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<title>refletindo a existência</title>
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<copyright>Copyright (c) 2006, ferguida</copyright>
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<title>O CICLO DA MORTE-VIDA</title>
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<summary type="text/plain"> Toda a morte anuncia um renascimento, todo o nascimento provém da morte de uma forma antiga; toda a mudança é nascimento-morte-renascimento. A mudança é a grande lei da vida; tudo o que existe altera-se incessantemente num movimento cíclico de...</summary>
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<![CDATA[<p><br />
Toda a morte anuncia um renascimento, todo o nascimento provém da morte de uma forma antiga; toda a mudança é nascimento-morte-renascimento. <br />
A mudança é a grande lei da vida; tudo o que existe altera-se incessantemente num movimento cíclico de nascimento, evolução e morte, que se repete até ao infinito.  <br />
O ser humano, embora impelido para a dinâmica da vida que o anima e onde todo este processo se insere, resiste à mudança, porque teme a morte do que é conhecido e que lhe dá estabilidade, recusando-se a novo nascimento que o obriga a uma outra visão das coisas. <br />
Viver implica coragem, e só os lutadores se apercebem de como é fascinante vencer as mortes do quotidiano, para que novos nascimentos ou acontecimentos novos se operem. <br />
Esta consciência da vida e morte só é possível no contexto da individualidade humana. Só os seres com auto-consciência percebem o desenrolar da vida e dos seus movimentos cíclicos, que contêm em si a também morte. <br />
Muitos, contudo, ficam inseguros, porque todo esse processo que se insere na construção da individualidade, obriga à sua constante reformulação, provocando ansiedade a todo aquele que receia perder aquilo que o define num determinado momento, quando a exigência de mudança se impõe, trazendo consigo a morte da fase anterior, que obriga a uma nova visão de si próprio. <br />
Tudo é impermanência e isso pode assustar a quem se apega ao já adquirido, mas que requer transformação. Recusa-se assim a morte do conhecido e possuído, por medo do desconhecido que o novo nascimento das coisas e acontecimentos sugere, e ao recusar-se a morte, nega-se a vida onde aquela se manifesta. <br />
No entanto, só é possível a aceitação da vida e o encontro com ela, se paralelamente se aceita a morte, como um aspecto da manifestação da vida.   <br />
E é quando enfim se chega a este ponto, que se começa a vencer a morte, porque se entra no dinamismo vital, ao reconhecer na morte um dos aspectos da vida. Dando à morte o seu lugar na vida, desaparece ela como imagem de aniquilação e fim do que existe, porque se percebe que verdadeiramente há tão só movimento e mudança de estados.<br />
É, contudo, em nome da vida que a negação da morte é feita, porque se considera que esta destrói aquela, mas no fundo quem não quer a morte, busca-a sem saber, porque se recusa a viver, ao rejeitar algumas das leis naturais que a vida comporta. <br />
Esta reflexão aplica-se igualmente à morte física de um corpo humano, que deverá ser vista como a transição do ser para um novo plano de existência, e não como uma aniquilação irreversível.<br />
Embora aceitando também esta morte que nos espera no fim da experiência terrena que vivemos, deveremos tudo fazer para que ela não surja antes do tempo que é necessário à nossa evolução que, como vimos, se processa segundo ciclos bem definidos.</p>

<p>Margarida Branco<br />
</p>]]>

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<title>A DOR CRIA CONSCIÊNCIA</title>
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<![CDATA[<p> </p>

<p>No nosso dia-a-dia, apercebemo-nos daquilo que dói e quase não valorizamos o que de bom nos acontece. Não nos apercebemos da boa saúde do nosso corpo, de que temos comida para nos alimentar, da família e amigos que nos rodeiam e de que nascemos num país melhor que muitos outros em termos de condições de vida. <br />
Lamentamo-nos das dificuldades que o dia-a-dia acarreta e não enaltecemos as alegrias que o mesmo proporciona. Há uma tendência natural nesse sentido e a sociedade reflecte esta perspectiva, nas crenças e valores que adopta, ao enfatizar o medo e a desconfiança em relação à vida e às pessoas.<br />
Assim, a carência de liberdade que nos tem orientado na vida em comum, baseada num sistema rígido de proibições e impedimentos, em vista da prossecução daquilo que se entendeu como necessário à colectividade, decorre de uma visão restritiva e receosa daquilo que nos acontece, porque se teme a dor, que espreita a toda a hora. Concebe-se, então a vida como um fardo difícil de carregar, acreditando serem necessários o sacrifício e o sofrimento para a obtenção do sucesso. O negativismo enferma todas as atitudes e comportamentos, e quando o povo diz “é assim a vida” cinge-se ao que de mau acontece, como se a experiência de viver fosse totalmente dolorosa. <br />
Os meios de comunicação social, por seu lado, enchem os seus periódicos e tempos de antena, relatando as catástrofes e mortes que vão acontecendo, considerando-as como notícias que importa transmitir, e relegando ao esquecimento e ocultação aquilo que de agradável e positivo vai ocorrendo no mundo.<br />
Costuma dizer-se que só damos pelo bem depois de o perder, quer se trate de questões de saúde, de relações afectivas ou de posses materiais. Até lá, mostramos sempre a nossa ingratidão, porque continuamente nos lamentamos por aquilo que nos desagrada e falta. <br />
Estamos imersos no bem e disso não nos apercebemos, e apenas quando dele nos afastamos, nos damos conta da anormalidade e reagimos. É como se a vida, pela sua natureza intrínseca fosse boa e nos deixasse felizes, mas não percebemos isso senão depois que é contrariada essa lei natural, surgindo o sofrimento. <br />
O bem em que nos movíamos tornou-se então perceptível, através da tomada de consciência da sua falta ou ausência, deixando-nos desconfortáveis. A experiência de dor ou sofrimento sobreleva todas as outras, porque é nela que inevitavelmente concentramos a atenção, na tentativa de a vencer, ou seja, damos-lhe consciência e consistência, passando para segundo plano tudo o mais. A sensação de dor é de tal forma absorvente e poderosa que abrange todo o nosso campo de consciência, ficando mitigadas todas as outras sensações. De facto, quando por exemplo adoece um órgão do nosso corpo, apercebemo-nos inevitavelmente da sua existência e localização, mesmo se antes não o fazíamos, porque o organismo saudável integrava esse órgão no seu todo, não o evidenciando por isso. A anormalidade, impedindo a união entre as partes, obriga à consciencialização dessa zona do corpo - que dessa forma se isola e destaca -, e consequentemente à busca e ao desejo da recuperação da harmonia perturbada pela doença. Parece, que só, então, se passa a dar valor à saúde que antes aceitávamos como natural, e a que, contudo, não conferíamos o valor que agora lhe damos.   <br />
A experiência da dor poderá, então, ter o mérito de nos colocar numa atitude mais consciente perante a vida, porque passamos a compreender coisas que doutra forma nos passariam ao lado e que o sofrimento põe em destaque. Começamos, então, a valorizar o bem, que nessa oportunidade nos falta e a evitar a repetição dos erros que eventualmente a possam ter ocasionado. Tiramos, enfim, lições daquilo que custa e a vida passa a ser melhor compreendida e valorizada. <br />
A experiência terrena envolve, pois, a tentativa de acerto, através do erro, para que se adquira consciência. Através do mal e das dificuldades, apercebemo-nos do valor do seu oposto - o bem que nos torna felizes e saudáveis -, e passamos a evitar os erros que ocasionam as situações complicadas, percebendo existirem leis da vida cuja violação acarreta danos. Imersos no bem de que a vida é feita, só dele tomámos consciência quando de alguma forma do mesmo nos afastámos. A criança precisa de cair muitas vezes até aprender a andar, nós também só acertaremos o passo com a vida, depois de muitos desvios e sofrimento. </p>

<p>Margarida Branco</p>]]>

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<title>ENCONTRAR O EQUILÍBRIO</title>
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<issued>2006-10-10T19:27:50Z</issued>
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<![CDATA[<p></p>

