abril 30, 2004

O Escravo

L'Esclave de Pierre et Gilles (2002)

Boss

Publicado por renaseveados em 04:31 PM | Comentários (17)

Já estreou!!!!

Vou este fim de semana...She's BACK!!!!

Pagan

Publicado por renaseveados em 04:19 AM | Comentários (14)

Almas fundidas

Uma quimera, em biologia, é um individuo que resulta da fusão de (pelo menos) dois embriões. Existem vários tipos de quimerismo, desde microquimerismos, onde apenas uma pequena parte das células do indivíduo resultam do, chamemos-lhe, segundo embrião, até às quimeras perfeitas, onde cada metade das células do indivíduo corresponde a um dos embriões fundidos. Ninguém sabe ao certo o quão frequente é o quimerismo na espécie humana, sobretudo porque a maioria dos casos passa despercebido aos próprios. O quimerismo é apenas evidente quando resulta da fusão de embriões de sexo diferente, dando origem a intersexos, ou então, quando se dá o caso dos embriões possuirem diferentes informações genéticas para a cor dos cabelos e olhos. Existem pessoas com uma perfeita divisão do corpo, tendo, por exemplo, o lado esquerdo de pele mais escura, cabelo negro e olho castanho, e à direita cabelo e pele clara, e olho azul. Há casos em que se verifica até uma perfeita divisão cromática dos pêlos púbicos. Mas atenção, estas situações não são necessariamente um caso de quimerismo, pode tratar-se, por exemplo, de um caso de mosaicismo.

Mas a minha dúvida é, quando a igreja católica diz, e passo a citar: "De facto, cada ser humano, desde a sua concepção, é uma unidade de corpo e alma, possui em si mesmo o princípio vital que o levará a desenvolver todas as suas potencialidades, não só biológicas, mas também antropológicas." Que conclusão devemos tirar, que uma quimera tem duas almas? Logo deveria ter dois baptismos.. Ou que quando se dá a fusão dos embriões, também se dá uma fusão de almas? As almas podem fundir-se? E já agora, quando se trata de gémeos verdadeiros, que resultam da divisão de um só embrião, devemos considerar que cada um deles só tem meia alma? Ou quando a divisão se dá, cada meia alma cresce originado uma alma por inteiro? Será que cada par de gémeos verdadeiros só merecia um baptismo? Ou será que por estes casos serem minoritários não têm direitos nem valor social para a igreja?

Boss

Publicado por renaseveados em 03:44 AM | Comentários (17)

Valeu a pena a mudança?

Dadas as recentes manifestações de desagrado pela mudança do renas, urgia esta votação, ora diga lá de sua justiça:

Boss

Publicado por renaseveados em 02:22 AM | Comentários (21)

abril 28, 2004

De túneis às avessas

Estava eu a folhear o Jornal de Notícias de hoje quando me deparo com um anúncio de página inteira da Câmara Municipal de Lisboa a tentar justificar o injustificável, a construção do túnel do Marquês sem fazer o obrigatório estudo de impacto ambiental, chegando ao cúmulo de para isso citar a decisão do Tribunal que ordenou a suspensão da obra. Nem vou aqui falar da absoluta necessidade que há em fazer estes estudos para obras desta envergadura, pois creio que qualquer pessoa de bom senso entenderá que é essencial prever e precaver ruídos, poluição de lençois de água, abalos em edifícios vizinhos etc etc etc. É aliás assim que se distinguem países desenvolvidos de países não desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, os primeiros fazem estes estudos, os segundos não fazem e os terceiros fingem fazê-los.

Mas não é disso que trata este post, depois de ter aqui criticado um pequeno esbanjamento de dinheiros públicos, não podia deixar passar em branco este enorme esbanjamento de dinheiros igualmente públicos, que foi publicar um anúncio de página inteira em todas as edições do Jornal de Notícias. Pois se o referido jornal tem uma edição para o Sul, não faria todo o sentido publicar os avisos da Câmara Municipal de Lisboa apenas nessa edição? Será que o anúncio também foi publicado no Açoriano Oriental ou no Jornal do Fundão? E já agora, publicar anúncios a desafiar tribunais e a justificar ilegalidades é mais uma forma original de comemorar os 30 anos de Democracia e da Revolução?

Boss

PS: Se algum dia esse senhor PSL é eleito PR, juro que emigro para a Formosa!

