julho 28, 2003

Albore.

Crescem as letras a meus olhos indolentes e com ele cresce o sentimento. Sentimento que cresceu de fora, pela primeira vez. Que não é meu e que adoptei como filho, bem junto a meu ventre, que não é de mãe mas que o sente como se fosse. Sentimento que cresceu como a madrugada: para o mundo e tudo que é belo e perfeito. Sentimento de quem ama, como poucos. Que se o Mundo escasseia de algo há-de ser disso. Já dizem os pais e hão-de se queixar os filhos: está claro e há-de estar para todo o sempre. Que foi assim que o Arquitecto ensinou o Mundo a rodar, não fosse ele parar por amor ao Sol. Mas adiante, que algo mais alto se levanta, dentro de mim e na folha. Dentro de uma das pessoas mais geniais que conheço e sua amada. Não falo de mim, obviamente, que a modéstia não me deixaria dizer tamanha verdade. Falo de quem não merece nome. De quem é farto e grande demais para isso de apelidos. Grunhidos. Gritos e berros durante o sexo, que pouco mais hão-de ser além disso. Estes dois não o hão-de receber, então. Que voam como o Corvo. Distante do mundano. Sempre critico e desperto. Sempre silencioso e amante para a vida inteira, da inteira vida. Assim é o animal, ou Deus - que há lendas que assim o rezam - e assim será o homem também. Este homem e esta mulher.
Conheci algo que pouca gente é dada a conhecer. Conheci alguém maior. Alguém de intrepidez de Herói ou Heroína. Que há-de haver poucos assim. Conheci dois Heróis. Dois amantes, que jamais em tempo algum vi iguais. Vi dois poetas que se amam em letras, vi dois filósofos que se amam em pensamentos, vi duas pessoas que se amam em palavras. Vi tudo. Tudo, garanto-vos eu, que já não me enche a fama de mentiroso. Se é que algum dia encheu. Vi a imaginação e o amor em flor. Vi o pulsar de peitos em génese e cor contínua. Vi o que nunca vi e chorei por não ver mais.
Mas abençoado Mundo, então. Que se não fosse tamanho esgoto de fátuos interesses e vidinhas, visões como estas deixavam de ser do Céu. Que se matem e estrangulem os piolhos, então, feitos parasitas. Que se separe o trigo do joio e o são do maluco. O corajoso do covarde! HAJA CORAGEM COMO A DELES! E amor que o iguale! Que cresçam como a ousada manhã a rasgar pelo que não se vê. E que vivam como a noite, em comunhão profunda e sempre silenciosa. Até o Mundo se roer de inveja e se lançar ao Sol, por fim. Em chamas, em cor e com força de rochedo que ama! QUE NEM ESTES DOIS!

Publicado por sanzio em julho 28, 2003 08:59 PM
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