<p>Vivemos num mundo de polaridades opostas e por isso a nossa tendência é a de nos fixarmos num lado ou noutro dessas dimensões diferentes, o que provoca desequilíbrio, já que os opostos devem ser conciliados, harmonizados entre si, em direcção à coluna central que medeia entre essas polaridades distintas. <br />
Só então, se encontrará o equilíbrio que traz paz e realização. <br />
Mas, o ser humano anda a aprender a viver, e por isso faz muitos erros, que originam sofrimentos diversos. <br />
Saímos de um apego e logo a seguir ligamo-nos a outro, que julgamos nos libertará do primeiro. Mas, porque todo o apego é a fixação numa das polaridades, de novo ficamos desequilibrados e com problemas existenciais. .......<br />
</p>]]>
<![CDATA[<p>Muitos exemplos se podem dar sobre este assunto e então vejamos: Na modernidade, pensou-se encontrar a libertação sexual, contrariando as normas repressivas que antes vigoravam, que interditava o normal desempenho da vida sexual. Então, passou a não haver limites para os desejos que entretanto surgiam. Tudo se fazia, sem condicionamentos nem atenção ao equilíbrio a encontrar. Então, pensando serem livres desta forma, as pessoas perceberam que afinal estavam reféns das suas fantasias desordenadas, que levavam ao enfastiamento e à angústia. <br />
Na educação das crianças, o mesmo se passou. Se nas sociedades tradicionais, a educação autoritária, restringia os direitos da criança a ser respeitada como ser humano, agora verifica-se uma tendência para o extremo oposto, uma permissividade excessiva, que desorienta o educando, não se lhe dando referências de contenção e despreparando-o assim para vida que tem de viver. Procura-se eliminar a frustração, como se essa não fizesse parte do nosso dia-a-dia e para a qual temos de estar preparados. <br />
De idêntica forma, os agregados populacionais de outrora eram constituídos à base de grupos fechados, quer fossem famílias alargadas, ou se tratasse de tribos ou outros grupos primários. Então, a cooperação era praticada, porque sem ela os núcleos não subsistiam. O indivíduo estava subordinado à vontade do colectivo e tinha necessariamente que cumprir aquilo que a comunidade exigia, sob risco de exclusão. Se a sobrevivência desta forma era assegurada, havia pouca noção de liberdade e autonomia de cada elemento, que se identificava e diluía através da sua inserção grupal.<br />
Com o advento da modernidade, o individualismo sociológico passou a constituir a grande regra de funcionamento das sociedades, trazendo todo um conjunto de benefícios, que se estendem desde o reconhecimento dos direitos humanos, à emancipação da mulher, à tendência para a igualdade de todos o cidadãos e à instauração de democracias políticas nos países que foram por estas ideias influenciados. A autonomia dos cidadãos permite uma maior capacidade de expressão individual e uma maior criatividade, enriquecendo não só a nível pessoal, como também a toda a sociedade. <br />
No entanto, há ainda que dar atenção aos fenómenos de solidão que toda esta revolução trouxe. As pessoas, remetidas a si próprias e não já necessariamente protegidas por um grupo, vêem-se muitas vezes sozinhas e angustiadas. O desmembramento das sociedades, organizadas desta maneira, pode suscitar sentimentos de egoísmo e de indiferença em relação ao sofrimento alheio. Há, então, que se dar agora atenção à criação de redes de solidariedade, que englobem pessoas de boa-vontade, que vão ao encontro de quem delas precisa.         <br />
No nosso dia-a-dia privado, importa igualmente dar atenção a muitos dos nossos comportamentos para que eles nos tragam realização, dado serem norteados segundo princípios de equilíbrio e diversidade. Assim, muito embora se possa afigurar como necessário dar-se uma atenção muito grande a determinado sector da nossa vida, há que tentar contrabalançar isso com o exercício de outras actividades, que igualmente nos tragam satisfação, alargando os nossos horizontes e deixando-nos melhor connosco próprios. É que a vida é feita de variedade e se não obedecemos a essa sua característica, ela pode voltar-se contra nós. <br />
Há que ter em atenção ainda que o nosso equilíbrio advém também da conjugação simultânea da noção de dever com a de prazer. Se apenas atendemos a um dos aspectos, ficamos presos a nós mesmos, sentindo-nos infelizes, porque escravizados. Assim, por muito agradável que possa ser uma determinada situação, muitas vezes temos de abdicar pontualmente dela, para podermos atender a algo que tem de ser feito ou que é importante para o nosso bem-estar. Chama-se a isto o adiamento da gratificação, que se é conseguida revelará uma boa inteligência emocional. Podemos, por exemplo, estar longas horas na cama, mas há que vencer a inércia, para que a actividade do dia se processe. E esta deve ser o mais possível diversificada, para que as várias dimensões da minha personalidade e gostos possam ser atendidos.<br />
Se gosto de estar só, devo, na mesma linha de entendimento, fazer um esforço para também conviver e assim dar atenção às duas vertentes do meu ser: eu comigo e eu com os outros.<br />
Se não aprecio festas e convívios alargados, devo igualmente tentar neles integrar-me pelo menos algumas vezes para que o pendor não fique só para o lado para que tenho queda.  </p>

<p>Margarida Branco</p>]]>
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<title>NUMA SOCIEDADE FUTURA….</title>
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<summary type="text/plain"> No estádio actual de evolução da humanidade, a ligação entre as pessoas não se estabelece em toda a sua plenitude, dadas as reservas íntimas de cada um em relação ao outro, por medo e insegurança decorrentes da falta de...</summary>
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<![CDATA[<p><br />
No estádio actual de evolução da humanidade, a ligação entre as pessoas não se estabelece em toda a sua plenitude, dadas as reservas íntimas de cada um em relação ao outro, por medo e insegurança decorrentes da falta de encontro do ser consigo próprio. Com uma vida interior muito limitada, é sobretudo do exterior que cada um procura colher aquilo que julga ser a sua segurança, ficando assim muito sujeito àquilo que os outros lhe queiram dar. Fica então na defensiva sempre que interage com o semelhante, não se abrindo por isso, criando antes barreiras nos contactos havidos, que deixam os intervenientes a braços com sentimentos de solidão e insegurança. <br />
Se as pessoas aprendessem a explorar as suas capacidades internas, a confiar na sua própria natureza e a ser em conformidade com ela, abrir-se-iam naturalmente para a realidade alheia e estabeleceriam com os outros relações autênticas, e não apenas simulacros das mesmas.<br />
Por esta razão, as relações actuais pautam-se fundamentalmente pelo apego ou rejeição, que envolvem as pessoas em sentimentos que não as libertam, originando situações de sofrimento correntes. Agarramo-nos aos outros, sempre que eles correspondem às nossas expectativas e rejeitamo-los se isso não acontece. Em qualquer dos casos, sentimo-nos aprisionados pelo medo da perda daqueles que queremos ou pelo desamor sentido em relação aos que nos magoam. <br />
Enfim, perdidos no mundo, queremos que nos preencham aqueles que encontramos, esperando mais receber do que dar. <br />
Então, da mesma forma que ficamos aprisionados nesta teia de relações, também restringimos quem nelas se envolvem, através das nossas exigências e imposições para que as expectativas que temos se cumpram. <br />
Há, em tudo isto, mais envolvimento do que desenvolvimento, mais prisão do que liberdade, mais ter do que ser. Possuímos as pessoas para que elas sejam como desejaríamos e pouco espaço lhes damos para que sejam iguais a si próprias e se cumpram.<br />
A ideia de casamento e família, insere-se em todo este contexto, sendo estes agregados indispensáveis para que as pessoas vão ao encontro dos seus anseios de encontro humano. No deserto de amor em que nos encontramos, buscamo-lo em relacionamentos que criamos com outras pessoas, muito embora haja muitas vezes mais dor do que alegria na vida em comum. Fazem, no entanto, presentemente todo o sentido tais agregados humanos, porque preenchem necessidades sentidas.<br />
No entanto, em condições diferentes em que a humanidade um dia poderá vir a estar, estas instituições poderão deixar de existir, por não serem mais necessárias às pessoas. Numa sociedade mais livre, onde as pessoas sejam seres de pleno direito, iguais a si próprios, encontrados consigo mesmos, as interacções dar-se-ão a todos os níveis do ser, preenchendo-as por esta razão. A autenticidade pessoal, resultante da ligação de cada um consigo próprio, tornará também autênticas as relações que a partir daí se estabeleçam com quem quer que seja. Naturalmente, o encontro dar-se-á com as pessoas que se encontrem, tornando-se dispensável a eleição de uns tantos para que esse encontro se torne viável. A intimidade entre as pessoas, cuja necessidade nos impele agora a procurar o acasalamento, a amizade restrita, a família, será conseguida naturalmente na vida e nas relações aí havidas entre as pessoas. O amor descoberto por cada ser nesse estádio de evolução, perpassará naquilo que as gentes disserem, pensarem e fizerem, tornando-se assim dispensável a existência de núcleos privilegiados, onde o afecto se encontre, como oásis num deserto de amor não encontrado.<br />
A família será então uma só - a humanidade - e amigos encontrar-se-ão em tudo quanto é gente. A solidão desaparecerá no coração das pessoas, porque o ser está em relação consigo e com os outros. <br />
Tudo isto, numa sociedade ideal que desta forma imaginamos, arrastará consigo alterações em todas as esferas da vida humana e social, sendo de focar a mudança inclusivamente de alojamentos habitacionais, agora concebidos para famílias restritas e mais tarde agregando maiores conjuntos de pessoas, sem laços particulares de consaguinidade ou similares. A alegria da partilha não envolverá o medo da perda, porque o apego não existirá. Muitos dos problemas actuais poderão assim desaprecer, inclusivamente o problema da solidão.    </p>

<p><br />
Margarida Branco<br />
</p>]]>

</content>
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<title>O FENÓMENO DA MORTE</title>
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<issued>2006-06-13T21:11:51Z</issued>
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<summary type="text/plain">O FENÓMENO DA MORTE A mudança é a grande lei da vida, pois o que existe é objecto de transformação. Tudo nasce, cresce, morre e o ciclo renova-se sem cessar. Neste processo, qualquer fase implica a morte da anterior, podendo...</summary>
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<![CDATA[<p>O FENÓMENO DA MORTE</p>