PS2: Não deixem de ler no Blogo Social Português mais um esbanjamento da CML, este é com carros topo de gama...


Publicado por renaseveados em 07:54 PM | Comentários (21)

Como comentar na Weblog

Tenho reparado que algumas pessoas têm tido alguns problemas ao comentarem no novo renas e acho que já sei qual é o erro. Quando se comenta e se escolhe o "Sim" para guardar os nossos dados (Nome, E-mail e URL), eles só ficam efectivamente guardados quando o comentário é feito ao fundo do post, ou seja, quando se abre o endereço específico do post (clicando na hora). Se comentares clicando em "Comentários", abrindo uma nova janela, mesmo que escolhas o "Sim" para lembrar a tua informação no futuro, ela não será lembrada.. Mas basta um comentário feito da forma que descrevi, para que depois a informação surja mesmo ao escrever o comentário na "janelinha de comentários". Usa este post para testares o que digo, e não teres que andar sempre a escrever o nome, e-mail...

Boss

Publicado por renaseveados em 07:29 PM | Comentários (24)

Spam Formoso

Depois do mítico "enlarge your pennis" (ou a minha versão favorita, "get the pennis you deserve"), depois das fantásticas propostas de negócios das viúvas de ditadores africanos, depois de uma estranha sequência de e-mails publicitários argentinos, e depois ainda dos amigos de Olivença, eis que à minha caixa de correio chega um novo mundo: Spam da Ilha Formosa. Desde ontem que já recebi 3 e-mails com endereços terminados em tw! Terás alguma coisa a ver com isto Opiniões? Já te tinha avisado, agora qualquer coisa que surja relacionada com Taiwan ter-te-á sempre como suspeito número 1. O último trazia esta foto a acompanhar, e tal como os outros estava escrito em chinês. Mesmo assim prefiro esta dupla da grávida infeliz e da magra radiante, à Annie que gosta de conhecer pessoas interessantes que a Sara recebeu... Keep coming my dears deers!

Boss

Publicado por renaseveados em 04:17 PM | Comentários (7)

Adeus Xobi...

Depois do .::WooF::. ter publicado o último post, e do dijit ter ameaçado fazer o mesmo no seu Rapaz Lésbico (estou confiante que seja apenas uma ameaça). Eis que me deparo com o desaparecimento de um dos melhores blogues de humor portugueses, o Xobineski Patruska. E sim, foi um desaparecimento e não um mero adeus, que deixa sempre esperanças de um regresso. Alguns dos posts mais divertidos de sempre, como a comparação dos dois actores que representaram o Kommissar Rex ou a genial entrevista imaginada a Tozé Martinho, desapareceram da blogosfera sem deixar rasto.. A bloguista da Maia, provavelmente a rapariga portuguesa que mais convites de casamento recebeu, deixa-nos apenas um «I don't know how to say goodbye. I can't think of any words. Uma xobineski voava, voava, asas de vento, coração de maaaar *hic* Como ela, somos livres, somos livres de voaaar *hic*» Libertemo-nos todos.. Um beijo Xobi.

Boss

PS: E não penses que me esqueci que a tua resposta foi SIM!

Publicado por renaseveados em 03:06 AM | Comentários (2)

SMS do Flopes-móvel para a o Celular-valentão

«Aguent-t pá! A gente sacamos-t daí pra fora! Ou então vamos tds fazer-t companhia! Bip.»

Boss

Publicado por renaseveados em 02:46 AM | Comentários (1)

abril 27, 2004

25 de Abril e grupelhos

Uma chamada de capa no Público chamou-me a atenção para as recentes condecorações do 25 de Abril, em que o Presidente da República agraciou uma série de pessoas com a comenda da Ordem da Liberdade. Reza a notícia que determinados grupelhos (leia-se a letra que antecede o Q duas vezes repetida) diziam que se recusavam a assistir à cerimónia, dado que o sr. PR resolveu agraciar a Professora Isabel do Carmo com a dita comenda. Uns invocaram gripes, outros abandonaram a sala na hora da actual comendadora receber a comenda. Ora, o grupúsculo mais uma vez mostra de onde vem e onde estava. A falta de realização das conquistas de abril, para a qual este grupúsculo actual (falo do actual PP) pouco ou nada contribuiu, e a sua presumida irritação com determinados assuntos de Abril, só mostra o quanto estes grupos se sentem incomodados com (r)evoluções. O que é certo é que a Isabel do Carmo recebeu a comenda, e uma ministra(?)/representante do grupelho(?) escafedeu-se. Quase aposto que não fez falta nenhuma!
Para além disso, o próprio Ministro do Estado e da Defesa, apareceu filmado a mascar furiosamente pastilha elástica durante parada militar na Avenida da Liberdade, como conta Teresa de Sousa. Ora a soma destes desrespeitos à liberdade, mostram como o grupelho lida mal com assunto. São capazes de nos passar sermões imemoriais sobre a lavoura, a nação e a descolonização mal feita, mas equacionarem liberdade e 25 de Abril, no way!
Mais...e descobri esta coisa a partir do blog do grupelho (CARO/A LEITOR/A, peço o favor de o pesquisar no Google.... não tenciono linkar ISSO):

