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fevereiro 28, 2005

Forças do mal

O Internazionale é o clube de Milão associado ao "popolo di destra", como o AC Milan o está para o "popolo di sinistra". O mesmo sucede, e respectivamente, com a Juventus e o Torino, a SS (!) Lazio e a AS Roma.
No derby de ontem, a claque do Inter mostrou a seguinte coreografia, com uma mensagem bem curiosa...

inter-milan_27feb05.jpg

(Imagem gentilmente cedida pela Gazetta dello Sport.)

Publicado por FG Santos às 06:06 PM | Comentários (2)

fevereiro 27, 2005

Portugal e Europa

Volta e meia envolvo-me em discussões mais ou menos acaloradas nos blogues por causa da Europa. Desta vez foi no "Pena e Espada".
Acho que há um grande equívoco da parte de muitos nacionalistas face ao papel que o nosso país pode ter na Europa (que hoje em dia é sinónimo de UE) e ao que esta nos pode proporcionar.
Creio que o nosso país perde por estar na UE, perde soberania, perde até dignidade (transformaram-nos em pedintes de subsídios), perde claramente em termos económicos (fim dos sectores tradicionais, moeda forte nada coadunante com a nossa economia) e em última análise perde perspectivas de futuro autónomo.
É triste que da esquerda à extrema direita (designação que uso aqui por comodidade) todos achem que fora da Europa estamos perdidos, como se não o estivéssemos já dentro dela!
Neste país de fraca crença nele próprio, há-de haver sempre um D. Sebastião para nos arrancar das trevas em que a nossa apatia e o nosso desespero nos mergulharam.
É óbvio que fora da EU poderíamos manter relações comerciais com os seus países-membros sem ficarmos coarctados na nossa acção pelas directivas que nos tolhem todo o movimento autónomo. E teríamos acesso a mercados tradicionais das nossas relações económicas, como o Brasil, os EUA ou o Canadá, sem a limitação que a moeda forte nos traz.
Como dizia Franco Nogueira em 1976, «Continuamos a ter motivos para querermos ser portugueses e não outra coisa. Aliás, é pura ilusão pensar que viveríamos melhor se fôssemos qualquer outra coisa. Julgar-se-á que alguém ou algum povo nos sustentaria, e nos faria viver bem no plano material, apenas por desvelado amor aos Portugueses? (…)
«A integração europeia, o Mercado Comum supõe a criação de uma pauta exterior comum, e portanto a livre acção de forças económicas e financeiras entre os países membros. Uma economia débil em contacto desprotegido com um bloco económico poderoso significa o domínio daquela por este. Estamos aqui perante a fatalidade geográfica portuguesa: sermos o único país europeu que tem um só vizinho. Isto quer dizer que, para Portugal (…), o Mercado Comum seria, antes de mais e desde logo, o mercado comum ibérico, isto é, um mercado comum entre dois parceiros muito desiguais, um dos quais, sendo três ou quatro vezes mais forte, facilmente dominaria o outro.»
Isto foi dito há quase trinta anos e os factos só têm confirmado esta asserção.
Tanta gente que continua ofuscada por uma ideia mítica de Europa, quando o que há são países que, por via da construção europeia, se conseguem mais facilmente impor aos mais débeis.
Em última instância, um grande amor pela Europa revela um mau amor por Portugal.

Publicado por FG Santos às 03:37 PM | Comentários (5)

fevereiro 25, 2005

Lições de democracia

O nosso ex-PM António Guterres vai ao Iraque ensinar aos nativos, "sem paternalismos" (que alívio!), como funciona uma democracia.
Servir-se-á certamente do modelo que implantou no nosso país, com o sucesso que se conhece.
Lição nº1: "os terroristas, no fundo, o que pretendem é aderir à Internacional Socialista. Quando virem um potencial kamikaze dirigir-se a um edificio público - falem com ele, compreendam as suas motivações, numa palavra: dialoguem."
Lição nº2: (BUUMM!) - não se chegou a efectuar por o auditório onde decorria ter ido pelos ares. O diálogo não chegou a tempo!

Publicado por FG Santos às 06:31 PM | Comentários (4)

fevereiro 24, 2005

Charles e Camilla...

charles_camila_001.jpg

Publicado por FG Santos às 06:18 PM | Comentários (3)

Blair e as medidas anti-terrorismo

Com algum atraso face ao seu amigo Bush, também Tony Blair viu aprovado pela Câmara dos Comuns o seu pacote de medidas de luta contra o terrorismo. As críticas choveram pelo facto de essas medidas configurarem abusos de autoridade e uma limitação da liberdade.
Nas hostes do Labour houve 32 (!) MPs (deputados) que votaram contra. (Um exemplo de independência bem contrastante com a carneirada reinante nos partidos portugueses, em que as contas se fazem logo pelo número de deputados de cada lado, não havendo rebeliões.)
Toda esta situação me levanta uma interrogação: se o Reino Unido tem conseguido controlar quase sempre com sucesso o terrorismo do IRA, porque é que Blair acha que é necessário um reforço das medidas anti-terrorismo? Quais os verdadeiros objectivos desta lei?

Publicado por FG Santos às 02:25 PM

Aumento da criminalidade na Turquia

Segundo o "Rivarol", a Turquia tem registado um aumento galopante da criminalidade (10% em 2004), parcialmente explicado pelo enorme êxodo rural. Este último atinge sobretudo a Anatólia Oriental. Em Diyarbakir ("capital" do Curdistão) é o próprio presidente da câmara a confessar que "exporta" os criminosos para Istambul. Daqui para a Europa é só um pulinho.
Como diz o semanário, isto promete!

Publicado por FG Santos às 02:15 PM

Maçonaria em Cuba

«A Maçonaria em Cuba (Crónica de Uma Descoberta)

Numa simples visita turística a CUBA e depois de ter almoçado num agradável restaurante perto da Plaza de la Catedral, dirigi-me a um empregado para lhe pedir uma informação sobre um mapa que levava comigo.
Enquanto me explicava, não pude deixar de reparar num anel que o mesmo usava, pois a simbologia era maçónica. Perguntei-lhe se o anel era dele – disse-me que sim e que era maçon.
Estranhando a sua abertura e não identificando a minha condição, perguntei-lhe então como era possível existir maçonaria em CUBA? – a sua resposta não podia ser outra – somos homens livres e não discutimos política, nem religião.
Após algum diálogo e troca de identidade, aconselhou-me a visitar a Grande Loja de Havana, que ficava na Avenida Salvador Allende, num edifício que tinha um planeta terra.
Aquela conversa, apesar da sua sinceridade e transparência, não deixou de me colocar imensas questões, ora não seja CUBA considerada um paradigma da censura à liberdade, em várias das suas vertentes. Por acaso eu até pretendia visitar a Plaza de la Revolución que fica naquela direcção, logo, decidi estar atento à eventual discrição e sobriedade do edifício.

