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julho 31, 2005

Nacionalismo e país real

Parece-me que não pode haver amor à Pátria sem amor às suas tradições e às suas gentes. Não amor acrítico – que não passaria de comodismo intelectual -, mas amor pela riqueza cultural que daquelas sobressai: folclore, literatura oral, hábitos ancestrais, convivência com a natureza, gastronomia, crenças (as mais das vezes de uma ingenuidade comovente)...
Tendo as ideologias nacionalistas nascido em meio urbano, há frequentemente entre elas e o “país real” uma distância assinalável: o ideólogo exalta a Nação e as suas gentes mas amiúde ignora aquilo mesmo que acima designei como devendo ser alvo do seu amor.
Daqui pode advir um fosso enorme entre o nacionalista político e o país que diz defender, tal como há um fosso entre os “outros” políticos, constantemente acusados de estarem desligados do país real. O nacionalista repercutiria assim as taras do “establishment”.
Quantos de nós conseguem identificar a origem geográfica de uma peça musical tradicional? Quem sabe o que é a “Capeia Arraiana”? Quem é que, passeando pelos campos, identifica mais que três ou quatro espécies vegetais? (Ainda me lembro do meu querido avó, silvense de gema, quando em viagem pelo Sul profundo, me ir dizendo que árvore era aquela, que pássaro era aquele, ou contar histórias da província que pareciam originárias de um mundo estranho, de modos e hábitos incomuns para um citadino). Quem é que sabe que há Paderne no Algarve e Paderne no Alto Minho? Ou que no Barrocal Algarvio há uma Aldeia de Tor, de nome irresistivelmente nórdico?...
(Um amigo meu, bretão “exilado” em Boulogne-Billancourt, fala com enorme ternura do filme de Jacques Tati “Há Festa na Aldeia”, que mostra uma França rural perdida na voragem do tempo, com hábitos e uma candura que parecem de há séculos.)
Se a tendência das sociedades ocidentais (e não só) é a urbanização quase total das populações, são as tradições destas que se vão perdendo, no aglomerado uniformizador dos modos de vida, das políticas, do consumo. E mais triste ainda quando as ideologias que as deviam defender são também elas cada vez mais uniformes “across Europe”.

Publicado por FG Santos às 04:15 PM | Comentários (3)

julho 30, 2005

(Infelizmente apenas um) Sonho

Dizia Eça que se deve ter sempre a Carta Constitucional à mão: ou como argumento numa discussão – ou para pousar o charuto! A que vigora em Portugal desde 1976, com as sucessivas revisões de que tem sido alvo, é um óptimo exemplo da utilidade da segunda opção: talvez ardesse de uma vez por todas!
Todos conhecem o preâmbulo da famigerada, com a sua fantasmática “longa resistência do povo português”, com o seu “libertar Portugal do colonialismo” (sic), com o “rumo a uma sociedade socialista”. Sucessivas revisões mantiveram inalterado este delirante preâmbulo, sintoma por excelência representativo de um sistema político podre.
“Sonhar é Fácil”, como assegurava o filme de Perdigão Queiroga. Eu sonhei que ainda viveria para poder ver um preâmbulo à Constituição nos moldes seguintes:
«A 1 de Dezembro de 2…, o movimento de Conjurados, coroando a longa resistência de todos os patriotas e interpretando os seus sentimentos mais profundos, derrubou o regime parlamentar.
Libertar Portugal da democracia, da opressão partidocrática, da corrupção endémica, do espírito anti-nacional de quem vinha governando o país há mais de 30 anos, representou uma transformação verdadeiramente histórica.
O Novo 1 de Dezembro restituiu à Nação a sua verdadeira soberania, que reside no respeito pelas suas tradições mais profícuas: Monarquia onde o soberano é o Chefe de Governo, Cortes representando os corpos nacionais, liberdade de comércio interno, limitação ao capital externo, defesa do emprego dos portugueses, Estado operante mas não impositivo, municipalismo vibrante.»

Publicado por FG Santos às 07:03 PM | Comentários (5)

julho 29, 2005

Parada de Gonta

Enquanto navegava pelo nóvel site dedicado à vida e obra de Rodrigo Emílio, deu-me para fazer uma busca sobre Parada de Gonta, onde o bardo tinha casa.
E não é que dei com um blogue que se dedica à divulgação da freguesia do concelho de Tondela? Quem é que conhece o "Parada de Gonta"?...
Neste postal pode ver-se uma imagem da casa de família (família Tomás Ribeiro de Melo).

Publicado por FG Santos às 07:47 PM | Comentários (1)

Dois anos com Manuel Azinhal

Prosseguindo a homenagem aos blogues amigos aniversariantes, e como não tenho a certeza de poder aceder a um computador no próximo dia 31, aqui fica o registo pelos dois anos do blogue "O Sexo dos Anjos".
A minha primeira impressão quando descobri o blogue de Manuel Azinhal foi que estava na presença de alguém extremamente desencantado pelo rumo que "as coisas" tomavam no nosso país. Mas nunca por nunca o ilustre exilado do interior levava esse desencanto para o campo do despeito ou do insulto. Do desprezo, talvez - mas de uma forma superior, como um cavalheiro que aponta para o que está mal mas sem necessitar de descer ao nível do(s) atingido(s).
Para além das primeiras impressões, o leitor podia diariamente aceder a comentários pertinentes, sempre com uma leve e fina ironia subjacente, mas sempre com aquele fair play que Rodrigo Emílio imputava a Nosso Senhor perante os dislates do imigrado de Lanzarote... Depois, a vasta cultura política e literária de Azinhal, sempre demonstrada sem qualquer petulância, antes estimulando-nos a ler mais, a conhecer mais, a divulgar mais, acrescia ao valor desse espaço de liberdade intelectual.
O distanciamento geográfico face ao "palco das iniquidades", sito em Lisboa, contribui sem dúvida para a fina análise que nos proporciona Manuel Azinhal, sem se envolver no calor das discussões mais acesas.
Pela enorme admiração que tenho pelo autor e o seu blogue, este é sem dúvida o postal de parabéns que me é mais difícil escrever, dado que tudo o que sai do teclado me parece banal perante a estatura do homenageado. E eu sei que ele não aprecia por aí além os elogios, muito menos se forem desmedidos. Que ele me perdoe este exagero de admirador.
Para terminar, last but not least, foi este o primeiro blogue a anunciar o nascimento do "Santos da Casa"! Mais uma razão para um grande obrigado e um enorme bem haja!

Publicado por FG Santos às 03:07 PM

Dois anos na montanha

Um dia depois do "Nova Frente", a blogosfera acolheu a chegada d' "O Velho da Montanha".
É um blogue "sui generis", onde o autor, que já passou os 60 anos de vida, nos presenteia com um olhar diferente da realidade. Monárquico de convicção, pouco apegado a imobilismos ideológicos, crítico severo da realidade nacional e internacional, fá-lo num tom que bem demonstra a serenidade de quem já anda por cá há muito tempo, mas também um grande humanismo, não o falso humanismo lamechas das esquerdas mas um humanismo verdadeiramente preocupado com a dignidade das pessoas, sejam elas as crianças de Beslan, seja o grande Lance Armstrong, seja mesmo Obikwelu...
A idade deve trazer o respeito mas não é certamente apenas por isso que "O Velho da Montanha" é um dos blogues mais respeitados e estimados. Os mais novos (sobretudo estes), que por vezes podem não se identificar com as posições de JM, não deixam de as ter em consideração, pela forma penetrante, sincera, honestíssima, com que o autor caracteriza o que vislumbra do topo do mundo.
Parabéns a JM e que continue a brindar-nos com as suas crónicas, bem mais interessantes que as que enchem páginas e páginas de revistas e jornais ditos "de referência".