Em nenhum momento da sua intervenção pronunciou a palavra "revolução" para se referir ao 25 de Abril. No léxico do CDS/PP a revolução passou a ser "a data". Mais precisamente: "A data em que Portugal reencontrou a liberdade", segundo disse o líder do CDS/PP e ministro da Defesa, que passou a sessão solene no Parlamento a mascar pastilha elástica e a "despachar" papéis.

Dia 25 de Abril ao assistir às cerimónias públicas, uma das funções para qual (não) foi eleito e para qual lhe pagamos o ordenado, e faz coisas destas?!?! Esqueceu-se que é ministro? Ou só se lembra que manda no grupelho? ou a fúria anti-revolução é tanta que custa a esconder?

Pagan

Publicado por renaseveados em 11:01 PM | Comentários (13)

Juro que não fui eu que escrevi!

Boss

Mas compreendo perfeitamente quem o escreveu...

Publicado por renaseveados em 07:23 PM | Comentários (23)

abril 26, 2004

Casamento Gay na Europa

Com Espanha na iminência de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o assunto vai ganhando maior atenção um pouco por toda a Europa. Esta é a mais recente capa do jornal francês Libération, onde se pode ler uma série de interessantes artigos, que valem a pena espreitar mesmo quando se tem um francês pobre e enferrujado como o meu.

Boss

PS: Não deixem de ler também este artigo sobre uma experiência bem sucedida de cientistas japoneses e coreanos, que conseguiram "fundir" dois óvulos de mamífero, nascendo uma cria de rato perfeitamente saudável. É o primeiro caso de partenogénese conhecido nos mamíferos, e parece ser mais promissor que a clonagem.

Publicado por renaseveados em 09:57 PM | Comentários (11)

Um abraço

É muito comum dois amigos do sexo masculino terminarem um e-mail ou uma mensagem sms com um "um abraço". Eu pelo menos farto-me de receber "abraços electrónicos". Mas quantas vezes dá um homem um abraço a outro? A Emiéle fala-nos da evolução que houve na forma de nos cumprimentarmos uns aos outros em público, ou melhor, na forma de homens cumprimentarem mulheres e vice-versa. E nesse caso creio que não há a menor dúvida de que tudo foi evolução positiva nas últimas décadas, isto se aceitarmos como positivo o maior à vontade de uma mulher beijar um homem que acaba de conhecer, ou de um par de namorados heterossexuais trocar carinhos em público.

Mas se falamos de cumprimentos entre homens, a coisa muda de figura. Lembro-me de ouvir que em Lisboa antes do 25 de Abril, era comum ver rapazes da província (migrados para a capital) andarem de braço dado na rua. Lembro-me também que quando era miúdo via frequentemente homens cumprimentarem-se com beijos no rosto, como nos países árabes. Lembro-me ainda da minha mãe insistir que eu beijasse os meus primos na missa, quando tinha os meus 6/8 anos (coisa que me repugnava completamente, de resto..). Mas nos dias que correm nunca vejo uma mãe dizer ao seu rebento que beije outro de sexo igual. A última vez que vi dois homens cumprimentarem-se com beijos no rosto estava em Itália. E quanto a homens de braço dado, só me estou a lembrar de dois turistas ingleses no Porto no Verão passado, turistas esses, homossexuais. E aqui é que está a pólvora de tudo isto. Há umas décadas atrás quem neste país conhecia a palavra "homossexualidade"? E não se confunde o que se conhece, a amizade masculina, com o que se não conhece...