Acabava de sair da Igreja de Sagrado Corazón de Jesus, quando reparei que no topo de um edifício de 11 andares em frente, estava um destacado planeta terra encimado por um esquadro e um compasso – Não havia dúvidas.
Tendo decidido entrar, deparei com uma estátua de José Marti, o símbolo da independência cubana e da luta contra os colonizadores – Talvez estivesse aqui a chave do mistério... Um regime político como o cubano, baseado no povo e suas sinergias, no simbolismo da luta contra a opressão, nos princípios da integridade, educação e cultura, não poderia perseguir a instituição que desde sempre representou os valores da liberdade, igualdade e fraternidade, sob pena de se contradizer.
Como poderia Fidel justificar o seu regime e a sua luta, se todos os símbolos humanos a que pudesse recorrer eram maçons ilustres (José Marti, Simón Bolivar, Salvador Allende e D. Pedro IV – Brasil)?
O regime político cubano, opressivo e castrador de algumas das liberdades mais básicas como a de expressão, associação e circulação, não representa a Maçonaria nem os seus princípios, contudo, reconhece a sua importância, reconhece a sua obra social e reconhece o apoio que lhe deu contra o opressivo regime de Fulgêncio Baptista durante a Revolução.
Nesse sentido, admitindo que daí não advirá qualquer oposição declarada porque a intervenção da Maçonaria não tem um cariz político, mas antes social, Fidel admite a sua existência e disseminação por toda a ilha (efectivamente, após algumas excursões pela ilha, acabei por encontrar inúmeros templos maçónicos), como sustentáculo de algum exercício do direito de liberdade de pensamento, de comunhão de princípios e organização de obras de beneficência.
A este título é exemplificativo a própria Grande Loja, onde funciona um asilo para antigos maçons, uma biblioteca e um museu (que só pode ser visitado por maçons), para além de outras valências de carácter social.
A própria biblioteca da Grande Loja de Havana, é amiúde visitada pelas escolas como pude comprovar, não só pelo seu espólio, mas também no intuito de cultivar o conhecimento e o respeito pelos símbolos da revolução do povo.
Actualmente, a Grande Loja Cubana conta com mais de vinte mil maçons regulares, sendo reconhecida pelas Grandes Lojas de 38 Estados norte-americanos.»

N. Ferreira
In “Revista da Maçonaria”, número 3, Fevereiro de 2005

Publicado por FG Santos às 02:08 PM | Comentários (4)

Farsa barrosiana

O nosso amigo BOS, aludindo ao namoro descarado da UE à auto-proclamada República Turca do Norte de Chipre, falou em "farsa barrosiana".
Concordo e não concordo. A máquina burocrática da UE, as suas políticas, estão tão bem oleadas que fazem lembrar a URSS: qualquer que fosse o Presidente, Brejnev, Andropov, Tchernenko, a sua política pouco variava: os objectivos estavam bem definidas, alguém devia dar a cara e acenar pateticamente da varanda do Kremlin, como os chefes de estado da UE fazem grotescamente para as câmaras no fim dos seus encontros e cimeiras.
Durão Barroso foi escolhido por se encaixar perfeitamente no papel que lhe confiaram: inteligente, dinâmico, simpático (?), sem grandes ideias próprias, facilmente mergulhável na litania politicamente correcta, parece mesmo o protótipo do Primeiro Ministro da série "Yes, Prime Minister", que sofria por ter muitas responsabilidades mas, na prática, nenhum poder... O inefável Sir Humphrey dizia que essa era a prerrogativa do eunuco ao longo dos tempos...
Um eunuco, diga-se de passagem, que não se governa mal. Ora vejam:
Salário base mensal . 22 200 euros
Subsídio mensal de habitação . 444 euros
Despesas de representação . 1 418 euros
Abono mensal para a esposa . 149 euros
Abono de família por cada filho . 260 euros
Ajudas à escolaridade dos filhos . 443 euros
Subsídio de instalação na nova casa . 3 330 euros
Mudanças, viagens e seguros . Tudo pago
Viatura de função com motorista
Cozinheiro pessoal e empregados de copa

Ninguém é Miguel de Vasconcelos por tostão e meio!

Publicado por FG Santos às 11:52 AM | Comentários (2)

Diz-me quem te elogia, dir-te-ei quem és...

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, aludiu quarta-feira ao triunfo do PS nas eleições legislativas de domingo passado, considerando que os resultados foram uma «derrota do neoliberalismo».

Publicado por FG Santos às 11:50 AM | Comentários (1)

fevereiro 23, 2005

Nova organização dos blogues recomendados

Há uma regra não escrita na blogosfera, respeitada por todas as pessoas de bem que têm um blogue: se fulano me "linka", "linko-o" também. Isto independentemente dos posicionamentos ideológicos, estéticos de cada um.
A minha lista de blogues recomendados é já bastante extensa e pensei em dar-lhe uma organização, pois penso que ninguém liga a uma lista destas se tiver mais de 10/15 blogues.
A categorização é um pouco arbitrária (por exemplo: se tal blogue é de direita mas o autor é monárquico, onde é que o incluo?), mas tem a vantagem de dar maior visibilidade a todos os amigos desta casa que entraram nessa aventura que é possuir um blogue.

Publicado por FG Santos às 03:43 PM | Comentários (3)

Oportunidade para a paz

"A presença de Ariel Sharon na chefia do governo israelita é uma óptima oportunidade para retomar as negociações e avançar ainda mais na estrada para a paz".
Quem diz isto? George Bush? Donald Rumsfeld? Nelson Buíça? Não se esforcem, caros amigos. É Hosni Mubarak, o presidente vitalício do Egipto.
Isto quando muito recentemente foi anunciada a libertação de seis prisioneiros egípcios por parte de Israel e de um prisioneiro israelita (condenado por espionagem a 15 anos de trabalhos forçados) por parte do Egipto.
Este sinais de degelo, como relata o Internazionale, citando o jornal egípcio Al Watan al Arabi, são ainda mais reforçados pela decisão do Cairo de reabrir a sua embaixada em Tel-Aviv, encerrada desde Setembro de 2000 (início da segunda intifada).
Será que "isto", sem Arafat, vai lá?

Publicado por FG Santos às 03:08 PM | Comentários (2)

Paris sous la Neige

Comme c'est beau, Paris sous la neige...

20050223.PHO0736.jpg

(Imagem surripiada ao "Le Figaro".)

Publicado por FG Santos às 02:42 PM

fevereiro 22, 2005

Tentação da maioria?

Um dos personagens mais detestáveis deste país volta a debitar as suas insanidades perante a complacência da comunicação social.
O ogre em questão espera que "o PS não caia na tentação da ditadura das maiorias e que saiba ouvir toda a esquerda".
Fantástico! Toda a esquerda! Já viram melhor exemplo de abertura a todas as correntes de opinião?
Quanto ao resto do artigo, leiam-no se tiverem coragem.

Publicado por FG Santos às 04:02 PM | Comentários (8)

Livingstone recusa pedir desculpas

A polémica aqui evocada que envolveu o mayor de Londres e um repórter do Daily Mail não parece terminar. Apesar da pressão do tablóide para que o fizesse, Ken Livingstone recusou-se a pedir desculpas e acrescentou que o jornal é o menos qualificado para falar em anti-semitismo, dado, segundo ele, ter sido durante 50 anos o grande promotor das teses anti-semitas em Inglaterra!
A grande questão que permanece em aberto é a da liberdade de expressão. Até onde irão os fanáticos politicamente correctos para limitar a livre expressão de ideias?

Publicado por FG Santos às 03:15 PM

Violência doméstica feminina

Numa altura em que a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima se arrisca a fechar as portas por falta de verba, publica-se no Diário de Notícias uma entrevista com um dos seus técnicos, em que o tema é a violência doméstica exercida pelas mulheres sobre os homens.
Lá se diz que "A mulher é fisicamente mais frágil que o homem e recorre a utensílios domésticos e a armas brancas. É uma violência muito mais requintada, perversa. O homem utiliza mais força bruta."
Um assunto ainda tabú na nossa sociedade.

