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fevereiro 07, 2005

O circo

A cada quatro anos (quando a triste figura do P.R. - falo em sentido global, não apenas no presente inquilino de Belém - não decide que seja mais cedo) lá vem o circo à cidade. Ilusionistas, trapezistas, malabaristas, cavalos, ursos e, naturalmente, palhaços enchem-nos os ouvidos, a vista, a paciência, com a banha da cobra.
Quais vendedores de rua, os políticos da nossa praça prometem este mundo e o outro, arrasam a concorrência, afiançam que o seu "produto" é o mais fidedigno, mais eficaz, mais capaz de satisfazer o "consumidor".
E este assiste, entre o incrédulo e o desdenhoso, a esta farsa que se repete matematicamente.
Tivesse eu paciência e tempo e conseguiria certamente construir uma matriz com as palavras chave por tópico abordado - economia, saúde, educação, pensões - em que as mesmas fórmulas são usadas com ligeiras variações, seja de acto eleitoral em acto eleitoral, seja de partido para partido. Afinal, para lá da ladaínha habitual, nestes tempos em que a Novilíngua orwelliana irresistivelmente progride, basta recorrer a alguns lugares comuns para se fazer o seu comérciozito: solidariedade, integração, exclusão, crescimento, desenvolvimento sustentado, educação para o séc. XXI, saúde para todos, multiculturalidade...
A vantagem para uma classe política a cada dia que passa de nível progressivamente mais baixo é que qualquer papagaio consegue (por vezes com algum esforço, adivinha-se) recitar esta litania, sendo o seu "brilhante" discurso repercutido nos media, alvo de debate (entre um círculo restrito de comentadores encartados, que alterna - palavra marota! - de estação de TV para estação de TV), em que as mesmas palavras chave abarcam 90% do que se discute. E quanto menos diferem os discursos mais acalorada será a discussão, numa relação inversa entre diferença de ideias e ardor argumentativo.
Não tenho dúvidas que o período de campanha eleitoral é o momento mais deprimente, baixo, reles, absurdo, da nossa vida colectiva.
Ao menos os palhaços verdadeiros ainda têm o condão de fazer rir os meus filhos.

Publicado por FG Santos às fevereiro 7, 2005 11:11 PM

Comentários

Mas quem é que disse que Portugal vive em democracia?

Enfim...
Que distãncia em relação a países como a Dinamarca, a Suécia, a Finlândia, a Islândia, a Noruega, a Holanda.....

Esses países devem sentir-se ultrajados pelo facto de termos a pretensão de 'baptizar' o nosso sistema com nome idêntico ao sistema deles...

Só não vê quem não quer, e não há pior cego do que aquele que não quer ver.

Publicado por: Nelson Buiça em fevereiro 8, 2005 02:29 AM

Este sistem democrático é uma treta de todo o tamanho...o que nós queremos meus senhores é democracia...


www.blocoesquerdaprocaralho.blogspot.com

Publicado por: Pantera em fevereiro 8, 2005 04:07 PM

Democracia e seus palhaços pró cara...

Publicado por: Legionário em fevereiro 9, 2005 10:07 AM

Caro amigos, apenas para informar de que estou de volta às lides blogosféricas.

Publicado por: JSarto em fevereiro 9, 2005 10:39 AM

Eu também poderia dizer:

-Fascismo e seus palhaços p'ró cara...
-Comunismo e seus palhaços p'ró cara...
-Estatólatras e seus palhaços p'ró cara...

Mas não vou por aí.
É necessário manter a elevação.
;-)

Publicado por: Nelson Buiça em fevereiro 9, 2005 04:48 PM