<p>A mudança é a grande lei da vida, pois o que existe é objecto de transformação. Tudo nasce, cresce, morre e o ciclo renova-se sem cessar. Neste processo, qualquer fase implica a morte da anterior, podendo assim dizer-se que toda a morte anuncia um renascimento e todo o nascimento provém de uma morte que o antecede. <br />
O ser humano, embora impelido para a dinâmica da vida, onde este processo se insere, resiste contudo à mudança, porque teme a morte ou a perda, e recusa-se a renascer. Viver implica coragem e só os lutadores se apercebem de como é fascinante vencer as mortes da vida, para que novas realidades se revelem.<br />
Esta consciência da morte-vida só é possível no contexto da individualidade humana. Enquanto o homem ou a mulher não se descobrem como seres individuais providos de auto-consciência, não se apercebem do processo da vida, que contém em si a morte. Ao constatarem, contudo, ficam receosos e inseguros, por temerem a perda da individualidade que os define, através do mecanismo destruidor da morte. A identidade descoberta a cada momento fica em risco sempre que algo desaparece, para dar origem a outra coisa qualquer. A estabilidade que se busca ansiosamente tem de ser abandonada, para que a morte se dê e o surgimento de outra forma aconteça. A resistência à mudança origina o apego, que não traz liberdade nem segurança, por ser contrário à dinâmica vital, que apela à mudança constante e por isso ao abandono do antigo, para que o novo apareça.<br />
Julga-se que quem ama a vida, recusa a morte, mas isto não passa de ilusão e desconhecimento do processo em jogo, já que só quem se deixa fluir ao sabor da vida, aceita a morte, como sua componente e condição necessária para que novos horizontes se revelem na imensidão do processo vital. Quem nega a morte, paradoxalmente deixa-se morrer, porque não muda, não se transforma, e por isso não vive. Só a aceitação plena daquilo que a vida comporta, com os seus momentos de perda e negação, permite que não se tema a morte e quando isto acontece ela é vencida, porque se compreende que a mesma não existe, sendo apenas o sinal da mudança de estado, de condição. Descobre-se então que a vida transcende os processos conhecidos de princípio e fim, que apenas fazem sentido numa óptica de limitação, que pode ser vencida numa perspectiva mais ampla daquilo que é a energia universal, que rege os processos da existência. </p>

<p>Margarida Branco<br />
</p>]]>

</content>
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<title>AUTO-CONHECIMENTO É AMOR</title>
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<modified>2006-06-07T23:28:14Z</modified>
<issued>2006-06-07T23:20:24Z</issued>
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<summary type="text/plain">AUTO-CONHECIMENTO É AMOR Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? São estas as questões básicas que norteiam o ser humano na busca do mistério da vida. A constatação da nossa existência pessoal transporta-nos para aquilo que a originou,...</summary>
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<![CDATA[<p>AUTO-CONHECIMENTO É AMOR</p>

<p>Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? São estas as questões básicas que norteiam o ser humano na busca do mistério da vida. A constatação da nossa existência pessoal transporta-nos para aquilo que a originou, permitindo-nos descortinar a grande arquitectura da vida, da qual somos peças e agentes. <br />
É através da nossa percepção e do sentir íntimo, que olhamos para o grande conjunto de que fazemos parte, sendo por isso o auto-conhecimento a ponta do véu que se quer levantar. Só podemos compreender e percepcionar a vida através de nós mesmos, donde decorre que todo o conhecimento seja conhecimento de si. Se não nos conhecermos, não descobriremos o “universo e os deuses”, como constava na entrada do templo de Delfos, na Grécia antiga. <br />
Em cada um de nós se encontra a vida e por isso ansiamos por nos descobrir e afirmar, dado que a identidade própria é o caminho por onde se vai ao encontro daquilo que nos anima e transcende.  <br />
Em todas as experiências de vida é, de facto, a busca da identidade que nos move basicamente. A relação com o mundo e as outras pessoas, possibilita esse desbravar, essa tomada de consciência, porque ao interagirmos, aprendemos a conhecer-nos, já que todo o meio envolvente reflecte, como num espelho, a nossa realidade individual. <br />
Todo o caminho à face da terra tem, no fundo, o sentido do auto-conhecimento. A consciência só pode alcançar-se através da experiência que a vida proporciona.<br />
No início desse percurso, começamos por nos identificar com a imagem que nos é dada pelo exterior, isto é definimo-nos pelo nosso corpo e pelos papéis sociais desempenhados e buscamos a validação da nossa identidade através dos outros. Por ser exígua a consciência interior, julgamos ser aquilo que a sociedade e o meio envolvente dizem que somos. O equipamento instintivo e o mundo sensório são prevalecentes e vamos gostando de nós mesmos na medida em que os outros nos apreciem, pelo que sobretudo queremos receber, numa ânsia egoística, porque nos julgamos separados e por isso frágeis e inseguros. O ser funciona, então, de forma reactiva, não considerando os outros senão como instrumentos de satisfação das suas próprias necessidades. O amor é ainda incipiente e infantil, confundindo-se com a ideia de posse e apego. No domínio das relações humanas, que se pautam pela desarmonia e pelo conflito -dado estarem em jogo personalidades consideradas como em confronto entre si, e por isso na defensiva recíproca -, há uma tendência para a dominação, já que a segurança ainda não emergiu de dentro das pessoas, crendo-se aliás que a mesma decorrerá da garantia da posse ou do domínio do outro. Aquele que faz parte da órbita da vida de alguém, contribui para a sua auto-afirmação, sendo por isso assustador que ele se afaste, se perca ou se autonomize. Sentimentos de paixão podem então surgir, confundindo-se isto com amor, já que os sentimentos são poderosos e inebriantes. <br />
A crítica e a intolerância são a regra nos relacionamentos e a criatividade humana é muito exígua, porque a capacidade de reflexão não está ainda desenvolvida. Cada pessoa adere ao que a mente colectiva considera como aceitável e a evolução processa-se assim paulatinamente. A sujeição ao que os demais pensam e determinam é preponderante na criação da auto-imagem, já que as pessoas não se assumem ainda como seres dotados de autonomia, em relação ao conjunto em que se integram. O ego está em formação e ainda não cresceu o suficiente para se definir de forma única, demarcando-se com a sua contribuição própria, do que a sociedade ou os grupos em que se processa a socialização criaram. A auto-imagem tem de ser validada pelos outros, sendo gritante a dependência da opinião alheia e a dificuldade em se revelarem discordâncias quanto às normas e valores comummente estabelecidos. Inseguro, porque pouco afirmado, o homem (ou a mulher) tem tendência a apegar-se àquilo que faz parte da sua esfera de vida, privilegiando o ter em detrimento do ser. Só possuindo, se  considera o ego seguro, crendo que quem muito tem, muito pode e vale. Os instintos animais e a condição biológica prevalecem, havendo já a consciência de ser, mas não ainda a consciência do ser. Nestas circunstâncias, vivem as pessoas ao sabor das circunstâncias exteriores e a sua intervenção activa e criativa pouco se manifesta.   <br />
À medida, porém, em que vamos criando estabilidade individual e aprofundamento ontológico, através do desenrolar deste processo, vão emergindo as potencialidades internas que nos definem como seres humanos únicos e singulares e esta auto-afirmação cria a estima necessária à continuação da exploração própria, com vista ao auto-conhecimento. Percebemos, então, que só nos conhecendo podemos amar e que apenas amando podemos conhecer-nos. <br />
Este amor vai sendo desvelado à medida que evoluímos, e a evolução é feita na base do conhecimento, que será tanto maior quanto se atinge a natureza primordial e íntima do eu, que é Amor. Aqui reside todo o conhecimento e apenas se chega lá, através da transformação interior, que envolve um trabalho constante sobre a personalidade, de forma a que aflore o eu profundo, oculto por detrás das camadas ignorantes que o encobrem e que se tentam remover. É em vista desse pleno encontro que a caminhada humana se faz no plano terreno. <br />
Se queremos progredir, teremos pois que estar atentos àquilo que nos dificulta o caminhar, ou seja, os problemas, os bloqueios, as dificuldades e o desamor que nos barram a senda e que não deixam ver o fundo de nós próprios. Teremos, para isso, que ter coragem para assumir a responsabilidade dos nossos actos, não assacando a outros a causa daquilo que nos acontece. Reflexivamente, procuremos interrogar-nos a cada momento para descortinar a razão de ser das nossas emoções e perspectivas pessoais. Porque reagimos de determinada maneira àquilo que os demais nos devolvem quando com eles interagimos? O que é que o outro nos está a mostrar? De nada vale não querermos ver, porque ficaremos então presos daquilo que noutra ocasião será de novo apresentado, até que nos disponhamos a resolver o que nos incomoda. Entenderemos, finalmente, que aquilo que menos toleramos nos outros é muitas vezes aquilo que menos resolvido temos na nossa personalidade e que a rejeição evidenciada para com o nosso semelhante equivale à recusa tida em enfrentarmos a dificuldade que é nossa. <br />
Vamos, assim, descortinado aos poucos o esplendor da essência que nos habita e que é a matéria prima de que os mundos são feitos, começando, como vimos, por confundir a grandeza dos seres que somos, com os limitados egos, que enfatizam a pequenez e a separação, até que, depois de muito caminho andado, percebemos, enfim, que todos somos Um e que o amor a si próprio é indissociável do amor á vida e aos outros e que a auto-estima conquista-se se nos dispusermos a tentar um mundo melhor. <br />
É sempre o amor que nos move neste logo processo, e quando a Luz se fizer no fundo do túnel, descobrir-Lo-emos em nós como Unidade que tudo é. </p>

<p><>Margarida Branco<></p>]]>

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<title>A VIDA É UMA OBRA DE ARTE</title>
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<summary type="text/plain"> A VIDA É UMA OBRA DE ARTE O que é a arte? Em sentido estrito, pode ser aquilo que desperta facilmente o sentimento de beleza. Em sentido mais amplo e complexo, e na acepção contemporânea, significa tudo aquilo que,...</summary>
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<![CDATA[<p><br />
A VIDA É UMA OBRA DE ARTE<br />
 </p>