Publicado por FG Santos às 03:05 PM

fevereiro 21, 2005

Curiosidades eleitorais

Antes de mais recomendo aos mais curiosos por resultados o site do Ministério da Justiça, onde se podem consultar as votações por distrito, concelho e freguesia.
Destaco alguns dados curiosos:
- O simpático concelho de Alvaiázere, no distrito de Leiria, permanece ainda e sempre imune a vagas rosa: PSD tem 64% (menos 9%)!
- O concelho de Alcanena, no distrito de Santarém, é, eleição após eleição, um concelho que raramente se afasta da média nacional.
- Manuel Monteiro nem no concelho de que é natural (Vieira do Minho) tem um resultado apresentável: 0,92%.
- No concelho da Amadora, onde está inserido o bairro da Couva da Moura, o PNR teve uma percentagem acima da média nacional: 0,24%.
- O CDS-PP cresceu no distrito de Lisboa: mais 1.089 votos. Em percentagem desceu ligeiramente.
- Na freguesia de Souselas ganhou o PS com larga margem! Palavras para quê?
- Avis continua um concelho "vermelho" e o amigo Duarte sacou lá 4 votos! No total do distrito teve uma percentagem praticamente igual à nacional: 0,18%.
- Mesma percentagem obteve o Bruno no distrito por que concorreu. Em Ílhavo, concelho tradicionalmente à direita, obteve 0,21%. Já no seu Espinho natal, subiu para 0,24% - e sem a ajuda do Clark!

Publicado por FG Santos às 12:35 PM | Comentários (1)

fevereiro 20, 2005

As eleições

Ainda sem o distanciamento necessário, deixo aqui algumas reflexões sobre os resultados eleitorais de hoje.
Todos sabem que os governos nas democracias têm uma regra de ouro: tomar as medidas mais difíceis nos primeiros anos, aligeirando um pouco no final, de modo a garantir os votos.
Ao convocar eleições a meio desse ciclo, o nosso PR ofereceu de bandeja a vitória ao seu partido (é este o "charme" da República). Apesar das inépcias do governo cessante, este tentou nos pouco meses que esteve no activo prosseguir algumas políticas arriscadas, como as portagens nas SCUT ou o aumento da taxação sobre as mais valias das empresas, o que criou um movimento de reacção de alguns empresários, que terão pressionado Sampaio a disolver o governo.
Em termos gerais os eleitores não perceberam o sentido do esforço financeiro que lhes foi exigido e só se terão lembrado da "vida boa" durante o guterrismo.
Como era de esperar, o CDS, sem um grande resultado, já mostrou que com Portas não obtém resultados desastrosos. Apesar da hostilidade da imprensa.
Em relação à extrema-esquerda, penso que os bons resultados da CDU e do BE têm motivos diferentes. Tradicionalmente, em cenário de dificuldades económicas e aumento de desemprego, os comunistas crescem. O seu discurso, sempre o mesmo, tem o efeito de atraír a classe média-baixa e baixa quando a sua situação económica se degrada.
O crescimento do BE tem motivos completamente distintos. É uma esquerda de classe média, que apela à juventude e procura angariar os rebeldes em fim de adolescência, os universitários. É na Universidade que a guerra cultural (pois é disso que se trata) se trava: onde a esquerda vai impondo insidiosamente a sua mensagem, as suas "causas" - e desde os anos 60 praticamente só tem averbado vitórias, talvez com a excepção de um período nos anos 80, em que a euforia reaganiana / thatcheriana se fez sentir. A simpatia (para não dizer mais) que os meios de comunicação demonstram perante o BE tem em grande medida a sua origem no trabalho de sapa que a esquerda tem desenvolvido nas últimas décadas.
Ao contrário de algumas insinuações malévolas à sua direita, o PND não beneficiou de qualquer complacência por parte da comunicação social. Tendo nas suas fileiras algumas pesssoas de grande valor, viu-se confrontado com o silêncio mediático, que impediu uma maior difusão da sua mensagem. A posição política de Monteiro não ajudou: de grande defensor dos desfavorecidos nos primórdios do PP (papel que Portas brilhantemente arrecadou) passou a promotor de um liberalismo "à outrance", incongruente com outra das suas posições de outrora: a defesa do empresário português face à "invasão" de produtos estrangeiros. Face à Constituição Europeia e ao aborto as ideias pareceram mais claras, tendo sem dúvida contribuído para os 40.000 votos que obteve à hora a que escrevo.
Do PNR já falei mais abaixo, só acrescento que deve de uma vez por todas esclarecer a sua relação com a FN - também aqui houve uma postura que não ajudou a tirar a imagem que a chamada extrema-direita tem em toda a Europa: movimentos xenófobos. Digo a imagem e não a realidade - mas o esclarecimento cabal deste aspecto não existiu. E ao contrário do que dizia o Pedro Guedes, não creio que seja um partido que cative os monárquicos: primeiro, porque não tem (nem procura ter) um discurso monárquico; depois, porque é europeísta, pan-europeu, qualquer coisa assim, enquanto que os monárquicos tendem a ser atlantistas, mais virados para o mar, por assim dizer (como dizia Franco Nogueira, um país cuja única fronteira terrestre é com um só país, ainda por cima de tendências expansionistas, procurou sempre a sua independência do lado do mar: pela aliança com a Inglaterra (uma ilha) e pela expansão marítima).
Para concluir, uma reflexão regional: costuma dizer-se que o poder dos comunistas no Alentejo era uma questão de tempo, de demografia: à medida que os "velhos" apoiantes fossem finando, assim a sua massa de apoio definharia, inelutavelmente. Ao ver os resultados desta noite em distritos tradicionalmente conservadores como Viseu ou Bragança, ocorre-me o mesmo mas a respeito dos valores conservadores do Portugal rural. Mesmo nestes distritos a população vai-se urbanizando, desertam as aldeias, concentra-se a população nas grandes e médias cidades, a igreja tem um papel menos preponderante (e quando o tem é muitas vezes em sentido revolucionário!) e assim, goste-se ou não, morre mais um pouco do nosso velho Portugal, cada vez mais urbano, desmemoriado, sem valores, virado para a conta bancária e o entretenimento.

Publicado por FG Santos às 11:03 PM | Comentários (4)

fevereiro 19, 2005

O infeliz...

A eterna Mafalda, do argentino Quino.

mafalda.jpg

Publicado por FG Santos às 10:35 AM | Comentários (2)

fevereiro 18, 2005

Quem era "Deep Throat"?

Recordam-se certamente que, no caso Watergate, os jornalistas do Washington Post Bob Woodward e Carl Bernstein tinham um informador, ao qual se referiam pelo nome de "Deep Throat", do título do filme pornográfico que fazia furor à época.
Sempre se especulou muito sobre quem seria esse informador. Investigações recentes por parte de Adrian Havill apontam para o nome de... George Bush (pai)!
Ora leiam o que conta a este respeito o "Rivarol":

«Bush père était-il le traître du “Watergate”?

