novo paradigma de comunismo". Aqui vai um singelo apontamento nesse sentido.

1- Peço-te, caro Morcego, que olhes para a denominação de origem do computador que tens à frente. Ele foi por certo desenhado e concebido em centros de investigação, algure num dos umbigos do mundo. O essencial do seu valor é definido por essa fase da produção (I&D, e tudo o mais). Mas onde é que ele foi montado? Onde é que foram produzidas as suas peças? Onde é que ele passou a existir enquanto "valor de uso"? E qual a sua trajectória, desde o momento em que se tornou uma mercadoria até ao momento em que se tornou o teu computador?

2- Concerteza que ao longo de todo este processo não foram apenas engenheiros os assalariados. Desde os que conceberam aos que o venderam, há ainda os que produziram os seus componentes, o montaram, transportaram, embalaram, e até os que simplesmente limparam o escritório logo a seguir à reunião do Conselho de Administração que debateu e decidiu a estratégia comercial da empresa.
Não falamos, claro está, dos que serviram almôndegas de soja e arroz num refeitório de fábrica, algures no sudeste asiático. Ou dos que extraíram petróleo e o refinaram, para que a fábrica de borracha que produz revestimentos para cabos elétricos pudesse funcionar 24 horas por dia. Ou das famílias de Jacarta que enviaram crianças para montar microchips microscópicos.

3- O capitalismo evoluiu, desde as suas origens, para formas cada vez mais complexas de organização da produção e comercialização das suas mercadorias.
Fá-lo, hoje em dia e cada vez mais, à escala mundial e através de um sistema internacional de divisão do trabalho. A aposta é grande: compensar a tendência à queda da taxa de lucro com o lançamento constante de novas mercadorias e uma tensão permanente, na economia dos meios de produção, entre investimento produtivo e redução do custo da força de trabalho. E assim vão surgindo sempre novos produtos com que nos maravilhar, a preços cada vez mais competitivos.

4- Este processo só é possível através do reforço do carácter social e colectivo do processo produtivo. Concentração de capital = concentração de força de trabalho. Mesmo se esta concentração não fôr espacial (como no tempo da grande fábrica fordista), mas fluída, dispersa, articulada, flexível, just in time e terciarizada. É esse o processo que vivemos hoje - um salto qualitativo no mercado mundial a que se chama globalização.

5- Neste contexto histórico, "Portugal e os Portugueses" (como a tradição do PCP se lhes refere e nem fidalgo nem morcego contestam) ocupam um lugar específico, determinado e determinante pelo e para o tecido social português. Aqui, os engenheiros não pintam grande coisa em termos de desenvolvimento de produtos, como bem se queixam os ambiciosos licenciados do Técnico.
Aqui, na semi-periferia (a "periferia do centro" como se lhe refere Boaventura Sousa Santos) ficamo-nos pela prestação de serviços, exportação de produtos de baixo valor acrescentado e fornecimento a marcas com prestígio mundial.
Aqui, a coisa assume uma complexidade específica, que o raciocínio do Paulo Fidalgo teima em contornar.

6- Competência e conhecimento= a capacidade autogestionária. Autogestão da empresa = Autogestão das vidas.
Estes dois pressupostos (preconceitos) não me parecem evidentes. Eles ocupam, evidentemente, um lugar próprio e importante neste debate e vêm bem de trás (o debate da revolução russa em que lenine e trotski tomaram partido pela gestão empresarial dos quadros técnicos contra a gestão colectiva dos trabalhadores), mas são só por si insuficientes para compreender a dinâmica das lutas sociais.
Que dizer dos piqueteros argentinos, desempregados ou subempregados que conduziram os mais duros confrontos contra os governos do FMI em 2001 e 2002? Ou dos sul-coreanos despedidos pela reconversão após a crise de 97 no sueste asiático? Ou dos metalomecânicos italianos, que venceram o patronato do sector e impuseram contratos colectivos que abrangem tanto os engenheiros como as mulheres e os homens da linha de montagem?
Pelo contrário, os relatos vindos do interior de Sillicone Valey e dos ateliers da microsoft dão conta de um ambiente de medo e de uma realidade feita de exploração intensiva do trabalho intelectual, sem que o pessoal levante a cabeça.

7- Isto é, portanto, bastante mais complexo do que as equações mais simples fazem crer. A tecnologia não é um factor externo à luta de classes, da mesma maneira que a luta de classes não é um factor externo à economia e a economia não é um factor externo à cultura.
É a convertibilidade de umas nas outras, como assinalava Bragança de Miranda nas suas Teses sobre Marx, que se torna problemática.

8- Muit@s têm reflectido acerca destes fenómenos, com maior ou menor profundidade. Castells será o autor mais mainstream, mas não me convence. Mais recentemente, uma escola vinda da Autonomia Operária italiana, tem vindo a teorizar sobre o comportamento dos "operários cognitivos". Negri refere-os no Império e assume alguns dos seus pontos de vista. O mais eminente, Franco Berardo ("Bifo") vive em Bologna e é um bocado otário, mas no geral as sua hipóteses são bons pontos de partida.
Também sublinham as possibilidades abertas pelo conhecimento na apropriação dos meios de produção, mas mais no sentido da criação de canais de comunicação e formas de subjectividade mais complexas do que propriamente no sentido da autogestão. Têm em conta o carácter mundial da coisa. E deixaram para trás o programa da luta contra o trabalho, o que me parece apenas lamentável.

9- Dito isto, os metalúrgicos da cintura industrial de lisboa (incluindo os ex-metalúrgicos, o grupo mais numeroso) estão na defensiva porque a isso os conduziu a estratégia de combate adoptada (e isto vale também para o acordo da Auto-Europa). Perguntem aos patrões e cª o medo que deles tiveram a dada altura. Nessa altura, Cunhal seguia a maré sob pena de ser submerso por ela .
Foi essa maré que fez a revolução e é ela que espreita eternamente atrás da sombra do PCP (agora que a extrema esquerda desapareceu) aos olhos da reacção - o espectro da insubordinação operária, a pôr em cheque o desenvolvimento capitalista, determinando através do conflito um ritmo que este não consegue acompanhar.

10- Se os trabalhadores perderam, como sempre, seria importante compreender porquê. Talvez isso nos dissesse muito mais acerca do que neste fim de semana se passou em Almada do que as declarações de Edgar Correia ou os discursos de Jerónimo de Sousa. Até porque, acerca dessa matéria, pensam os dois exactamente o mesmo - a luta é fundamental e é tudo muito bonito, mas no final o importante é quem negoceia com os senhores de sempre a saída política para a crise

11- As notícias acerca da morte da classe operária foram manifestamente exageradas. Talves ela tenha sido despedida em bloco por não gostar de trabalhar, mas o mais certo é que lhe tenham dito para ficar calada a ver televisão e gozar a sua pré-reforma ou indemnização. Mas continua a não haver almoços grátis. São cada vez mais os que o pagam.

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:35 PM | Comentários (9)

Jovens satisfeitos com a eleição de Jerónimo de Sousa

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:29 PM

Jovens inquietos com a demissão de Henrique Chaves

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:03 PM | Comentários (1)

Morais Sarmento elogia as qualidades do primeiro-ministro


[Rex]

Publicado por [Rex] às 04:02 PM | Comentários (1)

Ferraz da Costa também ataca Governo ou "O fim está próximo!"

socrates.jpg

Após um debate do orçamento de estado, em que Sócrates ignorou as questões mais gravosas nele contidas, para direccionar todas as energias para a “Consolidação Orçamental”, o Capital pôde relaxar um pouco: O maior perigo já tinha passado…

O perigo de ter no Governo um Ferro Rodrigues, com a mania que a segurança social não é para privatizar, ainda por cima, acrescido do perigo de ter uma maioria de esquerda no parlamento, apoiada pelo BE ou pelo PCP…

Agora, tudo parece mais calmo: Se houvessem eleições hoje, o PPD/PSD teria uma derrota histórica, é certo, mas no parlamento haveria uma confortável e simpática maioria PS, e um Governo de Sócrates, Jaime Gama, Ex-ministros do Governo de ocupação do Iraque e outros que tais.

Vejam esta notícia que dá título a este post. Consultem hoje a secção de “finanças&negócios” dos jornais. Os grandes interesses não querem ficar do lado dos perdedores... e se ainda por cima, do outro lado, está uma equipa tão parecida em campo, não custa nada mudar de claque.

Para além do mais, do ponto de vista deles, «quanto mais depressa acabar esta palhaçada, mais depressa o PSD voltará a ser o grande Partido que sempre foi».

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 03:45 PM

A lucidez pré-senil - Cunhal está do nosso lado

«(...) factor essencial da estabilidade da Direcção é a sua “progressiva renovação” (...). A sua importância é tal que se pode dizer que a estabilidade da Direcção e do núcleo dirigente não só é compatível com a renovação como depende largamente dela. Se o núcleo dirigente não se vai renovando com a entrada de novos quadros – se cristaliza numa Direcção fechada às transformações dos tempos, às novas realidades – , um momento chega em que se impõe uma renovação súbita, por vezes quase total, muitas vezes em situação de crise e de instabilidade».

Álvaro Cunhal, "O Partido com Paredes de Vidro", pág. 80

[Joystick]

Publicado por [Joystick] às 11:35 AM

PCP: Começou a sangria - Parte II

Decidi postar, à revelia do autor, uma carta a que tive acesso

[Spectrum]


«Conclui-se amanhã o mais novo Congresso do Partido Comunista Português (PCP), partido em que militei desde três meses passados do 25 de Abril de 1974.
É o primeiro congresso do único partido de que fui membro (tirando uma breve mas entusiasmante passagem pelo MDP/CDE no período 1973/74) em que não sou chamado a participar, intervir, eleger e ser eleito.

Considerava-me já despedido – agora despeço-me eu.
Saio sem – e com – mágoa.»

«Sem mágoa porque neste Partido já não está a maior parte dos camaradas com quem abracei o 25 de Abril e a quem me abracei no 1º de Maio de 1974. Desgostaram-se, desiludiram-se, foram feridos, foram insultados – e eu com eles.
Com mágoa porque pude - com este Partido e para além dele, com os camaradas com quem partilhei avanços e recuos, vitórias e derrotas, vidas e mortes - travar combates que construíram a democracia no meu país e que fizeram dos portugueses um povo respeitado e que gostou de se respeitar.

Não entendo – e não aceito – que um partido que considerei internacionalista, fraternal e justo se restrinja hoje a uma ideologia e a uma prática nacionalistas, sectárias e discriminatórias.
Não entendo – e não aceito – que um partido em que sempre exprimi com liberdade e frontalidade as minhas opiniões me coarcte agora a liberdade, a frontalidade, a opinião.

Deste partido que agora está aí – despeço-me.

Àqueles – os burocratas, os censores - que tomaram conta do PCP em nome de uma cegueira perante o mundo que nos rodeia e uma realidade que muda avassaladoramente; àqueles que transformaram o Partido numa agência de emprego para os fiéis seguidores do pensamento único; àqueles que só pensam em defender-se da erosão do tempo e dos ventos da história - digo: até nunca mais.

Àqueles – dentro ou fora das fileiras do PCP - com quem partilhei (e partilho!) as nacionalizações de 75, as greves de 82, os comícios, as festas e as manifestações, as lutas nas empresas, nos sindicatos, nas comissões de moradores e de trabalhadores, o vinho e o pão nas searas da Reforma Agrária, as barricadas nas ruas, o canto e a poesia, os confrontos com patrões e governos, a exigência da cidadania plena, a fraternidade e a alegria e a pujança e a amizade e o abraço e as mãos dadas e a confiança de não termos chegado ao fim da história – digo: até sempre, camaradas.

Estarreja, 27 Novembro 2004

Rui Lima Jorge
Comunista»

Publicado por [] às 12:42 AM | Comentários (3)

novembro 28, 2004

The Beautiful People

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O novo Secretário Geral dirige-se para a tribuna para o discurso da consagração e uma criança é-lhe diligentemente colocada nas mãos. Lindo!