Publicado por FG Santos às 11:55 AM | Comentários (1)

Dois anos de "Nova Frente"

O blogue "Nova Frente", do nosso amigo BOS, cumpriu ontem dois anos de vida.
Tendo aparecido numa altura em que a explosão blogosférica ainda não tinha surgido (e muito menos a da blogosfera "às direitas"), escolhendo bizarramente um período em que muitos dos potenciais leitores estavam a torrar ao sol, bem longe de um computador, o "Nova Frente" constituiu-se desde logo como um caso muito sério de qualidade e inconformismo, num panorama bem cinzento de politicamente correcto galopante.
O estilo muito próprio do Bruno, com uma escrita cativante, viva, criativa e não fazendo economia do vasto e rico vocabulário da nossa tão mal tratada língua, a par de uma cultura literária invejável, conferiram um carácter muito peculiar ao blogue. Por estes motivos não se pode falar de um blogue político, apesar de as opções ideológicas do autor estarem bem patentes.
Pelo "Nova Frente" pairam os "fantasmas" de Céline, Marcel Aymé, Rodrigo Emílio, Eça, Camilo - geniais criadores literários e observadores acutilantes e mordazes da realidade do seu tempo.
Mais de uma vez alimentei polémicas com o Bruno, sempre dentro dos limites da cordialidade e sã convivência entre pessoas que se respeitam e prezam uma boa discussão.
Não serei muito imaginativo ao dizer que o blogue aniversariante, a par do "Último Reduto" e de "O Sexo dos Anjos", foi o responsável por em Outubro de 2004 me ter eu próprio lançado na criação de um blogue.
Será com enorme alegria que estarei daqui a um ano (menos um dia!) a saudar a passagem do terceiro aniversário deste "blogue de ideias e cultura".
Está o Bruno de parabéns - e também todos nós, que temos o privilégio de o poder ler.

Publicado por FG Santos às 11:32 AM

Desabafo

Última semana de trabalho antes das férias, efectivo em redução, trabalho a ser repartido por cada vez menos pessoas. Secretária completamente coberta de papelada, já nem sei qual a cor do tampo!
Por tudo isto pouco tenho blogado, deixando passar vários aniversários que bem merecem uma referência.
Façamo-la, então.

Publicado por FG Santos às 11:28 AM

julho 27, 2005

Salazar visto por Adriano Moreira

«Um dos primeiros testemunhos prestados sobre a pessoa e a obra de Salazar, nas semanas que se seguiram à sua morte, foi o do prof. Adriano Moreira, em artigo publicado no Diário de Moçambique, da cidade da Beira, em 2 de Agosto. É esse o texto que a seguir se vai ler e cuja oportunidade — infelizmente para todos nós — o tempo decorrido tornou ainda maior:

De vela ao cadáver de Salazar, fui-me lembrando de muitos acontecimentos relacionados com a vida pública da nossa terra, em que a sua presença foi dominante. E também de alguns relacionados apenas com o seu modo de ser, que marcou o estilo do governo e da administração, e o estilo de uma geração de dirigentes. Dos que o seguiram e dos que o combateram. Todos marcados, na sua intimidade mais funda, pelo homem e pela sua acção.
Recordarei aqui duas imagens persistentes. Numa manhã de domingo, do ano de Angola Mártir, fui visitá-lo ao forte do Estoril. Como cheguei a pé, não tocaram a sineta que habitualmente chamava para abrirem os portões do caminho de acesso dos automóveis. Subi a breve escada que ali existe. Ao fundo do pátio, onde se encontra a capela, as portas desta estavam abertas. De frente para o altar, a sós com Deus, Salazar cuidava da toalha, e das flores e das velas. Pensei que não tinha o direito de surpreender esta intimidade. Regressei vagaroso pelo mesmo caminho. Pedi para tocarem a sineta. Quando voltei a subir a breve escada do pátio, já ele estava sentado na sua velha cadeira, mergulhado nos negócios do Estado. Era a imagem de um homem de fé segura, sabendo que haveria de prestar contas. A brevidade da vida iluminada pelos valores eternos. O poder ao serviço de uma ética que o antecede e transcende.
Acrescento outra imagem desse tempo. Recordo os discursos, as notas, as entrevistas, as declarações, em que sucessivamente definia a doutrina nacional de sempre para a crise da época. Tudo escrito pela sua mão. Mas depois, não obstante a urgência e a autoridade pessoal, tinha a humildade de chamar os colaboradores e, em conjunto, discutir, e emendar. A grandeza natural de quem pode aceitar dos outros, sendo sempre o primeiro.
E assim foi exercendo o seu magistério. Com fé em Deus e recebendo agradecido os ensinamentos do povo. Porque nunca pretendeu sabedoria superior à de entender e executar o projecto nacional. E nunca quis mais do que amar até ao último detalhe a maneira portuguesa de estar no mundo, preservando e acrescentando a herança.
O Ultramar foi a última das suas preocupações maiores. Como se, ao crescer em anos e diminuir em vida, quisesse guardar todas as energias para sublinhar a essência das coisas. Todos os cuidados para a trave mestra. Doendo-se por cada jovem sacrificado. Rezando, e esperando que o sacrifício fosse atendido e recompensado. De joelhos perante Deus e de pé diante dos homens. Humilde com o seu povo, orgulhoso perante o mundo.
Assim viveu, acertando ou com erros, mas sempre autêntico. Com princípios. O único remédio conhecido contra a corrupção do poder. E muito principalmente quando se trata de um poder carismático, como era o seu caso. Um desses homens raros que a fadiga da propaganda não consegue multiplicar. Porque ou as vozes vêm do alto ou não existem. Não há processo de substituir o carisma. Por isso, também, essa luz, que tão raramente se acende, é toda absorvida pelo povo, o único herdeiro. Soma-se ao património geral. Inscreve-se no livro de todos. Pertence à História. Transforma-se em raiz.»

Adriano Moreira

In A Rua, n.º 56, 28.04.1977, pág. 14.

Publicado por FG Santos às 10:08 AM | Comentários (7)

27 de Julho de 1970 - 27 de Julho de 2005

Não é muito fácil para um monárquico convicto elogiar Salazar sem "mas". Estes "mas" prendem-se com a "irreversibilidade" da República, na prática consagrada pelo ditador (ao mesmo tempo que ia acalentando alguma esperança de restauração monárquica); com a centralização excessiva de que a sua admnistração deu provas; com os excessos da polícia política, que ainda por cima tiveram o condão de serem contraproducentes, aumentando o espírito de resistência dos oposicionistas, em particular dos comunistas. Podia também falar do condicionamento industrial, da situação social nos campos, etc., etc.
Mas, sem esquecer o que acima vai escrito, quero também saudar o espírito de dedicação à Nação de que deu provas bastas; a intransigência no que à independência nacional diz respeito; a restauração da credibilidade do país após anos de anarquia republicana; o reequilíbrio financeiro; os grandes programas de obras públicas; a exaltação daquilo a que chamava as grandes certezas: Deus, Pátria, Família, Trabalho; o travão dado a tendências ideológicas mais exaltadas que, se por um lado podiam ter contribuído para que os "mas" que apontei acima fossem menos numerosos, teriam certamente arrastado o nosso país para um conflito mundial de que o Presidente do Conselho sabiamente nos afastou.
Muito mais se deveria dizer nesta data. Como em tudo o que à História da nossa Pátria se refere, que tenhamos orgulho no que de bom foi feito, sem complexos de reconhecer o que de menos bom ocorre sempre.
Que persista, embora actualmente num núcleo cada vez mais restrito de pessoas, o amor à Pátria, o reconhecimento pelas glórias que grandes vultos lhe proporcionaram, o espírito de independência e o respeito pelas verdadeiras tradições.

Publicado por FG Santos às 09:38 AM | Comentários (6)

Venda-se

Qualquer destes meus senhores,
Por um prato de lentilhas,
dera a Madeira, os Açores,
Cabo Verde e as demais Ilhas

E quando se haja vendido
Macau, Damão, Diu e Goa,
Angola e tudo gualdido,
Venda-se o Porto e Lisboa;

Estremadura, Alentejo,
As três do Norte primeiro,
Mesmo o Algarve é de sobejo,
Troque-se tudo a dinheiro.

Co'a carta, suas "liberdades",
Seus palramentos, e arengas,
Terão as necessidades
Reino de mais nas Berlengas.

Ribeiro Saraiva, "Tratado de Comércio"

Publicado por FG Santos às 09:35 AM

julho 26, 2005

Site dedicado a Rodrigo Emílio

Anunciada que foi a abertura de um site dedicado a Rodrigo Emílio numa bela (embora chuvosa) tarde de homenagem ao bardo, foi com água na boca que quem lá esteve ficou desde então.
Agora finalmente está operacional a página, onde podem conhecer várias facetas do grande poeta, ler os seus poemas, ver fotografias das várias fases da vida de Rodrigo, encomendar o disco de José Campos e Sousa...
Este blogue, que lhe tem dedicado não poucos postais, dá os parabéns a tão feliz iniciativa, aproveitando para agradecer o link que houveram por bem fazer ao "Santos da Casa".