L’actuel président américain aurait-il été réélu le 2 novembre si la “taupe” présumée du scandale du Watergate qui provoqua en 1973 la démission de Richard Nixon avait été alors connue? L’informateur de Bob Woodward et Carl Bernstein, les journalistes du Washington Post qui eurent la peau de Nixon, ne serait autre en effet que George Bush Sr, père du locataire de la Maison-Blanche après avoir lui-même occupé celle-ci de 1988 à 1992! Si Woodward et Carl Bernstein ont toujours protégé leur source, connue sous le sobriquet de Gorge profonde (titre d’un film porno qui faisait alors fureur), on savait qu’il s’agissait d’un ponte de l’appareil républicain, obligatoirement proche de la présidence et le nom de Bush père avait été parfois évoqué, mais l’intéressé avait toujours démenti, arguant que, ambassadeur américain à l’ONU, il ne pouvait être à Washington aux moments stratégiques.
Or, en étudiant les agendas de Bush père, le biographe américain Adrian Havill a prouvé qu’il aurait parfaitement pu assister à sept des huit rencontres relatées par les deux journalistes. Reste à savoir pourquoi l’ancien sénateur a ainsi “balancé” Nixon: tout simplement selon Havill parce que ce dernier lui avait préféré Gerald Ford comme vice-président et lui avait refusé ensuite le très juteux ministère du Commerce (où il aurait pu favoriser outrageusement ses amis texans de l’industrie pétrolière et des travaux publics, en commençant par son inséparable Dick Cheney, vice-président depuis 2000 et l’un des principaux artisans de l’invasion de l’Irak où sa firme Hallyburton a pratiquement le monopole de la reconstruction).»

Publicado por FG Santos às 06:25 PM

Vítimas civis

Via "Causa Liberal", um artigo notável sobre o crime de Hiroshima e Nagasaki, as causas por trás da decisão de largar as bombas atómicas e as suas consequências para o mundo do pós-guerra.
Leitura obrigatória.

Publicado por FG Santos às 05:54 PM

A "Frente"

A notícia de hoje no Expresso sobre a ligação da chamada Frente Nacional ao PNR, embora oportunista por estarmos a dois dias das eleições, não deixa de confirmar as inquietações que eu e outros blogueiros têm expressado sobre qual o propósito de o PNR "aceitar" tal companhia e apoio.
Será por desejo de aglutinar o maior número possível de nacionalistas, mesmo que entre estes se incluam elementos extremistas, skinheads, hammerskins e tutti quanti? Mas então porque é que o PNR rejeita aqueles a quem muitos chamam "luso tropicalistas", apenas por recusarem ideias racialistas, mesmo que não desejem invasões imigracionistas?
Parece-me óbvio que há muita gente patriota e nacionalista que não vai votar no PNR por ver o partido associado a tal gente. E essas pessoas ainda compreendem menos o porquê dessa associação.
Penso que não estará longe o dia em que o PNR será ilegalizado. Com semelhante companhia o partido está a dar argumentos aos "proibicionistas". À mínima asneira da FN está criado o motivo ara a ilegalização. É evidente que neste momento a FN já deve estar infiltrado por agentes da PJ, que informam a tutela de todas as suas movimentações. E sabe-se lá se não serão mesmo esses agentes a criar o cenário para alguma asneirada que leve à ilegalização acima referida.
Lamento o que vai dito acima, nomeadamente por conhecer muito boa gente que anda no PNR a dar o seu melhor, mas não podia deixar de escrever este texto.

NOTA: já depois de publicar este texto o PNR emitiu um comunicado sobre a situação em causa.

Publicado por FG Santos às 02:43 PM | Comentários (3)

fevereiro 17, 2005

Novamente a Orquestra Sinfónica Portuguesa

Ontem à noite no CCB, mais uma excelente prestação da OSP, sob a direcção soberba de Emílio Pomàrico, maestro que já tinha tido a felicidade de ver dirigir a mesma orquestra em duas ocasiões.
Desta vez, além de uma obra de Rihm (bem diferente da ouvida na semana passada), Pomàrico dirigiu a 7ª Sinfonia de Bruckner (sem partitura - uma obra de cerca de 75 minutos!), o meu compositor preferido.

Anton Bruckner.jpg

E só vos posso dizer que foi um concerto soberbo, um Bruckner mais sereno, mais clássico, longe das inquietações da morte patentes na 8ª e na 9ª sinfonias.
Para quem não está familiarizado com a obra do grande compositor austríaco esta 7ª é, com a 4ª, a sinfonia ideal para começar a penetrar no seu fascinante universo, onde as influências quer da música religiosa quer do wagnerismo se fazem notar, num todo coerente e muito original.
Wagner que é muito sentidamente homenageado no 2º andamento, um longo adagio de quase meia hora: o grande músico alemão faleceu quando Bruckner estava a escrever esse andamento, que veio a constituir um longo lamento pelo passamento de Wagner. Um monumento.

Publicado por FG Santos às 05:10 PM

A propósito de eleições

Ao ouvir tanto arrazoado dos insignes representantes da Nação em (co)missão eleiçoeira, dou como muito sensatas as palavras do velho Geoffrey Chaucer (c.1340–1400):

«The firste vertue, sone, if thou wilt lere,
Is to restreine and kepen wel thy tonge.»
("Canterbury Tales")

E quanto a escolha pessoal, outra máxima do mesmo poeta:

«Of harmes two the lesse is for to cheese.»
ou
«Of two evils the less is always to be chosen», em Inglês moderno.
("Troilus and Creseide")

Publicado por FG Santos às 05:01 PM | Comentários (1)

fevereiro 16, 2005

Mais sobre Adam Smith

A propósito do meu texto anterior sobre Adam Smith, o comentador NC sugeriu a leitura de um texto que supostamente desfaz alguns mitos sobre o pensador escocês.
Eis os meus comentários ao mesmo.
1) O meu texto nunca referiu que Smith fosse partidário da ganância ("greed"). Entre cada um zelar pelos seus interesses próprios e a ganância vai um grande passo.
2) Obviamente escrevendo Smith anos antes da Revolução Industrial, a realidade que ele analisa não é a das grandes manufacturas. Mas o princípio da divisão do trabalho foi utilizado, tal como ele preconizava, no sentido do aumento de produtividade e progresso técnico. Este último seria também obtido pelo contributo dos trabalhadores, pois estes conhecendo a sua função como ninguém, precisamente por via da especialização, poderiam dar sugestões tendentes ao aumento de eficácia no seu desempenho. É muito curiosa a semelhança entre esta situação e o modelo japonês de círculos de qualidade!
3) A crítica aos "merchants" não é uma crítica ao capitalismo ou aos capitalistas (termos pouco ou nada usados à época) mas sim uma crítica aos monopólios, geradores de injustiças não só pelos preços mais altos que daí decorrem como pela menor eficácia na afectação de recursos. O modelo smithiano é um modelo de livre concorrência, em que os actores económicos não beneficiam de ajudas estatais, sejam subsídios, sejam limitações ao comércio internacional (tarifas aduaneiras).
4) Aqui reside, quanto a mim, uma das fraquezas deste modelo: vimos no meu anterior texto a descrição do círculo virtuoso, em que partindo da divisão do trabalho se alcançaria maior produtividade, maior crescimento económico, melhoria das condições de vida, etc. Ora o crescimento implicaria maior investimento e, consequentemente, aumento da dimensão das empresas, umas com mais sucesso que outras. Aquelas tenderiam necessariamente a ganhar maior quota de mercado, a concentrar recursos e, tendencialmente, a ditar regras no mercado. Inevitavelmente, o seu peso crescente terá reflexos junto do poder político e, daí até à obtenção dos tais favorecimentos que Smith criticava, vai um pequeno passo. É difícil crer que o crescimento das empresas se processe de igual forma: tal como os indivíduos, há empresas mais aptas que outras!
5) Esta aparente ingenuidade poderá derivar da convicção por ele expressa na "Teoria dos Sentimentos Morais", em que o autor crê que o ser humano nasce com uma consciência do que está certo e do que está errado, possuindo cada um uma qualidade, a que chama "sympathy" (pode traduzir-se imperfeitamente por "compreensão do outro" ou, modernamente, "empatia"), a qual permite aos homens viverem em comum. Parece-me a mim uma utopia tão ou mais perigosa que a de Rousseau.

