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setembro 23, 2008

De mudança

Tenho um blogue novo, onde recomeçarei a escrever regularmente, e que em breve será mais do que um blogue. O endereço é http://ruitavares.net e, por agora, está ainda bastante improvisado. Mas apareçam e, se quiserem, divulguem. Este blogue aqui extinguir-se-á dentro de pouco tempo, portanto vale a pena actualizarem os vossos marcadores.

[ruitavares] 00:35

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janeiro 17, 2008

Não pergunte

[Público 16 janeiro 2008]

A conclusão é que os gestores portugueses têm de ser bem pagos porque sim.

Consideremos como uma menção de Cavaco Silva aos salários dos executivos de empresas foi recebida em Portugal. Os adjectivos mais usados: “populista” e “demagógico”. Encontramos também “infeliz” e “insólito”. Na Quadratura do Círculo da SIC o panorama foi tão variado como o electrocardiograma de um cadáver: Pacheco Pereira optou pelo “populista e demagógico”, Lobo Xavier pelo “infeliz e insólito” e Jorge Coelho achou que “não fazia sentido” falar do assunto. O presidente foi até acusado de, crime dos crimes, “ter piscado o olho à esquerda”.

A reacção generalizada foi resumida pelo Jornal de Negócios assim: “Falar em desproporção salarial é «ceder à demagogia»”. Reparem bem, não é fazer algo. Não é pensar em fazer. É simplesmente falar do assunto. Ou, como fez o presidente, “interrogar-se” sobre se seria “justificada” a diferença entre os salários dos administradores e os dos colaboradores.

Temos às vezes a impressão errada de que a maioria da opinião publicada em Portugal é conservadora. Infelizmente, é pior do que isso: limita-se a ser uma reacção instintiva de protecção do status quo.

***

Curiosamente, é preciso ir à imprensa económica para encontrar uma cantiga diferente: um editorial do Jornal de Negócios considerou que a referência de Cavaco Silva “faz todo o sentido”. E onde lemos, já há bastante tempo, que os administradores do BCP estavam a “ir ao bolso” dos seus accionistas com os altos salários de que usufruíam? No Wall Street Journal, nem mais nem menos. Em Portugal seria impossível escrever com uma clareza destas.

Porém, como revelou um estudo especializado da Mercer, Portugal é o país da UE em que a diferença salarial é maior: os administradores ganham trinta e duas vezes mais do que os funcionários, contra quinze vezes em Espanha, quatorze vezes no Reino Unido e dez na Alemanha. E isso não é só porque os funcionários ganham pouco: os altos gestores portugueses ganham os segundos melhores salários da UE, em termos absolutos, só atrás dos ingleses.

E o que nos dizem a isto os defensores do status quo? Que os gestores, para serem de qualidade, têm de ser bem pagos. E que os gestores portugueses têm de ser bem pagos porque a qualidade não abunda. Sim, é contraditório. Sim, é circular. A conclusão é que os gestores portugueses têm de ser bem pagos porque sim.

Em 2006 os administradores do BCP receberam 3 milhões de euros de vencimento, cada um. Entretanto, esses génios da finança destruíram a credibilidade do banco, perdoaram empréstimos a familiares e amigos e, só nos últimos seis meses, o banco perdeu um terço do seu valor. Pior ainda, corre uma investigação por suspeitas de terem enganado a bolsa criando empresas off-shore para comprar as suas próprias acções.

Pergunto-me se não deveríamos antes contratar gestores alemães, que ganham menos e não consta que sejam piores nem mais vigaristas. Mas não quero ser populista nem demagógico. Eu sei que nos EUA toda a gente faz este debate. Na Alemanha, o governo conservador de Angela Merkel fala em intervir para tabelar os salários dos gestores. Mas em Portugal é melhor nem nos interrogarmos: é insólito.

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janeiro 15, 2008

Agora a sério

[Público 14 janeiro 2008]

Não há melhor país para um cronista senão Portugal. Numa semana, está prestes a ser implantado um regime fascista. Na outra, já toda a gente se esqueceu disso, mas em seu lugar está em curso um ataque concertado à liberdade de opinião.

A primeira palavra da crónica vai para Helena Matos, com quem joguei pingue-pongue nestas páginas durante o último ano. Aqui foi franca, generosa e combativa. Em privado, foi sempre de uma simpatia e correcção sem falhas. Tal como eu, imagino que um dia se recordará de 2007 como o ano em que nos pagaram para discordarmos — algo que faríamos até de graça. Quero aproveitar para lhe agradecer e desejar as maiores felicidades.