Publicado por FG Santos às 02:43 PM | Comentários (1)

julho 25, 2005

Reflexões sobre democracia (III)

Da nação que proclama ter trazido ao mundo a "boa nova" dos "Imortais Princípios", a galope na guilhotina, algumas reflexões heterodoxas sobre democracia:

«Tout le rêve de la démocratie est d’élever le prolétaire au niveau de bêtise du bourgeois. Le rêve est en partie accompli.» (Gustave Flaubert)
«L’avis de la majorité ne peut être que l’expression de l’incompétence.» (René Guénon)
«La démocratie, c’est l’art de diriger le cirque à partir de la cage des singes.» (Henry Louis Mencken)
«Il faut peser les voix et non les compter.» (Joseph de Maistre)
«La démocratie? Savez-vous ce que c’est? Le pouvoir des poux de manger des lions.» (Georges Clémenceau)
«L’élection, c’est la marée des médiocrités.» (Honoré de Balzac)
«L’élection encourage le charlatanisme, détruit d’avance le prestige de l’élu, l’oblige à s’humilier devant ceux qui doivent lui obéir.» (Ernest Renan)
«Le régime des partis, c’est la pagaille.» (Charles de Gaulle)

Publicado por FG Santos às 12:05 PM | Comentários (5)

Reflexões sobre democracia (II)

Para aqueles que confundem democracia com liberdade e consequentemente acham que esta só pode existir com aquela, e que ao mesmo tempo falam com ardor dos "Founding Fatheres", nada como saber efectivamente qual era a posição destes últimos sobre a democracia:

«Of the American founders, Alexander Hamilton was a monarchist. Likewise, the Governor of Pennsylvania, Robert Morris, had a strong monarchist leaning. George Washington expressed his profound distate of democracy in a letter of September 30, 1798, to James McHenry. John Adams was convinced that every society grows aristocrats as inevitably as a field of corn will grow some large ears and some small. In a letter to John Taylor he insisted, like Plato and Aristotle, that democracy would ultimately envolve into despotism, and in a letter to Jefferson he declared that "democracy will envy all, contend with all, endeavor to pull down all, and when by chance it happens to get the upper hand for a short time, it will be revengeful, bloody and cruel". James Madison, in a letter to Jared Parks, complained of the difficulty "of protecting the rights of property against the spirit of democracy". And even Thomas Jefferson, probably the most "democratic" of the Founders, confessed in a letter to John Adams that he considered: "the natural aristocracy...as the most precious gift of nature, for the instruction, the trusts and governments of society...may we not even say that that form of government is best, which provides most effectually for a pure selection of these natural aristoi into the offices of government?"»

Erik von Kuehnelt-Leddihn, "Leftism Revisited" (Regnery Gateway, Washington D.C., 1990).

Recorde-se que, como bem frisa o blogue "Causa Liberal" (de onde retirei o excerto acima), a palavra "democracia" não aparece uma única vez nem na Declaração da Independência, nem nos Artigos da Confederação, nem sequer na Constituição Americana.

Publicado por FG Santos às 11:36 AM | Comentários (4)

Por caminhos de Portugal

Parafraseando o europeísta leitor (e grande crítico deste blogue) miazuria, apetece-me dizer:
«Ah, minha rica Europa»!...

silves-este.jpg
(Silves, Algarve, Portugal.)

Publicado por FG Santos às 11:03 AM

julho 22, 2005

(Curto) interregno

Enquanto vos deixo a matutar sobre democracia, informo que só voltarei ao convívio dos meus leitores no dia 25, por motivo de visita relâmpago ao Reino dos Algarves, em boa hora liberto das hordas de Mafoma pelo soberano em cima homenageado (segundo a partir da esquerda): D. Afonso III!

Publicado por FG Santos às 05:14 PM | Comentários (6)

Reflexões sobre democracia

A democracia é um regime que diz assentar na soberania popular: o "povo" supostamente escolhe livremente quem o vai governar.
A escolha incide sobre um grupo de pessoas previamente definido nos bastidores.
Os eleitos têm como missão... a reeleição; como tal, tentam agradar: a) a quem financiou a sua eleição; b) a quem neles votou; c) aos militantes partidários. No primeiro caso, concedendo benesses, sob a forma de empreitadas, favores, desvio de fundos públicos; no segundo, gastando o dinheiro público de forma mais ou menos leviana, seja via aumento de salários para a função pública, seja em obras mais ou menos de fachada; no terceiro caso, atribuindo lugares públicos aos amigos, mesmo que se afastem técnicos experientes e competentes, ou mesmo que se multipliquem os cargos a prover; em qualquer dos três casos se assiste a uma péssima e desonesta aplicação de fundos.
A democracia, pelo igualitarismo ideológico em que assenta, conduz à nivelação por baixo. Desde os bancos de escola que o nível de exigência se conforma com a média, desmotivando os mais capazes.
A democracia releva o papel do dinheiro na organização da sociedade: o sucesso mede-se pelos "zeros à direita" da conta bancária; quanto mais dinheiro se tem maior a capacidade de influenciar decisões que teoricamente deveriam ser em proveito da comunidade. Em consequência, a corrupção erige-se como componente normal do funcionamento de uma democracia.
A democracia defende "valores" supostamente superiores aos de outras formas de governo - com tal sobranceria que desdenha estas últimas, promovendo o pensamento único; é assim que todos os "democratas" concordam na "bondade" de princípios fundamentais: sufrágio universal, mercado livre, igualdade, anti-discriminação, anti-racismo, modernidade, desprezo mais ou menos pronunciado pela Tradição (errada mas deliberadamente confundida com imobilismo). A democracia tolera certas franjas ideológicas que contestam algumas regras do seu funcionamento desde que elas não ponham em causa todo o edifício - assim se compra a paz social e se pode invocar a liberdade de expressão. A quem efectivamente põe em causa a democracia não é concedido espaço de expressão pública de ideias.
A alternativa à democracia não tem que ser a ditadura: a maior falácia de tantas associadas à democracia é confundir esta com a liberdade: "sem democracia não há liberdade". Nada mais falso e enganador. Mas isso é tema para outro postal.

Publicado por FG Santos às 04:41 PM | Comentários (9)

julho 21, 2005

Exemplo

Um país dito federal em que o Estado federal tem um peso cada vez maior face aos Estados federados; uma democracia que se contenta em funcionar com apenas dois partidos há 200 anos; um sistema de representação que é um convite à corrupção, ao lobbying mais descarado, desprezando-se os interesses das populações; um país militarista, com presença de tropas em todos os continentes, em cerca de 60 países; um país que não está 10 anos sem se envolver directa ou indirectamente numa guerra, assegurando a "dinâmica" da indústria militar; um país que se orgulha da liberdade de expressão que supostamente assegura mas em que os meios de comunicação social estão na mão de poucos investidores, que controlam aquilo que é dito; um país que fala da liberdade mas onde um cidadão não pode sair de casa com a certeza que lá volta são e salvo após um dia de trabalho; um país que fala em valores morais mas que tem estado na vanguarda da dissolução dos mesmos valores; um país que exalta a vida e que, dos ainda não nascidos aos que tiveram o azar de nascer no "país errado", é responsável pela morte diária de centenas e centenas de seres humanos; um país que se constituiu no desprezo pelos nativos que ocupavam o que veio a ser o seu território; um país que se tornou um microcosmos do mundo, numa promiscuidade de povos e raças em tendência crescente de guettização e confronto étnico; um país que é o mais forte do mundo económica e militarmente e que assenta a sua política externa na observância dos interesses, por um lado das grandes multinacionais e, por outro, de um pequeno país de menos de 6 milhões de habitantes situado a milhares de quilómetros das suas fronteiras; um país dotado de condições naturais excepcionais e que, em benefício de umas poucas indústrias, não se coíbe de destruir lentamente esse património natural.
É este país que ainda hoje continua a ser erigido como exemplo a seguir na senda do progresso e da liberdade. O que teria piada não fosse grotescamente trágico.

