setembro 05, 2006

Micro causa: importam-se de apresentar provas sobre o esquerdismo dos media?

(ou: o veneno quando se distribui é para todos) A propósito d'O Independente, a leitura do french kissin', trouxe um tema colateral sob a forma da série Abaixo da media (I e II), que assino por baixo se João Morgado Fernandes não se importar. É tempo de formular a micro-causa: poderão os articulistas e bloggers que insistem ver em Portugal um «universo mediático predominantemente alinhado à esquerda», apresentar os factos que sustentam tão espantosa tese? Até lá, é um factóide. Para não dizer embuste.

Publicado por PauloMCQuerido às 07:54 PM | Comentàrios (0)

Micro causa: importam-se de apresentar provas sobre o esquerdismo dos media?

(ou: o veneno quando se distribui é para todos) A propósito d'O Independente, a leitura do french kissin', trouxe um tema colateral sob a forma da série Abaixo da media (I e II), que assino por baixo se João Morgado Fernandes não se importar. É tempo de formular a micro-causa: poderão os articulistas e bloggers que insistem ver em Portugal um «universo mediático predominantemente alinhado à esquerda», apresentar os factos que sustentam tão espantosa tese? Até lá, é um factóide. Para não dizer embuste.

Publicado por PauloMCQuerido às 07:48 PM | Comentàrios (0)

O Independente: o pior jornal português?

Uma actualização ao texto anterior sobre O Independente, como pode um jornal assim servir de exemplo?: adicionar o nome de Leonardo Ferraz de Carvalho aos talentos que O Independente me apresentou. Esquecimento desastrado. Obrigado ao Pedro Fonseca por mo ter lembrado.
Aproveitando a onda, uma breve lista de textos (de jornalistas) contra a maré das carpideiras que anda a "limpar" a memória histórica d'O Independente (nem arrisco meter-me no capítulo das motivações), jornal que tem o seu lugar na história da imprensa portuguesa e não merece o incenso e o altar.

Da vivência na lógica interventiva do semanário, lembro-me de um actual director de uma revista escarrapachado numa cadeira a questionar um ministro sem ter qualquer ideia do assunto para o qual tinha sido chamado. Pormenores." (uma vitamedia de Pedro Fonseca no Contrafactos & Argumentos)
O Independente foi o jornal que melhor cumpriu (apesar de muitos e graves acidentes de percurso) uma missão nobre do jornalismo, o escrutínio do poder" (João Paulo Menezes, no blogouve-se)
O Independente foi o pior jornal que já comprei. Pior no sentido do desrespeito por regras essenciais do jornalismo (técnicas e deontológicas)" (idem)
Chora-se pelas vielas de Lisboa que hoje não se consegue fazer «jornalismo agressivo» como o do Independente." (Ainda o Indy, João Morgado Fernandes no french kissin')

Publicado por PauloMCQuerido às 10:33 AM | Comentàrios (0)

Como pode um jornal assim servir de exemplo?

Ao contrário do Daniel Oliveira, eu até gostei d'O Independente. Não "adorei", não achei o máximo e não lia ávida e tolamente, convencido de estar perante um grande exemplo de jornalismo. Não estava. Mais: estava perante um mau exemplo de jornalismo. Palavras do Daniel certeiras e com as quais concordo, como de resto com o tom geral do post, feita a ressalva do gosto:

Reconheço que deu novo fôlego à investigação – ainda assim, quase sempre a investigação dependente do recado das fontes, a investigação de telefonema. Mas "O Independente" sempre teve o hábito de não ouvir a parte contrária, de estar mal preparado para defender as suas manchetes e de não tratar nenhum assunto com profundidade" (em Arrastão)

Só em Portugal, país com o péssimo hábito de reservar os elogios para os defuntos, se pode apontar como exemplo um jornal que manipulava os textos valorizando notoriamente uns factos e desvalorizando outros. Um jornal cuja direcção usava a redacção como um instrumento de conquista de poder pessoal. Um jornal que subordinava abertamente a investigação jornalística à sua imagem e vendas. Um jornal que remexia o lixo, remexendo em exclusivo o lixo do Governo. Com a única finalidade de o diminuir, não de abrir as portas ao escrutínio da sociedade. A agenda d'O Independente não passava pela deontologia e código jornalísticos mas coincidia com a agenda política do seu director, de alguns dos seus editores (atrelados ao projecto pela via politizante) e com as aspirações de alguns dos seus investidores e sustentáculos financeiros, oriundos do espaço do qual restam, hoje, pungentes espectros como Pedro Ferraz da Costa.
Agora é fácil, e todos o fizeram, dizer que estava morto há muito, que não foi agora, dourando a pílula à última direcção, de Inês Serra Lopes. Mas com isso escamoteia-se que O Independente foi sempre um jornal com mau jornalismo. Só vendeu enquanto produto comunicacional porque arrasava um Governo que tinha um primeiro ministro (que, aqui só para nós, se punha muito a jeito...). Foi admirado - e ainda hoje é, com toda a legitimidade, note-se - por ter tido a coragem de fazer a vida negra ao Governo.
Ou alguém (que se lembre do jornal e da época) tem dúvidas sobre a proveniência os 100.000 compradores? Alguém admite que aquele produto, naquela ou noutra época, tivesse obtido sucesso comercial, reconhecimento entre pares e notoriedade pública se não fosse (o ataque a) Cavaco? Seriam as coisas boas do Indy (abaixo descritas) suficientes para dar ao projecto todo o lastro que permitiu ao título sobreviver até Setembro de 2006?
O Independente trouxe, é bom que se diga, aspectos positivos para a imprensa portuguesa. Um deles? O seu militantismo de direita foi uma lufada contra a corrente. Foi pel'O Independente, e não pelo Expresso, que pude ler (que o país pode ler!) analistas de direita moderna (aqui por oposição à direita conotada com o antigo regime, a única visível até então) e admirar talentos como José Júdice (hoje arrasta-se pela pantalha na noite da má língua, da SIC).
Outros deles: a inovação formal e gráfica, a entrevista pessoal, até então feita apenas timidamente no Se7e (redacção onde Miguel Esteves Cardoso debutou), o ensaio em versão moderna, ou light, que era alternativa ao Jornal de Letras. Sim - tudo "conquistas" do caderno 3, o caderno cultural d'O Independente de Miguel Esteves Cardoso, depurado depois na K., a revista que MEC lançou no interim entre director e sub-director e onde, Vasco Pulido Valente à cabeça, reuniu o melhor que O Independente alguma vez teve.
A K. representa o melhor que a geração MEC e a direita-Targus deram à Imprensa portuguesa e é admissível como exemplo. Não O Independente.