<p>O que é a arte? Em sentido estrito, pode ser aquilo que desperta facilmente o sentimento de beleza. Em sentido mais amplo e complexo, e na acepção contemporânea, significa tudo aquilo que, tocando o ser humano, o tende a transformar. Esta concepção de arte demonstra uma maior evolução em relação à visão tradicional, dado que exige da parte do consumidor de arte uma atitude activa em busca da beleza, uma interacção trabalhada entre a obra e o espectador, de forma a que este se disponha à aludida transformação pessoal que a visão artística lhe suscita, exigindo isto conhecimento e informação. A recriação da realidade, feita pelo artista, tem uma leitura só acessível a quem fez algum trabalho prévio visando a descodificação da mensagem veiculada na obra, ou seja, quem se abeirou dos instrumentos que permitem essa leitura, conhecendo. Na perspectiva tradicional, a arte seria oferecida aos olhos do espectador, que passivamente beneficiaria com a visão, nada se lhe exigindo em contrapartida. A beleza contida na proposta artística bastaria para extasiar quem a visse, indiferentemente da sua postura pessoal mais ou menos interveniente. Na visão contemporânea de arte, a criação de artista é de tal modo livre e inovadora, que não tem necessariamente afinidade com a realidade concreta conhecida, devendo emergir como uma criação própria, a ser apreciada e percepcionada por quem disponha do adequado conhecimento sobre o assunto. É de facto conhecida a depreciação popular das expressões de arte abstracta, como sendo disparates em relação ao que se conhece nas vidas do dia-a-dia, uma vez que não se alcança o sentido lógico de tais manifestações artísticas. <br />
Sem saber, nada se percebe neste contexto e a apreciação da arte fica restrita a quem com ela interage, porque a entende. Esta troca redunda na transformação do artista e do espectador, porque a relação facultou o crescimento recíproco das competências de cada um, ampliando as consciências, As pessoas, desta forma, desenvolvem as suas capacidades, porque exploram o material de que a vida é feita, trazendo à luz uma realidade descoberta pelo trabalho patenteado. Este aflorar novo toca quem o faz e quem o contempla, mas apenas se souberam previamente preparar-se e se dispõem a com ele crescer, interagindo.          <br />
Nesta acepção, podemos considerar que toda a actuação no mundo, porque transformadora, é uma obra de arte, ou seja, que viver é mudar e captar a beleza que tudo permeia, para o que estaremos tanto mais aptos quanto procurarmos conhecer e conhecermo-nos e assim melhor interagir com o manancial que nos é posto à disposição.</p>

<p>Margarida Branco<br />
</p>]]>

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<title>A VIDA SOCIAL HOJE E AMANHÃ</title>
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<summary type="text/plain"> A VIDA SOCIAL HOJE E AMANHÃ Quanto mais diversificadas e numerosas forem as relações entre as pessoas, maior será a possibilidade de crescimento individual, dado que a descoberta pessoal tem de ser feita mediante o confronto com outras personalidades....</summary>
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<![CDATA[<p>          A VIDA SOCIAL HOJE E AMANHÃ</p>

<p><br />
Quanto mais diversificadas e numerosas forem as relações entre as pessoas, maior será a possibilidade de crescimento individual, dado que a descoberta pessoal tem de ser feita mediante o confronto com outras personalidades.<br />
A actualidade, nas sociedades mais desenvolvidas, alarga esse leque de experiências, revelando com isso um maior impulso evolutivo, quando transfere para os grupos sociais e instituições, aquilo que anteriormente era incumbência estrita das famílias. Embora possa parecer uma perda de qualidade de vida, a necessidade de recurso à integração institucional dos idosos e das crianças, impele as pessoas a um convívio mais alargado do que o teriam se permanecessem no estreito ambiente doméstico, onde apenas conheceriam os poucos elementos que o compunham. <br />
Claro que esta mudança de paradigmas e modos de funcionamento envolve sofrimento, dado que se tem de ultrapassar o statu quo, abandonando a segurança do conhecido para o novo e desconhecido. A entrada precoce da criança na creche ou no jardim de infância pode ser assustadora, mas será também uma grande oportunidade de crescimento pessoal e de constituição de reservas positivas para o futuro, dada a profusão de interacções e experiências ser acentuada, se comparada com a que lhe seria proporcionada caso a criança permanecesse em casa. Estes contactos alargados desenvolvem capacidades no cérebro em formação, que serão úteis na vida adulta.  <br />
Também o idoso, que se vê perante a alternativa de ficar entre quatro paredes, sujeito a um isolamento doloroso - já que a família alargada quase desapareceu das nossas sociedades - ou tentar corajosamente aventurar-se num ambiente estranho onde outras pessoas em idênticas circunstâncias se reúnem, está a ousar e com isso evolui. O conhecimento que o contacto com a ampla variedade de pessoas proporciona, serve também o propósito da evolução. <br />
Não é, pois, tão catastrófico como à primeira vista poderá pensar-se este novo panorama, resultante da desagregação da família tradicional, e a resistência demonstrada decorre muito da passagem do modelo antigo para o actual. As pessoas, habituadas a viver em núcleos de dimensão reduzida, e fechados em si próprios, vêem-se forçadas a enfrentar o mundo estranho, o que assusta e faz sofrer. No entanto, com o andar do tempo, a proliferação de experiências colectivas e sociais será cada vez maior, e a entrada em grupos variados será frequentemente registada pela generalidade da população. <br />
A estratificação por grupos etários que presentemente divide as pessoas entre si, terá, também, com o tempo, tendência a desaparecer, dado que a vida social, em todos os sectores, será de molde a fazer confluir as pessoas em actividades que são comuns a todas as idades, denotando com isso também uma maior proliferação de experiências, que é sinal de evolução. Atendendo a que a globalização aponta para a localização, como contraponto necessário ao equilíbrio das sociedades, futuramente as unidades económicas de carácter familiar e inseridas em núcleos pequenos serão muito mais numerosas do que as que agora existem, dada a facilidade de utilização das novas tecnologias em âmbito restrito e no trabalho a partir de casa. <br />
Aqui, as crianças, integradas em famílias, terão um papel a desempenhar na produção comum, que complementará a sua formação escolar, sendo dela parte integrante. A inserção na sociedade será, assim, facilitada, uma vez que desde cedo se percebe o que é necessário para que a mesma vá funcionando, evitando-se além disso as dificuldades advindas de um contacto tardio com o mundo laboral e profissional, que agora acontece, depois que terminam os estudos preparatórios.<br />
Por outro lado, a formação escolar acompanhará todos os cidadãos, ao longo da sua vida, dado o interesse pelo conhecimento tender a ser cada vez maior, independentemente da sua aplicação prática. Então, os estabelecimentos de ensino agregarão no seu seio elementos de todas as idades. <br />
A vida de grupo incrementar-se-á, pois, nas gerações futuras, que deixarão de ficar confinadas às suas famílias e amigos restritos, passando a relacionar-se com os elementos dos conjuntos por onde passam, constituídos na base de interesses comuns, que se definirão a partir daquilo que cada pessoa for descortinando na sua vida pessoal e que considere importante. Dado que a intervenção pessoal será tendencialmente cada vez mais autónoma e criativa, a descoberta de interesses próprios será um investimento natural, originando a constituição de iniciativas de toda a ordem.<br />
Em suma, à medida que o mundo avança, maior será a complexidade de experiências a que a colectividade se vê sujeita, em resultado de uma sinergia de factores, de natureza individual e social, que se relacionam entre si, incrementando-se reciprocamente.</p>