[Manic Miner]

Publicado por [Manic Miner] às 11:55 PM | Comentários (4)

O PCP é uma barata

Hoje ouvi o discurso do novo secretário-geral e passei a acreditar que um partido assim, com o único objectivo de sobreviver, insuficiente para fazer a diferença, pode ser eterno.
A escolha do Jerónimo de Sousa é um passo a caminho da fossilização mais que um passo a caminho da extinção. Ele falou para dentro, disse o que a grande maioria dos militantes pensa, porque pensa pela grande maioria dos militantes. Não importa o que o mundo do lado de fora acha, porque esse mundo não existe na sua visão autista.
Diz-se que as baratas são os únicos animais capazes de sobreviver a uma catástrofe nuclear (o que quer que isso seja). Pode ser por ter os horizontes curtos, mas, mesmo assim, não consigo imaginá-las algumas vez a dominar o planeta.
Ainda vamos ver o neto a suceder ao avô. Começa bem, o puto.

[Rex]

Publicado por [Rex] às 05:18 PM | Comentários (2)

novembro 27, 2004

O que é um turco?

A primeira coisa que oiço quando digo que estou na Alemanha é que os alemães sao frios. A segunda é que são racistas. Nenhuma delas é verdade, pela minha experiência, e sempre por aí.
Estava curioso de ver como é que um povo frio e racista lidava com uma capital que é ao mesmo tempo a terceira maior cidade turca do mundo (depois de Istambul e Ankara).
A densidade de estrangeiros em relação à distância aos centros da cidade (Berlim tem três centros) é o oposto do que se passa em Lisboa e do que imagino que se passe na maioria das capitais europeias. Passo a explicar. O bairro mais movimentado da cidade (e situado praticamente no centro geográfico) é Kreuzberg (lê-se Crróitzberrque), uma pequena Turquia. Por outro lado, quando pergunto qual é a zona mais perigosa da cidade, falam-me em Marzahn, um bairro periférico para leste onde os estrangeiros não são bem vindos.

[Rex]

O problema da integração da comunidade turca (e fala-se mais da turca por ser a maior) é que se formam pequenas sociedades fechadas onde é possível viver aqui como na Turquia (há lojas turcas, cafés turcos, restaurantes turcos, jornais turcos), isto é, sem aprender alemão ou fazer a mínima ideia sobre o que se passa no pais. Não é muito grave quando se tem mais de 40 anos, mas para a segunda e terceira gerações é catastrófico. Há crianças que entram na escola primária sem falar a língua, o que quer dizer que, depois de 5 anos a estudar têm conhecimentos ao nível de uma criança alemã na 3ª classe (que teve mais 6 anos para aprender alemão).
Há também as pessoas que não têm uma língua materna, isto é, falam alemão e turco com sotaque, o que só pode agravar os problemas de desenraizamento.
Os meus colegas de casa trabalham num café de bairro, encostado a uma igreja. O cafe foi assaltado (uma coisa aparentemente inaudita ou, pelo menos, muito rara) por um grupo de putos turcos. Gostei de ver que a conversa sobre o tema seguiu para uma discussão semelhante à que tenho estado a escrever neste post, em oposição ao tão frequente entre nós (agora só vós) "esses gajos deviam ser todos mandados para casa". Não faria sentido, porque a casa deles é aqui.
Contaram-me ontem um episódio que se passou com um pequeno alemão-turco. Perguntou à família o que era um inglês. Depois de responderem à questão resolveram testá-lo. "-E o que é um italiano? -É alguém que mora em Itália. -E um francês? -É alguém que mora em França. -E um turco? -É alguém que mora em Berlim." Sei que, no fundo, temos todos pena de não sermos um pouco mais turcos.

Publicado por [Rex] às 06:40 PM

Corações ao alto


São estudantes de ciências sociais e são muito bons. Comemoraram recentemente os primeiros 30 dias de blogoesfera. Sensibilidade e pouco senso com Rogeriopoeta.

[Renegade]

Publicado por [Renegade] às 12:56 AM | Comentários (1)

novembro 26, 2004

Agnus Dei

Porque a vida é feita de sacrifícios.

[Renegade]

Publicado por [Renegade] às 09:58 PM

Carneirada


Votações na abertura do XVII Congresso do PCP


Regulamento do Congresso - Aprovado, com 1 voto contra e 9 abstenções

Mesa da Presidência do Congresso - Aprovado por unanimidade

Ordem de Trabalhos do Congresso - Aprovado, com 2 votos contra

Horário do Congresso - Aprovado por unanimidade

Secretariado do Congresso - Aprovado por unanimidade

Comissão de Verificação de Mandatos - Aprovado por unanimidade

Comissão de Redacção da Resolução Política - Aprovado por unanimidade

Comissão de Redacção da Alteração dos Estatutos - Aprovado, com 2 votos contra

Comissão Eleitoral - Aprovado, com 1 voto contra

* Segundo informações não confirmadas, um jovem comunista, terceiro na segunda fila a contar da esquerda, teria sido alvo de uma ameaça violenta via telemóvel por parte de um grupo de temíveis jovens marxistas-leninistas filiados numa organização para-legal, a JCP, no momento anterior à votação. O referido grupo teria mantido alguns parentes afastados do jovem reféns sob a ameaça de uma lâmina gillette num apartamento de duas assoalhadas em Sacavém, exigindo ao jovem comunista que abdicasse da leitura de uma intervenção escrita que deveria proferir no XVI Congresso (foto). Ainda segundo fontes não confirmadas, o camarada exemplar, o dedicado companheiro e futuro pai terá pedido para sair do recinto antes da votação que a fotografia ilustra, tendo-lhe sido respondido por um militante octogenário em tarefas de segurança no Congresso
que naquele momento já não se distribuiam cintos aos delegados. Mais disse, em linguagem gestual em virtude do silêncio manifesto que já percorria a assembleia, que um homem a quem caem as calças só podia ser um inimigo do Partido e que ia já ali informar o camarada responsável da presença de traidores ao Partido dentro do pavilhão. Estas peripécias explicariam em grande medida o esgar congestionado e sofredor na face do jovem comunista que participaria ainda na votação, levantando o braço direito à chamada "votos a favor".

[Renegade]

Publicado por [Renegade] às 09:55 PM | Comentários (1)

Pensamento da samana...

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Há poucos dias os jornais ingleses referiam um recorde macabro: uma galinha sem cabeça tinha sobrevivido durante 18 meses.

Depois de termos assistido à entrevista de Pedro Santana Lopes à RTP começamos a pensar que o Governo acredita que poderá bater esse fantástico prazo.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 05:36 PM | Comentários (1)

Ora aqui está uma boa gaja para ser assaltada

O nosso país é mais ou menos assim: gosta muito pouco dele próprio. Tem medo de parecer português. "Sim, sim, temos sol quase todo o ano, as nossas praias são as mais bonitas da Europa, temos duas casas, dois carros, jantamos fora três vezes por semana, mas este País não vai a lado nenhum…"

by Inês Teotónio Pereira

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 11:56 AM | Comentários (1)

A farsa do Comité Central

logo-congresso.jpg


Estive a ver a nova lista do Comité Central. Conheço muitas das pessoas, por isso divirto-me um bom bocado:

Há os “operários” e os “operários metalúrgicos”

Há os “Intelectuais” e os “Licenciados em Direito”

Há os “operários gráficos” que chegaram a fazer a paginação d’ “A Bola” em PageMaker.

Há os “Empregados” que nunca foram empregados de nada a não ser do PCP: São os estudantes que se tornaram funcionários do Partido e que deixaram de estudar… mas há uns que são “empregados” e outros que são “intelectuais”.

Há ainda os que eram “intelectuais” há 4 anos atrás e agora são “empregados”, sem que deixassem de ser os funcionários de sempre…

Mas há os que saíram de funcionários e continuam no CC: estão nas quotas dos micro-empresários, e têm como seus maiores clientes as autarquias dos distritos de Setúbal e Alentejo…

E depois, claro, há os incorrigíveis... bons comunistas, mas que continuam a dar para aquele peditório.

Irão às reuniões ou fazem como “os bravos”?

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 12:24 AM | Comentários (3)

novembro 25, 2004

The invisible man

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Se bem me lembro, há uma regra no PCP que diz que quem não participar em mais de (acho que) 4 reuniões consecutivas perde a qualidade de membro do Comité Central. Por acaso lembrei-me disto quando vi que Álvaro Cunhal vai permanecer no CC...

[Manic Miner]

Publicado por [Manic Miner] às 10:38 PM | Comentários (1)

Vómito (enganoso) III

Questionado sobre a sua linguagem "esquerdista" durante o 25 de Abril, ao defender "a planificação democrática da economia", a autogestão, e a "ruptura com o capitalismo", Soares responde:
(pág 246, Soares, Ditadura e Revolução) "Era a linguagem da época. (...) "pertencia à oposição e tinha um concorrente e competidor à minha esquerda, O PC, que me empurrava para a direita e não me reconhecia credibilidade e com a qual tinha de competir, quisesse ou não. Hoje, confesso-lhe, que quando afirmava essas posições radicais que refere, tinha dúvidas, sacrificava-me um pouco ao estilo da época, ao gosto da juventude que se havia radicalizado muito com as guerras coloniais. (...) Nunca tomei muito a sério essas célebres frases da "ruptura com o capitalismo".


[Paradise Café]

Publicado por [Paradise Café] às 07:30 PM

Um triste casamento

Inventou-se o Amor com carácter de urgência numa festa muito grande. Era um mundo nas mãos que não se deixavam prender. Soltaram-se gritos e silêncios puros de consolo e de Amor.
Depois da euforia apaixonada dos primeiros dias, os amantes renderam-se a um padre que os quis casar. Casaram-se e os dias ficaram mais pequenos e sombrios. Deve ser por isso que os amantes não comemoram este 29º aniversário de casamento.
Ficámos todos mais pequenos...

[Paradaise Café]

Publicado por [Paradise Café] às 07:18 PM | Comentários (3)

Quando a nossa festa acabou

Quando a nossa festa s'estragou
e o mês de Novembro se vingou
eu olhei p'ra ti
e então entendi
foi um sonho lindo que acabou
houve aqui alguém que se enganou

Tinha esta viola numa mão
coisas começadas noutra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a espingarda se virou
foi p'ra esta força que apontou

José Mário Branco

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 04:32 PM

A mensagem do índio Seattle ao grande chefe branco de Washington

Em 1854, o grande chefe branco de Washington fez uma oferta de compra de uma grande extensão de terras índias, prometendo criar uma "reserva" para o povo índio.

A resposta do chefe Seattle, aqui publicada na sua totalidade, tem sido descrita como a declaração mais bela e mais profunda que jamais foi feita sobre o ambiente.


Como se pode comprar ou vender o firmamento, ou ainda o calor da terra? Tal ideia é-nos desconhecida.
Se não somos donos da frescura do ar nem do fulgor das águas, como poderão vocês comprá-los?
Cada parcela desta terra é sagrada para o meu povo.
Cada brilhante mata de pinheiros, cada grão de areia nas praias, cada gota de orvalho nos escuros bosques, cada outeiro e até o zumbido de cada insecto, é sagrado para a memória e para o passado do meu povo. A seiva que circula nas veias das árvores leva consigo a memória dos Peles-Vermelhas.
Os mortos do Homem Branco esquecem-se do seu país de origem quando empreendem as suas viagens no meio das estrelas; ao contrário, os nossos mortos nunca podem esquecer-se desta bondosa terra, pois ela é a mãe dos Peles-Vermelhas.

[operation wolf]

Somos parte da terra e do mesmo modo ela é parte de nós próprios. As flores perfumadas são nossas irmãs, o veado, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos; as rochas escarpadas, os húmidos prados, todos pertencem à mesma família.

Por tudo isto, quando o Grande Chefe de Washington nos envia a mensagem de que quer comprar as nossas terras, está a pedir-nos demasiado. Também o Grande Chefe nos diz que nos reservará um lugar em que possamos viver confortavelmente uns com os outros. Ele se converterá, então, em nosso pai e nós em seus filhos. Por esta razão consideramos a sua oferta de comprar as nossas terras. Isto não é fácil para nós.