Bem, acabou o pingue-pongue, mas não me queixo. Não há melhor país para um cronista senão Portugal. Numa semana, está prestes a ser implantado um regime fascista. Na outra, já toda a gente se esqueceu disso, mas em seu lugar está em curso um ataque concertado à liberdade de opinião. A sério.

O tema do fascismo fora proclamado por Pacheco Pereira e Pulido Valente, o mesmo que em tempos escarnecera do PCP por “não haver nada a que não tenha chamado fascista”. Há efectivamente uma diferença crucial. Para os dois historiadores nem tudo é fascista. Só enxergam sinais de fascismo que lhes cheguem da esquerda. A lei do tabaco e a acção da ASAE são dois desses sinais. Já a invasão de países sob falsos pretextos, as leis de espionagem interna do Patriot Act, a conversa sobre civilizações “superiores” e “inferiores”, e extraordinariamente até o racismo ostensivo dos skinheads portugueses — tudo isto lhes tem passado tranquilamente sob uma certa indiferença, branqueamento, e por vezes até aplauso.

Por isso, onde e quando a direita estiver no poder, lá esperaremos pelas novas lições de boa-educação e rigor conceptual dos mesmos autores.

***

Uma vez que o tema do “fascismo higiénico” não foi recebido com a devida reverência, note-se então como foi discretamente abandonado, embora não pareça.

Pulido Valente respondeu a Pedro Magalhães com a má-vontade habitual, mas sem verdadeiramente defender o que dissera antes ou contrariar o que lhe haviam dito. Até ao último parágrafo: depois de ter sugerido que o seu oponente é adepto da “ordem e muito respeitinho” remata avisando que “ou muito me engano ou já ouvi isto”. Isto o quê? Ouviu onde? Não nos é dito, só insinuado.

A resposta de Pacheco Pereira é ainda mais bizarra. Começa por denunciar que está em curso um “ataque à independência da opinião” (viram?) cujos alvos são “[ele] próprio, Vasco Pulido Valente e António Barreto”. E depois segue-se uma longa lista de pessoas que Pacheco Pereira acha que não gostam de Pacheco Pereira. Lista de pessoas, não. Como opinador independente e corajoso que é, Pacheco não consegue citar um nome, responder a uma opinião, refutar um argumento. O seu confronto faz-se fantasmagoricamente, contra categorias vagas de gente — os “modernizadores”, os “pensadores-engraçadistas”, os “inocentes úteis” — em estilo críptico de treinador de futebol.

E é assim que numa semana a conversa deixou de ser sobre o “fascismo higiénico”: passou a ser sobre eles. Deixou de ser sobre as posições que defendem: passou a ser sobre as posições que detêm. Para dizer a verdade, nem reconhecem poder existir qualquer debate, a não ser sobre a pura ilegitimidade de alguém lhes interpelar as opiniões. E é uma pena, porque estes novos temas têm pouquíssimo interesse.

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janeiro 11, 2008

O preço a pagar

[Público 10 janeiro 2008]

Para nos justificar por que razão não convoca o referendo sobre o Tratado de Lisboa, José Sócrates tem muitas razões. Mas não tem razão.

Para se fazer perdoar em certa ocasião pela namorada Ophelia, escreveu assim Fernando Pessoa: eu sei que não tenho desculpa; mas tenho desculpas. Para nos justificar por que razão não convoca o referendo sobre o Tratado de Lisboa, José Sócrates está numa posição semelhante. Tem muitas razões. Mas não tem razão.

Há pois muitas razões: de importância, de responsabilidade, de sentido do dever. Todas juntas, são razões que vencem sem nos convencer. Pior ainda, é de justificações assim que nascem as mentiras piedosas e as promessas por cumprir. Todos já quebrámos promessas e contámos mentiras, sabemos como é.

Sócrates pode dizer: mas Sarkozy, mas Merkel, mas Gordon Brown. Mas nada. O compromisso que ele tinha não era com Sarkozy, nem com Merkel, nem com Gordon Brown. Nem sequer com Cavaco Silva. Esse compromisso era conosco.

Sócrates pode dizer: tomaria algum de vocês uma decisão diferente, colocando em risco a União Europeia? E a resposta é: talvez não. Mas se assim é, teria feito melhor em dizer-nos desde o início que o referendo era impossível de se fazer.

