outubro 12, 2006

As time goes by...

You must remember this
A blog is just a blog
A post is just a post
There are other fundamental things of life
As time goes by...

Este espaço era para ter mais vida, mas...

agosto 17, 2006

Tão só um poema

Este é tão só um poema
que gostaria de ter escrito,
e por isso hesito...
A hesitação é pois o tema,
a falta de inspiração o cenário,
e os actores...
Os actores faltaram à chamada,
Apesar de a hora estar marcada...
Na acta ficou apenas o horário
e as faltas,
pois não é a horas altas
que se abafam as dores.
Dá-se o assunto por encerrado,
o poema fica assim, inacabado!

junho 01, 2006

O realejo

7 da manhã. A mãe já saíra para apanhar o comboio para o emprego, deixando-lhe um beijo na testa enquanto ele fingia ainda dormir. O pai mira-o da fotografia da mesinha de cabeceira. Abre a gaveta de onde tira o seu presente do oitavo aniversário, o último que festejou antes de o pai morrer: um realejo.

Não é um realejo qualquer. Tinha já pertencido ao seu avô, tendo passado para o seu pai. Este, sabendo que estava perto do fim da sua vida, ofereceu-lho e ensinou-lhe a tocar as mais belas modas. Foi o que lhe ficou do pai, juntamente com as histórias de países distantes que, enquanto marinheiro, visitara.

Entretanto, passaram 3 anos. Todos os dias, a mãe sai de casa às 6 da manhã e só volta às 8 da noite. De manhã, deixa-lhe o pão e o leite na mesa, à noite comem a sopa com broa, por vezes algum petisco extra, e conversam sobre a escola. Ele mente, escondendo da mãe o facto de raramente ir lá. Já sabe ler e escrever, quer é conhecer o mundo, como o pai fizera.

Assim, depois do pequeno-almoço, pega no realejo e sai de casa. Os seus primeiros passos seguem na direcção da rua central, onde ajuda o Sr. Santos a carregar a mercadoria que chega ao armazém, a troco de dois cigarros e de uma saqueta de cromos de futebol. O resto da manhã passa-o na escadaria da estação do metro, tocando o realejo enquanto algumas moedas caem no chapéu e alguns transeuntes correspondem ao seu pedido de cigarros. De vez em quando aparecem os polícias e estragam-lhe o negócio. Mas hoje tudo correu bem, ganhou 4 euros e 3 cigarros.

O almoço é na casa da madrinha. Esta preocupa-se com ele. Quando vê que a roupa ou os sapatos estão mais gastos, aparece com um saco de roupa e calçado que pertencera ao filho. Também lhe ralha por saber que ele não vai à escola. Já tentara de tudo, chegou a levá-lo lá pelas orelhas, mas acabou por desistir, perante a persistência do afilhado. Contudo, ocultou sempre o facto da comadre, já carregada de problemas.

A tarde sempre foi variada. Quando chove, mete-se no shopping onde embacia as vitrinas com modelos de barcos. Se faz sol, compete com os frequentadores da taberna do Sr. Guilhermino, poucas vezes perdendo no bota-abaixo. Noutras ocasiões vai ganhar mais algum dinheiro, com o seu realejo.

Outras vezes, como hoje, vai para o cais, tocar as modas que o pai lhe ensinou, e ver os barcos, melancolicamente. Num deles, quando tiver o dinheiro suficiente, partirá um dia, rumo ao desconhecido.

(publicado anteriormente no ante et post)

maio 28, 2006

5 anos, 2 meses e 20 dias...

...caiu o primeiro dente!

(e foi a própria, corajosa, que o tirou)

maio 27, 2006

5 anos, 2 meses e 19 dias...

... começou a abanar o primeiro dente!

maio 04, 2006

A tua melodia

Os teus pequenos dedos
Baloiçam no piano em harmonia,
Leves e ledos,
Qual grito silencioso de poesia.
Serena,
Enfrentas o público atento.
De magia plena
Preenches cada suave movimento.
E eu, maravilhado,
Ouço em silêncio a tua melodia,
Todos os dias, a teu lado,
Minha flor, meu sol de cada dia.

maio 02, 2006

Maio Maduro Maio...

...quem te colheu?
E pensar que já passou um terço do ano.
Por falar em terço, Maio é o mês de rezar o terço.
E por falar em rezar, toca a caminhar até Fátima.
E por falar em Fátima, como vai Felgueiras?

E agora pergunto-me, porque é que há coisas que começam bem e acabam tão mal? Como, por exemplo, este post...

abril 27, 2006

Testamento...

Tudo o que me resta é este corpo que carrego comigo,
Erigido sobre um esqueleto que já não aguenta o seu peso.
Sobre ele já pairaram desgraças, injustiças e outras que tais,
Também momentos belos, de felicidade julgada eterna,
Alguns momentos-chave, em que um ou outro destino teria sido possível.
Mas, agora, nada resta desses tempos idos,
Esta cabeça mal guarda as memórias que fizeram a sua história,
Nada, a não ser a constatação da tua presença, a meu lado,
Tu, que suportaste todo o peso da minha existência, toda a vida,
Olhas-me, e sabes que o que de mim resta é teu, só teu...

abril 26, 2006

Caminhando...

Corpo em movimento compassado,
Avistando a linha do horizonte,
Marcha silenciosamente.
Intensamente batendo o coração
No peito, por fora suado.
Habita nele uma vontade de chegar
Ao destino que a vida lhe traçou.
Não há força capaz de o deter
Da linha em ziguezague à sua frente,
Ondas quebradas, de momentos sombrios...

Solidão...

Sem amigos
Ou companheiros,
Languidamente contando os segundos,
Imensos pedaços de tempo.
Desespero lento e sombrio,
Ancião das causas perdidas,
Olha angustiado para o fim da linha...