Publicado por FG Santos às 05:51 PM | Comentários (16)

A ameaça chinesa

Para além do peso crescente da sua economia a nível mundial, a China constitui-se como uma ameaça militar para os países mais próximos e não só: segundo um relatório do Pentágono, Pequim prepara-se para se dotar de mísseis nucleares que podem alcançar a Índia, a Rússia, o Japão e os próprios Estados Unidos.
O orçamento militar chinês já rondará os 90 biliões de dólares, o triplo do valor oficialmente admitido.

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(Mafalda, por Quino.)

Publicado por FG Santos às 05:08 PM | Comentários (3)

julho 20, 2005

General William Westmoreland (1914-2005)

Faleceu ontem o general norte-americano William Westmoreland, que se tornou famoso por ter liderado as tropas americanas na Guerra do Vietname entre 1964 e 1968.
Representando para uns a determinação americana perante o inimigo comunista e para outros o odioso militarista que não se coibia de semear a morte no campo inimigo (segundo ele, quantos mais vietnamitas fossem mortos, maiores as possibilidades de os EUA ganharem a guerra), Westmoreland acabou por ser uma vítima do papel da imprensa americana ("New York Times" à cabeça), e subsequente repercussão na opinião pública, na crítica à guerra. Em 1968 passava a Chefe de Estado Maior do Exército.
Dizia com uma certa razão que, em período de guerra, "sem censura o público fica terrivelmente confundido" (lição que Bush filho e os seus "muchachos" aprenderam). E a guerra foi perdida quando a pressão interna levou Johnson a não aumentar os efectivos no terreno. Perante um inimigo terrível, destemido, fanático; perante exacções cometidas pelo próprio exército americano; perante o pacifismo crescente "at home" - a moral das tropas no terreno foi-se degradando.
Nixon, bem "guiado" por Kissinger, tentou uma escalada na guerra. Mas a sorte desta estava traçada. Os EUA entraram numa onda de depressão e num ambiente de descrença que só foram revertidos quando Ronald Reagan chegou à presidência, em 1981. O comunismo mundial tinha ganho um fôlego novo. A fase final da Guerra Fria ia começar.

Publicado por FG Santos às 05:11 PM

julho 19, 2005

Record de imigração judaica

A imigração de judeus norte-americanos com destino a Israel está em alta. Só na passada quarta-feira chegaram à "terra prometida" mais de 500 pessoas. Estima-se que mais 2700 judeus tenham o mesmo destino ainda este verão.
O ministro dos Estrangeiros, Silvan Shalom, declarou: «Israel é o país do leite e do mel, mas está longe de ser um paraíso. Apesar disso, vocês decidiram fazer a aliyah [designação que os israelitas dão ao retorno a Israel]. Alguns dirão que vocês são loucos. Eu direi que vocês são Sionistas». Disse.

Publicado por FG Santos às 05:50 PM | Comentários (14)

Especulação bolsista antes do 11 de Setembro

O Procurador Fitzgerald, encarregue da investigação sobre os atentados de 11 de Setembro de 2001 nos EUA, está a investigar operações bolsistas ocorridas nos três dias úteis anteriores àquela data. Em concreto, Fitzgerald está a estudar o eventual papel do ex-Director da CIA, George Tenet, na colocação de opções de venda ("put options") da American Airlines.
Mais uma história nebulosa associada aos tristes acontecimentos do 11/9.

Publicado por FG Santos às 05:38 PM

julho 18, 2005

18 de Julho

«No dia 15 de Abril tomaram a cidade costeira de Vinaroz, estabelecendo um corredor que separava a frente da Catalunha do resto da Espanha republicana. Era Sexta-Feira Santa e os requetés carlistas irromperam pelo Mediterrâneo como se se tratasse do rio Jordão. Todos os jornais nacionalistas descreveram o modo como o seu comandante, o General Alonso Vega, se ajoelhou na praia, enterrou os dedos na areia do mar e benzeu-se. Aperceberam-se então que o fim da sua cruzada estava agora à mão.»
(Anthony Beevor, "A Guerra Civil de Espanha", Livros do Brasil, Lisboa.)

Esta imagem é para mim das imagens mais vivas da terrível Guerra Civil de Espanha. Faz precisamente hoje 69 anos que ocorreu o "Alzamiento", que, após três anos de uma guerra fratricida, libertou a Espanha da ameaça comunista.
Os republicanos cedo cederam à tentação do apoio bolchevista, enviando milhões em ouro directamente para a URSS, em troca de apoio militar (meios e homens). Em breve eram os soviéticos quem decidia as manobras militares a efectuar, as tácticas, etc. Os fuzilamentos no campo republicano foram aos milhares, pois muitos voluntários se recusavam a entrar em batalhas que sabiam perdidas de início.
A Espanha "profunda", católica e conservadora, acolheu de bom grado o levantamento, tendo a Igreja suspirado de alívio após anos de perseguições, violências diversas, destruição de igrejas, assassinatos.
Do lado nacionalista a Falange representava a solução popular anti-bolchevista, isto é, tendo a Espanha um grave probema social, com um campesinato miserável, o movimento de Primo de Rivera representava a vanguarda revolucionária. Após a vitória das tropas de Franco, viu-se que a ala conservadora do "Movimiento" impunha uma solução social e agrária não conflituosa com os interesses dos grandes proprietários.
Os carlistas representavam a visão do regresso a uma Idade do Ouro, um mundo rural tradicional organizado em torno da Igreja e do respeito pela Tradição.
Do lado republicano a aliança não era menos heteróclita, abarcando comunistas, socialistas, anarquistas e os trotsquistas do POUM. Os comunistas, assim que puderam, arrasaram as cooperativas que os anarquistas tinham instituído em zona republicana, mantendo-se estes, no entanto, na coligação. No final da guerra, nas ruas de Barcelona, ficou bem patente o ódio mútuo, com confrontos que facilitaram a vida aos nacionalistas.
As atrocidades da guerra são uma história interminável, tendo ambos os lados responsabilidades gravíssimas no descambar de todo o tipo de violência gratuita.
Em última análise a Guerra de Espanha foi um triunfo fantástico sobre o comunismo que, a ocorrer, não teria poupado Portugal, nem ambos os países teriam saído incólumes da II Guerra Mundial. Valeu ainda a perspicácia de Salazar que convenceu Franco, em 1940, a não aceitar que os alemães atravessassem território espanhol para aceder ao Mediterrâneo («Preferia arrancar os dentes todos a ter que falar com Franco novamente», terá dito Hitler após a sua última e frustrada tentativa de convencer o Generalíssimo.) Franco mostrava assim firmeza, apesar de dever estar reconhecido a alemães (e italianos) pelo apoio dispensado durante o conflito.
A Guerra Civil mostrou ainda como um conjunto tão variado de tendências agrupadas no seio nacionalista conseguiu deixar de lado as suas divergências (algumas delas bem grandes) em favor da luta contra um inimigo comum que ameaçava mergulhar a Península nas trevas marxistas. Uma lição.

Publicado por FG Santos às 03:51 PM | Comentários (5)

julho 16, 2005

Actualidade do pensamento do Rei D. Pedro V (II)

Há já alguns meses que publiquei um postal com reflexões do Rei D. Pedro V, tendo o mesmo suscitado o interesse e mesmo entusiasmo de alguns leitores. No seu blogue, prometi ao estimado JM que voltaria a reproduzir mais reflexões do infortunado esposo de D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen. Penitencio-me desta demora perante o fiel leitor boavisteiro e monárquico, com a certeza de que o que se segue não deixará de espantar pela sua actualidade.
Retomando então a obra de Augusto Reis Machado, “O Pensamento do Rei D. Pedro V” (Livraria Avelar Machado, Lisboa, 1941), do capítulo “Pensamento Político e Social” leiamos então o que o jovem soberano tinha a dizer sobre

«GOVERNANTES E GOVERNADOS

Os olhos já vão rompendo a núvem de poeira que se tem levantado diante deles; e o povo algum dia declarar-se-á solenemente contra o escárnio que há 20 anos todos os governos em Portugal dele têm feito. E fatal e tremendo será esse desagravo. Ainda é tempo de remediá-lo, mas não há tempo a perder.
Infelizmente, na nossa terra, conserva-se demasiadamente a lembrança da desordem e dos maus costumes, porque há cinquenta anos que Portugal está sem Governo, verdade que parece um pouco dura, e talvez mesmo que um pouco exagerada, mas que nem por isso deixa de ser uma verdade. Há cinquenta anos que não há autoridade, e que as coisas conservam um resto de ordem que vem do movimento imprimido pelas tradições, que não se podem destruir, e que o acaso, graças a Deus, tem querido prolongar até que as circunstâncias permitam restabelecer as coisas nos seus eixos, e fazer funcionar regularmente o mecanismo constitucional, que por falta de engenheiros, está muitíssimo deteriorado... É preciso um engenheiro hábil, quer ele se chame Rei ou Presidente, Assembleia Nacional ou Governo, porque seja qual for a forma de Governo para ele durar é preciso que governe uma pessoa moral.
Se os governos quiserem hoje ser úteis à sociedade, se eles não quiserem adiantar a época do terrível cataclismo que espera um estado de coisas factício em que o dolo e imoralidade e o ludíbrio do povo ocupa uma parte tão considerável, eles terão que olhar mais pelo povo que padecia em silêncio sem se queixar porque já nem mesmo se sabe queixar.
Para Portugal o mesmo sono forçado dura ainda e as imoralidades dos homens públicos contribuem para o prolongar. Nada há mais fatal que o cepticismo do povo.»