***

José Sócrates sabe que terá um preço a pagar por isto, o “preço político”, como se costuma dizer. O problema, quando se quebra uma promessa e se está disposto a pagar um preço por isso, é o seguinte: o preço que os lesados exigem é sempre por definição mais alto do que aquele para que estamos preparados, porque é aos lesados que cabe definir o preço.

Além disso, há um efeito de repetição que aumenta esse preço.

José Sócrates invoca a ética da responsabilidade para justificar a sua escolha. Mas já é a segunda vez que um primeiro-ministro português coloca a responsabilidade perante os colegas europeus sobre a responsabilidade perante os eleitores portugueses, primeiro com Durão Barroso e agora com José Sócrates. O segundo não tem culpa do primeiro, mas não se admirem se estiverem a fazer dos portugueses anti-europeístas contra todas as tendências.

E também é a segunda vez que José Sócrates quebra uma promessa importante. A primeira foi a de não aumentar os impostos, a segunda foi a do referendo. Se ele tivesse corrido os riscos consideráveis de convocar o referendo, o cumprimento de uma promessa teria compensado a quebra da outra, precisamente por sabermos que os riscos eram consideráveis e que ele estava disposto a corrê-los para evitar quebrar mais uma promessa. Assim, em vez de José Sócrates ser um homem que só quebra uma promessa quando não pode mesmo ser de outra forma, os seus adversários podem descrevê-lo como um homem que não perde uma oportunidade para quebrar uma promessa. Parece injusto? O preço a pagar parece muitas vezes injusto.

Claro, para cada um destes argumentos há certamente muitas desculpas. E muitas delas são de peso. E muitas delas são compreensíveis. O problema, como lembraria friamente Fernando Pessoa, é que há desculpas — mas não há desculpa.

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janeiro 09, 2008

Todos os sonsos

[Público 08 janeiro 2008]

Pois é. Acabei o ano de 2007 convencido de que eles sabiam do que estavam a falar. E depois chegou 2008.

Num site de literatura científica chamado Edge pergunta-se a umas dezenas de pensadores e autores sobre o que mudaram de ideias recentemente. Uns trocaram de teorias, outros abandonaram opiniões sobre a forma do universo, outros sobre as possibilidades de vida fora da Terra ou os limites da inteligência artificial.

Mais modestamente, eu acabei o ano de 2007 convencido de que dois historiadores portugueses com obra publicada sobre o século XX— José Pacheco Pereira e Vasco Pulido Valente — sabiam alguma coisa sobre o fascismo. No caso de Vasco Pulido Valente, essa certeza era reforçada pelo facto de o próprio ter reiteradamente polemizado daquela forma que só ele sabe polemizar — chamando ignorantes e analfabetos a todos os outros — sobre o que se pode ou não chamar de fascismo.

Mais precisamente, Vasco Pulido Valente ameaçava aniquilar com o verbo quem se permitisse chamar “fascismo” à ditadura de Salazar — uma ditadura que censurava, prendia e torturava os seus opositores. Pacheco Pereira indignou-se por ter havido quem chamasse “fascista” a George W. Bush, — isto por causa de Guantánamo, do Patriot Act e da Guerra do Iraque. E eu levei-os a sério.

E agora descubro que estes mesmos historiadores não tiveram dúvidas em classificar como “fascista” a nova lei do tabaco. Não lhe chamaram exagerada, mal concebida ou uma série de coisas que, concebivelmente, se poderiam dizer acerca de uma lei que transforma espaços que eram por regra de fumadores em espaços de não-fumadores. Não: fascista é que é. E podemos ir mais longe. Helena Matos ou António Ribeiro Ferreira acham que “fascista” não chega: a nova lei é “totalitária”. Totalitária! Como os regimes de Hitler, Staline e Pol Pot. Viva a exactidão.

Pois é. Acabei o ano de 2007 convencido de que eles sabiam do que estavam a falar. E depois chegou 2008.

***

Mas não é só o fascismo. É também a perseguição aos católicos. Segundo Vasco Pulido Valente, a igreja é capaz de ter de viver novos tempos de clandestinidade, isto porque em Espanha o primeiro-ministro Zapatero acabou com a obrigatoriedade da disciplina de Religião e Moral (em Portugal já é opcional há décadas), permitiu o casamento homossexual ou facilitou o divórcio. Pelo escândalo, dá para perceber que Pulido Valente acha (justamente) legítimo que a igreja organize uma manifestação contra o governo. Mas se um porta-voz do governo lhe responder isso já prenuncia uma vontade de silenciar a igreja católica espanhola, no seu próprio país. Ora, toda a gente perdoa a Vasco Pulido Valente desconhecer o Portugal actual. Mas podia ao menos conhecer a Espanha.