A água cristalina que corre nos rios e ribeiros não é somente água: representa também o sangue dos nossos antepassados.

Se lhes vendermos a terra devem recordar-se que ela é sagrada e, ao mesmo tempo, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada e que cada reflexo nas claras águas dos lagos conta os acontecimentos e memórias das vidas das nossas gentes.

O murmúrio da água é a voz do pai do meu pai.

Os rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede; são portadores das nossas canoas e alimentam os nossos filhos. Se lhes vendermos a terra, devem recordar-se e ensinar aos vossos filhos que os rios são irmãos deles, e que, portanto, devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão.

Sabemos que o Homem Branco não compreende o nosso modo de vida. Ele não sabe distinguir um pedaço de terra de outro, porque ele é um estranho que chega de noite e tira da terra o que necessita. A terra não é sua irmã mas sim sua inimiga e, uma vez conquistada, ele segue o seu caminho, deixando atrás de si a sepultura de seus pais, sem se importar com isso.

Rouba a terra aos seus filhos: também não se importa. Tanto a sepultura de seus pais como o património dos seus filhos são esquecidos. Trata a sua mãe, a terra, e o seu irmão, o firmamento como objectos que se compram, se exploram e se vendem como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devorará a terra deixando atrás de si só o deserto.

Não sei mas a nossa maneira de viver é diferente da vossa. Só de ver as vossas cidades entristecem-se os olhos do Pele-Vermelha. Mas talvez seja porque o Pele-Vermelha é um selvagem e não compreende nada.

Não existe um lugar tranquilo nas cidades dos Homens Brancos, não há sítio onde escutar como desabrocham as folhas das árvores na Primavera ou como esvoaçam os insectos.

Mas talvez isto também seja porque sou um selvagem que não compreende nada. Só o ruído parece um insulto para os nossos ouvidos. Depois de tudo, para que serve a vida se o homem não pode escutar o grito solitário do noitibó nem as discussões nocturnas das rãs nas margens dum charco? Sou um Pele-Vermelha e nada entendo. Nós preferimos o sussurrar suave do vento sobre a superfície dum charco, assim como o cheiro desse vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.

O ar tem um valor inestimável para o Pele-Vermelha, uma vez que todos os seres partilham um mesmo alento ― animal, a árvore, o homem, todos respiramos o mesmo ar.

O Homem Branco não parece estar consciente do ar que respira, como um moribundo que agoniza durante muitos dias é insensível ao cheiro. Mas se lhes vendermos as nossas terras, devem recordar-se que o ar é, para nós, inestimável, que o ar partilha o seu espírito com a vida que mantém. O vento, que deu aos nossos avós o primeiro sopro de vida, também recebe os seus últimos suspiros. E, se lhes vendermos as nossas terras, devem conservá-las como coisa à parte e sagrada, como um lugar onde até o Homem Branco possa saborear o vento perfumado pelas flores das pradarias.

Por tudo isso, consideraremos a vossa oferta de comprar as nossas terras. Se decidirmos aceitá-la, eu porei uma condição: o Homem Branco deverá tratar os animais desta terra como irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo outro modo de vida. Tenho visto milhares de bisontes apodrecendo nas pradarias, mortos a tiro pelo Homem Branco, da janela de um comboio em andamento.

Sou um selvagem e não compreendo como é que uma máquina fumegante pode ser mais importante que o bisonte que nós matamos para sobreviver.

Que seria do homem sem os animais? Se todos fossem exterminados, o Homem também morreria de uma grande solidão espiritual. Porque o que suceder aos animais também sucederá ao Homem. Tudo está ligado.

Devem ensinar aos vossos filhos que o solo que pisam são as cinzas dos nossos avós. Inculquem nos vossos filhos que a terra está enriquecida com as vidas dos nossos semelhantes, para que saibam respeitá-la. Ensinem aos vossos aquilo que temos ensinado aos nossos, que a terra é nossa mãe. Tudo quanto acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, cospem em si próprios.

Isto sabemos: a terra não pertence ao Homem, pertence à terra. Isto sabemos. Tudo está ligado, como o sangue que une uma família. Tudo está ligado. Tudo o que acontece à terra acontecerá aos filhos da terra. O Homem não teceu a rede da vida, ele é só um dos seus fios. Aquilo que ele fizer à rede da sua vida ele faz a si próprio.

Nem mesmo o Homem Branco, cujo Deus passeia e fala com ele de amigo para amigo, fica isento do destino comum. Por fim talvez sejamos irmãos. Veremos isso. Sabemos uma coisa que talvez o Homem Branco descubra um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar nesta altura que Ele vos pertence, do mesmo modo como desejam que as nossas terras vos pertençam; porém, não é assim. Ele é o Deus dos homens e a Sua compaixão reparte-se por igual entre o Pele-Vermelha e o Homem Branco. Esta terra tem um valor inestimável para Ele, e, se a estragamos, isso provocaria a ira do Criador. Também os Brancos acabarão um dia, talvez antes das demais tribos. Contaminem os vossos leitos e uma noite morrerão afogados nos vossos próprios resíduos.

Contudo, vocês caminharão para a vossa destruição rodeados de glória, inspirados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e que, por algum desígnio especial, lhes deu o domínio sobre ela e sobre os Peles-Vermelhas.

Esse destino é um mistério para nós próprios, pois não percebemos porque se exterminam os bisontes, se domam os cavalos selvagens, se saturam os mais escondidos recantos dos bosques com a respiração de tantos homens e se mancha a paisagem das exuberantes colinas com os fios do telégrafo. Onde se encontra já o matagal? Destruído. Onde está a águia? Desapareceu.

TERMINA A VIDA E COMEÇA A SOBREVIVÊNCIA

Publicado por [Operation Wolf] às 03:15 PM

novembro 24, 2004

Simples desejo indiscriminado

Ela despiu-se praticamente com tanta presteza como ele imaginara, e quando atirou a roupa para o chão foi com aquele gesto magnífico que parecia aniquilar uma civilização inteira. O seu corpo branco cintilava ao sol. Mas só decorridos alguns segundos ele o olhou; tinha os olhos presos àquele rosto sardento, ao leve sorriso atrevido. Ajoelhou-se diante dela e pegou-lhe nas maos.
- Já fizeste isto alguma vez?
- Claro que já fiz. Centenas de vezes. Bom, dezenas, pelo menos.
(...) O coração dele deu um pulo. Ela fizera aquilo dezenas de vezes: oxalá tivessem sido centenas, milhares. Tudo quanto sugerisse corrupção enchia-o sempre de louca esperança. Quem sabe, talvez o Partido estivesse podre por dentro, talvez o seu culto do esforço e da abnegação nao passasse de simples máscara a esconder a iniquidade. (...)
- Escuta. Quanto mais homens tiveres possuído, maior o meu amor por ti. Percebes?
- Percebo perfeitamente.
- Odeio a pureza, odeio a virtude! Só desejo que não haja no mundo uma única alma virtuosa. Quero toda a gente corrupta até à medula.
- Bom, nesse caso devo ser a pessoa ideal para ti. Sou corrupta até à medula.
- Gostas de fazer isto? Quero dizer, mesmo que não fosse comigo? Gostas da coisa em si?
- Adoro!
Era precisamente o que ele queria ouvir. Não o mero amor humano, mas instinto animal, o simples desejo indiscriminado: essa força que havia de destruir o Partido.

[George Orwell, 1991 (1949), 1984, Lisboa: Antígona, pp.130-131]

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:43 PM | Comentários (1)

Palavras necessárias

[Rick Dangerous]

Os camaradas da renovação comunista são incorrigíveis.
Tacteiam à direita e à esquerda, para dentro do partido, para fora do partido, com sede, sem sede e, agora, o XVII congresso do PCP, mais a novela Jerónimo de Sousa, ofereceu-lhes um presente com que se entreter.
Paulo Fidalgo procura teorizar acerca do novo secretário-geral do PCP e da classe operária portuguesa. Ambicioso, lança o seu olhar sobre os anos 30 e tece considerações sociológicas e históricas de grande alcance. Coisas boas e coisas originais. Mas nunca simultaneamente boas e originais. Seguem-se os comentários, para quem os quiser apanhar, e termina-se em jeito de interrogação. Obrigado.

1- Paulo Fidalgo começa por descrever Bento Gonçalves em tons entusiasta: "...o herói do arsenal do Alfeite, célebre pela sua perspicácia de análise – o livro “Palavras Necessárias” – e energia revolucionária.[...] Nos anos 30 do século XX, o torneiro mecânico do Arsenal representava o nervo da classe operária, precisamente aquela que nada tinha a perder com a luta, a não ser as amarras da opressão.
O proletariado industrial das grandes fábricas, organizado então segundo uma divisão de trabalho já complexa e senhor de uma tecnologia, avançada para aquele tempo, transportava uma disponibilidade intuitiva para abraçar e impulsionar a superação radical do capitalismo."


2- Esta descrição, que serve fundamentalmente para contrastar com a de Jerónimo de Sousa, não se baseia em nada a não ser na vontade de Fidalgo em encaixar as peças do puzzle da forma mais cómoda. Fidalgo desconhece o que se tem escrito e investigado acerca da história do PCP e do movimento operário português nos anos 30 ( e bastaria ter lido a biografia de Cunhal para compreender o vazio que sustenta estas afirmações), e só por isso pode achar Bento Gonçalves "perspicaz" e os operários do arsenal da marinha como senhores de uma "disponibilidade intuitiva para superar o capitalismo".

3- Bento Gonçalves, que entrou para o PCP após ter estado em Moscovo ao abrigo de uma acção de propaganda da Internacional Sindical Vermelha, foi um típico dirigente estalinista ("o homem da GPU" como lhe chamavam, excepcionalmente cheios de razão, os homens da CGT) e um sindicalista com os preconceitos e concepções típicas de um operário altamente qualificado profissionalmente. Sociologicamente, estava muito mais próximo dos operários qualificados ingleses que controlavam as associações sindicais até aos anos 80 do século XIX, impedindo a inscrição dos operários desqualificados e indiferenciados (que constituíam precisamente a massa da classe operária que viria a fazer tremer o capitalismo entre guerras).
E o arsenal da marinha era um representante perfeito do atraso tecnológico da indústria portuguesa da época (ao contrário do que viriam a ser as fábricas da cintura industrial de lisboa nos anos 60, nomedamente a Lisnave e a CUF) .


4- Bento Gonçalves opôs-se à greve geral de 18 de Janeiro de 1934, que classificou como "uma anarqueirada", e só o tratamento muito especial que o PCP dá à sua história permite celebrar simultaneamente a sua figura e a greve à qual se opôs, como páginas gloriosas da gesta comunista.

5- Mas há mais. Tendo sido assinado o pacto germano-soviético e encontrando-se Bento Gonçalves no Tarrafal, sem acesso a grande parte das notícias sobre o que se passava na europa, nem por isso hesitou em apresentar-se perante os fascistas que dirigiam o campo e disponibilizar-se para o que fosse necessário, ao abrigo das novas alianças. Chegou mesmo a gravar uma medalha para Carmona, com toda a sua "perspicácia de análise e energia revolucionária". Outros militantes do PCP, também prisioneiros, recusaram o pacto e foram proscritos por essa mesma razão.

6- Para além destas considerações, resta o texto citado por Fidalgo e que dá nome a este post, do qual pouco mais há a aproveitar enquanto contributo teórico do que o rigor na pontuação, gramática e ortografia. Leiam-no e confirmem. Até os textos actuais do Avante! parecem mais interessantes.