Publicado por FG Santos às 02:34 PM | Comentários (6)

fevereiro 15, 2005

Adam Smith

Desafiou-me o Nelson Buíça a falar sobre o que ele chama "o triunfo de Adam Smith sobre Karl Marx".
A falência do marxismo está há muito estudada e documentada. Vou, assim, fazer uma pequena incursão sobre o pensamento económico de Smith. Com os diversos pontos focados ficaremos logo a perceber em que aspectos é que o filósofo escocês "triunfou".
Segundo Smith, o Homem é antes de mais movido pelos seus interesses particulares ("self interest"). Ao actuar no sentido de satisfazer esses interesses ele acaba por promover o bem comum, como se fosse movido por uma mão invisível, embora tal não seja o seu propósito. Esta ideia estabeleceu as bases para todo o pensamento que se opõe à intervenção do Estado na economia e na sociedade em geral. Esta intervenção dever-se-ia cingir a poucas áreas, como a lei e a ordem, e também algumas actividades económicas que pela sua natureza não proporcionam lucro.
Na sua obra "Inquérito sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações", escrita em 1776 (ano da independência americana), Smith expõe uma ideia que será fundamental na Revolução industrial: a divisão do trabalho. Numa manufactura, o trabalho deverá estar fragmentado em pequenas tarefas, cada uma executada por uma pessoa (embora cada pessoa possa executar mais que uma); a especialização que daí resulta contribui para um aumento de produtividade. Por outro lado, o conhecimento e a habilidade ("dexterity") de cada pessoa na sua função específica permite que a inovação técnica seja mais eficaz.
Cento e quarenta anos depois nada de muito diferente se passava nas fábricas Ford!
Smith foi também um crítico feroz dos monopólios, frequentes e numerosos à época. Para ele, o comércio livre e a concorrência conduziriam a um maior crescimento económico, à redução da pobreza e ao progresso moral e social da humanidade.
A divisão do trabalho também deveria ocorrer entre países, localizando-se nuns as principais indústrias, ao passo que outros seriam sobretudo fornecedores de matéria-prima.
Seria fastidioso descrever aqui os conceitos micro-económicos do pensamento de Smith. Apenas focarei que para ele (e como mais tarde para Ricardo e Marx) a base do valor de um bem é o trabalho; quanto maior o trabalho envolvido na produção de um bem, maior o seu valor intrínseco.
A sua obra também aborda a formação de preços no mercado e como se alcança um equilíbrio entre oferta e procura, o que seria a base para todo o pensamento neo-clássico do funcionamento dos mercados.
Em conclusão, o ciclo virtuoso smithiano seria: divisão do trabalho - maior produtividade - mais riqueza - crescimento económico - mais investimento - divisão do trabalho.
É fácil constatar como estas ideias estão hoje em grande medida presentes na vida económica das nações. A especialização mundial não conduziu em muitos locais do planeta à melhoria das condições de vida, tal como o peso do Estado na economia, mesmo nos países mais desenvolvidos, está longe da ideia de Smith.

Publicado por FG Santos às 04:51 PM | Comentários (6)

Committee on Standards in Public Life

Em comentário ao meu texto sobre a polémica que envolve o mayor de Londres Ken Livingston, o Clark questionou-me sobre a Comissão de Padrões da Vida Pública.
Pois a dita comissão, que tem um site, foi criada em 1994 por John Ball (mais conhecido por John Major!), funcionando como uma espécie de Alta Autoridade para a Ética em Cargos Públicos.
Muitas multinacionais têm um Código de Ética e os seus directores têm que o assinar, comprometendo-se a respeitar os princípios lá descritos. Possivelmente foi isso que inspirou a criação da CSPL.
Os princípios genéricos que a comissão exige dos titulares de cargos públicos fariam o terror de muito político português, em particular no meio autárquico:
- actuação com vista ao interesse público (selflessness);
- integridade;
- objectividade;
- prestação de contas (accountability);
- transparência (openness);
- honestidade;
- dar o exemplo (leadership).
Se lerem a descrição de cada um destes princípios no site referido, constatarão que o "caso Livingston" não se enquadra em nenhum deles, a não ser por extensão muito livre das definições.

Publicado por FG Santos às 02:21 PM

fevereiro 14, 2005

Morte de Hariri

Um atentado esta manhã em Beirute vitimou o ex-primeiro ministro libanês Rafic Hariri.
Considerado como o grande responsável pela reconstrução do país e pela sua extraordinária recuperação económica, Hariri, primeiro ministro entre 1992 e 1998 e depois entre 2000-2004, demitira-se em Outubro passado no seguimento de divergências com o presidente pró-sírio Emile Lahoud.
Numa altura em que as pressões (internas e externas) para que a Síria retire militarmente do país que ocupa desde 1990 são cada vez maiores, este triste acontecimento vem aumentar as incógnitas face à correlação de forças em presença.
Está muita coisa em jogo:
- a paz na Palestina está a colocar o Hezbollah sob uma pressão cada vez maior;
- o que sucederá ao apoio a este por parte do Irão tendo em conta a pressão americana sobre Teerão;
- a ocupação militar americana no vizinho Iraque é extremamente incómoda para Damasco;
- a opinião pública libanesa tolera cada vez menos a presença militar síria no Líbano: jornais mais aguerridos, protestos estudantis.
O Médio Oriente não consegue viver em paz.

Para um perfil de Hariri, ler aqui.

Publicado por FG Santos às 02:41 PM | Comentários (1)

O que ele foi dizer!

Mais um incauto que falou no que “não se pode”: o iconoclasta mayor de Londres, Ken Livingstone, perante a insistência de um jornalista em o entrevistar, perguntou-lhe se ela era um criminoso de guerra alemão. Ainda por cima, o jornalista em causa era judeu!
Obviamente que a pergunta foi de mau gosto mas a repercussão que estes ditos têm na imprensa e no meio político é desmesurada.
O “Board of Deputies of British Jews” (!) depositou uma queixa junto da Comissão de Padrões de Vida Pública. Se julgado culpado de conduta imprópria, o mayor arrisca-se a uma pena de exclusão de cargos públicos de um a cinco anos. É para aprender.

Publicado por FG Santos às 02:38 PM | Comentários (3)

fevereiro 13, 2005

Dresden, 60 anos depois

Há precisamente 60 anos ocorreu um dos mais sangrentos actos da II Guerra Mundial: o bombardeamento de Dresden pela força aérea aliada. As vítimas foram na sua grande maioria mulheres, crianças, velhos e dezenas de milhares de refugiados face ao avanço soviético a Leste.
Importante nó de comunicação entre Berlim e Leipzig, Dresden foi arrasada oficialmente para ajudar ao avanço soviético, mas igualmente para destroçar o moral alemão. O que é certo é que qualquer historiador hoje em dia reconhece que o efeito foi o contrário entre a população alemã.

dresden.jpg

O número de vítimas não é consensual, de 35.000 a 200.000 as versões divergem enormemente. O que é certo é que este horroroso crime de guerra nunca foi punido, pois a justiça (e a história) é exercida pelos vencedores.
Como escreveu Malaparte em "A Pele": «é uma vergonha ganhar a guerra».
Os bombardeamentos aliados sobre a Alemanha causaram no mínimo umas 600.000 vítimas, arrasando por completo cidades inteiras.
A auto-censura assumida pelos alemães no pós-guerra levou a que só de há uns 10 anos a esta parte se tenha começado a evocar as atrocidades aliadas, de tal modo a culpabilização alemã pelas atrocidades nazis se fez sentir no seu íntimo.