Já agora: também por aqui, no nosso Portugal, a Igreja pode ter de se preparar para regressar às catacumbas. Segundo o Correio da Manhã, o governo até vai tirar os nomes dos santos às escolas. Verdade?! Não: Correio da Manhã. Para as escolas que ainda não têm nome, o governo propõe às suas assembleias que escolham nomes de “uma personalidade de reconhecido valor, que se tenha distinguido no âmbito da cultura, da ciência ou educação”. Não se percebe para que é preciso tanta sugestão. Mas faltava de facto uma linha dizendo que “nomes de santos católicos também valem!”, isto para toda a gente perceber que Santo António de Lisboa, São Tomás de Aquino ou São Bartolomé de las Casas cabem nas propostas. Bem como São Remígio e Santa Radegunda, que protegem contra as febres altas.

Valha-nos que para provar que vivemos numa era anti-cristã o governo aproveitou o Natal para anunciar a localização do novo hospital de Lisboa. Que se vai chamar: de Todos-os-Santos. Verdade? Verdade.

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janeiro 04, 2008

A eleição do ano

[Público 02 janeiro 2008]

Acho que Edwards seria o melhor candidato. Mas sintomaticamente para mim ou para os aparelhos partidários, parece que é o que tem menos hipóteses de ser escolhido.


Amanhã os eleitores democráticos do estado norte-americano do Iowa (menos de um por cento da população do país) vão encontrar-se em locais públicos para escolher o candidato do seu partido às presidenciais. Não vão exactamente votar, mas somente juntar-se ao grupo de apoiantes que preferirem num canto da sala, e meia hora depois repetir o processo para redistribuir o apoio dos candidatos “inviáveis” pelos “viáveis”. Uma semana depois, os eleitores democráticos do New Hampshire (menos de meio por cento da população) votam em eleições primárias. Se tudo correr com normalidade o candidato democrático fica praticamente escolhido. Os republicanos passam por um processo semelhante.

Há gente que não perde uma oportunidade de descrever isto como prova de que os EUA são a “mais antiga”, “maior” ou “melhor” democracia do mundo. Não é nenhuma dessas três coisas, não só pelo sistema usado nas primárias, mas também nas presidenciais e sobretudo nas eleições para o Congresso. Mas ao menos é pitoresco e, em certos anos, emocionante. Este ano será um desses.

Os anos de Bush foram um fracasso de que nenhum candidato republicano “viável” consegue distanciar-se (será interessante ver como se sai Ron Paul, o único candidato anti-Guerra do Iraque e anti-imperialista do Partido Republicano, e logo declarado “folclórico”). É aos Democráticos que cabe não perder a eleição do próximo presidente. Como habitual, é duvidoso que o consigam fazer.

***

Em princípio, o Partido Democrático escolhe entre uma tripla de luxo: Hillary Clinton (a única mulher), Barack Obama (o único não-branco) e John Edwards (o único sulista: desde que o Partido Democrático perdeu o Sul por causa do racismo só os sulistas Carter e Clinton ganharam as presidenciais pelo partido).

Hillary Clinton tem mais traços decisivos: é detestada por quase metade do país, é mulher de um ex-presidente (depois da dinastia Bush viria a dinastia Clinton), é a mais centrista e é quem menos se distancia da Guerra do Iraque. Logo, é a escolha do “aparelho partidário”, o que demonstra que o dito aparelho sabe mesmo como perder eleições.

Ao contrário dela, Obama e Edwards apresentam-se como vagamente anti-sistema e favoráveis a uma renovação política com referências implícitas a Kennedy (em Obama) e FD Roosevelt (em Edwards). Mas as estratégias são opostas: Obama diz aquilo que as pessoas gostariam que fosse verdade: que a mudança nasce com um discurso positivo e esperançoso. O que Edwards diz, por outro lado, é simplesmente a verdade: que a mudança é difícil, que encontrará muitas resistências e que só poderá acontecer através de uma atitude combativa.