7- Mas Fidalgo não se fica por aqui. Ele tem teorizado largamente acerca da nova composição de classe introduzida pelas novas formas de organização do trabalho. E aqui o debate pode ser conduzido de forma mais séria. Mas Fidalgo nem por isso abandona a insutentável leveza dos seus argumentos. Resumida, a sua tese é de que a consciência mais avançada da classe operária se exprime na sua predisposição em gerir os meios de produção. E que os operários da cintura industrial de lisboa, por isso mesmo, são...uma classe sem futuro histórico.
"O actual candidato , faz parte de uma classe operária que, pelo contrário, é mais periférica no saber, expropriada da capacidade de organizar a produção e vítima do fenómeno do operário descartável – a ideia de um segmento da classe operária descartável é teorizada pelo marxista argentino, Juan Inigo Carrera. Transformado assim em peça de uma máquina é, de facto, por ela dominado, qual instrumento mecânico despossuído de toda a réstia de humanidade.Desumanização essa, que é simultaneamente condição incontornável, continuada, da sua valorização social, da obtenção do seu sustento e da sua família.
É um operário forçado a desumanizar-se para defender o que lhe resta de humanidade.
Como corolário da noção de ente descartável, deve somar-se a devastação dos cemitérios da grande indústria e das profissões eliminadas, fruto do progresso tecnológico e da globalização capitalista."

8- Em contraposição aos feios e decadentes operários da cintura industrial, Fidalgo enaltece os "novos segmentos de assalariados, portadores de capacidade tecnológica, detentores de um saber insubstituível na organização da produção e da vida social e que, portanto, fazem tremer o capital no seu papel dominante."

9- Seguem-se então dois parênteses necessários, em forma de interrogações(?).
O primeiro - o que foi realmente a classe operária das cinturas industriais de lisboa e porto ? quais as questões colocadas pela história de conflitos por ela protagonizada antes, durante e depois da revolução ? quais as leituras e respostas dadas pelas organizações políticas a esse protagonismo e, nomeadamente, por aquela à qual Fidalgo pertenceu e à qual o seu pensamento permanece obviamente filiado ? a que se deve então e como se processou a sua derrota, uma vez que ela parece explicar o espírito defensivo de que Jerónimo de Sousa seria o ponto mais alto?
O segundo - desta nova classe de assalariados fazem parte, sem contradições, os médicos que ganham centenas de contos e os precários das telecomunicações que não chegam aos três digítos de salário ? se é o seu saber que determina a sua ameaça sobre o capital, que fazer à sua raiva (sentem raiva os novos assalariados ?) e ódio de classe (sentem ódio os novos assalariados ?)? nenhum/a destes/as cognitári@s votou em Le Pen em França ou em Bush nos E.U.A.? nenhum destes novos assalariados é dominado por máquinas e a elas subordinado "qual instrumento mecânico despossuído de toda a réstia de humanidade"? o que é que eu tenho de fazer então para trocar o meu emprego, no serviço de apoio ao cliente da vodafone, por um desses novos empregos cheios de futuro? o que é a alternativa democrática, de que forma se articula ela com os "conceitos de totalidade e universalidade tão caros aos clássicos do marxismo, e de entre todos eles, a Lenine" e quando é que acabamos com o trabalho assalariado?

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:57 PM | Comentários (3)

Poema para Santana, depois de uma entrevista televisiva

«estou a lembrar-me agora
da história que me contava
um tio antigo
dizia ele nessa altura
olha sobrinho
meu amigo
entre a ratazana
e o cagalhão
há apenas
um intervalo sacana
é o primeiro-ministro
da nação

obrigado tio
está confirmada
a sua opinião»

Mário-Henrique Leiria


[Joystick]

Publicado por [Joystick] às 11:25 AM | Comentários (1)

novembro 23, 2004

Vómito (táctico)II

(pág 3, Soares, Diatadura e Revolução): "Muitas vezes fui vencido em discussões dentro meu próprio partido. Nunca dei uma excessiva importância aos debates ideológicos e sempre condicionei muito mais a minha acção pelas relações políticas e tácticas no terreno, por forma a, pragmaticamente, levar a água ao meu moinho".

[Paradaise Café]

Publicado por [Paradise Café] às 07:14 PM | Comentários (1)

Vómito (de classe)I

A rúbrica Vómito será exclusivamente composta por excertos da entrevista que Mário Soares deu a Maria João Avilez, que, como sabem, foi transformada em três livros pela mão da Círculo de Leitores.

Aqui segue então a primeira preciosidade:
Quando falava com a entrevistadora sobre o perigo comunista pela altura do Verão Quente, Soares diz:

(pág 464, Soares, Ditadura e Revolução) "Estou a lembrar-me, por exemplo, de uma reflexão que fiz um dia, com a Maria de Jesus, no mais aceso Verão Quente. Estava muito calor, era domingo, decidimos ir passear até Nafarros. Fui a guiar, uma coisa que faço quando estou bem disposto. Vamos pela costa, para ver o mar, sugeri a minha mulher. Fomos os dois, devagar por ali fora. Perto do mar começámos a ver cachos e cachos de automóveis, e, na areia, uma multidão de pessoas. As praias e os parques automóveis estavam literalmente a abarrotar! Como é possível - pensei - com esta classe média tão forte, com toda esta gente nas praias, que se venha a dar aqui um golpe comunista? Não era.

[Paradise Café]

Publicado por [Paradise Café] às 06:52 PM | Comentários (2)

Os Bravos do Comité Central

Outros membros do Comité Central que estão distantes das teses ortodoxas não participaram sequer nesta reunião. Entre eles contam-se Octávio Teixeira, ex-líder parlamentar comunista, Rui Sá, vereador do PCP na Câmara Municipal do Porto, Jorge Gouveia Monteiro, vereador em Coimbra, e António Lopes, antigo membro da Comissão Política.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 01:46 PM

Putin, Old School...

«O que eu gosto é de atingir a meta que fixei. E se algo me impede disso, elimino-o.»

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 12:08 PM

novembro 22, 2004

«Sou muito renascentista»

A Guta Moura Guedes – já falámos dela aqui – vai mesmo para Administradora do CCB (8 milhões de euros de orçamento para 2005). Então, a tal Guta esteve na TSF para falar um pouco de si.

Ficámos a saber que esta mulher é, segundo ela própria se definiu, “muito renascentista” (Da Vinci dá uma volta na tumba). Definição de renascentista: “toquei piano mas desisti por causa da matemática” (Da Vinci dá a segunda volta na tumba), “queria ser bióloga e entrei em Biologia nos Açores mas decidi não ir” (aguenta-te, Da Vinci!), “por causa de um amor… as minhas grandes decisões são sempre tomadas com o coração” (DA VINCIIIIIIII)...

[Joystick]

Publicado por [Joystick] às 11:41 PM | Comentários (4)

Loading in Berlin

Aproveitando o balanço do penúltimo post, também eu inicio aqui a minha participação. Começo por confessar que nunca joguei Spectrum. A primeira consola que quis ter foi uma Sega Master System (apesar de ter acabado por nunca ter nenhuma).
Para escolher um nome, fui ao site aí ao lado procurar na lista dos jogos mais populares. Rex pareceu-me bem porque, vivendo em Viena, sempre vai ladrando em alemão.
Vou prometendo para breve notícias desta cidade onde um dia todas as direcções foram leste. Outros tempos em que os pontos cardeais eram muito mais que pontos cardeais. Bis bald.

[Rex]

Publicado por [Rex] às 11:00 PM | Comentários (7)

Disponível em embalagem familiar

[Joystick]

Publicado por [Joystick] às 10:48 PM | Comentários (2)

Let`s play some spectrum

Sabouteur, Jumping Jack, Manic Miner, Joystick, Paradise Cafe, Renegade, Rick Dangerous, em suma, uma balbúrdia, doce como o troar de uma redacção.
Amigos, joguei pouco spectrum, passava esse tempo a ler Uma Casa na Pradaria, Langelôt-o AgenteX, a colecção pêndulo da Europa-América e a ver filmes com o Humphrey Bogart. Depois, quando dei por isso já estávamos na era PC e do Prince of Persia. Enquanto o meu corpo era esquartejado por lâminas implacáveis percebi que os jogos iam trazer-me para sempre uma ansiedade e inquietude inconsoláveis. Os autores do Matrix perceberam isso e fizeram um retumbante sucesso. Reload it and let`s get some bastards.
[Operation Wolf]

Publicado por [Operation Wolf] às 05:40 PM | Comentários (1)

Já não se arranja gente séria para trabalhar

Já não se arranjam pessoas sérias neste país, queixou-se no outro dia a minha tia ao meu pai, referindo-se às empregadas domésticas (“as criadas”, como ela lhes chama).

Mas não é só cá: Durão Barroso, depois de ter tido de reformular a sua proposta de Comissão Europeia, por os italianos lhe terem infiltrado na área da Justiça e Liberdades uma espécie de Grande Inquisidor da idade média; descobre agora que para os Transportes, os franceses lhe impingiram um notório fora-da-lei, condenado pela justiça francesa, que só escapou à prisão porque o seu companheiro de partido – Jacques Chirac – em boa hora, lhe concedeu uma amnistia.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 03:26 PM

novembro 21, 2004

A pergunta do referendo

Para fazerem esta pergunta que ninguém percebe, mais valia nem sequer fazerem referendo. Assim só desacreditam a política, a Assembleia da República, a Democracia e um dos seus instrumentos fundamentais: O Referendo.

Ao menos tenham a coragem política de dizer desde já que – à semelhança do plebiscito de 33 sobre a Constituição do Salazar – tencionam considerar todas as abstenções como votos a favor.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 07:42 PM | Comentários (3)

Sampaio em autoflagelação

Quantas noites de sono terá perdido Sampaio, com remorsos, por não ter dissolvido o Parlamento e convocado eleições legislativas antecipadas quando o Sr. Zé Manel foi trabalhar para o estrangeiro? Espero que muitas.

Agora, como sinal de arrependimento, Sampaio autoflagela-se e veta a criação da central de informação. Um género de Interact - a dos outdoors de Lisboa, do "Reparou que consertámos a calçada", "Parque Mayer em seis meses", etc. e tal - mas com direito a orçamento de Estado e outdoors em todas as rotundas de Portugal, não só no Marquês de Pombal.

Sampaio, presidente moribundo - morra, pim! -, vem agora dizer que "o esforço da participação dos cidadãos na vida política deve ser obtido através da preservação e incentivo do pluralismo e não da criação de um novo serviço administrativo de publicitação da actividade do Governo".

Senhor Presidente, senhor Presidente... Então achou por bem que os cidadãos não se expressassem eleitoralmente (mas enche a boca de «participação dos cidadãos na vida política» e «pluralismo»), em nome de uma estabilidade bacoca, e agora anda a pavonear-se com um veto a uma ideia orwelliana do Santana? Não conhecia a personagem? Ou achou que a gente - cá deste lado - aguentava dois aninhos com o burgesso enquanto V. Ex.a limpava a culpa com uns vetinhos avulsos?

[Joystick]

Publicado por [Joystick] às 02:39 AM

novembro 20, 2004

Fallujah in Pictures

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Estas e outras fotos, retiradas deste Blog.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 05:50 PM | Comentários (1)

"Já não há resistência digna desse nome"

crime19.jpg

O pivôt da televisão informa-me satisfeito, que segundo um porta-voz do exército norte-americano, "neste momento já não há resistência em Fallujah, diigna desse nome".

De qualquer forma, coloquei aqui ao lado um link para ir acompanhando as últimas notícias do Iraque.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 05:40 PM | Comentários (2)

novembro 19, 2004

Andrea

Props para o meu people em Bologna. Distorsioni corporee, simbolismo magico, visioni.

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 05:03 PM | Comentários (4)

Palombella Rossa

Se o comunismo fosse um filme...

...Jerónimo seria as últimas linhas do genérico.

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:40 PM

Crash

Props para o meu people em Bologna. Enjoy high tech proletariat...

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:21 PM | Comentários (1)

It's my party

Jerónimo de Sousa ainda não é o Secretário-geral do PCP. Caberá ao Comité central eleito no congresso tomar essa decisão

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:14 PM | Comentários (1)

Bush foi ao Chile relembrar os bons velhos tempos

Mais de 400 pessoas presas, incluindo os/as repórteres do Indymedia de Santiago, que nos oferecem esta reportagem de proximidade, acabada no interior de um carro blindado, a caminho da prisão. Uma outra guerra é possível.