E se há coisa que perturba, abala e preocupa a maioria dos heterossexuais portugueses (sobretudo os mais jovens) é serem confundidos com gays. Não lhes basta ser, têm que parecer. E se para parecer se têm que inibir de dar um abraço a um amigo numa hora mais complicada, inibem-se pois então, e se para parecer têm que se evitar dar um beijo no rosto do melhor amigo, evita-se, mesmo que logo a seguir se beije a chata da namorada... Estas inibições não causarão grande dano emocional ao macho latino luso, de tal forma já não se vêem tais cumprimentos, que nem nos lembramos deles... E o que o coração não vê, o coração não sente. E fica assim a amizade masculina reduzida a essa coisa sensaborona do 1 abrc bip!


Boss

Publicado por renaseveados em 04:14 AM | Comentários (20)

Blinks

Mudar de casa dá uma trabalheira... Mas creio que compensa, eu pelo menos estou a adorar viver aqui, é tudo mais arrumadinho. Trazer os blinks da antiga morada é que foi uma trabalheira sem fim. Depois o Blogrolling ora aceita acentos, ora não aceita.. P'ras urtigas este anglocentrismo cibernético! Enfim, procurei passar todos os blinks de para cá, se algum falhou, por favor queixem-se. Finalmente espero que o Tiago Mendes esteja a brincar quando diz que "Ainda estou a pensar se mudarei para lá também os meus comentários." É que se está a falar a sério.. isto perde piada! Sniff sniff...

Boss

PS: Temos re-editado alguns posts por gostarmos especialmente dos ditos e/ou para estarem "mais à mão" em referências futuras...

Publicado por renaseveados em 01:17 AM | Comentários (11)

abril 25, 2004

Auto-determinação e criação no feminino

No 25 de Abril, lembrei-me da Frida Kahlo e deixo-lhe aqui uma homenagem:

A auto-determinação, herdeira da concepção de livre-arbítrio, é supostamente uma qualidade inerente ao ser humano, dotado de Razão, capaz de escolher e de lidar com as consequências das suas escolhas. As ciências sociais têm demonstrado, as limitações da free-will, culturalmente relativa e ligada a ditames estruturais. Apesar de também ser relativamente tranquilo afirmar-se que os indíviduos reinterpretam, reutilizam e recriam essas aparentes imposições externas.

Contudo também há posicionamentos sociais, que vão influenciar o grau de auto-determinação de que dispomos. Pensemos no caso mais clássico das relações entre patrão e assalariado. Não há dúvidas de que um poder construído numa relação de dominação simbólica irá resultar em constrangimentos para a parte a que a relação atribui menos poder. Os próprios sistemas de explicação para a acção de um e de outro serão construídos de forma diferente. Estudos clássicos na psicologia social, mostram como a externalidade da explicação da acção é mais usada para grupos desinvestidos de poder, no quadro da relação de dominação. A externalidade aqui refere-se a tomar os actos do Outro dominado como resultado de causas externas, esvaziando-o de acção internamente motivada. Retirando-lhe a agencialidade.
No caso das mulheres, os resultados da pesquisa ilustram como a sua alteridade face a um referente aparentemente neutro (mas que é afinal masculino, por via do androcentrismo nas concepções de pessoa) resulta num registo explicativo, que as priva da sua individualidade e da auto-determinação.

Um caso concreto de que me apercebi hoje por uma leitura feliz de Joan Borsa no seu Frida Kahlo: marginalization and the critical female subject são as interpretações da história de arte em relação à obra dela. Socorrendo-me de exemplos encontrados no livro da Taschen sobre a obra de Frida, não retenho o espanto quando a cada ilustração vejo a sua obra ser explicada por factores que derivam exclusivamente da esfera do privado e de vivências descritas como meramente pessoais e portanto particulares, enquanto que para os outros autores (Rivera, Hooper, Klein, e vários outros), a tónica assenta no seu esforço de criar uma nova linha artística, na sua auto-determinação na escolha de um caminho a seguir. Borsa evidencia que existe um questionamento dessas mesmas fronteiras, que é irónico e que visa a transgressão e a subversão de determinadas fronteiras (pisco o olho a Donna Haraway, agora) e uma problematização de uma condição feminina, que resiste à classificação fácil. O desafio em falar sobre a Frida Kahlo também implicar olhar para a sua posição, inscrita no corpo e na obra (criando mais uma clivagem entre o que representa e o que é representado), como artista engagé num país que ainda é atravessado pela sua posição de pós-colonizado. Uma ilustração é a sua resposta à pergunta sobre a sua suposta inscrição no movimento surrealista: "I didn't know I was a surrealist until André Breton came to Mexico and told me I was".