Publicado por FG Santos às 11:10 PM | Comentários (9)

O Bruno na TV

Gostei bastante da intervenção do amigo desta casa BOS, do Nova Frente, no tempo de antena do PNR hoje emtido no canal 2.
Seguro, afirmativo, com um discurso claro, o ilustre blogueiro (estava bem atabafadinho - resquícios da gripe?) mostra, para quem nunca com ele privou, que não é só homem de pena, é também um excelente comunicador. Bom trabalho!

Publicado por FG Santos às 12:04 AM | Comentários (5)

fevereiro 11, 2005

Sobre as eleições

Este blogue raramente se debruça sobre política nacional, não só porque já há muitos que o fazem com mérito, como porque logo de início o declarei mais virado para actualidade internacional e a cultura.
Mas faltando 9 dias para sabermos quem é que nos vai (des)governar nos próximos 4 (?) anos, aqui ficam umas notas sobre a campanha, sem pretensões de exaustividade.
Como em política as sondagens é que dão o tom às expectativas eleitorais, parece que o PSD se resigna a voltar à bancada da oposição, em benefício de um PS que, após desbaratar os fundos públicos, após 6 anos de "diálogo" (forma perversa de satisfazer quantos lobbies apareçam pela frente), após permitir novas vagas imigracionistas, desta vez sobretudo de Leste, se prepara com praticamente as mesmas "múmias" para voltar ao poleirinho do poder. Uma lástima.
O CDS-PP tem tentado mostrar-se como um garante da estabilidade e da responsabilidade na governação. Portas já mostrou como obtém quase sempre resultados superiores às expectativas.
A CDU continua a mesma pasmaceira intelectual de retórica comunista. Nada de novo por ali.
Tal como no BE, amontoado de revolucionários em potência, sempre prontos a subverter um pouco mais o que ainda resta de sãos princípios de convivência em sociedade. Insidiosos.
A Nova Democracia espera causar uma surpresa nestas eleições, servindo-se de algum carisma angariado por Monteiro quando arvorava a bandeira do PP... Há lá gente de mérito mas o partido parece andar ao sabor da corrente, sem convicções muito sólidas.
O PNR quer assumir-se como um partido anti-sistema, na senda de movimentos nacionalistas europeus como a FN ou o VB. As suas bandeiras são a luta contra a imigração, a independência nacional, a família... No tempo de antena de ontem (aliás muito fraco) mais de metade do tempo foi gasto a falar-se de criminalidade, supondo-se que são os imigrantes os responsáveis por essa vaga crescente. Embora o site do partido não demonstre hostilidade para com os imigrantes per se, nota-se em muitos militantes e apoiantes uma forte tendência racialista (que nunca se percebe muito bem se não descamba em racismo). No contexto nacional e europeu actual é um partido com o seu lugar no nosso espectro político, parecendo no entanto preso à questão imigração, que de resto dá mais votos. Conheço algumas pessoas que lá militam e que são incansáveis lutadores da causa nacional, a eles a minha homenagem, mesmo havendo entre nós algumas divergências de opinião e posicionamento político.
Falta falar, obviamente, no mais que provável vencedor: a sra. Abstenção, claro. Muitos eleitores já experimentaram votar em dois, três ou mais partidos e, como se costuma dizer, já não dão mais para "esse" peditório.

Publicado por FG Santos às 05:10 PM | Comentários (1)

Homenagem a Rodrigo Emílio

Atenção Legionário e demais apreciadores de Rodrigo Emílio na região do Grande Porto:
«A Lavra Editorial vai levar a efeito no próximo dia 5 de Março de
2005, pelas 15 horas, na Casa da Beira-Alta, na cidade do Porto, sita à Rua de Santa Catarina, 147 - 1.º, o «Tributo a Rodrigo Emílio». Em destaque vai estar a sua poesia através das vozes do declamador
Fonseca Alves e do animador da palavra Eduardo Roseira.»
Os interessados podem contactar:
Lavra Editorial
Rua Pereira da Costa, 156 - 2.º
4400-145 V.N. Gaia
ou para o email: eduardoroseira@mail.pt

Publicado por FG Santos às 04:26 PM | Comentários (1)

Ah, g'anda "Louca"!

Nada como o bom e velho capitalismo para ajudar a promover as obras do patriarca dos trotskistas portugueses!
Ora vejam lá o que é que está à venda na Amazon...

(Via Ordem nos Economistas.)

Publicado por FG Santos às 03:56 PM | Comentários (1)

Orgulho

"Qué maravilla, la Orquestra Sinfónica Portuguesa! Se yo fuera portuguesa sentiria um enorme orgullo en esta orquestra." Ouvi este comentário ontem no final do magnífico concerto aqui anunciado.
E que dizer de um concerto memorável quando estavam talvez mais músicos em palco que espectadores? É verdade que o efectivo exigido pela obra de Rihm é gigantesco; a título de exemplo, contei 35 instrumentistas de sopros e 8 contrabaixos!
A verdade é que há em Portugal uma grande aversão a música contemporânea, sobretudo uma grande preguiça em tentar ao menos ouvir com atenção algumas obras, rejeitadas de antemão. Mesmo havendo na segunda parte uma obra geralmente apreciada a adesão do público foi fraca.
Em compensação, o Ciclo de Grandes Orquestras Mundiais no Coliseu dos Recreios assegura sempre casa cheia, apesar dos preços proibitivos. Mas trata-se antes de mais de um acontecimento social, uma exibição de casacos de peles. Basta atentar nas tosses constantes, nas palmas fora de tempo ou no frequente toque de telemóveis para aquilatar da falta de cultura de uma boa parte das pessoas que lá vai.
E é este o país cultural que temos.

Publicado por FG Santos às 03:10 PM

Pio XII e os judeus

Via o sempre recomendável "Causa Liberal", sugiro-vos um texto desmistificando as patranhas que insistentemente continuam a correr sobre o papel do Papa Pio XII durante a guerra e, particularmente, face ao Holocausto.

Publicado por FG Santos às 02:56 PM

fevereiro 10, 2005

"Assim falou Zaratustra"

A obra de Nietzsche inspirou o grande Richard Strauss na composição do famoso poema sinfónico com o mesmo nome (famoso sobretudo pela abertura, que Kubrick utilizou no seu "2001 Odisseia no Espaço").
Esta magnífica obra é hoje interpretada pela Orquestra Sinfónica Portuguesa no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, a par de "Vers une Symphonie Fleuve IV" (estreia em Portugal) de Wolfgang Rihm, compositor alemão contemporâneo (nascido em 1952), a quem a OSP está a dedicar um mini-ciclo.
Como ainda há bilhetes (estranhamente, a OSP, apesar do seu elevado nível artístico, não consegue atrair um grande número de fiéis), convido os meus leitores que residam na grande Lisboa a juntarem-se a mim e a deslocarem-se ao CCB.
Aos outros, a Antena 2 mais uma vez possibilitará a audição em directo do concerto, a partir das 20h55.

Nota: os mais melómanos não deixarão de visitar este excelente site, dedicado ao grande artista, onde, além das informações habituais (biografia, obras, etc.), podem ver fotografias e filmes de Strauss, em família, na direcção, ao piano...

Strauss, Rehearsal with the Vienna Philharmonic,.jpg
(Rehearsal with the Vienna Philharmonic, Vienna Musikverein, 1944.)