Publicado por FG Santos às 11:26 PM | Comentários (3)

A nova Lei da Nacionalidade

Afinal as associações de imigrantes (e o sr. Vaz Pinto e consortes) estão descontentes com a nova lei da nacionalidade que o partido no governo elaborou. E isto porque, ao contrário do que se “esperava”, não é concedida automaticamente a nacionalidade portuguesa a quem nasce em território nacional.
Ao que parece as mudanças face à anterior lei não são grandes, desaparecendo inclusive a “discriminação positiva” que beneficiava os naturais dos PALOPs, pois era contrária à legislação comunitária...
Demonstrando uma clarividência que se receava já não existir nas altas esferas da governação, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, declarou ao DN (14.07.2005, pág. 3): «Dissemos que íamos alterar a legislação, mas não o poderíamos fazer de forma a que constituísse um incentivo às redes de imigração ilegal. Se disséssemos que bastava uma criança nascer em Portugal para ser portuguesa, havia quem imigrasse com esse objectivo.»
Assim, a regra de concessão de nacionalidade a quem seja filho de estrangeiros com autorização de residência há 6 anos (naturais dos PALOPs) ou 10 (outros) passou a ser de 6 anos para todos.
A anterior lei, de 1982, consagrava mais o jus sanguinis que a lei de 1960, que atribuía efectivamente a nacionalidade a quem nascesse em território português (numa época em que Portugal era um país de emigração, não de imigração, como hoje).
Para saber mais:
- lei de 1960: Decreto-Lei nº 43090 de 27/7;
- lei de 1981 (regulamentada em 1982): lei 37/81 de 3/10, regulamentada pelo DL nº 322/82 de 12/8 e alterada pela lei nº 25/94 de 19/8.

Publicado por FG Santos às 10:37 PM | Comentários (1)

julho 15, 2005

Delgado e o "braço ao alto"

O nóvel blogue "masoreivainu!" abriu as hostilidades com uma fotografia de Humberto Delgado a fazer a saudação romana...
Mais ficamos a saber que o futuro candidato da oposição à Presidência da República achava o Estado Novo pouco fascista!
Parece-me que ter conhecimento desta postura (intelectual e corporal) é essencial para compreender a famosa deixa de Delgado quando perguntado sobre o que é que fazia ao braço quando ouvia vivas ao fascismo:
«- Obviamente, levanto-o!»

Publicado por FG Santos às 03:58 PM | Comentários (2)

julho 14, 2005

Mais um 14 de Julho

A França comemora hoje mais um 14 de Julho. Há precisamente 216 anos era dado, com a "libertação" da Bastilha, o mote para 2 séculos de revoluções, guerras, derrube de monarquias, assassinato de reis, massacres, experiências sociais utópicas e sanguinárias, a suposta libertação dos homens em contraponto com a sua escravização ao materialismo conquistador.
Planeada e concebida nos bastidores, a revolução mostrou como as massas são facilmente manipuláveis por potências ocultas. Hoje em dia, mais do que em qualquer outro período histórico, as grandes decisões que afectam a Humanidade são tomadas longe dos olhares da multidão, por indivíduos que não dão a cara, servindo-se de idiotas úteis conduzidos ao poder pelo "povo soberano"...
«Political freedom is an idea but not a fact. This idea one must know how to apply whenever it appears necessary with this bait of an idea to attract the masses of the people to one's party for the purpose of crushing another who is in authority. This task is rendered easier of the opponent has himself been infected with the idea of freedom, SO-CALLED LIBERALISM, and, for the sake of an idea, is willing to yield some of his power. It is precisely here that the triumph of our theory appears; the slackened reins of government are immediately, by the law of life, caught up and gathered together by a new hand, because the blind might of the nation cannot for one single day exist without guidance, and the new authority merely fits into the place of the old already weakened by liberalism.»
("Protocolos dos Sábios de Sião" - forjada ou não, esta obra é bem o espelho de todas as convulsões por que tem passado a Humanidade nos últimos séculos e é a essa luz que ela é fundamental.)
Os revolucionários e seus filhos (da Viúva) nunca recuaram perante nada para alcançar os seus sinistros objectivos: massacres na Vendeia; assassinato da família imperial russa; I Guerra Mundial - plano maçónico para derrubar as grandes monarquias da Europa Central, estraçalhando os derrubados impérios em países artificiais - que conduziu, pelas cláusulas humilhantes para com a Alemanha vencida, à II Guerra Mundial; fomes na Ucrânia, na China, em África. A lista é interminável, como é interminável o sofrimento da Humanidade nas mãos de quem concebeu, dirigiu e realizou a morte de uma civilização.

Publicado por FG Santos às 06:37 PM | Comentários (9)

A primeira escola sem livros

De vez em quando decorrem campanhas no mundo dito desenvolvido, e em particular em Portugal, para que se doem livros para serem enviados para escolas do Terceiro Mundo, como em Timor ou Angola. Assim se contribui para que vão havendo alguns livros nas escolas primárias desses países.
No Hemisfério Norte o progresso chegou ao ponto de ter aberto uma escola em Tucson, Arizona, nos EUA, na qual... não há livros! A criançada tem ao seu dispor todos os meios informáticos julgados necessários para a sua aprendizagem. O que origina o amargo protesto do nosso amigo Misantropo.

Publicado por FG Santos às 11:38 AM

julho 13, 2005

Blog-Nostalgia

Nos comentários a este postal, gerou-se uma onda de nostalgia pelas bebidas que marcaram a infância de muitos trintões (e não só).
Fiz uma pequena pesquisa pela net, deixando aqui uma amostra deliciosa que vai fazer sorrir de nostalgia muitos de vós.

Quem é que não bebeu a cola da Canada Dry?...
canada dry advert.jpg

E quem é que não se lembra dos famosos "pirolitos", com o seu cobiçado berlinde no fundo da garrafa (algo impensável hoje em dia, em que os burocratas de Bruxelas zelam incansavelmente pelo gasganete dos petizes)? Sabiam que a fábrica desta histórica bebida estava sedeada em Castelo de Vide? Ora leiam.
piroli10.jpg

Mais fácil de recordar é o Sumol, marca que ainda hoje se mostra pujante. E quem é que se não lembra do anúncio de 1984 ("Imaginei que tinha ido beber um copo com a minha professora de Inglês. Eu, estava nas calmas..."), que se pode ver aqui?
PT-Sumol%20Laranja03.jpg

Da Laranjina C não consegui arranjar imagens, o mais aproximado que encontrei foi no site-museu da Orangina:
orangina-annonce.jpg

Publicado por FG Santos às 02:48 PM | Comentários (7)