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:55 PM

Mão invisível ataca novamente

"A produção de ópio aumentou em 64 por cento este ano face ao ano de 2003 no Afeganistão, o que levou as Nações Unidas a alertar para o perigo do país se tornar um narco-estado. Em 2003, o produto destas culturas gerava cerca de 2,8 mil milhões de dólares, ou seja 61 por cento do PIB do país. Estima-se que actualmente um em cada dez afegãos esteja envolvido no negócio da droga. Em 2003, o Afeganistão era responsável pelo fornecimento de 76 por cento da heroína a nível mundial, e este ano a percentagem subiu para 87 por cento."


[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:28 PM

Aquilo a que nós chamamos progresso

«Existe um quadro de Klee que se intitula Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparar-se para se afastar do local em que se mantém imóvel. Os seus olhos estão escancarados, a boca está aberta, as asas desfraldadas. Tal é o aspecto que necessariamente deve ter o anjo da história.
O seu rosto está voltado para o passado. Ali, onde para nós parece haver uma cadeia de acontecimentos, ele vê apenas uma única e só catástrofe, que não pára de amontoar ruínas sobre ruínas e as lança a seus pés. Ele queria ficar, despertar os mortos e reunir os vencidos. Mas do paraíso sopra uma tempestade que se apodera das suas asas, e é tão forte que o anjo não é capaz de voltar a fechá-las. Esta tempestade impele-o incessantemente para o futuro ao qual volta as costas, enquanto diante dele e até ao céu se acumulam ruínas. Esta tempestade é aquilo a que nós chamamos progresso.»

Walter Benjamin, Teses sobre a Filosofia da História

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 03:10 PM

Democracia americana

Estudo académico revela que máquinas de contagem de voto electrónicas na Florida "ofereceram" 260.000 votos a George Bush nas eleições de há três semanas atrás. Probabilidade de ocorrência deste estranhíssimo fenómeno é de 1 em 1000.

Para ler mais, consultem:

http://www.wired.com/news/evote/0,2645,65757,00.html?tw=wn_tophead_1


[Jumping Jack]

Publicado por [Jumping Jack] às 01:56 AM | Comentários (1)

Uma excelente ideia

http://scholar.google.com

O Google acaba de lançar um motor de busca que restringe a pesquisa a artigos científicos em vez de páginas web.

O motor ainda se encontra em fase de teste, mas os resultados actuais são prometedores.

[Jumping Jack]

Publicado por [Jumping Jack] às 01:19 AM | Comentários (1)

novembro 18, 2004

Jerónimo, tomo IV - post para acabar, de uma vez por todas, com o assunto jerónimo-a-secretário-geral-pré-congressual

O pior da entrevista à Capital - ou será o melhor? (estou numa fase em que já nem sei) - não são os pontapés aos estatutos. São os pontapés ao sentido. Dois exemplos:

Exemplo 1
«É um partido que, honrando a sua história e a sua memória, continua a ter mais projecto que memória, tendo em conta a realidade em que vive, aberto, atento às mudanças, às mutações e às transformações sociais e que entretanto se alteram devido à nossa natureza e a nossa identidade».

Como?! Que dizeis?

Das duas uma: ou o Jerónimo decidiu que tinha de utilizar os conceitos "partido", "história", "memória", "aberto", "mutações", "transformações sociais", "natureza" e "identidade" numa única frase ("BANCA!"), mesmo que a torre de babel frásica significasse zero, ou pensa que faz sentido dizer que as mutações sociais se alteram (repito: MUTAÇÕES QUE SE ALTERAM) devido (repito:DEVIDO) à identidade do PCP.

Exemplo 2
«No meu partido, ao contrário de outros, nós somos militantes onde naturalmente existem militantes com diversas responsabilidades e categorias».

Ah?! Quê?!

Mas como é que insiste em repetir palavras numa mesma frase (antes tinha sido "memória")? A minha única fé é que seja gralha tipográfica.

Ficámos a saber que existem categorias organizativas dos militantes que, deste modo, não são iguais entre si. Lá foi por água abaixo a tal ideia do Cunhal ser um militante igual aos outros - também nunca ninguém acreditou. Ou será que estava a falar de categoria como ordem de valor, género "militante de grande categoria"? E que outros partidos são esses onde os militantes não têm diferentes responsabilidades nem categorias?

[Joystick]

Publicado por [Joystick] às 11:11 PM | Comentários (1)

Fico chateado, com certeza que fico chateado...

Escrevo inflamadamente sobre o quão mau é o Jerónimo Sousa para Secretário-Geral do PCP e PQz pergunta-me "e isso faz alguma diferença?"...

Já ontem, um camardada do Blog, perguntou-me "mas tu perdes tempo com isso?"

A razão porque "perco tempo" com isto nem sequer passa tanto por qualquer rancor pessoal, por praticamente não ter tido outra vida entre os 18 e os 25 anos para além do Partido, que agora se afunda mais rapidamente do que nunca, neste pântano onde o colocaram…

A principal razão é que eu sou comunista, e o PCP – bem ou mal – é ainda o principal partido comunista no país…

A desgraça do PCP, de certa forma, acaba também por ser a desgraça do ideal comunista em Portugal… na medida em que, o PCP, cada vez mais, é nocivo para o movimento dos trabalhadores e para a CGTP; é nocivo para os movimentos sociais; é nocivo para o debate e reflexão, que é necessário aprofundar, sobre as alternativas ao capitalismo; é nocivo para a própria imagem do comunismo e da esquerda, em geral.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 09:29 PM | Comentários (5)

Como Uma Força Que Ninguém Pode Parar


A primeira parte ainda foi taco-a-taco, mas, diz o Público, "quando começou a segunda parte, Portugal estava quentinho" e com a infinita beleza do seu 4x3x3 foi só facturar.
O mesmo se sucede com estes senhores do PCP: no início estiveram quase a perder, os adversários chegaram mesmo a dar grandes goleadas, e com casa cheia. Do outro lado estava uma equipa com impulso e novidade; ficaram de rastos... Mas durou pouco, depois, na segunda parte, com um esquema táctico de uma lubrificada beleza não deram hipóteses. É verdade que o árbitro ajudou. Não marcou faltas, os cartões foram ficando no bolso, etc. Mas ninguém deve justificar uma derrota com a arbitragem, não é? Fica mal.
Ontem terminaram os 90 minutos, mas com tamanha goleada logo ao início da segunda parte, quem é que se podia surpreender com esta derrota tão expressiva?
[Paradise Café]

Publicado por [Paradise Café] às 05:44 PM | Comentários (3)

Começa bem, este Secretário-Geral...

Numa primeira entrevista pública, ao diário A Capital, Jerónimo Sousa espalha-se logo na primeira resposta que dá:

”Esse é um processo [a eleição de Secretário-Geral] que vai culminar apenas no dia 27 de Novembro, no Congresso, com a eleição do Comité Central e com a eleição dos órgãos executivos que, por sua vez, elegerá o futuro secretário-geral. Não é uma questão do partido propriamente dita. Note que há ainda um processo a decorrer. A consulta que está a realizar-se naturalmente ajudará os organismos executivos a formular e a considerar a proposta que será apresentada ao Comité Central no Congresso. É um acto absolutamente normal num processo de construção colectiva do partido.”

Eu já nem falo do “Não é uma questão do partido propriamente dita”; e nem tão pouco falo do acaso de se ter engendrado já (sim, porque estas coisas combinam-se com o Gabinete de Imprensa do Partido) uma entrevista com chamada à primeira página do “candidato” dos organismos executivos… antes ainda da derradeira reunião do Comité Central (CC) que supostamente vai propor o homem…

O que mais me espanta é a própria confusão que o Jerónimo faz, não dizendo claramente quem é que afinal vai eleger o próximo Secretário-Geral. Ele estará ciente que – segundo os estatutos do PCP – a sua eleição formal vai ser feita numa reunião do futuro CC? Pensará ele que é feita ao nível dos organismos executivos do CC (Secretariado ou Comissão Política)? É que a sua resposta é dúbia quanto a isso… E é gafe ou é propositado?

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 04:44 PM | Comentários (2)

Já nem as aparências querem manter

dn.bmp

Esta hilariante capa do DN, é um objecto de estudo: O Primeiro-ministro, pouco conhecedor dos dossiers e pouco à vontade para debater a substancia das suas políticas, prefere dizer (acreditará?), que a recessão é um estado de espírito, um problema de “baixo astral”. O DN arranjou a foto e o slogan ideal para o outdoor.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 03:39 PM

Governo exige....

direito ao contraditório no relatório da Alta Autoridade para a Comunicação Social.

[Jumping Jack]

Publicado por [Jumping Jack] às 03:24 PM

novembro 17, 2004

A linha dura é um bocado mázinha...

Passam a vida a fazer maldades ao homem!

Já lhe tinham feito a cama, mas era necessário lançar a bomba de que ele ia sair de Secretário-Geral, quando ele estava em plena campanha nos Açores.

Lá o mandaram, sozinho, ler a sua nota de despedida... no meio do Atlântico, sem ninguém ao lado, sem ninguém a bater palmas ou a dizer "então obrigadinhos".

Agora, estava o homem a discursar na Assembleia da República, em grande estilo, e lançam a novidade: O Secretário-Geral afinal é aquele senhor do lado, o deputado Jerónimo de Sousa, qualquer coisa, já sabem.

Não se faz, caramba... Assim de surpresa, à presa, antes da derradeira reunião do Comité Central que iria "escolher"...

Ao menos desta vez, Carvalhas teve um pouco melhor: Saiu dali para fora. Afinal a bancada não precisa de 2 Secretários-Gerais, e ele - Carvalhas - já cumpriu há muito o seu papel...

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 06:47 PM | Comentários (4)

Bengaladas ?

"O bom do Daniel Oliveira irritou-se porque escrevi que ele era licenciado. Dado a autoridade com que se pronuncia sobre todos os males do mundo, julguei que o senhor Oliveira (espero que não se ofenda com o trato formal) possuía alguma formação especializada. Não me passou pela cabeça que fosse um autodidacta. Mas, vendo bem, deveria ter desconfiado."

Vasco Rato

Uma boa desratização será suficiente. Todos nos surpreenderiamos se alguma coisa já lhe tivesse "passado pela cabeça".


[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:54 PM

Um discreto cheiro a bafio que se insinua

"É muito difícil governar um país nos tempos de hoje."
Pedro Santana Lopes

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:46 PM

O mundo é um filme americano

- He's fucking faking he's dead!
- Yeah, he's breathing";
- He's faking he's fucking dead!
- He's dead now.

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:16 PM | Comentários (1)

Brechas no partido da guerra

«As demissões do vice-director para as operações do serviço clandestino Stephen Kappes e do seu vice, Michael Sulik, ambos ao serviço da CIA nos últimos 23 anos, são para alguns sinal de que alguma tensão entre a velha guarda da agência e o que alguns críticos consideram um novo regime muito agressivo.»

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 04:07 PM

Novo Secretário-Geral no PCP

Jerónimo Sousa já foi indigitado oficialmente pela Direcção do PCP, como o próximo Secretário-Geral a suceder a Carvalhas.

Não estou nada surpreendido. Aliás, já tinha assumido que tinha perdido a aposta que tinha feito com os meus camaradas, quando saíu a primeira notícia no jornal (aquela que tramou o Carvalhas em plena campanha eleitoral dos Açores).

Apostei que escolhessem o Chico Lopes, mas ele, pelos vistos, preferiu continuar na sombra a movimentar as peças do xadrez partidário sem estar a ser importunado por debates televisivos, necessidades de tomadas de posição, comícios pelo país e coisas do género… São coisas que só dão trabalho, ocupam tempo e não dão tanto poder efectivo dentro do aparelho como outras “tarefas”.

Assim, realmente, para o grupo que tomou conta do PCP no 16º Congresso, as coisas ficam bem mais simples: Para SG fica um homem sem dinâmica, sem iniciativa, com problemas pessoais que sobra para agora estar-se a meter em “grandes cavalgadas” de contestação ao poder instalado ou às propostas delineadas pelos grandes dirigentes teóricos do Marxismo-Leninismo-Português.