Acho que Edwards seria o melhor candidato. Mas sintomaticamente para mim ou para os aparelhos partidários, parece que é o que tem menos hipóteses de ser escolhido.

Gosto de Obama, como quase toda a gente. Mas não gosto de apenas “gostar” de um político, menos ainda de um discurso feito das emoções e dos “instintos”, mesmo que os instintos de Obama sejam próximos dos meus. Simplesmente, não me parece boa política ou, se quiserem, boa pedagogia democrática: para decidir com o “instinto” já bastou Bush.

Enfim, qualquer dos dois pode ganhar as eleições a um republicano, o que é bom e igualmente indiferente na perspectiva pragmática de quem deseja ver o bushismo enterrado. Apenas desejo que entre o início e o fim das suas reuniões no Iowa, os apoiantes de Edwards e Obama se coloquem do mesmo lado da sala e superem os apoiantes de Hillary Clinton.

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janeiro 03, 2008

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janeiro 01, 2008

Sem dizer adeus

Para o Olímpio

[Público 31 dezembro 2007]

O paginador, quando dá por preparado um livro, está sujeito à mesma lógica unidireccional que nós: só pode avançar na ordem crescente, da primeira para a última página, fechando cada uma à sua vez e sem voltar atrás. Trabalha noite fora, tomando decisões que — ele sabe — irão afectar tudo o que está para diante, mas sem adivinhar muito bem como, nem de que forma.

Por saltarem umas rolhas de espumante logo à noite e se pendurarem calendários novos na manhã do dia seguinte, ficamos convencidos de que é obrigação nossa imitar o antigo deus Jano para, sem o benefício das suas duas cabeças, perscrutar o passado e o futuro próximos.

Pois bem, despachemos o passado colectivo. Em Janeiro, o país esteve ocupado com o referendo sobre o aborto e em Fevereiro votou pela despenalização, encerrando esse assunto, — e é dos poucos assuntos encerrados do ano. Passámos Março entretidos em saber se o Primeiro-Ministro era ou não engenheiro. Em Abril sobressaltámo-nos quando um grupo de marinheiros britânicos foi capturado e depois solto pelo exército iraniano. Em Maio os franceses elegeram Sarkozy. Em Junho e Julho as eleições de Lisboa foram dando animação política, seguidas em Agosto e Setembro pela troca de líderes no PSD. A partir de Outubro começámos a ver que o maior banco privado do país também era capaz de ser uma má telenovela. Novembro de 2007 fica memorável por uma única coisa: o rei de Espanha mandou calar o presidente da Venezuela. E em Dezembro assinou-se o Tratado de Lisboa, que falta ratificar, mas ainda assim.

Achámos que o ano podia sair de cena. Mas ele não o fez sem uns dias antes nos demonstrar, através do assassinato de Benazir Bhutto, aquilo que já deveríamos saber: que tudo fica pendurado à espera de sentido.

Um ano que acaba é como uma pessoa antes de uma viagem inadiável mas com as malas por fazer, no meio de um quarto desalinhado e com os assuntos todos em aberto. Agora é tarde, 2007. Com vontade ou sem ela, vais ter de ir.

***

Perguntar-nos que espécie de balanço se pode extrair disto é que não é possível. Seria como interromper a leitura de um livro na página 89, ou na 127, ou naquelas de número primo, ou mesmo somente nas acabadas em zero, e querer tirar dessas circunstâncias qualquer significado.

Com agravantes. Porque um livro não é o tempo e não é a história. Nós não somos leitores da nossa vida. E muito menos, apesar de às vezes termos ilusões, somos dela autores.

Seremos talvez uma espécie de paginadores. O paginador, quando dá por preparado um livro, está sujeito à mesma lógica unidireccional que nós: só pode avançar na ordem crescente, da primeira para a última página, fechando cada uma à sua vez e sem voltar atrás. Trabalha noite fora, tomando decisões que — ele sabe — irão afectar tudo o que está para diante, mas sem adivinhar muito bem como, nem de que forma.

A diferença notória é que este é um livro que não se fecha, e no qual todos ficamos a meio. Vamos acumulando eventos e perdendo tempo. Somos empurrados para a frente sem outra escolha. Vivemos algumas alegrias, se as houver. E, em geral, vamos ganhando um coração magoado e a lembrança carregada de saudades. É pelos amigos que ficaram para trás, mas que ainda traremos conosco para 2008 e os mais anos que restarem, sempre futuro adentro.