Brandos Costumes

Anteontem enchi-me de coragem para o que encarei como uma sessão de uma hora e um quarto de puro masoquismo. Trinta anos após a sua estreia, ia finalmente visionar o famoso filme “Brandos Costumes”, de Alberto Seixas Santos.
Filmado em 1972 e 1973, o filme seria certamente cortado de fio a pavio pela censura mas o advento do 25/4 permitiu a sua estreia intacto, beneficiando até de um maior acesso a imagens de arquivo, que aparecem frequentemente ao longo da película.
Sabia que o filme pretendia ser uma sátira ao salazarismo, ao gosto das análises da época. Curiosamente, acaba por se ver relativamente bem.
O centro da intriga é uma família da média burguesia:
- o pai, austero, representa o republicano anti-clerical mas amante da ordem; o filme mostra-o relativamente acomodado à realidade do Estado Novo;
- a sua mãe representa a memória da Monarquia; o filme caracteriza-a como representante de um época já distante; é bastante mal tratada pela nora;
- esta, ao contrário do marido, é bastante devota;
- tal como a filha mais velha, que representa a solteirona frustrada e que se agarra à religião;
- a filha mais velha é o símbolo do futuro (!): revoltada, inconformada com o sistema e amiga de subversivos de café.
Perante este quadro não seria de esperar muito do filme, a não ser uma amostra de cinema “engagé” e extremamente datado.
Mas a realização, feita ao ralenti, é hábil e a montagem inteligente; algumas cenas acabam por ser cómicas contra a vontade do realizador, pois de tão caricaturais só podem fazer rir.
O melhor do filme aqui para este vosso amigo reaça são as imagens de época, que constituem talvez um quarto do tempo total da fita. Podemos assim (re)ver o famoso discurso de Salazar, em Braga, nos dez anos da Revolução de Maio; as grandes marés humanas no Terreiro do Paço, para ouvir o ditador; a cerimónia de inaguração do Estádio Nacional, com as belíssimas coreografias filmadas por António Lopes Ribeiro (*), com as bandeiras da Mocidade Portuguesa a adejar ao vento em planos épicos; e até um excerto de “Chaimite”, o famoso filme de Jorge Brum do Canto dedicado à gesta de Mouzinho (impressionante a cena da captura do Gungunhana, com os dois homens a olharem-se fixamente, até que o régulo desvia o olhar para o chão, em sinal de derrota inelutável). Lamentáveis são os longos momentos de um plano fixo de Salazar já cadáver, tão longos como cruéis.
O final do filme é também caricato: a família começa a ouvir um ruído vindo da rua; são os soldados que trazem a Revolução triunfante; o pai cai logo da cadeira (que imaginação!); a mãe e a filha mais velha, num esgar de desespero, parecem pressentir o desmoronar de um mundo; a filha mais nova, que começara instantes antes a ler o famoso (como sinistro) início do “Manifesto do Partido Comunista”, «A História da sociedade até aqui é a história da luta de classes», repete-o incessantemente; vão-se ouvindo vozes em fundo, num crescendo imparável, a repetir a mesma frase. Estava dado o mote para o Verão Quente…

(*) Este excelente documentário está disponível no mercado como extra no DVD de “A Menina da Rádio”, o filme de Arthur Duarte.

Publicado por FG Santos às 12:14 PM | Comentários (1)

julho 12, 2005

Cinco anos de prisão por ensinar a Bíblia

Três indonésias cristãs arriscam-se a serem condenadas a 5 anos de prisão por... ensinar a Bíblia a jovens muçulmanos. Esta pena está prevista no Código Penal indonésio mas para situações em que se recorra ao engano e a mentiras para levar um jovem a mudar de religião. Certamente que o Ministério Público lá do sítio não terá grandes dificuldades em demonstrar que tais tácticas foram efectivamente empregues.

Publicado por FG Santos às 05:55 PM

A Novilíngua e os proscritos

Publicou há dias o amigo BOS um oportuno texto sobre a Novilíngua, dando exemplos de expressões que passaram a ser de uso corrente ao sabor da vaga politicamente correcta.
Podia-se multiplicar os exemplos, em particular os do mundo anglo-saxónico, onde agora se distingue o género dos porta-vozes: não se pode escrever que uma mulher é "spokesman"; "man" porquê, se é mulher?... Criou-se então o termo "spokesperson"... Outro exemplo, referido pelo BOS, é o do hilariante "afro-american", que teve a sua consagração nos anais da inteligência quando uma repórter norte-americana apresentou aos tele-espectadores o "grande líder afro-americano Nelson Mandela"!
Refere no fim da sua crónica, antes de encetar uma derivação linguística e tematicamente clarkiana, que fora desta Novilíngua ficaram as mulheres de vida fácil ("tu parles"!). Esqueceu-se (estranho esquecimento!) que além das ditas profissionais também aqueles a quem se convencionou chamar de extrema-direita não usufruiram do beneplácito de um aliviar da carga negativa a que as suas opções ideológicas os submeteram. É para obviar a este insuportável estigma que propomos de seguida uma grelha de correspondências tendente a fazer justiça a esses proscritos, chamando a atenção do leitor que a extensão relativamente grande da descrição proposta não deve ser um limite à sua aplicação prática, quando nos compenetramos de que um "operador móvel de limpeza" é o termo moderno para "exterminador de baratas":
- Racistas – Indivíduos dubitativos da igualdade entre as raças humanas;
- Colonialistas – saudosistas dos tempos imperiais;
- Extrema-direita – posicionamento ideológico mais à direita que esta última;
- Fascistas – adeptos da Nação acima do indivíduo;
- Nazis – clube de fãs do tio Adolfo.

Publicado por FG Santos às 02:17 PM | Comentários (6)

julho 11, 2005

O problema islâmico

Não há nada mais ridículo (ou maquiavelicamente demagógico) que ouvir certos analistas (ou mesmo políticos, como Vladimir Putin) declarar que se deve dar caça aos terroristas islâmicos até que se exterminem. Não percebem (ou não querem perceber) que um desses terroristas potenciais pode viver no mesmo prédio que eles, ter uma vida regrada, ser simpático, cívico, bem educado, em resumo: não dar indícios do mínimo potencial terrorista. Mohamed Atta (um dos cérebros do 11 de Setembro) era assim - e muito apreciado era pelos seus vizinhos hamburgueses. A não ser que esses brilhantes analistas queiram enfiar todos os que professam o islamismo (moderados ou não) em campos de concentração...
Parece claro que o combate dos islamistas à conquista do Ocidente assume duas formas: por meio das suas (em alguns casos bem numerosas) comunidades imigrantes, tenta-se ganhar pontos na frente social e cultural, impondo o seu espaço autónomo e por vezes impositivo: é assim que nas escolas francesas as cantinas oferecem alimentação que não ofende os estudantes muçulmanos, tendo a carne de porco saído dos menús.
A outra forma é aquela mais brutal que se manifesta por meio de atentados. A primeira é uma estratégia que visa uma dominação (ou pelo menos um espaço sócio-cultural e mesmo político autónomo dentro de cada país) a longo prazo; a segunda visa claramente objectivos de curto-médio prazo, como seja o fim da participação de certos países em ocupações militares em países islâmicos (inclusivamente quando essa participação se insere em políticas de cooperação com esses mesmos países islâmicos: combate aos extremistas islâmicos nas Filipinas, no Afeganistão, por exemplo).
A solução para ambas as estratégias não é muito evidente, mas terá que passar, no primeiro caso, por uma política de imigração restritiva e com uma estreita monitorização das actividades dos islamistas nos países em causa; no segundo deveria obrigatoriamente passar por um maior respeito pela independência dos países / territórios ocupados, sejam eles a Palestina, o Iraque ou a Chechénia. Em alguns casos, embora lentamente, já se avançou nesse sentido, fosse pelo abandono por parte de Israel de alguns territórios ocupados após 1967 ou 1973 (tendo Ehud Barak dado o “pontapé de saída” com o abandono do Sul do Líbano), fosse pela saída de tropas americanas da Arábia Saudita (presença essa que foi, não se esqueça, um dos primeiros motivos para a cruzada de Bin Laden, dada a “profanação” de alguns dos prinicpais lugares santos do Islão por “infiéis”), “compensada” embora com a invasão do Iraque. Também sabemos que o Iraque e o Irão são ameaças permanentes a Israel e, tal como a Chechénia, peças fundamentais para o abastecimento em petróleo das principais economias mundiais – as tais que pregam cruzadas morais.

Publicado por FG Santos às 02:39 PM | Comentários (1)

Cavalos de Tróia

Trojan horse, spyware e quejandos impediram-me de colocar ontem um postal sobre o islamismo, pois não consegui aceder à net todo o dia.
Ao princípio da tarde aqui estará ele (bendita empresa!). As minhas desculpas aos meus visitantes do fim de semana, que ficaram a ver navios.