O comprometimento de Frida com uma arte com raízes na cultura mexicana, ou na cultura mexicana imaginada (como todas) permite-lhe usar registos próximos de uma suposta arte popular, aparentemente menos dignos de um merecimento explicativo autónomo. Assim vemos em várias obras sobre a mesma, esta necessidade de externalizar a sua inspiração, considerada retirada da sua própria criatividade, para a particulizar na sua própria vida. É óbvio que estes registos explicativos acabam por retirar alguma autoridade autoral e por considerá-la um outro na história da arte. Necessariamente a história de arte feminista fez uma crítica destes discursos, que constroem uma Frida e a sua obra como uma alteridade radical face aos artistas de referência. O que, como é notório, não traduz de todo o potencial discursivo em torno da sua obra, capaz de resistir, subversiva e ironicamente, às categorias de análises androcêntricas e ocidentalmente centradas.

P.S.: E sim o México, até fica na América do Norte, ao contrário do que a maioria das pessoas pensam que o visualizam na América Central ou na do Sul. Até nessa catalogação somos inspirados pelas hierarquias do mundo, mesmo que contra o conhecimento geográfico.

Pagan

Publicado por renaseveados em 08:54 PM | Comentários (12)

Tal como as nossas renas...

Capa do Jornal de Notícias de hoje. Festa a dobrar!

Boss

Publicado por renaseveados em 03:46 PM | Comentários (2)

Cá estamos na casa nova!

Uns mudam, outros nascem e outros morrem... É assim turbulenta a vida da blogosfera, e eis-nos portanto na nova casa. Ainda faltam adicionar muitos links, ainda faltam ajustar uma série de pequenos pormenores, faltam os endereços de correio electrónico dos três escribas bem explícitos aí ao lado.. Mas o essencial está feito, apartir de agora é aqui que escrevemos. Chamemos-lhe, como sugeriu o Pagan: "renas e veados - reloaded"... O B continua a prestar-nos um insubstituível e inestimável apoio técnico nesta transferência, fica assim uma vez mais demonstrado o nosso agradecimento a ele. E a ti, pela tua companhia. Casa nova, linguagem nova, acho que já nos conhecemos suficientemente bem para nos tratarmos por tu, não é?

Boss

PS: O dia é para festejos, e as nossas renas não fogem à regra. Reparem nos cravos vermelhos na lapela e nas bandeiras portistas ao vento. Beijos revolucionários para tod@s!

PS2: para quem não viu, aqui ficam as renas que adornaram o topo do blogue durante o 25 de Abril.

Publicado por renaseveados em 04:43 AM | Comentários (12)

25 de Abril!!!

25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!

Pagan

Publicado por renaseveados em 12:19 AM | Comentários (4)

abril 24, 2004

CAMPEÕES!

Aquela que é indiscutivelmente A equipa portuguesa de futebol do pós-25 de Abril, é uma vez mais Campeã Nacional! Parabéns dragões e dragonas. PARABÉNS FUTEBOL CLUBE DO PORTO!

Boss

Publicado por renaseveados em 11:57 PM | Comentários (5)

abril 23, 2004

Alentejo à noite

Estive a ver uma lua enorme, posta por detrás de um monte, espreitando. Ouvi numa tasca, uns cantares. Lembrei-me de falar de tempos que se viveram nesta terra do sol e do vinho. Nos tempos do fascismo, as pessoas trabalhavam aqui de sol a sol e até de ar a ar, ou seja, de madrugada ainda noite, até à noitinha. O alentejo foi muito sacrificado pela tripla aliança dos latifundiários, do salazarentismo e da padralhagem (muito detestados por estas bandas, pela maioria das pessoas). Um dos livros que melhor descreve determinadas situações aqui vividas é mesmo o Levantado do Chão do Saramago, que por muito desiludido que ande, soube descrever um alentejo que não me sendo familiar, me foi contado e recontado. Por parentes e amigos que foram presos, espancados, torturados, quer pela GNR, quer pelos pides. Que me diziam: "Filho, naquele tempo não podíamos abrir a boca! Naquele tempo, se a abrissemos, batiam-nos!"