<p>Margarida Branco<br />
 <br />
</p>]]>

</content>
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<title>O ENVELHECIMENTO</title>
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<summary type="text/plain"> O aumento da longevidade e esperança de vida do ser humano, foi conseguida com especial relevo nas sociedades modernas do mundo ocidental, determinando uma alteração no panorama demográfico, onde o número de pessoas com mais de 65 anos, aumentou...</summary>
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<![CDATA[<p><br />
O aumento da longevidade e esperança de vida do ser humano, foi conseguida com especial relevo nas sociedades modernas do mundo ocidental, determinando uma alteração no panorama demográfico, onde o número de pessoas com mais de 65 anos, aumentou substancialmente em relação a tempos passados.<br />
Paralelamente, o ritmo dos nascimentos - que garantem a renovação das gerações - diminuiu, em resultado de múltiplos factores, de entre os quais se destaca o fenómeno da emancipação da mulher e a sua entrada em massa no mercado de trabalho remunerado, bem como a descoberta de métodos de controlo de natalidade, como a pílula. <br />
Tudo isto introduziu na sociedade problemas que importa resolver, nomeadamente o que respeita à sustentabilidade do sistema de protecção social. Perante uma população cada vez mais envelhecida, são poucas as receitas provenientes da contribuição de quem está em idade activa, para garantir o pagamento das pensões de reforma a todos aqueles que deixarem de trabalhar remuneradamente.<br />
Os sistemas de previdência social quando foram inicialmente criados tinham na base uma realidade demográfica que possibilitava a sua exequibilidade. As pessoas viviam durante menos tempo, pelo que as pensões de reforma deveriam ser atribuídas por períodos de tempo relativamente curtos. As contribuições financeiras dos trabalhadores durante a sua vida activa cobririam, numa lógica de solidariedade, as despesas com as futuras pensões de velhice. O tempo de repouso após uma vida de trabalho seria em princípio de curta duração, e a sustentabilidade do sistema estaria então assegurado. <br />
As alterações profundas que, entretanto se deram nas sociedades vieram desestabilizar todo o quadro previsto e agora fala-se da necessidade de rever o programa social vigente, apelando-se para a necessidade e conveniência de chamar a população sénior à cooperação activa na dinâmica da vida em sociedade. O prolongamento da idade de reforma começa a ser avançado no quadro jurídico de muitos países ocidentais, ao arrepio de todas as expectativas legitimamente criadas, na base do esforço financeiro feito pelos interessados. <br />
Este propósito não se coaduna, contudo, com as necessidades de emprego das gerações mais novas, que perante a mecanização e tecnologia das sociedades avançadas, que dispensa muito de mão-de-obra, se defrontam com uma grave crise de desemprego estrutural, tanto mais grave, quanto se prolonga o tempo de ocupação dos postos de trabalho por quem já deveria estar a gozar a sua reforma. <br />
Numa sociedade que se pauta fundamentalmente por critérios de rentabilização económica de todos os sectores de actividade, onde o lucro é o grande objectivo num mundo transformado em grande mercado, parece evidente que as pessoas devam ser usadas e canalizadas para produzirem mais valia económica. Faz, por isso, sentido que se pense em reduzir ao máximo o período de tempo de inactividade laboral dos agentes sociais, aproveitando-os em vista do crescimento económico que se pretende acima de tudo. Na luta contra a carência material que assolou as sociedades de antanho, este objectivo parece ainda longe de ser alcançado em plenitude, pelo que se orientam sobretudo as pessoas para a produção dos bens materiais. Neste contexto, surge logicamente a ideia de permanência dos idosos na vida activa empresarial e económica, na presunção do enriquecimento de toda a colectividade, restringindo-o ao seu aspecto meramente material. <br />
Outro ponto de vista poderá, no entanto, ser apresentado, que é a de enriquecimento humano e cultural dos grupos e das sociedades, que não privilegie de forma tão acentuada a produção e consumo de bens materiais em grande profusão. Assim que esse suporte básico de sobrevivência estiver garantido ao nível geral, mediante o progresso da economia nas sociedades mais avançadas, a atenção das pessoas voltar-se-á cada vez mais para outro tipo de necessidades, numa lógica de ascensão na escala das mesmas, passando a ser dada cada vez maior importância aos domínios da cultura, da arte e da qualidade das relações dos seres humanos consigo próprios e com os outros. <br />
Neste contexto, fará todo o sentido que as pessoas de maior idade deixem de ser um peso para a sociedade, quando entendidos como agentes inactivos no conjunto da produção económica comum, já que estarão mais do que nunca aptos a contribuir para o enriquecimento humano das colectividades em que se inserem, dada a bagagem cultural já alcançada com o decorrer dos anos, o que será extremamente valorizado nas épocas futuras. Se a predominância do esforço físico e do trabalho braçal já foi ultrapassada na época que presentemente se vive, com o desenvolvimento do sector terciário e da tecnologia avançada, no entanto, ainda se dá excessiva importância à aquisição de bens materiais, porque a sede de consumo, iniciada em épocas anteriores de grande carência, está longe, por ora, de se encontrar totalmente saciada. <br />
Logo que enfraquecer a corrida para aquisição das coisas que presentemente se desejam, tornar-se-ão elas cada vez mais baratas, tendo em conta a lei económica de oferta e procura, e os investimentos na produção nesses bens deixarão de ser vistos como interessantes. A era do consumismo tenderá, pois, a morrer e as pessoas contentar-se-ão com uma vida material confortável, mas sem excessos em termos de luxo ou de miséria.<br />
A atenção dos homens e das mulheres voltar-se-á para a exaltação dos dons criativos de cada um, e para o crescimento harmonioso dos conjuntos sociais, tendo em conta o cultivo da qualidade de vida das pessoas, dada a ênfase que então se dará ao lazer, entendido este agora como aquele que resta para lá do tempo de actividade laboral remunerada, que nesse futuro será cada vez mais curto. <br />
O auto-conhecimento, pressuposto essencial da felicidade e evolução humanas terá assim maior probabilidade de ser prosseguido, dado que serão aos aspectos interiores e psíquicos da personalidade a prevalecer nas preocupações e investimentos próprios de cada pessoa, que terá mais facilmente garantido o suporte físico e material da vida.<br />
Até que tudo isto se verifique, o que revolucionará a nossa perspectiva sobre o envelhecimento do ser humano, vemos na sociedade actual o lugar dos velhos como secundário para o desenvolvimento comum, e depreciada a condição de idoso. O hedonismo reinante valoriza a sensualidade, a força e a beleza da imagem, considerando como contrária a tudo isto a ideia de velhice. O lugar que, nas sociedades tradicionais, o ancião ocupava no contexto das comunidades de vida, como guardião da história comum e sinal de sabedoria acumulada, desapareceu numa sociedade onde o conhecimento se perpetua não pela via do relato oral transmitido de geração em geração, mas através da instrução formal proporcionada pela escola e pelos diversos meios de comunicação social, a que a população vai tendo acesso de forma generalizada.  <br />
Se antigamente, o alcançar uma idade avançada era um acontecimento raro e por isso alvo de admiração por parte da colectividade, com a melhoria das condições de vida das nossas sociedades actuais, o envelhecimento é um fenómeno comum e até criador de problemas sociais, dada a protecção que se impõe fazer a quem deixa de produzir bens económicos. A aceleração crescente das vidas em sociedade, dada a necessária competitividade entre as economias em jogo e os seus vários sectores, faz ainda ressaltar esta desvalorização sentida para com os idosos, cujos corpos não acompanham com tanta facilidade a rapidez e dinamismo que se impõem. <br />
O materialismo é, pois, a tónica ideológica do mundo em que presentemente vivemos e por isso olhamos para a velhice da forma que atrás indicámos. Quando se chega à idade de reforma, julgamos já não se servir para nada, de ter chegado a época de descanso, retiramo-nos da dinâmica costumeira e por arrastamento, afastamo-nos da vida. A solidão e a depressão passam a ser fenómenos comuns nestas circunstâncias, porque os laços que antes criámos desaparecem e não sabemos criar outros. Todas as ideias que absorvemos em relação a esta fase da vida reforçam esta desvalorização que sentimos e, pouco a pouco, sentimo-nos morrer, recusando a fase que estamos a viver. A nostalgia dos tempos passados, como portadores de tudo o que de bom existe, assalta-nos como de sentimento natural se tratasse e quase nos envergonhamos das rugas que o nosso rosto revela. Queremos parecer mais novos, como se isso nos desse o estatuto perdido e nos devolvesse à vida que julgamos ver desaparecer. <br />
Envolvidos em toda esta ilusão, não nos apercebemos que muito daquilo que a vida contém por explorar, está mais do que nunca ao nosso alcance e que a diminuição de actividade física, possibilita um maior contacto do ser consigo próprio, aumentando-lhe as oportunidades de se auto-conhecer. A dimensão espiritual poderá então ser mais trabalhada e o investimento em novos interesses de índole intelectual ou artística poderá agora ser maior. Se a vida trepidante de outrora, exigida pelos imperativos de natureza profissional, nos permitia a sobrevivência, talvez também nos arredasse do fundamental, ou seja, da relação íntima do ser consigo próprio, configurando assim, mais do que uma actividade humana bem conseguida, uma preguiça activa, porque reveladora da fuga ao trabalho interior que a vida pede a cada um de nós, embora o corpo se movimente. <br />
Estar activo não é, pois e apenas, trabalhar objectivamente, criando obras facilmente visíveis no mundo exterior, mas e fundamentalmente actuar-se de forma consciente, ou seja, utilizando os recursos internos de natureza criativa, que nos liga inteiramente àquilo que fazemos, realizando-nos por isso, porque seremos uma unidade ontológica em todas as intervenções e obras.           <br />
Se somos tentados na fase da reforma a deixar de actuar em relação a nós e ao meio social, é porque o viver que tínhamos antes era determinado muito mais por uma necessidade imperiosa de sobrevivência, que nos forçava a um trabalho obrigatório, mas não assumido interiormente, como fonte de satisfação e sinal de criatividade. Passivamente, deixávamos correr os dias de acordo com um programa imposto de fora para dentro, repetindo os gestos e comportamentos que a realização do trabalho remunerado exigia. Cindidos, não púnhamos alma naquilo que fazíamos e apenas os nossos corpos e habilidades aprendidas executavam por fora aquilo que não tinha correspondência ao nível do sentir. Se assim não fosse, como se poderia explicar a tendência para a inércia e imobilidade das pessoas que entraram na situação de reforma? Habituámo-nos a que fossem os outros, as circunstâncias e a sociedade em geral que determinassem o essencial das nossas vidas e esta atitude passiva reflecte-se na imobilidade a que nos remetemos, logo que não nos obriguem a mexer e a interagir. Sem interesses criados, por demissão pessoal da responsabilidade de se encontrar o sentido para a própria vida, esperamos que continuem a ser a sorte ou o destino a dar-nos a felicidade nunca encontrada e ficamos parados, sem utilidade nem para nós nem para os outros. Pelo contrário, se tivesse sido outra a postura mental anterior, sempre que findas as nossas vidas profissionais, sentiríamos apelo para continuar a agir, de forma a rentabilizarmos as capacidades individuais, em prol de nós próprios e do bem comum. Não teria de ser necessariamente através do trabalho remunerado, mas sim como dádiva pessoal daquilo que fôssemos, após um trajecto de vida já feito de forma criativa e autónoma. <br />
Todo o capital humano inerente a cada vida, desperdiça-se de facto sempre que vivemos apenas à periferia do nosso ser, remetendo para o acaso e para a força das circunstâncias o rolar dos acontecimentos e isso evidencia-se notoriamente no quadro vigente, de uma multidão de idosos que se consideram com direito à inactividade e à ausência de participação cívica, muito embora possam estar ainda de posse das suas capacidades físicas e mentais, não esquecendo contudo as condições de vida de grande parte das gerações mais velhas, que não tiveram acesso aos requisitos mínimos de escolaridade que possibilitassem a descoberta e criação de interesses individuais.</p>