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dezembro 28, 2007

"O maior drama da humanidade"

[Público 27 dezembro 2007]

Nesta redefinição, o Cardeal não quer dizer que ser ateu é pior do que matar alguém, mas que matar alguém é por definição uma forma de nos esquecermos de Deus e, por extensão, uma forma de ateísmo. Continua a ser absurdo, mas ao menos não é tão imoral.

Qual é o maior drama da humanidade? A guerra, a fome, as doenças, a miséria, a ignorância, o fanatismo, a violência, as catástrofes ambientais, a indiferença pelo sofrimento dos outros? Não. O maior drama da humanidade, segundo o Cardeal-Patriarca de Lisboa, é o ateísmo.

O ateísmo é aquela opinião, hoje em dia trivial, de que a existência de Deus é altamente improvável ou mesmo impossível. Mas não é bizarro que, nos dias de hoje e com tanto por onde escolher, mesmo um cardeal designe tal ideia como “o maior drama da humanidade”? Aquele superlativo deixa implícito que qualquer outro drama, por grande que seja, é afinal menor do que o ateísmo, em toda e qualquer forma, desde todo o sempre. “Todas as formas de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade”, disse José Policarpo na homilia do Natal.

***

O que explica que se consiga dizer isto? Uma característica curiosa da linguagem religiosa que verificaremos através de um exemplo prático. Em princípio, concordaremos todos que a guerra causa mais devastação e sofrimento do que o ateísmo. Mas se por “guerra” entendermos um momento ou circunstância em que os homens “negam ou se esquecem de Deus”, logo a palavra “guerra” cabe dentro da definição de “ateísmo” do Cardeal. Assim será possível dizer que o “ateísmo” é o maior drama da humanidade, de que a guerra passou simplesmente a ser uma manifestação. E o mais fascinante é que isto pode incluir até as guerras religiosas.

Nesta redefinição, o Cardeal não quer dizer que ser ateu é pior do que matar alguém, mas que matar alguém é por definição uma forma de nos esquecermos de Deus e, por extensão, uma forma de ateísmo. Continua a ser absurdo, mas ao menos não é tão imoral.

***

Porquê então o ateísmo? Explicou o Cardeal: “Os diversos ateísmos, nas mais variadas expressões, tiveram origem neste reduzir a esperança humana à dimensão da história”, mas “nenhuma esperança deste mundo anula a esperança  na vida eterna”. Contra esta ideia de que a “esperança na vida eterna” é mais virtuosa do que a vida que temos, poderíamos lembrar que os bombistas suicidas matam pessoas às centenas com base numa “esperança na vida eterna”. Mas não vale a pena. Isso seria apenas reeditar o debate inicial (o Cardeal poderia dizer que os fundamentalistas “se afastaram de Deus” e o terrorismo religioso seria redefinido como uma espécie de ateísmo inconsciente).

Alguém lembrará que José Policarpo falava apenas para os fiéis, a quem estas palavras despertam outros sentidos. Pode ser. Mas esse é um dos problemas de falar para dentro e, em particular, da “viragem europeia” que Bento XVI impôs no Vaticano. Para poder combater a irreligiosidade na Europa a prioridade passou a ser a doutrina, em detrimento dos problemas que realmente causam sofrimento à humanidade em todos os continentes. A estratégia é errada e, se os europeus virem a igreja mais preocupada com jogos de linguagem do que com o sofrimento real, acabará por agravar ambos os problemas. Mas ao menos explica porque vê o Cardeal como “maior drama da humanidade” aquilo que afinal é mais um drama da igreja europeia.

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dezembro 21, 2007

Ilegais

[Público 19 dezembro 2007]

E deixar de lhes chamar ilegais mudaria alguma coisa? Sim. Seria um passo pequenino para tirar a imigração da esfera da segurança, tipicamente sob a alçada de um Ministério do Interi

Chamam-lhes ilegais. Um dia compreenderemos que não é palavra para se chamar a uma pessoa. Mas é isso que lhes chamamos. A existência deles não é permitida neste lado do Algarve. Este é o Algarve de Aquém-Mar, já dentro da Europa-fortaleza. E eles vieram do outro Algarve, o “Algarve de Além-Mar em África”, lembram-se? — é aquele de que os nossos reis se proclamaram senhores durante séculos. São marroquinos. São mouros. São muçulmanos. Quem sabe o que mais serão?