Há pessoas, que mesmo sem serem presas, foram sacrificadas pelos capatazes e pelos Geninhos, que naquele tempo, eram maioritariamente filhos da terra que usavam da sua autoridade para se mostrarem mais que os outros, pessoas do povo que com um pouco de poder, dele abusavam e dele extraiam frutos. Na casa da minha família mesmo, tinhamos o perigo na porta do lado. Viviam aqui uns familiares de pides, mesmo ao lado. Se fosse hoje, estariamos fritos. Qualquer um de nós. Há uma história velha, de uma transmissão de uns exames nacionais, roubados em Faro, e transmitidos pela Radio Argel. A minha mãe ouviu falar e pôs o rádio junto do quadro da luz para ouvir tudo. A minha avó estava aterrada, porque desconfiava que os do lado eram uns fachos do pior. E como estava certa. Reconhecia-os ao longe. Os meus tios-avós comunistas também não ajudavam nada na folha da família, presos e espancados várias vezes. Como o pai de outro amigo, de Moura. Cada vez que aparecia escritos revolucionários na terra, tinha a GNR à porta...mesmo sem ter sido ele!!! O meu pai também perseguido e ameaçado de não vir a ter emprego... E lembro-me com umas saudades imensas da minha quase-tia Maria, da Cuba, quando entrávamos na casa dela, a bandeira do partido aberta, as fotos do Avante, as abelhinhas da CDU que ela nos dava, a mim e ao meu irmão. E eu pequenito, que lhe disse um dia, que as côres do Freitas do Amaral eram bonitas. E ela explicou-me que o vermelho era muito mais e que pessos tinham morrido para que aquelas bandeiras se podessem expôr em casa. E eu achei muito estranho. Pessoas mortas por culpa do vermelho? O alentejo já foi todo vermelho. Agora nem por isso. Mas mesmo assim, continua aqui um olhar muito crítico sobre o mundo e a política. Ideologizado, comme il faut. Aqui D. Manuelas, Bagões e Paulos Portas são figuras detestadas. Paga-se sempre muito caro no alentejo, quando a economia do país cai. Sempre se pagou e continua a pagar-se. Pensam que somos uns conformistas. Mas atenção, que o nosso vermelho parece desbotado, mas ainda não é todo rosa... E a lua está tão bonita!!!!

Pagan

Publicado por renaseveados em 09:39 PM | Comentários (3)

Pobres de nós... Que temos que levar com peças destas...

Vagabundos de Nós é um espectáculo a evitar. Enquanto objecto artístico é deprimente. O texto não tem qualquer intensidade dramática nem ritmo cénico. O entrecruzamento dos monólogos das personagens não só retira coerência ao discurso como impede o espectador de se deixar envolver na história. São frases curtas, intercaladas por alguns momentos de silêncio forçados e desnecessários, dois monólogos que pretendem ter o mesmo fio condutor mas que acabam por seguir por caminhos muito distantes. A encenação é primária. As personagens vagueiam no palco, semi-perdidas no espaço. Depois há umas lâmpadas que descem e a personagem do filho gay vai-se deixando enredar nesse outro espaço, cada vez mais preso, para quase no final se dar uma libertação obviamente destruindo a harmonia de fios pendurados que constituiam a sua prisão. Sentem-se os actores perdidos, sem orientação cénica, sem um trabalho dramaturgica na nascente. Se a mãe vai para a direita o filho vai para a esquerda. Se o filho vai para a esquerda a mãe vai para a direita. E de repente, oh que emoção, encontram-se... Mas afinal voltaram a perder-se. Os figurinos são pobres e desinteressantes. E porque é que o figurino do filho se tem que se assemelhar a um vestido? A cenografia (que se resume às lâmpadas que sobrem e descem) é bonitinha... Mas qualquer aluno do Conservatório fez isso no primeiro ano do curso. Nos anos 60 era uma novidade, hoje em dia está visto e revisto. Depois os actores... o que confesso, mais me entristeceu. Maus... muito maus. A Senhora Dona Márcia Breia recorreu a pequenos clichets de mãe sofredora. E o Nuno Lopes nem aos clichets conseguiu recorrer. Era visível a falta de direcção de actores. O que resultou num triste espectáculo de canastrice.