<p> <br />
 Margarida Branco<br />
</p>]]>

</content>
</entry>
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<title>                          A  ROTINA</title>
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<modified>2005-12-29T20:10:18Z</modified>
<issued>2005-12-29T20:04:20Z</issued>
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<created>2005-12-29T20:04:20Z</created>
<summary type="text/plain">As rotinas do nosso quotidiano inserem-se num processo constante de criação e destruição, de fazer e desfazer, fazendo lembrar os ciclos de morte-vida, em que tudo se insere neste plano de existência. Assim, repetimos os mesmos procedimentos todos os dias,...</summary>
<author>
<name>ferguida</name>
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<email>ferguida01@hotmail.com</email>
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<![CDATA[<p>As rotinas do nosso quotidiano inserem-se num processo constante de criação e destruição, de fazer e desfazer, fazendo lembrar os ciclos de morte-vida, em que tudo se insere neste plano de existência. <br />
Assim, repetimos os mesmos procedimentos todos os dias, como condição de sobrevivência, como se importasse manter o suporte físico em condições adequadas, para que a vida se vá processando, para que a aquisição de consciência se vá fazendo. <br />
Vejamos que precisamos de comer diariamente, mesmo que logo a seguir expulsemos muito daquilo que comemos, através da evacuação. Todos os dias nos lavamos, embora sabendo que no dia seguinte o processo orgânico obrigará a nova higiene. Usamos as roupas que cobrem o nosso corpo, que terão por isso de ser repetidamente lavadas, para se poderem usar e logo a seguir sujar de novo. <br />
Estes ciclos são intermináveis, enquanto habitamos um corpo, fazendo lembrar que mais do que o resultado em si, o que importa é a consciência que se põe nas coisas que se manipulam, consciência esta que se alcança através da interacção entre realidades diferentes. Assim, todos os procedimentos quotidianos enunciados se inserem num processo de troca entre a matéria e o ser pensante, e aquilo que parece não levar a lugar nenhum, permite a manutenção da vida terrena, pois é com vista à subsistência do corpo que esses procedimentos se efectuam. <br />
Vivendo nós num mundo de ilusões, onde o campo dos efeitos sobreleva o das causas, parece-nos desencorajadora esta indispensável actividade diária, que se repete necessariamente, sem evidenciar um resultado visível e destacado. <br />
Parece, pois, que o que importa é viver, sabendo que o que se alcança com a vida está para além dos resultados concretos e materiais, isto é, visa ela, através das experiências que possibilita, o aumento do grau de consciência dos seres viventes.<br />
Importa, pois, mais do que a acção em si, a intenção e atitude com que é feita, que denota o grau de consciência com que a mesma é executada. O estado mental subjacente, como princípio criador que é, origina, por sua vez, a manifestação da realidade individual e colectiva, podendo esta ser medida pelo conjunto de realizações conseguidas pelos seres humanos. Conforme seja o grau de consciência de cada um, assim se verão os frutos correspondentes em obras e trabalhos conseguidos.  </p>

<p><br />
Margarida Branco<br />
</p>]]>

</content>
</entry>
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<title>O EGOÍSMO</title>
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<issued>2005-12-11T15:24:38Z</issued>
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<created>2005-12-11T15:24:38Z</created>
<summary type="text/plain"> O egoísmo e o altruísmo são consideradas como duas faces opostas do comportamento humano. O egoísmo será a concentração e o fechamento no ego, correspondendo este à face exterior e superficial da realidade ontológica do homem e da mulher...</summary>
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<![CDATA[<p></p>

<p>O egoísmo e o altruísmo são consideradas como duas faces opostas do comportamento humano. O egoísmo será a concentração e o fechamento no ego, correspondendo este à face exterior e superficial da realidade ontológica do homem e da mulher e o altruísmo, por seu lado, reflectirá a atenção e amor aos outros, em resultado de uma visão mais profunda do eu. <br />
Quando polarizado no ego, o ser enfatiza a ideia de separação dos demais e do ambiente circundante e tenta preservar a todo o custo essa ilusória realidade, canalizando para si todos os recursos e energias, julgando que, com isso, preservará a sua preclitante identidade. Considerará, assim os seus interesses pessoais como prevalentes e em oposição aos dos outros e acima de tudo quererá desfrutar dos prazeres da vida, mesmo que à custa da privação dos mesmos por parte das pessoas alheias. <br />
O aprofundamento ontológico da identidade humana é um trabalho infindo e, se uns já fizeram muito caminho e se encontram numa fase mais adiantada do processo de auto-conhecimento, outros há que ainda não o fizeram tão completamente. Estão estes apenas conectados com a personalidade primária, o ego, que se restringe às sensações, emoções e pensamentos ligados aos cinco sentidos, ao intelecto e a toda a materialidade do mundo. Negam a existência, por desconhecimento, de zonas mais subtis e espirituais do ser humano, onde o universo imenso constitui o interior de cada um, e onde a vida se descobre, por auto-conhecimento. Nestas dimensões íntimas, a realidade individual é também o Todo, sendo a ideia de separação convertida à de Unidade. <br />
Quem se afiniza com esta zona mais substancial e originária do Ser, passa a ligar-se intimamente à vida e esse amor, dirige-se então a tudo o que se manifesta, quer seja ele próprio, sejam os outros, o seu meio ambiente ou mundo em geral. Torna-se assim maior, ao incluir em união ele e os demais, percebendo que a sua felicidade e evolução só poderá atingir-se através do serviço pelo bem comum. Aquilo que antes o impulsionava a cuidar do seu ego, numa atitude de alheamento em relação aos interesses alheios, transforma-se numa convicção interior de que aquilo que é bom para si terá de o ser também para os outros habitantes deste mundo, e o egoísmo inicial começa a dar lugar ao denominado altruísmo, que é o amor em movimento e manifestação, que ao une em vez de separar.<br />
Percebe-se, assim, que as pessoas se tornam egoístas, por insegurança e medo, dada a concepção que têm de que os outros e o ambiente poderão transtornar o seu anseio por reconhecimento e afirmação como indivíduos. A atitude torna-se, então, defensiva, e a única preocupação é a realização dos seus próprios interesses e necessidades, com exclusão dos que respeitam ao que lhes é alheio. Há, pois, que entender que, quando alguém revela sinais de egoísmo, possessividade, apego, rejeição ou intolerância, considera-se identificado com a ideia de divisão entre as partes, o que por ser tão contrário à natureza essencial da realidade, lhe cria sentimentos de insegurança. <br />
Contribuindo, assim, para a exclusão, trazem ao mundo dor e sofrimento, em vez da união ou o amor que todos buscam, consciente ou inconscientemente. Se assim procedem, é porque não alcançaram ainda uma compreensão mais consentânea com as leis da vida, que apelam à união, como fonte de criatividade e harmonia.<br />
Conclui-se, então que não há que julgar os comportamentos humanos, mas sim compreendê-los. Todos nós agimos na base da percepção alcançada e fazemos aquilo que conseguimos fazer, a partir daquilo que o nosso olhar alcança. O egoísta distingue-se do altruísta, apenas pelo grau de intervenção feita na base dessa compreensão. Aquele vê menos, porque julga ser a vida apenas o que os seus sentidos objectivos lhe mostram, acentuando a ideia de conflito entre as partes manifestadas. Quem consegue comportar-se de uma forma diferente, trazendo a quem o rodeia maiores benefícios e atenção, alcançou uma perspectiva mais abrangente, que abarca o conhecimento e a experiência dos vários planos do ser. Descobriu, assim, que a sua identidade pessoal e a auto-realização são indissociáveis da evolução dos demais, já que no universo interior descoberto, não há divisões, mas tudo reverte à unidade de todos os seres. <br />
Quer num caso, quer no outro, procura-se a realização e afirmação pessoais, acreditando o egoísta que, para tanto, cada um deve buscar a satisfação dos seus próprios interesses em antagonismo com os demais e concluindo o altruísta que o seu interesse pessoal se liga aos da humanidade no seu todo. <br />
Não haverá, pois, que assacar culpas a quem quer que seja, pois, ninguém pode dar aquilo que não tem, e cada um procede em consonância com aquilo que é. Apenas há que crescer e evoluir, de forma a melhor nos conhecermos e assim alcançarmos a totalidade daquilo que somos e não nos confinarmos ao que erradamente julgamos ser. Somos maiores do que podemos perceber e no fundo de nós reside o amor, a liberdade e a alegria que é a celebração da vida, onde os segmentos desaparecem, e tudo é em unidade.   </p>

