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fevereiro 11, 2005

Orgulho

"Qué maravilla, la Orquestra Sinfónica Portuguesa! Se yo fuera portuguesa sentiria um enorme orgullo en esta orquestra." Ouvi este comentário ontem no final do magnífico concerto aqui anunciado.
E que dizer de um concerto memorável quando estavam talvez mais músicos em palco que espectadores? É verdade que o efectivo exigido pela obra de Rihm é gigantesco; a título de exemplo, contei 35 instrumentistas de sopros e 8 contrabaixos!
A verdade é que há em Portugal uma grande aversão a música contemporânea, sobretudo uma grande preguiça em tentar ao menos ouvir com atenção algumas obras, rejeitadas de antemão. Mesmo havendo na segunda parte uma obra geralmente apreciada a adesão do público foi fraca.
Em compensação, o Ciclo de Grandes Orquestras Mundiais no Coliseu dos Recreios assegura sempre casa cheia, apesar dos preços proibitivos. Mas trata-se antes de mais de um acontecimento social, uma exibição de casacos de peles. Basta atentar nas tosses constantes, nas palmas fora de tempo ou no frequente toque de telemóveis para aquilatar da falta de cultura de uma boa parte das pessoas que lá vai.
E é este o país cultural que temos.

Publicado por FG Santos às fevereiro 11, 2005 03:10 PM