Enquanto obra socio-pedagógica a peça é um desastre. Senão vejamos: ficamos a saber que um gay é gay porque gosta de usar o vestido de noiva da mãe, porque gosta de música clássica, porque gosta mais de fazer bolos com a mãe do que ver futebol com o pai e porque o animal que mais o anima no zoológico é o flamingo. O texto chega a ser homofóbico e centra o seu climax no sofrimento da mãe, provocado pelo filho que é gay. E eu apercebi-me de quão perigoso aquilo era, quando à saída oiço um jovem, dos seus 16/17 anos dizer qualquer coisa do género “Pois é, os gays deviam pensar no sofrimento dos pais antes de começarem a abichanar”.

Mas a realidade é esta... o Teatro Maria Matos estava cheio. E no fim as pessoas levantaram-se todas a aplaudir. Mesmo o senhor que estava à minha frente e que passou a peça a ressonar. Nada como ter duas figuras televisivas no palco!

Ao senhor Daniel Sampaio apetece-me dizer-lhe “Tenha vergonha!”.
Ao senhor Luís Osório apetece-me dizer-lhe “Continue a fazer reportagens televisivas. Consegue melhores resultados.”.

De 0 a 20 a minha nota para Vagabundos de Nós de Daniel Sampaio e encenação de Luís Osório é 0.

Nota 1: Felizmente não paguei bilhete.
Nota 2: Já repararam quão feio é o Maria Matos? Austero, rígido, frio e salazarista?
Nota 3: Senhor Daniel Sampaio... Ninguém diz que outro tinha o sexo na mão. Aquilo a que se refere chama-se em linguagem corrente pénis. Ou pila. Ou c******.

Joaquim [publicado pela primeira vez a 13 de Abril de 2004]

Publicado por renaseveados em 03:43 AM | Comentários (4)

abril 22, 2004

A Igreja e os seus pecados

Agenda: IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA. Eventualmente a minha instituição preferida. Não por ser católico, até porque não o sou de todo. Pagan é ateu. Mas pelo potencial que esta organização tem como objecto de análise e de reflexão. Ora, primeiro há que distinguir entre os fiéis e a estrutura vertical e hierárquica. A ICAR tem desde o século XVIII, uma base de fiéis esmagadoramente constituída por mulheres (Já Michelet o identifica no século XIX). No plano da hierarquia, todos homens. Sem excepções. É um lugar estruturante das relações entre os sexos, por ter esta estrutura sobressexuada.

Para além disso, no seio da hierarquia, é uma estrutura, que à medida que nos aproximamos do vértice, as idades aumentam. Até chegarmos ao PAPA, que neste momento, já vai nos 80's e tais. Portanto uma estrutura de homens, castos (supostamente), e essencialmente de idades provectas. Sociologicamente, isto já explicaria uma série de coisas. Mas adiante.

A Igreja assume desde o século XIX uma especial vocação em disciplinar as mulheres. Afastá-las da tentação, moldá-las, modelá-las à imagem de uma mulher que é mito e símbolo da suma perfeição. A Virgem Maria, que evolui de uma mera santa para uma mediatrix, entidade de origem humana, mas mantem um título que lhe garante a sua excepcionalidade: Theotokos (Mãe de Deus). Por oposição a um retrato do que as mulheres (para eles) já são: EVA. Pecadoras, alvo do desejo e da concupiscência dos homens. Relembra-se Santo Agostinho, um dos teólogos fundadores com o dictum de que as mulheres são a fonte de todo mal. Apesar da orientação mariana do actual Papa, a Igreja ainda olha as mulheres com estranheza. O que não é estranho tendo em conta que o modelo de Maria é impossível para a maioria das mulheres: serem mães e virgens. Para a Igreja, as mulheres são mães. Como mostram as teólogas feministas, a própria imagem de Deus é masculina, quando para englobar o feminino deveria ser assexuada. Será que este Deus não é também heterossexual?

A persistência da Igreja actual, do ponto de vista de Magistério, emanando documentos que atacam quer as minorias sexuais (veja-se no próprio Catecismo da ICAR, que os homossexuais são convidados a renegar a sua sexualidade, sendo feito um apelo à castidade), quer as mulheres (negando-lhe o direito à sua auto-determinação, em flagrante contraste com o livre-arbítrio de St. Agostinho, em prol de uma suposta vida que a elas cabe providenciar ninho, transformando-as num mero habitat, ausente de auto-determinação), é pois animada de um espírito de exclusão, patente também na negação do acesso das mulheres ao sacerdócio. E contra isto, creio que fiéis, menos fiéis e infiéis como eu se podem e até devem manifestar.