<p>   <br />
Margarida Branco </p>]]>

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<title>Olhando a Vida</title>
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<![CDATA[<p><br />
A forma como perspectivamos a vida poderá dizer-se que assenta num equívoco. Julgamos haver uma realidade que somos nós e outra que nos é exterior. Isto leva a um fraccionamento da realidade, que é a ilusão em que assenta o mundo interior de todas as pessoas que ainda não atingiram a iluminação. Damos toda a consistência à pobreza dos nossos egos e separamo-nos assim da grande corrente da vida de que somos manifestações e não agentes isolados. Em vez de percebermos que tudo parte da vida e que esta é o foco por onde tudo passa e donde tudo parte, inclusivamente nós, deslocamos esse ponto de observação e partida para as nossas ilusórias personalidades, perseguindo desesperadamente os nossos interesses e desejos limitados e julgando poder atingir a realização de forma individual e isolada.    <br />
Se, pelo contrário, conseguíssemos perceber que a consciência individual é a forma da vida se consciencializar e que o sentimento de sermos nós próprios é a forma de a vida se expressar, não nos remeteríamos a nós mesmos, julgando-nos seres distintos dos outros, mas entregar-nos-íamos ao Todo que somos, para que esse Todo fosse manifestado.<br />
Esta compreensão, esta percepção interior, soltar-nos-ia da prisão aos nossos egos e projectar-nos-ia para uma visão ilimitada daquilo que somos, estabelecendo a unidade com tudo. Esta nova ordem de intelecção da realidade levar-nos-ia a uma entrega inevitável, pois então perceberíamos que é o Todo que age em nós, devendo a vida realizar-se através do nosso Eu mais profundo. </p>

<p><br />
Margarida Branco<br />
</p>]]>

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<title>A PROPÓSITO DE RELACIONAMENTOS</title>
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<![CDATA[<p></p>

<p>É no campo das relações humanas, que nós podemos perceber como estamos, como somos; é um bom meio de auto-conhecimento, porque é na forma como vemos e reagimos àquilo que os outros nos mostram, que a nossa personalidade se revela. As pessoas com quem nos relacionamos fazem ressaltar as nossas virtudes e os nossos defeitos, os medos e as vitórias já alcançadas. <br />
De entre os vários reinos da natureza, o humano é aquele que menos imperativos naturais tem para a sua existência. Enquanto que os seres animais e vegetais dependem totalmente da natureza, sendo o seu comportamento e manifestação determinados pelas espécies e por isso igual em todos os lugares e latitudes geográficas do mundo, o homem, embora com condicionantes naturais, apenas subsiste através dos outros seres humanos, criando com eles um mundo paralelo à natureza, o mundo da cultura, que torna diferentes as pessoas, de acordo com esse contexto criado. É como se o homem, como o mais evoluído dos seres da natureza, pela autonomia e consciência já alcançadas, tivesse condições de colaborar na transformação assumida e consciente do mundo, através das suas criações específicas. Há, também, como que um apelo único à construção do amor, entendido este como a união a estabelecer. Com efeito, sem a cooperação, sem a ajuda mútua, ou seja, sem o amor, o mundo das pessoas não tem realidade. Nada somos sem os outros, precisamos deles para fazer o mundo, nosso e de todos.<br />
É, pois, com os outros que temos de viver e crescer, os quais, por nos serem semelhantes, suscitam o estabelecimento de comparações, tal como espelhos que somos uns em relação aos outros. As características alheias ressoam de forma particular em nós, sendo interpretadas de acordo com a nossa perspectiva pessoal, conforme a nossa realidade mental. Olhamos para o outro através dos nossos olhos, e por isso nunca o conhecemos tal como ele de facto é, mas filtrado pela criação que dele fazemos, mediante a nossa própria realidade. Os relacionamentos desenrolam-se, pois, neste contexto e as mensagens do nosso semelhante são recebidas e percebidas no quadro mental de que dispomos. Por isso, iremos dar-lhe aquilo de que somos capazes e levamos para a relação as projecções que fazemos de nós próprios e da nossa mundividência.<br />
Tendo em conta este pressuposto, percebe-se que uma relação será tanto mais construída quanto cada uma das partes estiver envolvida num processo de auto-conhecimento, já que os intervenientes, envolvidos num processo de análise, procurarão perceber o que está em jogo na interacção, descobrindo o que se passa consigo ao nível das sua realidade pessoal e projecções mentais, e o que, de forma similar, acontece com o outro. Cada um procura assumir a sua quota-parte da responsabilidade daquilo que acontece e são desmontadas as razões que estão por detrás das reacções tidas, das condicionantes mentais existentes. A verdade de cada ser aparece mais claramente e a aceitação recíproca torna a relação amorosa. São enfatizadas as causas dos comportamentos em detrimento dos seus efeitos, o que não acontece com as pessoas não abertas para um trabalho interior. Não entendendo as causas, por não haver introspecção, as pessoas rejeitam aquilo que se evidencia como desagradável, sem mais, sendo fácil gerar-se o atrito e a confusão. Procura, então cada um, na sua atitude de defesa perante a ameaça que sentem pela agressividade do outro, fazer prevalecer o seu domínio, de forma a que saiam vencedores na luta pelo poder dos egos em que assenta o relacionamento. A segurança, ilusoriamente procurada por este meio, só advirá contudo do nosso próprio interior; de nada vale <br />
querermos manipular os outros para nos sentirmos seguros, ninguém nos pode dar aquilo que só nós podemos alcançar.<br />
Para sabermos até que ponto poderemos fazer um pouco disto nas relações diárias, reflictamos no afecto tido aos nossos familiares. Será que ele assenta na ideia de reciprocidade? Ou seja, damos amor porque em troca somos amados? Ou seríamos capazes de os amar, mesmo se nos rejeitassem? Exigimos carinho, atenção e se isso não acontece, ficamos frustrados e magoados? Ou deixamos que as pessoas sejam como são, expressando ou não sentimentos para connosco? Isto é, somos capazes de dar aos nossos entes queridos, o amor que irradia naturalmente da nossa alma para com todos os seres, estando particularizado nas pessoas com quem vivemos e a quem nos ligámos, ou antes sentimos necessidade de eles dispor na presunção de alcançarmos segurança num mundo onde só, nada valemos? E os conflitos que por vezes ocorrem na nossa família, a que são geralmente devidos? À incapacidade de aceitar outras formas de ver e proceder, à dificuldade em compreender as razões profundas que levam as pessoas a dirigir-nos palavras menos amistosas, provocando em nós a situação assim criada um sentimento de insegurança que origina também palavras ásperas da nossa parte? Enquanto não nos formos encontrando, teremos tendência a fazer barreira com os nossos conceitos e procedimentos habituais, porque eles são o baluarte de defesa da nossa pretendida identidade, tremulamente alicerçada numa personalidade criada, distante daquilo que ontologicamente somos. A insegurança desta maneira criada, leva-nos à intolerância e à agressividade, na tentativa de, dessa forma, preservar aquilo que identificamos ilusoriamente como nosso. Fechados, assim, não percebemos o fluir do amor em nós, perdendo então a segurança que só ele dá, levando-nos a reagir de forma pouco amistosa a tudo o que faz ressaltar essa insegurança. Buscando o afecto não em nós mas colhendo-o dos outros, ficamos assustados e zangados com eles sempre que parece não o recebermos. Teremos, então, tendência a responsabilizar o outro pelo desagrado que sentimos, atribuindo-lhe a culpa das nossas reacções, pela forma como ele se conduziu. Numa linha de compreensão do processo em jogo, deveremos antes, perceber, nos desentendimentos havidos, que se ao comportamento de outrem não reagimos harmoniosamente, deveu-se a algo que interiormente temos e que não queríamos que fosse evidenciado. Devemos, pois, acima de tudo estar atento a nós próprios, para nos podermos descobrir através dos outros, e dessa forma distinguirmos aquilo que a cada um pertence, num respeito mútuo pelas opções próprias e pelos diferentes modos de ser. </p>

<p><br />
Margarida Branco<br />
</p>]]>

</content>
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<title>AUTO-CONHECIMENTO</title>
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<issued>2005-10-06T22:46:52Z</issued>
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<![CDATA[<p></p>

