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fevereiro 15, 2005

Adam Smith

Desafiou-me o Nelson Buíça a falar sobre o que ele chama "o triunfo de Adam Smith sobre Karl Marx".
A falência do marxismo está há muito estudada e documentada. Vou, assim, fazer uma pequena incursão sobre o pensamento económico de Smith. Com os diversos pontos focados ficaremos logo a perceber em que aspectos é que o filósofo escocês "triunfou".
Segundo Smith, o Homem é antes de mais movido pelos seus interesses particulares ("self interest"). Ao actuar no sentido de satisfazer esses interesses ele acaba por promover o bem comum, como se fosse movido por uma mão invisível, embora tal não seja o seu propósito. Esta ideia estabeleceu as bases para todo o pensamento que se opõe à intervenção do Estado na economia e na sociedade em geral. Esta intervenção dever-se-ia cingir a poucas áreas, como a lei e a ordem, e também algumas actividades económicas que pela sua natureza não proporcionam lucro.
Na sua obra "Inquérito sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações", escrita em 1776 (ano da independência americana), Smith expõe uma ideia que será fundamental na Revolução industrial: a divisão do trabalho. Numa manufactura, o trabalho deverá estar fragmentado em pequenas tarefas, cada uma executada por uma pessoa (embora cada pessoa possa executar mais que uma); a especialização que daí resulta contribui para um aumento de produtividade. Por outro lado, o conhecimento e a habilidade ("dexterity") de cada pessoa na sua função específica permite que a inovação técnica seja mais eficaz.
Cento e quarenta anos depois nada de muito diferente se passava nas fábricas Ford!
Smith foi também um crítico feroz dos monopólios, frequentes e numerosos à época. Para ele, o comércio livre e a concorrência conduziriam a um maior crescimento económico, à redução da pobreza e ao progresso moral e social da humanidade.
A divisão do trabalho também deveria ocorrer entre países, localizando-se nuns as principais indústrias, ao passo que outros seriam sobretudo fornecedores de matéria-prima.
Seria fastidioso descrever aqui os conceitos micro-económicos do pensamento de Smith. Apenas focarei que para ele (e como mais tarde para Ricardo e Marx) a base do valor de um bem é o trabalho; quanto maior o trabalho envolvido na produção de um bem, maior o seu valor intrínseco.
A sua obra também aborda a formação de preços no mercado e como se alcança um equilíbrio entre oferta e procura, o que seria a base para todo o pensamento neo-clássico do funcionamento dos mercados.
Em conclusão, o ciclo virtuoso smithiano seria: divisão do trabalho - maior produtividade - mais riqueza - crescimento económico - mais investimento - divisão do trabalho.
É fácil constatar como estas ideias estão hoje em grande medida presentes na vida económica das nações. A especialização mundial não conduziu em muitos locais do planeta à melhoria das condições de vida, tal como o peso do Estado na economia, mesmo nos países mais desenvolvidos, está longe da ideia de Smith.

Publicado por FG Santos às fevereiro 15, 2005 04:51 PM

Comentários

'self interest'...'self interest'...pois é...algo inato...pois.

FG Santos, no meu melhor, a por os pontos nos ii.
Quem sabe, sabe. Está lá tudo, assim os 'ceguinhos' consigam enxergar.
Vou fazer um post sobre o seu post.
Bem haja.

Um abraço

Publicado por: Nelson Buiça em fevereiro 15, 2005 09:08 PM

ooops, enganei-me
no 'SEU melhor', como é óbvio

Publicado por: Nelson Buiça em fevereiro 15, 2005 11:07 PM

Era Smith um defensor do sistema capitalista? http://www.medaille.com/adamsmith.htm

Publicado por: NC em fevereiro 16, 2005 10:52 AM

Querem ver que era comunista??!!

Publicado por: Nelson Buiça em fevereiro 16, 2005 01:11 PM

Não é o Buiça que está sempre a dizer que o mundo não é a preto e branco? Existe muito "cinzento" entre o capitalismo e o comunismo.

Publicado por: NC em fevereiro 16, 2005 10:58 PM

interessante seus comentarios e de todos os outros.
porem não acho que tenha existido voitoriado escoces sobre o alemão, mas sim uma derrota interna na condução da transformaç~/ao de capitalism para socialismo, interpretamos e fizemos escolhas erradas no passado, porem aprendemos muiot e quando voltarmos seremos melhores com o povo e piores com os patrões.

Publicado por: pablo lopes em março 6, 2005 07:25 PM