Peça um café ou uma água. Talvez venham servidos por mãos ilegais. Mãos que vieram do outro lado do Atlântico, provavelmente de um país de que os nossos reis também chegaram a proclamar-se senhores. Mãos ilegais, servindo o seu café.

Na Europa há até gente que nasce ilegal, sem ter cometido nenhum crime. Aliás, quem se limita a nascer ainda não cometeu nada. Mas ainda assim nascem já ilegais. O nosso medo é que se as mães deles os parirem aqui, e nós admitirmos que eles são legais, talvez tenhamos de legalizar a família toda.

***

Nesta história dos ilegais, há preocupações legítimas e às vezes até bem intencionadas. Se deixarmos que estes ilegais aqui fiquem, o que fazer com os outros potenciais milhões? Outras vezes, há apenas pura paranóia: a imigração de massas não se faz à conta de mulheres grávidas, náufragos recolhidos por razões humanitárias e casamentos que as mentes mais desconfiadas insistem em supor fraudulentos.

E deixar de lhes chamar ilegais mudaria alguma coisa? Sim. Seria um passo pequenino para tirar a imigração da esfera da segurança, tipicamente sob a alçada de um Ministério do Interior. A imigração também é segurança, pelo menos na entrada, mas está longe de ser só segurança. A imigração, de que a Europa sabe que necessita, é uma realidade demasiado importante para ficar dependente de um ministério cuja principal razão de ser é não deixar entrar.

Inventem o que quiserem. Ministério da Economia, Ministério da Solidariedade, Presidência do Conselho de Ministros, Ministério da Imigração. Mas arranjem alguém cuja razão de ser seja aproveitar a imigração.

***

Há então questões práticas, como sempre as houve. Mas antes delas há uma questão de princípio: saber de que lado estamos. É depois de definir esta que teremos de resolver as outras a partir daí.

Podemos estar do lado de cá. Temos alguma riqueza, alguma segurança, e queremos manter ambas. É uma opção.

Mas poderíamos ter nascido do lado de lá, e aí faríamos contas de cabeça. Viveríamos num subúrbio pobre de Rabat pensando em conseguir melhor para os nossos filhos. Meter-nos-íamos num barco, e arriscaríamos a vida por uma vida nova. Eu nem preciso de pensar nos milhões de portugueses que já fizeram o mesmo. Não precisar de pensar sempre em portugueses para tomar decisões. Às vezes basta-me pensar em pessoas. Chamem-lhes ilegais, se quiserem. Mas eu estou com eles.

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dezembro 18, 2007

A cidade com asas

[Público 13 dezembro 2007]

Brasília será menos bela do que Veneza ou o Rio de Janeiro? Sim. Mas é certamente muito mais agradável, equilibrada e, se quiserem, humana do que Casablanca, Uberlândia ou Dallas.

Chego a Brasília a um sábado, por coincidência no mesmo dia em que o arquitecto da cidade, Oscar Niemeyer, faz cem anos. Da janela do avião olho as luzes da cidade e procuro distinguir o seu contorno, que tem também a forma de um avião. Ao centro o Eixo Monumental, para os lados as zonas residenciais, chamadas Asa Sul e Asa Norte.

Contrariamente ao erro comum, mesmo aqui no Brasil, Niemeyer não inventou Brasília. O político por detrás da ideia foi, como é sabido, o Presidente Juscelino Kubistchek. Mas quem desenhou a cidade em forma de avião foi o urbanista Lucio Costa.

Os edifícios mais importantes da nova capital brasileira, isso sim, foram criados por Niemeyer. Vão do sublime ao excelente e ao interessante, da catedral ao congresso e ao novo museu, dando origem a uma cidade percorrida toda ela pela mesma linguagem, harmónica e espaçosa. Brasília será menos bela do que Veneza ou o Rio de Janeiro? Sim. Mas é certamente muito mais agradável, equilibrada e, se quiserem, humana do que Casablanca, Uberlândia ou Dallas.

***

Muito antes de ter vindo aqui pela primeira vez, os amigos brasileiros diziam-me que, por decisão dos seus criadores, não havia árvores em Brasília. Essa historieta contribuía para criar um estereótipo de uma cidade anti-natural. Ainda recentemente a vi reproduzida no Expresso. Só tem um problema: é mentira. Na verdade, Brasília deve ser uma das cidades mais verdes do mundo. Enquanto escrevo esta crónica basta espreitar pela janela para ver uma vintena de belas árvores, que ocupam os espaços vazios entre os prédios perpendiculares às ruas (os prédios são perpendiculares às ruas e não paralelos, por decisão de Lucio Costa, o que deu origem a outro mito: o de que Brasília não tem esquinas).