<p>Quem sou eu ? De onde venho ? Para onde vou ? São estas as três questões básicas que norteiam o ser humano na senda da descoberta do mistério da vida. A constatação da nossa existência pessoal transporta-nos para aquilo que a originou, permitindo-nos vislumbar a grande arquitectura da vida, de que somos peças e agentes. <br />
É através da nossa percepção e do sentir íntimo que olhamos para o grande conjunto de que fazemos parte, sendo por isso o auto-conhecimento a ponta do véu que se quer levantar. Só podemos compreender e percepcionar a vida através de nós mesmos e daí todo o conhecmento ser conhecimento de si. Se não nos conhecermos, não descobriremos o universo e os deuses, tal como se dizia na entrada do templo de Delfos, na Grécia antiga.  <br />
Em cada um de nós se encontra a vida e por isso ansiamos por nos descobrir e afirmar, pois a identidade própria é o caminho por onde se vai ao encontro daquilo que nos transcende.<br />
Em todas as experiências vividas, é de facto a busca da identidade que nos move essencialmente. A relação com o mundo e com as outras pessoas possibilita esse desbravar, essa tomada de consciência, porque ao interagirmos dessa forma aprendemos a conhecer-nos, já que todo o meio envolvente surge-nos como espelhos reflectores da nossa realidade pessoal. <br />
Todo o caminho à face da terra tem no fundo o sentido do auto-conhecimento. A consciência só pode alcançar-se através da experimentação, que a vida proporciona. <br />
No início desse percurso, começamos por nos identificar com a nossa imagem exterior, com o nosso corpo e com o papel social desempenhado e buscamos a validação da nossa identidade através dos outros. Por ser pouca a consciência interna, julgamos ser aquilo que a sociedade e o meio em que vivemos dizem sermos. O equipamento instintivo e o mundo sensório são prevalecentes e vamos gostando de nós mesmos na medida em que os outros nos apreciem, pelo que sobretudo queremos receber, numa ânsia egoística, porque nos julgamos separados e por isso frágeis e inseguros. O ser funciona então de uma forma reactiva, não considerando os outros senão como meios de satisfação das suas próprias necessidades. O amor é ainda incipiente e infantil, confundindo-se com a ideia de posse e apego. No domínio das relações humanas, que se pautam pela desarmonia e o conflito, dado estarem em jogo personalidades consideradas separadas umas das outras e por isso na defensiva recíproca, há uma tendência para a dominação, já que a segurança ainda não emergiu de dentro das pessoas, julgando-se antes que a mesma decorrerá da garantia da posse do outro. Aquele que faz parte da órbita da vida de alguém, contribui para a sua auto-afirmação, sendo por isso assustador que o mesmo se afaste, se perca. Sentimentos de paixão podem então surgir, confundindo-se isto com amor, já que os sentimentos são poderosos e inebriantes. <br />
Estas primeiras experiências são contudo importantes, porque a personalidade tem desta maneira um contacto incipiente com a energia amorosa, percebendo assim como ela é importante nas nossas vidas. <br />
A crítica e a intolerância são a regra nos relacionamentos e a criatividade humana é muito exígua, porque a capacidade de reflexão não se encontra ainda desenvolvida. Cada elemento adere ao que a mente colectiva determina e a evolução processa-se por isto paulatinamente. A sujeição ao que os demais pensam e determinam é preponderante para a criação da auto-imagem, já que as pessoas não se assumem ainda como seres dotados de autonomia em relação ao conjunto em que se integram. O ego está em formação e ainda não cresceu o suficiente para se definir de forma única, demarcando-se do que a sociedade ou os grupos em que se processa a socialização criaram e em paralelo contribuindo criativamente. A imagem tem de ser validada pelos outros, sendo gritante a dependência da opinião alheia, e a incapacidade de se revelarem discordâncias quanto às normas e valores comumente estabelecidos. Inseguro, porque pouco afirmado, o homem ou a mulher têm tendência a apegar-se àquilo que faz parte da sua esfera de vida, sendo forte o sentimento de catexia e a tendência a privilegiar-se o ter em detrimento do ser. Este ainda se encontra adormecido e a ênfase no exterior redunda na ilusão de que quem muito possui muito pode e vale. Os instintos animais e a condição biológica prevalecem, havendo apenas a consciência de ser e não ainda a consciência do ser. As pessoas vivem então ao sabor das circunstâncias exteriores, e a sua criatividade e intervenção activa pouco se manifestam. <br />
À medida, porém, em que vamos criando estabilidade pessoal, mediante este processo, vamos deixando emergir as nossas potencialidades interiores que nos definem como seres humanos, e essa auto-afirmação cria a estima necessária á continuação da exploração própria, com vista ao auto-conhecimento. <br />
E percebemos, então, que só conhecendo-me me posso amar e só amando me posso conhecer. Este amor vai sendo descoberto à medida que evoluo e só cresço através do conhecimento. Mas este será sendo tanto maior, quanto mais alcanço a natureza primordial e íntima do eu, que é o amor. Essa realidade original contém todo o conhecimento e só a ela se chega através da transformação interior, que envolve um trabalho constante sobre a personalidade, de forma a que se descubra o eu profundo, removendo as camadas ignorantes que o encobrem. É em vista desse pleno encontro, que a caminhada humana se faz neste plano terreno. <br />
Se queremos progredir, teremos pois que estar atentos àquilo que nos dificulta o caminhar, ou seja, os problemas, os bloqueios, as dificuldades, o desamor que nos barram a senda e que não nos deixam ver o fundo de nós próprios. Teremos, para isso, que ter coragem de assumir a responsabilidade dos nossos actos, não assacando a outros a razão daquilo que nos acontece. Reflexivamente, procuremos interrogarmo-nos a cada momento para saber a razão de ser daquilo que nos provoca determinadas emoções e formas de ver a realidade. Porque reagimos de determinada maneira àquilo que os demais nos devolvem quando com eles interagimos? O que é que o outro me está a mostrar? De nada vale eu não querer ver, porque ficarei então preso daquilo que noutra ocasião será de novo evidenciado até que eu me disponha a resolver o que me dói e deixa desconfortável o meu ser. Tiraremos então muitas conclusões e uma delas será a de que aquilo que menos toleramos nos outros é muitas vezes aquilo que menos trabalhado temos na nossa personalidade e que a rejeição feita em relação ao nosso semelhante mais não é do que a recusa a enfrentarmos a dificuldade que nos pertence. <br />
Vamos, assim, desvelando aos poucos o esplendor da essência que nos habita e que é a matéria prima de que os mundos são feitos, começando, no início, por confundir a grandeza do ser que somos com os limitados egos, que enfatizam a pequenez e a separação e percebendo por fim que todos somos Um e que o amor a si é indissociável do amor à vida e aos outros e que a auto-estima conquista-se se soubermos realizar um mundo melhor. É sempre, contudo, o amor que nos move nesse longo processo, muito embora seja muitas vezes mal entendido e canalizado contra as leis da vida que impelem à fusão, à dádiva, à permuta e não ao separatismo e a tudo o que isto traz de destrutivo e sofredor. Quando a Luz se fizer no fundo do túnel, conhecer-nos-emos como unidade e amor total.    </p>

<p>Margarida Branco   <br />
</p>]]>

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<title>A VIDA É MOVIMENTO</title>
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<modified>2005-10-01T23:14:13Z</modified>
<issued>2005-10-01T23:11:55Z</issued>
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<summary type="text/plain"> A vida é movimento. A morte é repouso. A matéria, embora dotada interiormente de movimento nas suas partículas elementares, afigura-se aos nossos olhos como inerte, por não evidenciar sinais de movimento exterior. Parece, assim, ter sido necessário o contributo...</summary>
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<![CDATA[<p></p>

<p>A vida é movimento. A morte é repouso. A matéria, embora dotada interiormente de movimento nas suas partículas elementares, afigura-se aos nossos olhos como inerte, por não evidenciar sinais de movimento exterior. Parece, assim, ter sido necessário o contributo da energia vital, para a animação da matéria e a manifestação do movimento a todos os níveis densos e aparentemente inertes. Desta forma se operou um salto evolutivo, já que da morte que a matéria contém, passou-se à vida que a energia tem. A morte e a vida são, assim, as duas faces da moeda deste plano terreno, onde a matéria  (onde prevalece a morte) e a energia (fonte de vida) dão origem a toda a sorte de manifestações do mundo da forma. Se não tivesse havido o contributo de algo que não lhe pertence, a matéria revelaria apenas o factor morte, porque tenderia para a inércia, que é a recusa e resistência à mudança e movimento. <br />
Na nossa vida pessoal as coisas obedecem à mesma lei. Porque os corpos que habitamos, emanam do mundo da matéria, há uma tendência instintiva e natural, porque biológica, para a imobilidade, para a ausência de esforço e inacção. Mas, porque também nos habita o espírito da vida, queremos a mudança, a evolução e sentimo-nos impelidos a trabalhar nesse sentido. Quanto maior é o nível de consciência alcançado, mais capazes estamos de assumir a responsabilidade de operarmos sobre a nossa história e esforçarmo-nos para que o desenvolvimento se processe, isto é, maior a tendência para o movimento ou mudança. <br />
Parece, pois, que nos distanciamos do propósito divino, quando nos recusamos ao trabalho que nos foi pedido, que é o de combater a morte, trazendo o espírito da vida à terra, que traz consigo a necessidade de mudança, ou seja, a variação de estados ou manifestações. Visa o processo em causa que as sucessivas mortes se transformem em vida, até que já a morte seja definitivamente eliminada, quando a matéria onde a mesma reside, se transforme em pura energia. <br />
É, por isso, compreensível, que as pessoas ainda não despertas para a vida espiritual, e por isso inconscientes do propósito superior da humanidade - o de trazer o céu à terra, ou seja a vida à morte, o espírito à densidade -, se remetam para uma passividade, uma inércia interior, em resultado do enfoque na sua dimensão material, que tende, como vimos, para a inactividade e resistência à mudança. <br />
Nesta fase, deixam-se os seres arrastar ao sabor das circunstâncias exteriores, esperando que elas lhes tragam a resolução dos problemas, porque não é ainda o princípio dinâmico do espírito que está em acção, que impele a uma intervenção activa sobre aquilo que acontece, na linha de uma assunção responsável pelo processo de mudança que importa fazer. Nessa fase, as transformações são paulatinas e se o ser humano procura alterar as circunstâncias da sua vida, em busca dos seus anseios pessoais, fá-lo não tanto na base de uma auscultação interior para que as acções cumpram o plano evolutivo, mas sobretudo alterando os factores externos e ambientais, que porventura obstaculizam os desejos pessoais.        <br />
Podemos, assim, concluir que, nas primeiras fases de crescimento da consciência humana, e como sinal da tendência terrena para a inércia, é esta que prevalece, como factor de normalidade, sendo necessário o impulso de uma consciência acrescida, para que o homem ou a mulher sintam motivação suficiente para operarem uma intervenção activa sobre a sua própria vida, fazendo conjugar os factores internos provenientes da sua consciência íntima e os que emanam do ambiente que os rodeia. Só, então, se poderá falar de verdadeiro trabalho humano, já que toda a agitação anterior se circunscrevia fundamentalmente às zonas periféricas do ser, ficando assim incapaz de corresponder cabalmente, por intervenção deficitária, à tarefa que desde sempre lhe foi cosmicamente destinada, que é a conversão da matéria em espírito e luz.</p>

<p>Margarida Branco<br />
</p>]]>

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