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[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 02:37 PM | Comentários (2)

novembro 16, 2004

Associação mental


[Jumping Jack]

Publicado por [Jumping Jack] às 07:31 PM | Comentários (2)

Quando a tragédia soa a boa ideia...

"Há o último dos moicanos e o último dos cavaquistas, lugar a que me candidato humildemente. Eu apoiarei Cavaco Silva como candidato presidencial, mas o que verdadeiramente eu quero é Cavaco Silva como candidato a Primeiro-ministro de Portugal. O que faz toda a diferença. Assim seja."
Pacheco Pereira

[Jumping Jack]

Publicado por [Jumping Jack] às 07:18 PM | Comentários (1)

Cada vez mais endividados

Dois posts abaixo, referi a principal crítica da actual Direcção do PS a este Governo.

Agora, com a divulgação do último Boletim Económico do Banco de Portugal, ocorrem-me o que eram as principais críticas do PSD ao antigo Governo PS: O défice público (crescente endividamento do Estado), e o crescente endividamento das Famílias.

Sobre a primeira questão estamos conversados: Manuela Ferreira Leite congelou os salários da função pública; fechou institutos; cortou verbas a uma série de serviços públicos e se não fossem as chamadas “medias extraordinárias” (venda de património ao desbarato, venda de créditos aos sauditas, canibalização do fundo de pensões dos CTT), não teria conseguido fazer muito melhor. Quanto ao Bagão Félix, já estamos ainda mais que conversados…

Sobre a questão da dívida das famílias, o Banco de Portugal estima que no final do ano o endividamento das famílias ronde os 118% do Rendimento Disponível, contra os 111% de 2003.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 04:03 PM

A política do "É Um Tiro Nos Cornos, Caralho"

Já tínhamos ouvido falar desta teoria da acção política em conversas de café, em táxis lisboetas. Ontem vimo-la objectivada, nas televisões que decidiram mostrar, com mais ou menos censura, as imagens da NBC. Está um iraquiano ferido (ou morto?) no chão, o soldado acha que ele respira e então resolve a situação... com um tiro nos cornos, caralho.

O Exército americano informou que decorrem investigações sobre se a atitude do soldado integra, ou não, o espírito da legítima defesa.

A teoria do "É um tiro nos cornos, caralho" é, como toda a gente sabe, um conjunto de ideias para uma legítima defesa actuante que elimina o risco antes de ele existir, uma vez que, sem margem para dúvidas, o risco existirá, mais tarde ou mais cedo. Um ferido moribundo pode assumir poderes sobrenaturais, cagar uma kalachnikov, num último esforço de vida, agarrá-la e chacinar todos os marines em volta. É muito perigoso.

[Joystick]

Publicado por [Joystick] às 11:40 AM | Comentários (2)

Entendimentos e desentendimentos à Direita

O Congresso do PSD deixou claro que a coligação PP / PSD está com os dias contados.

No máximo, durará até vésperas das Legislativas para que o PSD possa colocar tudo o que de mau aconteceu no PP e o PP possa reganhar espaço a cascar no Governo.

Entretanto, Narana Coissoró adianta que “o CDS-PP não está refém do PSD para futuras coligações” e admite mesmo “pontos em comum com os socialistas”.

Com um PS cada vez mais à Direita, que baseia, por exemplo, toda a sua crítica à política económica do Governo na fraca consolidação orçamental e na descida do rating do país por parte de uma consultora Internacional, parece haver terreno fértil para uma nova coligação/entendimento PS - PP.

Então, se o PS ficar a 1 ou 2 deputados da maioria absoluta, como ficou Guterres, não tenho muitas dúvidas que o Eng. Sócrates mais depressa faz passar o orçamento e outras leis com o apoio da gente cordata do PP, do que com o apoio da Esquerda.

Esperemos que me engane.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 10:23 AM

novembro 15, 2004

O próximo homem forte....

[Jumping Jack]

Publicado por [Jumping Jack] às 04:48 PM | Comentários (1)

Para quem tinha dúvidas...

Para quem se interrogava sobre os próximos anos de política Bush.
"Moderado" Colin Powell demite-se a um mês do fim do mandato.

[Jumping Jack]

Publicado por [Jumping Jack] às 04:18 PM

A instrumentalização do assassinato de Van Gogh

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O Daniel Oliveira e o seu Blog, têm estado muito bem a comentar o assassinato de Theo Van Gogh. (o homem da foto, que os jornalistas recordam sempre ser bisneto do genial pintor Van Gogh, e não ser um dos mais polémicos cineastas holandeses, conhecido pelas suas declarações-choque sobre muçulmanos, judeus e católicos)

Infelizmente, creio que é dos únicos.

O que se mais vê por aí são textos a descambar no “terrorismo árabe”, no “extremismo” ou “fundamentalismo islâmico”, no “ódio ao ocidente”, ao “nosso modo de vida”, à "nossa civilização”… enfim, textos em que no fundo a mensagem é a da guerra infinita, a do choque de civilizações (uma boa e outra má), a do ódio aos imigrantes, a paranóia securitária, etc.

Fruto de uma estratégia que tem o seu epicentro nos neo-conservadores que apoiam a guerra no Iraque, no Irão, na Palestina, na Síria… com a ajuda dos poderosos meios de comunicação que estão ao serviço desta gente, e com a ajuda dos habituais transmissores de opinião ‘neo-cons’ que existem pela Europa fora, o preconceito anti-islão e anti-arabe está a ganhar dimensões assustadoras.

Tal como há 5 anos atrás um assalto era um assalto e um “assalto perpetrado por um indivíduo de raça negra”, era outra coisa. Hoje, um assassinato praticado por um fanático religioso – quando muçulmano – é um “acto-de-Terrorismo-Islâmico-que-obriga-a-repensar-toda-uma-série-de-coisas”. Se for um maluco que assassinou uma ministra sueca, se for um puritano que assassinou um médico que faz IVG’s numa clínica da Califórnia, então tratam-se de maluquinhos que cometeram actos criminosos e precisam de ser apanhados pela polícia.

Está a ser criada muito rapidamente uma cultura de desconfiança em relação ao Islão e aos árabes, que ainda se vai transformar num dos grandes problemas do séc XXI. …E se calhar, daqui a uns anos, muita gente vai ter vergonha do que escreve hoje.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 02:22 PM

Assobiado

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Interessante ver que quando Morais Sarmento refere o PCP e “os dinaussauros do PCP”, não houve nenhum Delegado do Congresso do PSD que expressasse qualquer tipo de emoção… foi a indiferença total.

Agora, quando se referiu ao “grilo falante do Bloco de Esquerda”, a reacção foi instântanea: Aplausos e assobios. Aquilo tocou-lhes lá em qualquer coisa…

É triste: Domingos Abrantes chegou a ser preso e torturado, e agora, um economista com voz de padre, mete muito mais medo à burguesia do que ele.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 10:47 AM | Comentários (2)

novembro 14, 2004

How are You ?

A trabalhar de madrugada para manter satisfeitos os accionistas.
E, perguntam vocês, quem diabo liga a estas horas para um call center? Pelo menos 5 macacos por minuto, tantos como os infelizes que aqui estao a estas horas, num open space gigantesco e assustadoramente silencioso.
E tudo isto enquanto o Carrapatoso se rebola entre duas menores de idade do sudeste asiatico, algures numa quinta reservada nos arredores de Lisboa.


[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 01:43 AM | Comentários (1)

novembro 13, 2004

Jornalismo pelas ruas da amargura

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Ontem, quando o corpo de Arafat chegava ao Cairo, o jornalista da RTP dizia qualquer coisa como “o mundo acredita que agora se pode abrir finalmente uma nova janela de oportunidade para a paz...”

Chateado com esta moda irritante da “janela de oportunidade”; chateado com o facto de tantos jornalistas se esquecerem que é Israel que ocupa a Palestina, que desrespeita as resoluções da ONU, que manteve preso nos últimos anos o Presidente e Prémio Nobel da Paz, Yasser Arafat...chateado por hoje em dia ser tão fácil falar em nome "do mundo", mudei de canal.

Na SIC, o Dr. Santana Lopes, comunicava ao país que as castanhas assadas que estava comer “se desfaziam na boca”, que “eram muito doces”, “mas que era mesmo assim que gostava”, “que estavam deliciosas”... depois filmam o homem que vende as castanhas todo contente... 30 a 40 segundos de conversa da treta do nosso primeiro-ministro, seguido por uma grande intervenção final do tolinho do jornalista: “Pelo menos por um dia, Bragança pode dizer que foi a capital do país”.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 03:47 AM | Comentários (4)

novembro 12, 2004

Pérolas da Tribuna do Avante!

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«(...) quando ouvimos o ministro Bagão Félix alcunhar os trabalhadores de calões e preguiçosos e aqueles não reagem mal vai a vida no nosso país no campo dos trabalhadores e podemos alargar isto ao mundo inteiro, e atrevemo-nos a perguntar: Quem os irá acordar? É dramático pois quem produz o pão e os outros alimentos que aqueles senhores comem sejam alcunhados de calões! Quem abre as auto-estradas por onde circulam sejam alcunhados de calões!

Posto isto, são os trabalhadores os únicos capazes e interessados em dar um pontapé no cu daqueles impostores. Mas porque não o fazem? De facto o capitalismo está em crise e esta aprofunda-se dia a dia cada vez mais e durará menos tempo se os trabalhadores abrirem rapidamente os olhos, acordarem do sono de que atrás falámos.»

Manuel Gomes, Lisboa

[Renegade & Joystick]

Publicado por [] às 11:06 PM | Comentários (1)

Os Dólares de Arafat

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Diz-se que Arafat terá uns milhões em contas secretas na Suiça.

Onde é que queriam que o Presidente Executivo da OLP tivesse o dinheirinho depositado? No Banco Nacional de Israel? Ou seria melhor guarda-lo debaixo do colchão?

Os editores do Acidental, já não são desse tempo, mas naturalmente a vida teria sido muito fácil para os seus paizinhos, se o Movimento das Forças Armadas tivesse aberto em 1973, uma conta bancária no banco Totta em nome de M.F.A. (assinaturas solidárias de cheques: Otelo Saraiva de Carvalho ou Salgueiro Maia)

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 08:27 PM

O que é que tem o Spectrum de diferente dos outros ?

O tempo histórico que nos une tem o ruído de uma cassete, o rshhhhhhhggggggggggiiiiiiiiiióóóóóóóó de um jogo a tentar entrar sob os nossos olhos num televisor em que o zapping era entre dois canais, nos longínquos botões do aparelho. Seguiu-se uma era PC, sem que terminasse o barulho de cassetes e os malfadados loading errors, mas essa é outra história. Agora que fizemos um ctrl-alt-del sobre o assunto e que o controlo remoto permite escolher outros canais ou, simplesmente, desligar o aparelho, estamos a redescobrir e reinventar o spectrum.

Este trabalho contínuo de reconstrução e o nosso inolvidável passado de pré-adolescentes que partilharam um ZX Spectrum da Sinclair – recordemos que eram tempos em que os heróis dos jogos sofriam de tetraplegia que impedia o movimento harmonioso dos quatro membros e que os dicionários multimédia são invenções recentes – não só nos dificulta a missão de caracterizarmos o nosso blogue, como nos impossibilita de organizarmos os povos e as pessoas, designadamente as que escrevem aqui, em gavetinhas de escrivaninha.

Ainda assim, se nos pedissem para descrevermos os assuntos do nosso blogue com palavras começadas pela sílaba “con”, diríamos que o Spectrum é mais orientado para a blasfémia convicta sobre o contemporâneo, o conterrâneo e o concorpóreo do que sobre o conciliatório, o condicente e o confortável. Sobre estes últimos assuntos já muito está escrito, sobretudo por pessoas que teimam em acreditar que não há assim tanto futuro para vir, e que, se vier, se apresentará de botinhas de lã e não com o ruído com que sempre se apresentou: rshhhhhhhggggggggggiiiiiiiiiióóóóóóóó.