Pagan

Publicado por renaseveados em 09:18 PM | Comentários (0)

Respect!

Working Girl (in boots) de Paula Rêgo. Modelo: Ana Lopes.

Boss

Publicado por renaseveados em 09:40 AM | Comentários (1)

Sex Workers of the World UNITE!

Quando li a matéria que foi capa da última Grande Reportagem só pensava: como é que nunca tinha ouvido falar nesta rapariga antes!? Ana Lopes é uma jovem e brilhante antropóloga portuguesa, que está a desenvolver um trabalho a todos os títulos excepcional, junto dos trabalhadores sexuais de Londres. Na verdade o que ela está a fazer é uma verdadeira revolução. Ao decidir fazer o doutoramento na área do trabalho sexual, ela não se limitou a ser a cientista que observa, adoptando uma nova metodologia, action research, tornou-se ela própria numa trabalhadora sexual, mais concretamente operadora de uma linha erótica. O seu antigo professor Chris Knight, da University of East London (universidade onde se licenciou) não hesita em dizer: "Ela é a melhor aluna de sempre desta instituição.". Diz ainda o professor que "Mais importante do que andar a fazer simples análises académicas, um antropólogo deve estar preocupado em provocar a mudança." e é exactamente isso que Ana faz.

Meses depois de ter entrado para a indústria do sexo, funda o The International Union of Sex Workers que em 2 anos consegue recrutar 200 membros e tornar-se numa secção da GMB (a terceira maior organização sindical do Reino Unido). Ana Lopes é conhecida por conseguir impossíveis, Martin Smith, dirigente sindical, diz "Ela é fenomenal a falar em público. Quando pensei que íamos ser comidos vivos, bastava ouvi-la em palco para perceber que afinal íamos sair dali em braços.". A forma directa de abordar as pessoas faz com que consiga obter os apoios mais inesperados, sejam as feministas da velha guarda do Trade Union Congress, ferozes opositoras de qualquer tipo de exploração sexual, ou os 600 delegados do congresso da GMB, a quem se dirigiu com estas palavras: "Todos nós, nesta sala, já tivemos alguma vez nas nossas vidas contacto com a indústria do sexo." Nem mais, ou não fosse esta uma indústria que movimenta mais de mil milhões de euros todos os anos na Grã-Bretanha.

E que reinvindica afinal Ana Lopes? Nada mais que o justo: protecção legal para os trabalhadores e trabalhadoras contra qualquer tipo de violência; discriminalização da prostituição; contratos de trabalho e acesso integral aos sistemas de segurança social e saúde pública; apoio e assistência em caso de se querer mudar de actividade; e claro, exige Respect!, que é também o nome de uma publicação do seu sindicato.

Bertha

A rapariga é admirável e o seu nome vai dando que falar um pouco por todo o mundo. Em 2005 espera-se a publicação da sua tese numa versão não académica, ao alcance de todos, que será com toda a certeza um best-seller. Entretanto já foi descoberta por Paula Rêgo, tendo sido modelo do Bertha, aqui publicado, e também dos quadros Working Girl (in boots) e Alice, que podem ser vistos aqui. Em 2001 foi considerada a activista pela liberdade sexual do ano, galardão da Erotic Awards. Esperemos que um dia ela possa disponibilizar alguma da sua energia em favor dos trabalhadores sexuais portugueses, entretanto se algum trabalhador sexual me está a ler não deixe de visitar o site do IUSW, e agora apenas para os prostitutos masculinos, dois espectaculares sites de apoio e informação: o Hook (americano, que descobri graças ao Drocas) e o europeu e n m p (European Network Male Prostitution). Estar bem informado é uma das melhores protecções, todos esses sites têm ainda outros links úteis.

Voltando à Ana, tenho que dizer que depois de tudo o que li e fui descobrindo sobre ela, é já uma das minhas heroínas. Tem iniciativa, energia, ousadia, inteligência e um incrível sentido de humanidade. Melhor ainda, já vos disse que ela é do Porto?

Boss [publicado pela primeira vez a 22 de Março de 2004]

Publicado por renaseveados em 12:00 AM | Comentários (1)

abril 21, 2004

Acordar para a Vida

Publicado por renaseveados em 01:32 AM | Comentários (7)
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