Publicado por FG Santos às 11:12 AM | Comentários (1)

Morto pela modernidade

tombstone.jpg

http://balletgulbenkian.blogspot.com/

Publicado por FG Santos às 11:07 AM | Comentários (1)

julho 08, 2005

Causas, motivos, culpados...

Quando Bush, após os atentados de 11 de Setembro, disse qualquer coisa como "ou se está contra o terrorismo ou se está a favor" (fazendo lembrar irresistivelmente Vasco Gonçalves na sua epiléctica manifestação de Almada no Verão Quente de 1975 ("ou se está a favor do socialismo ou se está contra, aqui não há meios termos, nem terceiras vias, nem coisa nenhuma"), criou-se uma grelha de análise do problema do terrorismo islâmico a preto e branco. Assim, para uns esse terrorismo não tem como causa nem a questão palestina, nem o Iraque, nem a pobreza, nem coisa nenhuma (como diria o "camarada Vasco"), o Islão (como se houvesse apenas UM Islão) quer dominar o mundo e o resto é conversa; para outros, estas questões, acompanhadas do problema do excesso demográfico magrebino, paquistanês, indonésio, são os causadores desses deploráveis actos.
Como é bom de ver, a realidade nunca é tão simples como "A" ou "não A", há imensas nuances, nomeadamente quando se tenta compreender um fenómeno tão complexo, tão disseminado e com pessoas envolvidas de origens tão diversas.
Enquanto reflectia sobre isto, deparei com o editorial de hoje do insuspeito (de simpatias pró-islâmicas) "The Spectator", que corrobora o meu ponto de vista. Aqui fica um excerto, sendo os sublinhados de minha autoria:
«Yesterday's disgusting attack on London will naturally be seized upon by politicians of all hues to advance their various agendas. Opponents of the war in Iraq have lost no time in blaming Tony Blair and British engagement for the bombs that hit London and killed dozen and injured many hundreds. They have a point. As the Butler report revealed, the Government was explicitly warned before the Iraq war that our involvement would
exacerbate the risk of terrorism in this country
. But that does not for one moment mean that if Britain had not been involved in Iraq, then London would have been safe. It bears repeating that more British people died in the attacks on the World Trade Centre than in yesterday's brutal outrages, and it must never be forgotten that 9/11 preceded the war in Iraq and the war in Afghanistan, as did the series of vicious Islamicist bombings in
Paris in the 1990s...»

Publicado por FG Santos às 05:12 PM | Comentários (3)

julho 07, 2005

Inglaterra na hora dos atentados

Por motivos profissionais, tive que me deslocar a Inglaterra no dia 12 de Setembro de 2001. Apesar do choque que causaram os atentados da véspera, deve ter sido sem dúvida o dia mais seguro de sempre para se viajar de avião.
O vôo, para Manchester (via Porto), decorreu sem problemas e só depois de aterrar é que se fez sentir o incremento de segurança, pois os passageiros estiveram mais de meia hora fechados no avião. "This is disgusting", exclamava uma velhota, com o típico sotaque do "north" ("disgôsting").
O regresso, logo no dia seguinte, foi marcado por algum atraso nas partidas e por uma balbúrdia incrível no aeroporto, com as pessoas apinhadas junto às "gates". Todos sorviam as notícias e o meu "Telegraph" estava cheio de histórias de indivíduos anónimos e de como viveram os atentados no WTC.
Da última vez que estive em Londres, em 1996 (que saudades), também era grande o receio de atentados: decorria o Euro-96 (precisamente em Inglaterra), houvera um atentado do IRA não muito tempo antes e em toda a cidade os característicos recipientes para o lixo estavam invariavelmente tapados com uma chapa, para evitar que lá se ocultassem artefactos explosivos (mas nem por isso havia lixo espalhado no chão). Ainda vi uma rusga num hotel em frente ao meu, onde se albergavam indivíduos assaz suspeitos. Já em visita demorada (como a ocasião exige) à magnífica National Gallery, a dado passo sentei-me para descansar um pouco e apreciar alguns quadros de grande dimensão mais à distância. Quando me levantei para ver um com maior pormenor deixei o meu saco no banco. Não passaram dez segundos sem que um vigilante já entradote me veio pedir encarecidamente para nunca largar objectos, pois de outro modo ter-se-ia que mandar evacuar o museu. Dias antes, circulava em Brighton quando um pneu do carro em que seguia rebentou com estrépito numa rua pouco movimentada. Um indivíduo que estava numa cabine telefónica mesmo perto de nós agachou-se imediatamente, numa reacção pavloviana, em época realmente de grande tensão para os britânicos.
Fiquei com a forte impressão que, após anos e anos de barbáries do IRA (incluindo um atentado falhado contra Thatcher, precisamente em Brighton), os ingleses sabiam estar à altura da situação, com firmeza e rigor e com uma certa serenidade bem característica deste povo.

Publicado por FG Santos às 03:24 PM

Londres, 7 de Julho de 2005

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Uma cidade ontem em festa mergulhou hoje no luto e na consternação. A besta fundamentalista voltou a atacar.
Sweet London town, may God bless you.

Publicado por FG Santos às 02:41 PM | Comentários (4)

julho 06, 2005

Memorial às vítimas do Muro de Berlim desmantelado

Foi com grande consternação que se assistiu ao desmantelamento de um memorial berlinense, em Checkpoint Charlie, que homenageava as vítimas da paranóia da República "Democrática", aqueles que morreram a tentar passar para Berlim Ocidental.
De facto, o terreno é pertença de um banco, que exerceu o seu direito de posse. O museu contíguo, que recebe centenas de milhar de visitantes por ano, não está em perigo.
Se o memorial comemorasse "outra classe" de vítimas, alguém duvida que ele ainda lá estaria?

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(Estas cruzes estão agora amontoadas em algum armazém.)

Publicado por FG Santos às 05:27 PM

Lembrar Srebrenica

Passam já dez anos sobre o massacre de Srebrenica, na Bósnia, onde foram mortos pelos sérvios cerca de 8000 muçulmanos.
A vida volta lentamente ao normal, mas as feridas são demasiado profundas. Uma minoria de sérvios continua a vangloriar-se dos sinistros feitos de Mladic e Karadzic (dois patifes da pior espécie, que não envergonham nenhum Estaline nem nenhum Pol Pot).
A ler, a crónica do "Telegraph".

Publicado por FG Santos às 05:14 PM

London 2012

A propósito do desabafo do BOS àcerca de Paris ter sido preterida em favor de Londres para a realização dos Jogos Olímpicos de 2012, recordei-me de uma história (autêntica) passada em Marselha, quando estava em processo de escolha a cidade onde se realizaria a America's Cup em vela (Lisboa também estava na corrida).
Os juízes que se deslocaram a Marselha tiveram que suportar um calor infernal; para cúmulo, no país das greves e manifs "à souhait", não havia recolha de lixo há vários dias, pairando por toda a cidade um cheiro nauseabundo que o calor só agravava; os nosso pobres juízes, para se dessedentarem, dirigiram-se a um bistrot para ingurgitar uma cervejola; quando voltaram para o carro... este tinha sido arrombado e todos os seus pertences estavam na posse dos amigos do alheio. Marselha tinha mostrado as suas mais-valias... C'est la vie!