Curiosamente, o site não se alonga muito sobre a posição de Richard Strauss em relação ao regime nazi: «In 1933 the Nazi regime appointed Strauss, Germany’s leading musician, as President of the Reichsmusikkammer (Reich Chamber of Musicians). Politically naive, Strauss accepted, but by 1935 he had fallen out of favour and resigned. Family reasons (his son Franz had been married to a Jew since 1924) and the financial necessity of having his works performed in Germany prevented him from breaking with the Nazi regime.»

Publicado por FG Santos às 05:22 PM

Entrevista de D. Duarte

O sempre estimável site Unica Semper Avis teve a boa ideia de transcrever a entrevista dada por D. Duarte ao semanário "O Diabo".
A não perder.

Publicado por FG Santos às 04:23 PM | Comentários (2)

fevereiro 09, 2005

Será desta?

O encontro entre Ariel Sharon e Mammoud Abbas em Charm-el-Sheik, no Egipto, resultou num acordo de renúncia à violência de parte a parte. A Autoridade Palestina compromete-se a controlar os grupos terroristas, ao passo que Israel cessará, até mais ver, qualquer acção militar nos territórios ocupados.

abbas_sharon.jpg


Como acordos e cimeiras entre ambas as entidades são já muitos, obviamente há que encarar este com a maior cautela, mas que é um passo importante não parece haver dúvida. Mais a mais sendo Sharon um dos impulsionadores do mesmo. O velho militar, culpado de muitos crimes, mostra que só há uma via para a resolução do conflito que dura desde 1948.
Anteriores acordos soçobraram pela acção dos extremistas dos dois campos. Os sinais que dai vêm são para já algo inquietantes, a fazer fé no que relata o Haaretz:
- 10000 soldados israelitas já deram a entender que podem não acatar ordens quanto à retirada dos colonatos;
- a AP acusa o Hezbollah de estar a preparar novos atentados.
Tal como a vida de muitos inocentes dos dois lados, este acordo está no fio da navalha.

A young Palestinian boy watching an IDF soldier patrolling in Hebron.jpg
«A young Palestinian boy watching an IDF [Israel Defense Forces] soldier patrolling in Hebron.» Fonte: Haaretz.

Publicado por FG Santos às 02:08 PM | Comentários (5)

Cimeira de paz israelo-palestina

Toda a gente sabe porque é que a anterior cimeira de paz para a Palestina, em Camp David, redundou em fracasso:

Camp David.jpg

Publicado por FG Santos às 02:02 PM | Comentários (3)

Contagem de votos no Iraque

A counting official for the Independent Electoral Commission of Iraq pours over ballot papers by candle light due to a power cut in a polling station.jpg

«A counting official for the Independent Electoral Commission of Iraq pours over ballot papers by candle light due to a power cut in a polling station.» Fonte: Al-Ahram Weekly.

Publicado por FG Santos às 01:57 PM

fevereiro 07, 2005

O circo

A cada quatro anos (quando a triste figura do P.R. - falo em sentido global, não apenas no presente inquilino de Belém - não decide que seja mais cedo) lá vem o circo à cidade. Ilusionistas, trapezistas, malabaristas, cavalos, ursos e, naturalmente, palhaços enchem-nos os ouvidos, a vista, a paciência, com a banha da cobra.
Quais vendedores de rua, os políticos da nossa praça prometem este mundo e o outro, arrasam a concorrência, afiançam que o seu "produto" é o mais fidedigno, mais eficaz, mais capaz de satisfazer o "consumidor".
E este assiste, entre o incrédulo e o desdenhoso, a esta farsa que se repete matematicamente.
Tivesse eu paciência e tempo e conseguiria certamente construir uma matriz com as palavras chave por tópico abordado - economia, saúde, educação, pensões - em que as mesmas fórmulas são usadas com ligeiras variações, seja de acto eleitoral em acto eleitoral, seja de partido para partido. Afinal, para lá da ladaínha habitual, nestes tempos em que a Novilíngua orwelliana irresistivelmente progride, basta recorrer a alguns lugares comuns para se fazer o seu comérciozito: solidariedade, integração, exclusão, crescimento, desenvolvimento sustentado, educação para o séc. XXI, saúde para todos, multiculturalidade...
A vantagem para uma classe política a cada dia que passa de nível progressivamente mais baixo é que qualquer papagaio consegue (por vezes com algum esforço, adivinha-se) recitar esta litania, sendo o seu "brilhante" discurso repercutido nos media, alvo de debate (entre um círculo restrito de comentadores encartados, que alterna - palavra marota! - de estação de TV para estação de TV), em que as mesmas palavras chave abarcam 90% do que se discute. E quanto menos diferem os discursos mais acalorada será a discussão, numa relação inversa entre diferença de ideias e ardor argumentativo.
Não tenho dúvidas que o período de campanha eleitoral é o momento mais deprimente, baixo, reles, absurdo, da nossa vida colectiva.
Ao menos os palhaços verdadeiros ainda têm o condão de fazer rir os meus filhos.

Publicado por FG Santos às 11:11 PM | Comentários (5)

fevereiro 06, 2005

Brasillach cumpriu-se...

Brasillach veio declarar a violência ao seu mundo e mataram-no.
Desde Cristo que é assim: os que vieram para escandalizar são mortos, mas depois regressam e já ninguém se pode libertar da sua escandalosa presença.
Aos carrascos deixou a sua morte, o remorso; a nós deixou-nos a sua vida, o exemplo.
Exemplo de juventude que se identifica pela insolência e pelo espírito, ele foi novo até na generosidade com que dispersou os seus talentos. Até nisso, integral.
A juventude é uma coisa e a idade outra. Mas a Brasillach nem sequer foi permitido atingir a idade em que os homens se costumam tornar velhos. Melhor: assim nos ficou a memória de uma imagem de juventude inteira: da física e da espiritual.
Foi ainda dessa maneira total que ficou connosco. O seu testemunho não está destinado à guarda de um erudito conservador de museu, está destinado à fidelidade dos seus voluntários camaradas.
Por isso, melhor cumpriremos colectivamente a tarefa e o cinismo de o testemunhar. É a melhor homenagem que devemos à sua magnífica lição de camaradagem, a nossa própria camaradagem.
A sua permanente atitude de afronta contra a hipocrisia e o cinismo e a audácia com que se manifestou a coragem reúnem-nos de novo, para confirmar a unidade original do espírito na unidade da acção.
Brasillach cumpriu-se: “Daqui a 20 anos ouvirão outra vez falar de nós”.
Ele preveniu-os.

Francisco Lucas Pires

Publicado por FG Santos às 11:24 PM | Comentários (4)

Velada de Versos por Robert Brasillach

Velada de Versos
a alto e bom som
por
Robert Brasillach

Moída mais que por mós,
A memória dá recado
De um coração que por nós
Bate apesar de enterrado.

Concha do chão, sonho a sós,
Na morte o encontro marcado
Do silêncio com a voz,
Do presente com o passado.

Veio a noite e a paz após.
De vala a vale embalado,
Ali jaz, sono sem foz,
Em solidão o soldado.

Atrás do remorso atroz
Que punge e chaga do lado
De um coração que por nós
Bate apesar de enterrado.

Pela dádiva desmedida
Do eterno camarada,
Levo o tempo de vencida
E trago na minha vida
A morte dele hospedada!