O que justifica uma tão grande oposição entre o mito a realidade? Há talvez uma explicação simples: durante anos após a inauguração, as árvores recém-plantadas ainda não tinham crescido. Mas há também outra explicação: a rejeição instintiva que muitos humanos têm ao “artificial”, rejeição essa que se exprime através destes mitos. Da mesma forma, já ouvi dizer que a pronúncia do esperanto é horrível (não é: parece italiano) porque é uma língua “artificial”. E Brasília teria que ser supostamente desumana pelo simples facto de, paradoxalmente, ter sido uma criação humana ao invés de simplesmente ter aparecido na paisagem. Mas pensemos bem: não é, no fundo, qualquer das nossas cidades uma criação humana?

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dezembro 14, 2007

Lá vai Lisboa

[Público 13 dezembro 2007]

Europa sem democracia não passa de geografia e conversa-fiada.

Sim, sou sensível ao bairrismo, ao patriotismo e a isso tudo. Da última vez que Portugal ocupou a presidência europeia, eu era emigrante. O nosso país foi elogiado, e a sensação era inegavelmente reconfortante. A The Economist, se bem me lembro, chegou a sugerir que o melhor para a União Europeia seria deixar-se de presidências rotativas e entregar o assunto de vez aos portuguesinhos, que se tinham safado bem. Bom para a Europa, bom para Portugal e, se tudo tivesse corrido de outra forma, bom para António Guterres que teria dado um excelente presidente da Comissão Europeia. Como não gostar?

Agora, não estou tão seguro. A acreditar nos líderes europeus, há um novo espírito, o “espírito de Lisboa”, que vai levar a Europa para um novo patamar. O problema é que esse novo patamar não é mais acima, nem mais próximo.

Depois de os Açores ficarem internacionalmente conhecidos por uma cimeira vergonhosa, eu gostaria que o nome Lisboa evocasse aos europeus mais democracia e mais clareza. Em vez disso, arriscamo-nos a que “Lisboa” signifique líderes com medo dos seus eleitorados e uma constituição (perdão, um “tratado reformador” que em tempos era para ter sido um “mini-tratado”) deliberamente confuso. É bom isto?

Já escrevi uma vez que os meus instintos europeístas colidem com os meus instintos democráticos. Não teria de ser obrigatoriamente assim, mas é: por culpa da maneira como os líderes europeus fazem as coisas. Se for forçado a escolher, eu escolho os meus instintos democráticos. Europa sem democracia não passa de geografia e conversa-fiada.

***

Pois enfim, celebrem. Há razões para isso. Seis meses cheios, algumas coisas boas (a cimeira com o Brasil), os trabalhos de casa bem feitos, as tarefas cumpridas. José Sócrates, em particular, merece por uma vez que a sua lendária teimosia seja elogiada. As culpas pela fuga dos líderes estão partilhadas: de Sarkozy, a Merkel, passando por Durão Barroso e pelo governo inglês.

Ainda assim, eu gostaria que Portugal deixasse de ser o país que cumpre com as tarefas menores “pelas razões que todos conhecem”, como diria Luís Amado. Ao contrário daquilo a que nos habituou o nosso triste choradinho, os países pequenos não saem prejudicados quando assumem a defesa dos princípios democráticos. Durão Barroso quis fazer-nos crer que, antes da Guerra do Iraque, não tínhamos outra alternativa senão fazer o que os EUA de nós esperavam (e que retaliações sofreram os países pequenos que não apoiaram a guerra?).

Também agora nos dizem que tivemos de nos prestar ao papel que os “grandes” designaram para nós. Cavaco Silva acorre pressurosamente a garantir que não quer referendos, como se fosse uma ideia de lesa-pátria. Por que razão, então, a Irlanda ou a República Checa não seguem o guião e decidem levar o Tratado de Lisboa a referendo? Serão menos europeus por isso?

Os políticos vivem obcecados com fazer boa figura. Mas há coisas mais importantes. Eu preferia que pensássemos um pouco mais nos europeus e um pouco menos na figura que fazemos. Aí talvez o nome “Lisboa”, a prazo, evocasse coisas mais dignas aos nossos concidadãos.

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