Publicado por FG Santos às 02:44 PM

julho 05, 2005

"Não os quero aqui"

As recentes declarações de Alberto João Jardim provocaram, como seria de esperar, reacções contrastadas na imprensa e na blogosfera, que alternaram entre o repúdio veemente e o aplauso do género “ele diz em voz alta o que muitos dizem em voz baixa por falta de coragem”.
Tentemos ver o que é que está em causa. Uma coisa é falar-se em concorrência (eventualmente) desleal, outra é dizer-se que “eu não os [chineses e indianos] quero aqui”. É ao governo que cabe regulamentar (enfim, com a UE já nem isto é verdade) as condições de concorrência no espaço económico nacional e fazer respeitar todos os regulamentos associados. Quem não cumpre deve ser penalizado – não mais que em qualquer outra questão de Direito. Centrar as dificuldades económicas por que passa o país numa ou mais comunidades é grosseiro, potencialmente injusto e politicamente irresponsável: não se pode generalizar o comportamento de alguns (mesmo que sejam muitos) membros de uma comunidade a esta como um todo: seria, no limite, aceitar que todos os portugueses que residem nos EUA fossem ostracizados porque seis ou sete membros da comunidade lusa violaram colectivamente uma americana num bar. É absurdo e grotesco.
Ao longo da história têm sido vários os grupos minoritários a sofrer na pele a frustração de certos países pela situação económica por que passam: desde os judeus aos arménios, passando pelos chineses, que são vítimas frequentes de violência em muitos países de maioria malaia.
Se um país aceita imigrantes numa determinada quantidade, se estes exercem a sua profissão no cumprimento da lei, qual o direito de criticar aqueles? Então assuma-se que não entra mais ninguém e reforcem-se os mecanismos de controlo da concorrência, do respeito pela lei laboral, pelos parâmetros sanitários existentes, etc.
O que muitas vezes sucede é que a classe política arranja um bode expiatório para justificar esta ou aquela crise, sendo designados amiúde aqueles que se “matam” a trabalhar, que são mais dinâmicos e empreendedores. Mas volto a repetir que todos os cidadãos, imigrantes ou não, têm que actuar dentro da lei, todos sabemos que há máfias chinesas que lavam dinheiro no Ocidente abrindo negócios em abundância, explorando desavergonhadamente os empregados. Mas é tudo uma questão de lei: existe – respeite-se – cumpra-se. Agora, que não pague o justo pelo pecador.

Publicado por FG Santos às 11:40 PM | Comentários (4)

Um ano de "A Arte da Fuga"

O estimado blogue "A Arte da Fuga" cumpriu no passado dia 2 um ano de vida.
Sob o alto patrocínio (estético) de Bach, este espaço de reflexão sobre a política nacional, onde também se fala da grande música e de pequenas coisas do quotidiano, bem merece os nossos parabéns.
Um abraço ao AA e ao AMN, que tiveram a excelente ideia de organizar uma espécie de "best of", organizado por temas. Para ler ou reler.

Publicado por FG Santos às 10:49 AM | Comentários (1)

julho 04, 2005

Já repararam...

... que "O Misantropo Enjaulado" é um actualmente um dos melhores blogues portugueses?
Análise da actualidade com uma sobriedade inabitual, poesia seleccionada em doses diárias (incluindo fins de semana), gosto estético para dar e vender... Passem por lá.

Publicado por FG Santos às 05:43 PM | Comentários (2)

Dois anos de "Aliança Nacional"

Cumpriu ontem dois anos de vida o blogue "Aliança Nacional".
Um dos raros blogues nacionais com dois colaboradores, tem-se envolvido em polémicas intermináveis no campo dito nacionalista. Só esse facto explica que não tenha caixas de comentários, que depressa se encheriam mais com insultos que com o debate ordenado e civilizado de ideias.
Só desejamos que os seus colaboradores continuem o seu trabalho com a consciência de que estão a fazer o melhor que podem e sabem pela causa nacional. O mesmo que todos devemos exigir a nós próprios. Pretender consensos em questões de princípios é aspirar em muitos casos à negação desses mesmos princípios.

Publicado por FG Santos às 05:36 PM | Comentários (2)

julho 02, 2005

Vive le Tour!

Começou esta tarde a 92ª edição da Volta a França em bicicleta, competição desportiva que teve a sua estreia há 101 anos (não se disputou em 14-18 e 40-45).
Desde pequeno que aprendi a admirar os heróis da estrada. Antes da era do directo televisivo, sorvia linha a linha as magníficas crónicas de Carlos Miranda em “A Bola”, que tinham todo o destaque das duas páginas centrais (e no tempo do formato “broadsheet”), sendo o futebol relegado para segundo plano.
O nosso Joaquim Agostinho faz parte da história da prova, com um terceiro lugar em 1979 (atrás de Bernard Hinault e Joop Zoetemelk), ano em que venceu o mítico Alpe d’Huez!
Ainda nos anos 80 tivemos Acácio da Silva e Paulo Ferreira a vencer uma etapa, feito nunca mais igualado por ciclistas lusos (Orlando Rodrigues esteve perto, em 1994, mas hesitou entre atacar e proteger o seu chefe de fila Miguel Induráin).
Além de Hinault e Induraín, também Eddie Merckx conseguiu cinco triunfos (no caso do espanhol, consecutivos). Veio depois a era Lance Armstrong, o texano que venceu o cancro e vai já em seis vitórias consecutivas, tentando este ano a sétima!
Induráin e Armstrong representam o ciclista da era moderna e científica, com todos os detalhes da sua preparação bem definidos e – não menos importante – apenas concentrados numa grande prova, não disputando nem o Giro nem a Vuelta, as outras grandes corridas que duram três semanas. Mas ao contrário de Induráin, que se limitava a “limpar” os contra-relógios e a controlar os opositores na montanha (Induraín NUNCA ganhou uma etapa em linha!), Armstrong é um ciclista explosivo, ambicioso, que quer sempre ganhar (e no ano passado ganhou 6 etapas!), tornando a prova sempre num espectáculo, mesmo quando o vencedor final já não oferece grandes dúvidas.
Sempre sob a sombra do doping, o ciclismo teve o seu “annus horribilis” em 1998, com o escândalo EPO na equipa Festina (dos super trepadores Richerd Virenque e Laurent Dufaux). Apesar das suspeitas sempre presentes, esta modalidade é de muito longe a mais fiscalizada, inclusivé através de controlos surpresa (como sucedeu ontem a Armstrong). Comparando com o atletismo ou a natação, onde o desleixo dos controlos é verdadeiramente escandaloso, o ciclismo faz figura de desporto razoavelmente limpo.
Voltando ao aspecto puramente desportivo, há que convir que o ponto alto (literalmente!) do Tour são as etapas de montanha, tanto nos Alpes como nos Pirenéus. Aí se revela a fibra de um corredor, seja um candidato à vitória final, seja um colega que dá o máximo, levando na cola o seu chefe de fila, até “cair para o lado”, cedendo a liderança da corrida àquele. Nos últimos anos tivemos grandes figuras, como os iatalianos Chiapucci e Bugno, o suíço Rominger, o extraordinário letão Piotr Ugrumov (que deu um “banho” a Induráin em duas etapas seguidas, em 1994, salvando este a amarela por via de uma etapa corrida a passo em homenagem ao falecido na véspera, o italiano Fabio Casartelli – à época colega do Armstrong pré-cancro), o “pirata” Marco Pantani (vencedor do Tour em 1998; falecido há dois anos), os espanhóis Iban Mayo, José Maria Jiménez (um dos poucos que aguentavam o andamento de Armstrong; falecido em consequência de um acidente) e Escartin ou os muitos colombianos que dão sempre um ar da sua graça.
Diz-se que, a par dos Jogos Olímpicos e do Campeonato do Mundo de Futebol, o Tour é o maior espectáculo desportivo do mundo. Tendo em conta que é o único dos três que se disputa todos os anos, é um privilégio poder vivê-lo ao menos via TV (desde 1990 que não perco a estupenda cobertura que faz o Eurosport).

Publicado por FG Santos às 11:42 PM | Comentários (7)

julho 01, 2005

Negativa por mencionar Deus!

Uma estudante californiana levou uma nota negativa por, contrariando as instruções do seu professor, ter mencionado Deus num trabalho. Ao que parece fazê-lo constitui uma ofensa para os outros estudantes!
Ainda nos EUA continua a novela dos "Dez Mandamentos", que podem ser expostos em alguns locais e noutros não.
Entretanto, no Uzbequistão muitos cristãos estão a ser presos e alvo de torturas e todo o tipo de maus tratos - por serem cristãos. «Todos os cristãos são uns animais, uns vendidos aos americanos e deveriam ser todos mortos, pois este é uma país muçulmano», nas palavras do tenente de polícia Davron.

Publicado por FG Santos às 06:07 PM | Comentários (8)

Um filme sobre Katyn

O grande realizador polaco Andrzej Wajda (autor de, por exemplo, "Um Amor na Alemanha" (1983) ou do impressionante "Kanal" (literalmente "Esgotos"), de 1957) vai rodar um filme sobre o massacre de Katyn, local onde foram massacrados cerca de 15.000 oficiais polacos pelo Exército Vermelho, crime que foi até 1990 imputado aos nazis. (Fonte: Rivarol.)
Há tempos evocámos este drama, aqui.

Publicado por FG Santos às 05:40 PM | Comentários (2)