Rodrigo Emílio

Publicado por FG Santos às 11:23 PM | Comentários (1)

fevereiro 05, 2005

6 de Fevereiro

Tinha guardada para evocação dos 60 anos do fuzilamento de Robert Brasillach uma peça do meu arquivo que muito prezo. Desgraçadamente já dei volta a todas as pastas e gavetas e não há maneira de dar com a coisa. Lamento, por mim, que se calhar perdi uma preciosidade, e por não poder proporcionar aos meus leitores tal texto.
Trata-se de um artigo de uma página na revista "Time" sobre o malogrado escritor, em que o autor da peça se insurgia contra a decisão de De Gaulle de não perdoar a condenação à morte, apesar do apelo de dezenas e dezenas de homens de letras de todos os quadrantes ideológicos. Obviamente que o articulista não desculpava os escritos mais "quentes" de Brasillach mas indignava-se muito justamente com a decisão judicial contra um escritor que assumiu o que escreveu, enquanto por exemplo muitos homens de negócios que beneficiaram financeiramente com a Ocupação eram deixados sossegados.
Quando se evoca uma efeméride ligada a um artista "maldito", essa evocação normalmente ocorre num circuito fechado de admiradores, ficando a grande maioria da população na ignorância. O que o artigo da "Time" fez foi quebrar o muro do silêncio de uma forma surpreendente. Mais ainda porque na altura o Presidente do Conselho de Administração da revista era Edgar Bronfman, Jr., filho de Edgar Bronfman, que era, salvo erro ainda nessa altura (há uns 7/8 anos), presidente do Congresso Mundial Judaico.

Publicado por FG Santos às 11:28 PM | Comentários (1)

fevereiro 03, 2005

A imprensa livre atacada na Argélia

Nada de novo na Argélia quanto a liberdade de expressão. Já se sabia que a reeleição de Bouteflika iria conduzir a um estrangulamento ainda maior das liberdades.
Vem agora a público uma denúncia, relatada pela excelente revista "Jeune Afrique", dos Reporters sans Frontières, da condenação de diversos jornalistas a penas de prisão, por injúrias e difamação do presidente da república.
Um jornal ao qual de vez em quando dava uma espreitadela, Le Matin, deixou de estar disponível online já há uns tempos...
Mais um exemplo de um país amigo do grande promotor da democracia em todo o mundo, George Bush. E nosso fornecedor de gás natural...

Publicado por FG Santos às 04:59 PM

Israel exige, a Alemanha...

O presidente alemão, Horst Köhler, deslocou-se a Israel, tendo discursado no parlamento (Knesset) - em alemão, diga-se de passagem, dado que houve alguma polémica quanto à questão de se falar naquele local na língua de Hitler e Eichmann... Mas como também é a língua de Goethe e Schiller...
Diversos homens políticos israelitas exigiram (!) a interdição do partido NPD, acusado de ser nazi. Não vou aqui especular se o NPD é ou não é nazi, nem o tema me interessa especialmente. O que é extraordinário é a forma superior com que tais figuras "exigem" que o presidente de um país que até nem é o Burundi tome determinadas medidas ou as promova, dado que o governo é quem tem efectivo poder na Alemanha. "Um partido de neonazis e negadores do Holocausto não tem qualquer lugar na democracia alemã", declarou Reuven Rivlin, presidente da Knesset. Já agora pode-se pedir uma lista completa de quais os partidos que o sr. Rivlin terá a bondade de declarar aptos a participar na vida democrática teutónica!
Falou-se também no resurgimento do anti-semitismo por aquelas bandas: "as lições não foram aprendidas". Será que não se percebe que quanto mais se martela na mesma tecla mais as pessoas reagem, criando-se maior antipatia pelo judaísmo?
Sharon e Katzav (o presidente israelita) também pediram maior empenho da Alemanha no processo de paz no Médio Oriente, ao que Köhler perguntou em que é que isso se podia traduzir (reparem na humildade do homem, "diga-me lá, sff, o que é que posso fazer para vos agradar?"), sendo-lhe respondido, sem surpresa, que a Alemanha deve lutar para que o Hamas e o Hezbollah sejam incluídos pela UE na lista dos movimentos terroristas.
Sobre ajudas da Alemanha a Israel o artigo do Süddeutschezeitung, jornal de Munique próximo das ideias do SPD, é omisso...

Publicado por FG Santos às 04:19 PM | Comentários (1)

fevereiro 02, 2005

Espionagem israelita em Washington

Excelente artigo de Samuel Francis no "Chronicles" sobre o escândalo de espionagem a favor de Israel por um elemento do Ministério da Defesa (Defense Department), que é suspeito de ter entregue documentos classificados à AIPAC, o lado mais visível do lobby judeu nos EUA.
Lá se sugere que toda a clique neo-conservadora de que se rodeia Bush mais não será que uma agência de espionagem (e não só, digo eu) ao serviço de Israel!
A não perder.

Publicado por FG Santos às 06:03 PM | Comentários (7)

fevereiro 01, 2005

Eleições no mundo árabe

Até há pouco tempo, as eleições que se realizavam no mundo árabe eram um pró-forma de legitimação (nada transparente, diga-se) dos quase eternos líderes. De Saddam Hussein a Ben Ali, de Hosni Moubarak a Hafez-el-Assad, o resultado era sempre o esperado.
O Líbano, ocupado militarmente pela Síria desde 1990, era (e é) um caso mais complexo, dado que os lugares de Presidente e Primeiro Ministro estão de antemão reservados respectivamente a um cristão e a um muçulmano.
No Médio Oriente, um país não árabe, o Irão, ia avançando com um pouco menos de restrições à apresentação de candidaturas menos identificadas com o status quo, o que permitiu a extraordinária eleição de Khatami (entretanto reeleito) à presidência.
No último mês, dois territórios militarmente ocupados por tropas estrangeiras, a Autoridade Palestina e o Iraque, tiveram as suas eleições, com maior sucesso do que previsto.
A morte de Yasser Arafat permitiu finalmente aos palestinos votar livremente em cerca de dez anos, num clima de quase distensão, dando uma lição de civismo e serenidade aos monolíticos regimes de partido e presidente único e vitalício.
No Iraque, mesmo com ameaças de atentados (algumas concretizadas) cerca de 72% dos eleitores deslocaram-se às urnas, mostrando uma vontade clara de escolher os seus governantes. O desinteresse, fosse por medo fosse por desprezo pela ocupação americana, da comunidade sunita não surpreendeu e tal constitui um problema forte de legitimação do futuro poder. É uma reviravolta espantosa face ao regime sadamita, fortemente repressor da comunidade chiita, que constitui cerca de 60% da população iraquiana.

Voto em Al-Diwaniya 30.01.2005.jpg
(Fila de eleitores na localidade iraquiana de Al-Diwaniya.)

Os curdos, em referendo paralelo à eleição, votaram em grande estilo (mais de 90% de sim) pela independência, inquietando ainda mais a junta militar turca.
A Administração Bush, excitadíssima com a sua "revolução democrática", vai afiando as facas com vista a uma eventual invasão do Irão. O que é que se joga aqui?
- O controlo acrescido das reservas petrolíferas mundiais. Com uma pressão cada vez maior sobre os recursos, impulsionada em grande medida pelo crescimento económico chinês, os americanos continuam a tentar precaver o futuro deste bem precioso;
- Uma política cada vez mais descarada de eliminação dos inimigos de Israel, mesmo que para tal se incendeie toda uma região e se dê ainda maior alento a uma vaga terrorista à escala mundial;
- O factor apontado por Bush como primordial, a expansão da democracia, é perfeitamente anedótico, dado que Washington convive muito bem com regimes como o Paquistão, as repúblicas da Ásia Central ou a China, onde a democracia é uma miragem.

Publicado por FG Santos às 11:54 AM | Comentários (2)