(Nota: parte da K. está na rede sob o formato blog. Aqui. Notável trabalho de recuperação em digital, pesquisável, de uma parte importante da cultura portuguesa em liberdade)

Publicado por PauloMCQuerido às 02:32 AM | Comentàrios (0)

setembro 02, 2006

P, o negcio do combate toxicodependncia deve andar pior, p

Por estes curtos dias, em trs canais consecutivos l estava a cara hipcrita de Manuel Pinto Coelho. O heri que "debela" o "flagelo da toxicodependncia" saiu do retiro espiritual do barulho das luzes (ter l deixado o Pedro?) e desceu sobre trs canais televisivos, certamente motivado, at last!, pela causa pblica.
Cuidem-se os altos traficantes, os inspectores da Judiciria, os polticos portugueses (e qui os europeus), o aparelho mdico-hospitalar, os presidentes de institutos e comisses vrias: o Grande Debitador de Banalidades acerca de uma sociedade livre de drogas est a tramar alguma.

Publicado por PauloMCQuerido às 11:57 PM | Comentàrios (0)

O Rui Curado Silva

O Rui Curado Silva , para mim, de longe, o mais arguto, inteligente, bem educado, informado, intelectualmente honesto e (qualidade ainda mais rara que as anteriores) humilde blogger portugus.
Um amigo libans e a popularidade do Hezbollah, Vasco Graa Moura invertendo a realidade, Hezbollah: vantagem simblica do fascismo fashionable, A crise mundial de gua potvel so textos com o perfume de qualidade que os mirandas e pereiras deste mundo gostavam de ter.
Mas s tem cem pageviews por dia!, exclamar o basbaque que confunde audincias com qualidade, basbaque esse que constitui o corpo central das respectivas audincias. Exactamente. S tem cem pageviews por dia. Para mim, chega.

Publicado por PauloMCQuerido às 05:56 PM | Comentàrios (0)

agosto 30, 2006

Dinheiro do POS Conhecimento devia ser fiscalizado

É o mínimo que me ocorreu dizer, quando vi a polémica em que Cláudio Franco deixou envolver o seu blog. O autor tem toda a razão, o excesso de linguagem dos comentadores é compreensível face à indignação causada e uma pessoa como eu que veja o site em questão fica estarrecida a pensar: que dinheiro tão mal empregue. A crítica inicial de Cláudio Franco devia ter merecido da empresa responsável uma rápida rectificação da sua metodologia e um agradecimento público (ou pelo menos por e-mail); ao invés, decidiram disparatar e sobre-reagir, sem vestígios de argumentação (para não falar em razão). Além de assustarem Cláudio, que sabem ser jovem e impressionável, o mais que conseguiram foi irritar algumas pessoas e atrairem mau tráfego à empresa e sobretudo ao projecto. Vendo o respectivo trabalho, apetece a citar muito justamente Pedro Araújo, da empresa responsável: como «a Internet já tem muito lixo», era escusado as autarquias, o Estado e a União pagarem a firmas como a MakeWise para produzirem mais.

Publicado por PauloMCQuerido às 12:41 AM | Comentàrios (0)

Dinheiro do POS Conhecimento devia ser fiscalizado

É o mínimo que me ocorreu dizer, quando vi a polémica em que Cláudio Franco deixou envolver o seu blog. O autor tem toda a razão, o excesso de linguagem dos comentadores é compreensível face à indignação causada e uma pessoa como eu que veja o site em questão fica estarrecida a pensar: que dinheiro tão mal empregue. A crítica inicial de Cláudio Franco devia ter merecido da empresa responsável uma rápida rectificação da sua metodologia e um agradecimento público (ou pelo menos por e-mail); ao invés, decidiram disparatar e sobre-reagir, sem vestígios de argumentação (para não falar em razão). Além de assustarem Cláudio, que sabem ser jovem e impressionável, o mais que conseguiram foi irritar algumas pessoas e atrairem mau tráfego à empresa e sobretudo ao projecto. Vendo o respectivo trabalho, apetece a citar muito justamente Pedro Araújo, da empresa responsável: como «a Internet já tem muito lixo», era escusado as autarquias, o Estado e a União pagarem a firmas como a MakeWise para produzirem mais.

Publicado por PauloMCQuerido às 12:38 AM | Comentàrios (0)