[ZX Spectrum Crú]

Publicado por [] às 04:26 PM | Comentários (5)

Morreu Abu Ammar (1929-2004)


"Um líder no mínimo moderado.E agora de repente chamam-lhe terrororista? Sempre lutámos para provar a nossa identidade, sofremos passando fronteiras, sendo humilhados entre os regimes árabes. Arafat lembra-nos toda a nossa história, todas as agonias, todos os lutos. E sendo líder de uma nação maioritariamente muçulmana, respeitou todas as religiões, manteve-se secular. Num mundo em que o fanatismo se espalha tanto, é algo a não esquecer."
Salma Khalidi, Amari(Ramallah)

[Rick Dangerous]



Publicado por [Rick Dangerous] às 03:45 PM

novembro 11, 2004

Formas de Violência

«Chamar - não muito longe, a montante do tempo - "Escrivão da pena grande" ao varredor municipal do lixo.

Escrever e publicar um livro com o título "O Preto que tinha a alma branca".

Conceber, fabricar e pôr à venda bonecas e bonecos assexuados.

Abominar, ao ponto de proibir ou desejar ver proibir, os brinquedos chamados belicistas, com o pretexto de que são de um "realismo atroz" ou que - pior ainda! - se é pacifista. (Por estas e por outras é que há muito consequente pacifista que chega a adulto desarmado. É caso de perguntar: E a paz quem a defende? E como?

Noticiar rixas urbanas ou suburbanas, ocorridas naquele mundo que os cronistas castiços apodam de "as alfurjas", identificando como "caboverdianos" alguns caboverdianos, entretanto "integrados", que nelas possam ter participado. (Para remover lixo citadino, não precisam de pátria ou nome; para anavalhar ou capoeirar o cidadão, sim.)

Votar de braço ao alto (quase nunca ao baixo).

(...) Desaconselhar ou desacreditar a prática da política com razões deste jaez: "O que o povo quer é trabalhar em paz". (E se o povo quiser trabalhar em zás-trás-pás?)

Perguntar - como, microfone na mão, se perguntou - a uma velha camponesa transmontana: "A senhora sabe o que é a política?" (Lá do seu universo ela respondeu que não sabia, mas quem, realmente, mostrou que não sabia, cá do nosso universo, foi o perguntador, rapaz de boas maneiras, mas de fracas ideias, um que pensa, afinal, que a água começa nas torneiras...)»

Alexandre O'Neill

[Joystick]

Publicado por [Joystick] às 11:46 PM | Comentários (1)

Malta, tá na hora d'abrir a pestana!

A Ryanair chegou a Portugal!
Salve, companhia abençoada! Derramarei vinho doce no teu balcão! Degolarei um anho pelas tuas tarifas! Comerei a hóstia sagrada a bordo dos teus aviões! Ai de mim, que me sinto perder na vertigem dos 10 000 metros de altitude!

Às vezes o capitalismo surpreende-nos com coisas boas demais. 50% mais barato que a Easyjet.
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde!

Somos cada vez mais europeus (lá está: assim sim!).

Viagens a 15 Euro (só se pagam taxas) do Porto para Londres e volta. De Londres para o resto da Europa. Atenção, só até 18 de Novembro.

Já fiz as contas, férias em Roma de visita ao meu irmão por 46 Euro ida e volta de avião! Passagem de ano em Londres?

Depois não digam que não sabiam.

[Renegade]

Publicado por [Renegade] às 10:00 PM | Comentários (1)

Experiência quimica

Santana Lopes nomeou a sua ex-chefe de gabinete na Câmara Municipal da Figueira da Foz para vogal do conselho de administração do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT).

De acordo com o despacho conjunto do primeiro-ministro e do ministro da Saúde, publicado anteontem em «Diário da República», Ana Maria Rodrigues Malho, licenciada em Direito, «reúne as características específicas e adequadas ao desempenho do cargo, atento o seu perfil curricular e profissional».

Analisando o seu «curriculum Vitae», verifica-se que a nova vogal do IDT fez a sua carreira profissional praticamente toda na câmara da Figueira da Foz entre 1998 e 2001.

No entanto, dizem as más línguas, que era ela que lhe orientava a coca para as festanças... Afinal alguma experiência deve ter.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 02:18 PM

The smell of napalm in the morning

Enquanto aguardamos a macabra contabilidade do número de mortos provocados pela precisão dos marines e aviões norte-americanos em Falluja, vale apena acompanhar as notícias que nos chegam através do Público (Sofia Lorena e Jorge Almeida Fernandes).
A grande maioria dos combatentes "rebeldes" abandonaram a cidade - onde existiria uma república islâmica formada por "emires" e mullahs, e os Marines já atingiram o centro da cidade - ocupando mesquitas sem grandes resistências.

A primeira nota a reter relativamente à operação rebaptizada desta semana (passou do espectacular "Fúria Fantasma" ao mais optimista e comedido "Alvorada") , dando o devido desconto à onomástica retirada das Mil e uma noites, é o claro reforço das facções islamitas no iraque, a sua capacidade de assumir a liderança ou de se fundir com as lideranças locais.

A segunda parece ser um facto que salta à vista para lá das retóricas acerca da invencibilidade dos invasores e da sua clara vitória em terras mesopotâmicas. Após terem preparado cautelosa e arduamente uma operação destinada a demonstrar a sua superioridade sobre a guerrilha e a sua capacidade de "pacificar" o iraque até às eleições - procurando simultaneamente dar um claro sinal de que não existiriam zonas fora do seu poder e conseguir obter em Falluja alguns troféus de guerra (Zarqawi à cabeça) para mostrar aos media, como fizeram com Saddam Hussein - os comandos norte-americanos viram grande parte dos líderes da resistência sumir-se-lhes por entre as mãos como a areia do deserto, assumindo a contragosto que mobilizaram um enorme número de tropas para enfrentar alguns punhados de habitantes mais resolutos em escaramuças de viela.

Entretanto, e jogando na boa tradição da guerra de guerrilha, após ter atraído o grosso das forças inimigas num ponto por si determinado, a resistência (contrariando a ideia, diversas vezes avançada, segundo a qual não dispunha de qualquer coordenação à escala nacional e se resumia a grupos dispersos de exBaathistas e islamitas estrangeiros) conseguiu atacar em vários pontos do país (Bagdad, Mossul, Samarra e Ramadi), saindo vitoriososa em inúmeros confrontos, aproveitando o efeito surpresa e provocando numerosas baixas entre as forças militares e policiais controladas pelo novo governo iraquiano, onde a moral nunca andou em níveis muito elevados (os desertores de Maio passado em Falluja, lembram-se?).

Note-se que as citações de fontes militares norte-americanas procuram a todo custo inverter esta ideia, que o artigo de Patrick McDonnel confirma inteiramente. Conseguindo mobilizar o seu inimigo para um jogo de gato e do rato, quem está a conceber os movimentos da resistência obteve já uma vitória decisiva - a de conseguir deter a iniciativa numa situação de superioridade clara do adversário.
Ontem o Público citava também uma patente intermédia dos Marines segundo a qual 95% dos soldados do seu destacamento não possuía qualquer tipo de experiência em combate.

Em Apocalypse Now, Brando, por intermédio do Coronel Kurtz, explicava a derrota norte-americana no vietnam. Enquanto os soldados americanos iam de licença regularmente e após 2 anos voltavam para casa, sendo substituídos por recrutas inexperientes, o adversário combatia na soleira da sua porta e acumulava todo o tipo de experiência e conhecimentos durante o combate, que poderia durar a sua vida inteira.
A dada altura, malgrado a sua superioridade tecnológica e destrutiva, o exército americano apenas conseguia contrapôr à determinação vietnamita a sua própria diletância. Todas as suas movimentações eram de antemão conhecidas pelo inimigo, que possuia olhos e ouvidos em toda a extensão da rectaguarda. Até ao momento em que essa diferença se tornou em superioridade decisiva e deixou de haver rectaguarda.

Entretanto uma pergunta se coloca. Mais de três anos após o 11 de setembro de 2001, quanto tempo teremos ainda de esperar para ver capturar um desses cabecilhas terroristas, sempre perdidos entre vielas de Bagdad e montanhas do Afeganistão? Não era esse, ao fim e ao cabo o propósito desta guerra infinita ?

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:12 PM | Comentários (1)

novembro 10, 2004

E agora, algo verdadeiramente importante:

Conselho de Ministros vai reunir a bordo do Sagres (Diário Económico)
O Governo decidiu realizar um Conselho de Ministros especial dedicado aos Assuntos do Mar, na próxima terça-feira. A reunião vai acontecer a bordo do Navio Escola Sagres, que, dependendo das condições atmosféricas, seguirá para o mar ou ficará ancorado em frente ao Padrão dos Descobrimentos.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 03:08 PM

Déjà vu e outros jogos de plataformas

A RTL quer comprar a Media Capital e tem dinheiro para isso (bertelsmann thaá ?). Paes do Amaral não a quer perder e não tem dinheiro para nada. Os fundos de investimento vendem a quem dá mais.
O capitalismo preparava-se para dar mais uma impressionante demonstração da sua pujança e vitalidade, enviando "o patrão da TVI" para o seu solar com uma reforma multimilionária e criando uma sólida testa de ponta para a penetração de capital estrangeiro nos media nacionais (finalmente...).



É então que, à mesa de um qualquer restaurante de luxo e ao abrigo de olhares indiscretos (quem costuma ver os Sopranos imagina o ambiente), o núcleo duro toma as decisões que lhe competem. A Media Capital é intocável. É absolutamente fundamental definir quem terá o megafone mais potente. O capital financeiro mobiliza a artilharia pesada, mas isso não será suficiente.
"Os nosso rapazes no governo terão que entrar na jogada para manter os «centros de decisão estratégica em mãos nacionais»".



Quem entra em cena? Os tubarões do BES e da CGD, num admirável entrelaçar entre capital financeiro (privado e público) e meios de comunicação social (privados).
Tudo tranquilo, tudo estável, vamos ter muito jornalismo amigável nos tempos conturbados que se adivinham. O governo precisa de se sentir acompanhado e isso é o mais importante. Estão demasiadas coisas em jogo.

Vocês sabem bem do que é que eu estou a falar. Não há dinheiro não há palhaços...


[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 02:38 PM | Comentários (1)

novembro 09, 2004

Renegade of communism

Depois da provocação abaixo (barata para uns, gratuita para outros), informo os camaradas da linha de produção que Deco emigrou para outros blogues. Em seu lugar está o abaixo-assinado

[Renegade]

Publicado por [Renegade] às 09:22 PM

Coma profundo

Não, não se chama Yasser Arafat.

[Renegade]

Publicado por [Renegade] às 09:14 PM | Comentários (2)

Tudo à bruta

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O Governo tem previstos 34,4 milhões de euros em infra-estruturas relativas a 14 projectos de golfe, avançou o ministro do Turismo, Telmo Correia, dizendo que está é uma das apostas do Executivo.

Quando os especialistas dizem que a àgua doce será o "petróleo do século 21"; quando o colega de Governo (e de Partido) de Telmo Correia, o Ministro do Ambiente, afirma que caso tenhamos um Inverno com pouca chuva, no Verão terá de se racionar a àgua no Alentejo e no Algarve; eis que senão quando, o Governo surge com o projecto de 14 campos de Golf. Quase todos no Algarve.

É um dos traços caracteristicos do Capitalismo dos dias de hoje: Tomar decisões para o curto prazo, para o imediato, para ver os impactos no PSI20, ao final do dia.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 06:05 PM | Comentários (3)

É do stress

RicardoEspiritoSantoSalgado.bmp

Também ficámos a saber que o dono do Grupo Espírito Santo gosta de Golf e de Caça... mas o que de facto lhe "alivia o stress" (sic) é a Vela.

É que esta malta que não quer ir trabalhar para o Porto dá-lhe muito stress.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 12:38 AM

novembro 08, 2004

Contas de Cabeça

RicardoSalgado.bmp

A TSF, transmite aos Domingos um interessante programa de entrevistas com quem realmente manda no país - Contas de Cabeça

Na semana passada, António Pires de Lima, Vice-Presidente do CDS-PP e Administrador do Grupo Sumol, descaiu-se ao dizer, preto no branco, que o problema de produtividade da Economia portuguesa não passava pelos trabalhadores ou pelas Leis do trabalho. Defendendo a tese que o Secretário-geral da CGTP tem vindo a repetir, vezes sem conta, sem ninguém lhe dar ouvidos, Pires de Lima, afirmou (“e eu estou à vontade para falar nisso, porque sou Gestor”), que o principal problema era dos Gestores portugueses, das suas estratégias, da forma como organizam e gerem as suas empresas, das suas baixas qualificações e da sua falta de visão. Um problema de elites, portanto…

Esta semana, Ricardo Espírito Santo Salgado, um dos homens mais ricos e poderosos do país, vem repor a honra da Classe, deixando-nos este exemplo muito prático de como as Leis do trabalho estão desactualizadas e de como os trabalhadores – acomodados que estão – impedem este país de andar para a frente:

“Hoje em dia, sai mais barato deslocalizar uma empresa para a China ou para a Índia, do que colocar um conjunto de trabalhadores de Lisboa e pô-los a trabalhar no Porto ou em qualquer outra cidade do país” (citado de memória)

Imediatamente me vieram à cabeça 2 perguntas , que não ocorreram ao jornalista:

1)Qual é o mal do pessoal do Porto, para terem de vir os Lisboetas, lá de baixo, trabalhar nas empresas de Ricardo Salgado?

2)Então, para quando a abertura de uma sucursal do BES em Bombaim, ou da Companhia de Seguros Tranquilidade em Pequim?

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 02:36 PM

Somos todos canadianos

Wishful thinking
(roubei este post aqui)

[Deco]

Publicado por [Renegade] às 12:05 PM | Comentários (1)

novembro 06, 2004

"You don't need a weatherman to know which way the wind blows"

Um pouco por todo o lado se comenta a vitória de Bush e a derrota de Kerry.
Para a esquerda que apoiou Kerry a partir deste quintalinho, usando o argumento de que "qualquer coisa será melhor do que Bush" é tempo de fazer um balanço desse apoio e desse argumento.
Saboteur, um pouco abaixo, sublinha que as pequenas diferenças são diferenças. E que o apoio esmagador da população afro-americana e do campo pacifista à escala mundial a Kerry são já boas razões para desejar que ele vença.
Eu não estou de acordo com nenhum dos argumentos usados pela esquerda a favor de Kerry, que ouvi ou li até hoje. E corro o risco de dizer que, não sendo indiferente quem ganharia as eleições, as diferenças entre os dois candidatos nunca passaram pelas questões fundamentais que determinam a ordem mundial (mais multilateralismo ou menos multilateralismo).

É certo que Bush teve o apoio maciço da face mais escura do capitalismo. Mas será assim tão fácil dividir o capitalismo em faces mais ou menos escuras?
No apoio da esquerda a Kerry está uma enorme falta de confiança no potencial de combatividade política e social existente nos E.U.A.
A maior potência mundial contém as maiores contradições e os antagonismos mais explosivos. Não há razões para pensar que não poderá dali surgir um poderoso campo revolucionário, assente nas mais diversas experiências, realidades e movimentos sociais, tal como já aconteceu no passado e se vai esboçando no presente.
Não sendo as classes homogéneas - e estando a sua existência instável e fluída em constante transformação e redefinição - os conflitos entre fracções da mesma classe passam por vezes por contradições e diferenças irreconciliáveis aos olhos mais ingénuos. Mas nessas disputas, as várias fracções sempre se souberam servir das ambiguidades alheias para atrair apoios e negociar numa posição de força. É um jogo que se pode tornar perigoso, mas que os senhores do mundo sempre souberam jogar na perfeição.
E é precisamente nessa altura que se torna determinante não esquecer a verdadeira natureza dos acontecimentos, encarados à luz de um ponto de vista deliberadamente parcial e de classe.
Bush não é uma aberração. Ou pelo menos não mais do que todos os acontecimentos deste início de milénio. Ele representa bem o espírito do seu tempo e dos interesses que representa. É assim que a coisa deve ser encarada e só assim a coisa pode ser compreendida.
Quem lhe quiser contrapor um liberal rico do Massachussetts, deve saber bem o jogo que se presta a jogar.
Os interesses dos poderosos flutuam e adaptam-se bem às pequenas contrariedades ou alterações de cenário.
Poderemos dizer o mesmo acerca dos nossos ?

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 08:24 PM | Comentários (2)

Coisas brutas e materiais

«A luta de classes, que um historiador formado na escola de Marx nunca perde de vista, é uma luta pelas coisas brutas e materiais, sem as quais nada existe de refinado e espiritual.
Mas na luta de classes, estes aspectos refinados e espirituais apresentam-se de modo completamente diferente do de um despojo que caberá ao vencedor; aqui manifestam-se como confiança, como coragem, como amor, como astúcia, como inabalável firmeza, vivendo e agindo retrospectivamente em toda a extensão do tempo.
Toda a nova vitória dos dominadores os põe em causa.»

Walter Benjamin, Teses sobre Filosofia da História

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:58 PM

Like a lion in Zion

Arafat morreu. A sua última imagem divulgada pelos media é a de um velhote de pijama e barrete, sem Ak-47 ao alcance da mão nem lenço na cabeça.
Durante um dia inteiro a comunicação social divulgou a sua morte, desmentida pelo hospital onde estava internado.
As fontes ? Televisõe israelitas. O braço longo da Mossad decidiu que o mundo saberia da sua morte antes mesmo dos médicos que acompanhavam a sua situação clínica.
Podemos todos conceder que a notícia da sua morte tenha sido silenciada pelo hospital por razões políticas. E divulgada pela comunicação social por outras razões, também elas políticas.
Mas entre as razões políticas várias, onde está a fronteira a partir da qual um pivot televisivo nos garante uma morte que ninguém está em condições de confirmar? Ou terá alguém construído um muro nessa fronteira, anexando mais alguns kilómetros por razões de segurança interna, esticando-a um pouco mais no sentido que interessa e impedindo-nos de ver o que se passa para lá dos seus limites?
Estranho o tempo em que a verdade se torna um campo de refugiados e o jornalismo um check-point.

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:10 PM | Comentários (1)

novembro 05, 2004

Um brinde a esta iniciativa

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Recebi hoje um mail de uma amiga com esta imagem.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 07:09 PM | Comentários (1)

Arafat, a Palestina e Israel e as lavagens ao cérebro

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Foto: Exército Israelita, no seu habitual número, tantas vezes denunciado, em que impedem ambulâncias de transportar feridos palestinianos para o Hospital.


Oiço o fórum TSF, falo com as pessoas, e espanto-me com a quantidade incrível de pessoas que está convencida que com a morte do Prémio Nobel da Paz, que condenava continuamente os ataques a civis israelitas e todos os extremismos e fundamentalismos (Islâmico e Sionista), se vai resolver a questão Palestiniana.

Israel ocupa uma Nação. Subjuga-a pela força. Milhares e milhares de mortos, presos, torturados, humilhados, condenados ao gueto e a injustiças sem fim… Desrespeito pelos mais elementares princípios dos Direitos Humanos, do Direito Internacional, e desrespeito sistemático das resoluções da ONU... Mesmo assim toda a gente parece saber: O povo oprimido é terrorista; a potência militar (e atómica) que oprime e ocupa, com requintes de racismo e xenofobia religiosa, é a vítima.

É impressionante o poder da grande comunicação social de massas e a eficácia com que consegue fazer passar as mais inverosímeis mensagens.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 12:18 PM

novembro 04, 2004

Tão amigos que somos...

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Não foi só Putin que ficou satisfeito com a vitória de Bush. Os "camaradas" chineses também ficaram bastante agradados.

Não é por acaso que hoje em dia fica mal dizer "a China Comunista" isto ou aquilo... São gente de bem, porra!

[Saboteur]

PS: Naturalmente, numa ditadura ultra-centralista como a Chinesa, artigos destes vêm são directamente encomendados do seio do poder. Para não haver confusões... Ainda é pior do que o DN.

Publicado por [Saboteur] às 02:28 PM | Comentários (1)

novembro 03, 2004

Directamente dos bastidores do espectáculo

«É patente o que está actualmente em causa na comunicação social portuguesa: o domínio dos media pelo grande capital, a entente cordiale entre esse grande capital e o actual Governo.[...]
A imprensa deixou de ser um problema de direito constitucional à liberdade de expressão, passou a ser um problema de direito comercial à distribuição de dividendos.[...]
Primeiro, em Portugal está a instalar-se um clima de medo; não o medo antigo de se ser preso por um delito de opinião, mas um medo moderno, nascido na zona dos interesses, do que se ganha e do que se perde. A hipocrisia, em Portugal, passou a ser a forma de os fracos sobreviverem, a velhacaria um modo de os fortes dominarem.[...] Ora a concentração capitalista na comunicação social e a sua aliança com o poder político, num só golpe, geraram a miséria a que assistimos.[...]
Começa a perceber-se o bastidor do espectáculo. Um destes dias os leitores, para estarem capazmente informados, talvez tenham, não de comprar um jornal, mas sim de comprarem o próprio jornal que o publica. Ser jornalista é hoje recolher notícias que outros embrulham no meio da publicidade e da propaganda. Honrados profissionais vivem hoje essa agonia.»

José Barreiros


Um copo à memória de todos os velhos cães de guarda abandonados.

[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:53 PM

Aumento de Obras Públicas Não Satisfaz Sector da Construção

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:45 PM

Novo fôlego para a economia mundial




[Rick Dangerous]

Publicado por [Rick Dangerous] às 07:31 PM

EUA vencidos pelo medo

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O medo de novos atentados jogou claramente a favor do presidente republicano contra o rival democrata nas eleições de terça-feira, revelam as sondagens.

Questionados sobre as motivações da escolha, 85 por cento das pessoas que votaram em Bush citaram o medo do terrorismo contra 15 por cento para os eleitores de Kerry.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 06:09 PM

Olha este a dar lições sobre 2ºs mandatos...

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O Presidente da República, Jorge Sampaio, mostrou-se esta quarta-feira esperançoso de que um segundo mandato de George W. Bush na Casa Branca tenha uma «nova acuidade».

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 04:37 PM

"Os mercados" estão satisfeitos.

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[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 11:06 AM | Comentários (1)

I'm so bored with the USA

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Segundo tudo indica, vamos levar com o Bush mais um mandato. É curioso como a direita às vezes pode ganhar sem que a esquerda perca.

[Manic Miner]

Publicado por [Manic Miner] às 04:01 AM

novembro 02, 2004

O Bufo

Uma mulher de 21 anos vai hoje ser levada a tribunal por ter abortado, com a ajuda de comprimidos, quando tinha 17 anos.

Foi denunciada à polícia por um enfermeiro do hospital Amadora-Sintra.

Alguém consegue arranjar o nome e a morada deste senhor?

Obrigado.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 03:22 PM | Comentários (1)

É hoje.

Espero que tenham sorte com o boletim.

[Joystick]

Publicado por [Joystick] às 11:06 AM

novembro 01, 2004

A primeira polémica...

Não concordo absolutamente nada com aquilo que o Deco anda aqui a postar sobre as eleições nos EUA.

Bush=Kerry ? Porquê que 95% da população negra dos EUA vota Democrata? Porquê que a esmagadora maioria da população mundial está a torcer para que Bush perca? Será que são assim tão iguais?

Por muitos pontos em comum que eles tenham, as pequenas diferenças, fazem diferença.

Por exemplo, cá em Portugal, pouca diferença poderiamos encontrar entre o Sampaio e o Cavaco... mas ao menos com o Cavaco, não teriamos de certeza o Santana Lopes como Primeiro-Ministro.

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[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 07:02 PM

Avisaram-me que andava a escrever o meu nick mal...

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...é que já passaram longos anos desde a altura em que eu dava grandes abadas a toda a gente neste jogo.

[Saboteur]

Publicado por [Saboteur] às 06:50 PM